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Telemedicina: onde estamos e para onde vamos

A pandemia do covid-19 estimulou a criação de estratégias e de novos paradigmas para a prática segura de medicina que respeitasse os protocolos de saúde estabelecidos. Neste cenário, debates sobre telemedicina ressurgiram a todo vapor, sendo necessária a promulgação da Lei nº 13.989, em abril deste ano, que discorre sobre essa modalidade da medicina. Assim, a Academia Nacional de Medicina realizou, na última quinta-feira (5/11), o simpósio sobre recentes avançados em telemedicina.

As apresentações foram abertas pelo professor Chao Lung Wen, da Universidade de São Paulo, que contextualizando o tema, afirmando que estamos entrando numa “sociedade 5.0” hiperconectada, que faz uso da robótica e da inteligência artificial no dia a dia a fim de favorecer um serviço profissional cada vez mais humanizado e responsável.

“Precisamos priorizar o conforto e o estilo de vida, a promoção de saúde, a otimização do tratamento e a redução da dependência. A tecnologia serve a essa finalidade; não se trata da substituição do ato médico, mas da potencialização do mesmo numa abordagem biopsicossocial”, explica Wen.

O especialista enfatizou o conceito de casas inteligentes. Segundo ele, houve um crescimento de 22,8% do home care, nos últimos anos. Cada vez mais, dispositivos para o atendimento em domicílio, como ultrassom portátil, oftalmoscópio e otoscópio, com tecnologia mais otimizada para o uso correto e autônomo do paciente, sendo essa uma tendência para a gestão de saúde. “Em outras palavras, descentralizar e distribuir a saúde para dentro das casas sob gestão de qualidade hospitalar”.

O simpósio também contou com a sessão “Minha experiência como clínico em 2020”, apresentada pelo médico Jairo Hidal, do Hospital Albert Einsten, na qual compartilhou sua experiência com o uso da telemedicina desde exemplos mais distantes, como trocas de e-mails na década de 1990, até o contexto atual da pandemia, apresentando as vantagens e desvantagens da modalidade de um ponto de vista empírico.

Dentre os principais pontos abordados por Hidal que enfatizam a necessidade de melhorias na telemedicina, estão a educação e orientação do paciente para um melhor preparo para a telemedicina – como o uso de ferramentas e dispositivos – e uma definição mais sólida sobre a remuneração do profissional. “A melhor forma de fazer a telemedicina ser um modelo de sucesso é desenvolver uma boa telemedicina que seja satisfatória tanto para o paciente quanto para o médico”, comentou ao encerrar sua apresentação.

 
 

Coordenadores:  


Acad. Francisco Sampaio
Acad. Cláudio Benchimol

 
     
 
14h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.
Acad. Francisco Sampaio
Acad. Cláudio Benchimol

   
TeleMedicina – Caminho sem volta
   
14h10

Presidente ANM, Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
14h20

Dr. Felipe Cezar Cabral
Coordenador Médico de Saúde Digital do Hospital Moinhos de Ventos, Porto Alegre

   
   
14h30

Dr. Caio Soares
Diretor Médico da Teladoc no Brasil

   
   
14h40

Dr. Eduardo Reis de Oliveira
CEO, SantéCorp Fleury / Bradesco

   
   
14h50

Dr. Guilherme Weigert
CEO, Conexa Saúde

   
   
15h Discussão
   
   
15h40

Dr. Romeu Côrtes Domingues
Presidente do Conselho de Administração, Dasa

   
   
15h50

Dr. Fernando Pedro
Diretor Clínico e Telemedicina, AMIL

   
   
16h

Dr. Saulo Emanuel Barbosa
Coordenador Telessaúde, Prevent Senior

   
   
16h10

Dr. Eduardo Cordioli
Diretor Médico TeleMedicina, Hospital Albert Einstein
Associação Saúde Digital Brasil

   
   
16h20

Tele Oftalmologia
Dr. Paulo Henrique Morales – Instituto da Visão, EPM UNIFESP

   
   
16h30

Telessaúde
Acad. Giovanni Cerri e Acad. Fábio Jatene – Inova HC, FMUSP

   
   
16h50 Debate com a Bancada Acadêmica
   
   
17h30 Intervalo
   
Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXXIV – Ano Acadêmico 191
 
   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h10 Comunicações dos Acadêmicos
   
   
18h30

Sessão Recentes Progressos

Tema: Medicina Conectada 5.0 e Saúde Distribuída

Relator: Prof. Dr. Chao Lung Wen (Chefe da Disciplina de Telemedicina da USP)
Comentários: Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h50

Minha Experiência como Clínico em 2020
Dr. Jairo Tabacow Hidal – Hospital Albert Einstein, Escola Paulista de Medicina

   
   
19h10

Comentários
Dr. Nelson Hamerschlak – Hospital Albert Einstein

   
   
19h20 Debate com a Bancada Acadêmica
   
   
20h Encerramento
   
 

Da invenção do estetoscópio à telemedicina – É distanciamento do paciente?

