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Joaquim Vicente Torres Homem

O Dr. Joaquim Vicente Torres Homem nasceu em 1800 na cidade de Campos, província do Rio de Janeiro. Era filho de Vicente de Torres Homem e Francisca Gomes Moreira, e irmão de Francisco de Salles Torres Homem (Visconde de Inhomerim), figura destacada no cenário político imperial. Casou-se com Bernarda Angélica dos Santos Torres, e teve como filho o também médico e professor da cadeira de clínica médica de adultos da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, João Vicente Torres Homem (1837-1858).

Foi agraciado com os títulos de Comendador da Ordem de Cristo e de Grande do Império, e foi membro do Conselho do Imperador.

Dr. Joaquim Vicente Torres Homem viajou para a França por volta de 1819, e lá se formou como bacharel em ciências físicas e naturais. Doutorou-se em Medicina em 5 de novembro de 1829 na Faculté de Médecine de Paris, com a tese intitulada “De l’utilité de l’auscultation et de la percussion dans le diagnostic de quelques maladies de la poitrine”. De volta a sua terra natal, se radicou na cidade do Rio de Janeiro.

Em julho de 1831 apresentou, no concurso para o lugar de substituto na cadeira de medicina da então Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro, a tese intitulada “Da dysenteria”, sendo esta uma das primeiras teses defendidas naquela instituição (AS PRIMEIRAS, 1912). No ano de 1833 concorreu à cadeira de química médica e princípios elementares de mineralogia na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, apresentando a tese intitulada “Fabrico de assucar no Brazil; analyse da agua gazoza da Villa de Campanha”. Foi aprovado em 23 de fevereiro de 1833, e ocupou esta cadeira até seu falecimento, em 1858.

Ocupou o cargo de diretor interino da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1856, e durante sua administração realizou importantes ações em prol do aperfeiçoamento do ensino naquela instituição, ao ter conseguido “transformar em escola de medicina um convento de recolhidas” (SANTOS, 1857, p.13).

Foi eleito, em 22 de julho de 1830, para a cadeira nº 18, da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, e posteriormente, no 4º trimestre de 1832, tornou-se seu presidente. Foi também colaborador do Semanário da Saúde Pública, periódico daquela sociedade.

Em 1830, por solicitação da Câmara dos deputados, a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, nomeou uma comissão para elaborar um anteprojeto de organização das escolas médicas do Império, da qual Joaquim Vicente Torres Homem participou, juntamente com os associados José Martins da Cruz Jobim, Joaquim José da Silva, José Maria Cambuci do Valle, Octaviano Maria da Rosa, João Maurice Faivre, e Joaquim Candido Soares de Meirelles. O projeto intitulava-se “Plano de organização das escolas de medicina do Rio de Janeiro e Bahia. Para ser apresentado à Câmara dos Srs. Deputados pela Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, em satisfação ao convite que lhe foi feito pela mesma Câmara a 7 de outubro de 1830”, e foi apresentado à Assembleia da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro em 1831.

Foi médico da Imperial Câmara, tendo sido um dos que trataram da enfermidade, diagnosticada como febre intermitente nervosa, que havia acometido a princesa brasileira, D. Paula Mariana. Relatou este fato no “Relatório da moléstia de sua alteza a sereníssima princesa, senhora D. Paula Marianna”, elaborado juntamente com Francisco José de Sá, Fidélis Martins Bastos e José Martins da Cruz Jobim, e publicado no Diário do Governo de 19 de janeiro de 1833.

Faleceu em 9 de dezembro de 1858.

Francisco Freire Allemão de Cisneiros

Nasceu na freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande, na Fazenda do Mendanha, atualmente Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, no dia 24 de julho de 1797, filho dos lavradores João Freire Allemão e de Feliciana Angélica do Espírito Santo.

