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Várias formas de beleza e cultura nas artes

Discutir os diferentes olhares sobre a beleza em nossa cultura foi o tema central do simpósio “A beleza e a cultura”, realizado dia 26 de novembro de 2020, pela Academia Nacional de Medicina (ANM), que encerrou o ciclo de debates virtuais do ano. A programação incluiu reflexões sobre aspectos filosóficos e históricos relacionados ao tema, bem como a expressão da beleza nas artes. A abertura do evento foi feita pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr e a coordenação pelo acadêmico Gilberto Schwartsmann.

“Ao longo da história, o belo se confunde com o bom e vem daí a associação que fazemos com virtude. Os palestrantes dessa tarde são pessoas de grande virtude em suas áreas de atuação e representam a cultura do nosso país. Eles irão nos revelar que a beleza pode nos surpreender na filosofia, no cinema, na música, na poesia, nas artes visuais e na medicina”, destacou Schwartsmann.

Na primeira parte do simpósio, para falar sobre a beleza nas artes, o professor Carlos Augusto Calil, da USP e ex-diretor-presidente da Embrafilme, fez um passeio por vários clássicos do cinema mundial. Nessa trajetória, apresentou trechos de obras emocionantes que marcaram gerações na telona. Entre estas, o filme “O segredo das joias”, do diretor John Huston, da década de 1950. Outro exemplar citado foi o clássico Drácula”, de 1931, do diretor Tod Browning, uma obra que até hoje é revisitada em vários remakespelo mundo e que aborda a beleza dos monstros.

A literatura foi representada pelo poema-manifesto “Cântico negro”, de José Régio, publicado em 1926, e recitado pelo acadêmico Gilberto Schwartsmann. 

O simpósio também contou com a participação do professor Francisco Marshall, professor de História da Arte, da UFRGS, que discorreu sobre “Kalokagatia: beleza, ética e sociedade” – kalokagathia é um conceito grego derivado da expressão kalos kai agathos (καλός καi αγαθός),que significa literalmente belo e bom, ou belo e virtuoso. O professor José Francisco Alves de Almeida, da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul, foi outro convidado e debateu o tema “Marcel Duchamp o conceito de beleza no século XX” e o maestro Evandro Matté, da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, que discursou sobre “Proporções e disposições harmônicas: a beleza na música”.

Na segunda parte do simpósio, acadêmicos foram convidados: os cirurgiões plásticos Talita Romero e José Horário Costa Aboudib Junior. A acadêmica Talita Franco falou sobre envelhecimento, beleza e tirania ao longo dos séculos e entre as diferentes culturas, citando o caso das chinesas que enfaixavam os pés para que os mesmos ficasse pequenos, ou costumes indígenas de fazer pequenas queloides de forma geométrica para enfeitar corpos; e a evolução das cirurgias plásticas e os casos de transtornos de autoimagem como o do cantor Michael Jackson.

Franco ressaltou ainda que “envelhecer não é associado ao belo, e hoje há um assédio de vários profissionais de outras categorias da saúde como dentistas, biomédicos e fisioterapeutas que prometem rejuvenescimento sem uma formação adequada. “Um tratamento estético mal feito é muito ruim para pacientes e também para a medicina.” 

O cirurgião plástico e também acadêmico José Horário Costa Aboudib Junior abordou o padrão de beleza fermina entre as diferentes culturas ao longo dos séculos. Desde imagens das esculturas de Venus 40 mil anos antes de Cristo até curiosidades sobre os corpos de tribos africanas no século XIX. Em sua apresentação ainda destacou que nos Estados Unidos, as mamas são o foco; no Brasil há a preocupação com as nádegas. 

“Entre 1970 e 2010, o crescente interesse pelas nádegas pode ser comprovado pelas capas da revista Playboy. Em 190, 66% das capas eram de mamas e 0% de nádegas. Em 2010, 66% das capas trouxeram nádegas femininas”, mostrou Aboudib. Estes fatos, segundo ele, levaram os cirurgiões plásticos a estudar e sistematizar, com bases anatômicas, a gluteoplastias de aumento com próteses de silicone. “Nós cirurgiões, temos extremos limites na arte de criar, pois somos escravos da anatomia. A beleza é fácil de identificar e impossível de definir”, disse.

Sinapses afetivas

O acadêmico Sérgio Augusto Pereira Novis acaba de lançar livro auto-biográfico em comemoração aos seus 80 anos. Revisitando a medicina desde os tempos em que iniciou na carreira, professor Novis exerce a função de neurologista clínico, principalmente em acidentes vasculares encefálicos, esclerose múltipla e neuro-aids. Membro fundador da Sociedade Brasileira de História da Medicina, foi eleito para a Academia Nacional de Medicina, em 1987, tendo ocupado a presidência da Secção de Medicina. Em 2016, tornou-se Membro Emérito.

Para conhecer mais sobre a vida e a obra do acadêmico Novis, visite o site https://www.anm.org.br/sergio-augusto-pereira-novis/.

O livro não está à venda e foi distribuído entre amigos e familiares.

Cápsulas fotográficas

Em sua última sessão de recentes progressos (19/11), a Academia Nacional de Medicina trouxe a médica do hospital Sírio Libanês, Fabiane Sartore, que abordou os impactos que as cápsulas endoscópicas trouxeram para o diagnóstico e a terapia mais assertiva no tratamento de problemas no intestino médio/delgado.

Até então, segundo o acadêmico José Galvão Alves, era uma região de difícil acesso, que impunha aos médicos um desafio no tratamento às cegas de uma área importante com comprimento de 4 a 6 metros.

Casos de anemia e sangramentos sem diagnósticos são indicações para que os pacientes ingiram as cápsulas que possuem micro câmeras e que tiram 2 a 6 fotos por segundo da região do intestino delgado.

Judicialização na saúde: a visão de juízes e promotores

Quando o assunto é saúde, e em muitos casos, isso significa gravidade, a justiça e os juízes brasileiros têm sido colocados diante de um enorme desafio, uma verdadeira escolha de Sofia, segundo o Procurado do Estado de São Paulo, Arnaldo Hossepian. A judicialização da saúde foi tema da sessão científica da Academia Nacional de Medicina, no dia 19/11.

O evento contou com a abertura do presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, e a coordenação dos acadêmicos José de Jesus Camargo e José Galvão Alves. 

Outra participante foi a juíza Candice Jobim que expôs uma linha do tempo sobre o processo que levou o Conselho Nacional de Justiça a criação dos e-NatJus – um cadastro nacional de pareceres, notas e informações técnicas para auxiliar os magistrados com fundamentos científicos para decidir se concede ou nega determinado medicamento ou tratamento a quem aciona à Justiça.

O sistema, hoje nacional, conta com 27 NatJus, espalhados pelo Distrito Federal e unidades da Federação, com mais de 3 mil notas técnicas que, além de contribuírem nas sentenças, tem ampliando a oferta de medicamentos e serviços no SUS. 

Para ser elaborado, o sistema contou com parcerias dos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein e visa avaliar as evidências científicas de um medicamento prescrito por médicos e mais do que apenas a efetividade: o custo x benefício também são avaliados. Ao conceder um medicamento a um doente, a Justiça poderá estar contribuindo também para a desorganização do SUS. Medicamentos com preços exorbitantes e sem comprovação de eficácia, privilegiam aqueles que conseguem impetrar mandatos na Justiça e impactam o sistema e o atendimento de vários dependentes do SUS.  

Através dos seus simpósios virtuais semanais, a ANM trouxe à tona em 2020 temas relevantes do cenário da pandemia pelo coronavírus e da saúde, para debates com a comunidade médica, cientifica e a sociedade em geral, visando gerar reflexões importantes na contemporaneidade.

Confira a íntegra das palestras no canal da ANM: https://bit.ly/3fz0hGL.

Judicialização na saúde: a visão dos médicos

“O principal agente das demandas judiciais é a ausência de afeto na relação médico-paciente”. Esta foi a citação que destacou o discurso do acadêmico José Jesus Camargo, que abriu o simpósio da Academia Nacional de Medicina, realizado na última quinta-feira (19), que abordou a judicialização em medicina – tema de grande relevância, visto que dados do Conselho Nacional de Justiça apontam aumento de 1.600% no número de processos judiciais por supostos erros médicos no país em um intervalo de 10 anos.

Para discursar sobre a especialidade de ginecologia e obstetrícia, o acadêmico Jorge Rezende Filho, da UFRJ, dividiu o assunto em três grandes eixos: obstetrícia médico-legal forense, erro médico e defesa profissional. O especialista pontuou aspectos legais de questões controversas como reprodução assistida e aborto e encerrou sua apresentação com 12 cuidados que poderiam evitar processos éticos-legais, dentre os quais se destacam a boa relação com o paciente, a postura ética e a transparência.

O cirurgião plástico e acadêmico José Horácio Aboudib, da UERJ, adentrou a discussão legal na cirurgia plástica, enfatizando que a especialidade em questão é a única em que o médico deve provar que não errou, e não o contrário. Um outro ponto de relevância em sua apresentação foi a problematização dos ditos “vendedores de resultados” – profissionais que utilizam de conduta antiética e desrespeitam os regulamentos do Conselho Federal de Medicina, prejudicando a percepção popular sobre a cirurgia plástica. Por fim, Aboudib afirma que o atendimento humanizado e a atenção ao paciente são tão ou mais importantes do que a eficiência técnica.

Sobre a judicialização em ortopedia, o médico Tarcísio Barros Filho, da USP, alerta para a tendência da “superespecialização” na especialidade – em outras palavras, se utilizar de títulos de especialista em mão, ombro e coluna, por exemplo –, que pode prejudicar a credibilidade do profissional e gerar conflitos. Barros Filho também aponta que as principais queixas com relação a conduta médica na área são mau posicionamento de materiais de implante e de fixação, e afirma que é importante tratar o paciente como gostaria de ser tratado.

A presença do acad6emico Raul Cutait, da USP e do Hospital Sírio-Libanês, levantou tópicos de relevância na judicialização da cirurgia. Em especial, Cutait relata que alguns procedimentos necessitam de grande competência técnica, estrutura hospitalar e profissionais especializados, mas que, muitas vezes, limitações fazem com que cirurgiões que não se sentem totalmente aptos se submetam à realização, podendo gerar conflitos. O especialista afirma que alinhar expectativas e ser transparente é a base de toda a resolução.

Já o cirurgião geral e oncológico Alfredo Guarischi, da UFRJ, abordou a judicialização na oncologia, destacando as principais causas: a frequência e a complexidade da doença, além da natureza experimental de alguns tratamentos, que podem ser paliativos ou curativos.

O acadêmico Antonio Egídio Nardi, da UFRJ, endossou a relação médico-paciente como fundamental para evitar questões de judicialização na psiquiatria. Outros pontos levantados foram a facilidade do acesso a tratamentos farmacológicos caros pelo SUS como uma alternativa bem-sucedida e a deficiência na assistência psiquiátrica pública como causa da judicialização em internação compulsória.

O acadêmico Silvano Raia foi outro convidado e enfatizou quejudicialização da saúde deve respeitar os princípios éticos e legais”. O acadêmico destacou dois conceitos: a ética do dever e a da responsabilidade. A primeira é para cumprir nosso dever como membros de uma sociedade; o outro conceito, da responsabilidade, é mutável e visa obter o bem.

“O número de ações judiciais vem aumentado progressivamente no Brasil em decorrência da falta de recursos e de acesso aos serviços de saúde, mas a lei da medicina tem que zelar pela saúde do ser humano”, enfatizou o acadêmico.

Mas por que o paciente judicializa? A médica Maíra Dantas, do Conselho Regional de Medicina da Bahia, tentou responder a essa questão. Segundo ela,isso ocorre para que o paciente tenha acesso aos serviços de saúde que a constituição garante, mas não provém. “A medicina não pode se submeter ao Código de Defesa do Consumidor, pois a medicina não pode ser mercantilista, porém, infelizmente, as filas do judiciário estão mais céleres do que as filas da saúde”.

 “A legislação foi um ganho social inquestionável e inexorável. Mas, prometemos algo que não conseguimos cumprir. A prática conflita com as dificuldades do nosso sistema de saúde. Há uma enorme desproporção entre as demandas da população e a oferta desses serviços. Além disso, nos últimos anos perdemos muitos leitos na esfera pública, privada, filantrópica e suplementar”. Dantas finalizou sua apresentação citando Carl Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

Para ter acesso à sessão completa, veja o vídeo em nosso canal no YouTube https://bit.ly/33cVl55 ou aqui no nosso site.

Academias reforçam a necessidade da responsabilidade social

Em defesa da Anvisa

Com cerca de 140 participantes e grande repercussão na mídia brasileira, a sessão científica “Vacinas e covid-19: registro e vacinação, prováveis cenários”, realizada no dia 12 de novembro, contou com diferentes segmentos da sociedade.

Entre os convidados, advogados, médicos, cientistas e jornalistas que debateram durante cerca de 6 horas. Ao final do evento, os presidentes das Academias Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr., da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, e de Ciências Farmacêuticas do Brasil, Acácio de Souza Lima, redigiram e lançaram um manifesto no qual condenam a politização dos testes da vacina contra covid-19. Para saber mais, acesse https://bit.ly/38WWt0u.

Anvisa – O papel e a defesa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foram um dos destaques da sessão. 

Segundo o presidente da ANM, prof. Rubens Belfort, a Anvisa pertence ao Brasil e precisa ser blindada contra interferências políticas. 

“A Anvisa é um orgulho da nossa geração de pesquisadores, médicos e profissionais da saúde. Eu tenho certeza de que falo por toda a ANM, com seus 100 acadêmicos, que vocês podem realmente contar conosco, e nós prometemos fazer o que for possível para aumentar a efetividade da Anvisa”, falou o presidente da ANM para o gerente geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa,Gustavo Mendes.

“Principalmente nesse momento de pandemia, onde se tem discutido muitas situações que põem em cheque o que é conhecimento científico, a Anvisa é um aliado na valorização da ciência nacional”, ressaltou Mendes.

O especialista destacou ainda os recentes avanços do reconhecimento global da instituição enquanto autoridade na área. “Desde 2016, começou um processo de convergência global que culminou, no ano passado, na aceitação da Anvisa como membro gestor do ICH, que é um dos maiores fóruns de agências reguladoras globais. Portanto, hoje, estamos no mesmo patamar que agências de referência a nível global”, disse Mendes.

Mendes dedicou sua apresentação a esclarecer os principias papeis nesse momento em que os estudos clínicos de vacina contra covid se encontram no país – atualmente, quatro vacinas estão em estudo no Brasil, incluindo as conhecidas Coronavac, do Instituto Butantã, e a vacina de Oxford. “Parte do papel da Anvisa no controle das boas práticas de fabricação é inspecionar os locais em que essas vacinas estão sendo produzidas para garantir determinados critérios”.

“Nós, profissionais da área, teremos que ser transparentes com a população sobre a porcentagem de eficácia, quem vai poder se beneficiar dessa vacina e quais os eventos adversos que pode trazer”, reforçou Mendes, destacando a rapidez e o foco total da Anvisa no cenário de urgência em decorrência da pandemia.

O ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto, acrescentou que faltam políticas públicas de imunobiológicos no país. Para ele, essa falta de políticas públicas permite que aventureiros joguem dinheiro fora. 

A advogada Aline Mendes Coelho,especialista em Direito Regulatório e Sanitário, foi outra convidada do simpósio e, durante sua apresentação, fez um histórico sobre a Anvisa e seu papel nesse momento de pandemia.

Registro de vacinas de covid

O presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, afirmou que os brasileiros poderão ter a vacina contra covid-19 ainda no primeiro trimestre de 2021. Segundo Murillo, a companhia fabricará 50 milhões de doses até o fim de 2020 e o total para o ano que vem chega a 1,3 bilhão de doses para o mundo. A empresa já investiu US$ 2 bilhões no imunobiológico que possui uma tecnologia por RNA mensageiro.

O anúncio foi feito em sessão científica organizada pelos presidentes das Academias Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr., Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, e de Ciências Farmacêuticas do Brasil, Acácio de Souza Lima, no dia 12 de novembro de 2020.

Murillo ainda explicou que um dos desafios do imunobiológico, e já solucionado, foi a questão do armazenamento. Desenvolvida com a alemã Biontech, a vacina precisa de acondicionamento a menos 70graus e, para contornar esse problema, empresas parceiras desenvolveram uma embalagem especial que, com gelo seco, consegue conservar o imunizante por até 15 dias, sanando assim problemas logísticos de um país continental como o Brasil.

Sobre os valores de cada dose, Murillo explicou que a Pfizer tomou a decisão de criar três faixas diferentes de preços por dose, cuja aplicação vai depender do desenvolvimento de cada país. Haverá, portanto, um preço mais elevado para países mais avançados, como os Estados Unidos e os europeus, um preço para países intermediários, como é o caso brasileiro, e um terceiro preço menor para países menos desenvolvidos, “como a Bolívia”, de onde Murillo é natural.

Mais ofertas – Outro convidado dessa sessão, foi o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Aurélio Krieger. Ele abordou a parceria entre a instituição, a Unifesp, a universidade de Oxford e a farmacêutica britânico-sueca AstraZeneca e disse queessa vacina custará US$ 3,16 por dose aos cofres públicos. 

Krieger afirmou que o preço da vacina de Oxford é três vezes mais baixo que o dos imunizantes mais baratos em desenvolvimento e até dez vezes menor que o de produtos resultantes de operações totalmente privadas. Uma das razões para isso, é o fato da universidade de Oxford ter aberto mão de royalties, além da capacidade de fabricação já instalada nas plantas da Fiocruz e que deverão ser expandidas para atender a demanda. Com isso, o país se prepara para oferecer vacina de forma equânime entre os brasileiros, através do SUS e do Programa Nacional de Imunizações.

Para viabilizar a parceria entre o Brasil e a Inglaterra foram necessárias várias negociações com autoridades, congresso, instituições como a Anvisa, e evitar assim riscos jurídicos e, fundamental ainda foi o apoio da sociedade civil com doações que chegaram a mais de R$ 100 milhões, em um total de R$ 2 bilhões para fabricação dessa vacina. A expectativa é que a Fiocruz produza 100,4 milhões de vacinas no primeiro semestre de 2021 e 210,4 milhões ao longo de todo o ano que vem. A tecnologia desta vacina vem do uso de um vetor viral não replicante. Neste imunizante, adenovírus de Chipanzé, e que conferem uma proteção de 90%, segundo Krieger. E a Anvisa já ampliou para 10 mil o número de pessoas que participam dos testes com esta vacina. O imunizante está em teste em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Bahia, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte.

Imortal na medicina e na arte

A Sessão Saudade, in memoriam, ao acadêmico Eustáchio Portella Nunes Filho, realizada dia 10 de novembro de 2020, pela Academia Nacional de Medicina (ANM), foi presidida com maestria pelo secretário geral da ANM, o acadêmico Ricardo Cruz, e contou com homenagens emocionantes do ex-presidente e acadêmico Jorge Alberto Costa e Silva e do acadêmico Antônio Egídio Nardi.

“Um grande homem, meu mestre. Um excelente médico, psiquiatra, psicanalista, cientista, intelectual, pensador e, acima de tudo, um grande humanista. Nos deixou um legado extraordinário e a imortalidade da sua obra acadêmica”, enfatizou o ex-presidente da ANM, Jorge Alberto Costa e Silva.

O ex-presidente também destacou o grande interesse do acadêmico Portella pela literatura e filosofia. Segundo ele, o acadêmico não somente participou da história da medicina, mas ele ajudou a construi-la. “Ele nos dizia que o papel do escritor não é apenas escrever, e sim, encantar.”

Para o acadêmico Antônio Egídio Nardi, o professor Portella marcou várias gerações de psiquiatras e permanece até hoje como um farol, guiando alunos de medicina. “Muito profícuo na produção de artigos e um amplo conhecimento de diferentes aspectos da psiquiatria, psicanálise, filosofia e humanismo. Um verdadeiro intelectual.”

Como é de praxe na Sessão Saudade, a família do homenageado se manifesta. Nesta ocasião, o médico Estevão Portela, filho do acadêmico falecido. Estevão começou sua apresentação citando Thomas Steams Eliot, poeta e dramaturgo que ganhou o Nobel de Literatura em 1948, e que o pai gostava muito. Estevão recitou trechos do poema “O tempo presente e o tempo passado”, que o acadêmico utilizou em seu discurso de posse na ANM, na década de 1980.

“O tempo presente e o tempo passado estão ambos, talvez, presentes no tempo futuro. E o tempo futuro contido no tempo passado. Se todo tempo é eternamente presente, todo tempo é eternamente passado, todo tempo é irredimível. O que poderia ter sido é uma distração, que permanece, perpétua possibilidade, num mundo apenas de especulação. O que poderia ter sido e o que foi convergem para um só fim, que é sempre presente”.

Estevão Portella, muito emocionado e em alguns momentos sem conseguir conter o choro, contou que as estantes de livros do pai continham mais livros de literatura e filosofia do que de medicina. “Eu e minha irmã fomos muito influenciados pelo interesse humanístico do meu pai. Meu pai foi feliz!”

Confira a íntegra da Sessão Saudade no nosso canal no YouTube https://bit.ly/3lCerci.

Telemedicina: onde estamos e para onde vamos

A pandemia do covid-19 estimulou a criação de estratégias e de novos paradigmas para a prática segura de medicina que respeitasse os protocolos de saúde estabelecidos. Neste cenário, debates sobre telemedicina ressurgiram a todo vapor, sendo necessária a promulgação da Lei nº 13.989, em abril deste ano, que discorre sobre essa modalidade da medicina. Assim, a Academia Nacional de Medicina realizou, na última quinta-feira (5/11), o simpósio sobre recentes avançados em telemedicina.

As apresentações foram abertas pelo professor Chao Lung Wen, da Universidade de São Paulo, que contextualizando o tema, afirmando que estamos entrando numa “sociedade 5.0” hiperconectada, que faz uso da robótica e da inteligência artificial no dia a dia a fim de favorecer um serviço profissional cada vez mais humanizado e responsável.

“Precisamos priorizar o conforto e o estilo de vida, a promoção de saúde, a otimização do tratamento e a redução da dependência. A tecnologia serve a essa finalidade; não se trata da substituição do ato médico, mas da potencialização do mesmo numa abordagem biopsicossocial”, explica Wen.

O especialista enfatizou o conceito de casas inteligentes. Segundo ele, houve um crescimento de 22,8% do home care, nos últimos anos. Cada vez mais, dispositivos para o atendimento em domicílio, como ultrassom portátil, oftalmoscópio e otoscópio, com tecnologia mais otimizada para o uso correto e autônomo do paciente, sendo essa uma tendência para a gestão de saúde. “Em outras palavras, descentralizar e distribuir a saúde para dentro das casas sob gestão de qualidade hospitalar”.

O simpósio também contou com a sessão “Minha experiência como clínico em 2020”, apresentada pelo médico Jairo Hidal, do Hospital Albert Einsten, na qual compartilhou sua experiência com o uso da telemedicina desde exemplos mais distantes, como trocas de e-mails na década de 1990, até o contexto atual da pandemia, apresentando as vantagens e desvantagens da modalidade de um ponto de vista empírico.

Dentre os principais pontos abordados por Hidal que enfatizam a necessidade de melhorias na telemedicina, estão a educação e orientação do paciente para um melhor preparo para a telemedicina – como o uso de ferramentas e dispositivos – e uma definição mais sólida sobre a remuneração do profissional. “A melhor forma de fazer a telemedicina ser um modelo de sucesso é desenvolver uma boa telemedicina que seja satisfatória tanto para o paciente quanto para o médico”, comentou ao encerrar sua apresentação.

 
 

Coordenadores:  


Acad. Francisco Sampaio
Acad. Cláudio Benchimol

 
     
 
14h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.
Acad. Francisco Sampaio
Acad. Cláudio Benchimol

   
TeleMedicina – Caminho sem volta
   
14h10

Presidente ANM, Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
14h20

Dr. Felipe Cezar Cabral
Coordenador Médico de Saúde Digital do Hospital Moinhos de Ventos, Porto Alegre

   
   
14h30

Dr. Caio Soares
Diretor Médico da Teladoc no Brasil

   
   
14h40

Dr. Eduardo Reis de Oliveira
CEO, SantéCorp Fleury / Bradesco

   
   
14h50

Dr. Guilherme Weigert
CEO, Conexa Saúde

   
   
15h Discussão
   
   
15h40

Dr. Romeu Côrtes Domingues
Presidente do Conselho de Administração, Dasa

   
   
15h50

Dr. Fernando Pedro
Diretor Clínico e Telemedicina, AMIL

   
   
16h

Dr. Saulo Emanuel Barbosa
Coordenador Telessaúde, Prevent Senior

   
   
16h10

Dr. Eduardo Cordioli
Diretor Médico TeleMedicina, Hospital Albert Einstein
Associação Saúde Digital Brasil

   
   
16h20

Tele Oftalmologia
Dr. Paulo Henrique Morales – Instituto da Visão, EPM UNIFESP

   
   
16h30

Telessaúde
Acad. Giovanni Cerri e Acad. Fábio Jatene – Inova HC, FMUSP

   
   
16h50 Debate com a Bancada Acadêmica
   
   
17h30 Intervalo
   
Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXXIV – Ano Acadêmico 191
 
   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h10 Comunicações dos Acadêmicos
   
   
18h30

Sessão Recentes Progressos

Tema: Medicina Conectada 5.0 e Saúde Distribuída

Relator: Prof. Dr. Chao Lung Wen (Chefe da Disciplina de Telemedicina da USP)
Comentários: Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h50

Minha Experiência como Clínico em 2020
Dr. Jairo Tabacow Hidal – Hospital Albert Einstein, Escola Paulista de Medicina

   
   
19h10

Comentários
Dr. Nelson Hamerschlak – Hospital Albert Einstein

   
   
19h20 Debate com a Bancada Acadêmica
   
   
20h Encerramento
   
 

Da invenção do estetoscópio à telemedicina – É distanciamento do paciente?

O “Simpósio Telemedicina – O que fizemos em 2020 e teremos em 2021”, realizado dia 5 de outubro de 2020, de forma remota, pela Academia Nacional de Medicina (ANM) começou com uma provocação de um dos coordenadores do evento. Na ocasião, o acadêmico Cláudio Benchimol desabafou:” Na saúde suplementar, me preocupa o fato de a telemedicina vir a ser apenas uma forma de baratear os custos das operadoras de saúde. Faça o plano tal e ganhe grátis duas consultas de telemedicina”, instigou o acadêmico.

O presidente da ANM, prof. Rubens Belfort Jr., nas suas considerações iniciais, destacou que a medicina é um todo. Segundo ele, não se discute que a anamnese (a entrevista realizada pelo médico com seu paciente) e o exame clínico são importantes, assim como o relacionamento e a empatia para o bom desenvolvimento do ato médico.

– Mas, a medicina muda rapidamente e cada vez mais rápido. Precisamos perceber essas mudanças e a telemedicina é um grande exemplo disso, enfatizou o presidente.

Belfort Jr. também fez uma curiosa analogia sobre as mudanças nos séculos e o conservadorismo na área de saúde. Ele relembrou a década de 1840, quando o estetoscópio foi inventado e trouxe um “pseudo afastamento” entre médico e paciente.

“Antes da criação do estetoscópio, que hoje é um símbolo do cuidado presencial, o médico para auscultar o pulmão ou o coração do paciente precisava colocar a orelha em seu tórax e ou peito e apertar o outro lado da caixa torácica. Era um relacionamento mais próximo, quente e úmido. Quando o aparelho surgiu, temia-se que essa tecnologia seria um distanciamento da relação médico paciente”.

O presidente finalizou declarando que o cuidado presencial e a telemedicina são ações complementares. “Um outro ponto importante para refletirmos é que uma das maiores dificuldades do nosso sistema de saúde, atualmente, tanto na rede pública como privada, ainda é a questão do acesso à assistência médica. E, nesse aspecto, a telemedicina pode permitir o primeiro contato. Por isso, é papel da Academia trazer esses temas polêmicos para discussão em prol de servir a sociedade e não a interesses corporativos.”

Vale destacar que a coordenação do encontro foi compartilhada com o acadêmico e ex-presidente Francisco Sampaio, que conduziu com maestria as discussões.

O médico Felipe Cezar Cabral, coordenador médico de saúde digital do Hospital Moinhos de Ventos, de Porto Alegre, relatou a experiência bem sucedida do hospital em telemedicina, tele-orientação e tele-consulta. Cabral destacou a jornada híbrida do indivíduo nesse processo. “A telemedicina não é o fim e sim um meio. O indivíduo pode ter acesso a telemedicina antes de ser um paciente, com orientações de prevenção de doenças e orientações ambulatoriais”.

Para o médico, a telemedicina não vem para substituir o contato físico e sim para somar na jornada do paciente e garantir mais qualidade de vida. “O mundo digital e humano coexistem, paralelamente. Dessa forma, temos que tirar o melhor proveito e atender quem precisa, seja em casa por uma tela, para orientar na busca de ajuda especializada ou até a ida para uma emergência, se for o caso”, enfatizou o coordenador.

“A telemedicina não substitui uma consulta presencial. Orientamos nossos médicos a ouvir e atender com carinho, seja de forma presencial ou remota. O médico que atende pela web tem que ter bom senso e empatia também”, afirmou o presidente do Conselho de Administração Dasa, Romeu Côrtes Domingues.

Romeu destacou que a tecnologia é inexorável, não tem retorno. Mas, é preciso utilizá-la a favor da saúde da população. “A telemedicina nos possibilita preencher gaps, fazer uma boa medicina; evitar desperdícios, sermos mais democráticos e termos um sistema de saúde mais sustentável.”

Todas as relevantes apresentações dos debatedores do simpósio estão disponíveis em nosso canal no YouTube (link).  Confira as conferências dos médicos Caio Soares, diretor médico da Teladoc no Brasil; Eduardo Reis de Oliveira, CEO SantéCorp Fleury/Bradesco; Guilherme Weigert CEO Conexa Saúde; Fernando Pedro, Diretor Clínico e Telemedicina, AMIL; Saulo Emanuel Barbosa, Coordenador Telessaúde, Prevent Sênior, Eduardo Cordioli, Diretor Médico TeleMedicina, Hospital Albert Einstein; Paulo Henrique Morales, Instituto da Visão, EPM UNIFESP, dos acadêmicos Giovanni Cerri e Fábio Jatene,  Inova HC, FMUSP.

A Academia Nacional de Medicina promove seus tradicionais simpósios todas as 5ª feiras, das 14h às 20h, para debater os grandes temas da contemporaneidade na área de saúde, em prol da disseminação de informação respaldada e científica, visando contribuir com as questões de qualidade de vida da sociedade. Você é nosso convidado. Acompanhe nossas programações nas nossas redes sociais e no nosso site.

Cirurgia laparoscópica de forma didática e ilustrada

Durante a sessão científica da ANM, realizada no dia 29 de outubro de 2020, o acadêmico Rossano Fiorelli, lançou o livro “Cirurgia laparoscópica ilustrada: bases técnicas”, o qual divide a coautoria com o cirurgião Renan Couto, ambos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. 

 “Este livro não é somente prefaciado, mas dedicado ao mestre Pietro Novellino, ex-presidente da Academia Nacional de Medicina, pois foi escrito por três gerações de cirurgiões que foram seus alunos”, enfatizou Fiorelli.

Pietro Novellino, o grande homenageado no prefácio, comenta que a obra é enriquecedora mesmo para os iniciantes ou os que não têm formação cirúrgica. “Apresentar essa obra na Academia enaltece seus autores e enaltece a nossa instituição”, finaliza.

O acadêmico Rubens Belfort, presidente da Academia Nacional de Medicina, ressaltou a grande evolução da cirurgia laparoscópica nos últimos anos e reconheceu a excelência da obra. “Sem dúvida, este tipo de livro ajuda a medicina brasileira e, dessa maneira, evidentemente, contribui com os objetivos da nossa Academia”.

A publicação também contou com a participação de diversos professores do Departamento de Cirurgia Geral e Especializada e do Mestrado Profissional em Técnicas Assistidas e Minimamente Invasivas da UniRio. 

O cirurgião esclarece que a intenção do livro é apresentar ao leitor os conceitos mais importantes da laparoscopia de forma didática e ricamente ilustrada, contando com 485 ilustrações feitas à mão ao longo de 360 páginas.

Com a palavra, o também autor e pesquisador Renan Couto comentou que a ordem dos capítulos foi planejada da forma mais intuitiva possível, pois é organizada de tal forma que segue o fluxo habitual de uma cirurgia, desde a preparação da sala e dos equipamentos até os cuidados pós-operatórios.

Embaixadores brasileiros

A busca pela expansão dos horizontes tem levado médicos brasileiros para o exterior e muitos acabam permanecendo. E enchem o país de orgulho, em cargos de destaque de hospitais de renome, traçando trajetórias brilhantes.

Médicos brasileiros chefiando unidades de cirurgia nos Estados Unidos, Canadá, Qatar e Alemanha foram os convidados da Academia Nacional de Medicina, em Simpósio “A cirurgia brasileira no mundo” para apresentarem seus trabalhos em simpósio coordenado pelo ex-presidente Pietro Novellino e os acadêmicos José de Jesus Camargo e Rossano Fiorelli. 

Para o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., “são verdadeiros embaixadores brasileiros no exterior e que ainda somam ao receberem novas gerações de médicos que desejam se aperfeiçoar em outros centros médicos.” 

Entre os convidados, Rodrigo Vianna, formado na USP, e que hoje responde pelo maior centro de transplante de órgãos dos Estados Unidos, o do Miami Transplant Institute. Recheada de experiências, sua apresentação destacou os avanços tanto no transplante de rim, como de fígado e de intestino, assim como os perfis epidemiológicos das populações americana e brasileira e gastos em saúde em ambos os países.

A revolução tecnológica introduzida pela robótica na cirurgia pulmonar e os casos de transplante de pacientes com agravos pulmonares causados pela covid-19 foram apresentados pelo médico do Paraná, Tiago Nogushi Machuca, outro destaque brasileiro na Flórida.

O Honorário Estrangeiro da ANM, Tomas Salerno, hoje na Universidade de Miami, foi outro expoente da sessão. Em sua palestra “Enxergando além das lupas”, o brasileiro exibiu ainda, de forma clara e didática, uma rica cronologia das cirurgias cardíacas, traçando paralelos de comparação com os conhecimentos e técnicas da atualidade. 

E sobre os hospitais do futuro, o brasileiro Antonio Marttos, atualmente, no Ryder Trauma Center de Miami, mostrou como os hospitais estão conectados e oferecendo serviços de consultoria médica para outros profissionais de países distantes como Iraque, através de telemedicina, em apenas 15 minutos. 

O médico Robson Capasso, atuando na Escola de Medicina da Universidade de Stanford, abordou ecossistemas de inovação para aplicação na medicina e mostrou como empresas transnacionais e nacionais, que não são tradicionais da área da saúde, estão, cada vez mais, focadas em oferecer serviços médicos.

De Nova York, o médico Flavio Macher, do Albert Einstein College of Medicine, mostrou os tipos de inteligência artificial (IA) aplicadas à medicina: a IA assistida por robótica; a IA aumentada, na qual o robô auxilia o médico na tomada de decisão; e a IA autônoma, cuja autonomia é do robô que foi treinado pelos profissionais.

Canadá – Da PUC do Rio Grande do Sul para Toronto, o cirurgião Marcello Cypel foi outro convidado.  Cypel, é diretor cirúrgico da Universidade de Toronto. E apesar dos 15 anos no Canadá, jamais abandonou o Brasil em tempos críticos. No incêndio da boate Kiss, em 2013, veio diversas vezes ao país ajudar na recuperação dos jovens acidentados. Em sua palestra, histórias e avanços sobre transplante de pulmão, mudanças para preservação dos órgãos doados, estudos da fisiopatologia de cada órgão e a compatibilidade com os receptores desses enxertos.

Modelos de carreiras inspiradoras não faltaram durante a sessão. A médica Paula Ugalde, nascida no Chile, formada na Bahia e, atualmente, no Institut Universitaire de Cardiologie et de Pneumologie de Québec, no Canadá, foi outro destaque como palestrante. Ugalde reforçou os avanços nas cirurgias minimamente invasivas de pulmão e os resultados satisfatórios se comparados às cirurgias de peito aberto. 

Outro participante foi Stephan Soder, do Centre Hospitalier de lUniversité de Montréal, no Canadá, que apresentou tecnologias, minimamente invasivas, associadas a prática clínica para casos de câncer de pulmão. 

Outros destaques – Do Qatar, falou o médico brasileiro Sandro Rizoli. Especializado em serviços de trauma, Rizoli mostrou aspectos socioeconômico demográfico desse país da península arábica e como o sistema funciona articulado desde o momento do acidente nas ruas, a chamada emergencial, transporte e atendimento em uma abordagem global de cada paciente para estancar possíveis hemorragias. 

E de Berlim, o médico Ricardo Zorron abordou dogmas, ensinamentos e como pensar “não dentro da caixa e nem fora, mas sem caixas”. Mostrou de forma ilustrativa os avanços nas cirurgias bariátricas e outras que começaram experimentalmente no Rio de Janeiro e hoje são exemplos para o mundo.

Recentes progressos – Durante este dia, a ANM ainda promoveu a sessão de recentes progressos. E o câncer de fígado foi o tema central. “Avanços na terapia imunológica dos tumores de fígado” foi assunto da palestra do médico Fábio Marinho, do Real Hospital Português de Pernambuco. 

Marinho compartilhou importante inovação no tratamento de carcinoma hepático: a descoberta que a associação entre Atezolizumab e Bevacizumab oferece uma sobrevida superior à Sorafenib – droga de escolha desde 2008. “Para a primeira linha de tratamento dos pacientes com a doença, é um avanço que não se conquistava há décadas”, apontou.

O acadêmico Carlos Eduardo Brandão, aproveitou a ocasião, e destacou a conquista do Nobel de Medicina, neste ano, pelos médicos Harvey Alter, Michael Houghton e Charles Rice, que demonstraram que um vírus, até então desconhecido, era causa de hepatite crônica, além de terem isolado o genoma do vírus da hepatite C – avanços que permitiram grande redução da incidência de novos casos da doença e de diversas outras complicações do fígado.

A revolução tecnológica na medicina é uma realidade e os médicos brasileiros no exterior são motivos de orgulho para todos.

Academia assume Alanam

Em outubro foi realizada a reunião da Asociación Lationamericana de Academias Nacionales de Medicina, Espanha e Portugal (Alanam), sob a presidência da brasileira Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr, a partir de agora, tem a dupla missão de presidir a instituição nacional e a Alanam.

 A Alanam reúne, além do Brasil, as academias do Chile, Uruguai, Paraguai, Equador, Costa Rica, Bolívia, Colômbia, México, Argentina, Venezuela, Peru, e República Dominicana e mais Portugal e Espanha.

   – A Academia Nacional de Medicina, com seus 191 anos, e os 100 acadêmicos, que representam os 500.000 médicos do Brasil, têm a honra e sabem desta grande responsabilidade. Belfort aproveitou o evento e ainda apresentou, de forma sucinta, a situação da covid-19 no Brasil, ressaltando aspectos da geopolítica e da epidemiologia da doença.

 –  A dimensão continental do Brasil e a grande disparidade econômica regional fez com que a epidemia se manifestasse em tempo diferente e com uma variedade grande de intensidade e mesmo mortalidade. Um foco que, inicialmente, não foi considerado importante foi na Amazônia, totalmente inesperado. A epidemia rapidamente ganhou dimensão muito grande na região Amazônica brasileira.