O “Simpósio Telemedicina – O que fizemos em 2020 e teremos em 2021”, realizado dia 5 de outubro de 2020, de forma remota, pela Academia Nacional de Medicina (ANM) começou com uma provocação de um dos coordenadores do evento. Na ocasião, o acadêmico Cláudio Benchimol desabafou:” Na saúde suplementar, me preocupa o fato de a telemedicina vir a ser apenas uma forma de baratear os custos das operadoras de saúde. Faça o plano tal e ganhe grátis duas consultas de telemedicina”, instigou o acadêmico.

O presidente da ANM, prof. Rubens Belfort Jr., nas suas considerações iniciais, destacou que a medicina é um todo. Segundo ele, não se discute que a anamnese (a entrevista realizada pelo médico com seu paciente) e o exame clínico são importantes, assim como o relacionamento e a empatia para o bom desenvolvimento do ato médico.

– Mas, a medicina muda rapidamente e cada vez mais rápido. Precisamos perceber essas mudanças e a telemedicina é um grande exemplo disso, enfatizou o presidente.

Belfort Jr. também fez uma curiosa analogia sobre as mudanças nos séculos e o conservadorismo na área de saúde. Ele relembrou a década de 1840, quando o estetoscópio foi inventado e trouxe um “pseudo afastamento” entre médico e paciente.

“Antes da criação do estetoscópio, que hoje é um símbolo do cuidado presencial, o médico para auscultar o pulmão ou o coração do paciente precisava colocar a orelha em seu tórax e ou peito e apertar o outro lado da caixa torácica. Era um relacionamento mais próximo, quente e úmido. Quando o aparelho surgiu, temia-se que essa tecnologia seria um distanciamento da relação médico paciente”.

O presidente finalizou declarando que o cuidado presencial e a telemedicina são ações complementares. “Um outro ponto importante para refletirmos é que uma das maiores dificuldades do nosso sistema de saúde, atualmente, tanto na rede pública como privada, ainda é a questão do acesso à assistência médica. E, nesse aspecto, a telemedicina pode permitir o primeiro contato. Por isso, é papel da Academia trazer esses temas polêmicos para discussão em prol de servir a sociedade e não a interesses corporativos.”

Vale destacar que a coordenação do encontro foi compartilhada com o acadêmico e ex-presidente Francisco Sampaio, que conduziu com maestria as discussões.

O médico Felipe Cezar Cabral, coordenador médico de saúde digital do Hospital Moinhos de Ventos, de Porto Alegre, relatou a experiência bem sucedida do hospital em telemedicina, tele-orientação e tele-consulta. Cabral destacou a jornada híbrida do indivíduo nesse processo. “A telemedicina não é o fim e sim um meio. O indivíduo pode ter acesso a telemedicina antes de ser um paciente, com orientações de prevenção de doenças e orientações ambulatoriais”.

Para o médico, a telemedicina não vem para substituir o contato físico e sim para somar na jornada do paciente e garantir mais qualidade de vida. “O mundo digital e humano coexistem, paralelamente. Dessa forma, temos que tirar o melhor proveito e atender quem precisa, seja em casa por uma tela, para orientar na busca de ajuda especializada ou até a ida para uma emergência, se for o caso”, enfatizou o coordenador.

“A telemedicina não substitui uma consulta presencial. Orientamos nossos médicos a ouvir e atender com carinho, seja de forma presencial ou remota. O médico que atende pela web tem que ter bom senso e empatia também”, afirmou o presidente do Conselho de Administração Dasa, Romeu Côrtes Domingues.

Romeu destacou que a tecnologia é inexorável, não tem retorno. Mas, é preciso utilizá-la a favor da saúde da população. “A telemedicina nos possibilita preencher gaps, fazer uma boa medicina; evitar desperdícios, sermos mais democráticos e termos um sistema de saúde mais sustentável.”