Iniciou sua carreira na vida religiosa, tornando-se sacristão, por não possuir os recursos financeiros necessários para dedicar-se à carreira científica. Na convivência com o padre Luis Pereira Duarte, aprendeu a gramática latina e outras disciplinas como francês, inglês, espanhol, hebraico e latim, mas decidiu abandonar a carreira sacerdotal e ministrar aulas particulares, das quais retirava seu meio de sustento. Seu irmão mais velho, Antonio Freire Allemão de Cisneiros, que cursava o segundo ano da Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro, ofereceu-lhe ajuda financeira e no ano de 1822, Francisco Freire Allemão lá ingressou, onde se diplomou como cirurgião, em 1827. Frequentou a Universidade de Paris a convite do governo francês, quando foi aluno do químico Jean Baptiste Dumas e do naturalista Georges Léopold Chrétien Frédéric Dagobert, o Barão Cuvier. Obteve seu doutorado na Universidade de Paris, em 1831, defendendo a tese: Dissertation sur le goitre. Regressando ao Brasil, foi aprovado Catedrático de disciplina na cadeira de Botânica e Elementos de Zoologia, em 1833.

Foi eleito Membro Titular da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1832, sendo empossado em 19 de maio do mesmo ano. Atuou como Presidente da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro no terceiro trimestre de 1832 e da Academia Imperial de Medicina de 1838 a 1839. Sua Memória para a Academia versava o “Uso das preparações de sódio na cura do bócio”- assunto pioneiro na época.

Nomeado médico da Imperial Câmara, em 1840, Freire Allemão conseguiu curar o Imperador Pedro II de uma ameaça de congestão cerebral. Em 1843, participou da comitiva imperial, incumbida de acompanhar a vinda da princesa D. Teresa Cristina, noiva do Imperador Pedro II, de Nápoles ao Rio de Janeiro. Mais tarde, foi Professor de Botânica das Princesas Isabel e Leopoldina.

Membro do Conselho de Sua Majestade, Comendador da Ordem da Rosa, Comendador da Ordem de Cristo e Comendador da Ordem de Francisco I do Reino de Nápoles, foi Lente de Botânica e Zoologia Médicas, de 1833 a 1853, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. De 1858 a 1866 foi Lente da Seção de Ciências Físicas e Naturais na Escola Central. Participou de diversas associações profissionais e sociedades médicas; foi Sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional e da Sociedade Philomatica e Membro Honorário do Imperial Instituto Médico Fluminense.

Fundou e presidiu a Sociedade Velosiana de Ciências Naturais do Rio de Janeiro para estudos da Botânica. Em 1874, presidiu a comissão de Botânica e Zoologia do Instituto Farmacêutico do Rio de Janeiro. Após descrever muitas plantas e identificar numerosos gêneros, tornou-se um dos naturalistas e botânicos mais conhecidos no Brasil do século XIX. Em 1866, foi nomeado Diretor do Museu Imperial e Nacional, cargo que ocupou até o ano de 1870, embora problemas de saúde o tenham afastado desta função em alguns momentos.

Faleceu aos 77 anos, na antiga propriedade de seus pais, no dia 11 de novembro de 1874.

João José de Carvalho

O Dr. João José de Carvalho nasceu no dia 24 de fevereiro de 1806 no Rio de Janeiro. Foi filho de Antônio José de Carvalho e de Emerenciana Joaquina de Carvalho. Se formou na Faculdade de Medicina de Paris em 1828 e defendeu tese de doutoramento sob o título: “De l’influence du sang sur la production des maladies”.

Foi Membro Titular da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, admitido com a apresentação da Memória: “Reflexões sobre a Anatomia Patológica em sua relação com a Medicina prática”. O Dr. João José de Carvalho foi empossado em 29 de junho de 1832, durante a gestão de José Francisco Xavier Sigaud – sob a presidência do Acadêmico Agostinho Thomaz d’Aquino (vice-presidente) e presidiu a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, hoje Academia Nacional de Medicina, no 1º trimestre de 1833.

Faleceu em 22 de março de 1867.