Para o presidente Belfort, várias lições foram aprendidas durante a epidemia por covid-19 e continuam importantes. Uma delas, segundo ele, é que temos que pensar globalmente, mas agir localmente, e a estratégia atual é levar em consideração a situação de mini regiões. Além disso, refletiu sobre as disparidades muito grandes entre ricos e pobres. Para ele, a próxima fase fundamental é pensar em vacinação.

 –  Acredito que a próxima etapa, e também isto se relaciona à toda América Latina, é discutirmos as vacinas. A Academia Nacional de Medicina do Brasil, desde março, teve importante liderança na informação e educação da sociedade sobre esses diferentes aspectos. Realizamos vários simpósios internacionais, inclusive com o apoio da Alanam, e atualmente nossos esforços estão relacionados às vacinas. Acreditamos que nos próximos muitos meses teremos que liderar e discutir as vacinas em relação a: qual, quando e como?            

 O presidente Belfort apontou ainda que a epidemia vai continuar durante muitos meses e não basta apenas termos dados descritivos da situação. Os números são mais ou menos os mesmos nos diferentes países e a problemática, acredita, é a de tentar resolver, tentar descobrir soluções. E para terminar seu discurso de posse, agradeceu ao presidente anterior da Academia Nacional de Medicina, o acadêmico Jorge Alberto Costa e Silva, pelo empenho na representatividade brasileira na organização e parabenizou o presidente Horácio Toro que o antecedeu na Alanam.     

Terapias do futuro

“A evolução das terapias avançadas é, sem dúvida, a evolução da pesquisa básica associada à clínica médica e cirúrgica e incorporada na prática médica”, destacou o acadêmico Marcello Barcinski, durante a última reunião científica promovida pela Academia Nacional de Medicina, no dia 22/10. O acadêmico Marcelo Morales acrescentou: “Estamos falando de terapias que estão chegando na ponta e algumas delas já estão na prática clínica aplicada à saúde e precisamos estar bem atentos e atualizados. A pesquisa está à disposição para melhoria da qualidade de vida das pessoas.”

O simpósio sobre “Terapias Avançadas – Células tronco, terapia gênica e nanotecnologia aplicada à saúde” contou com a abertura do presidente da ANM, professor Rubens Belfort Jr. que, na oportunidade, agradeceu aos coordenadores do evento, os acadêmicos Morales e Barcinski pela organização de uma discussão tão rica e relevante para sociedade civil e acadêmica. 

Entre os convidados internacionais, Bruce Levine, da University of Pennsylvania, que abordou o aprimoramento clínico no tratamento do câncer a partir da terapia como as células CART-T. Partindo-se do pressuposto de que o câncer provém da proliferação desenfreada de nossas próprias células, a terapia com células CAR-T consiste em turbinar as células de defesa do paciente e, com isso, aumentar a resposta imunológica contra a doença.

A terapia CAR-T, que significa do inglês receptor de antígeno quimérico, envolve a extração das células imunológicas do próprio paciente e, através da inserção de um vetor viral, um novo gene é introduzido nas células de defesa e, de volta ao organismo, é capaz de combater o tumor. Levine também abordou os limites éticos e legais da terapia, além do que ainda precisa ser aprimorado na técnica. E como histórias de sucesso, apresentou os casos de duas pacientes, Sophia e Emily, que receberam o tratamento – a última com sucesso, estando livre do câncer há alguns anos.

O médico Maroun Khoury, da Universidad de Los Andes do Chile, foi outro dos palestrantes convidados e apresentou resultados sobre as estratégias celulares que ajudam na restrição de respostas em doenças inflamatórias. O uso de células-tronco mesenquimais, que se configuram em uma população adulta de células que podem se transformar em uma variedade de tipos celulares, e sua aplicação no tratamento de doenças imunomediadas. As doenças imunomediadas se manifestam quando o sistema imune ataca as células saudáveis do próprio corpo.

A sessão também contou com a participação do professor Junk Soo Suk, da Johns Hopkins Medicine, que contou sobre pesquisa com base em nanopartículas de entrega de drogas, transportando composto farmacêutico no corpo para atingir o efeito terapêutico desejado. Suk ainda apresentou uma abordagem voltada para terapia genética sob inalação no tratamento de doenças pulmonares. O revestimento apresentado possui distribuição das nanopartículas nas superfícies das vias aéreas que são compostas de muco e que, normalmente, dificultam a distribuição da terapia.

Terapias do futuro no Brasil – “Terapia celular: o que significa?” Foi o tema abordado pelo professor Antônio Carlos Campos de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que definiu-a quando células viáveis são injetadas, enxertadas ou implantadas em um paciente a fim de efetuar um efeito medicinal. O professor explicou que comumente as células que são usadas em terapia celular são as chamadas células-tronco, como é feito há mais de seis décadas em transplante de medula óssea.

“Essas células-tronco podem ser autólogas, quando são do próprio paciente; alogênica, de um doador diferente ou senogênicas, quando são de outra espécie. Além do uso em transplantes, atualmente essa terapia pode ser usada para tratar problemas musculoesquelético, cardíacos, neurológicos, endócrinos e em processos de descobertas de novas drogas”, explicou Campos de Carvalho.

A professora Milena Botelho Soares, da Fiocruz Bahia, destacou os avanços da terapia celular em trauma raquimedular. Esse tipo de trauma gera várias deficiências graves em decorrência da pouca recuperação espontânea da medula espinhal. Segundo Milena, essas deficiências podem ser de paralisia parcial até completa, o que muitas vezes ocasiona distúrbios em outros órgãos. “A terapia celular vem sendo bem estudada para melhorar a função motora e sensitiva desses pacientes”.

“No inicio da pandemia pelo novo coronavírus, acreditávamos que só o pulmão era atingido, por isso o nome SARS-CoV-2  (Síndrome Respiratória Aguda Grave), mas hoje sabemos que a covid não só acomete o pulmão, a doença pode acometer o cérebro, coração, fígado,” enfatizou a acadêmica Patrícia Rocco. A pesquisadora, que também é da UFRJ, explicou que o processo inflamatório pela doença pode causar uma verdadeira “cascata” inflamatória e as terapias celulares estão sendo estudadas com alternativas de tratamento.

Durante a sessão, o presidente da ANM, Rubens Belfort, ressaltou o papel essencial do médico, compartilhando o caso em que o profissional, durante a pandemia por covid, optou pela respiração boca a boca em uma paciente com parada cardíaca, mesmo estando infectada pelo coronavírus. 

– Esse é o espírito da medicina. Colocar a vida do outro acima de qualquer coisa. Isso é uma atitude brilhante”, ressaltou. 

Também estiveram na pauta das apresentações: “Terapia gênica: o que significa?” com Rafael Linden; “Adenovírus-associado e seu uso como agente terapêutico”, apresentado por Hilda Petrs, ambos da UFRJ; “Terapia gênica e leucemias: linfócitos modificados como agentes terapêuticos”, com Martin Bonamino, do INCa; “Nanotecnologia e vacina em spray nasal para covid-19”, com Marco Antonio Sthefano, da USP; e “Ações do CNPq para apoio à pesquisa em terapias avançadas”, com Evaldo Villela, presidente da instituição de fomento à pesquisa nacional.

Sessão Saudade para Hiram Silveira Lucas

Em homenagem ao imortal Hiram Silveira Lucas, a emocionante Sessão Saudade, da Academia Nacional de Medicina (ANM), ocorrida no dia 20 de outubro, foi regada de lembranças e manifestações de afeto e reconhecimento a esse ilustre acadêmico, falecido no dia 17 de setembro de 2020, e que carimba a imortalidade por sua obra em prol da saúde.

Para homenagear e relembrar as contribuições do acadêmico, a sessão foi presidia pelo Secretário Geral, acadêmico Ricardo Cruz, e ainda participaram dessa celebração o ex-presidente Pietro Novellino, e os acadêmicos Omar da Rosa Santos e José Galvão-Alves.

“Meu sentimento é de profunda saudade. É um sentimento do qual não podemos ser removidos. Ponho em minhas palavras a força do coração, pois segundo Vitor Hugo, o espírito enriquece com aquilo que recebe e o coração com aquilo que dá”, salientou o ex-presidente Pietro Novelino. “Ao nosso querido Hiram, reverenciamos a emoção, pois lembrar é viver”

Os filhos do acadêmico, Rodrigo e Frederico, também participaram da sessão e ressaltaram o exemplo de dedicação e atividade brilhante e incansável em sociedades de classe e o reconhecimento de seus pacientes. Por fim, a viúva do acadêmico, Sra. Talita, fez um emocionado depoimento sobre os últimos meses de vida do acadêmico e agradeceu muito a participação de médicos da ANM na reta final dos cuidados e assistência em saúde. A esposa do acadêmico finalizou com uma frase: “Nos sentimos muito abraçados por todos, nossa gratidão eterna”!

Para conhecer mais da biografia do acadêmico Hiram Lucas, acesse https://www.anm.org.br/hiram-silveira-lucas/.

Atlas sobre ciclo do Toxoplasma

Acadêmico Wanderley de Souza lançou o “Atlas didático do ciclo de vida do Toxoplasma gondii”, em sessão científica da Academia Nacional de Medicina, no dia 15 de outubro de 2020.

Assinado em parceria com os pesquisadores Marcia Attias, Dirceu Teixeira, Marlene Benchimol, Rossiane Vommaro e Paulo Henrique Crepaldi, a obra ainda possui vídeo explicativo e direcionado à população. 

O Toxoplasma gondii é um protozoário que pode causar no homem a toxoplasmose com lesões agudas e crônicas. Segundo Wanderley, 2 bilhões de pessoas em todo mundo albergam o protozoário, mas apenas 10% desenvolvem sintomas.

Uma viagem pela medicina brasileira nos últimos 50 anos

Para comemorar o Dia do Médico (18/10), a Academia Nacional de Medicina convidou o Dr. Dráuzio Varella para sua sessão científica no dia 15 de outubro de 2020. 

O presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr., ao anunciar o convidado, relembrou a amizade que os une, desde os tempos em que foi aluno de Dráuzio Varella. “É uma grande honra, uma grande alegria e um prazer receber você aqui hoje, quando ocupo este cargo.”

Varella fez uma verdadeira viagem pela medicina nos últimos 50 anos, abordou dos sonhos grandiosos de um jovem formado na década de 60 aos dias atuais. 

Dos primórdios de sua carreira, ainda durante a ditatura, relembrou alguns dos ideais de sua geração de formandos: acabar com a miséria, doenças como a tuberculose e baixar os índices de mortalidade infantil, além de alfabetizar todos os brasileiros. De forma crítica, refletiu ainda como sua geração acreditava que fazia parte de uma elite de médicos, cuja ascensão social estava garantida em consultórios particulares. E acrescentou como aqueles jovens das décadas de 60 e 70 tinham uma visão limitada para aspectos como racismo, machismo e homossexualidade. 

Mas, como relembrou, o mundo e o Brasil evoluíram, e os médicos daqueles tempos tiveram que se adaptar. Do direito à saúde limitado aos vinculados ao então INPS às conquistas do Sistema Único de Saúde (SUS), alçando o Brasil a exemplo de um país com um sistema universal e integral.

Dráuzio ressaltou ainda importantes programas nacionais que são reconhecidos mundialmente como o de imunização, de transplante de órgãos, transfusão de sangue, contra o HIV/aids, saúde da família. Hoje, o país, segundo ele, conta com 340 mil agentes de saúde da família.               

Defensor do SUS, Dráuzio relembrou os primórdios da criação de planos de saúde, na década de 90, e transformados em assistência suplementar, sendo responsáveis por parte dos atendimentos à população.

Em sua viagem pelos últimos 50 anos da medicina, Dráuzio ainda abordou os avanços da tecnologia e da robótica aplicados à medicina e o impacto das imagens na radiologia, nos exames e diagnósticos que evitaram as cirurgias exploratórias; além dos medicamentos de última geração e que permitiram controlar doenças como a aids e o câncer, entre outras. Além disso, ressaltou que médicos atuais precisam lidar com pacientes informados.

– Os médicos que nos precederam falavam sobre saúde nas praças. Na atualidade, a tela do celular se tornou o meio mais rápido de nos comunicarmos com os pacientes que são mais informados e, com eles, precisamos discutir a saúde, a doença e os tratamentos. 

Se avançamos em termos de tratamento por um lado; por outro, nossa forma de viver nos trouxe prejuízos para a saúde, disse. Hoje, segundo ele, 90% dos trabalhadores são sedentários, contra 10% na década de 60. 

A sessão ordinária da Academia Nacional de Medicina, em comemoração ao Dia do Médico, ainda contou com uma apresentação do secretário geral, o acadêmico Ricardo José Lopes da Cruz, que relembrou as origens da data, que foi criada no Dia de São Lucas. 

Lopes Cruz enumerou para os cerca de 100 participantes diversos pontos críticos na medicina brasileira atual e que ainda precisam avançar. Distribuição equânime de médicos pelo país, regulamentação das faculdades de medicina, falta de definição sobre a extensão da cobertura universal pelo SUS, regulamentação das filas, a necessidade de melhorias na integração entre os sistemas público e privado, a necessidade da integração dos dados, ponto que foi também mencionado pelo convidado Dráuzio Varella: por que até hoje não temos o cartão SUS? E Lopes Cruz mencionou ainda outros aspectos que merecem comemorações.                                                                       

E por fim, Dráuzio terminou afirmando que, em 50 anos de profissão, jamais se arrependeu da escolha que fez. “Continuo encantado pela medicina. Profissão caprichosa como a mulher amada, capaz de despertar crises inesperadas de paixão.”

No Labirinto do Cérebro

Em “No labirinto do cérebro”, o acadêmico Paulo Niemeyer Filho divide com o leitor sua experiência como neurocirurgião e, de forma clara e acessível, descreve não só o funcionamento do cérebro como as mais recentes descobertas nessa área, explorando temas tão variados como a formação da memória, os mistérios da dor ou os efeitos por vezes inusitados de um distúrbio cerebral. A essa narrativa somam-se ainda as histórias fascinantes — e às vezes surpreendentes — de casos que acompanhou desde o início de sua carreira, e também os que ouviu de seu pai, o Dr. Paulo Niemeyer, considerado o maior nome da neurocirurgia brasileira.

Mais informações sobre o livro, que tem também versão de ebook Kindle, podem ser acessadas no link https://www.amazon.com.br/No-labirinto-do-cérebro/dp/8547001077

Árduo caminho de desigualdades na jornada contra o câncer de mama no Brasil

“O que devemos fazer na próxima semana que possa nos ajudar a resolver isso?”. Com esse questionamento introdutório, o médico Carlos Henrique Barrios, do Hospital da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, iniciou sua apresentação na sessão ordinária “Atualização em Câncer de Mama”, da Academia Nacional de Medicina (ANM), que demonstrou que a disparidade de acesso à saúde ainda é um grande empecilho nas estatísticas da doença, sobretudo em países em desenvolvimento, como o Brasil.

Quando outubro marca o mês de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, a ANM promoveu, no dia 8, um debate sobre o assunto. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, este tipo de tumor é o segundo mais comum entre mulheres no país, correspondendo a cerca de 28% dos novos casos a cada ano. “Existem evidências de que sociedades nas quais cuida-se melhor da saúde feminina apresentam melhores índices de desenvolvimento”, comenta Barrios.

No entanto, o especialista afirma que um aumento no número de casos não simboliza, necessariamente, um aumento na mortalidade. Há uma disparidade evidente e global que se observa em dados – quanto maior o PIB per capita de um país, maior o número de casos e menor a mortalidade, e vice-versa.

Uma explicação possível para este fenômeno pode ser observada no que cerne à indústria farmacêutica. Novos medicamentos trazidos ao mercado são, preferencialmente, distribuídos nos Estados Unidos, que representam 64% dos contemplados pelas novas drogas, seguidos pelos cinco principais países da Europa (18%) e pelo Japão (7%). Em outras palavras, apenas 10% das novas medicações estão disponíveis para o resto do planeta.

O cenário nacional, por outro lado, não é uníssono, e apresenta grande desigualdade. A sobrevida para os pacientes com câncer é cada vez maior e a disparidade entre os setores público e privado, nestes aspectos, tem se atenuado, exceto no estágio IV (metástase), cuja desigualdade se tornou maior.

Além disso, ainda que a distribuição etária entre pacientes nos sistemas público e privado seja quase idêntica, os estágios dos diagnósticos entre ambos são discrepantes – o que evidencia que o intervalo entre o diagnóstico e o início do tratamento é crucial para a redução da mortalidade e superação da doença, e o Brasil está entre os países que apresentam maior intervalo.

O médico também aponta como a pandemia da covid-19 trouxe grande impacto sobre as estatísticas em câncer. “Devido aos atrasos de diagnósticos e de tratamentos, os poucos meses de pandemia apresentarão consequências pelos próximos 10 anos”.

A sessão contou ainda com a apresentação do médico Benjamin Anderson, da University of Washington, que apresentou as diretrizes estratificadas de recursos e controle global do câncer, analisando, também, cenários das regiões da África e do Caribe. “Não é só o diagnóstico precoce que salva vidas, mas o acesso ao tratamento precoce”, ressaltou.

A live da ANM sobre o câncer de mama foi coordenada pelos acadêmicos Maurício Magalhães e Paulo Hoff.

Câncer de mama: da prevenção ao papel da mídia

Rastreio e prevenção primária, genética, biologia molecular, drogas alvo, segurança e estética no tratamento cirúrgico, a importância dos grupos de pacientes e o papel da imprensa foram os temas que estiveram na pauta do simpósio online “Atualização em câncer de mama”, promovido pela Academia Nacional de Medicina, no dia 8 de outubro de 2020.

“É importante prestigiar as questões sobre prevenção, diagnóstico e tratamento e as fontes de comunicação necessárias para instruir e educar”, declarou na abertura do encontro, o presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Rubens Belfort Jr. O simpósio teve a coordenação dos acadêmicos Maurício Magalhães Costa e Paulo Hoff.

“Combater o sedentarismo, com a prática de atividade física regular; optar por uma alimentação saudável para o controle da obesidade; consumir com moderação bebidas alcoólicas e tentar diminuir a defasagem entre o rastreio, diagnóstico e o tratamento são medidas importantes de prevenção primária para combater o câncer de mama”, explicou o médico Luiz Henrique Gebrim, do Hospital Pérola Byington de São Paulo.

A Síndrome Li-Fraumeni – uma predisposição rara em mulheres jovens para desenvolver algum tipo de câncer – foi abordada pela professora Maria Isabel Achatz, do Hospital Sírio e Libanês (SP). Segundo a pesquisadora, cerca de 50% das portadoras dessa síndrome têm chances de desenvolver tumores antes dos 40 anos de idade, o que significa 1% da população mundial. Já 90% desse grupo devem desenvolver câncer até 60 anos. A professora explicou ainda que 47% das portadoras dessa síndrome que praticam aleitamento materno, por pelo menos sete meses, não desenvolvem a doença.

A oncoplastia também esteve no centro das discussões. O médico Vilmar Marques, da Santa Casa de São Paulo e Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia ressaltou a preocupação que o cirurgião atualmente deve ter com o domínio de várias técnicas cirúrgicas para entregar a paciente um bom resultado estético também. “As mutilações e deformidades da mama após a retirada do tumor nas cirurgias convencionais hoje podem ser evitadas através de várias técnicas.”

“Como conseguimos diminuir o abismo entre o SUS e a saúde suplementar no tratamento do câncer? Como ampliar o acesso as terapêuticas com equidade? Não adianta termos drogas de altíssimo custo que o sistema público e as operadoras de saúde não possam absorver. A indústria farmacêutica também precisa colaborar, reduzindo custos de medicamentos, que muitas vezes vêm do mercado americano e essa conta não fecha. Na minha visão, temos que fazer mais parcerias público e privado para ampliar o acesso a novas drogas e terapêuticas para combater o câncer,” enfatizou o médico Gilberto Amorim, do Onco D’Or, do Rio de Janeiro, na palestra “terapia com drogas alvo. A cura é possível?”

Informação de qualidade é poder

A fundadora do Instituto Oncoguia, de São Paulo, Luciana Holtz, fez um breve relato sobre a atuação da ONG, que tem como principal objetivo oferecer informação de qualidade para pessoas com câncer. “O que realmente ajuda e faz diferença na vida de um paciente que está enfrentando um diagnóstico de câncer? A doença ainda é muito marcada de estigma e medo.”

Para Holtz, o cenário não é animador, segundo ela, a previsão é de 660 mil novos casos por ano. “Uma paciente com câncer de mama gasta muito tempo na fila do sistema para fazer o diagnóstico e iniciar o tratamento. E não é um caminho iluminado. É um percurso com muitas dúvidas e medo. Nosso desafio é minimizar a desigualdade e garantir que essa mulher não tenha dor física e emocional”.

A ONG tem vários canais de comunicação com a população e realiza atividades multidisciplinares, além de assessoria e aconselhamento jurídico aos portadores da doença.

“O desafio na cobertura jornalística do câncer é oferecer informação de qualidade e que as pessoas possam entender, lembrando de todos os problemas educacionais e de desigualdade do nosso país”, alertou a jornalista Ana Lúcia Azevedo, do jornal O Globo, durante os debate do simpósio. A repórter especial na área de saúde e ciência também destacou a importância de se comunicar bem a prevenção e os novos tratamentos, mas sem levantar falsas esperanças na população.

“O crescimento das redes sociais abriu canais importantes de comunicação com a sociedade mas, em contrapartida, tivemos um crescimento das fakes news. E, a área de saúde, em especial, é muito prejudicada com falsas notícias. A mídia precisa estar muito atenta e apurar com rigor, mas com isso, perdemos um tempo precioso para desmentir. Tempo que poderia ser investido para gerar mais e mais informação de qualidade”, desabafou a jornalista.

A jornalista Natalia Cuminale, diretora do portal Futuro da Saúde, foi outra convidada para debater o assunto. Cuminale falou sobre a importância da interlocução com médicos, ONGs, academias e entidades de classe da área de saúde para que o jornalista possa levar informação de qualidade para população, uma vez que a notícia impacta a vida das pessoas. Ela também tocou num ponto pouco discutido “precisamos falar sobre custos.

– No Brasil, as pessoas não sabem quanto custa um exame, uma internação. Ninguém fala sobre isso. O papel da imprensa também é de colocar os pingos nos ‘is’. Como vamos engajar a população sem explicar como os sistemas funcionam, tanto no SUS como na saúde suplementar. Precisamos abrir o leque e falar sobre custos”, finalizou.

Nos comentários finais, o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, destacou que “informação de qualidade e relevância social estão em consonância com o compromisso da Academia e, por isso, capitaneado pelo acadêmico Mauricio Magalhães, acabamos de criar o programa “ANM perto de você”. Lá, teremos um canal online permanente de comunicação com a sociedade”, finalizou.

 
 

Coordenadores:
Acadêmicos Maurício Magalhães Costa e Paulo Hoff


 
     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
14h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
14h10

Importância da educação comunitária em Saúde
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
14h15

Prevenção primária e rastreio do câncer de mama
Prof. Luiz Henrique GebrimHospital Pérola Byington – SP

   
   
14h35

Genética e câncer de mama?
Profa. Maria Isabel AchatzHospital Sírio e Libanês – SP

   
   
14h55

Como conciliar segurança e estética no tratamento cirúrgico
Prof. Vilmar MarquesSanta Casa SP e Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia

   
   
15h15

Biologia molecular e alvos terapêuticos
Profa. Filomena Carvalho-Professora Associada – USP

   
   
15h35

Terapia com drogas alvo. A cura é possível?
Prof. Gilberto AmorimOnco D’Or, RJ

   
   
15h55

A importância dos grupos de pacientes
Sra. Luciana HoltzInstituto Oncoguia, SP

   
   
16h15

Debate
Coordenação: Acad. Rubens Belfort Jr.
Acad. José Carlos do Valle
Jornalista Ana Lucia Azevedo – O Globo RJ
Jornalista Natalia Cuminalle – SP

   
   
17h Discussão
   
   
17h30 Intervalo
   

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXX – Ano Acadêmico 191

   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h10

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h15 Comunicações dos Acadêmicos
   
   
18h30

Desafios na Jornada de pacientes com câncer de mama no Brasil
Prof. Carlos Henrique BarriosHospital PUC-RS e Oncoclínicas

   
   
18h45

Breast Health Global Initiative
Prof. Ben Anderson – World Health Organization

   
   
19h

Debatedores
Acadêmicos Paulo Hoff e Maurício Magalhães Costa

   
   
19h15 Discussão com a Bancada Acadêmica
   
   
20h Encerramento
 
 
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Homenagem ao 30º aniversário do primeiro tratamento endovascular do Aneurisma de Aorta

30 anos da técnica que revolucionou a medicina

No dia 01 de outubro, a ANM comemorou os 30 anos de uma cirurgia que revolucionou o tratamento do aneurisma da aorta abdominal que, se não tratado, pode levar ao óbito.

A aorta é a maior artéria do corpo e o aneurisma da aorta abdominal pode surgir em qualquer idade, porém é mais comum em homens entre 50 e 80 anos.

Coordenado pelo acadêmico Arno von Ristow, o simpósio contou com a participação do médico argentino Juan Carlos Parodi, que foi o criador da técnica de cirurgia endovascular para tratamento do aneurisma da aorta abdominal, a partir do tratamento em cães.

Aron von Ristow fez um relato histórico, aos cerca de 100 participantes do evento, desde as primeiras tentativas de tratamento no Brasil, ainda em 1845, até as conquistas recentes com a certificação de mais de 600 cirurgiões vasculares com as técnicas desenvolvidas, a partir do modelo criado por Parodi, e utilizada, inclusive no SUS.

Hoje, 70% das cirurgias usam essa abordagem, menos invasiva, e que evoluiu bastante com o desenvolvimento de endopróteses em substituição às cirurgias abertas.

O médico brasileiro Gustavo Oderich, radicado nos Estados Unidos, foi outro convidado da sessão comemorativa. Oderich mostrou o consórcio de instituições americanas de pesquisas sobre aorta e os avanços com o uso das endopróteses e, como isso tem impactado tanto na recuperação como na sobrevida dos pacientes.

O presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., finalizou a sessão ressaltando, a partir da histórica conquista na cirurgia vascular, a relevância da liberdade criativa sem cerceamento, aliada a noção de risco e dos cuidados com os pacientes.

Recentes progressos – Na mesma sessão científica, a ANM promoveu mais uma edição de Recentes Progressos. O tema câncer de próstata e as cirurgias minimamente invasiva.

Mais de 65 mil homens são atingidos, todos os anos, pelo câncer de próstata, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer. E a cada ano, 14 mil morrem, sendo a doença considerada a segunda causa de óbito entre os homens.

E falar de prevenção e diagnóstico precoce é sempre um tabu.

O médico Rui Figueiredo, do Hospital Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mostrou duas técnicas de cirurgia de próstata minimamente invasivas: a crioterapia que provoca a morte das células tumorais por congelamento; e a terapia focal com ultrassom de alta frequência. Ambas  só são aplicadas em lesões pequenas e de baixo risco.

Os resultados são animadores: 100% dos pacientes permanecem com sua continência urinária normal e 80% com sua função erétil. O acadêmico Ronaldo Damião, comentarista da apresentação, ressaltou a quantidade de estudos que mostram que 90% dos pacientes submetidos a essas terapias ficam livres da doença.

Uma tarde na Academia – ANM
 
     
  SESSÃO ORDINÁRIA DA
ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA
XXIX – Ano Acadêmico 191
 
   
     
 
18h Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.
   
   
18h05 Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz
   
   
18h10 Comunicações dos Acadêmicos
   
   
  18h30 SESSÃO RECENTES PROGRESSOS
Terapia Focal em Adenocarcinoma de Próstata com Ultrassom de alta frequência e Crioablação

Relator:
Prof. Dr. Rui Teófilo Figueiredo Filho (HUPE UERJ) Comentários: Acad. Ronaldo Damião
   
   
18h45 Homenagem ao 30º Aniversário do primeiro tratamento endovascular do Aneurisma da Aorta
   
   
18h50 A história e a evolução do tratamento do Aneurisma da Aorta Abdominal no Brasil
Acad. Arno von Ristow
   
   
19h10 O Estado da Arte no Tratamento dos Aneurismas Complexos da Aorta
Gustavo S. Oderich MD
Chief of Vascular and Endovascular Surgery, Director of Aortic Center, The University of Texas, Houston
   
   
19h30 Discussão com a Bancada Acadêmica
   
   
20h Encerramento
 
anm_01 zoom programacao acadnacmed anm

Câncer de Mama – Tire suas Dúvidas

Este é o título do livro que acaba de ser lançado pelo acadêmico Maurício Magalhães e que procura, de forma agradável, transmitir conhecimentos científicos acessível à população feminina. 
No livro, as causas, métodos diagnósticos, opções terapêuticas, a reabilitação, assim como os direitos da mulher com câncer são temas que visam esclarecer a doença que ainda afeta, todos os anos, mais de 65 mil mulheres no Brasil.
Em edição digital, o acadêmico acredita que, com esse formato e o acesso a um número maior de leitores, contribuirá para que as mulheres possam incorporar hábitos para uma vida mais saudável.


Editora Bibliomundi

Mais informações em https://bit.ly/36lZpme.

ANM eleita sede da ALANAM

Pelos próximos dois anos, a Academia Nacional de Medicina (ANM) será a sede da Asociación Latinoamericana de Academias Nacionales de Medicina (Alanam). A entidade reúne, além da brasileira, as Academias de Medicina do Chile, Uruguai, Paraguai, Equador, Costa Rica, Bolívia, Colômbia, México, Espanha e Portugal.

O presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, conta que sua missão à frente da Alanam começa com a organização de um evento que reunirá todas as academias, no dia 24 de outubro. Para lhe assessorar nessa importante iniciativa, convidou os acadêmicos Paulo Marchiori Buss e José Augusto da Silva Messias.

Academia Nacional de Medicina no Setembro Amarelo

Quando setembro marca o mês de prevenção ao suicídio, a Academia Nacional de Medicina (ANM) promoveu, no dia 24, debate sobre o assunto. A importância de se discutir o tema, ainda estigmatizado, se deve em função do Brasil ainda figurar entre os países com crescimento no número de casos, segundo a Organização Mundial da Saúde.

A sessão ordinária “Suicídio no Setembro Amarelo” foi aberta pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, coordenada pelo acadêmico Antonio Egídio Nardi e contou com três convidados.

O psiquiatra Neury Botega, da Unicamp, ressaltou que o mais importante é o acolhimento sem julgamento e os familiares devem fazer acompanhamento dos indivíduos com ideias suicidas junto aos serviços de saúde e de médicos especializados.

Segundo ele, o suicídio não é algo só relacionado à morte, mas com a dor psíquica, dor da alma, e pode ter como base uma doença mental que deve ser tratada.

O evento ainda contou com apresentações dos psiquiatras Flavio Kapczinski, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e atualmente no Canadá, que apresentou, na sessão de Recentes Progressos, resultados de seus estudos  de longa duração com todos os jovens da cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e nascidos entre 1993 e acompanhados até 2020.

Foram mais de 3 mil jovens avaliados durante 22 anos, e os resultados contribuíram para a elaboração de um novo sistema que identifica, com antecedência, os indivíduos que desenvolverão transtorno bipolar e, com isso, poderão ser acompanhados e tratados de forma precoce.

O psiquiatra da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Alexandre Valença, foi o terceiro convidado. Valença abordou aspectos das dores psíquicas que podem ser transitórias, recorrentes e de longa duração e, aproveitou a ocasião para refletir sobre os casos de depressão e ansiedade durante a pandemia de covid-19.

O Dilema da Relação Médico-Paciente em Oncologia Clínico-Cirúrgica

Dilema da relação médico/paciente em oncologia clínico-cirúrgica

Como dar um diagnóstico de câncer a um paciente e seus familiares? E quando os pacientes são crianças? Como reagir sobre prognósticos ruins? No dia 24 de setembro, a Academia Nacional de Medicina (ANM) promoveu simpósio sobre a relação médico/paciente em oncologia clínico e cirúrgica.

O Secretário Geral da ANM, o cirurgião Ricardo José Lopes da Cruz, lembrou a frase de Sir William Osler, que diz: “tão importante quanto conhecer a doença que o homem tem, é conhecer o homem que tem a doença”. O acadêmico pontuou que o afeto e a verdade devem nortear o relacionamento entre o médico e o paciente.

“Eu estou contigo e vou continuar com você”. É a afirmação que usa constantemente quando precisa dizer uma verdade dura para seus pacientes e familiares.

Negação em oncologia

Segundo o acadêmico Daniel Tabak, a negação de um diagnóstico como o câncer, por exemplo, é um mecanismo cognitivo de defesa do medo e da ansiedade. Esse mecanismo tem várias fases: a raiva, a barganha, a aceitação e a expectativa de outras possibilidades. A negação é um mecanismo de busca por alívio e não é estática, varia com as necessidades, o tempo, a gravidade e o estágio da doença. Por isso, é fundamental, segundo ele, que a relação médico-paciente seja pautada na capacidade de uma comunicação clara e afetuosa.

Outro convidado do simpósio foi o médico americano Jay Marion, professor Emérito da Escola de Medicina de Shreveport, na Louisiana. Marion trouxe reflexões sobre qual o tipo de informação que um paciente terminal deseja receber de seu médico e falou ainda de como entender quais os objetivos de pacientes terminais com relação ao seu futuro e de sua família.

O oftalmologista Rubens Belfort Neto, da Escola Paulista de Medicina, da Unifesp, também palestrou durante o evento, e abordou o retinoblastoma, o câncer ocular mais comum em crianças e atinge mais de 10 milhões até 14 anos. Ele contou sobre sua experiência em como abordar a doença junto aos pais.

Coordenador e palestrante do evento, o acadêmico José de Jesus Camargo contou um pouco sobre sua experiência e refletiu que, ao longo de sua existência, o ser humano mostra uma surpreendente capacidade psicológica para se adaptar as agruras da vida. Entretanto, existem aqueles que terão mais dificuldade de se adaptar e se ajustar quando recebem um diagnóstico ruim.

– Alguns pacientes se sentem traídos pelo destino e se revoltam contra tudo e todos, inclusive Deus. O convívio com os pacientes com uma doença tão sinistra representa uma pós-graduação em humanismo e sensibilidade para o médico, enfatizou Camargo.

O Simpósio “O dilema da relação médico/paciente em oncologia clínico-cirúrgica”, promovido em setembro (24), pela Academia Nacional de Medicina, foi aberto pelo presidente Rubens Belfort Jr., e organizado ainda pelo acadêmico Rossano Fiorelli.

 

     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
14h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina,
Acad. Rubens Belfort Jr.

Acad. José de Jesus Camargo

   
 
SIMPÓSIO: O DILEMA DA RELAÇÃO MÉDICO/PACIENTE EM
ONCOLOGIA CLÍNICO-CIRÚRGICA
Coordenação:   Acad. José de Jesus Camargo
Acad. Rossano Fiorelli
 
   

BLOCO IONCOLOGIA CIRÚRGICA

   
14h10

Masc. 74 anos, tumor de cólon, com excelente chance de cura cirúrgica. Na indução anestésica faz uma parada cardíaca por problemas com a intubação. A parada foi curta e reverteu imediatamente com ventilação adequada. Que conduta adotaria? Seguiria com a cirurgia programada? Interromperia para ver se houve alguma sequela?
Acad. Raul Cutait

   
   
14h25

Paciente de 55 anos com tumor de próstata com indicação cirúrgica. Como responder a esta pergunta: Dr. Qual é o risco que tenho de ficar impotente?
Acad. Fernando Vaz

   
   
14h40

Paciente jovem, com câncer de parótida, tratado cirurgicamente, com indicação de terapia adjuvante. Como trataria a questão do encaminhamento? Considerando que o tempo entre o cuidado de um médico que o paciente aprendeu a gostar e o próximo que pode ser que ele venha a gostar, como você vê este hiato de desamparo e sofrimento?
Acad. Ricardo Cruz

   
   

15h05

Menino de 2 anos e meio, com diagnóstico de um tumor de retina (retinoblastoma). Como colocaria para os pais, as perspectivas terapêuticas?
Prof. Dr. Rubens Belfort Neto

   
   

15h20

Paciente de 69 anos, segue em coma depois de 4 meses de ressecção de um tumor cerebral de mau prognóstico oncológico. Família questiona se tem sentido a protelação do sofrimento. Como manejaria esta situação?
Acad. Paulo Niemeyer

   
   

15h35

Médico de 50 anos com tumor de pulmão operado recidiva depois de 3 anos. Fez um protocolo de quimio com resposta pobre. Equipe oncológica recomenda um tratamento de segunda linha. Como manejar a oposição do paciente?
Acad. José de Jesus Camargo

   
   

15h50

Debate I com a Bancada Acadêmica

   

BLOCO II – ONCOLOGIA CLÍNICA

   

16h10

Negação em Oncologia
Acad. Daniel Tabak

   
   
16h30

O Anúncio do Prognóstico em Oncologia
Prof. Dr. Jay Marion, MD
Professor Emeritus of Medicine Louisiana School of Medicine Shreveport – Louisiana, EUA

   
   
17h

Debate II com a Bancada Acadêmica

   
   
17h30

Encerramento e Intervalo

   
 

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXVIII – Ano Acadêmico 191

 
   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina,
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h10

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
18h30

Sessão Recentes Progressos
Predicção de Transtorno Bipolar: Um Novo Sistema
Prof. Dr. Flávio Kapczinski (UFRGS e ABC)

   
   
18h40

Comentários
Presidente Acad. Jorge Alberto Costa e Silva

   
   
  18h45 SESSÃO: SUICÍDIO NO SETEMBRO AMARELO
Coordenação: Acad. Antonio Egídio Nardi
   
   
18h50

Relator
Prof. Dr. Neury Botega (UNICAMP)

   
   
19h10

Comentários
Prof. Dr. Flávio Kapczinski (UFRGS e ABC)
Prof. Dr. Alexandre Valença (UFRJ)

   
   
19h30

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
20h

Encerramento

   
 

Nota de Falecimento – Acadêmico Hiram Lucas

Acadêmico Hiram Lucas

 24/03/1937  †  17/09/2020

A Academia Nacional de Medicina comunica, com profundo pesar, o falecimento do acadêmico Hiram Silveira Lucas, no dia 17 de setembro de 2020. Todos os confrades e confreiras se solidarizam com a família e os amigos nesse momento de perda no convívio com o ilustre acadêmico. 

Membro Titular da Academia desde 1997, ocupando a cadeira 71, na Secção de Cirurgia, o acadêmico graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com especializações em Cancerologia pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Cancerologia; em Medicina do Trabalho, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; em Mastologia pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Cancerologia e em Saúde pelo Ibmec Business School.

Em breve, a Academia Nacional de Medicina divulgará a data da “Sessão Saudade” em homenagem ao acadêmico Hiram Silveira Lucas. Para conhecer mais da biografia do acadêmico, acesse o link https://bit.ly/3iLZ13H.

VACINAS E COVID-19: Qual, Como, Quando e Em quem? Medicina, Mercado, Política e Sociedade

Vacinas contra covid

Imagine ter a disposição uma variedade de imunizantes contra covid-19. E aí, qual a melhor opção para vacinação em massa e para vacinar grupos especificos? Estas perguntas mobilizaram cerca de 350 participantes durante o simpósio “Vacinas e covid-19: Qual, quando, como, em quem? Medicina, mercado, política e sociedade”,  promovido por um consórcio que reuniu as Academias Nacional de Medicina (ANM), Brasileira de Ciências (ABC) e de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB), e realizado na última quinta (17).

Para quem anseia por uma vacina contra covid-19, o Secretário de Relações Exteriores da Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidos, Carlos del Rio, lembrou alguns exemplos de desenvolvimento de vacinas que levaram cerca de 30 anos: contra a varicela foram 28 anos. Outros 15 anos foram necessários para desenvolvimento tanto da vacinas contra o HPV, como para o rotavirus. E pesquisadores do mundo todo sonham em desenvolver uma vacina contra covid em apenas 18 meses. Será possível?