Todas as relevantes apresentações dos debatedores do simpósio estão disponíveis em nosso canal no YouTube (link).  Confira as conferências dos médicos Caio Soares, diretor médico da Teladoc no Brasil; Eduardo Reis de Oliveira, CEO SantéCorp Fleury/Bradesco; Guilherme Weigert CEO Conexa Saúde; Fernando Pedro, Diretor Clínico e Telemedicina, AMIL; Saulo Emanuel Barbosa, Coordenador Telessaúde, Prevent Sênior, Eduardo Cordioli, Diretor Médico TeleMedicina, Hospital Albert Einstein; Paulo Henrique Morales, Instituto da Visão, EPM UNIFESP, dos acadêmicos Giovanni Cerri e Fábio Jatene,  Inova HC, FMUSP.

A Academia Nacional de Medicina promove seus tradicionais simpósios todas as 5ª feiras, das 14h às 20h, para debater os grandes temas da contemporaneidade na área de saúde, em prol da disseminação de informação respaldada e científica, visando contribuir com as questões de qualidade de vida da sociedade. Você é nosso convidado. Acompanhe nossas programações nas nossas redes sociais e no nosso site.

No Labirinto do Cérebro

Em “No labirinto do cérebro”, o acadêmico Paulo Niemeyer Filho divide com o leitor sua experiência como neurocirurgião e, de forma clara e acessível, descreve não só o funcionamento do cérebro como as mais recentes descobertas nessa área, explorando temas tão variados como a formação da memória, os mistérios da dor ou os efeitos por vezes inusitados de um distúrbio cerebral. A essa narrativa somam-se ainda as histórias fascinantes — e às vezes surpreendentes — de casos que acompanhou desde o início de sua carreira, e também os que ouviu de seu pai, o Dr. Paulo Niemeyer, considerado o maior nome da neurocirurgia brasileira.

Mais informações sobre o livro, que tem também versão de ebook Kindle, podem ser acessadas no link https://www.amazon.com.br/No-labirinto-do-cérebro/dp/8547001077

Árduo caminho de desigualdades na jornada contra o câncer de mama no Brasil

“O que devemos fazer na próxima semana que possa nos ajudar a resolver isso?”. Com esse questionamento introdutório, o médico Carlos Henrique Barrios, do Hospital da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, iniciou sua apresentação na sessão ordinária “Atualização em Câncer de Mama”, da Academia Nacional de Medicina (ANM), que demonstrou que a disparidade de acesso à saúde ainda é um grande empecilho nas estatísticas da doença, sobretudo em países em desenvolvimento, como o Brasil.

Quando outubro marca o mês de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, a ANM promoveu, no dia 8, um debate sobre o assunto. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, este tipo de tumor é o segundo mais comum entre mulheres no país, correspondendo a cerca de 28% dos novos casos a cada ano. “Existem evidências de que sociedades nas quais cuida-se melhor da saúde feminina apresentam melhores índices de desenvolvimento”, comenta Barrios.

No entanto, o especialista afirma que um aumento no número de casos não simboliza, necessariamente, um aumento na mortalidade. Há uma disparidade evidente e global que se observa em dados – quanto maior o PIB per capita de um país, maior o número de casos e menor a mortalidade, e vice-versa.

Uma explicação possível para este fenômeno pode ser observada no que cerne à indústria farmacêutica. Novos medicamentos trazidos ao mercado são, preferencialmente, distribuídos nos Estados Unidos, que representam 64% dos contemplados pelas novas drogas, seguidos pelos cinco principais países da Europa (18%) e pelo Japão (7%). Em outras palavras, apenas 10% das novas medicações estão disponíveis para o resto do planeta.

O cenário nacional, por outro lado, não é uníssono, e apresenta grande desigualdade. A sobrevida para os pacientes com câncer é cada vez maior e a disparidade entre os setores público e privado, nestes aspectos, tem se atenuado, exceto no estágio IV (metástase), cuja desigualdade se tornou maior.

Além disso, ainda que a distribuição etária entre pacientes nos sistemas público e privado seja quase idêntica, os estágios dos diagnósticos entre ambos são discrepantes – o que evidencia que o intervalo entre o diagnóstico e o início do tratamento é crucial para a redução da mortalidade e superação da doença, e o Brasil está entre os países que apresentam maior intervalo.

O médico também aponta como a pandemia da covid-19 trouxe grande impacto sobre as estatísticas em câncer. “Devido aos atrasos de diagnósticos e de tratamentos, os poucos meses de pandemia apresentarão consequências pelos próximos 10 anos”.