Francisco de Paula Cândido

Nasceu em 2 de abril de 1805, na Fazenda do Macuco, freguesia da Piranga, Comarca de Mariana, Estado de Minas Gerais filho do fazendeiro Antonio Gomes Cândido e de Anna Rosa Umbelina de Jesus Gomes Cândido. Era genro de Manoel Ignacio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho (Marquês de Itanhaém), Senador do Império que sucedeu a José Bonifácio de Andrada e Silva, como tutor do Imperador D. Pedro II.

Entrou para o seminário de Mariana com oito anos de idade, quando iniciou sua carreira na vida religiosa e, mais tarde, a abandonou em função da disciplina de clausura do seminário. Ingressou na carreira militar, em 1821, e, posteriormente, cursou a Academia Militar da Corte, no Rio de Janeiro, por três anos. Em 1825, Paula Cândido partiu para a Europa e se matriculou na Faculdade de Medicina de Paris (Universidade de Sorbonne). Entre 1825 e 1832, frequentou os institutos e cursos superiores em Paris, obtendo, em 1829, o grau de bacharel em Letras e, pouco tempo depois, o de bacharel em Ciências Médicas.

Foi médico voluntário da “legião sanitária” organizada pelo governo francês, em razão da epidemia de cólera-mobus e recebeu a Grande Medalha de Ouro em reconhecimento aos serviços prestados. Em 31 de agosto de 1832, doutorou-se pela Faculté de Médicine de Paris, com a tese Sur l’électricité animale, apresentada também na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde obteve por concurso a cadeira de Física Médica da qual tomou posse, em março de 1833, e a ocupou por 30 anos.

Eleito Membro Titular da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, apresentando memória intitulada: “Observações sobre a febre tifoide”, foi empossado em 30 de janeiro de 1833 e eleito por três vezes presidente: no 1º e 2º trimestres de 1834, da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro; de 1840 a 1842 e de 1852 a 1855, da Academia Imperial de Medicina, hoje Academia Nacional de Medicina, onde é Patrono da Cadeira 20.

Deputado pela Província de Minas Gerais, eleito em 1838, desempenhou seu mandato por quatro legislaturas, de 1838 a 1845 e de 1849 a 1856.

Médico efetivo da Imperial Câmara, nomeado em 14 de agosto de 1840, e Conselheiro do Império, foi agraciado com o Hábito e a Comenda de Cristo e a grande dignatária da Rosa, pelo Imperador D. Pedro II e condecorado com a Comenda da Real Ordem de Izabel a Católica, pela Rainha da Espanha.

Redator dos Annaes de Medicina Brasiliense, dirigiu o Diário da Saúde e o jornal literário Brasil Ilustrado, que circulavam na Corte.

Francisco de Paula Cândido foi o primeiro presidente da Junta Central de Higiene Pública, criada pelo decreto n. 598, de 14 de setembro de 1850, com o objetivo de conservar a salubridade nas cidades, fiscalizar o exercício das artes de curar e inspecionar a saúde pública (funcionava como um órgão consultor do Governo Imperial em matéria de política de saúde pública), e exerceu a presidência até o ano de 1864. Sua atuação foi destacada pelo combate à epidemia de cólera-morbus e pelo controle do surto de febre amarela endêmica em várias regiões do Brasil. Paula Cândido procurava elevar e moralizar o exercício da farmácia no Brasil e prestigiava a Sociedade Farmacêutica fundada, no país, em março de 1851 e presidida por Ezequiel Corrêa dos Santos. O seu presidente, assim como outros sócios farmacêuticos, como Manoel Francisco Peixoto e os franceses João Maria Soullié e João Francisco Blanc, já vinham atuando na Secção de Farmácia da Academia Imperial de Medicina.

Foi Sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Honorário da Academia de Belas Artes, Membro de l’Académie Diplomatique (Paris), da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e Patrono titular da cadeira 16 da Academia Mineira de Letras.

Faleceu em Paris, no dia 5 de abril de 1864, com 58 anos de idade, sendo sepultado no Cemitério de Montmartre.