  A brasileira Mariângela Simão, atualmente na Organização Mundial da Saúde, sentenciou queessa pandemia não é uma corrida de 1000m. É uma maratona! Num otimismo cauteloso, segundo ela, a OMS estima que a vacina contra a covid-19 ficará pronta até meados de 2021, mas possivelmente, só haverá vacina para cerca de 20% da população. Com isso, será necessário eleger os grupos essenciais que receberão o imunizante e incorporar ao cotidiano medidas preventivas como o uso de máscaras, distanciamento social, lavagem das mãos ou uso de álcool em gel.

Imunizantes – Uma das questões importante abordadas por um dos coordenadores do evento, o pesquisador Jorge Kalil (ABC), e ainda sem resposta é quão prolongada será a resposta imunológica à vacina. Segundo ele, ainda não se sabe, mas todos os grupos estão tentando estudar as células de memória e fazer uma projeção. Alguns apontam que os anticorpos se mantêm, “mas não sabemos se os anticorpos são suficientes para manter a imunidade. Talvez, seja necessária também uma resposta celular”, afirmou.

Além disso, Kalil comentou sobre as perspectivas da vacina acabar realmente com o vírus (esterilizante) ou só evitar que os indivíduos desenvolvam a forma grave da doença. Isso, segundo ele, poderá ter impacto na saúde pública, pois os indivíduos não terão a doença, mas continuarão a disseminar o vírus. 

 Vacinas por RNA, DNA, vetores virais, adenovirus de chipanzé e baseadas em proteínas foram ainda apresentadas e discutidas por vários convidados durante o evento.

 A pesquisadora Lily Yin Weckx, da Unifesp, e Maria Bernardini, diretora médica da Astra Zeneca, esclareceram por que o país desperta o interesse de vários grupos internacionais para testes de vacina, destacando a excelência dos grupos de pesquisadores brasileiros e o número de infectados no país. Lily Yin mostrou como é a composição da vacina de Oxford que utiliza vetores virais modificados de chipanzé, onde se insere a proteína do SARS-CoV-2, o que desecadeará uma resposta imune. 

Entre outras iniciativas apresentadas, as estratégias da GlaxoSmithKline que visa uma vacinação em massa. Segundo o presidente José Carlos Felner, a empresa pretende lançar apenas no fim de 2021 a melhor solução de imunizante, que inclua a distribuição e que atinja ao maior número de pessoas.

Outro convidado do evento foi o pesquisador Esper Kallás, da USP, que contou sobre a iniciativa dos testes com a vacina Coronavac, do Butantan/Sinovac, conhecida como a vacina chinesa.Cerca de 4.700 voluntários no São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul estão participando dos testes que tem uma projeção de atingir um total 8.870 voluntários. 

 A epidemiologista Carla Domingues, outra palestrante do evento, ressaltou a excelência do Programa Brasileiro de Imunizações, mas alertou que o Ministério da Saúde precisa pensar na logística da vacinação para covi-19. Como será a vacinação, por exemplo, nas cidades ribeirinhas, onde o acesso é feito por barcos, caso a vacina necessite de refrigeração? Teremos seringas e agulhas suficientes para vacinar a população?,  questionou Domingues.

 O presidente da ANM, Rubens Belfort, ressaltou ao longo do simpósio a importância da boa evidência científica e da comunicação eficaz junto à sociedade para evitar a politização da vacinação.

 – Se por um lado, defendemos a evidência científica, somos os primeiros a admitir que elas são, às vezes, transitórias. Dizem que a medicina é um conjunto de ideias passageiras, transformadas em leis por questões didáticas e comerciais. E as vacinas também estão nessa área. Por isso, temos que ter muita responsabilidade para explicar que as evidências, às vezes, ainda são frágeis e, principalmente, mudam com o tempo. 

 O assunto foi reforçado pelo presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich. Segundo ele, a ciência não tem verdades. Ela busca a verdade. Se tivesse verdades permanentes, não seria ciência. Precisamos estar atentos ao interesse do público, pois temos grande responsabilidade de transmitir os avanços e processos científicos de forma clara e mostrar que o tempo da ciência é diferente do tempo dos políticos.

O jornalista e ex-Governador do Rio Grande do Sul, Antonio Britto, complementou as reflexões e preocupações. Ele interrogou quem estará no comando da imunização? A vacinação não pode ser palco de disputas ideológicas e corrupção como assistimos em várias cidades do país durante a pandemia de covid-19, enfatizou. O diretor da BandNews, Marcello D’Angelo, somou a essa preocupação: 

 – Na pandemia por covid-19, assistimos perplexos muitos casos de desvio de conduta em diversos governos estaduais, como os episódios no Rio de Janeiro, Santa Catarina e outras cidades. Também acompanhamos as disputas de vários países por máscaras, respiradores e outros equipamentos. E, infelizmente, estas negociações tiveram interferências políticas que mudaram os rumos de aquisição dos insumos. Essa situação não pode se repetir com a vacina, disse D’Angelo.

Participaram ainda dos debates, os acadêmicos da ANM, Celso Ferreira e Marcelo Morales, representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que falou sobre os investimentos governamentais; os acadêmico da ABC, Ricardo Gazinelli; Marco Antonio Stephano e Nelson Mussolini, da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil.

 

     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
14h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.
Presidente da Academia Brasileira de Ciências, Acad. Luiz Davidovich
Presidente da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, Acad. Acácio Lima

   
 

BLOCO I

Coordenação:
Acad. Marcelo Morales (ANM)
Acad. Ricardo Gazinelli (ABC)
Acad. Marco Antonio Stephano (ACFB)

 
   
14h10

Vacinas COVID Brasil 5min cada
Acad. Marcelo Morales (ANM)
Acad. Ricardo Gazzinelli (ABC)
Acad. Jorge Kalil (ABC)
Acad. Celso Ramos (ANM)

   
   
14h30

Discussão

   
   
14h40

Iniciativas da OMS para oferecer vacinas com equidade
Profa. Dra. Mariângela Simão (Organização Mundial da Saúde – OMS)

   
   

14h50

Como promover a vacinação em massa. A experiência do Brasil
Profa. Dra. Carla Domingues (Epidemiologista)

   
   

15h

Estratégia de implementação dos programas de vacinas
José Carlos Felner (Presidente da GlaxoSmithKline – GSK)

   
   

15h10

Discussão

   
 

BLOCO II

Coordenação:
Acad. Celso Ramos (ANM)
Acad. Jorge Kalil (ABC)
Acad. Nelson Mussolini (ACFB)

 
   

15h20

Testes clínicos de fase 3 da vacina AZD-1222 no Brasil (Vacinas Oxford)
Profa. Dra. Lily Yin Weckx (Unifesp)

   
   
15h30

Provável disponibilidade da vacina no Brasil
Dra. Maria Bernardini (Diretora Médica, Astra Zeneca)

   
   
15h40

“Vacina Coronavac do Butantan/Sinovac”
Prof. Dr. Esper Georges Kallás (USP)

   
   
15h50

Vacina Russa – TecPar
Prof. Dr. Jorge Augusto Callado Afonso (Presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná – TECPAR)

   
   
16h

As Expectativas da Sociedade 15min cada
Antonio Brito (ex-Governador do Rio Grande do Sul)
Marcello D’Angelo (Diretor Band News)
Pedro Thompson (Presidente da Plataforma Exame)

   
   
16h45

Discussão

   
   
17h30

Intervalo

   
 

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXVIII – Ano Acadêmico 191

 
   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h15

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
18h25

Challenges of developing and deploying a vaccine during a pandemic
Carlos Del Rio, MD, PhD
Secretário de Relações Exteriores da National Academy of Medicine – EUA

   
   
19h

Mesa Redonda e Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
20h

Encerramento

 

Parceria Público-Privada | O Papel da Medicina Baseada em Evidências

“É evidente que, sem o SUS, estaríamos em uma situação muito pior na pandemia, mas também é evidente que sem a iniciativa privada, estaríamos em uma situação muito ruim.” O professor e presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort, deu o tom do Simpósio “Parceria Público-Privada”, realizado no dia 10 de setembro de 2020.

Inegavelmente, o fortalecimento do SUS e da parceria público-privada precisam ter continuidade. Ações nesse sentido vem sendo feito por uma força-tarefa que acredita na proposta de um sistema democrático que oferece medicina e saúde de qualidade, de forma gratuita, para a população.

Covid-19 – Exemplos de parceria público-privada na medicina durante a pandemia por covid foram abordados durante o evento. O diretor da empresa Diagnósticos da América, Gustavo Campana, mostrou os projetos apoiados com a doação de cerca de R$ 15 milhões para o Ministério da Saúde. Já o médico Nacime Salomão Mansur apresentou os excelentes resultados de gestão entre a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina e as secretarias de saúde, buscando o gerenciamento de programas do SUS na atenção primária, secundária e terciária.

A Rede D’Or São Luiz e o Instituto D’Or de Pesquisa, por sua vez, apontaram as contribuições, incluindo parcerias com a Fiocruz, Universidades Federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e a de São Paulo (Unifesp) e o Brazilian Clinical Research Institute.

Ainda durante o simpósio, o professor Tarcísio Eloy Barros Filho contou como o Hospital das Clínicas da USP conseguiu, em apenas uma semana, mobilizar e transformar, o instituto central da universidade para atendimento de pacientes com covid.

Outro convidado da sessão foi o médico Carlos Garcia que expôs o modelo de parceria público-privada no Hospital Regional de Sorocaba, onde a pandemia acabou por acelerar a implantação de tecnologia em procedimentos que contribuem no atendimento de pacientes.

O médico Claudio Luiz Lottenberg, presidente do Instituto Coalizão Saúde, falou ainda sobre a dinâmica de organizações sociais e propôs novos modelos de contratações e gestão.

O simpósio foi coordenado pelos acadêmicos Carlos Alberto Barros Franco e Jerson Lima Silva.

Evidências científica e crenças – Durante a sessão ordinária, um instigante debate foi levantado pelo médico Luis Cláudio Lemos Correia, da Escola Bahiana de Medicina. Ele abordou as crenças dos pacientes e as prerrogativas dos médicos em seguir a medicina baseada em evidência científica.

– Em medicina, nós médicos não temos como decidir pelo caminho certo. Temos que tomar a melhor decisão. O certo só saberemos depois. Assim, o correto seria trocarmos a medicina baseada em evidências por uma medicina baseada em probabilidades. Medicina é bússola e não GPS, disse Lemos Correa.

As crenças e os vieses de profissionais médicos no atendimento de pacientes foram o foco da palestra do pesquisador Ronado Pilati, da Universidade de Brasília. Segundo ele, as crenças elaboradas por profissionais podem também impactar em uma decisão médica.

Pseudociência e saúde pública – Casos curiosos e, porque não tristes, sobre o desconhecimento de políticos acerca de aspectos da ciência e da saúde e, que muitas vezes, levam a tomada de decisões errôneas em políticas públicas foram abordados pela bióloga e divulgadora científica Natalia Pasternak, professora da USP e diretora do Questão de Ciência.

Pasternak lembrou de inúmeros casos como o da pílula do câncer, a proibição de uso de celulares em postos de gasolina, a lei paulista que permite a mulheres decidirem qual tipo de parto preferem, a recomendação do uso da cloroquina e hidroxicloroquina contra covid, entre outros.

– Quando se fala do coletivo, de políticas públicas de gastos em um orçamento limitado, a nossa obrigação é escolher o melhor e o rigor é fundamental.

Os debates da sessão ordinária da Academia Nacional de Medicina foram coordenados pelo acadêmico Cláudio Tadeu Daniel Ribeiro e tiveram como comentaristas os acadêmicos Antonio Egídio Nardi, Raul Cutait e Walter Zin.

Assista ao simpósio a baixo:

E caso queira rever a sessão ordinária:

 

     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
15h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.

   
 

SIMPÓSIO PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA
Coordenação: Acad. Barros Franco e Acad Jerson Lima

 
   
15h10

Parceria Público-Privada em diagnóstico laboratorial na DASA
Dr. Gustavo Aguiar Campana Diretor
Médico da Diagnosticos da America SA – DASA

   
   
15h20

Parceria com secretarias de Saúde para o gerenciamento de programas do SUS na Atenção Primária, Secundária e Terciária
Prof. Dr. Nacime Salomão Mansur
Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina – SPDM

   
   
15h30

A Faculdade de Medicina da USP e a Parceria Público-Privada
Prof. Dr. Tarcísio Eloy Pessoa de Barros Filho
Presidente do Conselho Curador da Fundação Faculdade de Medicina (FFM), USP

   
   

15h40

Experiência da PPP – Hospital Regional de Sorocaba Dr. Adib Domingos Jatene – SPDM
Dr. Carlos Garcia
Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina – SPDM

   
   

15h50

Relação Público-Privada na assistência médica da Rede D’Or
Dr. Paulo Moll
CEO, Rede D’Or

   
   

16h

Pesquisa na relação Público-Privada no Instituto D’Or
Dra. Fernanda Moll
Presidente do Instituto D’Or

   
   

16h10

Parceria Público-Privada
Prof. Dr. Claudio Luiz Lottenberg
Presidente do Instituto Coalizão Saúde

   
   
16h20

Discussão

   
   
17h

Intervalo

   
 

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXVII – Ano Acadêmico 191

 
   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h10

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
 18h25 O PAPEL DA MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS
Coordenação: Acadêmico Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro
   
   
18h30

A Medicina Baseada em Evidências e as culturas Médica e Social
Prof. Dr. Luis Cláudio Lemos Correia
Coordenador do Centro de MBE da Escola Bahiana de Medicina

   
   
18h45

O pensamento científico e a psicologia humana: limites e possibilidades
Prof. Dr. Ronaldo Pilati
Presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia

   
   
19h

As Pseudociências e os gastos em saúde pública
Profa. Dra. Natália Pasternak Taschner
Diretora Presidente do Instituto Questão de Ciência

   
   
19h15

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
20h

Encerramento

 
     

Jovens Lideranças Médicas da ANM

“É uma honra fazer parte do programa Jovens Lideranças Médicas (JLM), da Academia Nacional de Medicina (ANM). Esse projeto estimula o jovem médico a catalisar a pesquisa e a gestão em saúde”.

“O Programa JLM foi um divisor de águas na minha vida”.  

“É com muita honra que digo que sou filiada ao programa JLM da ANM”.

“Esse programa foi muito importante na minha carreira. Que bom que temos algo assim no Brasil”.

Esses depoimentos aconteceram durante o Simpósio Jovens Lideranças Médicas, organizado pela Academia Nacional de Medicina (ANM), no dia 3 de setembro de 2020, através da plataforma Zoom Meetings e com transmissão ao vivo pelo Facebook.

O encontro contou com a abertura do presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., que, na oportunidade, agradeceu à empresa Bayer. Belfort afirmou:

– O apoio e a crença nesse projeto de formação de novos talentos na área de saúde é muito importante para o aperfeiçoamento de novos líderes em saúde.

A organização do evento foi dos acadêmicos Marcello Barcinski, coordenador do programa Jovens Lideranças Médicas, Eliete Bouskela, Antonio Nardi e Patrícia Rocco, nova integrante do programa.

Os estudos apresentados foram:

“Métodos contraceptivos em populações de alto risco gestacional”, pela médica Milena Bastos Brito, da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública;

“O sistema imune humano na saúde e na infecção”, com André Báfica, da Universidade Federal de Santa Catarina;

“Neuromodulação não-invasiva na depressão”, por André Russowsky Brunoni, da Universidade de São Paulo;

“Oftalmologia translacional – da bancada para o tratamento”, apresentado por Caio Vinicius Saito Regatieri, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp);

“Avaliação não-invasiva do fluxo sanguíneo na retinopatia e edema macular diabético”, com Eduardo Novais, também da Unifesp;

“Medicina regenerativa em pneumologia”, pela médica Fernanda Ferreira Cruz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro;

“Oncologia de precisão: Ensino e educação em patologia molecular”, pela médica Isabela Werneck da Cunha, do AC Camargo Cancer Center;

“Impacto da pesquisa translacional no diagnóstico de doenças raras”, com Filippo Pinto e Vairo, da Mayo Clinic;

“Identificando a depressão precocemente na adolescência”, com apresentação de Christian Kieling, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Durante a sessão ordinária da ANM, palestraram Helena Nader, vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências, que abordou a questão do financiamento da pesquisa no Brasil. O diretor científico da Fapesp, Luiz Eugênio Mello, que contou sobre os projetos da agência paulista no investimento em saúde. Na programação da sessão ainda houve uma mesa-redonda com a acadêmica Eliete Bouskela, da Faperj, Luiz Drude de Lacerda, da Funcap, e Paulo Beirão, da Fapemig, que debateram a importância do incentivo em jovens lideranças no país.

Se você perdeu o evento reveja aqui:

 

     
 

ORGANIZAÇÃO

 
 
 
Acad. Marcello Barcinski (coordenador)
Acad. Eliete Bouskela
Acad. Antonio Nardi
Acad. Patrícia Rocco
 
     
     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
14h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
14h10

Apresentação do Programa Jovens Lideranças Médicas
Acad. Marcello Barcinski

   
   
14h20

Métodos contraceptivos em populações de alto risco gestacional
Dra. Milena Bastos Brito (Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública)

   
   
14h35

O sistema imune humano na saúde e na infecção
Dr. André Báfica (UFSC)

   
   

14h50

Neuromodulação Não-Invasiva na Depressão
Dr. André Russowsky Brunoni (USP)

   
   
15h05

Discussão

   
   
15h15

Oftalmologia translacional – da bancada para o tratamento
Dr. Caio Vinicius Saito Regatieri (UNIFESP)

   
   
15h30

Medicina regenerativa em pneumologia
Dra. Fernanda Ferreira Cruz (UFRJ)

   
   
15h45

Avaliação não-invasiva do fluxo sanguíneo na retinopatia e edema macular diabético
Dr. Eduardo Novais (UNIFESP)

   
   
16h

Oncologia de precisão: Ensino e educação em Patologia molecular
Dra. Isabela Werneck da Cunha (AC Camargo Cancer Center)

   
   
16h15

Impacto da pesquisa translacional no diagnóstico de doenças raras
Dr. Filippo Pinto e Vairo (Mayo Clinic)

   
   
16h30

Identificando a Depressão Precocemente na Adolescência
Dr. Christian Kieling (UFRGS)

   
   
16h45

Discussão

   
   
17h

Intervalo

   
 

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXVI – Ano Acadêmico 191

 
   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h15

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
18h25

Desafios do Financiamento da Pesquisa no Brasil
Profa. Dra. Helena Nader (Academia Brasileira de Ciências)

   
   
18h35

A FAPESP e o Investimento em Saúde
Dr. Luiz Eugênio Mello (FAPESP)

   
   
18h45

Mesa redonda – Como incentivar jovens lideranças no Brasil
Acad. Eliete Bouskela (FAPERJ)
Dr. Luiz Drude de Lacerda (FUNCAP)
Dr. Paulo Sergio Beirão (FAPEMIG)

   
   
19h15

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
20h

Encerramento

 
     

Relação Médico-Paciente em Cirurgia: Questões Objetivas e Desafios Cotidianos

No dia 27 de agosto, a Academia Nacional de Medicina (ANM) promoveu simpósio que abordou diversos aspectos nas relações entre médicos e pacientes.

Risco anestésico; risco de dano neurológico em cirurgia de aneurisma de aorta; necessidade de biópsias; amputação de membros; médico ateu; uma segunda opinião; transfusão sanguínea em paciente testemunha de Jeová; paciente sem condições de realizar transplante; pacientes sem recursos financeiros. Estes foram alguns dos temas debatidos.

O acadêmico José de Jesus Camargo destacou “cada paciente tem sua forma particular de sofrer. Cabe ao médico estreitar os laços de confiança nessa relação médico-paciente e ter conexão e empatia, principalmente, em momentos que precisamos dar uma notícia ruim. O atendimento médico não pode ser padronizado.”

O encontro contou com a abertura do presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., que, na oportunidade, ratificou “a Academia Nacional de Medicina é um lugar para falar, pensar e até incomodar, para bem defender a saúde da população”. Já a coordenação do evento ficou a cargo dos acadêmicos José de Jesus Camargo e Rossano Fiorelli.

Para debater os temas, o evento ainda contou com o professor Lucas Cottini, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e os acadêmicos Rui Haddad, Arno von Ristow, Fabio Jatene, Milton Meier, Oswaldo Moura Brasil, Octavio Vaz, Henrique Murad e o ex-presidente da ANM, Francisco Sampaio.

Recentes progressos – Os eventos da ANM voltaram a ter apresentações sobre recentes progressos na área médica. No dia 27 de agosto de 2020, o convidado foi o médico Ilan Gottlieb, radiologista da Casa de Saúde São José, do Rio de Janeiro. Gottlieb falou sobre as vantagens e facilidades que a realidade virtual traz para a rotina dos cirurgiões em um procedimento, contribuindo para elucidar aspectos radiológicos antes de uma cirurgia e que nem sempre são visíveis em outros exames.

– A realidade virtual torna a cirurgia mais precisa e mais segura para os pacientes, pois oferece ao cirurgião uma imagem tridimensional do órgão a ser operado, ressaltou.

Recentes progressos da medicina é um espaço de discussão, criado pelo acadêmico Salomão Kaiser, durante a gestão do ex-presidente Pietro Novelino.

     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
14h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.

Acad. José de Jesus Camargo
Acad. Rossano Fiorelli

   
   
14h15

Como abordar a questão do risco anestésico?
Prof. Dr. Lucas Cottini (Anestesiologia/UFRJ)

   
   
14h30

Como explicar a um paciente a necessidade de realizar uma biópsia? (por exemplo, uma biópsia pulmonar numa doença intersticial)
Acad. Rui Haddad

   
   
14h45

Como anunciar a um homem de 45 anos, diabético não controlado, a necessidade de amputação de um membro inferior?
Acad. Arno von Ristow

   
   
15h

Como preparar o paciente/família para risco de dano neurológico de cirurgia de aneurisma de aorta?
Acad. Fabio Jatene

   
   
15h15

“Tenho medo de médico ateu! O Sr. já sentiu a presença de Deus operando o coração dos seus pacientes?”
Acad. Milton Meier

   
   
15h30

Discussão com os Acadêmicos

   
   
16h

“A minha filha vai ficar cega para sempre?”
Acad. Oswaldo Moura Brasil

   
   
16h15

“Acredito no Sr. e sei da sua competência, mas gostaria de ouvir uma segunda opinião. Eu posso retirar os exames para esta nova consulta?”
Acad. Octavio Vaz

   
   
16h30

“Sou testemunha de Jeová. Só aceito a cirurgia se o Sr. assinar um termo assumindo o compromisso de não utilizar transfusão sob nenhuma hipótese.” Como responder?
Acad. Henrique Murad

   
   
16h45

“Dr. O Sr. não imagina o quanto eu gostaria de ser tratado pelo Sr. mas eu não tenho condições de lhe pagar mais do que metade do valor que me foi anunciado. O Sr. aceitaria me operar mesmo assim?”
Acad. Francisco Sampaio

   
   
17h

Paciente enfisematoso, muito deprimido, recupera o entusiasmo ao saber que o transplante de pulmão era uma possibilidade. A avaliação pré-operatória, no entanto revela que ele não tinha a menor condição cardiológica para o procedimento. Como proceder?
Acad. José de Jesus Camargo

   
   
17h15

Discussão

   
   
17h45

Intervalo

   
 

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXV – Ano Acadêmico 191

 
   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h10

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
18h30

Recentes Progressos
Realidade virtual de imagens radiológicas no auxílio ao planejamento cirúrgico: a cirurgia antes da cirurgia

Prof. Dr. Ilan Gottlieb (Fonte Imagem e Casa de Saúde
São José – RJ
)

   
   
18h40

Comentários
Acad. Giovanni Cerri

   
   
18h45

Retratação de Artigos Científicos! É constrangedor? Pra quem?
Coordenador: Acad. José Osmar Medina Pestana
Relator: Prof. Dr. Helio Tedesco (UNIFESP)

   
   
19h10

Comentários
Acad. Jerson Lima

   
   
19h30

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
20h

Encerramento

 
     

Avaliação de Novas Tecnologias em Saúde

No dia 20 de agosto de 2020, a Academia Nacional de Medicina realizou evento virtual para abordar os processos de avaliações de novas tecnologias em saúde. Entre os convidados  Wanderley Marques Bernardo, do Programa Diretrizes da Associação Médica Brasileira e assessor especial na área de Medicina Baseada em Evidências, do Conselho Federal de Medicina; Vânia Cristina Canuto, da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), do Ministério da Saúde; e Clarice Petramale, que há 40 anos se dedica aos SUS. O evento foi coordenado pelo acadêmico Aníbal Gil Lopes.

“Conheça os grandes inimigos da razão: afirmar sem provas; autoritarismo ou dogma; intuição e imediatismo; emoção ou vulnerabilidade e superstição ou mito. Na ciência, prevalece o equilíbrio, a evidência e a incorporação”, enfatizou o médico Wanderley Marques Bernardo.

Já Vânia Canuto falou sobre as consultas públicas na incorporação de novos medicamentos para o SUS. Segundo ela, foram mais de 450 consultas para ouvir a opinião da população em relação a novos medicamentos no SUS, desde que o sistema foi implantado, e que resultaram em mais de 219 mil contribuições da sociedade brasileira e 296 novas tecnologias incorporadas e 165 não incorporadas.

Canuto ainda falou sobre o papel da Conitec, desde sua criação, os objetivos, quem são os membros, os processos de consulta pública até a aprovação de incorporação de um novo medicamento, incluindo requisitos como evidência científica, segurança, eficácia e qualidade, custo e impacto no SUS até a disponibilização no sistema público de saúde.

Outra convidada da sessão científica foi Clarice Petramale, que há 40 anos se dedica aos SUS e, nos últimos anos, aos processos de avaliação, aprovação e incorporação ou não de novos medicamentos. Petramale discorreu sobre globalização, inovação, novos medicamentos, preços abusivos, regulamentação, judicialização da saúde.

Petramale explicou como funciona o ecossistema de avaliação de tecnologias e inovação em saúde, que vai desde a análise das melhores opções, a participação popular em consultas públicas, a negociação dos preços junto às multinacionais farmacêuticas e o registro de novos medicamentos.

Segundo ela, é um jogo para minimizar danos, pois hoje não raro a indústria financia associações de país e pacientes das ditas doenças raras e órfãs, o lobby é grande junto aos políticos, os juízes acolhem ações que visam a prescrição de medicamentos dispendiosos e com poucos evidências e é importante tornar as relações transparentes.

Veja abaixo o evento que reuniu cerca de 100 expectadores :

     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
15h

Abertura
Acad. Rubens Belfort Jr., Presidente da Academia Nacional de Medicina

Acad. Aníbal Gil Lopes

   
   
15h10

Normas legais para o uso de novas tecnologias em saúde
Acad. Aníbal Gil Lopes

   
   
15h25

A hierarquia das evidências científicas
Acad. Maurício Gomes Pereira

   
   
15h40

Razão, Evidência e Incorporação
Dr. Wanderley Marques Bernardo, Médico, Coordenador do Programa Diretrizes da Associação Médica Brasileira, Assessor especial do Conselho Federal de Medicina em Medicina Baseada em Evidências – MBE

   
   
15h55

O papel da indústria no desenvolvimento de novas tecnologias em saúde e na produção de evidências visando sua comercialização e incorporação em sistemas de saúde
Dr. Nelson Mussolini, Advogado, Presidente Executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos – Sindusfarma

   
   
16h10

A Medicina Baseada em Evidências (MBE) e o papel do CFM na regulação dos procedimentos médicos no Brasil
Dra. Cacilda Pedrosa de Oliveira, Médica, Conselheira do CREMEGO, Membro da Câmara Técnica de Avaliação e Aprovação de Novos Procedimentos do CFM.

   
   
16h25

As evidências de eficácia e segurança de novos medicamentos em Oncologia
Dra. Maria Inez Gadelha, Médica, Chefe de Gabinete da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde.

   
   
16h40

Discussão
Coordenador: Acad. Carlos Alberto Mandarim de Lacerda

   
   
17h30

Intervalo

   
 

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXIV – Ano Acadêmico 191

 
   
18h

Abertura
Acad. Rubens Belfort Jr., Presidente da Academia Nacional de Medicina

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h10

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
18h30

O ecossistema de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) e o papel da regulação em tempos de inovação em saúde
Dra. Clarice Alegre Petramale, Médica, Ex-diretora do Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde – DGITS, do Ministério da Saúde.

   
   
18h50

A Conitec e a Avaliação e incorporação de tecnologias no SUS
Dra. Vânia Cristina Canuto Santos, Economista, Presidente da Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias do Ministério da Saúde – CONITEC

   
   
19h10

Discussão com a Bancada Acadêmica
Coordenador: Acad. Aníbal Gil Lopes

   
   
20h

Encerramento

 
     

Contribuições da Pesquisa Biomédica Brasileira para o Entendimento da COVID-19

Dúvidas e avanços na pesquisa sobre o novo coronavírus permearam os debates promovidos pela Academia Nacional de Medicina no dia 13 de agosto de 2020. Durante o simpósio “Contribuições da pesquisa biomédica para o entendimento da covid-19” foi anunciado o avanço da pesquisa com soro de cavalo.

O acadêmico e pesquisador da UFRJ, Jerson Lima Silva, presidente da Faperj, contou aos participantes que, após 70 dias, os plasmas de quatro dos cinco cavalos do Instituto Vital Brazil, no Rio de Janeiro, que foram inoculados, em maio de 2020, com a proteína S recombinante do coronavírus, produzida na Coppe/UFRJ, apresentaram anticorpos neutralizante 20 a 50 vezes mais potente contra o vírus SARS-CoV-2 do que os plasmas de pessoas que tiveram covid-19.

Além disso, falou sobre o depósito de uma patente e a submissão de uma publicação. Como explicou, a originalidade do trabalho está na produção do soro por equinos contra os vírus SARS-CoV-2. Segundo contou, o pedido de patente se refere ao processo de produção do soro anti-SARS-CoV-2, a partir da glicoproteína da espícula (spike) com todos os domínios, preparação do antígeno, hiperimunização dos equinos, produção do plasma hiperimune, produção do concentrado de anticorpos específicos e do produto finalizado, após a sua purificação por filtração esterilizante e clarificação, envase e formulação final.

Este trabalho científico envolve parceria da UFRJ, Instituto Vital Brazil e Fiocruz.

Diretrizes de isolamento – Quanto tempo, após ser contaminada uma pessoa continua transmitindo o coronavírus? A pesquisadora Luciana Costa, do Instituto de Microbiologia, também da UFRJ, participou da mesma sessão e apresentou dados que mostram a prevalência do vírus SARS-Cov-2 após 14 dias dos primeiros sintomas de pacientes infectados. Costa afirmou que essa liberação prolongada de RNA ainda representa um risco de transmissão. E com isso, as diretrizes de isolamento devem ser revisadas. 

Outro ponto que ainda é alvo de muitos estudos é o aspecto da tromboinflamação provocado pela covid-19.  O tema foi apresentado pela pesquisadora Patricia Bozza, da Fiocruz, que analisou como a ativação plaquetária pode ter um papel importante, tanto na amplificação inflamatória, mas especialmente nos episódios de trombose, e também na mortalidade relacionada à doença. 

Outro convidado desse simpósio foi o diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e da Plataforma Pasteur/USP, Luis Carlos Ferreira. Ele contou aspectos sobre a corrida pela testagem em massa no Brasil, explicou um pouco as características dos testes caríssimos e outros pouco eficientes para o diagnóstico da covid-19 e, a partir desse cenário, a busca de pesquisadores da USP por testes baratos e sensíveis. Ferreira ressaltou a importância desse trabalho que resultou em testes, cuja sensibilidade foi de 95%, apontando, inclusive o impacto dessa conquista para a retomada das aulas nas universidades, escolas e atividades em outas instituições.

O simpósio “Contribuições da pesquisa biomédica para o entendimento da covid-19” foi coordenado pelos acadêmicos Marcello Barcinski e Wanderley de Souza.

     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
14h30

Abertura
Acad. Rubens Belfort Jr.
Presidente da Academia Nacional de Medicina

Acad. Marcello Barcinski
Presidente da Secção de Ciências Aplicadas à Medicina

Acad. Wanderley de Souza

   
   
14h40

Análise microscópica do processo de morfogênese do Sars-CoV-2 em células infectadas “in vitro
Prof. Dr. Lucio Ayres Caldas
Núcleo de Caxias, Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho e Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagens da UFRJ

   
   
15h

Persistência de detecção do RNA do SARS-CoV-2 no trato respiratório está relacionado com a presença de vírus infeccioso: implicações para a transmissão viral
Profa. Dra. Luciana Costa
Instituto de Microbiologia Paulo de Góes, UFRJ

   
   
15h20

Epidemiologia Molecular de Viroses Pediátricas: o Efeito da COVID-19
Prof. Dr. Edson Durigon
Departamento de Microbiologia, ICB/USP

   
   
15h40

Tromboinflamação na COVID-19: Mecanismos e Questões em Aberto
Profa. Dra. Patricia Bozza
Instituto Oswaldo Cruz, Fiocruz/RJ

   
   
16h

Resposta imune celular ao SARS-CoV-2: marcador de exposição e de imunoproteção à COVID-19
Prof. Dr. Edécio Cunha Neto
Faculdade de Medicina da USP

   
   
16h20

Discussão

   
   
17h30

Intervalo

   
 

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXIII – Ano Acadêmico 191

 
   
18h

Abertura
Acad. Rubens Belfort Jr.
Presidente da Academia Nacional de Medicina

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h10

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
18h30

Alto Título Neutralizante do Soro Hiperimune Equino Desenvolvido contra a Proteína S do SARS-CoV-2: Potencial Tratamento da COVID-19 por Imunização Passiva
Acad. Jerson Lima

   
   
18h50

Testes sorológicos para a COVID-19: “Uma Experiência na USP”
Prof. Dr. Luis Carlos Ferreira
Diretor do ICB/USP e da Plataforma Científica Pasteur/USP, Responsável pelo Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas da USP

   
   
19h10

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
20h

Encerramento

 
     

Apresentação dos Trabalhos Ganhadores dos Prêmios da Academia Nacional de Medicina

Consideradas as mais antigas premiações na área da medicina, os prêmios da Academia Nacional de Medicina tiveram um número recorde de inscritos em 2020. Foram 63 candidaturas para as nove categorias.

Em evento no dia 06 de agosto, os agraciados fizeram apresentações no Web Hall da Academia. A sessão também foi transmitida via Facebook.

Um grupo que reúne médicos das universidades Federal do Espírito Santo, Federal de São Paulo e da Columbia University levou o grande prêmio Presidente da Academia Nacional de Medicina. Liderado pelo médico Thiago Cabral, estudo mostrou avanços para o tratamento da principal doença oftalmológica relacionada à perda da visão em adultos maiores de 55 anos: a Degeneração Macular Relacionada à Idade. O grupo estudou moléculas pró e antiangiogênica que podem contribuir para vascularização ocular e a aplicação dos sistemas CRISPR-Cas para edição do genoma, também conhecida como “cirurgia genômica” no campo da Oftalmologia.

 – Estamos extremamente orgulhosos de termos sido agraciados com o maior e mais importante prêmio da Medicina Brasileira. Esse trabalho é um enorme passo para o diagnóstico e novas tratamentos nas doenças da retina, responsáveis por grande parte da cegueira nos dias atuais”, comemorou Cabral.

Com o título “Angiogênese da retina e coroide: biomarcadores e engenharia genética, o estudo conta com os coautores Luiz Guilherme Marchesi Mello e Júlia Polido, da Universidade Federal do Espírito Santo e da Escola Paulista de Medicina, da Unifesp.

Transplante de fígado – Na categoria Prêmio Presidente José Cardoso de Moura Brasil, trabalho liderado por Olival Cirilo Lucena da Fonseca Neto, aborda as técnicas para transplante de fígado. De um grupo de médicos da Unidade de Transplante de Fígado, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, da Universidade do Estado de Pernambuco, o trabalho acompanhou 87 pacientes submetidos ao procedimento, entre 2018 e janeiro de 2020. Foram analisadas duas técnicas cirúrgicas e diversos parâmetros entre os pacientes. Os resultados contribuem para indicar qual técnica gera menos instabilidade pós-cirúrgica e que leva ao melhor funcionamento do enxerto após o transplante.

Com título “Revascularização retrógrada no transplante ortotópico de fígado: efeitos na estabilidade hemodinâmica e função do enxerto”, o estudo contou com os seguintes coautores: Gabriel Guerra Cordeiro, Paulo Sérgio Vieira de Melo, Américo Gusmão Amorim, Priscylla Jennie, Monteiro Rabêlo, José Olímpio Maia de Vasconcelos Filho, Pedro Renan de Melo Magalhães, Ludmila Rodrigues Oliveira Costa, Raimundo Hugo Matias Furtado, Gustavo da Cunha Cruz, Cláudio Moura Lacerda – todos da Unidade de Transplante de Fígado (UTF) – Hospital Universitário Oswaldo Cruz e Universidade de Pernambuco.

Avanços – O vencedor do Prêmio Miguel Couto foi o médico David Cohen. Com o estudo “Novo modelo in vivo para avaliar alterações macroscópicas, histológicas e moleculares da doença de Peyronie”, Cohen que é da Faculdade de Medicina do ABC, Escola Paulista de Medicina e Universidade Federal de São Paulo. O estudo contou com os coautores: Sidney Glina, Renan Pelluzzi Cavalheiro, Ana Maria do Antonio Mader, San Won Han, Maria Aparecida Silva Pinhal, Therese Rachel Theodoro, Willany Veloso Reinaldo, Vivian Barbosa Navarro Borba e Giuliana Petri, todos da mesma instituição do agraciado.

A médica, da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, Luciene Resende, foi agraciada com o Prêmio Presidente Aloysio Salles, pelo estudo “Alterações neurológicas em pacientes com linfomas” e como coautora contou com Ligia Niéro-Melo, da mesma instituição.

Já a pesquisadora do Instituto de Psiquiatria (Ipub), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Laiana Azevedo Quagliato, conquistou o Prêmio Antônio Austregésilo Rodrigues Lima. Laiana estudou proteínas específicas, como as citocinas inflamatórias, e sua atuação em pacientes com transtorno do pânico, pois estão em grande quantidade no organismo desses pacientes.

Identificação da dor em neonatos: percepção visual das características faciais neonatais pelos adultos foi o tema do estudo que recebeu o Prêmio Fernandes Figueira à vencedora Marina Carvalho de Moraes Barros, da Escola Paulista de Medicina, Unifesp.

Para ela, receber o prêmio da ANM, um dos prêmios mais tradicionais em medicina, foi uma honra e certamente um grande incentivo para o grupo continuar a pesquisar, visando melhorar a assistência do recém-nascido. Como coautores, participaram deste estudo Carlos Eduardo Thomaz, Lucas Pereira Carlini, Rafael Nobre Orsi e Pedro Augusto Santos Orona Silva, do Centro Universitário Fundação Educacional Inaciana Padre Sabóia de Medeiros; e mais Giselle Valério Teixeira da Silva, Juliana do Carmo Azevedo Soares, Tatiany Medeiros Heiderich, Rita de Cássia Xavier Balda, Adriana Sanudo, Solange Andreoni e Ruth Guinsburg, da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo.