A sessão contou ainda com a apresentação do médico Benjamin Anderson, da University of Washington, que apresentou as diretrizes estratificadas de recursos e controle global do câncer, analisando, também, cenários das regiões da África e do Caribe. “Não é só o diagnóstico precoce que salva vidas, mas o acesso ao tratamento precoce”, ressaltou.

A live da ANM sobre o câncer de mama foi coordenada pelos acadêmicos Maurício Magalhães e Paulo Hoff.

Câncer de mama: da prevenção ao papel da mídia

Rastreio e prevenção primária, genética, biologia molecular, drogas alvo, segurança e estética no tratamento cirúrgico, a importância dos grupos de pacientes e o papel da imprensa foram os temas que estiveram na pauta do simpósio online “Atualização em câncer de mama”, promovido pela Academia Nacional de Medicina, no dia 8 de outubro de 2020.

“É importante prestigiar as questões sobre prevenção, diagnóstico e tratamento e as fontes de comunicação necessárias para instruir e educar”, declarou na abertura do encontro, o presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Rubens Belfort Jr. O simpósio teve a coordenação dos acadêmicos Maurício Magalhães Costa e Paulo Hoff.

“Combater o sedentarismo, com a prática de atividade física regular; optar por uma alimentação saudável para o controle da obesidade; consumir com moderação bebidas alcoólicas e tentar diminuir a defasagem entre o rastreio, diagnóstico e o tratamento são medidas importantes de prevenção primária para combater o câncer de mama”, explicou o médico Luiz Henrique Gebrim, do Hospital Pérola Byington de São Paulo.

A Síndrome Li-Fraumeni – uma predisposição rara em mulheres jovens para desenvolver algum tipo de câncer – foi abordada pela professora Maria Isabel Achatz, do Hospital Sírio e Libanês (SP). Segundo a pesquisadora, cerca de 50% das portadoras dessa síndrome têm chances de desenvolver tumores antes dos 40 anos de idade, o que significa 1% da população mundial. Já 90% desse grupo devem desenvolver câncer até 60 anos. A professora explicou ainda que 47% das portadoras dessa síndrome que praticam aleitamento materno, por pelo menos sete meses, não desenvolvem a doença.

A oncoplastia também esteve no centro das discussões. O médico Vilmar Marques, da Santa Casa de São Paulo e Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia ressaltou a preocupação que o cirurgião atualmente deve ter com o domínio de várias técnicas cirúrgicas para entregar a paciente um bom resultado estético também. “As mutilações e deformidades da mama após a retirada do tumor nas cirurgias convencionais hoje podem ser evitadas através de várias técnicas.”

“Como conseguimos diminuir o abismo entre o SUS e a saúde suplementar no tratamento do câncer? Como ampliar o acesso as terapêuticas com equidade? Não adianta termos drogas de altíssimo custo que o sistema público e as operadoras de saúde não possam absorver. A indústria farmacêutica também precisa colaborar, reduzindo custos de medicamentos, que muitas vezes vêm do mercado americano e essa conta não fecha. Na minha visão, temos que fazer mais parcerias público e privado para ampliar o acesso a novas drogas e terapêuticas para combater o câncer,” enfatizou o médico Gilberto Amorim, do Onco D’Or, do Rio de Janeiro, na palestra “terapia com drogas alvo. A cura é possível?”

Informação de qualidade é poder

A fundadora do Instituto Oncoguia, de São Paulo, Luciana Holtz, fez um breve relato sobre a atuação da ONG, que tem como principal objetivo oferecer informação de qualidade para pessoas com câncer. “O que realmente ajuda e faz diferença na vida de um paciente que está enfrentando um diagnóstico de câncer? A doença ainda é muito marcada de estigma e medo.”

Para Holtz, o cenário não é animador, segundo ela, a previsão é de 660 mil novos casos por ano. “Uma paciente com câncer de mama gasta muito tempo na fila do sistema para fazer o diagnóstico e iniciar o tratamento. E não é um caminho iluminado. É um percurso com muitas dúvidas e medo. Nosso desafio é minimizar a desigualdade e garantir que essa mulher não tenha dor física e emocional”.

A ONG tem vários canais de comunicação com a população e realiza atividades multidisciplinares, além de assessoria e aconselhamento jurídico aos portadores da doença.