O município de Paula Cândido, no estado de Minas Gerais, foi assim denominado em homenagem ao médico sanitarista, em 1953.

José Pereira Rego (Barão do Lavradio)

O Dr. José Pereira Rego nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 24 de agosto de 1816, filho de Manoel José Pereira Rego e Anna Fausta de Almeida Rego. Teve como filho o também médico José Pereira Rego Filho (1845-1929), Membro Titular da Academia Nacional de Medicina.

Formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1838, defendendo a tese de doutoramento “Fenômenos obtidos pelos diversos métodos de exploração do coração, e aplicação dos mesmos fenômenos ao diagnóstico de algumas afecções do mesmo órgão mais frequentes” – que era uma síntese dos mais avançados estudos sobre a semiologia do coração e serviu mais tarde de compêndio de estudo para os alunos de Clínica Médica.

Eleito Membro Titular da Academia Imperial de Medicina, em 1839, com Memória intitulada “Disenterias”, foi empossado em 26 de março de 1840 e eleito Presidente nos períodos de 1855/1857 e 1864/1883. Em 09 de outubro de 1883, foi aclamado Presidente Perpétuo da Academia Imperial de Medicina. Foi também médico honorário da Imperial Câmara e Comendador das Ordens de Nosso Senhor Jesus Cristo e Imperial da Rosa; recebendo o título de Barão do Lavradio em 1874 em função do intenso trabalho que desenvolveu no planejamento e coordenação das medidas sanitárias contra a grave epidemia de febre amarela que ocorreu no Rio de Janeiro.

Foi o primeiro cirurgião a indicar a ergotina e o centeio espigado no tratamento das hemorragias uterinas puerperais. Na área da saúde pública, foi membro da Junta Central de Higiene Pública e prestou atendimento às vítimas da primeira eclosão da cólera-morbo que ocorreu no Rio de Janeiro, em 1855. Em razão do falecimento de Francisco de Paula Cândido, então Presidente da Junta, foi nomeado Presidente efetivo e a chefiou de 1864 a 1881. A segunda eclosão da enfermidade aconteceu em 1867 e Pereira Rego relatou, detalhadamente, a incidência e a difusão da cólera-morbo e da febre amarela; nesses relatórios, propôs ao Governo Imperial a reorganização dos serviços sanitários terrestre e marítimo, e a adoção de medidas para melhoria das condições sanitárias da cidade. Passou a acumular este cargo com o de Inspetor de Saúde do Porto do Rio de Janeiro (1865) e o de Inspetor Geral do Instituto Vacínico (1873).

Desentendendo-se com o Imperador Pedro II, demitiu-se dos três cargos públicos em 1881. Passou, então, a dedicar-se à Pediatria, exercendo suas atividades no Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro; aí escreveu um “Formulário de Moléstias de Crianças”.

Foi vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro de 1865 a 1868.

Recebeu do Rei de Portugal, em 1870, o título de Comendador da Real Ordem Militar Portuguesa da Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Foi agraciado, também, com os títulos de Comendador das Ordens de Nosso Senhor Jesus Cristo, Imperial da Rosa e da Ordem de Francisco José da Áustria.

Médico Honorário da Imperial Câmara, recebeu o título de Barão do Lavradio no ano de 1874, em função do intenso trabalho que desenvolveu no planejamento e coordenação das medidas sanitárias contra a grave epidemia de febre amarela que ocorreu no Rio de Janeiro. Em 1877, a Princesa Isabel elevou esse título à honra de grandeza.

O Dr. José Pereira Rego foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Membro do Conselho Fiscal do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura e da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, Sócio Benemérito e Consultor da Sociedade Amante da Instrução, presidindo-a por seis anos, e um dos Sócios Fundadores do Instituto Homeopático do Brasil. Foi, ainda, Membro Correspondente da Real Academia Médica de Ciências de Lisboa, da Société Française de Hygiène e da Reale Accademia di Medicina di Torino.