E Dani Ejzen foi o vencedor do Prêmio Madame Durocher com relato do primeiro nascimento mundial após transplante uterino com doadora falecida. Para Dani foi uma felicidade enorme:

– Me sinto honrado pelo reconhecimento de nossa pesquisa sobre transplante uterino com o Prêmio Madame Durocher 2020, da Academia Nacional de Medicina. Um trabalho que foi totalmente desenvolvido por médicos e profissionais da saúde brasileiros do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e que teve grande repercussão no Brasil e no exterior.

Os coautores desta conquista foram Wellington Andraus, José Maria Soares Jr,Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque e Edmund Chada Baracat.

Os prêmios da Academia Nacional de Medicina foram instituídos em 1829.

     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
14h30

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina
Acad. Rubens Belfort Jr.

Presidente da Comissão de Prêmios
Acad. Francisco Sampaio

   
   
14h45

PRÊMIO MIGUEL COUTO – Novo modelo in vivo para avaliar alterações macroscópicas, histológicas e moleculares da doença de Peyronie

Autor: David Jacques Cohen
Faculdade de Medicina do ABC / Escola Paulista de Medicina- Universidade Federal de São Paulo

Coautores:
Faculdade de Medicina do ABC/ Escola Paulista de Medicina- Universidade Federal de São Paulo
Sidney Glina
Renan Pelluzzi Cavalheiro
Ana Maria do Antonio Mader
San Won Han
Maria Aparecida Silva Pinhal
Therese Rachel Theodoro
Willany Veloso Reinaldo
Vivian Barbosa Navarro Borba
Giuliana Petri

   
   
15h

PRÊMIO FERNANDES FIGUEIRA Identificação da dor em neonatos: percepção visual das características faciais neonatais pelos adultos

Autora: Marina Carvalho de Moraes Barros
Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo

Coautores:
Centro Universitário Fundação Educacional Inaciana "Padre Sabóia de Medeiros" (FEI)
Carlos Eduardo Thomaz
Lucas Pereira Carlini
Rafael Nobre Orsi
Pedro Augusto Santos Orona Silva

Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo
Giselle Valério Teixeira da Silva
Juliana do Carmo Azevedo Soares
Tatiany Medeiros Heiderich
Rita de Cássia Xavier Balda
Adriana Sanudo
Solange Andreoni
Ruth Guinsburg

   
   
15h15

PRÊMIO MADAME DUROCHER – Primeiro nascimento mundial após transplante uterino com doadora falecida

Autor: Dani Ejzen
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Coautores:
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Wellington Andraus
José Maria Soares Jr
Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque
Edmund Chada Baracat

   
   
15h30

Comentários
Acad. Paulo Saldiva
Acad. Aderbal Sabrá
Acad. Jorge Rezende Filho

   
   
15h45

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
16h15

PRÊMIO ANTÔNIO AUSTREGÉSILO RODRIGUES LIMA – O papel de citocinas inflamatórias e da via da quinurenina na fisiopatologia do transtorno de pânico

Autor: Laiana Azevedo Quagliato
Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro – IPUB

   
   
16h30

PRÊMIO PRESIDENTE ALOYSIO SALLES – Alterações neurológicas em pacientes com linfomas

Autora: Lucilene Silva Ruiz e Resende
Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP

Coautora: Ligia Niéro-Melo
Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP

   
   
16h45

Comentários
Acad. Jorge Alberto Costa e Silva
Acad. Sérgio Novis

   
   
17h

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
17h30

Intervalo

   
 

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXII – Ano Acadêmico 191

 
   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h10

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h15

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
18h45

PRÊMIO PRESIDENTE JOSÉ CARDOSO DE MOURA BRASIL – Revascularização retrógrada no transplante ortotópico de fígado: efeitos na estabilidade hemodinâmica e função do enxerto

Autor: Olival Cirilo Lucena da Fonseca Neto
Unidade de Transplante de Fígado de Pernambuco – UTF-PE
Unidade de Transplante de Fígado do Hospital Universitário Oswaldo Cruz

Coautores:
Unidade de Transplante de Fígado (UTF) – Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC)
Universidade de Pernambuco (UPE)

Gabriel Guerra Cordeiro
Paulo Sérgio Vieira de Melo
Américo Gusmão Amorim
Priscylla Jennie Monteiro Rabêlo
José Olímpio Maia de Vasconcelos Filho
Pedro Renan de Melo Magalhães
Ludmila Rodrigues Oliveira Costa
Raimundo Hugo Matias Furtado
Gustavo da Cunha Cruz
Cláudio Moura Lacerda

   
   
 19h

PRÊMIO ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA
Angiogênese da retina e coroide: biomarcadores e engenharia genética

   
   
 

Autor: Thiago Cabral
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo

Coautores:
Universidade Federal do Espírito Santo

Luiz Guilherme Marchesi Mello
Júlia Polido

Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo
Caio V. Regatieri
Luiz H. Lima
Maurício Maia

Stanford University
Vinit B. Mahajan

Columbia University
Stephen S Tsang

Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (HSPE/IAMSPE)
Akiyoshi Oshima
Pedro Serracarbassa

   
   
19h20

Comentários
Acad. Silvano Raia
Acad. Oswaldo Moura Brasil

   
   
19h30

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
20h

Encerramento

 
     

Cirurgia de Urgência na Época de COVID-19 e a importância do SUS na Saúde

Cirurgia durante a pandemia: é possível? 

Você já pensou no meio da pandemia ser acometido por um caso de saúde grave e que necessite de cirurgia? Ninguém quer passar por uma situação dessas, mas não estamos imunes. Este foi o tema de encontro virtual promovido pela Academia Nacional de Medicina, no dia 30 de julho de 2020, data especial em que se comemora o Dia do Cirurgião Geral. 

Entre os convidados, o médico Edivaldo Utiyama, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), que apresentou um panorama sobre cirurgias de urgência e condutas realizadas nos últimos meses.

As lições tiradas desse contexto foram comentadas pelo presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Luis Von Bahten.

Participaram também os médicos Roberto Rasslan, Sérgio Damous e Jones Pessoa dos Santos, todos da FMUSP, que apresentaram, respectivamente, casos de pacientes que tiveram endocardite bacteriana, colecistite aguda e perfuração de duodeno – quadros agravados pela covid-19, debatendo as condutas cirúrgicas para cada situação.

Enfrentamento da epidemia – A professora titular da USP e integrante do Comitê de Crise do Hospital das Clínicas (HC), Eloisa Bonfá, foi outra convidada da sessão e contou como foi o planejamento para o enfrentamento da covid-19.

Segundo ela, o plano do hospital começou quando a epidemia não estava instaurada e o mundo tinha apenas seis mil casos da doença restritos à região da China. Durante dois meses, a instituição criou estoques e organizou estruturalmente os 2.400 leitos do Complexo do HC para atender os casos da doença que eclodiram a partir de março.

Diante do aumento dos infectados, o complexo adotou estratégias antecipadas e bem definidas como a separação dos institutos, centralizando os casos de covid, delinearam novos fluxos, recrutaram equipes, montaram times de suporte especializados, além de abrirem novos leitos como enfermarias especializadas e convertendo 34 salas de cirurgias em 76 novas vagas de UTI para viabilizar a internação de pacientes críticos.

Todo o enfrentamento à pandemia envolveu os 20 mil colaboradores do HC e de seus cinco institutos, o que possibilitou manter entre 40 a 70% dos procedimentos cirúrgicos nas unidades que permaneceram com baixa exposição ao vírus.

Assista abaixo o vídeo sessão.

SUS e desafios – Na sessão ordinária da ANM, o tema foi o SUS e o primeiro convidado o acadêmico e ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Segundo ele, o SUS realiza 4 bilhões de procedimentos ambulatoriais todos os anos, 1 bilhão e 400 mil consultas anuais, 12 milhões de internações, 95% de transplantes realizados no país. “O SUS não é uma ideia, é uma rede de proteção fantástica, mas ainda enfrenta muitos problemas, como o subfinanciamento”, ressaltou.

Enquanto o SUS atende 150 milhões de brasileiros e tem um orçamento de R$ 240 bilhões anuais, ou seja, pouco mais de R$ 1 mil reais por ano/habitante; a rede privada atende 50 milhões de pessoas a um custo de R$ 200 bilhões/ano. A conta não fecha, disse o ex-ministro.

Criado há 32 anos, o SUS ainda tem muitos desafios, apontou Temporão, incluindo aspectos econômicos, tecnológicos e políticos. E mostrou-se preocupado diante de uma proposta do atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de implementar uma modernização sem consulta às instâncias do SUS. Segundo Temporão: “uma barbárie disfarçada de modernidade.”

Desafios para o futuro – Ex-presidente da Anvisa e professor de Saúde Pública da USP, Gonçalo Vecina, foi também palestrante desse 30 de julho de 2020.

Vecina elogiou a capacidade do SUS no enfrentamento da pandemia. Para ele, um dos legados dessa epidemia foi descobrir a importância do SUS. Por outro lado, abordou o subfinanciamento, a necessidade do aperfeiçoamento da gestão que não é um problema exclusivo da saúde, mas de todo setor público brasileiro. É fundamental investir em recursos humanos, conhecimento, material e equipamentos.

– Deveríamos revisitar o modelo de descentralização na assistência e reestruturar nossas redes de atenção em saúde com base nas manchas populacionais.

Vecina fez ainda duras críticas às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e à militarização do Ministério da Saúde, com distribuição de cargos para não técnicos. Segundo ele, a UPA não é atenção primária e nem emergência.

Confira abaixo a íntegra desta sessão:

A organização do evento foi dos acadêmicos José de Jesus Camargo e Samir Rasslan, sob coordenação dos acadêmicos Octavio Vaz e Rossano Fiorelli.

Sessão em Comemoração do Aniversário de 100 anos do Honorário Nacional Raymundo Edson Araújo Leitão – Fundador da ABMR

Em sessão virtual especial, dia 28 de julho de 2020, a Academia Nacional de Medicina (ANM), em parceria com a Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação (ABMR), comemorou o aniversário de 100 anos do Honorário Nacional, Raymundo Edson Araújo Leitão, também fundador da ABMR.

O evento contou com a abertura do presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, que ressaltou a capacidade do homenageado de ainda transmitir conhecimento para futuras gerações, além de ter sido sempre um inovador, principalmente com o atendimento multidisciplinar. 

Para conduzir as homenagens ao aniversariante, o acadêmico Omar da Rosa Santos, segundo vice-presidente da ANM e orador da ABMR, relembrou a brilhante trajetória de Araújo Leitão na medicina, na ciência, na área de ensino e os títulos e honrarias recebidos pelo acadêmico ao longo dos anos de dedicação, ressaltando seu papel de guardião da ABMR.

Confira a íntegra da biografia do homenageado: https://bit.ly/30umNuk

Impactos da COVID-19 no Ensino de Graduação em Medicina

Impacto da Covid-19 no Ensino da Medicina

Quais são os impactos do ensino remoto para o curso de medicina? Há limites para a formação de médicos através de plataformas online? Quais os desafios e estratégias para cursos médico na pós-pandemia? Estes e outros assuntos foram debatidos em simpósio promovido, no dia 23 de julho de 2020, no Web Hall e pelo Facebook da Academia Nacional de Medicina.

Estima-se que seis milhões de estudantes brasileiros do ensino superior ficaram sem aulas durante a pandemia. Destes, 171 mil são alunos de medicina. Algumas instituições saíram na frente para suprir o vácuo acadêmico com o ensino remoto de emergência como é o caso das escolas de medicina da Universidade de São Paulo, da Unicamp, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ensino Einstein, entre outras.

Entre os debatedores desse simpósio, o professor visitante da USP e representante da Universidade Federal da Bahia, Naomar de Almeida Filho. Segundo ele, a pandemia acelerou e nos obrigou a pensar na maneira como os alunos estão aprendendo no país. Além de expor deficiências e rupturas necessárias do ecossistema educacional brasileiro muito resistente à mudança; preso ao rigor de uma grade curricular, pedagogias passivas, com baixa inclusão tecnológica no ensino que apontam desigualdades e um racismo estrutural. 

“A pandemia trouxe, não só para a saúde em geral, mas também para a educação, um estímulo de trazer à tona a discussão das desigualdades que, de modo tão estrutural quanto o racismo, organiza a sociedade.”

Para ele o uso da tecnologia, se bem gerenciado por parte das instituições de ensino, torna-se um fator de inclusão e redução desigualdades. 

Ensino híbrido – Para alguns especialistas, o ensino híbrido pode ser um grande legado da pandemia à educação médica no país. Segundo a professora Cristina Neumann, coordenadora do curso de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a instituição tomou diversas iniciativas imediatas que equilibraram o ensino remoto e a prática do internato, propiciando a continuidade do calendário acadêmico com apoio integral dos alunos que demonstram satisfação com as aulas on-line, mas insatisfeitos com a ausência prática das disciplinas. 

O mesmo pensamento foi observado pelo discente da Escola Paulista de Medicina, Luiz Fernando de Moraes, que realizou uma pesquisa com diversos estudantes da área, mostrando que 50% avaliam como bom ou muito bom o ensino remoto que estão tendo, porém 80% disseram aprender mais com aulas presenciais. Entretanto, a maioria afirma recorrer às videoaulas como outro método de ensino. 

Com isso, o ensino híbrido – que mescla aulas remotas, educação à distância com atividades práticas – mostra-se uma grande perspectiva e deve ser mantido no pós-pandemia. A reboque, entram aspectos importantes a serem discutidos como metodologias ativas de aprendizagem, avaliações assíncronas, apoio a alunos e docentes para acesso remoto e uso das ferramentas digitais e a equidade no ensino.  

Cenário da pandemia – Em 72 horas, 10.500 respostas de alunos de 257 entidades médicas (75,4% de todas as escolas médicas do país) responderam a um questionário elaborado pela coordenação do Curso Medicina da Universidade de São Paulo para tentar entender o cenário imposto pela pandemia.

No levantamento, os respondentes opinaram sobre a participação dos estudantes no serviço à população; segurança e aptidão para atender pacientes covid-19; além de questões sobre o que aprendemos e quais as estratégias para o período da pós-pandemia.

Os resultados foram apresentados pelo professor da USP, Milton de Arruda Martins, na mesma sessão científica.

Arruda Martins refletiu sobre o que é essencial para a formação médica: Como podemos aprimorar a prática docente e o diálogo com os estudantes? Como incluir os estudantes com maior vulnerabilidade se 40% são cotista na USP? Segundo ele, a inclusão digital veio para ficar e impôs o enfrentamento do ensino não presencial para os cursos médicos.

Estratégias americanas – A professora Nancy Hueppchen, da Escola de Educação Médica da Johns Hopkins, falou para os acadêmicos e médicos que participaram da sessão que abordou a graduação medicina sobre as estratégias adotadas pela universidade americana para superar as limitações impostas pela pandemia pelo SARS-CoV-2.

Hueppchen ressaltou as lições que estamos aprendendo durante esse período, como acomodar os impactos provocados pelas mudanças e que precisamos planejar o ensino híbrido: presencial e à distância, sincrônica ou assincrônica. Além disso, comentou sobre o incrementando dos centros de simulação, os sistemas de telemedicina, a troca virtual de experiências clínicas e a participação de estudantes voluntários nesse processo, que tem sido multidisciplinar e interprofissional.

Atualmente, a Johns Hopkins adota as principais recomendações do Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos com a disponibilidade de testes acurados e equipamentos de proteção individual até a aprovação de uma vacina eficaz contra o novo coronavírus. Mas Nancy questiona quando será seguro que estudantes voltem para os estágios rotatórios na clínica e outras atividades?

A convidada ainda abordou o trabalho de inúmeros voluntários que foram essenciais para que a faculdade não interrompesse suas atividades.

A sessão “Impactos da covid-19 no ensino de graduação em medicina” foi organizada pelos acadêmicos Francisco Sampaio, ex-presidente da ANM, e Rui Monteiro de Barros Maciel e está disponível abaixo.

Sessão da Saudade – Acad. Ernani Vitorino Aboim Silva

A saudade é o único paraíso de onde não seremos removidos


“Com quase 37 anos de contribuições para Academia Nacional de Medicina (ANM), como membro titular da Secção de Cirurgia, na Cadeira 35, hoje é dia de homenagear Ernani Aboim. Um confrade que veio do Juazeiro do Norte aprimorar, enriquecer e atualizar os debates científicos nessa casa. Uma imensa saudade, mas seu nome estará para sempre conjugado com a medicina”, exclamou emocionado o acadêmico e ex-presidente da ANM, Pietro Novelino, na abertura da tradicional Sessão Saudade da ANN, que aconteceu no último dia 21 de julho de 2020, nas plataformas virtuais da Academia.

Já o acadêmico Orlando Marques citou um proverbio grego para descrever o acadêmico: “Há poucos homens capazes de prestar homenagem ao sucesso de um amigo, sem qualquer inveja” e, Ernani Aboim era uma dessas raras pessoas.

O presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, destacou a primorosa apresentação dos oradores da sessão e se solidarizou com a família, em especial, com a viúva, companheira incansável de uma vida inteira com o acadêmico.

Confira a biografia de imortal: https://bit.ly/2D1cTas

A Pandemia e A Literatura

De Shakespeare ao novo coronavírus

O que a literatura das pandemias de séculos passados pode nortear reflexões atuais sobre o novo coronavírus?

Academias Nacional de Medicina (ANM), Brasileira de Ciências (ABC) e de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) promoveram live em julho (16) sobre literatura e pandemias.

Para o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., “a literatura é um marco na história que nos ajuda a interpretar o presente. Por isso, revisitar outras epidemias descritas por grandes escritores é motivo desse nosso próximo debate. A organização do evento foi dos acadêmicos Gilberto Schwartsmann e Ricardo Lopes Cruz, também secretário geral da ANM.

Onde a literatura tange a medicina? Não são só nas histórias fictícias que é possível encontrar muita emoção, humanidade e clímax, por exemplo. A vivência médica também está cheia dessas circunstâncias dignas de clássicos literários. 


Foi assim, construindo pontes e paralelos entre a realidade da medicina e a literatura, que os membros da Academia Nacional de Medicina e da Academia Brasileira de Letras (ABL) conduziram a 19ª sessão ordinária da ANM. 

Traçando comparativos entre ficção e realidade, o romance “A Peste”, escrito em 1974 por Albert Camus, relata uma epidemia em um dos primeiros anos da década de 40 com diversos acontecimentos similares ao que vivenciamos hoje com a pandemia de SARS-Cov-2. Para o acadêmico da ANM, José Osmar Medina Pestana, “a mensagem central é que a vida vale a luta mesmo quando a natureza está nos assaltando.”


Inspirada na obra Decameron de Giovani Boccaccio, a escritora Nélida Piñon, membro da ABL, foi uma das convidadas. Nélida abordou a literatura e sua capacidade extraordinária de jamais se calar. “Ela capta todos os meandros e todos os sintomas da sociedade. Por tanto, graças a um grande texto literário a realidade não se esvai, não desaparece.”

Decameron é uma coleção de cem novelas escritas por Giovanni Boccaccio entre 1348 e 1353. O livro é estruturado como uma história que contêm 100 contos contados por um grupo de sete moças e três rapazes que se abrigam em uma vila isolada de Florença para fugir da peste negra, que afligia a cidade.

A metáfora do homem contra a força da natureza, retratada em várias obras literárias durante séculos, como por exemplo, Moby Dick, de Herman Melville; Romeu e Julieta, de William Shakespeare; Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, entre outros clássicos, ainda permeou os debates que refletiram sobre a incapacidade do homem de dominar a natureza. Um bom exemplo nos tempos atuais é a pandemia provocada pelo novo coronavírus. 

O simpósio ainda contou com os outros membros da ABL como Geraldo Carneiro e Domício Proença, além de médicos como Margareth Dalcolmo, da Fundação Oswaldo Cruz e o acadêmico José de Jesus Camargo.


Confira a íntegra abaixo:

COVID-19 – Que doença é essa?

Afinal, que vírus é esse? Qual a finalidade da testagem? Como reabilitar os sobreviventes a essa doença? O que o futuro nos reserva? Estas, entre outras questões, que permeiam as dúvidas diárias de todos foram debatidas no dia 09 de julho de 2020, durante o “Simpósio Covid-19 – Que doença é essa?”, promovido pela Academia Nacional de Medicina.

Além dos renomados acadêmicos, estudiosos da Fundação Oswaldo Cruz, Universidade Federal do Rio de Janeiro, USP de Ribeirão Preto e Universidade Federal de Pelotas e um convidado internacional do Imperial College de Londres estarão palestrando e no centro dos debates.

O pesquisador Cesar Victora, professor Emértio da Universidade Federal de Pelotas, apresentou dados de uma pesquisa realizada em 133 cidades em todo o país, 2 mil entrevistadores em campo para testar e entrevistar cerca de 36 mil pessoas em três fases distintas e entender a epidemia por SARS-CoV-2, no Brasil.

De cada cidade, foram escolhidos 25 setores censitários, 10 domicílios em cada setor e uma pessoa por domicílio. Os resultados deste estudo, em parceria com o Ibope Inteligência, foram apresentados aos mais de 400 participantes tiveram a oportunidade de acompanhar um dos raros estudos mundiais com amostra de base populacional e periódica no mundo. Segundo Victora, há 6 a 7 vezes mais pessoas infectadas do que casos notificados e os sintomas mais frequentes foram alterações no olfato e paladar, seguidos de febre, tosse, dores no corpo e na garganta, falta de ar e calafrios.

O teste utilizado foi o do tipo rápido, com sensibilidade de 85% e especificidade maior do que 99,9%, e cujo resultado sai em 15 minutos. Entre as surpresas da epidemia no Brasil, o aumento, em junho, de crianças afetadas pela doença; a alta prevalência, no mesmo mês, entre indígenas; e da doença afetar aos mais pobres.

Para Victora ainda restam várias perguntas: por que tantos sintomáticos? Por que tantas crianças e indígenas? Por que a prevalência da doença não passa dos 30%? Por que a epidemia iniciou-se na Amazônia? E o que o teste efetivamente mede?


O coordenador desta sessão científica, o acadêmico Daniel Tabak,  comentou que depois de meses de pandemia, ainda temos muitas perguntas. A infecção por covid-19 é uma doença pulmonar sim, mas, não somente. E, qual o papel do sangue nesse caos?” O acadêmico Daniel Tabak abordou o tema que ainda intriga muito médicos e pesquisadores. 

Outros renomados participantes abordaram desde características dos vírus da família coronavírus, em 1970, como os inalamos; até os projetos em andamento com vacina contra o SARS-CoV-2 e as novas abordagens desafiadoras de tratamento.  

Confira a sessão na íntegra:

Contribuições da Genética e das áreas Biomédicas para o Enfrentamento da COVID-19

Cientistas continuam em busca de respostas eficazes para o tratamento medicamentoso e para imunização vacinal da covid-19. No mundo, há hoje 17 vacinas candidatas em avaliação clínica, sendo duas delas na fase três de teste no Brasil, quando há estudos com humanos. 


A primeira é produzida pela Universidade de Oxford e testada em parceria com a Unifesp. A segunda e recém autorizada pela Anvisa é da empresa chinesa Sinovac Biotech, cujo grupo de controle será testado em uma parceria com o Instituto Butantan. 

O professor da USP, Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Incor, explicou o estudo que vem sendo realizado com amostras de sangue de 200 pessoas curadas da covid. No soro desses pacientes, são avaliadas regiões da proteína do novo coronavírus e que podem fornecer anticorpos imunizantes. Em paralelo, os pesquisadores testam peptídios e linfócitos T que possam servir de base para pesquisas nacionais de imunização. 

Com relação aos avanços nos estudos com medicamentos, o doutor em microbiologia e imunologia, Lucio Freitas-Junior, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, vê o reposicionamento de fármacos como principal estratégia para um tratamento eficaz e afirma que “é preciso mudarmos a maneira de ver a ciência no Brasil com suporte continuado para trabalharmos preventivamente e estarmos bem preparados para enfrentamentos como este”, afirmou.

O monitoramento de genomas de organismos que causam doenças (virais); a compreensão dos mecanismos de introdução, dispersão e emergência ou reemergência de vírus, além do fornecimento de respostas para questões de saúde foram alguns dos aspectos abordados pela pesquisadora Jaqueline Goes de Jesus, do Instituto de Medicina Tropical, da Faculdade de Medicina, da USP, em mais uma sessão virtual promovida pela Academia Nacional de Medicina, desta vez, realizada no dia 02 de julho de 2020. 

Goes de Jesus participa do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido de Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (Cadde), projeto temático que recebe apoio Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.


“Contribuições da genética e das áreas biomédicas para o enfrentamento da covid-19 e considerações sobre a integridade da pesquisa em época de pandemia” foi a temática da reunião, cuja abertura foi do presidente da ANM, Rubens Belfort Jr. 

Participaram ainda do evento, o acadêmico Marcello Barcinski, coordenador do Programa Jovens Lideranças Médicas (JLM); os membros do JLM, Jonas Alex Morales, professor da Faculdade de Medicina do Rio Grande do Sul e Filippo Vairo, da Mayo Clinic, dos Estados Unidos, e a professora Sonia Maria Ramos de Vasconcelos, do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM) da UFRJ, especialista em integridade científica e publicações científicas.

Vairo ressaltou o grande número de publicações diárias sobre o tema COVID-19:

– São 500 a mil publicações por dia. Por isso, destaco a importância desse evento promovido pela Academia de Medicina para toda comunidade médica e científica.

Sessão Solene em Comemoração aos 191 anos da Academia Nacional de Medicina

Quase dois séculos a serviço da saúde

No dia 30 de junho, a Academia Nacional de Medicina completou 191 anos e, como é tradição, uma cerimônia reuniu mais de 240 participantes. Neste ano, de forma virtual. Como estabelece o costume, o Secretário Geral da ANM, o cirurgião Ricardo José Lopes da Cruz, fez um balanço das atividades nesses últimos seis meses.

O orador, o médico e pesquisador Manassés Claudino Fonteles, inspirou-se em Hannah Arendt ao lembrar que ninguém experiencia sozinho, seja para o bem ou para o mal e, nesse sentido, os confrades e confreiras têm um papel fundamental no desenvolvimento da medicina e das ciências médicas. Fonteles, muito emocionado, reverenciou à memórias dos membros falecidos, neste último ano, e saudou os novos membros honorários.

O atual presidente da ANM, professor Rubens Belfort Jr., lançou um vídeo e um folder pelos 191 anos da instituição e falou das obras e dos Anais que serão publicados em breve. Para ele, o mais importante é a preservação da ANM.

– Nós não somos imortais. Somos mortais. O que não morre é o ideal da nossa Academia de Medicina.

Durante a cerimônia, Belfort anunciou os vencedores dos prêmios da ANM 2020, considerados os mais antigos, pois foram instituídos em 1829. Foram 63 candidaturas – um número recorde -, que concorreram a nove categorias.

O grande prêmio Presidente da Academia Nacional de Medicina foi para um grupo que reúne médicos das universidades Federal do Espírito Santo, Federal de São Paulo e da Columbia University sobre avanços para o tratamento da principal doença oftalmológica relacionada à perda da visão em adultos maiores de 55 anos: a Degeneração Macular Relacionada à Idade. O grupo estudou moléculas pró e antiangiogênica que podem contribuir para vascularização ocular e a aplicação dos sistemas CRISPR-Cas para edição do genoma, também conhecida como “cirurgia genômica” no campo da Oftalmologia.

Outro trabalho vencedor da edição do 2020 dos prêmios da ANM aborda as técnicas para transplante de fígado. De um grupo de médicos da Unidade de Transplante de Fígado, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, da Universidade do Estado de Pernambuco, o trabalho original acompanhou 87 pacientes submetidos ao procedimento, entre 2018 e janeiro de 2020. Foram analisadas duas técnicas cirúrgicas e diversos parâmetros entre os pacientes. Os resultados contribuem para indicar qual técnica gera menos instabilidade pós-cirurgica e que leva ao melhor funcionamento do enxerto após o transplante. Este trabalho venceu na categoria Prêmio Presidente José Cardoso de Moura Brasil.

História

Fundada no reinado do imperador D. Pedro I, a Academia Nacional de Medicina, de forma frequente, recebia D. Pedro II que, por mais de 50 anos, foi um assíduo ouvinte das conferências sobre ciência e saúde. Sua cadeira permanece no Salão Nobre da instituição, até os dias atuais. Com enfermidade avançada, no dia 30 de junho de 1889, presidiu pela última vez, a sessão de aniversário da instituição.

Em 2020, com a chegada da pandemia pelo novo coronavírus, suas habituais sessões científicas foram transferidas para o universo online, no qual o presidente Belfort estabeleceu uma agenda que aborda, prioritariamente, vários aspectos do SARS-CoV-2, desde março. Já os tradicionais chás acadêmicos foram suspensos pela primeira vez.

De 1829 a 2020, a Academia elegeu apenas um seleto grupo de 674 médicos brasileiros que ocupam uma das 100 cadeiras divididas entre as três Secções de Cirurgia, de Medicina e Ciências Aplicadas à Medicina, tendo Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Carlos Chagas Filho e mais recentemente Adib Jatene e Ivo Pintanguy como alguns dos seus ilustres membros titulares,

Histórias pitorescas recheiam a trajetória da Academia Nacional de Medicina como a entrada da primeira mulher, Marie Josephine Mathilde Durocher, eleita em 1871. Parisiense, veio para o Brasil aos sete anos e, já naturalizada, matriculou-se no curso de Partos da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1833. Para trabalhar como parteira e não sofrer descriminação, adotou uma indumentária masculinizada, vestindo-se de preto, com casaco, gravata, cartola e saia.

Famosas também foram as atuações da Academia Nacional de Medicina nas campanhas de saneamento, vacinação e durante o enfrentamento de outras epidemias como a de febre amarela, no início do século passado, e a pandemia de 1917. Credenciais que atraem novos médicos para o seu Programa de Jovens Lideranças Médicas, coordenado pelos acadêmicos Marcello Barcinski, Eliete Bouskela e Antonio Egídio Nardi.

Reflexões sobre o Cirurgião Idoso

O que pensam os cirurgiões idosos sobre seu futuro na profissão? Uma pesquisa realizada, recentemente, pelo acadêmico Henrique Murad, revelou dados importantes sobre os cirurgiões idosos da Academia Nacional de Medicina e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV). 

Os resultados apontam que 25% dos cirurgiões idosos da ANM têm mais de 80 anos e, na SBCCV, 50% estão na faixa dos 65 a 70, sendo que cerca de 80% dos médicos, de ambas as instituições, ainda operam. Dentro o público-alvo da pesquisa, apenas 5% apresentam alguma doença incapacitante para o exercício da profissão e 10% têm alguma dificuldade física.

Entre as razões pelas quais continuam operando, a necessidade de sentir-se útil. Cerca de 45% dos entrevistados opinaram que não têm medo de continuar operando, 47,5% responderam que pretendem parar em cinco anos e 30% nunca parariam as cirurgias. Quando perguntados sobre o futuro, médicos apontaram o ensino (47,5%) como principal atividade em substituição à cirurgia, seguido de cargos administrativos (25%). 

Os resultados da pesquisa foram apresentados durante o simpósio virtual da ANM “Reflexões sobre o cirurgião idoso”, realizado no dia 25 de junho de 2020. Foram entrevistados 40 cirurgiões idosos.

A experiência e conhecimento acumulados dos cirurgiões sênior são um ativo inestimável e, portanto, devem ser respeitados e mantidos como fonte de formação para jovens profissionais. Além disso, cirurgiões idosos compõem uma força importante de trabalho e não há um momento preciso para parar, mas eles podem e devem se planejar para realizarem outras atividades médicas, nas áreas de ensino, em cargos administrativos, em sociedades de classe ou até mesmo hobbies. Durante o evento, diversos convidados abordaram como o processo de envelhecimento afeta as habilidades cirúrgicas, quais opções estão disponíveis para o cirurgião idoso e se há momento exato para aposentar o bisturi. 

100 dias de solidão – “Vivemos uma tempestade perfeita, cujos desdobramentos assistimos perplexos.” Com esta frase, o geriatra Alexandre Kalache, presidente do International Longevity Center-Brazil, abriu sua palestra nessa sessão do dia 25 de junho de 2020.

Kalache traçou elos entre algumas obras de Gabriel Garcia Marques, “A Peste”, de Albert Camus e o livro “1984” de George Orwell ao descrever o cenário da pandemia por covid-19 no Brasil onde, segundo ele, há um verdadeiro gerontocídio com o assassinato de idosos.

O convidado ainda abordou o desrespeito à ciência, à saúde e à cultura, nos tempos atuais, e ressaltou que se não fosse o SUS, teríamos o dobro ou o triplo de mortes provocadas pelo novo coronavírus.

Residência para idosos – Quais os riscos para idosos que moram em casas de repouso ou de longa permanência nesse período de pandemia por covid-19? E que experiências podem auxiliar para barrar a propagação da doença? Estas foram algumas perguntas respondidas pelo geriatra João Toniolo, da Escola Paulista de Medicina, outro convidado do simpósio promovido pela ANM, no dia 25 de junho de 2020.

Toniolo lembrou que, com o confinamento, a grande maioria dos idosos parou de se exercitar, pegar sol e fazer controle para doenças crônico-degenerativas e, com isso, houve aumento do risco de quedas por conta da osteoporose, AVCs e diabetes descontroladas, hipertensão, além de outros agravos de saúde.

O convidado mostrou dados sobre os 200 mil idosos que vivem em residências de longa permanência e quais os cuidados integrais que podem ser adotados para detecção precoce e prevenção de contágio por covid-19, segundo o modelo Kanban – uma palavra japonesa que significa registro e contribui para gerenciamento do cuidado.

Para saber mais, acesse o link da sessão abaixo:

Homenagem aos 120 anos da Fiocruz

Na abertura do encontro, o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, destacou o apreço e admiração pela centenária instituição que está sempre à frente no combate às pandemias, em prol da saúde e da qualidade de vida das pessoas.

Coordenado pelo acadêmico Paulo Buss, o evento contou com apresentações de diretores de algumas unidades da Fiocruz e depoimentos de vários expoentes da saúde, da ciência e da cultura brasileira, além de uma apresentação da atual presidente da instituição, Nísia Trindade Lima.

No bloco “O que é a Fiocruz hoje”?, cinco diretores de diferentes unidades apresentaram um breve panorama sobre pesquisa, ensino, assistência e produção de insumos para saúde desenvolvidos na instituição.

Já o segundo bloco, “Apreciação dos acadêmicos da Fiocruz”, contou com a participação dos acadêmicos e membros do corpo de profissionais da instituição: Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro, José Gomes Temporão, Léa Rodrigues Coura, José Rodrigues Coura e Paulo Buss.

Em seguida, representantes de diversas instituições de peso na área da saúde, da ciência e da cultura concederam relatos e prestaram homenagens à Fiocruz. Participaram deste momento os reitores de universidades federais do Rio de Janeiro e do Maranhão, respectivamente, Denise Pires de Carvalho e o acadêmico Natalino Salgado; os presidentes das Academias Brasileira de Letras e de Ciências, Marco Lucchesi e Luiz Davidovich, entre outros.

Davidovich ressaltou a conexão forte entre a ABC e a Fiocruz, lembrando que Oswaldo Cruz foi um dos fundadores e vice-presidente da primeira diretoria da ABC. Davidovich resumiu assim sua visão sobre a instituição:

– Assim como grandes artistas, grandes escritores e grandes músicos se transformam em símbolos dos tempos, a Fiocruz é mais que uma instituição. É uma marca nacional e internacional. Esta marca está associada a ciência de qualidade no SUS. E mostra como uma política de Estado de longo tempo pode beneficiar o país.

Em sua conferência, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, traçou uma linha do tempo sobre as conquistas da saúde pública e o enfrentamento dos grandes desafios na medicina brasileira, tendo a Fundação Oswaldo Cruz um papel de liderança. De forma elegante, descreveu a irmandade junto à Academia Nacional de Medicina, preservando memória, tradições e focando na busca por parcerias, através de seus eméritos profissionais que são também acadêmicos, em projetos de inovação atuais e futuros.

O acadêmico José Augusto Messias, orador do evento, lembrou fatos marcantes da instituição desde a sua criação como Instituto Soroterápico, em uma antiga fazenda na zona Norte do Rio de Janeiro, ao triste episódio conhecido como Massacre de Manguinhos, lembrando o nome de cada um dos 10 cientistas que perderam o direito de continuar a trabalhar durante a ditadura militar, na década de 70. Messias nomeou cada um dos cassados e finalizou: “Presentes!”

Ao final, o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr. ressaltou a irmandade que une as duas instituições há mais de um século e sentenciou:

– Juntos, estamos há 120 anos e nossas histórias continuam a se entrecruzar.

Uma placa virtual foi entregue pelo presidente Rubens Belfort à Nísia Trindade Lima com o compromisso de um encontro presencial quando a epidemia de covid-19 acabar.

Câncer – Sistema imune e COVID

Será que pacientes com câncer são mais afetados pela Covid-19? E o que acontece quando esses pacientes, com o sistema imune deprimido, são infectados pela Covid? Há mais óbito?

O imunologista Jorge Kalil, da USP e do Incor, apresentou estudo sobre 1.524 pacientes de Wuhan que tiveram câncer, comparando-os à população em geral. Os resultados mostraram que pacientes com câncer tiveram o dobro de incidência de Covid. Esta incidência pode ser em virtude do sistema imunológico ou por terem ido a hospitais e acabaram se contaminando. Sobre a letalidade, houve um aumento de 25% nos óbitos de pacientes com tumores sólidos e 37% a mais em pacientes com doenças hematológicas associadas à Covid.

O acadêmico Daniel Tabak mostrou dados de estudos chineses sobre Covid-19 e incidência em pacientes com câncer. Os estudos mostram resultados sobre o uso da ventilação invasiva em pacientes oncológicos, gravidade da doença, tratamento antitumoral e a mortalidade por Covid. Tabak conclui que o indivíduo deve ser avaliado de acordo com uma série de fatores que inclui a idade, o índice de massa corpórea e o seu sistema imune.

O simpósio “Oncologia em tempos de pandemia” foi organizado pelo ex-presidente da Academia Nacional de Medicina, Francisco Sampaio, e o acad. Paulo Hoff, no dia 28/5.

USP – Universidade de São Paulo @FMUSP InCor – Instituto do Coração do HCFMUSP SBI – Sociedade Brasileira de Imunologia

Correlação entre Métodos de Imagem e a COVID-19 é debatida na ANM

O que médicos e radiologistas veem nas imagens da Covid-19? E o que a inteligência artificial pode nos ajudar no diagnóstico do raio X e da tomografia computadorizada de tórax durante a epidemia? Alterações oftalmológicas, dermatológicas, abdominais, cardíacas foram abordadas na sessão científica da Academia Nacional de Medicina (ANM), no dia 04 de junho de 2020. A organização da sessão científica foi do acadêmico Giovanni Guido Cerri, da USP. O evento contou com cerca de 150 espectadores.

Aspectos oftalmológicos – Imagem oftalmológica e lesões da retina encontradas em pacientes com Covid foram temas apresentados pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr. No estudo, publicado recentemente na prestigiada revista internacional The Lancet, foram analisados profissionais de saúde infectados e que não desenvolveram a forma grave da doença e, por isso, não estiveram internados no CTI assim como não utilizaram medicamentos complexos. Observados detalhadamente através da tomografia de coerência óptica foram confirmadas lesões na retina, mas que não provocaram nenhum problema que afetasse a visão. Os achados desta pesquisa podem contribuir para entender se as manifestações da retina são um reflexo do comprometimento do sistema nervoso central e vascular.

Em sua palestra, Belfort Jr. destacou ainda que alterações conjuntivas oculares são muito frequentes em casos da infecção pelo novo coronavírus, causando também sintomas primários como vermelhidão e mudança na mucosa dos olhos e conjuntivite.