“O desafio na cobertura jornalística do câncer é oferecer informação de qualidade e que as pessoas possam entender, lembrando de todos os problemas educacionais e de desigualdade do nosso país”, alertou a jornalista Ana Lúcia Azevedo, do jornal O Globo, durante os debate do simpósio. A repórter especial na área de saúde e ciência também destacou a importância de se comunicar bem a prevenção e os novos tratamentos, mas sem levantar falsas esperanças na população.

“O crescimento das redes sociais abriu canais importantes de comunicação com a sociedade mas, em contrapartida, tivemos um crescimento das fakes news. E, a área de saúde, em especial, é muito prejudicada com falsas notícias. A mídia precisa estar muito atenta e apurar com rigor, mas com isso, perdemos um tempo precioso para desmentir. Tempo que poderia ser investido para gerar mais e mais informação de qualidade”, desabafou a jornalista.

A jornalista Natalia Cuminale, diretora do portal Futuro da Saúde, foi outra convidada para debater o assunto. Cuminale falou sobre a importância da interlocução com médicos, ONGs, academias e entidades de classe da área de saúde para que o jornalista possa levar informação de qualidade para população, uma vez que a notícia impacta a vida das pessoas. Ela também tocou num ponto pouco discutido “precisamos falar sobre custos.

– No Brasil, as pessoas não sabem quanto custa um exame, uma internação. Ninguém fala sobre isso. O papel da imprensa também é de colocar os pingos nos ‘is’. Como vamos engajar a população sem explicar como os sistemas funcionam, tanto no SUS como na saúde suplementar. Precisamos abrir o leque e falar sobre custos”, finalizou.

Nos comentários finais, o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, destacou que “informação de qualidade e relevância social estão em consonância com o compromisso da Academia e, por isso, capitaneado pelo acadêmico Mauricio Magalhães, acabamos de criar o programa “ANM perto de você”. Lá, teremos um canal online permanente de comunicação com a sociedade”, finalizou.

 
 

Coordenadores:
Acadêmicos Maurício Magalhães Costa e Paulo Hoff


 
     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
14h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
14h10

Importância da educação comunitária em Saúde
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
14h15

Prevenção primária e rastreio do câncer de mama
Prof. Luiz Henrique GebrimHospital Pérola Byington – SP

   
   
14h35

Genética e câncer de mama?
Profa. Maria Isabel AchatzHospital Sírio e Libanês – SP

   
   
14h55

Como conciliar segurança e estética no tratamento cirúrgico
Prof. Vilmar MarquesSanta Casa SP e Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia

   
   
15h15

Biologia molecular e alvos terapêuticos
Profa. Filomena Carvalho-Professora Associada – USP

   
   
15h35

Terapia com drogas alvo. A cura é possível?
Prof. Gilberto AmorimOnco D’Or, RJ

   
   
15h55

A importância dos grupos de pacientes
Sra. Luciana HoltzInstituto Oncoguia, SP

   
   
16h15

Debate
Coordenação: Acad. Rubens Belfort Jr.
Acad. José Carlos do Valle
Jornalista Ana Lucia Azevedo – O Globo RJ
Jornalista Natalia Cuminalle – SP

   
   
17h Discussão
   
   
17h30 Intervalo
   

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXX – Ano Acadêmico 191

   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h10

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h15 Comunicações dos Acadêmicos
   
   
18h30

Desafios na Jornada de pacientes com câncer de mama no Brasil
Prof. Carlos Henrique BarriosHospital PUC-RS e Oncoclínicas

   
   
18h45

Breast Health Global Initiative
Prof. Ben Anderson – World Health Organization

   
   
19h

Debatedores
Acadêmicos Paulo Hoff e Maurício Magalhães Costa

   
   
19h15 Discussão com a Bancada Acadêmica
   
   
20h Encerramento
 
 
anm_02 zoom facebook anm_01

Inscrições abertas para Jovens Líderes Médicos

Até o dia 30 de outubro de 2020, estarão abertas as inscrições para o Programa de Jovens Lideranças Médicas da Academia Nacional de Medicina.

Criado em 2014, o Programa no país já selecionou 50 médicas e médicos brasileiros de vários estados, assim como atuantes em outros países como Canadá e Estados Unidos, e com especializações em diferentes áreas. 

 O objetivo é contribuir com a formação de jovens médicos e fomentar um ambiente de ideias criativas e transformadoras para a medicina brasileira.

Para o presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr, a iniciativa visa aproximar a ANM dos melhores jovens profissionais e com espírito de liderança.