Em sua carreira, o Dr. José Pereira Rego publicou muitos trabalhos sendo, a maioria, nos Anais da Academia Imperial de Medicina, hoje Anais da Academia Nacional de Medicina. Pereira Rego foi o precursor dos sanitaristas brasileiros.

Faleceu de caquexia secundária (“úlcera do esôfago”), na sua cidade natal, no dia 22 de novembro de 1892.

Antonio da Costa

O Dr. Antonio da Costa nasceu no dia 15 de março de 1816 no Rio de Janeiro. Foi filho do cirurgião Antonio da Costa e de Gertrudes Mathilde de Sá e Silva. 

Estudou Medicina em Paris e Montpellier. E tornou-se Doutor em Medicina em 1839 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, apresentando tese de doutoramento sob o título “Aperçu sur les gangrènes externes”. 

Membro Titular da Academia Imperial de Medicina, hoje Academia Nacional de Medicina, tomou posse na sessão de 15 de maio de 1846 e a presidiu no biênio 1857/59.

O Dr. Antonio da Costa foi Cirurgião honorário da Imperial Câmara; Cirurgião dos Hospitais da Misericórdia, da Ordem Terceira do Carmo e da Ordem da Penitencia; Médico da Sociedade Francesa de Beneficência e da Legação da França; Membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Imperial Academia de Medicina, da Sociedade Anatômica de Paris e da de Ciências Médicas de Lisboa; Comendador da Ordem de Cristo, cavaleiro da Ordem do Cruzeiro e da Legião de Honra da França, e das Ordens de Cristo e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, de Portugal.  

O Dr. Antonio da Costa faleceu em 07 de julho de 1860.

Manoel Feliciano Pereira de Carvalho

O Dr. Manoel Feliciano Pereira de Carvalho nasceu no dia 8 de junho de 1806, na cidade do Rio de Janeiro. Era filho do Major de Ordenanças José Pereira de Carvalho e de Thereza Nepomuceno de Carvalho.

Formado pela Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro, o Dr. Manoel Feliciano Pereira de Carvalho recebeu a “Carta de Cirurgião Formado” em 26 de abril de 1828. Foi médico e primeiro cirurgião do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Escolhido Médico do Paço Imperial, recebeu o Oficialato da Rosa, a respectiva comenda, a grande dignitária da mesma Ordem, o Hábito de Cristo, o Oficialato do Cruzeiro e o título de Conselheiro “por seu merecimento e letras”.

Eleito Membro Titular da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, com apresentação da Memória “Aneurismas do coração”, sendo empossado no dia 7 de agosto de 1830. O Dr. Feliciano Pereira foi Presidente da Academia Imperial de Medicina de 1859 a 1861. 

Foi professor do renomado médico espírita Dr. Bezerra de Menezes, o “Médico dos Pobres”, e o levou para integrar o quadro de médicos-operadores do Exército Brasileiro, com honras militares, no posto de Cirurgião-Tenente.

Foi, também, Professor de Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Coronel Cirurgião-Mor e Chefe do Corpo de Saúde do Exército. Em atenção aos serviços militares que prestou à Pátria, foi agraciado com a nomeação de Cavalheiro da Ordem de São Bento de Aviz e recebeu a graduação de Brigadeiro pelos bons serviços prestados na guerra contra o Paraguai.

o Dr. Manoel Feliciano Pereira de Carvalho é, também, o Patrono da cadeira 37 da Academia Brasileira de Medicina Militar.

Ele faleceu na sua cidade natal, no dia 11 de novembro de 1867, aos 61 anos de idade, quando era Brigadeiro Professor e Chefe do Corpo de Saúde do Exército.

Antonio Felix Martins (Barão de São Felix)

O Dr. Antonio Felix Martins nasceu no dia 20 de novembro de 1812 em Inhaúma, Rio de Janeiro, filho do Cirurgião-Mor José Antonio Martins e de Rita Angélica de Jesus.