Sistema nervoso central – Um dos grandes desafios no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus é mapear e entender todas as manifestações que a infecção pode provocar, uma vez que a Covid-19 já demonstrou ser uma doença sistêmica. Entre os danos descobertos e com grande prejuízo ao organismo está o comprometimento do sistema nervoso central, ou seja, os problemas neurológicos causados pelo vírus.

Cefaleia, eventos vasculares como o AVC, crises convulsivas, despertar tardio, delírio e confusão mental, em casos mais graves foram alguns dos exemplos apresentados pela médica Maria da Graça Morais Martin, do Instituto de Radiologia, do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP. A médica explica que essas alterações estão vinculadas a mecanismos multifatoriais, principalmente em pacientes do grupo de risco e críticos, além de estarem associados a eventos vasculares como endotelite e estados pró-trombóticos.

Durante o simpósio virtual da ANM “Os métodos de imagem e a Covid-19”, Maria da Graça demonstrou que a Covid-19 causa comprometimento neurais na substância branca do cérebro com sinais de doença desmielinizantes e leucopatia com micro hemorragias que podem deixar sequelas ou levar à morte.

Lesões cutâneas – O acadêmico Omar Lupi, Professor Adjunto de Dermatologia, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro foi outro dos expositores da sessão virtual sobre imagens na Covid-19.

Ele apresentou dados sobre estudo de 88 pacientes contaminados pela doença, tendo 18 deles desenvolvido algum tipo de manifestação cutânea, como erupções maculopapulosas, urticária e varicela-símile. Além disso, segundo ele, 1/3 dos profissionais de saúde apresentou queixas de acne, prurido facial e dermatites por conta do uso da máscara N95.

Omar Lupi ainda falou sobre a família coronavírus e seu potencial epidêmico, que está saltando de animais exóticos de maneira crescente e criando ameaças para espécie humana.

Plataforma de imagens radiológicas – Durante a mesma sessão científica da ANM, a médica Claudia da Costa Leite, do Departamento de Radiologia e Oncologia, da Faculdade de Medicina da USP apresentou a ferramenta RADVID19.

Segundo ela, a RADVID19 tem auxiliado no diagnóstico e definição de grau de comprometimento pulmonar dos pacientes suspeitos e confirmados com Covid-19 e explicou que a triagem dos pacientes, a indicação de internação em leito ou em UTI e no prognóstico de alta têm sido aperfeiçoadas.

O projeto é um ecossistema composto por órgão públicos, empresas, universidades, parceiros tecnológicos e conta com o apoio do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem.

Danos cardíacos – O comprometimento do pulmão e coração aumenta a mortalidade dos pacientes com Covid-19. A infecção pode induzir a injúria cardíaca ou exacerbar uma cardiopatia pré-existente. Entre os danos mais comuns observados, estão insuficiência cardíaca, miocardite, tromboses e arritmias.

O médico César Higa Nomura, dos Hospitais do Coração e das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP falou sobre um estudo com acompanhamento de 416 pacientes infectados pelo novo coronavírus e que apresentaram elevação dos níveis em um biomarcador que aponta casos de infarto e deve ser investigado, 20% destes tinham lesões miocárdicas. A mortalidade entre pacientes com injúria cardíaca e Covid é de 51,2%, enquanto em indivíduos sem comprometimento do coração fica em 4,5%.

Na apresentação, Nomura também ressaltou alguns métodos de imagem utilizados para investigação cardíaca como eletrocardiograma e ecocardiograma, mas reforçou a importância da tomografia de tórax, pois é útil para o diagnóstico de derrames, trombos e calcificações coronarianas. Além disso, citou o papel ressonância magnética cardíaca para casos suspeitos de miocardite ou para tomada de decisão sobre manejo do paciente.

PET-CT em covid-19 – Cerca de 47% dos pacientes com Covid-19 têm sintomas pulmonares e gastrointestinais e 9% apresentam apenas estes últimos sinais. Os exames de imagem auxiliam no acompanhamento das mais diversas manifestações com gravidade abdominal, incluindo casos de pancreatite, comprometimento hepático ou colecistite aguda.O assunto foi abordado pelo médico Publio Cesar Cavalcante Viana, do Instituto do Câncer e da Faculdade de Medicina da USP.

Felipe de Galiza, do Hospital Sírio Libanês, outro convidado do simpósio virtual, apresentou como o exame utilizado, anteriormente, para investigação oncológica e pesquisa de processos inflamatório como PET-CT, têm sido importantes para acompanhar pacientes com Covid-19. Segundo Galizza, o PET-CT demonstra sinais da atividade inflamatória pulmonar relacionadas ao acometimento causado pela infecção pelo vírus, além de apontar achados sobre a resposta imune do organismo.

O exame de PET-CT tem sido usado para acompanhar pacientes com maior tempo de sintomas da Covid-19, para monitoramento dos efeitos do tratamento e para a investigação adicional de complicações relacionadas à doença. Reforçando o seu potencial como ferramenta de análise do processo de inflação causado pelo SARS-COV2 o que, consequentemente, pode ser um adjuvante ao tratamento.

Virtópsia nas autópsias por Covid-19 – Os aspectos de tomografia computadorizada in vivo e pós-morte foram abordados na palestra do médico Marcio Valente Yamada Sawamura, do Instituto de Radiologia (Inrad), do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP. Sawamura falou sobre a virtópsia, ou autópsia virtual, que utiliza a tomografia computadorizada na sala da autópsia como um método minimamente invasivo e acrescenta informações importantes à autópsia dos óbitos por Covid-19.

Exames em áreas remotas – O médico Antônio Sérgio Marcelino, do hospital Sírio Libanês também participou do evento para mostrar as facilidades da ultrassonografia torácica como método de avaliação da Covid-19. O equipamento levado à beira do leito contribui para obtenção, de forma rápida, o resultado que deve ser complementar ao exame clínico. Com isso, análises epidemiológicas e sistemáticas da Covid-19 em áreas remotas do país podem ser incrementadas.

As sessões científicas estão disponível no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Prêmios 2020 da ANM

Nesta sexta-feira (5/6) terminarão as inscrições para os prêmios da Academia Nacional de Medicina. São 9 modalidades e agora é possível se inscrever de forma virtual. Saiba mais em https://www.anm.org.br/premios/

Oncologia em tempos de pandemia é assunto de Simpósio virtual da Academia Nacional de medicina

Câncer não tira férias

Será que pacientes com câncer são mais afetados pela Covid-19? E o que acontece quando esses pacientes, com o sistema imune deprimido, são infectados pelo novo coronavírus? Há mais óbito?

O imunologista Jorge Kalil, da USP e do Instituto do Coração, contou sobre a realidade de 1.524 pacientes de Wuhan que tiveram câncer, comparando-os à população em geral, durante o simpósio “Oncologia em tempos de pandemia.” Organizado pelo ex-presidente da Academia Nacional de Medicina, Francisco Sampaio, e o acadêmico Paulo Hoff, o evento ocorreu no dia 28 de maio de 2020.

Kalil falou sobre o dobro de incidência de Covid em pacientes com câncer. Esta incidência pode ser em virtude do sistema imunológico ou por terem ido a hospitais e acabaram se contaminando. Sobre a letalidade, houve um aumento de 25% nos óbitos de pacientes com tumores sólidos e 37% a mais em pacientes com doenças hematológicas associadas à Covid.

Câncer não tira férias – Distanciamento social e o dilema médico diante de dois riscos: diagnóstico tardio de um câncer e exposição ao novo coronavírus. O que fazer? O tema foi abordado pelo acadêmico Paulo Hoff, oncologista do Instituto do Câncer de São Paulo, da USP e da rede Oncologia D’Or. Hoff apresentou estudos americanos, nesse período de pandemia, e que apontam uma redução de 68% no rastreamento para câncer de colo uterino e 90% nas colonoscopias.

No Brasil, 50 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados com câncer e as cirurgias foram reduzidas em até 70% em alguns hospitais. Pela falta de diagnóstico precoce e tratamento, haverá um aumento no número de óbitos por câncer em todo o mundo e no Brasil, país onde os pacientes já procuram atendimento quando a doença está mais avançada.

“O câncer não tira férias ou está de quarentena. O câncer continua matando”, lembrou Hoff.

O patologista Fernando Soares, também da Rede D’Or, acrescentou dados sobre a queda nos exames de anatomia patológica durante a epidemia por Covid-19. Soares mostrou uma redução de 75% no serviço de diagnóstico da rede, que abrange 37 unidades no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O acadêmico Daniel Tabak foi ainda outro convidado do simpósio “Oncologia em tempos de pandemia” e mostrou dados de estudos chineses sobre Covid-19 e incidência em pacientes com câncer. Os estudos mostram resultados sobre o uso da ventilação invasiva em pacientes oncológicos, gravidade da doença, tratamento antitumoral e a mortalidade pelo novo coronavírus. Tabak conclui que o indivíduo deve ser avaliado de acordo com uma série de fatores que inclui a idade, o índice de massa corpórea e o seu sistema imune.

Calamidade sanitária – O que fazer diante de um diagnóstico de câncer e indicação de uma cirurgia? O cirurgião da Faculdade de Medicina da USP, Miguel Srougi, Honorário da ANM, recomenda adiar sempre que possível as cirurgias eletivas.

Quando não é possível adiar, reduzir o staff, incrementar o uso de EPIs, optar por anestesia geral, cirurgia aberta ao invés de laparoscópicas, sala com pressão negativa, centro cirúrgico longe de áreas Covid e uso de telemedicina no pós operatório. Tanto pacientes como equipe de saúde devem fazer testes da Covid de forma rotineira.

“Os valores são muito claros nesse período de penúria e sofrimento. Há um desamparo e abandono da população com câncer e que não tem acesso, neste momento, aos sistemas de saúde. Não basta cumprir a nossa missão. Temos que usar todas as nossas armas para denunciar a calamidade sanitária, incrementada por questões políticas e ideológicas”, disse Srougi.

Esperanças com Remdesivir – Quais as drogas em teste contra covid-19 e o que realmente funciona? O médico brasileiro André Kalil, atualmente na Universidade de Nebraska, também foi convidado desta sessão científica organizada pela ANM. André Kalil falou sobre a ineficácia ou eficácia reduzida de drogas como cloroquinha e hidroxicloroquina, lopinavir-ritonavir, azitromicina, ivermectina, inibidores de anti-citocinas, favipiravir, a eficácia limitada do plasma convalescente e a esperança com anticorpos monoclonais e policlonais como clones de anticorpos neutralizantes.

André Kalil é um dos autores de estudo que acaba de ser publicado e que avaliou mais de 1.000 pacientes, de 68 centros hospitalares dos Estados Unidos, Europa e Ásia, e que usaram o remdesivir – uma droga desenvolvida para Ebola e que passou por estudos in vitro e em animais expostos ao coronavírus. Os resultados foram animadores, reduzindo os sintomas, a gravidade da doença e o número de dias de internação.

As sessões científicas estão disponível no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Pesquisa e COVID-19

Aumento no número de mortes; queda na arrecadação dos estados; surgimento de gastos impensáveis com uma epidemia; perda de vidas em virtude da Covid-19; necessidade de aprovação rápida de projetos de pesquisa para prevenção, diagnóstico, tratamento de pacientes acometidos pelo novo coronavírus; e avaliação dos efeitos sociais e econômicos das medidas de isolamento. Estes foram alguns dos aspectos abordados em sessão virtual promovida pelas Academias Nacional de Medicina (ANM), Brasileira de Ciência (ABC) e de Ciências Farmacêuticas, evento realizado no dia 21 de maio de 2020, e que reuniu mais de 100 médicos e cientistas.

O presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) e também acadêmico da ANM e ABC, Jerson Lima Silva, mostrou um panorama da produtividade científica brasileira em relação a outros países, alguns modelos de financiamento e a curva de investimentos na área pelo Rio de Janeiro. Ao completar 40 anos, a Faperj tinha expectativas de aporte de recursos no valor de R$ 530 milhões para este ano, de acordo com a Lei Orçamentária Anual, porém foram autorizados R$ 370 milhões e parte desses recursos está sendo investida em pesquisas da Covid-19. Lima Silva ainda apresentou os editais emergenciais que foram lançados em virtude da chegada da pandemia ao país e os projetos aprovados.

O simpósio “Pesquisa na Covid-19” foi organizado pelos acadêmicos da ANM e ABC, Rubens Belfort Jr, presidente da ANM, Marcello Barcinski e Wanderley de Souza.

Ensaios clínicos – O descontingenciamento de R$ 100 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para a pesquisa e a criação da Rede Vírus com foco em fármacos, vacinas, ensaios clínicos, biobanco e estudos sobre impactos sociais contra a Covid-19 foram alguns dos temas abordados pelo acadêmico Marcelo Marcos Morales, Secretário de Políticas para Formação e Ações Estratégicas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC), neste mesmo simpósio.

Segundo Morales, na área de fármacos, foram estudadas duas mil moléculas, sendo selecionadas inicialmente 15 e uma delas, a nitazoxanida – utilizada como antiparasitário – já está sendo testada em 150 pacientes com sintomas leves.

– Este é um estudo multicêntrico que reúne 17 hospitais. Além disso, o país conta com outros 50 ensaios clínicos aprovados por comitês de ética, finalizou.

Investimento de longo prazo -A sequencia completa do genoma viral do novo coronavírus, apenas dois dias após o surgimento do primeiro caso da América Latina, só possível graças a investimentos de longo prazo no Estado de São Paulo, afirmou o pesquisador Luiz Eugênio Mello, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e palestrante do evento promovido pela ANM.

_ Isto só foi possível pois a Fapesp há muitos anos investe no laboratório da professora Ester Sabino, do Instituto de Medicina Tropical da USP.

Recursos – Mais de 2.200 projetos foram enviados ao CNPq, representando uma demanda superior de R$ 1,700 bilhão em um edital emergencial para pesquisa em Covid-19, contou o presidente da instituição, Evaldo Vilela.Segundo ele, o resultado dos 30 projetos aprovados sairá no final de maio e os agraciados trabalharão em rede de pesquisas que podem englobar a biologia, a medicina, as ciências sociais, entre outras áreas.

Já o Diretor da Finep, Alberto Dantas, apresentou as três linhas lançadas pela agência para o enfrentamento da pandemia no Brasil. Com recursos totalizando mais de R$ 890 milhões serão investidos em projetos de pesquisa, subvenção econômica e linhas de financiamento reembolsáveis.

Os recursos disponibilizados serão aplicados em projetos para ampliação da capacidade de processamento de amostras na rede pública, desenvolvimento e fabricação de produtos nacionais como ventiladores. Além disso, segundo Dantas haverá crédito para reconversão industrial, escalonamento de dispositivos médicos e inovação em saúde.

As sessões científicas estão disponível no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Homenagem da Academia à Semana da Enfermagem

Em um simpósio virtual, no dia 14 de maio de 2020, idealizado pelo acadêmico Celso Ferreira Ramos Filho, a Academia Nacional de Medicina (ANM) convidou 12 palestrantes expoentes em diversos setores da área de enfermagem que abordaram temas relevantes, especialmente, nesse momento, onde a atividade da enfermagem tem um papel importantíssimo na linha de frente contra a pandemia por Covid-19.

O encontro virtual contou com a abertura do presidente da ANM, Rubens Belfort Jr , e apresentações de diversos convidados como Elizabeth Iro, Chief Nursing Officer da OMS; Almerinda Moreira, presidente da Academia Brasileira de História da Enfermagem; Carla Luzia França Araújo, diretora da Escola de Enfermagem Anna Nery; Silvia Cassiani, Regional Advisor on Nursing da Opas; Heimar de Fátima Marin, editora chefe do Journal Medical Informatics; Janine Schirmer, diretora da Escola Paulista de Enfermagem; Nísia Trindade, presidente da Fiocruz; Denise Pires de Carvalho, reitora da UFRJ; Ricardo Silva Cardoso, reitor da UniRio; Lincoln Ferreira, presidente do Conselho Federal de Medicina; Manoel Carlos Neri da Silva, presidente do Conselho Federal de Enfermagem; Francisca Valda da Silva, presidente da Associação Brasileira de Enfermagem e o acadêmico Ronaldo Damião, também diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto da Uerj.

A presidente da Academia Brasileira de História da Enfermagem, Almerinda Moreira, pediu um minuto de silêncio, durante o evento virtual, em memória de todos os profissionais de enfermagem e de saúde que perderam a batalha contra o novo coronavírus.

A professora fez uma breve apresentação sobre a criação das escolas de enfermagem no país, a partir do Decreto de 1890, do Marechal Deodoro da Fonseca. Na época, as mulheres eram as que mais escolhiam exercer a atividade e os atributos necessários eram: alfabetizadas, maiores de 18 anos, dóceis, leais e devotadas. E foi através da enfermagem que a mulher conseguiu entrar no mercado de trabalho.

Convidada para as homenagens, a diretora da Escola de Enfermagem Anna Nery da UFRJ, Carla Luzia França Araújo, destacou o papel primordial da enfermagem para fortalecer também a atenção primária a saúde.

Já a editora chefe do Journal Medical Informatics e membro da American Academy of Nursing, a enfermeira Heimar de Fátima Marin, enfatizou que não é só a tecnologia que irá trazer conforto e bem-estar ao paciente. “A enfermagem precisa de compaixão e empatia. Cuidar das pessoas nunca será obsoleto”.

Tanto a presidente da Fiocruz,Nísia Trindade Lima, como a reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, ressaltaram a importância da valorização da enfermagem no SUS. São 12 milhões de profissionais que precisam de valorização. “A enfermagem mantém acesa a chama do cuidado”, disse a reitora da UFRJ. Pires de Carvalho também destacou que é brutal, em muitos casos, as condições de trabalho da categoria e a exposição a doenças.

Ano Internacional da Enfermeira Obstétrica – O acadêmico Jorge Rezende foi outro dos convidados para o evento. Ele falou sobre a enfermagem obstétrica. Segundo dados apresentados, mais de 80% de todas as mortes maternas, natimortos e óbitos neonatais do mundo podem ser evitados através da inserção da assistência de enfermeiras obstétricas qualificadas, inclusive no planejamento familiar, com recursos materiais, estruturais e humanos. E lembrou que, no Brasil, a enfermagem obstétrica é um dos pilares da Rede Cegonha, programa do Ministério da Saúde desde 2015.

“Urge o trabalho interdisciplinar entre médicos e enfermeiros na assistência ao parto e no nascimento, neste momento crítico da pandemia, com práticas de cuidados baseadas em evidências e com centralidade na mulher. Este se configura como um dos passos mais desafiadores e importantes para a efetiva qualificação da atenção obstétrica no mundo”, destacou o acadêmico.

A dama da lâmpada – Florence Nightingale ficou conhecida como a “dama da lâmpada”. Em 1854 foi enfermeira de guerra e, durante os combates, de lanterna na mão percorria as enfermarias dos acampamentos, durante a noite, atendendo os soldados doentes.

Nessa sessão científica virtual, o acadêmico Celso Ferreira Ramos Filho apresentou uma breve biografia de Nightingale, conhecida como precursora das ações de cuidado, tendo despertado o conceito de enfermagem no mundo.

Enfermeira por educação e apaixonada por gráficos, ela foi responsável por criar um dos gráficos que mudaria a percepção de infecção hospitalar e os óbitos em consequência dessas infeções.

Florence desenhou, pintou e mostrou ao mundo que as infecções hospitalares e as más condições de cuidados com os pacientes matavam mais do que as batalhas. O gráfico criado por Florence, conhecido popularmente como “Diagrama de causas de mortalidade” traduziu em formato de imagem, o que os números mostravam.

As sessões científicas estão disponível no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS

Foro Iberoamericano sobre Coronavirus

A pandemia da desigualdade e a vulnerabilidade dos cidadãos; confinamento, saúde mental e violência; a disponibilidade de testagem em massa e as curvas epidemiológicas; os diferentes sistemas de saúde e opções de tratamento; os governos e as ações econômicas. Estes foram alguns dos temas abordados por 10 academias de medicina de países da América Latina e mais Portugal e Espanha durante cinco horas de debates online, no dia 07 de maio de 2020.

Promovido pela Academia Nacional de Medicina, o Fórum Ibero-Americano de Covid-19 reuniu Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Equador, Uruguai, além de Portugal, Espanha e Brasil.

Do encontro, os mais de 150 participantes puderam identificar estratégias de sucesso contra a Covid-19 adotadas em países como Portugal, Costa Rica e Uruguai e o que levou a situações críticas como no Equador.

Ao final, os representantes das academias de medicina decidiram redigir um documento sobre saúde e desigualdades em países mais pobres e emergentes, ressaltando que a ciência e a medicina têm papel preponderante contra as desigualdades e na busca de soluções para epidemias ou pandemias como a Covid-19.

As sessões científicas estão disponíveis no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Efforts to Cope With COVID-19: Chinese Center for Disease Control and Prevention

Os chineses trouxeram oito lições de como enfrentar a pandemia por Covid-19, incluindo a resposta científica; as medidas recomendadas pela saúde pública; quais foram os gargalos e as soluções para os momentos críticos; como conseguiram a mobilização da sociedade; a importância na transparência e circulação de informações sobre a evolução da epidemia; a cooperação internacional e o suporte logístico para combater o coronavírus.

Dr. Zunyou apresentou as quatro linhas de defesa contra a propagação do vírus que foram adotadas em Wuhan, nas cidades vizinhas da província de Hubei e em Beijing. Entre as ações, todas foram realizadas de forma precoce, com destaque para detecção, notificação, isolamento e tratamento. Além disso, ações foram implementadas “para as pessoas e pelas pessoas”, desinfecção das comunidades, buscando o engajamento e educação em saúde, em diferentes plataformas e com a parceria de instituições científicas e a cooperação dos meios de comunicação tradicionais, redes sociais e companhias de celulares. O resultado foi o alcance de 188 milhões de chats para esclarecimento de dúvidas.

O Centro de Controle de Doenças na China produziu 35 guias de saúde e 31 vídeos para diferentes públicos com enfoques sobre prevenção para população em geral, grupos de risco, profissionais de saúde e viajantes. Se proteja e proteja os outros. Esta é a principal mensagem.

Wuhan na guerra contra a Covid-19 – O que os médicos chineses podem nos ensinar? Dr. Wei Chen, membro da equipe médica anti-Covid-19, em Wuhan, também participou de sessão científica promovida pela Academia Nacional de Medicina, em abril, e expôs o esquema de guerra que foi montado para o atendimento dos pacientes contaminados pelo novo coronavírus.

Chen ressaltou, principalmente, o cuidado dispensado às equipes de profissionais de saúde dos hospitais de Wuhan, tendo treinamentos para uso de EPIs individuais, além de um responsável exclusivamente para proteção dos médicos e enfermeiros, evitando possíveis contaminações. As alas do hospital foram separadas em contaminadas e limpas com regras diferenciadas. Mais de 42 mil profissionais de saúde foram enviado para Wuhan durante a epidemia e nenhum, segundo ele, foi contaminado pelo vírus, segundo Chen.

Dr. Chen, oriundo do Shanghai Ruijin Hospital e da Universidade Shanghai Jiao Tong, contou que, entre fevereiro e março de 2020, 90 pacientes deram entrada em um dos hospitais em Wuhan, sendo 68 pacientes graves e 22 críticos. Cerca de 90% dos pacientes tinham outras doenças associadas. Ao final, 90% se curaram.

Sobre o momento atual (abril 2020), a China faz um controle rígido da circulação do vírus com testagem e monitoramento dos indivíduos antes da entrada em transporte público e durante o expediente no trabalho. Qualquer alteração, o indivíduo é encaminhado para um serviço de saúde.

Coalizão Covid-19 Brasil – Aliar a pesquisa clínica, cujos custos são bastante altos, à assistência já prestada ao doente é uma das propostas do médico Renato Delascio Lopes, da Duke University, nos Estados Unidos, que foi outro dos convidados da sessão científica, em abril de 2020.

Delascio Lopes é especialista em síndrome respiratória aguda em idosos e mostrou dados da Coalizão Covid-19 no Brasil, que visa acompanhar, a longo prazo, participantes de diferentes localidades, através do registro de casos suspeitos e confirmados da doença.

O projeto começou em março de 2020, os protocolos da pesquisa foram submetidos à Plataforma Brasil para pesquisa com seres humanos e aprovados imediatamente. Ao final de 19 dias, os participantes começaram a ser recrutados dentro dessa Coalizão Covid-19.

A Coalizão dividirá os doentes em quatro grupos. No total participarão 1.800 indivíduos que serão tratados com a associação de diferentes medicamentos para Covid-19.

Participam deste projeto, os hospitais Albert Einstein, do Coração, Sírio Libanês, Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz e Beneficência Portuguesa de São Paulo. Delascio Lopes espera, no futuro breve, apresentar os resultados sobre os desfechos clínicos e qualidade de vida.

As sessões científicas estão disponível no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Efforts to Cope With COVID-19: Académie Nationale de Médecine de France

A Academia Nacional de Medicina promoveu encontro virtual com médicos e especialistas em Covid-19 oriundos da Academia Francesa de Medicina. O encontro, aberto ao público e transmitido por diferentes plataformas virtuais, aconteceu no dia 23 de abril de 2020, e reuniu mais de 160 expectadores. A discussão focou em estratégias de tratamento, testagem e o fim do confinamento.

À frente do Brasil na evolução da pandemia, os médicos franceses contaram aos brasileiros como se organizaram para sair da quarentena a partir de maio de 2020. Entre os tópicos abordados, a educação, economia, cultura, respeitando-se a segurança de todos.

A Academia francesa orientou que a saída do isolamento não ocorresse simultaneamente em todas as províncias do país, tampouco em todas as cidades de uma mesma província, ao mesmo tempo, mas sim uma a uma, priorizando aquelas que apresentassem taxas de transmissão mais baixas.

Christine Rouzioux, ex-chefe do Departamento de Virologia do Hospital Necker APHP, esclareceu que, iniciado o processo de reabertura, o objetivo foi testar todos os pacientes sintomáticos, aumentando o número de exames semanais de 150 mil para 500 mil. Após serem identificados, os pacientes diagnosticados com Covid-19 deveriam manter-se em isolamento.

Rouzioux alertou que essas precauções continuarão sendo necessárias após a suspensão do isolamento, devido à estimativa de uma baixa taxa de imunidade contra o SARS-Cov-2 – percentual que se acredita estar entre 2 e 10% da população, mesmo nas regiões onde houve maior infecção.

As estratégias brasileiras – O médico Esper Georges Kallás, titular do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, falou sobre a eficácia e riscos de drogas como remdesivir, galidesivir e hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19.

Esper ainda mostrou resultados de testes realizados com os antivirais arbidol (umofenovir) e lopinavir – este último prescrito para o tratamento do HIV – e que não trouxeram resultados favoráveis. Remdesivir e galidesivir, dois antivirais de amplo espectro, e favipiravir, medicação muito utilizada em pacientes de Covid-19 no Japão, mas ainda em análise.

Mapa de contaminação para fim da quarentena – Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o Instituto Semeia, Grupo Fleury e Ibope lançaram uma iniciativa de mapear a exposição da população de bairros da capital paulista à infecção da Covid-19. Este foi o tema do acadêmico Rui Maciel, na mesma sessão conjunta com os franceses.

O objetivo, segundo o acadêmico Rui Maciel, era descobrir quantas pessoas já estariam imunes, para que os governos traçassem estratégias com o objetivo de flexibilizar as medidas de isolamento social e planejar o fim da quarentena, sem riscos de uma segunda onda de infecção. O projeto aguardava, em abril, a aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

Testagem em massa – O acadêmico Rui Maciel abordou ainda o tematestagem em massa, que tem demostrado uma boa estratégia para conter a contaminação pelo novo coronavírus. Mas quais os exames estão disponíveis no Brasil? Quando solicitá-los e como interpretá-los? Estas perguntas foram respondidas por ele, durante a sessão.

Entre as opções diagnósticas utilizadas no país, Rui relacionou os exames de RT-PCR, que é uma técnica molecular que utiliza informações do RNA do vírus para sua detecção. Este teste pode ser feito com amostras coletadas da nasofaringe e orofaringe ou secreção das vias aéreas, devendo ser coletado entre o 3 e 10º dia, desde o surgimento dos sintomas, pois ao final deste período a quantidade de RNA tende a diminuir. Possui alta sensibilidade, porém isso varia de acordo com a data em que o material foi colhido e com os cuidados criteriosos para garantir a qualidade da amostra e do processamento. O resultado apresenta alta especificidade, sendo muito confiável.

Outro exame disponível é a sorologia que avalia a reposta imunológica do corpo feitos a partir da detecção dos anticorpos IgA, IgM (infecção recente) e IgG (infecção anterior há três semanas), encontrados no sangue do paciente. Para ter maior sensibilidade, recomenda-se que seja feito a partir do 10º dia dos primeiros sintomas. Possui alta especificidade se respeitados os prazos para realização do exame, entretanto se realizado fora deste prazo, pode apresentar um falso negativo.

Os testes rápidos também estão disponíveis, porém apresentam sensibilidade e especificidade menores comparados aos outros métodos. Segundo Maciel, a utilização destes pode ser feito para estudos epidemiológicos. O acadêmico também comentou sobre a utilização da tomografia computadorizada de tórax que tem demonstrado bons resultados.

Diferentes faces da Covid – A infecção pelo novo coronavírus provoca em cada indivíduo contaminado reações diferenciadas e que devem, segundo a professora da UFRJ e acadêmica da ANM, Patrícia Rocco, levar a um tratamento individualizado. A acadêmica foi outra das expositoras da sessão conjunta com os francês.

Nem todo paciente grave deve receber o mesmo tipo de ventilação mecânica. A Síndrome Respiratória Aguda Grave pode ocorrer em função da ventilação e não em virtude da contaminação por Covid-19. Por isso, Rocco recomenda que as estratégias de ventilação devem ser baseadas nos resultados dos exames de tomografia computadorizada de cada um e associadas a outros parâmetros clínicos.

Três estágios da Covid-19 – Outro convidado desta sessão, foi o acadêmico Daniel Tabak, que falou sobre a capacidade do novo coronavírus de se proliferar no corpo de forma muito rápida e em três estágios distintos. São eles:

Estágio I: a fase inicial de resposta viral, em que aparecem os sintomas clássicos como febre acima de 37,8°, tosse seca, diarreia, acometendo o intestino e a perda do olfato e paladar. Neste momento, aparecem também sinais hematológicos na coagulação, em marcadores que podem indicar lesão em algum órgão, entre outros.

Estágio II: na fase pulmonar, a doença apresenta uma progressão rápida e iniciam-se sintomas como falta de ar e diminuição das taxas de oxigênio no sangue ou nos tecidos. É neste momento que o exame de tomografia apresenta anormalidades e a função hepática pode apresentar comprometimento.

Estágio III: a fase da hiperinflamação corresponde ao maior nível de agravamento, quando o corpo reage de forma exacerbada ao vírus. Neste estágio, o paciente já apresenta Síndrome Respiratória Aguda Grave e comprometimento que pode afetar múltiplos órgãos como coração, rins, olhos, sistema vascular e até o cérebro.

Desta reunião, a Academia Nacional de Medicina e a Académie Nationale de Médicine publicaram um documento oficial que pode ser acessado em https://bit.ly/37IFlc5.

As sessões científicas estão disponíveis no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Efforts to Cope With COVID-19: UK Academy of Medical Sciences

Mais de 140 expectadores participaram da sessão virtual promovida pelas Academias de Medicina do Brasil e do Reino Unido, no dia 16 de abril de 2020, para conhecer as ações de cada nação no enfrentamento da Covid-19. Além dos dois países, representantes do Chile, Argentina, Venezuela e Espanha também estavam conectados. No encontro, a importância da colaboração internacional no contexto de uma crise global de saúde. A vice-presidente internacional da Academia de Ciências Médicas do Reino Unido, professora Dame Anne Johnson, falou sobre a necessidade de buscar diálogo com os colegas ao redor do mundo e de trabalharem juntos de forma multidisciplinar.

O professor Mervyn Singer, da University College London, foi outro dos convidados. Em sua apresentação, evidenciou a relevância das colaborações com equipes médicas da China e Itália, países que foram atingidos antes pela atual pandemia, visando entender protocolos médicos adotados com os pacientes tanto no que tange à medicação quanto ao uso de equipamentos de suporte ventilatório.

Parcerias internacionais também foram destaque na fala da professora Maria Zambon, da Public Health England, ao apontar como o Reino Unido conseguiu produzir testes mais rapidamente devido à cooperação com a Alemanha e Hong Kong. Maria Zambon frisou os benefícios da articulação permanente dentro da comunidade científica internacional.

A transmissão viral da Covid-19 a partir da perspectiva comportamental foi o tema da professora Susan Michie, da University College London, em apresentação na mesma sessão científica. Susan é membro do Grupo Consultivo Científico em Emergência, que fornece aconselhamento científico ao governo britânico sobre o gerenciamento da pandemia de Covid-19. Michie descreveu abordagens e estratégias que devem ser adotadas no sentido de orientar a população quanto às medidas de prevenção de contágio e mitigação da crise.

Comunicação clara com a população, que deve ter amplo acesso às informações sobre a doença e as formas de contágio e prevenção, foram as principais recomendações de Michie. Além do conhecimento, é fundamental que as pessoas se sintam motivadas, com mensagens positivas, a aderir às recomendações dos órgãos de saúde, mas é fundamental que haja condições para essa adesão. Celebrar e parabenizar as ações daqueles que estão cooperando com o esforço coletivo e os resultados obtidos também contribuem com o sucesso das políticas adotadas.

Impacto das desigualdades – Pelo Brasil, participaram desta sessão, o acadêmico Paulo Buss e o professor emérito da Universidade Federal da Bahia e também pesquisador da Fiocruz/Bahia, Maurício Barreto.

As curvas de evolução do contágio pelo novo coronavírus, as desigualdades na distribuição dos serviços de saúde, água e saneamento, os impactos sociais da crise no Brasil, e as estratégias para sua contenção foram temas amplamente discutidos por ambos os convidados brasileiros.

Para além da escassez de recursos materiais como respiradores e da distribuição desigual, entre as regiões brasileiras, de leitos de UTI, Maurício destacou a diminuição, verificada nos últimos anos, do percentual de médicos com treinamento em terapia intensiva, bem como a concentração desses profissionais na região Sudeste, sobretudo em São Paulo, onde estão quase 30% desses especialistas.

Buss ressaltou a população invisível, os moradores de rua e os mais desassistidos nas comunidades de baixa renda e, apesar do SUS oferecer acesso universal, destacou que a falta de saneamento básico e água tratada serão grandes entraves para barrar a explosão da epidemia no país. Buss alertou ainda sobre o impacto da decisão do Governo de Donald Trump de suspender a doação de recursos financeiros pelos Estados Unidos para a Organização Mundial da Saúde.

Deste encontro, uma declaração conjunta da Academia Nacional de Medicina e da UK Academy of Medical Sciences sobre Covid-19. Para acessar o documento na íntegra, o link é https://bit.ly/37IruTu.

As sessões científicas estão disponíveis no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Brasil e Portugal na luta contra a Covid-19

O que une Brasil e Portugal na pandemia de Covid-19 foi o que interessou aos mais de 100 inscritos na sessão científica promovida, de forma virtual, pela Academia Nacional de Medicina, no dia 09 de abril de 2020.

Participaram deste encontro a presidente da Academia de Medicina de Portugal, Maria de Fátima Carneiro, e o médico intensivista do Hospital de São João, no Porto, José Artur Paiva, também membro da Academia portuguesa.

Os portugueses trocaram experiências com os brasileiros sobre a epidemiologia da doença e formas de tratamento em ambos os países. Dentro da evolução da pandemia, Portugal encontra-se duas semanas a frente do Brasil, tendo sua curva se estabilizado como em um planalto, explicou Artur Paiva.

Portugal se organizou durante seis meses e o Brasil ainda corre contra o tempo para o atendimento dos casos graves durante o pico da doença que é esperado para as próximas semanas.

“Não há ciência sobre o novo coronavírus com mais de três meses. Da epidemiologia da doença ao tratamento ainda precisamos aprender muito”, finalizou o acadêmico de Portugal e presente à reunião, José Artur Paiva.

O que as autópsias podem explicar da Covid-19?

Com este tema, o acadêmico Paulo Saldiva e as médicas Marisa Dolhnikoff e Renata Monteiro, da Faculdade de Medicina, da Universidade de São Paulo, contaram os resultados preliminares de um projeto de autópsias minimamente invasivas para a Covid-19.

Os médicos mostraram os dados obtidos com as análises dos corpos de 10 pacientes, metade de cada sexo, e que morreram com o novo coronavírus. Com idade que variava entre 33 e 83 anos e que estiveram em unidades de terapia intensiva até 15 dias, os corpos dos pacientes foram submetidos a exames post mortem, através de tomografia, ultrassom e microscopia.

Vários órgãos foram estudados como pulmão, fígado, rins e baço. Os resultados mostraram uma agressividade impressionante do vírus e, por que a resposta imunológica frente à inflamação é ruim ainda não se sabe.

Além disso, os pesquisadores abordaram questões importantes das autópsias que permitiram, inclusive, conclusões sobre certos aspectos da doença como a comprovação histológica da formação de trombos na microcirculação pulmonar.

As sessões científicas estão disponíveis no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Atualizações em COVID-19

Na sessão virtual da Academia Nacional de Medicina (ANM), realizada em abril (2/4), o médico Jair de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, apresentou as atualizações do novo coronavírus na área de otorrinolaringologia para cerca de 60 médicos e cientistas da ANM e da Academia Brasileira de Ciências conectados.

Castro reforçou que indivíduos suspeitos ou casos confirmado de Covid-19 não devem utilizar aerossóis e sprays nasais com esteroides para limpeza e lubrificação das vias respiratórias. A contraindicação se deve em função do risco da disseminação do vírus por todo o sistema respiratório e, com isso, provocar a inflamação de diversas áreas e até agravar casos.

Além disso, Castro falou ainda de algumas manifestações inaugurais do Covid-19, como falta de olfato, paladar – características que a comunidade médica deve ficar atenta.

Fígado – Diarreia, náuseas e vômitos podem ser três sinais inaugurais da Covid-19, disse o médico e membro titular da Academia Nacional de Medicina, Carlos Eduardo Brandão, em palestra virtual realizada nesta mesma data, na ANM.

Há outros aspectos a serem observados, segundo Brandão. Entre estes:

2 a 10% dos pacientes, sem doenças hepáticas, apresentam algum grau de alteração no fígado;

Pacientes com doenças hepáticas pré-existentes como Hepatites B e C, têm mais chances de evoluir para a forma mais grave da Covid-19;

O uso de medicamentos como a cloroquina e a hidroxocloroquina pode provocar lesões no fígado;

E por fim, os cuidados durante o tratamento da Covid-19 em pacientes imunossuprimidos ou que tenham feito transplante de fígado.

Grávidas, puérperas e recém-nascidos – O médico e acadêmico Jorge Rezende Filho abordou durante a sessão científica as infecções respiratórias como a H1N1, SARS e a Covid-19 os riscos para gestantes, puérperas e recém-nascidos.

Rezende Filho falou sobre os parcos artigos científicos que estudaram o impacto da SARS-CoV-2 durante o ciclo gravídico-puerperal e a decisão do Ministério da Saúde do Brasil, em seu Boletim Epidemiológico número 4, publicado em 04 de abril de 2020, de incluir gestantes de alto risco e puérperas como uma subpopulação com maior chance de internação em UTI e intubação caso seja acometida pela infecção pandêmica.

Esse status epidemiológico ampliou-se, 09 de abril de 2020, quando o Ministério da Saúde do Brasil, em seu Protocolo de Manejo Clínico da Covid-19 na Atenção Especializada, passou a considerar todas as gestantes, e não apenas aquelas de alto risco, como grupo com maior chance de desenvolver síndrome respiratória aguda grave por Covid-19.