 – Queremos implantar novas ideias para a medicina brasileira, a partir também do olhar feminino. O programa apoia a diversidade racial e de gênero. 

 A seleção privilegiará a inclusão de qualidades excepcionais como: 

 1)   formação acadêmica: doutorado, produção científica, consistente e atividades de orientação de ensino;

 2)   assistencial: prática clínica ou cirúrgica e aperfeiçoamento das condições assistenciais;

 3)   gestão e desenvolvimento de políticas de saúde e ações sociais.

 Entre os requisitos, ser brasileiros ou naturalizado, ter no máximo 40 anos, ser indicado por membros titulares das Academias Nacional de Medicina ou da Brasileira de Ciências, ou ainda por docentes de cursos de pós-graduação em Medicina, níveis 5,6 e 7 da Capes.

Um dos coordenadores do projeto, o acadêmico Marcello Barcinski, ressalta que o Programa estimula que os participantes sejam norteadores de caminhos criativos e de uma medicina humanizada.

As inscrições são gratuitas. 

Serviço:

Programa Jovens Lideranças Médicas da Academia Nacional de Medicina

Inscrições: até 30 de outubro

Informações e edital em http://www.anm.org.br/programa-jovens-liderancas-medicas-o-programa/

O que há de novo na medicina e na ciência para celebrar o Outubro Rosa?

Como conciliar segurança e estética no tratamento cirúrgico do câncer de mama? Quais são as últimas novidades sobre a biologia molecular e tratamentos com alvos terapêuticos? Estas são algumas questões que permearão os debates do simpósio “Atualização em câncer de mama”, promovido nesta quinta-feira (8/10), a partir das 14 horas, com transmissão ao vivo nos canais da Academia Nacional de Medicina no Facebook/acadnacmed e na plataforma zoom/anmbr.

Entre os convidados, o professor Ben Anderson, da Organização Mundial da Saúde, que abordará as iniciativas globais para a saúde das mamas; os médicos Vilmar Marques, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Maria Isabel Achatz, coordenadora da Unidade de Oncogética do Hospital Sírio Libanês,  Luiz Henrique Gebrim, do Centro de Referência da Saúde da Mulher do Hospital Pérola Byington, e Luciana Holtz, do Instituto Oncoguia e especialista em Bioética. Como mediadoras, as jornalistas Ana Lucia Azevedo, do jornal O Globo, e Natalia Culminale, do Portal Futuro da Saúde. A abertura do evento é do presidente da ANM, Rubens Belfort Jr; e a coordenação é dos acadêmicos Maurício Magalhães Costa e Paulo Hoff.

Serviço:

Simpósio Atualização em câncer de mama

Data: Quinta-feira, 8/10

Local: zoom/anmbr e Facebook/acadnacmed

CÂNCER DE MAMA – O MAIS IMPORTANTE É A PREVENÇÃO

A evolução da sociedade moderna, a industrialização e urbanização promoveram uma série de mudanças no comportamento feminino com repercussões biológicas, tais como: primeira menstruação mais precoce, menor número de gestações e mais tardias, menor tempo de amamentação e menopausa adiada. Fatores externos como agentes poluentes, anticoncepcionais e terapia de reposição hormonal na pós-menopausa, também estão relacionados com maiores riscos de desenvolvimento de doenças mamárias.

Câncer de mama é uma doença de origem multifatorial. Estão envolvidos a predisposição genética, estilo de vida e fatores ambientais. A grande maioria dos casos (75%) não tem histórico familiar, são chamados de esporádicos. Em 5% das pacientes há mutações dos gens que conferem, a estas famílias, um risco bem elevado de desenvolvimento de novos casos.

A grande arma que dispomos para combater esta ameaça à mulher é a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado. A prevenção requer um estilo de vida saudável com dieta balanceada, controle de peso e prática de exercícios físicos regulares.

Verifica-se um aumento global da incidência de câncer de mama. Doença que foi sempre mais comum em países desenvolvidos, passou a ser frequentemente diagnosticada nos países latinos, asiáticos e, mesmo, africanos. Estima-se que serão diagnosticados, este ano, 2.088.000 novos casos no mundo, sendo 50% nos países de baixa e média renda; e que de cada 4 mortes por câncer de mama, 3 serão nestes países. Caracterizando o impacto da qualidade de assistência nos resultados.

Para o Brasil, em 2020, são esperados 66.000 casos novos de câncer de mama, um a cada 11 minutos, com um risco estimado de 61 casos a cada 100 mil mulheres, sendo a maior prevalência nas regiões sul e sudeste. Há também um aumento em mulheres jovens.