Diplomou-se médico e doutor pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1833, onde foi Professor de Patologia Geral. Além disso, o Dr. Felix Martins foi médico efetivo da Imperial Câmara, Membro da Comissão Central de Saúde Pública, Inspetor do Hospital Marítimo de Santa Isabel de Jurujuba e Presidente da Junta Central de Higiene Pública. Foi também provedor da Inspeção de Saúde do Porto, nomeado pelo decreto nº 268 de 29/01/1843 – neste cargo teve atuação decisiva nas epidemias de cholera morbus e febre amarela que assolaram o Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX.

Eleito Membro Titular da Academia Imperial de Medicina, o Dr. Felix Martins foi empossado no dia 15 de outubro de 1835. Foi eleito seu Presidente no dia 18 de maio de 1861, permanecendo nesta posição até 1864. No ano de 1866 passou a pertencer à classe dos Membros Titulares Honorários.

O Dr. Felix Martins também recebeu da Sociedade de Medicina de Liège o título de sócio correspondente, em atenção aos serviços prestados à Ciência. Foi nomeado Conselheiro Imperial por decreto de 11 de dezembro de 1875 e recebeu o título de Barão de São Felix, por carta-mercê, em 11 de dezembro de 1875, sendo também condecorado Comendador da Imperial Ordem da Rosa e Cavaleiro da Imperial Ordem de Cristo.

Na política, foi Vereador, em 1844, Suplente, de 1847 a 1848, e Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, de 1851 a 1852.

Acometido de uma infecção palustre perniciosa (malária), o Dr. Felix Martins faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 18 de fevereiro de 1892, aos 79 anos de idade.

Em homenagem ao Doutor Antonio Felix Martins, Barão de São Felix, a Rua Princesa dos Cajueiros, onde residiu, no centro da cidade do Rio de Janeiro, passou a ser chamada Rua Barão de São Felix (decreto n. 1165, de 31 de outubro de 1917).

Agostinho José de Souza Lima

Nasceu em 11 de março de 1842, em Cuiabá, estado do Mato Grosso, filho do coronel Severo José de Souza Lima e de Nympha Symphronia de Araujo Lima.

Doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1864, defendendo a tese intitulada “Qual a natureza e o tratamento das urinas vulgarmente chamadas leitosas ou quilúria?”.

Foi Professor Catedrático de Medicina Legal e Toxicologia na mesma faculdade, entre 1877 e 1912 e, de 1902 a 1916, Professor de Medicina Pública na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro.

Médico da Escola de Tiro do Realengo, e depois nomeado Tenente Cirurgião do 7º Batalhão da Guarda Nacional, exerceu a função de Cirurgião-Mor da Polícia. Em 1877, em conjunto com seu assistente, Borges da Costa, foi nomeado consultor da polícia e, em 1879, foi autorizado a ministrar um curso prático de Tanatologia Forense no necrotério oficial, estudando a morte e seus problemas médico-legais. A partir de 1891, a disciplina de Medicina Legal passou a configurar como obrigatória nos cursos de Direito do país. Souza Lima foi proclamado “Primaz da Medicina Legal no Brasil” por organizar sob orientação científica a medicina forense em nossa Pátria.

Eleito Membro Titular da Academia Imperial de Medicina, hoje Academia Nacional de Medicina, apresentando Memória intitulada: “Da cremação dos cadáveres”, foi empossado em 15 de setembro de 1879, e por proposta de vários Acadêmicos foi transferido para a Classe dos Membros Honorários, em abril de 1909. Souza Lima foi Presidente da Academia Imperial de Medicina no período de 1883 a 1889 e da Academia Nacional de Medicina em 1896/97 e de 1900 a 1901. Em sessão de 3 de outubro de 1963, foi escolhido Patrono da Cadeira 3.

Diretor de Higiene e da Assistência Pública Municipal, em 1894, enriqueceu a literatura médica nacional com trabalhos de grande merecimento, salientando-se, dentre eles, o “Tratado de Psicologia”, o “Manual de Química Legal” e a obra clássica, de incontestável valor: “Tratado de Medicina Legal”, reproduzida em diversas edições. Foi Presidente de honra da Sociedade Eugênica que se organizou em São Paulo, em 1916.