De acordo com informações do Ministério, todas as grávidas ou mulheres que deram à luz por até 45 dias após o parto estão mais suscetíveis aos efeitos da SARS-CoV-2 e, por isso, merecem atenção redobrada pela equipe de saúde.

Aliança contra Coronavírus

As tradicionais sessões científicas e os simpósios da Academia Nacional de Medicina (ANM), que acontecem initerruptamente há 190 anos, foram substituídas por sistema de teleconferências em 2020 e, em virtude da pandemia, os debates são exclusivos sobre coronavírus.

O uso seguro e a eficácia do uso de azitromicina, hidroxicloroquina e de corticoesteróides no tratamento de pacientes internados foi o tema do médico Luiz Henrique Rizzo, do Hospital Einstein, de São Paulo, e um dos convidados pela ANM para discutir formas de enfrentamento da pandemia pelo novo coronavírus.

Rizzo contou aos mais de 60 participantes da sessão científica virtual, no dia 26 de março de 2020, os detalhes do protocolo da Aliança contra o Coronavírus que reúne, além do Einstein, o Hospital do Coração (HCor), o Hospital Sírio-Libanês e a Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). O ensaio clínico será realizado em parceria com o Ministério da Saúde e apoio da empresa EMS. Rizzo ainda comentou sobre o uso de soro de pacientes recuperados da virose por coronavírus em pacientes em tratamento.

Saúde mental na pandemia – O conceito de tempo mudou para as pessoas ao redor do mundo. Se antes tínhamos sempre pressa, agora não sabemos o que fazer no confinamento. Assim, Antonio Egídio Nardi, membro da Academia Nacional de Medicina e professor da UFRJ, abordou o tema saúde mental em tempos de coronavírus, em sessão virtual promovida pela ANM.

Para Nardi, há outros tipos de riscos, além da contaminação pelo vírus, com o isolamento social. No confinamento, as pessoas podem desenvolver ou acentuar quadros de fobias, abusar de bebidas alcoólicas, distúrbios alimentares, desenvolver manias de limpeza e hipocondria, além da probabilidade no aumento da violência contra a mulher ou crianças.

“Para nos mantermos saudáveis mentalmente, nesse período, é muito importante termos horas de sono de qualidade – não mudarmos nosso relógio biológico; investir em uma alimentação saudável, realizar atividades lúdicas e culturais, praticar atividade física, yoga e meditação. Tudo isso pode ser feito em casa”, orientou o acadêmico.

Como a OMS enfrenta epidemias – Um dos acadêmicos convidado para a sessão virtual foi o ex-presidente da ANM, Jorge Alberto Costa e Silva. O ex-presidente falou sobre sua experiência de 20 anos na OMSNa oportunidade abordou as possíveis consequências emocionais do isolamento social.

“Estamos aprisionados por um vírus e devemos enfrentar esse período com equilíbrio e serenidade, pois o isolamento pode e ser um terreno fértil para o aparecimento de distúrbios mentais”. Numa analogia, Costa e Silva disse que nesse momento muitos de nós nos sentimos com um pássaro dentro de uma gaiola batendo as asas nas grades. “Mas o pensamento positivo e a reflexão nos libertarão em breve,” enfatizou o ex-presidente.

Epidemia de Coronavírus – 18 de março de 2020

Confira abaixo comunicado emitido pela Academia Nacional de Medicina em 18 de março de 2020:

Acadêmicos debatem medidas de contenção do coronavírus no Brasil

O cenário não poderia ser outro: muitas perguntas e grandes debates deram o tom do fórum “Medidas de Contenção do Coronavírus”, realizado na noite de ontem (19/03), na sede da Academia Nacional de Medicina. O evento, que foi promovido pela ANM em parceria com a Academia Brasileira de Ciências, contou com as presenças ilustres do presidente da ABC, Luiz Davidovich, de Edmar Santos, Secretário Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, de muitos acadêmicos da ANM, médicos especialistas, do público em geral e de dezenas de jornalistas que cobriram o encontro a fim de disseminar para população informações importantes.

Dentre os temas abordados, as fases de contenção do vírus foi o ponto que causou maior debate entre os participantes, tendo em vista que o Brasil ainda possuiu poucos casos – 77 confirmados – em comparação ao resto do mundo e falou-se muito em quais e quando implementar as medidas para evitar um salto no número de infectados.

Na abertura do evento, o presidente da ANM, Rubens Belfort Júnior, exibiu um vídeo do Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que não pode comparecer devido às urgências presidenciais. Na gravação, Mandetta reforçou a importância do fórum referindo-se aos acadêmicos como “a voz da reflexão” e deixou um recado com orientações de prevenção contra o coronavírus.

“Devemos proteger os idosos, evitar aglomerações e contatos próximos. Os médicos estão na linha de frente nesse combate e vamos encontrar soluções para este e outros problemas que enfrentamos”, declarou o Ministro.

Na primeira palestra, apresentada por Alberto Chebabo, da Sociedade Brasileira de Infectologia, o médico mostrou um panorama mundial da doença, ressaltando suas características – dentre elas o alto potencial infeccioso, porém não tão letal quanto comparado à outras pandemias já enfrentadas – apresentou uma projeção de casos no Brasil e detalhou as três fases de contenção do COVID-19, apresentando medidas – algumas já estabelecidas em outros países – para evitar a propagação do vírus.

Na sequência, Mauro Teixeira, membro da ABC, falou sobre o desenvolvimento de vacinas, medicamentos e tratamentos específicos para o enfrentamento da doença.

“Por muito tempo, acreditamos que não enfrentaríamos maiores infecções. Nos últimos anos, vimos que não é bem assim, como aconteceu com a influenza que ainda continuará sendo um grande problema e agora acrescenta-se os casos do novo coronavírus. O que nós sabemos hoje é que não há tempo hábil para desenvolver uma vacina, criar ou testar um fármaco já existente com segurança. Muitos estudos estão em andamento, discute-se ainda a criação de antivirais de amplo espectro, porém não há evidências de que sejam eficazes e não temos tempo para desenvolver novos medicamentos. Além disso, não há nada aprovado e nem comprovadamente eficaz para tratamento específico. Devemos aprender e utilizar alternativas que dispomos hoje.”, afirmou Teixeira.

Outro ponto bastante discutido foi como o poder público está se preparando para a pandemia e para o aumento dos casos diante da contaminação comunitária. Neste momento, Edmar Santos, Secretário Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, afirmou que o Governo do Estado estuda medidas de contenção que devem ser divulgadas em breve e afirmou que o Rio, em duas semanas, já terá o vírus circulando livremente e em quatro semanas deve-se ter uma epidemia. Apesar de ter todos os seus leitos de terapia intensiva ocupados, disponibilizará 100 novos nos próximos meses e estuda envolver a saúde suplementar para acolhimento de doentes.

Participaram ainda na coordenação do evento, o acadêmico José Medina Pestana e como debatedores os acadêmicos Celso Ferreira Ramos Filho e José Gomes Temporão; Edmilson Migowski, da Academia Nacional de Farmácia, Antônio Carlos Chagas, da Associação Médica Brasileira e a jornalista de ciência e saúde do jornal O Globo, Ana Lúcia Azevedo.

No encerramento da sessão, o presidente da ANM, professor Rubens Belfort Jr. afirmou que não há motivos para pânico, mas sim preocupações em que as pessoas devem buscar informações confiáveis e seguir as orientações das autoridades de saúde, mas sempre verificar se a informação é verdadeira e, principalmente, tomar os cuidados necessários para evitar a contaminação.

A Academia Nacional de Medicina irá emitir, todas as semanas, comunicados para a sociedade brasileira sobre o que fazer e o que não se pode fazer.

Dia Mundial do Rim – Organização: Acadêmico Omar da Rosa Santos

A Academia Nacional de Medicina convida a participar de Simpósio a ser realizado no dia 12 de março de 2020.

Formulário de inscrição

Serão aceitas inscrições presenciais, respeitando-se a lotação do anfiteatro

Acadêmicos debatem medidas de contenção do coronavírus no Brasil

O cenário não poderia ser outro: muitas perguntas e grandes debates deram o tom do fórum “Medidas de Contenção do Coronavírus”, realizado na noite de ontem (12/03), na sede da Academia Nacional de Medicina. O evento, que foi promovido pela ANM em parceria com a Academia Brasileira de Ciências, contou com as presenças ilustres do presidente da ABC, Luiz Davidovich, de Edmar Santos, Secretário Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, de muitos acadêmicos da ANM, médicos especialistas, do público em geral e de dezenas de jornalistas que cobriram o encontro a fim de disseminar para população informações importantes.

Dentre os temas abordados, as fases de contenção do vírus foi o ponto que causou maior debate entre os participantes, tendo em vista que o Brasil ainda possuiu poucos casos – 77 confirmados – em comparação ao resto do mundo e falou-se muito em quais e quando implementar as medidas para evitar um salto no número de infectados.

Na abertura do evento, o presidente da ANM, Rubens Belfort Júnior, exibiu um vídeo do Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que não pode comparecer devido às urgências presidenciais. Na gravação, Mandetta reforçou a importância do fórum referindo-se aos acadêmicos como “a voz da reflexão” e deixou um recado com orientações de prevenção contra o coronavírus.

“Devemos proteger os idosos, evitar aglomerações e contatos próximos. Os médicos estão na linha de frente nesse combate e vamos encontrar soluções para este e outros problemas que enfrentamos”, declarou o Ministro.

Na primeira palestra, apresentada por Alberto Chebabo, da Sociedade Brasileira de Infectologia, o médico mostrou um panorama mundial da doença, ressaltando suas características – dentre elas o alto potencial infeccioso, porém não tão letal quanto comparado à outras pandemias já enfrentadas – apresentou uma projeção de casos no Brasil e detalhou as três fases de contenção do COVID-19, apresentando medidas – algumas já estabelecidas em outros países – para evitar a propagação do vírus.

Na sequência, Mauro Teixeira, membro da ABC, falou sobre o desenvolvimento de vacinas, medicamentos e tratamentos específicos para o enfrentamento da doença.

“Por muito tempo, acreditamos que não enfrentaríamos maiores infecções. Nos últimos anos, vimos que não é bem assim, como aconteceu com a influenza que ainda continuará sendo um grande problema e agora acrescenta-se os casos do novo coronavírus. O que nós sabemos hoje é que não há tempo hábil para desenvolver uma vacina, criar ou testar um fármaco já existente com segurança. Muitos estudos estão em andamento, discute-se ainda a criação de antivirais de amplo espectro, porém não há evidências de que sejam eficazes e não temos tempo para desenvolver novos medicamentos. Além disso, não há nada aprovado e nem comprovadamente eficaz para tratamento específico. Devemos aprender e utilizar alternativas que dispomos hoje.”, afirmou Teixeira.

Outro ponto bastante discutido foi como o poder público está se preparando para a pandemia e para o aumento dos casos diante da contaminação comunitária. Neste momento, Edmar Santos, Secretário Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, afirmou que o Governo do Estado estuda medidas de contenção que devem ser divulgadas em breve e afirmou que o Rio, em duas semanas, já terá o vírus circulando livremente e em quatro semanas deve-se ter uma epidemia. Apesar de ter todos os seus leitos de terapia intensiva ocupados, disponibilizará 100 novos nos próximos meses e estuda envolver a saúde suplementar para acolhimento de doentes.

Participaram ainda na coordenação do evento, o acadêmico José Medina Pestana e como debatedores os acadêmicos Celso Ferreira Ramos Filho e José Gomes Temporão; Edmilson Migowski, da Academia Nacional de Farmácia, Antônio Carlos Chagas, da Associação Médica Brasileira e a jornalista de ciência e saúde do jornal O Globo, Ana Lúcia Azevedo.

No encerramento da sessão, o presidente da ANM, professor Rubens Belfort Jr. afirmou que não há motivos para pânico, mas sim preocupações em que as pessoas devem buscar informações confiáveis e seguir as orientações das autoridades de saúde, mas sempre verificar se a informação é verdadeira e, principalmente, tomar os cuidados necessários para evitar a contaminação.

A Academia Nacional de Medicina irá emitir, todas as semanas, comunicados para a sociedade brasileira sobre o que fazer e o que não se pode fazer.

Research and Policy to Improve Urban Health across Latin America – Organização: Academia Nacional de Medicina, Academia Brasileira de Ciências e UK Academy of Medical Sciences

A Academia Nacional de Medicina convida a participar de atividade a ser realizada no dia 10 de março de 2020.

Formulário de Inscrição

Serão aceitas inscrições presenciais, respeitando-se a lotação do anfiteatro 

Sessão Solene de Posse – Rubens Belfort Jr assume presidência da Academia Nacional de Medicina

O oftalmologista paulista Rubens Belfort Mattos Junior, membro titular da Academia Nacional de Medicina (ANM) e da Academia Brasileira de Ciências, tomou posse como o 66o presidente para o biênio 2020-2021. Em 190 anos, é a primeira vez que um médico de fora do Rio de Janeiro assume a presidência.

Graduado em medicina pela Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) em 1970, Belfort Jr. concluiu doutorado em oftalmologia pela Universidade Federal de Minas Gerais em 1981 e fez outro doutorado, desta vez em microbiologia e imunologia, pela EPM, concluído em 1985. É livre-docente e professor titular de oftalmologia da mesma universidade, pesquisador 1A CNPq, membro titular do Conselho Nacional de Ciências e Tecnologia. Belfort Jr. recebeu, entre outros prêmios, a Medalha ao Mérito Oswaldo Cruz da Presidência da República e a Ordem do Mérito Científico Nacional, Classe Grã-Cruz, além do Prêmio Conrado Wessel. Tem mais de 500 artigos publicados e orientou cerca de 70 doutores, mestres e alunos de iniciação científica.

Eleito membro titular da ANM em 1998, à frente da entidade Belfort Jr. liderará cem dos melhores médicos do país, que se dedicarão às atividades de congregar profissionais em reuniões periódicas com o intuito de debater questões pertinentes à medicina nacional e internacional, incluindo as sessões científicas, que ocorrem toda quinta-feira, além de outros projetos, como se aproximar da sociedade através de conteúdos médicos de forma mais acessível e do programa de incentivo a jovens lideranças médicas.

A cerimônia de posse foi realizada no dia 3 de março de 2020, na sede da ANM. Belfort Jr. recebeu a faixa presidencial das mãos do antecessor na presidência da Academia, Jorge Alberto Costa e Silva.

Sobre a ANM

A história da Academia Nacional de Medicina confunde-se com a história do Brasil. Fundada sob o reinado do imperador D. Pedro I, em 30 de junho de 1829, mudou de nome duas vezes, mas seu objetivo mantém-se inalterado: o de contribuir para o estudo, a discussão e o desenvolvimento das práticas da medicina, cirurgia, saúde pública e ciências afins, além de servir como órgão de consulta do governo brasileiro sobre questões de saúde e de educação médica.

Desde a sua fundação, seus membros se reúnem toda quinta-feira, às 18 horas, para discutir assuntos médicos da atualidade, numa sessão aberta ao público. Esta reunião faz da Academia Nacional de Medicina a mais antiga e única entidade científica dedicada à saúde a reunir-se regular e ininterruptamente por tanto tempo. Mesmo durante a atual pandemia pelo novo coronavírus, em 2020, a Academia Nacional de Medicina manteve a realizar de suas tradicionais sessões científicas de forma virtual, tendo a participação de centenas de médicos, pesquisadores e outros interessados que tiveram a oportunidade de acompanhar os debates com convidados nacionais e internacionais. A Academia também promove congressos nacionais e internacionais, cursos de extensão e atualização e, anualmente, durante a sessão de aniversário, distribui prêmios para médicos e pesquisadores não pertencentes aos seus quadros. Neste ano, foram nove prêmios em diversas categorias e um número recorde de inscritos.

Tradicional Jantar Acadêmico marca final da gestão do Acad. Jorge Alberto da Costa e Silva

No dia 29 de novembro, dia subsequente à eleição da Diretoria do Biênio 2020-2021, Membros Titulares, Honorários e Correspondentes da Academia Nacional de Medicina se reuniram para celebrar o final de mais um ano no tradicional Jantar Acadêmico. O endereço escolhido para a celebração foi o Jockey Club Brasileiro, também escolhido para os jantares de 2017 e 2018, localizado no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro.

O Grande Benfeitor Jorge Jaber, a cineasta Angela Zoé, o Acadêmico Jorge Alberto Costa e Silva e sua esposa, Miriam Gelli

A realização do Jantar Acadêmico também marcou o final do mandato do Acadêmico Jorge Alberto Costa e Silva, cuja gestão teve como marcas a horizontalidade e o consenso, foi iniciada no ano de 2017, sucedendo o Acadêmico Francisco Sampaio. Entre algumas das atividades realizadas, é possível destacar a instituição dos Núcleos de Relações Institucionais da ANM, o incentivo à internacionalização da Academia por meio de convênios e a inauguração do Centro da Memória Médica, considerada vital para a conservação e divulgação do acervo histórico da ANM. Sua construção, principal justificativa para a doação do terreno que abriga a sede da instituição, foi pleiteada por inúmeras administrações da ANM.

No ano em que a Academia Nacional de Medicina comemorou os 190 anos de sua fundação, a significativa participação dos Acadêmicos que residem fora do Rio de Janeiro no Jantar foi fato muito comemorado por todos os presentes.

Acadêmico Eduardo Krieger e o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva

Em momento emocionante da noite, o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva convidou o ex-Presidente Francisco Sampaio e o Presidente Eleito Rubens Belfort para proferirem discursos de agradecimento a todos os presentes, selando a união e o espírito de continuidade das excelentes gestões feitas até aqui. Na sequência, o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva realizou a entrega de Medalha Acadêmica ao Grande Benfeitor Jorge Jaber, que surpreendeu a todos com a apresentação de um vídeo sobre a história da ANM e o término da exitosa gestão.

Vídeo exibido em homenagem à Academia Nacional de Medicina e ao Presidente Jorge Alberto Costa e Silva
Grande Benfeitor Jorge Jaber recebe a Medalha Acadêmica das mãos do Presidente Jorge Alberto Costa e Silva
Confraternização dos Acadêmicos celebrou o fim de mais um importante ano para a Academia Nacional de Medicina

A Academia Nacional de Medicina se encontra em recesso de suas atividades, retornando em 3 de março de 2020, data da solenidade de posse da Diretoria do biênio 2020-2021.

Com votação histórica e clima fraternal, Rubens Belfort é eleito novo presidente da ANM

Após a atualização do Estatuto da Academia Nacional de Medicina, realizada durante a gestão do Acadêmico Jorge Alberto Costa e Silva, ocorreu, na última quinta-feira (28), a eleição para a Diretoria do biênio 2020-2021. Fundada sob o reinado do imperador D. Pedro I, em 30 de junho de 1829, a Academia é a instituição científico-cultural mais antiga do Brasil, e já teve como Presidentes importantes nomes da Medicina brasileira – eleito, o Professor Rubens Belfort deixa sua marca como 66º presidente da instituição.

O Presidente Jorge Alberto Costa e Silva conduziu os trabalhos da eleição, que contou com a presença massiva do Corpo Acadêmico

Concorrendo em chapa única, a eleição do Acadêmico reúne diversas peculiaridades: Rubens Belfort é o primeiro presidente eleito para a Academia Nacional de Medicina que reside fora do Rio de Janeiro. Sua eleição reafirma o caráter nacional da instituição, que também é reforçado pelo fato de o Acadêmico ser membro de outras importantes instituições científicas nacionais, como a Academia Brasileira de Ciências – antes de Belfort, o último presidente da ANM a ser membro das duas instituições foi o Dr. Olympio Oliveira Ribeiro da Fonseca, que presidiu entre os anos de 1961 e 1963.

Eleito como Membro Titular em fevereiro de 1999, Rubens Belfort tomou posse no dia 25 de maio de 1999 para a cadeira de número 64 da Secção de Cirurgia, patronímica de Henrique Guedes de Mello, em decorrência do falecimento de Carlos Paiva Gonçalves. Nascido em São Paulo, o Acadêmico graduou-se em Medicina em 1970, pela Escola Paulista de Medicina, hoje Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP onde também se especializou em Oftalmologia. Na EPM ocupou várias posições, incluindo de Professor Assistente, Professor Adjunto, Livre Docente, Coordenador de Residência, Coordenador do Curso de Pós-Graduação, Chefe de Disciplina e Chefe do Departamento de Oftalmologia, além de Membro da Congregação da EPM e do CONSU da UNIFESP. Na instituição, é Professor Titular de Oftalmologia desde 1981. É Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico da Presidência da República e cientista nível 1-A do CNPq.

Outros grandes nomes da instituição foram consagrados nesta eleição, em chapa que reúne tanto novos membros da instituição, como o nefrologista José Osmar Medina, o cirurgião plástico José Horácio Aboudib Jr. e o radiologista Giovanni Guido Cerri, e também nomes consagrados da egrégia casa, como o também nefrologista Omar da Rosa Santos e o patologista Carlos Alberto Basílio de Oliveira. Além deste fato, a gestão também promete dar continuidade aos principais projetos em curso na instituição, valorizando uma gestão horizontal e em constante contato com as gestões dos Acadêmicos Jorge Alberto Costa e Silva (2017-2019) e Francisco Sampaio (2015-2017).

A eleição, que contou a presença significativa dos Acadêmicos – foram registrados no Livro de Presença 81 presentes, entre Membros Titulares e Eméritos – consagrou a nova Diretoria, que registrou um dos maiores índices de aprovação em eleições da ANM. A solenidade de posse da nova Diretoria está agendada para o dia 3 de março de 2020, a ser realizada na sede da instituição, no Rio de Janeiro. Confira a seguir a composição da nova diretoria: Rubens Belfort Mattos Jr. (Presidente), José Galvão-Alves (1º Vice-Presidente), Omar da Rosa Santos (2º Vice-Presidente), Ricardo Cruz (Secretário-Geral), Carlos Eduardo Brandão Mello (1º Secretário), José Horácio Aboudib Jr. (2º Secretário), Oswaldo Moura Brasil (Tesoureiro), Milton Meier (1º Tesoureiro), Manassés Claudino Fonteles (Orador), Carlos Alberto Basílio (Diretor de Biblioteca), Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro (Diretor de Arquivo), Giovanni Cerri (Diretor de Museu), José Osmar Medina (Presidente da Secção de Medicina), José Camargo (Presidente da Secção de Cirurgia) e Marcello Barcinski (Secção de Ciências Aplicadas à Medicina).

Ao final das eleições, no clima fraternal que é característico da quase bicentenária instituição, foi oferecido um coquetel a todos os presentes, congregando membros da atual gestão e das gestões anteriores com os demais Acadêmicos e convidados, que expressaram júbilo pela noite história transcorrida na Academia Nacional de Medicina.

Acadêmicos Francisco Sampaio, Carlos Paiva Gonçalves Filho e Rubens Belfort durante o coquetel realizado após a eleição

Academia Nacional de Medicina realiza Simpósio Internacional da Captação de Transplantes e de Pós-Graduação em Cirurgia

As atividades científicas do dia 21 de novembro abordam a Captação de Transplantes e Pós-graduação em Cirurgia, organizado pelos Acadêmicos Pietro Novellino, Silvano Raia, José Galvão-Alves e Rossano Fiorelli com a coordenação de Joaquim Ribeiro Filho, Ricardo Ribas e Flávio Sá Ribeiro que movimentaram a sede da academia.

O primeiro abordou a Captação de Transplantes, e o segundo deu enfoque na Pós-graduação em Cirurgia. Na captação de órgão foi apresentada a legislação na doação de órgãos, pela Dra. Daniela Salomão do SNT, que consta com um programa seguro, auditável e transparente com objetivo da melhoria do cuidado com o doador para a sobrevida do paciente, e a definirão de indicadores e parâmetros de qualidade mínimo será construída com o apoio da ABTO.

Organizadores do evento: Acadêmicos Silvano Raia, Pietro Novellino e Rossano Fiorelli

Seguido com a programação, o Dr. Gabriel Texeira, que fala sobre “Programa Estadual de Transplantes”, lançado em abril de 2010 e é responsável pela aplicação do novo Regulamento Técnico elaborado pelo Ministério da Saúde, através do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) no Estado do Rio de Janeiro. Criado com o objetivo de aumentar o número de transplantes de órgãos e tecidos no Estado do Rio de Janeiro, o programa investiu na implantação de quatro Coordenações Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Hospital Estadual Getúlio Vargas, Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, Hospital Estadual Azevedo Lima e Hospital Estadual Alberto Torres). Esta iniciativa proporcionou um contato direto entre os médicos que cuidam de possíveis doadores e os familiares destes pacientes. A partir da criação do programa, o número de hospitais credenciados ao Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar transplantes de fígado, rins, coração, pâncreas e córneas também aumentou, e um banco de olhos foi inaugurado em Volta Redonda.

“O fomento da Pós-Graduação no Estado do Rio de Janeiro” é tema de Acadêmico Jerson Lima, Presidente da FAPERJ, que ressalta o valor econômico da ciência para a sociedade e o seu impacto, descrevendo a importância da pesquisa pública, que gera riquezas entre 3 a 10 vezes maiores que o valor investido, impacta diretamente na qualidade e expectativa de vida. Ele incluí em sua fala as missões da FAPERJ, como implementação e valorização do sistema C,T&I no Estado do Rio de Janeiro, promovendo sua ligação entre o mesmo e a sociedade, enquanto avalia o impacto dos investimentos, e acompanhamento dos projetos aprovados. O aumento dos investimentos em C,T&I pode ser medido pela excelência na pós-graduação, com a melhor no nível de avaliação dos programas, na pesquisa, que aumentou em 66%, na excelência universitária, aonde 4 das universidades do Rio de Janeiro estão entre as 20 melhores do país, a atração de centros de pesquisas dentre outros diversos.

Dando prosseguimento ao evento, o Acadêmico Marcelo Marcos Morales, Secretário de Políticas para Formação e Ações Estratégicas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, abordou o tema “Ciência da Saúde: Ações do MCTIC”. A missão do MCTIC é de produzir riqueza para o Brasil, contribuir para a qualidade de vida dos cidadãos e produzir conhecimento. A SEFAE atua no planejamento e articulação de políticas voltadas para formação de recursos humanos em C&T, infraestrutura de pesquisa e promoção da Pesquisa e Desenvolvimento em áreas estratégicas. Alguns de seus programas estratégicos são: Ciência na Escola, Saúde na Ciência, Ciência para Desafios Globais, Ciência para o Biofuturo da biodiversidade a bioeconomia e a Infraestrutura para Ciência. O Acadêmico dá destaque as chamadas CNPq para Ciências da Saúde de 2018 a 2019, que totalizaram um total de 15 chamadas e mais de 100 Milhões de reais dedicados a pesquisas para a saúde no Brasil.

Dr. Ricardo Zorron, diretor do departamento de cirurgia bariátrica e metabólica no Hospital Acadêmico da Universidade de Charité e Professor de pós-graduação da UNIRIO tem com tema a “Inovação em Cirurgia”. Pesquisas feitas em animais trouxeram maiores seguranças para a evolução de cirurgias via transorais. Foi produzido um estudo de 362 pacientes NOTES mostrando resultados das inovações cirúrgicas sem a necessidade de incisões agressivas ao corpo. Alguns desafios técnicos são de exposição, limitação de movimento, a visualização e a sutura. Porém o caminho das cirurgias endoscópicas abre um leque de opções para pacientes em situações debilitantes ou incapacitantes.

Acadêmicos Francisco Sampaio, José Galvão Alves, Jorge Alberto Costa e Silva, Pietro Novellino e Rossano Fiorelli

O Dr. Marcus Vinicius Henriques Brito apresenta “Evolução dos mestrados profissionais e perspectiva dos doutorados profissionais em cirurgia”. Os mestrados profissionais no Brasil apareceram na década de 90 e esta vinculado com a residência, tendo aplicabilidade imediata. Há um plano de trabalho com objetivo de reduzir assimetrias intercursos e interinstitucionais para uma produção técnica de qualidade, incrementando parcerias com o setor privado, para finalizar o quadriênio com pelo menos 4 programas nota 4. O professor nota alguns problemas a serem observados como mudanças na coordenação, incoerência da realidade, parcerias com a iniciativa privada, fraca captação de recursos e pobre internacionalização e inserção dos programas.

Encerrando o evento, a Prof. Denise de Freitas da UNIFESP, membro do CTC-ES CAPES, apresenta “Situação Atual da Pós-Graduação sctricto-sensu na Área Cirúrgica”. A CAPES é uma fundação vinculada ao Ministério da Educação e atua na expansão e consolidação da pós-graduação stricto sensu brasileira. O Sistema Nacional de Pós-graduação passou por uma política de expansão, focando no retardo da medicina, tendo um aumento de 11% dos Mestrados e 68% dos Doutorados em Medicina no Brasil de 2008 a 2018. A CAPES tem um plano de Aprimoramento do Sistema de Avaliação para 2021 para implementar a criação e revisão das normas da pós-graduação, a Plataforma Sucupira, Qualis Periódicos de Referência, Revisão da Ficha de Avaliação, Planejamento Estratégico da Pós-Graduação, a Autoavaliação e o CONECTI.

ANM no Intercambio Franco Brasileiro sobre Melhor envelhecimento

Iniciando as palestras do Simpósio, a doutora Luciana Branco da Motta da UFRJ lesiona sobre “Questões Relacionadas ao envelhecimento no Brasil” mostrando um processo de envelhecimento do Brasil de forma muito significativa, em torno de 45% da população. Afirma que o Brasil vive por uma série de óbitos em residências relacionado ao envelhecimento das doenças crônicas. O IBGE aponta uma distância cada vez maior entre as massas da sociedade impacta diretamente com o envelhecimento do país e como ele ocorrerá. A apresentadora fala das políticas que afetam diretamente a população de idade avançada, em especial sobre um plano de atenção pra o envelhecimento, diretrizes PNSPI trazem organização que traz uma série de contribuições resultantes para a busca de um envelhecimento saudável. A ANS lançou a ideia da prevenção de saúde e prevenção de riscos para uma abordagem ampla para diminuição do risco de doenças crônicas mesmo dentro do meio privado. Concluindo sua fala, a doutora fala sobre a formação dos geriatristas no brasil, e sobre a falta de conteúdo em relação à área, e o encurtamento dos profissionais de saúde da área.

O Presidente Jorge Alberto Costa e Silva em foto com a delegação francesa durante o Intercâmbio Franco-Brasileiro sobre Melhor Envelhecimento

Seguindo com as palestras, o Professor Joel Belmim do Hospital Chaler Foix e da Universidade Sorbonne fala sobre “Os desafios do envelhecimento na França”, falando sobre o envelhecimento mundial como um todo, a sua evolução de 2015 á 2050, com uma estimativa que em 2050 as pessoas com mais de 60 anos se totalizarão em 2000 milhões de pessoas, ou seja, 22% da população mundial. Ele fala que o desafio do século 21 é a longevidade das pessoas, aonde a expectativa de vida aumenta, com as mudanças nos sistemas de saúde assim como as mudanças da sociedade, com a questão da economia e aspectos sociológicos. O professor ver como consequência disso, a crescente criação de famílias que incluem quatro gerações; um novo período da vida humana, além das consequências econômicas, assumindo a necessidade de gastos para cm a saúde dessa população de idade mais avançada, pensões, assistências e consumo, criando todo um novo setor da economia específico, tendo como público alvo essa geração de pessoas de idade avançada que envelheceram de forma saudável.

Para a sociedade francesa, a posição dos mais velhos torna-se complexa, com a criação de novos estereótipos ligados a problemas intergeracionais, e com a necessidade da criação de políticas para indivíduos que se encaixem nessa faixa etária. Alguns problemas de saúde específicos acometerão esses indivíduos, como multicomorbidades, a dependência de outros e organizações de cuidados específicos, já que a prevalência de doenças crônicas cresce ao lado da idade dos indivíduos, assim como a dependência de outros. Essa dependência implica com custos anuais, e uma alocação personalizada da economia para esse objeto em questão. Finalizando, ele fala de desafios e problemas para o futuro, como a qualidade do cuidado, novos tipos de assistências home care, o papel da tecnologia em melhorar os cuidados com a saúde e auxiliar a vida e a prevenção de riscos.

O Professor Bernard Charpentier, ex-presidente da FEAM e membro da Academia Francesa de Medicina, tem como tema “Relatório europeu da SAPEA sobre o envelhecimento da sociedade europeia”. O objetivo da instituição é mostrar evidências baseadas em políticas europeias independentes e interdisciplinares para a Comissão Europeia, combinando recursos de 100 academias individuais pela Europa, com centenas de seguidores, cobrindo todas as disciplinas (social, humana, natural, engenharia e ciências médicas). Para isto, é usado um mecanismo chamado de SAM, anunciado em maio de 2015 com o objetivo de assegurar o acesso ao melhor conselho cientifico possível independente de interesses institucionais ou políticos. A SAPEA possui um projeto de colaboração com as 100 academias espalhadas pela Europa, para o compartilhamento de informações e união, mantendo suas independências e publicações produzidos dentro da SAPEA. Ele afirma que a SAPEA vê o envelhecimento da população como uma oportunidade para o envelhecimento saudável, num processo de desenvolver e manter habilidades funcionais e o bem-estar nessa idade.

Dando prosseguimento às palestras, a Doutora Cristiane Branquinho Lucas, Promotora de Justiça e Coordenadora do CAO Idosos e Pessoas com Deficiência no MPRJ aborda o tema “Abuso ao Idoso”. Um dado importante a ser lembrado é que os grupos populacionais mais velhos, acima de 80 anos crescem proporcionalmente mais rápido que outras faixas etárias, sendo mais vulneráveis, indivíduos estes com capacidade funcional já limitada. Acomete a necessidade de novos arranjos familiares, causando cada vez mais a necessidade de o Estado assumir o papel de reconhecer seu dever para dar o cuidado devido a pessoa idosa que têm necessidade de um cuidado avançado, que depende de outros e não conta com a presença de um cuidador ou da família.

Há uma ausência de serviço socioassistencial de acolhimento e de políticas de cuidado em domicílio, e diante dessas ausências é observado um aumento agravante de lares permanentes para idosos de forma clandestina, infringindo diretamente com direitos humanos, e é cada vez mais frequente a negligência em relação ao aumento dos casos de demência e as consequências da doença de forma progressiva. É necessária a mudança de cultura para se apropriar da necessidade de cuidar do indivíduo idoso, e o idoso reconhecer suas limitações, e o Estado a prestar seus deveres de forma solidária. É dever de todos prevenir a ameaça ou violação dos direitos dos idosos, devendo todo cidadão comunicar a autoridade competente qualquer forma de violação aos direitos estabelecidos no Estatuto do Idoso que tenha testemunhado ou tenha conhecimento.

O Doutor Marcelo Levites, através de uma história de caso real fala sobre “Como administrar a velhice através da medicina humanista”. A capacidade de compaixão e empatia e a continuidade do cuidado com uso da tecnologia, estrutural permite capacidade de conexão entre as etapas; desde o conhecimento das estruturas disponíveis, incluindo casas de repouso, serviços de home care, profissionais de saúdes, na busca de soluções além da resolução da enfermidade.

O Professor Alain Franco fala das “Novas Tecnologias que atendem a velhice, em casa e em instituições”. Envolvendo sua questão em torno da Gerontecnologia, uma abordagem cruzada e multidisciplinar entre a gerontologia e tecnologia, unindo as ciências do envelhecimento com as técnicas aplicadas a produção de bens e serviços. O professor fala da expressão de “necessidade de saúde”, aonde a doença engloba não só seu diagnóstico, mas um grupo de pacientes, a indústria farmacêutica e uma monopatologia, aonde suas consequências são as dores, deficiências e desvantagens, de modo que que já necessidade de enfrentar essa expressão, relembrando o paradigma hipocrático e o funcional.

A tecnologia tem papel de compensar o processo do envelhecimento, de forma que além de o letargiar, contribuí para o envelhecimento saudável. A construção de um quadro para uma nova abordagem conceitual de atividade funcional, a necessidade de transformar nossos modelos de cura médica com base na doença, para que assim as tecnologias são justificadas no monitoramento de doenças crônicas e no apoio a vida dos cidadãos mais velhos. O uso da telemedicina entra em questão para testes neuropsicológicos remotos, que auxilia na tomada de decisão, educação, coleta de dados médicos através do trabalho cooperativo por meio de uma plataforma.

Por fim conclui-se que a tecnologia é um exemplo de resposta as necessidades de um novo paradigma de funcionamento, ocorrendo ao lado da biologia e ciências humanas, como inovação em geriatria e gerontologia. No futuro, a tecnologia deve contribuir eficientemente para a prevenção e auxiliar o envelhecimento de pessoas com deficiência física e mental, contribuindo par reduzir carga dos cuidadores

O Professor Joel Belmin volta a posição de palestrante, abordando o tema “O idoso frágil, a abordagem multidisciplinar e a qualidade de vida”. A fragilidade é o maior problema nos últimos 10 anos em pesquisa cientifica geriátrica. O conceito de gerontologia preventiva vem das consequências das doenças, para com a sua prevenção de uma forma total. Alguns riscos se mostram como a identificação de indivíduos com risco de se tornarem dependentes ou admitidos em instituições de cuidado, identificar suas fraquezas e a intervenção para reforçar ou aliviar tais fraquezas. O professor fala sobre a promoção de envelhecimento saudável, evitando fatores tóxicos como o fumo, sedentarismo, abuso de álcool, pesticidas, benzodiazepinas e drogas anticolinérgicas, todos que contribuem para problemas na saúde do idoso.

Encerrando a sessão, o professor Alexandre Kalache, MD, Ph.D., Presidente do Centro Internacional da Longevidade no Brasil fala sobre a “Revolução da Longevidade: Estamos preparados?”. Ele fala sobre o envelhecimento progressivo, com a comparação de 1950 a 2050, a população chegando a 386 milhões. O maior desafio da longevidade seria a igualdade do envelhecimento ligado a diferenças financeiras extremas de classes. O envelhecimento ativo depende de uma série de determinantes, desde acesso a serviços sociais e de saúde até determinantes sociais, todos se influenciando.

Academia Nacional de Medicina sedia o II Congresso Sul-Americano das Academias de Medicina

As atividades científicas da Academia Nacional de Medicina na última quinta-feira (31) foram dedicadas ao II Congresso Sul Americano das Academias de Medicina, onde reuniu especialistas de diversas áreas, discutindo os principais desafios e perspectivas futuras para o ramo da medicina.

A primeira palestrante é a Professora Doutora Vilma Câmara, da Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, que possui graduação em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (1969), mestrado em Medicina Neurologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1981) e doutorado em Medicina Neurologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992). Também possui pós-graduação em Saúde do Idoso – ENSP-FIOCRUZ (1994), é Prof.ª Emérita da UFF (2015), membro titular da Academia Brasileira de Neurologia, membro da ASPI/UFF, e Presidente da ABRAZ do Rio de Janeiro (2016).

O Acadêmico e ex-Presidente organizou e conduziu os trabalhos do II Congresso Sul Americano das Academias de Medicina

“Particularidades do envelhecimento saudável” é o tema apresentado pela doutora, que explica brevemente que o envelhecimento é um fenômeno universal nos seres vivos, o separando em dois tipos, O envelhecimento usual, que é mais comum, causado por fatores extrínsecos como dieta, sedentarismo e causas psicológicas que aumentam os efeitos adversos do envelhecimento; e o envelhecimento bem sucedido, caracterizado com baixo risco de doenças, incapacidades funcionais, excelente funcionamento físico e vida ativa.

São apontadas propostas de ações para o envelhecimento saudável, como a promoção da saúde, prevenção de doenças, conscientização de cidadania, manter-se independente e ativo, fortalecer a promoção de saúde e políticas de prevenção, melhora na qualidade de vida, equilíbrio do papel da família e do Estado para o cuidado, e por fim incentivar o papel de cuidar que o idoso realiza.