A mamografia anual a partir dos 40 anos, ultrassonografia e, em casos selecionados, ressonância magnética, possibilitam diagnósticos cada vez mais precoces, determinando tratamentos conservadores com preservação da mama, cirurgias oncoplásticas, e consequentemente, melhores resultados estéticos e com maiores chances de cura. O diagnóstico tardio do câncer de mama leva a tratamentos mutiladores, onerosos e com resultados precários, levando muitas mulheres à morte precoce evitável, deixando em suas famílias, um vazio irreparável.

As principais estratégias para redução do risco são o rastreamento, mudanças de estilo de vida, quimioprevenção e cirurgia redutora de risco.

A realização de exercícios físicos e a mudança na dieta, são os fatores mais explorados nos estudos. Nas grandes metrópoles, tem se observado maior sedentarismo e alimentação inadequada. A prática de exercícios diária, uma alimentação de baixa caloria, rica em verduras, frutas e vegetais, não fumar, não ingerir bebida alcoólica em excesso, manter-se dentro do peso ideal para sua idade, dormir bem, relaxamento e meditação são medidas simples que podem fazer toda a diferença.

Quimioprevenção é a utilização de medicamentos (agentes químicos naturais ou sintéticos) na reversão, bloqueio ou prevenção do surgimento do câncer em determinados grupos de risco.  Medicamentos de quimioprevenção nunca devem ser usados sem a indicação de um especialista.

Os recursos cirúrgicos para redução de risco de uma mulher desenvolver o câncer de mama são mastectomia profilática ou adenectomia.

A mastectomia redutora de risco ou profilática é a remoção cirúrgica do tecido mamário. O benefício da cirurgia profilática varia segundo o risco de desenvolvimento da doença e está indicada, principalmente, para mulheres portadoras de mutações genéticas. Deve ser feita uma avaliação por equipe multidisciplinar – mastologista, oncologista, cirurgião plástico, psicólogo e geneticista – para definir se há indicação para a cirurgia, saber se a paciente está preparada para um eventual resultado estético insatisfatório, definir a melhor técnica cirúrgica e melhor opção de reconstrução. É fundamental a seleção individualizada da paciente.

Mundialmente, recomenda-se que mulheres com patologias mamárias sejam tratadas em Centros de mama, onde seus casos serão decididos e acompanhadas, em todas as etapas do tratamento, por equipes multiprofissionais (mastologista, oncologista clínico, radio-oncologista, patologista, radiologista, cirurgião plástico, enfermeiras, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogas, assistente social e farmacêuticas). Verificou-se que determinam maior agilidade, adesão ao tratamento, satisfação e produzem melhores resultados, com redução da mortalidade.

É muito importante que a sociedade através do governo, empresas privadas, ONGs e grupos de saúde promovam contínuo programa de educação comunitária e ofereçam à população condições de diagnóstico e tratamento adequado. Esta preocupação não é só humanitária, mas também econômica, considerando que aumenta cada vez mais o papel da mulher como chefe de família e participação no mercado de trabalho.

Maurício Magalhães Costa

Membro Titular da Academia Nacional de Medicina

Presidente da Sociedade Internacional de Senologia

Homenagem ao 30º aniversário do primeiro tratamento endovascular do Aneurisma de Aorta

30 anos da técnica que revolucionou a medicina

No dia 01 de outubro, a ANM comemorou os 30 anos de uma cirurgia que revolucionou o tratamento do aneurisma da aorta abdominal que, se não tratado, pode levar ao óbito.

A aorta é a maior artéria do corpo e o aneurisma da aorta abdominal pode surgir em qualquer idade, porém é mais comum em homens entre 50 e 80 anos.

Coordenado pelo acadêmico Arno von Ristow, o simpósio contou com a participação do médico argentino Juan Carlos Parodi, que foi o criador da técnica de cirurgia endovascular para tratamento do aneurisma da aorta abdominal, a partir do tratamento em cães.

Aron von Ristow fez um relato histórico, aos cerca de 100 participantes do evento, desde as primeiras tentativas de tratamento no Brasil, ainda em 1845, até as conquistas recentes com a certificação de mais de 600 cirurgiões vasculares com as técnicas desenvolvidas, a partir do modelo criado por Parodi, e utilizada, inclusive no SUS.