A Rua Souza Lima, criada pela lei n. 7, de 26 de maio de 1902, situada no bairro de Copacabana – Rio de Janeiro, é uma homenagem ao dr. Agostinho José de Souza Lima.

Faleceu na cidade de Petrópolis, em 28 de dezembro de 1921.

José Cardoso de Moura Brasil

O Dr. José Cardoso de Moura Brasil nasceu em Vila Iracema, no Estado do Ceará, no dia 10 de fevereiro de 1849, filho do Tenente Coronel José Cardoso Brasil e de Tereza de Moura Brasil.

Formado pela Faculdade de Medicina da Bahia, o Dr. José Cardoso de Moura Brasil colou grau como Doutor em novembro de 1872, defendendo a tese “Tratamento Cirúrgico da Catarata”.

Em 1873, partiu para a Europa e lá permaneceu por cerca de três anos. Durante este período, passou dois anos em Paris nas Clínicas dos eminentes oculistas De Wecker, Galezovski e Meyer, tendo sido indicado pelo Professor De Wecker como seu Chefe de Clínica, cargo que exerceu durante mais de um ano. E também frequentou as Clínicas de Londres e Viena a cargo de famosos oftalmologistas, como Bowman, Crickett, Arlt, Jaeger, Fuchs e outros.

O Dr. José Cardoso de Moura Brasil regressou ao Brasil em 1876 e exerceu durante mais de 50 anos a Clínica Oftalmológica na cidade do Rio de Janeiro, atendendo milhares de pacientes e publicando trabalhos expressivos, não só sobre assuntos de sua especialidade, como também outros relativos a problemas agrícolas e sociais.

Médico oftalmologista, químico, farmacêutico e pesquisador, foi o criador do centenário colírio que leva seu nome, e que continua a ser produzido por um grande laboratório.

Eleito Membro Titular da Academia Imperial de Medicina, apresentando memória sob o título “Tratamento da Conjuntivite granulosa aguda pelo Abrus Precatorius”, foi empossado no dia 7 de novembro de 1882  e a presidiu pela última vez com este nome, em 1889; foi o primeiro a presidi-la com o atual nome Academia Nacional de Medicina, até 1891. Em 1918, passou para a Classe de Membros Titulares Honorários. Em sessão de 3 de outubro de 1963, foi escolhido Patrono da Cadeira 66; sua dedicação à instituição ficou eternizada na forma de busto em bronze.

O Dr. Moura Brasil publicou interessantes trabalhos, não só sobre assuntos de sua especialidade, como também outros relativos a problemas agrícolas e sociais. Ocupou importantes cargos de governo na área da agricultura e no Ministério do Interior, Higiene e Saúde.Foi Presidente do Liceu de Artes e Ofícios, da Sociedade Nacional de Agricultura e do Centro da Lavoura do Café do Brasil. Foi, também, um dos fundadores da Clínica de Olhos da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, além de seu Diretor durante 43 anos, reeleito sucessivamente.

Agraciado com os títulos de Comendador da Ordem de Cristo e da Ordem Portuguesa de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, recusou o de Barão, que lhe foi oferecido pelo Conselheiro João Alfredo.

O Dicionário Biobibliográfico Cearense, do Barão de Studart, o denomina “Príncipe da cirurgia oculista no País”. O salão nobre da Câmara Municipal de Fortaleza, ostenta seu retrato como cearense benemérito. No centenário de seu nascimento, foi inaugurado um busto em sua homenagem pelo “Centro Médico Cearense”, em Fortaleza, no largo do Passeio Público. É Patrono da Cadeira 18 da Academia Cearense de Letras e da 34 da Academia Cearense de Ciências.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 31 de dezembro de 1928. Seus descendentes, formadores de verdadeira dinastia, continuam sua obra.