O envelhecimento ativo é conceituado como o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, visando melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas, e tem como objetivo de aumentar a expectativa e qualidade de vida. Sua abordagem apoia a responsabilidade dos idosos no exercício de sua participação nos processos políticos e em outros aspectos da vida em comunidade.

O desempenho funcional pode ser influenciado por incapacidade física, inabilidade cultural, impossibilidade de acesso a um ambiente saudável, devendo ser levados em consideração nos avanços na atenção com os idosos, já que o grande objetivo é uma sobrevida maior, acompanhada de uma qualidade de vida melhor.

Dando seguimento à programação, a Professora Yolanda Porchat dá foco as políticas que auxiliam no envelhecimento saudável, diminuindo mortalidade infantil, e buscam o envelhecimento ativo no Brasil. As estratégias políticas para com o desenvolvimento do envelhecimento saudável e ativo, levando-se em consideração nas doenças prevalentes no envelhecimento para com evita-los ou trata-los. Seu discurso é curto, porém mostra a importância dos avanços e cuidados para com o envelhecimento no Brasil.

Prosseguindo com as apresentações, o próximo palestrante é o Acadêmico Gerson Canedo, graduado pela Faculdade Nacional de Medicina em 1962, quando recebeu o prêmio Universidade do Brasil, reservado aos 10 melhores alunos da turma, pela sua classificação com distinção. Interno da 5ª Cadeira de Clínica Médica da Faculdade Nacional de Medicina (Professor Luiz Gentil Feijó) de 1959 a 1962. Concluiu o curso de pós-graduação no Instituto de Neurologia da Universidade de Londres e realizou estágios por concursos na Prefeitura do Rio de Janeiro e no antigo SAMDU, consagrando-se à Clínica Médica, particularmente à Neurologia Clínica, ligando-se ao corpo docente da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ desde 1963, por onze anos.

Em seu discurso ressalta a Ikigai e as “Bases Biológicas da Longevidade”. Ikigai é uma palavra japonesa que significa “razão de viver”, “objeto de prazer para viver” ou “força motriz para viver”. Existem várias teorias sobre essa etimologia, de acordo com os japoneses, todos têm um ikigai, e descobrir qual é o seu requer uma profunda e, muitas vezes, extensa busca de si mesmo.

Os telômeros são estruturas constituídas por fileiras repetitivas de proteínas e DNA não codificante que formam as extremidades dos cromossomos. Sua principal função é impedir o desgaste do material genético e manter a estabilidade estrutural do cromossoma. O Acad. Canece indagou se o uso da telomerase seria correto para manter tais estruturas, pois a telomerase é tem como função adicionar sequências específicas e repetitivas de DNA à extremidade 3′ dos cromossomos, onde se encontra o telômero é conhecida como uma causa de câncer.

A apresentação seguinte é do Dr. Ricardo de Oliveira, que fala sobre “Demência: Patogênese, Diagnóstico e Tratamento”. O conceito de demência evoluiu desde 1835, e hoje é dito como o comprometimento cognitivo global ao exame clínico, com preservação da vigília e impacto no desempenho das atividades cotidianas. O doutor exemplifica o caso de um paciente de dificuldade progressiva de se fazer entender e ser entendido. O palestrante apresenta duas características, a primeira é que como se faltasse atenção para com o paciente, porém o mesmo não fala coisas com sentido; palavras se tornando cada vez mais ambíguas.

Existem fragmentos de um significado, contudo não o suficiente para se fazerem total sentido. Ele fala da apraxia, integralmente relacionado ao uso de objetos. Destaca estudo blocado em que o paciente fazia uso de 3 ferramentas em sequência, e notou-se que o lobo parietal esquerdo, que controla as memórias fora ativado, além do sulco interparietal. Quando o indivíduo apenas pensa em usar o objeto não há diferença entre pensar e executar a tarefa.

Ele faz comparação entre as teorias de Demência de Pierre Marie e as Síndromes Cognitivas de Domínio-Específico de Hugo Liepmann, afirmando que é incrível como Pierre não entende que é precisamente a remoção da afasia e apraxia que atrapalha o progresso do conceito de demência, e é o que prevalece hoje. A demência é uma junção de afasia, apraxia, disexecutivo, amnésia e agnosia. Ainda discorre sobre a Doença de Alzheimer, um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória, comprometimento progressivo das atividades de vida diária e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais. Entra também em detalhes sobre o Complexo Pick-Demência frontotemporal e sua diferença do Alzheimer, aonde o paciente tem alucinações visuais vespertinas e noturnas, distúrbio do sono REM e a piora intermitente da confusão mental com duração de 3-7 dias. O doutor finaliza falando sobre tratamentos farmacológicos, ergonômicos, aconselhamento genético e legal.

O Acadêmico Gerson Canedo volta a se apresentar, desta vez sobre a demência, em especial falando sore doenças de Alzheimer e Síndrome de Down e a relação entre as mesmas, a menção de envolvimento genético, que vem associado a uma demência frontotemporal. O Acadêmico menciona os príons, forma aberrante de uma proteína normal, capaz de replicar-se sem nenhuma informação genética, encontrada em placas de amiloide, sendo agente infeccioso responsável por doenças degenerativas do sistema nervoso, sendo caracterizado como um fenômeno do próprio doente.

O Doutor Fernado Lanas Zenetti, Ph.D. da Faculdade de Medicina e Universidade de La Frontera Temuco, Chile discorre sobre “Atualizações em métodos invasivos desfibrilador, marca-passo e ablações”. O início de sua apresentação retrata a história do marca-passo, criado por John Alexander Hopps em 1950, mostrando os marca-passos intracardíacos usados atualmente, que não fazem uso de eletrodos e tem uma bateria de 10 anos. O Dr. reflete sobre a terapia de ressincronização em pacientes com insuficiência cardíaca, consistindo no remodelamento cardíaco e a sua relação com a estimulação de HIS. Um leve foco é dado as caudas de morte súbita cardíaca e a enorme diferença entre os grupos de risco, através de gráficos. O doutor conclui sua apresentação estatuando três fatos; o marca-passo é uma tecnologia necessária para preservar função ventricular, reduzindo problemas de eletrodos e fontes de energia duráveis; os desfibriladores necessitam de insumos de menor custo, tamanho e maior duração de energia, e por fim, a Ablação falta um investimento significativo em treinamento profissional na área, além da necessidade de maiores estudos para esclarecer as indicações da fibrilação atrial.

O Acadêmico Manuel Luis Marti da Academia Nacional de Buenos Aires, é o palestrante seguindo. Com bacharel no Colégio Nacional de Buenos Aires, é médico e doutor em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires. Atuou como Professor Catedrático de Medicina Interna, Professor Catedrático e atualmente trabalha como Professor Emérito da Universidade de Buenos Aires. Também foi Diretor do Departamento de Especialidades Clínicas e membro do Conselho de Administração da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Católica Argentina Santa Maria de los Buenos Aires e Gerente de Ensino de Bioética na Universidade de Buenos Aires.

O Acadêmico ministra a palestra sobre “Cirúrgia Bariátrica em Diabetes”, iniciando a apresentação pelas indicações da cirurgia, sendo algumas delas a diabetes tipo 2, idade entre 25 a 65 anos de idade, pacientes que se encontram com diabetes a menos de dez anos, porém fazendo uso de insulina a mais de cinco. As técnicas cirúrgicas abordadas seriam o by-pass gástrico em Y, o by-pass duodeno e o gastroileal, além da gastroplastia tubular. O doutor enfatiza que tem como objetivo a perca de 50% do peso corporal e a manutenção deste peso posteriormente. São apontadas algumas complicações e fatores de risco para com a cirurgia, como a deficiência nutricional, doenças de patologia gastrointestinal, idade avançada, IMS alto, hipertensão e enfermidades cardíacas. Entre as complicações de metabologias, encontram-se a anemia, hipoglicemia, Hipovit D, Síndrome de Dumping e outras, trazendo a necessidade de o paciente fazer uma série de ingestões de vitaminas e minerais recomendados pelos médicos.

Com a temática “A Simpatectomia Vídeo Toracoscópica no Tratamento da Hiperidrose Primária” é ministrada pelo Acadêmico Rossano Kepler A. Fiorelli. Com um currículo impecável, o Acadêmico foi aprovado em 2º lugar para Medicina na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Graduou-se em 1988, tendo como patrono e paraninfo respectivamente os Acadêmicos Azor José de Lima e Carlos Alberto Basílio de Oliveira. Possui mestrado em Cirurgia Torácica (1997) pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutorado em Cirurgia Geral – Setor Cirurgia Torácica (2001) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atuou como livre-docente em Técnica Cirúrgica e Cirurgia Experimental na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Realizou Residência Médica em Cirurgia Torácica no Serviço de Cirurgia Torácica e Cardiovascular do Hospital da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro, acoplado ao Curso de Especialização em Cirurgia Torácica da PUC-RJ, sob a direção do Prof. Dr. Jesse Pandolpho Teixeira, considerado Mestre da Cirurgia Torácica Brasileira e um dos mais renomados cirurgiões torácicos do mundo.

Expôs em sua palestra sobre a hiperidrose que é conceituada como uma sudorese excessiva, além das necessidades termo-reguladoras do organismo. A hidroperidrose primaria tem caráter regional (mãos, axilas, pés ou crânio) isoladas ou em associação, intermitente e independente de condições externas. Já a secundária é generalizada, causada por obesidade, hipertireoidismo, menopausa, doenças psiquiátricas, tuberculose, feocromocitoma, acromegalia ou linfoma. Atinge cerca de 1% da população mundial, e causa problemas com atividades sociais, educacionais, profissionais e afetivas. O tratamento clínico é baseado em drogas anticolinérgicas, anidroticas, toxina botulínica tipo A, ressecção de pele e glândulas sudoríparas axilares, tratamentos homeopáticos, ortomoleculares, acupuntura, acompanhados do tratamento psicológico e psicoterápico.

O tratamento cirúrgico tem algumas complicações, como a Nevralgia intercostal, síndrome de Claude-Bernanrd-Horner, lesão do plexo braquial, pneumotórax residual, infecções, dentre outras complicações. Entre as indicações, encontram-se o rubor facial, a isquemia de MMSS, Síndrome dolorosa pós-traumática, Síndrome do QT longo, Angina de peito e o Fenômeno de Raynaud. Há um importante impacto positivo na qualidade de vida dos pacientes portadores de hiperidrose primária que foram submetidos à simpatectomia videotoracoscópica.

Encerrando o evento, a palestra foi realizada pelo o Acadêmico José Galvão-Alves que é graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1976). Fez Residência na especialidade de Clínica Médica no Hospital São Francisco de Assis e no Hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Especializou-se em Gastroenterologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1980, onde também cursou mestrado em Gastroenterologia em 1982. No mesmo ano, realizou um “update in internal medicine”, pela Harvard Medical School. Concluiu doutorado em Gastroenterologia pela Universidade Federal de Minas Gerais.

O Acadêmico discorreu sobre a “Pancreatite Autoimune”, uma doença fibro-inflamatória sistêmica que afeta múltiplos órgãos, em especial o pâncreas, ductos biliares, glândulas salivares, retroperitôneo, rins e lonfonodos. A pancreatite pode ser reconhecida por dois tipos. Tipo 1 como doença multisistêmica e Tipo 2, um distúrbio específico. O diagnóstico prova que a PAI tipo 1 é encontrada em pacientes de 50 á 60 anos e a PAI tipo 2 em pacientes adolescentes. Foi realizada uma análise comparativa com estudo de PET-CT, que demonstrou a regressão completa da captação difusa do radiotraçor no pâncreas.

Academia Nacional de Medicina realiza Simpósio Terapia Renal Substitutiva: Controvérsias e Tendências

Acadêmico Omar da Rosa Santos abre o simpósio da tarde destacando brevemente sobre o mecanismo e funcionamento da necroptose, que tem sido inibida por trials em clínica com medicamentos específicos e ferroptose, da mesma maneira, embora interfiram no pós vida do paciente.

Iniciando o simpósio, a primeira palestra foi proferida pelo Acadêmico José Hermógenes Rocco Suassuna que é graduado em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1980), possui mestrado em Medicina (Nefrologia) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1987), fellowship no Guys Hospital (Londres – 1987 a 1989) em programa patrocinado pela Sociedade Internacional de Nefrologia e doutorado em Ciências (Microbiologia e Imunologia) no Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1996). Médico do CTI do Hospital Geral de Nova Iguaçu (1982-1984); Médico Intensivista do Hospital Central do Exército (1983-1987); Médico Intensivista do Hospital Universitário Antônio Pedro da Universidade Federal Fluminense (UFF), de 1983 até aposentadoria em 2017.

Acadêmico Omar da Rosa Santos discursa durante o Simpósio Terapia Renal Substitutiva, co-organizado pelo Dr. José Andrade Moura Neto, do Programa Jovens Lideranças Médicas

O Acad. Suassuna volta um pouco na história, contando sobre a primeira publicação sobre a hemodiálise, dando foco nos níveis de ureia no paciente. A uremia terminal não é comumente vista nas gerações mais recentes, porém ainda é encontrada em animais de estimação, pois a medicina forneceu formas mais humanas de tratamentos para a doença, adentrando no berço do nascimento da hemodiálise.

Discorre brevemente sobre a evolução da Terapia Dialítica, desde a primeira máquina de hemodiálise e corporalizarão em grandes redes de serviços. Enfatiza que o timing é o momento ideal para realizar uma ação, muito importante para a evolução conceitual da doença renal crônica, para com seu tratamento, considerando transições de cuidados medicamentosos e tecnológicos. Na teoria soa fácil, contudo na prática é difícil de ser identificado o momento ideal para tal transição.

Ressalta que a ligação entre a faixa de diálise e a albumina, conceito que destaca parâmetros nutricionais para embasar o início da dialise. Relembra do risco relativo de letalidade em hemodiálise em função da creatinina sérica, as diretrizes da diálise nos anos 90 e reflete sobre a evolução temporal de 4 dimensões de qualidade de vida em pacientes com início precoce e tardio de diálise. Ainda em sua fala, destaca um estudo randomizado feito na Austrália mostra uma comparação entre o grupo precoce e o grupo tardio que entraram em hemodiálise, e concluiu-se que não houve diferenças de sobrevida entre o timing do tratamento.

Dando sequência ao evento, a próxima palestra é ministrada pelo o Doutor José Moura Neto que é graduado pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública em 2011. Entre 2012 e 2014, fez Residência em Clínica Médica no Hospital Federal do Andaraí, residência em Nefrologia no Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (HUPE-UERJ), entre 2014 e 2016. No ano seguinte, concluiu a Residência em Transplante Renal na mesma instituição e foi aprovado na prova de Título de Especialista em Nefrologia pela Sociedade Brasileira de Nefrologia. Possui MBA em Saúde pela FGV-RJ (2014-2016) – premiado pelo melhor desempenho acadêmico – e Mestrado em Administração pela EBAPE – FGV (2016-2017). Editor do livro “Renal Replacement Therapy: Controversies and Future Trends” e articulista sobre gestão em saúde na “Revista Visão Hospitalar”, da Federação Brasileira de Hospitais. Atua como Médico Nefrologista e Diretor Médico do Grupo CSB, organização responsável por cerca de 2.000 pacientes em diálise no estado da Bahia e gestão de oito centros de terapia renal substitutiva. Membro do Programa de Jovens Lideranças Médicas da Academia Nacional de Medicina desde 2018.

Seu tema é “Quando não indicar TRS”, onde apresenta dados de pesquisas de 161 nefrologistas e 118 respondentes, e os fatores associados com as ordens de não ressuscitar um paciente e a ausência da hemodiálise no DOPPS internacional. Afirma que, pacientes tem um pós vida levemente mais longo após encerrar o tratamento. Porém dados afirmam que o encerramento de hemodiálises de longo tempo é a causa de morte de 22% dos pacientes.

A renúncia a TRS acontece de duas formas: ‘’Sonegar’’, sendo mais comum, aonde o prognóstico do paciente se encontra como incerto e a “Descontinuação”, que esta relacionada a 18-22% das causas, com uma sobrevida maior de apenas 7 até 9 dias. O Doutor faz uma análise sobre se a diálise representa vantagem para todos os pacientes, por meio de um estudo com pacientes de acima de 75 anos de idade, com doença avançada, e afirma não haver vantagens de sobrevida em idosos com doenças agravantes.

O palestrante fala brevemente sobre as diretrizes para iniciação de tratamento e encerramento do mesmo para a hemodiálise em 1994, criada pela National Kidney Foundation, além das diretrizes da RPA/ANS de 2010. Finalizando, enfatiza alguns princípios de bioética e aspectos jurídicos para serem considerados durante o tratamento.

Prosseguindo com as palestras do simpósio, a próxima apresentação é ministrada pela Doutora Carmem Tzanno Branco Martins. Graduada pela Faculdade de Medicina de Santo Amaro (FMSA-SP) em1984, fez a residência em Nefrologia no Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo (HSPMSP) em 1988, médica no Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo (HSPMSP) em 1986. Possui pós-doutorado no Instituto de Ensino e Pesquisa (INSPER) realizado em 2008 e de nefrologia na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) feito em 1993.

O tema abordado é “Hemodiálise Incremental”, na qual ajusta a dose de diálise gradual, de acordo com a função renal residual para individualização da dose, controlando supramínio de volemia, eletrólitos, solutos e urêmicos, afirmando que pacientes com RRF adequadas apresentam venefícios no esquema de duas vezes por semana ou menos tempo de diálise. Esse processo, gera uma melhor qualidade de vida, aumentando longevidade, e um menor número de manipulações de cateter, diminuindo as taxas de infecção nos pacientes, aonde a soma destes benefícios contribuí para preservar a função renal residual do paciente.

Afirmando que a HD incremental é uma opção viável para uma parcela da população incidente em HD, em especial nos pacientes com boa função renal, e estas estratégias para proteção da clearence residual são imprescindíveis para o sucesso do esquema incremental. A Doutora ressalta a necessidade de estudos controlados e randomizados para a identificação dos pacientes que podem se beneficiar do esquema incremental.

Avançando na temática do simpósio, a próxima exposição é realizada pelo Acadêmico Miguel Riella que é graduado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná (1968). Após a graduação, continuou seus estudos nos Estados Unidos onde se especializou em Clínica Médica (Mount Sinai Hospital, New York) e, posteriormente, em Nefrologia (enfermidades renais), na Universidade de Washington, na área de Hemodiálise Crônica.

Em 1976, retornou ao Brasil para continuar suas atividades no Hospital Universitário Evangélico de Curitiba (HUEC), onde estabeleceu o Serviço de Nefrologia e de Nutrição Parenteral e Enteral. No ano seguinte, iniciou o programa de Hemodiálise Crônica neste mesmo hospital, onde, em 1980, foi realizado o primeiro transplante renal. No mesmo ano, iniciou o primeiro programa de Diálise Peritoneal Ambulatorial Domiciliar do Brasil.

O Acadêmico discursa sobre “Diálise Peritoneal: Controvérsias e tendências”, onde apresenta os fatores que influenciam o tratamento, através de uma abordagem histórica destaca o primeiro relato humano de DP feito em 1923, e a evolução do tratamento até os dias atuais, que é a forma mais comum de diálise domiciliar, sempre fortemente influenciado por políticas governamentais e reembolso á clinicas. Além destes, são reconhecidos como fatores não médicos os principais determinantes da proporção de pacientes em diálise tratados com DP em qualquer região do mundo. Têm como influencias na utilização da DP a necessidade de menor dose de Eritropoietina e o pagamento em pacote nos EUA em 2011. O Censo de Diálise realizado pelo SBN estima que estão em torno de 33 mil pacientes que correspondem aqueles que recorrem a DP.

Entre as razões do não crescimento da DP no Brasil, se encontram a situação econômico-financeira do país, a falta de regulamentação, não havendo código para tratamento ambulatorial da peritonite, atrelada a HD e o manejo da amostra do líquido para cultura é diferente.

A Fundação Pró-Renal, criada em 1984 com objetivo de arrecadar recursos, pesquisa e assistência integrada para os pacientes em diálise possuindo o apoio de uma equipe multidisciplinar. Contando com um hospital, e apresentando um dado de 28.7% de pacientes em DP. Há um declínio no uso da DP, mesmo com uma melhora de sobrevida do paciente ao longo dos anos. O grande problema da DP ocorre no chamado falha da técnica, que inclui o aumento da idade dos pacientes, multimorbidade, IMC aumentado, infecções, e UF inadequada. Suas vantagens potenciais apresentadas pelo palestrante são o menor custo do que em comparação com a HD, promove autonomia do paciente, podendo ser uma terapia domiciliar. Entretanto, a Diálise Peritoneal futuramente enfrentara desafios como um benefício menor em pacientes multimórbidos, barreiras com relação ao tratamento domiciliar, altas taxas de falha técnica e uma síndrome metabólica piorada pela exposição a glicose.

Encerrando as palestras da tarde, a exposição do assunto é realizada pelo Doutor José Carolino Divino Filho, que é formado pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública em Salvador, Brasil, e nefrologista certificado no Brasil e na Suécia. Treinado em Nefrologia nos Serviços de Medicina Renal em Lund e Estocolmo, Suécia. Autou no Departamento de Medicina Renal no Hospital São Severino, Sorocaba, em 1983 e em 1992, tornou-se nefrologista consultor sênior no Hospital Real Sophiahemmet, em Estocolmo. É doutor com a tese “Aminoácidos eritrocitários na saúde e insuficiência renal e sua associação ao eixo IGF-I / IGFBP-1” pelas divisões de medicina renal, departamento de ciências clínicas e unidade endócrina e diabetes, departamento de medicina molecular, Karolinska Institutet em 1998.

O Dr. ministra a palestra sobre “Terapias Convectivas na DRCt”, onde observações vindas da DP foram a base do desenvolvimento do conceito de convecção em diálise, frutos de um experimento de duas fases, que concluiu que o clearence é 38% maior de ureia removido com a solução hipertônica de dextrose na primeira fase do que na segunda, quando o fenômeno de difusão estava bloqueado. O transporte não-difusional foi atribuído ao “arratro de solvente” ou forças friccionais, exercidas nas moléculas de ureia pela “corrente” de água se movendo da circulação sanguínea para a solução de DP através dos poros da membrana peritoneal. Este estudo, além de estimular pesquisas a procura de membranas sintéticas com propriedade de transporte similar a barreira, identificou a similaridade do siveing coefficiente entre ureia e insulina.

Houve uma substituição gradual de convecção e difusão, a fusão dos dois, hoje conhecido como HDF. O doutor aborda o motivo das terapias convectivas se desenvolverem lentamente, como custos das bolsas, limitação de volume e manuseio, além da impossibilidade de individualizar a terapia. Com a evolução da medicina e da pesquisa, evidencias mostram que a hemodifiltração apresenta benefícios clínicos comparados com a hemodiálide de alto fluxo, como a remoção de solutos, estabilidade hemodinâmica e biocompatibilidade superior a HD alto-fluxo, todos com impactos positivos na sobrevida.

Analises sugerem uma vantagem de sobrevivência nos pacientes que recebem volumes convectivos mais altos, e que a mortalidade global e taxa de evento CV não-fatal não foram diferentes entre os grupos de pesquisa feitos. Um estudo sugere que online-HDF pré-dilucional, especialmente com altos volumes, pode melhorar a sobrevida, mas RCTs são necessários, concluindo-se que as Terapias de Diálise Convectivas são o mais próximo da purificação sanguínea renal, em especial se aplicadas frequentemente.

O segundo bloco foi iniciado após o breve intervalo, e a abertura deste novo ciclo contou com a palestra do Dr. Bernard Canaud MD, Ph.D., Professor Emérito de Nefrologia, graduado pela Universidade de Montpellier, Faculdade de Medicina, Montpellier-F, e Cientista Médico Sênior, Escritório Médico Global FMC, Bad Homburg-G

Com a temática “Futuro da Substituição da Terapia Renal”, o Dr. reflete sobre os desafios da saúde, como a fragmentação do cuidado ao paciente, demografia dos pacientes, variação da qualidade dos tratamentos e sus resultados finais. Para o palestrante, existem quatro cenários possíveis para ser encaminhada a evolução da terapia renal, apresentando as opções atuais de tratamentos, como cuidados paliativos, transplante de órgãos, diálise e outros. O primeiro cenário fala sobre impedir a progressão da doença nos rins, indulgindo regressão da doença, com a promessa de um novo tipo de medicina. O segundo cenário fala sobre terapias disruptivas com a medicina regenerativa, imunotolerancia a um transplante renal de órgão hibrido. O terceiro cenário prevê a manutenção do uso da diálise e o último cenário fala sobre mudanças em políticas de saúde, em sistemas de saúde e nos cuidados renais desprovidos pelos profissionais de saúde.

Soluções apresentadas pelo palestrante seriam um suporte digital, atrelado a inovações de tecnologia em medicina e uma mudança drástica dos sistemas de saúde como os conhecemos, criando maior monitoramento e melhor feedback baseado em data. Um dos grandes exemplos usados pelo palestrante fala sobre a mudança do acesso vascular e sua preservação, que evoluem conforme a tecnologia, ampliando possibilidades para monitoramento remoto da fístula, controle do sódio e o controle do feedback de longa data por meio do uso de armazenamento na nuvem, e o papel da inteligência artificial em clínica.

Ele afirma que os fundamentos para o futuro da diálise se basearia em 4 aspectos: a industrialização/modernização da diálise, dar prioridade ao paciente, lidar com o Home Care e construir uma máquina de HD com design mais amigável, além de dar nota a necessidade futura de uma diálise ecologicamente sustentável.

O simpósio se encerra com a apresentação do Acadêmico José Osmar Medina Pestana, que graduou-se em Medicina pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (1979), depois de ter exercido a profissão de torneiro mecânico entre os 16 e 19 anos e de técnico de laboratório durante todo o curso de Graduação. Concluiu a Residência Médica em Nefrologia no Hospital São Paulo (1983), permanecendo ligado à instituição como Chefe de Plantão do Pronto Socorro e na liderança do grupo de transplante renal. Após a obtenção do título de Doutor em Medicina em 1986, pela disciplina de Nefrologia em Transplante Renal, concluiu dois cursos de Pós-doutorado, um na área clínica de Transplante Renal na Cleveland Clinic, nos Estados Unidos (1987-1988), e outro em Transplante Experimental na Universidade de Oxford, Inglaterra (1989).

O Acadêmico discursa sobre “O Futuro do Transplante Renal”, comparando primeiramente doadores vivos e falecidos, e de que forma inovações radicais afetam o transplante. Ele afirma como um dos grandes desafios para com o transplante renal seria a disparidade geográfica de médicos. O programa “Global Partnership For Development: African Challenge and opportunity” fez progressos notáveis nos últimos cinco anos, trabalhando na redução da disparidade geográfica de médicos treinados para transplante renal, incentivando um aumento da procura de órgãos de falecidos, aonde ocorrem menos mortes violentas, trabalhando com a redução de recusa por parte das famílias. Ele apresenta os riscos de transplantes no cenário brasileiro, sendo eles a saturação de programas ativos, um déficit econômico para instituições de transplante, a flexibilidade para aceitar um doador vivo sem correlação sanguínea, e o critério flexível de doação após morte por ataque cardíaco.

Ressalta que a bioengenharia de órgãos artificiais, a partir de órgãos não viáveis para o transplante, aonde a estrutura do órgão é preenchida por células derivadas do próprio receptor, sem a necessidade do uso de imunossupressões em longo prazo. Conclui sua apresentação com um vídeo curto que exemplifica o benefício do transplante.

O simpósio tem encerramento com os agradecimentos dos organizadores e do Presidente Acad. Jorge Alberto Costa e Silva.

Academia Nacional de Medicina debate sobre a Inovação em Medicina Translacional

Seguindo a tradição semanal da apresentação de eventos com nobre intuito de instruir não somente os membros da academia, mas a comunidade médica como um todo em assuntos de grande pesar.

O primeiro palestrante a se apresentar é o Dr. Sammy Farah, CEO da Turnstone Biologics, formado em Engenharia Química pelo MIT e Ph.D. em Engenharia Química pela Universidade de Stanford, fala sobre Plataformas de Imunoterapias virais, com foco na Plataforma SKV Vaccínia no processo da criação de uma vacina e os procedimentos clínicos envolvidos no processo. Ele faz uma pesquisa de dados para criar um benefício terapêutico para pacientes com câncer.

O convidado, Dr. Sammy Farah (à direita), participa das discussões, ao lado dos Acadêmicos Ricardo Cruz, Jorge Alberto Costa e Silva (Presidente) e Daniel Tabak

Dando prosseguimento, a próxima palestra é realizada pelo Acadêmico Daniel Tabak. Graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1979, concluindo residência médica na UFRJ (1981). Foi aprovado no Visa Qualifying Examination, em 1980 e aceito pelo Programa Latino Americano para Treinamento em Medicina, da Universidade de Miami, Flórida. Especializou-se em Medicina interna pela Jackson Memorial Hospital, da Universidade de Miami (1984), pela Educational Commission for Foreign Medical Graduates (1982) e pela American Board of Internal Medicine (1984). Também se especializou em Oncologia pela Washington University School of Medicine (1986). O Acad. Tabak aborda a Imunoterapia do Câncer e o Microbioma, entrando em detalhes sobre respostas imunológicas e como determinam o desenvolvimento de um câncer. Além disso, elucida um aspecto da imunidade nata em relação ao macrófago.

Após as duas apresentações, inicia-se a rodada de discussão, no qual os apresentadores entram em maiores detalhes sobre suas pesquisas para com os Acadêmicos e convidados presentes. O Presidente encerra a sessão semanal após alguns notórios comentários de presentes, e o mesmo profere um breve comentário elogiando os palestrantes e agradecendo a presenta de todos.

Academia Nacional de Medicina celebra o Dia do Médico

Seguindo com a honrosa tradição anual em homenagem ao dia do médico, a ANM aborda a humanidade dentro da medicina e o que esta significa, para os profissionais de saúde e para seus pacientes. O Presidente da ANM, Acad. Jorge Alberto Costa e Silva faz uma breve abertura do simpósio, passando a palavra para os organizadores, que ambos proferem agradecimentos breves aos presentes.

O Acadêmico José de Jesus Camargo abre a sessão com um belíssimo discurso proferido pelo mesmo dentro de um tempo de 20 minutos, onde expõe uma ideia por minuto em relação a medicina, na formação do médico e o papel do uso da humanidade pelo médico.

Seguido pelo Acadêmico Aníbal Gil Lopes, fala sobre “O médico reencontrando a sua identidade”, que descreve a reflexão do simulacro, construindo noções que se afastam da verdade e são tomadas como corretas, relacionando-o com a jornada da identidade do médico.

Dando prosseguimento, o Acadêmico José Galvão Alves profere sobre “O Médico, seus pacientes e familiares”, refletindo sobre a busca do relacionamento ideal entre os três, sendo insubstituíveis, únicas e o modo que o médico conduz a relação com os dois. Ele faz lembrança ao professor Rocco, como transformava seu local de trabalho num ambiente de afetividade para os pacientes e para a equipe de saúde, tornando-o um exemplo.

Na sequência, o Acadêmico Ricardo Cruz aborda o tema “O médico e os demais profissionais de saúde”, trazendo foco a necessidade da multidisciplinaridade dentro do tratamento médico, sendo uma resposta para reinvindicação na medida em que os grandes problemas da época não podem ser resolvidos por uma única disciplina ou área do saber; propõe a intercomunicação entre as disciplinas de modo em que resulte em uma modificação entre elas, sem eliminá-las ou diminuir a importância de cada uma. Ainda fala do trabalho interdisciplinar, integrando a atuação de diversos profissionais de saúde.

A celebração do Dia do Médico (18 de outubro) foi lembrada na ANM com importante Simpósio

O Marcelo Marcos Morales, Secretário de Políticas para Formação e Ações Estratégicas, ministra a próxima palestra “Políticas para Formação e Ações Estratégicas em CT&I: Ações em Ciências Humanas e Sociais”, explicando de forma breve a infraestrutura da SEFAE e como a separou em programas, para simplificar o processo. Ele destaca a parceria com o CGE para o diagnóstico de ciências humanas e sociais, além do EPISUS.

Após as apresentações do simpósio houve uma breve sessão de debates da mesa em relação ao simpósio como um todo. O Ex-Presidente Acadêmico Pietro Novellino contempla a literatura que fala sobre o humanismo na medicina, desde os tempos gregos até os dias atuais. Em seguida, o Acadêmico Mario Correia fala sobre a formação do médico no Brasil e a importância do lado mais humano e carismático do médico, como o médico deve ser um especialista não somente na sua área de expertise, mas em pessoas.

Encerrando o simpósio da tarde, o Presidente abre a palavra ao debate para os Acadêmicos, que durantes alguns minutos fazem elogios e lembretes em relação as exposições feitas durante o simpósio, sempre dando luz a importância da necessidade da humanização do médico em relação ao paciente e como uma simples ação pode impactar no tratamento do paciente.

Participação da Academia Nacional de Medicina (ANM) no XXXI Encontro Científico dos Acadêmicos de Medicina (ECAM) e 10º Congresso Goiano de ética Médica (COGEM).

A ANM se fez representar no ECAM com a participação de três Acadêmicos: José Carlos do Valle, Carlos Eduardo Brandão e Ricardo Cruz que proferiram conferências, respectivamente, sobre: “Síndromes Paraneoplásicas”; “Mitos, Lendas e Fatos: O Fígado no Cenário Atual da Medicina” e “As Humanidades na Medicina: A Relação Médico-Paciente”. Antes de cada conferência, um dos membros da comissão organizadora citava alguns dos principais títulos de cada um dos oradores e, em seguida, um breve relato sobre a história da ANM e suas finalidades. Presentes cerca de 800 estudantes de Medicina de diversos pontos do país e vários médicos ligados à Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG). O principal orientador dos estudantes na organização do evento foi o Prof. Celmo Celeno Porto, Professor Emérito de Clínica Médica e Cardiologia da (UFG) e Honorário Nacional da ANM, que há 31 anos está à frente desse extraordinário encontro.

Acadêmicos Ricardo Cruz, José Carlos do Valle e Carlos Eduardo Brandão Mello junto ao Honorário Nacional Celmo Celeno Porto (ao centro) e o Dr. Waldemar Amaral (à direita)

Os Acadêmicos da ANM participaram, ainda, de atividades sociais com a presença de vários professores da UFG, com destaque para os Drs. Celmo Celeno Porto, Waldemar Amaral, Prof. Titular de Ginecologia e Obstetrícia e Marcos Ávila, Prof. Titular de Oftalmologia. No sábado, após a conferência do Acadêmico Ricardo Cruz, os Acadêmicos foram levados pelo Prof. Marcos Ávila para conhecer o Centro Brasileiro de Cirurgia de Olhos (CBCO)/Hospital de Olhos. Um grande empreendimento, modernamente equipado com toda a tecnologia possível, bem estruturado e muito confortável. Em seguida, o Prof. Marcos Ávila guiou os Acadêmicos para conhecerem seu serviço de oftalmologia na universidade – muito bem estruturado, amplo e dotado de todos os recursos. Os Acadêmicos relataram com entusiasmo a forma como a liderança, prestígio e visão pode propiciar algo tão funcional e pleno de recursos no serviço público.

O périplo prosseguiu para a periferia de Goiânia para vermos o “Mutirão” organizado pela prefeitura de Goiânia, tendo à frente o prefeito Íris de Rezende. Uma grande multidão recebendo múltipla assistência em todos os aspectos sociais como emissão de documentos, vacinação, atendimento ambulatorial em várias especialidades médicas, com destaque para a oftalmologia sob a direção do Prof. Ávila. Os representantes da Academia Nacional de Medicina ficaram impressionados com a organização do programa e todas as pessoas inquiridas demonstravam satisfação pelo atendimento. As visitas foram encerradas na magnífica residência do nosso anfitrião, Prof. Marcos Ávila, onde foi servido um explêndido almoço com toda a sua simpática família reunida.

Acadêmicos participaram de “mutirão” organizado pela Prefeitura de Goiânia

Esta participação da Academia no centro-oeste foi, sem dúvida, muito produtiva, e certamente abrirá portas para a realização de encontros semelhantes em outras regiões do país, como parte das atividades do Núcleo de Relações Institucionais Nacional.

Academia Nacional de Medicina no Outubro Rosa

Seguindo com a honrosa tradição, a ANM procede com seus simpósios semanais, desta vez abordando um tema de preocupação mundial, o Câncer de Mama durante o Outubro Rosa, movimento popular internacionalmente que simboliza a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades, motivando e unindo diversos povos em torno de tão nobre causa. O Presidente da ANM, Acad. Jorge Alberto Costa e Silva faz uma breve abertura do simpósio, iluminando a necessidade de se propagar informações importantes como as do dia para a população.

O primeiro palestrante da tarde é o Dr. Alfredo Barros que se graduou em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1977), possui especialização em Ginecologia e Obstetrícia – Hospital das Clínicas (1978-1980), Pós-graduação e Doutorado em Obstetrícia e Ginecologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1982-1987). Seu tema é o “Impacto do Retardo no Início do Tratamento do Câncer de Mama”. O Dr. Barros elucida que a classificação do câncer de mama relacionado a hereditariedade, onde de 90-95% são casos esporádicos e de 5 a 10% são casos familiares.

O intervalo entre o diagnóstico e cirurgia afeta diretamente a sobrevida das pacientes, aonde ocorre um aumento de mortalidade pela doença significante num período de 60 dias. Tal reflexão levou a Lei dos 60 dias: “O tratamento de qualquer tipo de câncer no sistema público de saúde deve começar no prazo máximo de 60 dias após o diagnóstico definitivo”, mesmo que apenas 33% de casos extra-hospitalares e 65% intra-hospitalares obedeçam a mesma. Concluindo a palestra, encerra com a mensagem de que se a educação para saúde mamária for mais difundida, biopsias feitas mais rapidamente e o tratamento individualizado for oferecido, os próximos outubros serão mais rosas.

As discussões foram conduzidas pelos Acadêmicos Paulo Hoff, Pietro Novellino, Jorge Alberto Costa e Silva (Presidente), Daniel Tabak e Maurício Magalhães

A palestra seguinte foi realizada pela Dra. Maira Caleffi que possui graduação em Faculdade de Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1981), graduação em Faculdade de Farmácia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1980), doutorado em Guy’s Hospital Medical School – University of London (1991) e pós-doutorado em Vanderbilt University – Nashville (USA) (1993). A Dra. abordou o tema “A Importância Das ONGS: Grupos de Pacientes no Controle do Câncer”.

As organizações de pacientes têm um importante papel a desempenhar na mobilização e empoderamento da sociedade no controle social das políticas públicas, intervindo junto aos governantes como instrumento formulador das mesmas, que auxilia na promoção do acesso ao diagnóstico e tratamento no tempo certo, como a FEMAMA trabalha, com objetivo de diminuir a mortalidade por câncer de mama no Brasil. A ONG tem um planejamento estratégico que vai até 2022 com objetivo de 95% de cura e 100% de atenção integral ao paciente oncológico, com qualidade de vida em todas as fases da doença.

Seguindo o simpósio, foi a apresentação da Dra. Daniela Gianotti que possui graduação em Abi – Medicina pela Universidade de São Paulo (1999). Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Radiologia Médica. Mestre em Ciências da Saúde (2015) pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês. A doutora discursou em torno da temática “Detecção precoce: mamografia x ressonância – Risco do sobrediagnóstico”.