Hoje, 70% das cirurgias usam essa abordagem, menos invasiva, e que evoluiu bastante com o desenvolvimento de endopróteses em substituição às cirurgias abertas.

O médico brasileiro Gustavo Oderich, radicado nos Estados Unidos, foi outro convidado da sessão comemorativa. Oderich mostrou o consórcio de instituições americanas de pesquisas sobre aorta e os avanços com o uso das endopróteses e, como isso tem impactado tanto na recuperação como na sobrevida dos pacientes.

O presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., finalizou a sessão ressaltando, a partir da histórica conquista na cirurgia vascular, a relevância da liberdade criativa sem cerceamento, aliada a noção de risco e dos cuidados com os pacientes.

Recentes progressos – Na mesma sessão científica, a ANM promoveu mais uma edição de Recentes Progressos. O tema câncer de próstata e as cirurgias minimamente invasiva.

Mais de 65 mil homens são atingidos, todos os anos, pelo câncer de próstata, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer. E a cada ano, 14 mil morrem, sendo a doença considerada a segunda causa de óbito entre os homens.

E falar de prevenção e diagnóstico precoce é sempre um tabu.

O médico Rui Figueiredo, do Hospital Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mostrou duas técnicas de cirurgia de próstata minimamente invasivas: a crioterapia que provoca a morte das células tumorais por congelamento; e a terapia focal com ultrassom de alta frequência. Ambas  só são aplicadas em lesões pequenas e de baixo risco.

Os resultados são animadores: 100% dos pacientes permanecem com sua continência urinária normal e 80% com sua função erétil. O acadêmico Ronaldo Damião, comentarista da apresentação, ressaltou a quantidade de estudos que mostram que 90% dos pacientes submetidos a essas terapias ficam livres da doença.

Uma tarde na Academia – ANM
 
     
  SESSÃO ORDINÁRIA DA
ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA
XXIX – Ano Acadêmico 191
 
   
     
 
18h Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.
   
   
18h05 Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz
   
   
18h10 Comunicações dos Acadêmicos
   
   
  18h30 SESSÃO RECENTES PROGRESSOS
Terapia Focal em Adenocarcinoma de Próstata com Ultrassom de alta frequência e Crioablação

Relator:
Prof. Dr. Rui Teófilo Figueiredo Filho (HUPE UERJ) Comentários: Acad. Ronaldo Damião
   
   
18h45 Homenagem ao 30º Aniversário do primeiro tratamento endovascular do Aneurisma da Aorta
   
   
18h50 A história e a evolução do tratamento do Aneurisma da Aorta Abdominal no Brasil
Acad. Arno von Ristow
   
   
19h10 O Estado da Arte no Tratamento dos Aneurismas Complexos da Aorta
Gustavo S. Oderich MD
Chief of Vascular and Endovascular Surgery, Director of Aortic Center, The University of Texas, Houston
   
   
19h30 Discussão com a Bancada Acadêmica
   
   
20h Encerramento
 
anm_01 zoom programacao acadnacmed anm

Homenagem ao 30º aniversário do primeiro tratamento endovascular do Aneurisma de Aorta

A Academia Nacional de Medicina convida a participar de Simpósio a ser realizado no Web Hall da Academia Nacional de Medicina, na plataforma ZOOM Meetings.

https://acknetworks.zoom.us/my/anmbr

 
     
  SESSÃO ORDINÁRIA DA
ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA
XXIX – Ano Acadêmico 191
 
   
     
 
18h Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.
   
   
18h05 Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz
   
   
18h10 Comunicações dos Acadêmicos
   
   
  18h30 SESSÃO RECENTES PROGRESSOS
Terapia Focal em Adenocarcinoma de Próstata com Ultrassom de alta frequência e Crioablação

Relator:
Prof. Dr. Rui Teófilo Figueiredo Filho (HUPE UERJ) Comentários: Acad. Ronaldo Damião
   
   
18h45 Homenagem ao 30º Aniversário do primeiro tratamento endovascular do Aneurisma da Aorta
   
   
18h50 A história e a evolução do tratamento do Aneurisma da Aorta Abdominal no Brasil
Acad. Arno von Ristow
   
   
19h10 O Estado da Arte no Tratamento dos Aneurismas Complexos da Aorta
Gustavo S. Oderich MD
Chief of Vascular and Endovascular Surgery, Director of Aortic Center, The University of Texas, Houston
   
   
19h30 Discussão com a Bancada Acadêmica
   
   
20h Encerramento
 
anm_01 zoom programacao acadnacmed anm