Sobrediagnóstico é a consequência mais indesejada do rastreamento; tratamentos desnecessários, viés de efetividade de tratamento ou estimativa de sobrevida, auto custo para a saúde, o que dificulta a efetividade dos programas de rastreamento. O rastreamento mamográfico contribui para a redução da mortalidade pelo câncer de mama, sendo observado um aumento da identificação de lesões na fase pré invasora sem uma proporcional redução da mortalidade pela doença, alguns estudos apontam a necessidade de se repensar o rastreamento, já que não existe uma forma de prever quais os canceres detectados no rastreamento causarão doença ou morte e a opção atual é tratar todos. A aplicação de novas tecnologias como Radiomics para a extração de características das imagens transformadas em dados mineráveis podem ser empregadas como modelos de predição com o objetivo de diferenciar o carcinoma de alto grau e baixo grau.

O Acadêmico Maurício Magalhães Costa, que ministrou a palestra “Papel da Mastectomia Profilática em Pacientes BRCA Mutadas e não Mutadas”. O Membro Titular desta instituição secular possui graduação pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1981), mestrado no Instituto de Ginecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992), master Business Administration (MBA) Executivo em Saúde, no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), em 2000 e 2001, doutorado em Ciência (1993-1997) pela UFRJ e pós-Doutorado (2008) no Departamento de Fármacos da UFRJ.

Inicia sua palestra por apontar os fatores de avaliação como de risco para o câncer de mama, sendo eles epidemiológicos, histológicos e genéticos. A cirurgia redutora de risco para câncer de mama se baseia na remoção cirúrgica de parte do tecido mamário com a finalidade de diminuir a chance do desenvolvimento de câncer de mama, aumentar sobrevida e tem melhores resultados estéticos. Sua incidência desde 1988 tem aumentado de forma significante, com um incremento de 150% onde pacientes mais jovens tem maiores benefícios da cirurgia, e estudos clínicos demonstram redução de 90% na incidência da doença e de 81 a 94% no risco de morte por câncer de mama.

Dando sequência ao simpósio, outro ilustre Membro Titular palestra com a temática: “Imunoterapia no Câncer de Mama -Hype x Hope”. O Acadêmico Daniel Tabak graduou-se pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1979, concluindo residência médica na UFRJ (1981). Focando no ciclo da imunidade, fala sobre a mutação de neoantígeno que é mais presente em doenças como melanoma, câncer de pulmão e frequentemente encontrado nos canceres de mama. Uma comparação é feita nas drogas que atuam nos inibidores desses antígenos, e seus efeitos colaterais no tratamento de câncer de mama, como a gastrite, celebrite e hipófise.

A palestra seguinte “Projeto AMAZONA – Dados Preliminares de Câncer de Mama no Brasil” foi proferida pelo Dr. José Bines possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tendo feito sua residência na Clínica Médica pela UFRJ e Rush-Presbyterian-St. Luke’s University, Chicago. O Fellowship foi na área de Oncologia pela Northwestern University, Chicago e é doutor em Oncologia pelo Instituto Nacional de Câncer.

O projeto AMAZONA é uma iniciativa do GBECAM, cujo objetivo foi realizar um levantamento epidemiológico nos anos de 2001 e 2006 com seguimento do mesmo de 2011 a 2012 em pacientes com câncer de mama no Brasil. Dr. Bines exibiu os dados da sobrevida de cada paciente tratadas em instituições públicas, privadas e filantrópicas. É importante notar que, no momento do diagnóstico, as pacientes do sistema público demonstram doença mais avançada e, por isso, ocorre um maior número de cirurgia com mastectomia ao invés de cirurgias conservadoras. Estudos epidemiológicos, básicos, translacionais e clínicos são fundamentais para a melhoria dos cuidados de câncer de mama no país.

Encerrando o simpósio, o Acadêmcio Paulo Hoff proferiu sua palestra. O brilhante médico e Membro Titular da ANM possui graduação em Medicina pela Universidade de Brasília (1991), doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo (2007). Realizou sua Residência em Medicina Interna no Jackson Memorial Hospital da Universidade de Miami, tem especialização em Hematologia no Baylor College of Medicine e especialização em Oncologia no M. D. Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas. Seu tema é “Valor versus Custo: Incorporação de Novas Drogas no SUS”.

Uso de drogas que bloqueiam o crescimento e disseminação do câncer pela interferência em moléculas específicas envolvidas na carcinogênese e crescimento tumoral, porém o caminho para a incorporação de medicações do SUS passa por um dilema dentro das agências reguladoras, de tempo, coleta de informações e segurança, já que os recursos do SUS são finitos. O Acadêmico Hoff termina por afirmar que o modelo atual é inteligente, mas precisa de adequações, como: aumentar a representatividade médica e de usuários; os critérios para incorporação ou rejeição precisam ser mais claros; transparência e evoluir com estudos de farmacoeconomia no SUS.

A sessão dá-se por encerrada após uma rodada de dúvidas e agradecimentos por parte dos palestrantes e do Presidente da Academia Nacional de Medicina, oficializando o encontro do dia 10 de Outubro de 2019 como eximiamente satisfatório e impulsionando os presentes a continuarem com seus trabalhos.

Academia Nacional de Medicina performa um debate sobre Neurociências e Psiquiatria

Como de honroso costume, a Academia Nacional de Medicina segue com sua tradição ininterrupta de anfitriar sessões e simpósios semanais com objetivo de elucidar e debater diversos assuntos no âmbito da medicina. Após a breve abertura do presidente, e agradecimentos aos presentes, passando sua fala para os palestrantes.

O Dr. Álvaro Alberto Gomes Estima aborda o tema de “Bases Biológicas Dos Transtornos Mentais”, que tem como objetivo investigar a causa das doenças, ato não comprido com eximia facilidade. O cérebro autorregula-se constantemente, mudando de acordo com suas interações com o ambiente. Segundo afirma o palestrante “A Tríade do Início das Doenças Mentais” são compostas pelas fragilidades genéticas ligadas ao ambiente; quaisquer formas de sofrimento infantil, tornando os pacientes mais sucedidos a serem portadores da doença pelo resto de suas vidas e o Stress agudo/crônico que pode atingir qualquer faixa etária. O Dr. Álvaro Estima fala que um dos principais métodos de diagnóstico é feito pelo histórico da família do paciente, tendo em vista que alterações ocorridas em um indivíduo podem ser passadas para sua prole.

Em seguida, ocorre a apresentação da Dra. Professora Marcele Regine de Carvalho que é professora Adjunta do Instituto de Psicologia (IP) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e no Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental (PROPSAM) do Instituto de Psiquiatria (IPUB)/UFRJ.

Seu tema é a “Prática da Psicologia Baseada em Evidências”, que são os resultados de todo os esforços de investigação qualitativa, quantitativa ou de ambos, fornecendo ao psicólogo uma base documentada na qual possa basear sua pratica num determinado momento. Tem três pontos básicos, a Expertise Clínica, as Características do Cliente e a Melhor Evidência possível, em relação a efetividade, eficiência, eficácia e segurança. A Doutora dá atenção especial para o Mindfullness, ou Regulação Emocional, que se refere a estratégias que podem influenciar quais emoções surgem, quando, quanto tempo duram e como são experienciadas e expressas.

O tema “Imagem Funcional em Psiquiatria” é apresentado pela Dra. Maria da Graça Morais Martin, que possui graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1997) e doutorado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2007).

Sua apresentação engloba as limitações da ressonância magnética e as melhorias técnicas como a inteligência artificial, que auxiliam o estudo do funcionamento cerebral. A Doutora faz uma comparação de diversos estudos que fazem uso de BOLD e fMRI com fim de estabelecer uma base fisiológica neural, e de que modo deve ser aplicado na psiquiatria, na tentativa de entendimento cerebral nos transtornos mentais, e a correlação do funcionamento de diferentes áreas do cérebro em diversos transtornos, e a imperante diferença entre eles; testes que ainda têm como limitações falsos positivos e baixa reprodutividade.

Entretanto, a Doutora avista um horizonte de evoluções do BOLD e fMRI, auxiliados de elementos como a Inteligência Artificial, Big Data, Medicina de Precisão com objetivo de aperfeiçoar o tratamento dos transtornos mentais.

Dando prosseguimento ao simpósio, a próxima palestra é apresentada pelo Dr. Helvécio Savedra Serpa que possui mestrado em Educação pela Universidade Católica de Petrópolis (2003). Atualmente é professor adjunto da Faculdade Artur de Sá Earp e tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Processos Perceptuais e Cognitivos. O título de sua apresentação se dá por “Programa de Terapia de Exposição com Realidade Virtual / Realidade Aumentada nos Transtornos Mentais”, que se norteia por reestruturar o comportamento de pacientes de casos de fobia, ansiedade, medos injustificados ou construção de crenças e pensamentos disfuncionais por meio de um programa de 4 etapas. O Protocolo do programa de TERV funciona em 3 etapas, a primeira que identifica a queixa principal e métodos de combate, assim como gatilhos. Em seguinte, proporciona compreensão da ansiedade, medo e construção de crenças ou esquemas conceituais criados pelo paciente, e por fim a aplicação de técnicas de meditação baseada em Mindfulness. Na Realidade virtual, os pacientes são colocados em um ambiente gerado por computação gráfica, com características contextuais referentes aos seus medos e/ou suas ansiedades. Quanto maior a vivência frente as dificuldades, maior será o controle que o mesmo obterá da situação e assim vivenciará a melhora do sentimento.

A palestra seguinte é apresentada pelo Dr. Izio Klein, formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (2011). O tema abordado é “Neuromodulação (EMTr) noTratamento dos Transtornos Mentais”, e inicia por dar a definição de neuromodulação como a conjuntura de técnicas não farmacológicas que têm o mesmo objetivo de tratar transtornos psiquiátricos, atuando por meio de modulação do Sistema Nervoso Central, através do uso da Eletro convulso-terapia para pacientes com casos de surto psicóticos, além de outras técnicas invasivas-que ainda retém de muitos efeitos colaterais- e evasivas. O EMTr é usado em casos de episódios depressivos, esquizofrenia-com muitos sintomas negativos-, TOC e Estresse Pós-Traumático, além da dependência química. O Dr. Klein elucida a necessidade de mais estudos e adequação de protocolo para melhora de resultados na área, que se encontra em sua fase experimental.

O “Luto e a Psiquiatria” são apresentados pela Dra. Vivianne Nouh Chaia Oliveira, formada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Petrópolis (1989) e Pós-Graduada em Psiquiatria pela PUC –Rio, e atua como médica psiquiatra na INBRACER. O Luto Integrado é sua abertura, aonde se caracteriza 7 passos: a aceitação clara da perda; a capacidade de falar sobre o ente querido; lembrar do falecido sem dor e sem culpa; saudade (substituí a dor); legado do falecido, o que ele deixou de positivo; os sentimentos são relacionados ao momento atual; a vida retorna com novos significados.

Já o Luto Complicado, acontece com pessoas que perderam entes de maneira abrupta, como em acidentes, tragédias e casos de suicídio e na morte precoce de um filho ou cônjuge. Nesses casos, todo pensamento e ato estarão associados à perda, a pessoa não consegue se desligar. Ela deixa de realizar as atividades costumeiras, se prejudicando. É diagnosticado após um ano em adultos e em seis meses em crianças. As opções de tratamento: incluem várias formas de psicoterapia e farmacoterapia.

No Luto Complicado Persistente, desde o falecimento, apresentam-se ao menos 06 (seis) dos sintomas: marcada dificuldade em aceitar a morte; experimentar incredulidade ou entorpecimento emocional quanto a perda; dificuldade com memórias positivas a respeito do falecido; amargura ou raiva relacionada à perda; evitação excessiva das lembranças da perda; desejo de morrer a fim de estar com o falecido; dificuldade de confiar em outras pessoas; sentir-se sozinho ou isolado de outras pessoas; sentir que a vida não tem sentido, não consegue funcionar sem o falecido; confusão quanto ao próprio papel na vida, perda da sua identidade; relutância em planejar o futuro.

A prática clínica para esses casos deve-se avaliar o diagnóstico diferencial, risco de suicídio, aconselhamento em luto, pscicoeducação, psicoterapias e tratamento medicamentoso.

Em sequência, acontece a apresentação do Dr. Alexander Moreira de Almeida é um psiquiatra e parapsicólogo brasileiro, professor associado da UFJF, notório por suas publicações sobre fenômenos paranormais, saúde, transtornos mentais, problema mente-corpo, religião e espiritualidade. Sua palestra aborda a temática “Espiritualidade e Saúde Mental” onde o médico faz a associação entre Espiritualidade, Religião e a Saúde Mental, em foco no impacto sobre a saúde mental e como o estilo de vida, suporte social, crenças, coping e práticas religiosas afetam o paciente.

É afirmado que os principais achados são: queda no percentual de suicídio, depressão e abuso de substâncias, além de uma maior qualidade de vida e expectativa da mesma, sendo observado uma correlação inversa com uso de substâncias e a religiosidade. Alguns pontos negativos apontados são o coping religioso, que podem vir a ser ineficientes para tratar da saúde mental do paciente e conflito ou resistência aos tratamentos.

A Dra. Mônica Lumack Moura discursa sobre “Plataforma Tecnológica e Inteligência Artificial na Clínica Psiquiátrica”, focando no Instrumento Terapêutico de software online que interage com o paciente, como forma de extensão de tratamento presencial e farmacológico. Prescrito para pacientes com depressão maior, transtorno de humor; ansiedade generalizada. Algumas barreiras enfrentadas por esse método são o receio de perder o PAC para Inteligência Artificial, como o software não é fonte de alivio para o médico e a preocupação da prescrição adequada, para evitar recaídas, obter remissão de sintomas, e buscar recuperação, abrindo um leque de abordagens com uma linguagem simples, vencendo a negação, resistência e o estigma.

Dando continuidade ao simpósio, acontece a palestra do Dr. Steven Rehen no qual formou-se em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994), Pós-Graduações no Instituto de Biofísica da UFRJ (2000) e Pós-doutoramentos na Universidade da Califórnia em San Diego e Instituto de Pesquisa Scripps dos Estados Unidos (2000-2005). Em sua fala, associa os excessos e má formações de genes á transtornos mentais e o uso da sua pesquisa sobre a criação de células nervosas para simular reações nos pacientes a medicamentos, além do uso dessas células de IPS para cosméticos e o Zika Vírus. O Dr. Rehen alega que pacientes com esquizofrenia que passaram por seu mapeamento têm 228 genes associados ao stress oxidativo, é uma condição biológica em que ocorre desequilíbrio entre a produção de espécies reactivas de oxigénio e a sua remoção através de sistemas que as removam ou reparem os danos por elas causados, que apoia sua teoria. Após receber a outorga do título de Grande Benfeitor da Academia Nacional de Medicina, o Dr. Jorge Jaber realiza a palestra sobre as “Bases Neurológicas das Dependências”. Seu estudo foi feito com ex usuários de drogas, foi feito um estímulo visual para conectar o funcionamento metabólico com a urgência do uso da droga. Em seu estudo, revelou-se que para aqueles pacientes que foram arduamente estimulados, maior é o funcionamento metabólico do cérebro mostrado pela ressonância magnética; chegando a conclusão que o vício e a dificuldade de resistir a recaídas são fruto de um sistema neurológico que induz o uso da droga, caracterizando dependentes químicos dentro dos transtornos mentais.

Seguindo a programação, a palavra é dada ao Honorário Acadêmico Dr. Flávio Quicilli que possui graduação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em 1971. Realizou residência médica em Cirurgia Geral de 1972 a 1973, possui mestrado em Medicina pela UNICAMP em 1986 e doutorado em Clínica Cirúrgica pela UNICAMP em 1988. A partir da temática “Cérebro e a Microbiota Cerebral”, o Honorário cria um link entre o cérebro e o intestino, que, apensar de distantes e diferentes, influenciam similarmente o paciente. O intestino é responsável por funções metabólicas tropicas, a imunidade e barreiras biológicas, e quando saudável, influência nas emoções, na cognição e na nocicpção. Pode também influenciar no desenvolvimento neural e no comportamento complexo. Alguns fatores de alteram a ligação entre o cérebro e o intestino são: fatores centrais como o stress, ansiedade e depressão; fatores periféricos como a gastroenterite, uso de medicamentos e estilo de vida, hábitos; e fatores do hospedeiro, como genética e dibiose.

A Dra. Analice Gigliotti possui mestrado Universidade Federal de São Paulo (2002), atua principalmente nos seguintes temas: tratamento, dependência química, transtornos do controle do impulso e tabagismo, que foi inclusive o enfoque de sua palestra. Com a temática “Dispositivos Eletrônicos Indutores de Dependências – os vapers e o poder de perverter o bom curso do controle do tabaco no mundo”, utilizou-se da comparação entre o tabagismo tradicional e o uso de cigarros eletrônicos e seu grande avanço no mercado desde 2012. O uso do mesmo aumentou significante entre adolescentes, que fazem uso do Jull com sabores, óleo de THC e outros, estando ligados diretamente a doenças de pulmão graves.

Com a temática “Avaliação e Neuroreabilitação dos Transtoornos Cognitivos da Idade” a Dra. Helenise Charcat Fichman que possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1998), mestrado em Neurociências e Comportamento pela Universidade de São Paulo (1999) e doutorado em Neurociências e Comportamento pela Universidade de São Paulo (2003), é especialista nesse tema. A avaliação neuropsicológica mapear o funcionamento cognitivo e relaciona-se com a organização funcional do cérebro, auxiliando na identificação de transtornos cognitivos no processo de envelhecimento, sendo uma alternativa para os modelos médicos, com objetivos individuais direcionados às necessidades atuais do paciente, familiares, tipo e gravidade de doenças associadas, definição de novos projetos de vida. Os objetivos da reabilitação cognitiva no envelhecimento para o paciente são: Reduzir déficit cognitivo; maximizar qualidade de vida; minimizar risco de evolução dos comprometimentos cognitivos; prevenir o desenvolvimento de isolamento social e distúrbios psicológicos, melhorando a qualidade de vida do paciente e de seus respectivos cuidadores.

“Prevenção da Demência e da Doença de Alzheimer é palestrada” pelo Dr. Jerson Laks que possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1978), mestrado em Psiquiatria e Saúde Mental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1983) e doutorado em Psiquiatria e Saúde Mental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1993). O doutor lembra a importância da conscientização da prevenção da demência e da doença de Alzheimer, tendo em vista o crescente número de pessoas com a doença; seu tratamento individualizado e planos futuros para com a tecnologia. Ilumina a estratégia de tratamento e prevenção feita pela Academia Nacional de Medicina em parceria com o governo como grande reforço para os alertas à população. O processo demencial pode ser retardado ou prevenido, apesar de ainda não poder ser revertido. Dr. Laks afirma que baixas doses de lítio retardam a demência e que os fatores de risco da doença são os mesmos para as doenças cardíacas e vasculares, além de lembrar uma notória melhora na qualidade de vida do paciente ao adotar um estilo de vida mais saudável.

O Presidente encerra o simpósio semanal após alguns notórios comentários de presentes, ao proferir um breve discurso remetendo a um assunto sobre a Medicina de Precisão, e sua incerteza a ser aplicada ao cérebro, porém não a mente, sendo uma dimensão fantástica da vida humana; citando Hipócrates: “A medicina é ciência na sua elaboração, mas é arte na sua execução”, tratando a beleza da psiquiatria como a incerteza.

Debate sobre o presente e futuro da Fotoproteção na ANM

Desde sua fundação, a Academia Nacional de Medicina esteve comprometida com o combate de importantes aflições do corpo humano, assim como suas causas, inspirados por pesquisas atuais, e recentes avanços que aconteceram no ano de 2019, mudando a concepção durante as palestras durante o simpósio. Comprometida com a sua tradição semanal de simpósios, este segue como todos os anteriormente, reunindo especialistas no tema a ser abordado e conscientizando e atualizando a Academia.

O primeiro palestrante a proferir seu estudo é o Professor Sérgio Schalka, graduado em Medicina pela Universidade de São Paulo (1990) com Residência em Dermatologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (1994). Também é Mestre em Dermatologia pela Faculdade de Medicina da USP.

O organizador do Simpósio, Acad. Omar Lupi, junto ao Presidente Jorge Alberto Costa e Silva e o 1º Secretário, Acad. Ricardo Cruz

Abrindo o simpósio com um alerta sobre os riscos e efeitos da radiação solar, separando-as em 3 tipo: Infravermelho, Ultravioleta e Luz Visível. Algumas das doenças provenientes do não uso correto de fotoproteção seriam o Eritema Ab Igne, Queratose Termal, CEC e Elastose Solar. O professor define o conceito de fotoproteção como o “Conjunto de medidas direcionadas a reduzir a exposição ao sol e a prevenir o desenvolvimento do dano actínico agudo e crônico”. Afirma que combinando diferentes formas de proteção, a fotoproteção completa, é a mais adequada ação preventiva contra os danos solares, incluindo o câncer de pele.

O próximo palestrante da tarde é o Dr. Elimar Elias Gomes que possui graduação em Medicina (2001), Residência em Dermatologia (2004) e Especialização em Cirurgia Dermatológica (2005) pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP, São Paulo. Têm como pauta a “Fotoprevenção em Oncologia Cutânea”, apresentando índices de incidência e mortalidade, ao lado do envelhecimento populacional, e como o avanço de medicações para tratamento de doenças de pele diminuem a mortalidade no Brasil, mesmo que 80% da população-dependente do SUS- não tenha acesso a tais tratamentos. A radiação UV presente tem relação direta com tumores invasivos, e o uso de filtro solar é afirmado como benéfico na prevenção de melanoma, além de uso de quimioproteção – ainda em fase experimental – são combinações excelentes para evitar as doenças de pele causadas pela radiação.

Na sequência do Simpósio, a Dra. Carolina Marçon aborda a “Hipovitaminose D e a Fotoproteção”. Inicia por afirmar que 90% da vitamina D é obtidas através da produção cutânea pela luz solar e fatores geográficos e individuais influenciam na sua síntese. Um estudo feito no Paquistão em 2015 revela uma deficiência de 99% da população em nível sérico médio de 25(OH) D devido aos costumes religiosos adotados pela população, em relação a vestimentas como o Balochistan e o Punjab.

Já o estudo feito na Nigéria em 2019 confere que a população – incluindo albinos – têm baixos altíssimos de vitamina D, contestando que pessoas negras têm níveis mais baixos de vitamina D e confirmando a importância da pigmentação no status da vitamina D. A vitamina D é constantemente associada a doenças sistêmicas e dermatoses, detectada em diversos tecidos do corpo humano. A Dra. Marçon afirma que há pouca evidência de que o filtro solar diminua a concentração de vitamina D, sugerindo que as preocupações com a vitamina D não devem negar os conselhos de prevenção do câncer de pele.

Em seguida, o Dr. Elimar Elias Gomes retorna a sua apresentação com “O que esperar da Fotoproteção ideal? ”. Abordando que a Fotoproteção ideal seria composta de eficácia, segurança, adesão ao uso e sustentabilidade. Na composição de um filtro solar, cerca de 10% a 20% são constituídos por ativos fotoprotetores, que atuam absorvendo, refletindo ou dissipando os raios solares. Os ativos fotoprotetores podem, portanto, ser classificados em dois tipos distintos: Inorgânicos (com efeito físico) e Orgânicos (com efeito geralmente químico). Alguns dos benefícios notados foram o auxilio no tratamento de dano actíneo, uso de antioxidantes na pele, a acessibilidade e a sustentabilidade de filtros solares atuais.

A Dra. Carolina é convidada para dar a sua segunda apresentação durante o simpósio sobre “Albinismo: O que o Brasil tem a ensinar ao Mundo”. Iniciando sua fala com um conceito simples de albinismo sendo a desordem genética rara caracterizada por deficiências específicas no sistema visual e hipopigmentação variável, ausência completa ou redução da biossíntese de melanina nos melanócitos, acometimento dos olhos, pele e cabelo, ou apenas dos olhos.

A deficiência na produção de melanina e a alteração de diferentes genes e mutações acomete variações de fenótipos, resultando em diferentes tipos de albinismo. A principal causa de mortalidade entre pacientes albinos é dada pelo câncer de pele, usualmente entre os 55 aos 68 anos de idade. Ao final de sua fala ao fazer menção ao Programa Pró-Albinismo criado em 2010 que semeia viabilizar a conscientização para pais de pacientes – e pacientes- portadores da condição, enfatizando a importância do diagnostico e cuidado precoce em pacientes jovens, viabilizar o diagnóstico molecular, enfatizando a diferença que a situação socioeconômica dos pacientes e o acesso a métodos preventivos contra os raios solares.

O Professor Sérgio Schalka volta a pose de palestrante para falar sobre: “Fotoproteção – Aspectos Regulátorios”, que consiste seu foco nas legislações em diferentes partes do mundo, como o Mercosul, os Estados Unidos e a União Europeia. Uma das preocupações atuais seria a ampliação do acesso ao fotoprotetor, e sua segurança. Falando sobre fragrâncias, conservantes e filtros solares orgânicos, que podem vir a ser maléficos variando de paciente para paciente. A eficácia de fotoprotetores, como apresentada, depende de fatores como o FPS, a sua proteção contra eritemas e resistência a água.

Dando prosseguimento ao Simpósio, o próximo palestrante é o Acadêmico Omar Lupi da Rosa Santos. Graduado em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ, 1990), possui Mestrado em Medicina (Dermatologia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, 1995), Doutorado em Medicina (Dermatologia), pela mesma universidade (1998) e pela University of Texas Medical Branch (Galveston/TX entre 2001 e 2002).

Seu tema é “Fotoproteção 2019: Amigo ou Inimigo?”, fazendo uso de 3 pesquisas diferentes para embasar fatos, chegou à conclusão de que o princípio do fotoprotetor encontra-se no leite materno e no soro, a partir da absorção hormonal da oxibenzona, porém não há comprovações de que o que seja comercializado no mercado seja, de fato, tóxico. O Acadêmico dá um breve foco em projetos que o mesmo desenvolveu como a proibição do uso de maquinas de bronzeamento, a Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de pele, e a evolução para a sua versão móvel.

O último palestrante do Simpósio, Professor Doutor Marcos MaiaPossui graduou-se em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1971), é Mestre em Dermatologia pela Universidade Federal de São Paulo(1989), Doutor em Dermatologia pela Universidade Federal de São Paulo(1992) e residência-médica pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual(1973).

Sua breve fala inclui o desenvolvimento do melanoma ao longo dos anos, com a expectativa de vida aumentando, os casos de melanoma se tornam mais frequentes em pacientes de idade avançada, aonde o CEC seria de idade média de 73,6 anos e o CBC de 67,1. Em conclusão, ilumina mais uma vez os avanços dos fotoprotetores solares, que unem atualmente eficiência, cosmética, segurança, antioxidantes e propriedades reparadoras para a pele.

Reflexões sobre as transformações digitais na medicina é tema na ANM

O Dr. Sukrit Narula é graduado em bacharel de Artes, Ciência Política e Governo (2014) na Universidade de Stanford e graduado em Medicina pela Ichn School of Medicine at Mount Sinai (2015). É Mestre em Pesquisa de Metodologia de Saúde pela Universidade McMaster (2020) e Doutor em Medicina pela Medicina pela Ichn School of Medicine at Mount Sinai.

Sua palestra foca no uso de inteligência artificial, especificamente o Machine Learning and Evidence-Based Medicine. O Dr. Sukrit faz uma alusão a um filme infantil em que se encontra um Robô Médico, Baymax que consegue realizar diferentes diagnósticos com precisão, fazer scans completos do corpo, e da saúde mental do paciente com pacientes e o mundo demonstrando interesse na evolução da saúde digital. A palestra questiona sobre como a inteligência artificial seria devidamente aplicada a medicina, e a necessidade de pontos fortes e limitações das máquinas atuais, além de que forma seu aprendizado ocorre.

Acadêmicos Ricardo Cruz (à esquerda) e Jorge Alberto Costa e Silva (presidente, ao centro), conduzem os debates do Simpósio sobre Transformação Digital em Medicina

Mencionando uma pesquisa feita em 2002 chamada de “Arquitetura da pesquisa de diagnóstico”, afirmou que as melhores ferramentas para testes são aquelas de utilidade e usadas de forma pragmática. Alguns pontos negativos apontados do uso da inteligência artificial como erro de diagnóstico por excesso e medo do paciente revelam que para um futuro de possível união entre a inteligência artificial e a medicina deve ser usada somete quando puder dispor de tratamentos apurados, um diagnóstico precoce e prognóstico positivo na queda de mortalidade.

Em seguida, o Simpósio contou com a apresentação do Dr. André Galassi que é graduado pela Universidade Federal de Uberlândia (1996), Mestre em Administração de Negócios, Negócios Internacionais, e Comércio (2005). Ainda é Diretor de Relações Corporativas Institucionais na UMC Tecnologia. Sua fala centraliza-se ao entrono da tecnologia do blockchain, avaliado como ampla tecnologia, e sua efetividade no compartilhamento de informações seguras descentralizado no processo de dados aplicado à saúde, uma tecnologia que simplifica e une duvidas do paciente com os médicos se forma simples, porém com segurança e confiabilidade.

O Dr. Sukrit Narula retorna à posição de apresentador para abordar um novo tema: “Aplicações Modernas Genômicas”, aonde é possível ver o link entre seus temas apresentados no uso do Machine Learning e o Deep Learning. A partir desta visão sistêmica dos genes humanos, o uso da genômica para o desenvolvimento de medicamentos, o processo de desenvolvimento de medicamentos é simplificado, tornando-se mais eficiente.

O uso dessas tecnologias causaria mudanças positivas no diagnóstico e terapia, tornando-os mais eficientes com testes no genoma do paciente. Alguns exemplos foram dados para o uso dessa tecnologia como a análise de uma única célula e a habilidade de guiar o design do RNA em CRIPR, as tecnologias que desenvolveriam um robusto potencial para a criação de ferramentas multimodais.

A próxima palestra ministrada da tarde contou com o Dr. Leonardo Kayat Bittencourt é graduado em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2004). Sua Residência Médica foi em Radiologia e Diagnóstico por Imagem no Hospital da Beneficência Portuguesa – Med Imagem – São Paulo (2007) e Fellowship em Imagem do Abdome e Pelve na mesma instituição (2008). Professor Adjunto de Radiologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) com Mestrado (2011) e Doutorado (2014) em Radiologia e Diagnóstico por Imagem pela UFRJ.

O tema de seu elóquio é sobre “Inovação em Medicina de Precisão”, onde apresenta índices patológicos associado com perfil molecular para criar estratégias terapeutas diagnósticos e prognósticos ajustados precisamente para o paciente. Cerca de 70% das decisões clínicas são influenciadas por exames diagnósticos, a medicina de precisão busca fazer o uso das ferramentas digitais para consolidar os passos do paciente. A ideia seria criar uma estrutura em que todos os envolvidos com o caso houvessem acesso e compartilhamento de informações simultâneas – inclusive o paciente – de forma rápida e segura, levando a um tratamento personalizado para cada paciente.

Na sequência do Simpósio, o Sr. Diego Alvarez é convidado ao púlpito. O Sr. Alvarez é graduado pelo ITA como Engenheiro de Computação (2010), Mestre em Administração de Negócios na IESE Bussiness School (2019), além de fundador na Nexa e atualmente CIO/CDO do laboratório DASA. Seu tema abordado é “Trends in Healthcare”, aprofundando os entendimentos do porque empresas de inteligência artificial e grandes empresas como a Google, Apple e Amazon investem nesse mercado.

Atualmente 10% de todas as empresas unicórnio são de saúde, e detém de firetentes abordagens e investimentos na saúde. Cada empresa com um enfoque variado, como a Apple com dispositivos e estudo clínico de usuários, a Google abordando doenças diferentes com subempresas diferentes e a Amazon, trabalhando futuramente com o MedCare nos EUA. A diversidade de produtos e empresas entrando na saúde são completamente diferentes de alguns anos atrás.

O próximo palestrante é o Dr. Guilherme Rabello, graduado pela Poli USP, atua como Professor de MBA no curso de Tecnologia da Saúde. O enfoque de sua apresentação baseia-se na reflexão de uma vida mais longa associada a qualidade de vida e acessibilidade aos meios de saúde. A gestão de gastos para pessoas de doenças raras, por exemplo, compõe a maior parte dos gastos médicos comparado com a população em massa com doenças de fácil tratamento e baixo custo. Também frisa à vontade – e necessidade – da população ter uma saúde de precisão móvel, aonde todos os seus dados lhe pertencem.

Dando prosseguimento ao programa, o Dr. Flávio Silva é apresentado. Ele é graduado pela Universidade Federal de Uberlândia em Engenharia da Computação (1993), Mestre em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Uberlândia (2004) e Doutorado em Sistemas Computadorizados e Telecomunicações pela USP (2013). Atualmente leciona aulas como professor na UFU.

Sua palestra visa dar foco na tecnologia do 5G e como ela pode ser empregada a aplicações e serviços de saúde futuramente, frisando o impacto da mudança das necessidades da propriedade. Tais aplicações e serviços futuros, como o uso de inteligência artificial e medicina de precisão são exemplos dessas, que, dependem por completo de uma conexão de qualidade como o 5G oferece, criando inúmeras possibilidades para o futuro da medicina.

Algumas barreiras que o uso do 5G enfrenta é a necessidade de regularização, segurança e privacidade total. Assim, os pacientes poderão ser atendidos remotamente, em qualquer lugar do país, ampliando o acesso da telemedicina, obtendo sempre consigo os resultados de seus exames. Seu enforque termina com a lembrança de que o 5G é um projeto ainda em progresso, auxiliado por diversos Países, unidos por um novo meio de conexão.

Em sequência, a fala é destinada ao Dr. Roberto Vieira Botelho que é graduado em Medicina pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro, têm PhD na Faculdade de Medicina na USP, atualmente Diretor da Instituição do Coração do Triângulo, Presidente da ITMS e do Centro Médico de Uberlândia. Têm como tema a “LATIN”, um case de suporte a decisão por inteligência artificial, criando-se um algoritmo de inteligência artificial para prever um infarto, através de um Apple iWatch. A simples e objetiva apresentação se concluí pela vista de oportunidades em que o algoritmo impactaria na vida das pessoas através de um wearble, que se encontra em estágio de validação clínica.

Por conseguinte, o Dr. Emerson Leandro Gasparetto é apresentado. Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (2001), Residência Médica em Radiologia e Diagnóstico Por Imagem no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (2002-2005), Mestrado em Medicina (Radiologia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2004), Doutorado em Medicina (Radiologia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005) e Pós-Doutorado em Medicina Interna (Neurorradiologia) pela Universidade Federal do Paraná (2006).

Seu tema aborda “A Radiologia dentro da IA”, em especial em como trazer e impactar a vida das pessoas com seu uso. Através de machine learning, o poderio das placas de vídeo projetadas para videogames revoluciona o uso de máquinas para a área da saúde, democratizando o uso da IA na medicina de diagnóstico, iluminando a interação entre homem e máquina.

A penúltima apresentação do Simpósio é realizada pelo Acadêmico Ricardo José Lopes da Cruz. O Membro Titular desta instituição graduou-se em Medicina no dia 07 de dezembro de 1977 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Realizou o Internato e Residência Médica em Cirurgia Geral no Hospital Federal de Ipanema, em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Instituto Nacional de Câncer (INCa-RJ) e completou sua formação na área de Cirurgia Crânio-maxilo-facial no Departamento de Cirurgia Plástica da Escola Médica de Pós-Graduação da PUC-RJ, sob a coordenação do Acadêmico Ivo Pitanguy.

O tema exposto é “E o paciente? A medicina de diagnostico pode ser mais humana?”. Nesta apresentação o Acadêmico aborda o uso da IA para o combate de erros médicos e a telemedicina mais humanizada sendo capaz de trazer empatia, mais qualidade e produtividade ao diagnóstico além de um custo reduzido. Aponta fervorosamente as limitações e desvantagens da IA e da Deep Medicine, porém defende que em um futuro próximo, o uso da IA estará muito além da capacidade do ser humano de imaginar o que viria a ser.

Concluindo este Simpósio o Presidente Acadêmico Jorge Alberto Costa e Silva realizou sua palestra. Graduou-se pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em 1966. Especialização em Metodologia Científica no Instituto Karolinska em Estocolmo, Suécia. O Presidente fala sobre “A singularidade está aí: O homem antes do pixel”.

Sua breve fala atenta a velocidade em que a tecnologia e a humanidade evoluí, as separando em diversas singularidades, com foco em: Algoritmo, Big Data, Inteligência Artificial, Medicina numérica e de precisão, Medical Devices, Pixel, Virtualização, transcendência (físico – não material), Epigenética, Universo conectado, Consciência, Medicina, Biologia (DNA, RNA), DEEP learning ,Campos morfogenéticos (Rupert Shildrake), Sincronicidade (Jung), Medicina de Precisão e Robótica, sendo estas classificadas pelo mesmo como tecnologias atuais.

O Presidente encerra seu discurso com uma frase antiga, porém perfeitamente aplicável ao mundo atual: “A religião do futuro será uma religião cósmica. Ela transcenderá uma ideia de um Deus encarnado, evitará os dogmas e a teologia. Cobrirá o domínio tanto natural como espiritual e se baseará sobre um sentimento religioso, nascido da experiência de uma unidade significativa em todas as coisas, naturais e espirituais”, de Albert Einstein.

A sessão de discussão sobre os assuntos foi aberta por um breve período sobre uma nova realidade do exercício da medicina, a aplicação de IA e outros.

Academia Nacional de Medicina realiza Simpósio sobre o Abdome Agudo

Com quórum regimental, o Presidente Acad. Jorge Alberto Costa e Silva, declarou aberta a 41º Sessão Ordinária, relativa ao 190º ano Acadêmico, seguindo com a anciã tradição da Academia de realizar sessões semanais ininterruptas na qual abre seu espaço para a discussão e aprendizados na área da saúde. Esta sessão teve início com a breve apresentação dos organizadores e moderadores palestrantes do dia, passando a palavra para o secretário geral; o Acadêmico José Galvão -Alves.

Na Mesa Diretora do Simpósio, os Acadêmicos Octavio Vaz, José Galvão-Alves, Jorge Alberto Costa e Silva e José Augusto Messias

O Acadêmico segue por congratular aos seus acadêmicos e companheiros de organização, o Acadêmico Octávio Vaz e Celso Portela. O Acadêmico José Augusto Messias fala por um momento sobre uma publicação datada no ano de 1921, um opúsculo que foi reeditado por diversas vezes, sendo um monumento para o assunto do simpósio.

A primeira apresentação do evento é realizada pelo Drº. Antônio José Carneiro, doutor em Clínica Médica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999), atualmente é Professor Associado da mesma instituição. Possui experiência na área de Medicina com ênfase em Gastroenterologia, atuando principalmente com Clínica Médica, Gastroenterologia, terapêutica e diagnóstico de doenças inflamatórias intestinais.

Seu elóquio se inicia com uma breve descrição da diverticulose, que resulta de uma perfuração microscópica ou macroscópica de um ou mais divertículos devido a inflamação e necrose focal, além da diferença entre a Colite Diverticular, e a Doença Diverticular não complicada sintomática, seguindo por um leve lembrete da anatomia dos divertículos. Após breves explicações, segue para o esclarecimento da Fisiopatologia da diverticulose, aonde um fator de risco é a dieta ocidentalizada, na qual é pobre em fibras.

Baseando-se em novas descobertas abordadas recentemente, o Drº. Carneiro afirma que além dos fatores já citados como as drogas, alterações da mutilidade colônica, sistema neuroentérico, hipersensibilidade viral, alterações no microbioma intestinal e genética notou que nos pacientes com SUDD e hipersensibilidade, houve um aumento significativo da dor na sigmoide e reto, assim como a alteração em inervação entérica após o episódio.

Mediante a isso, defende que não há necessidade e nem estudos que comprovem que pacientes que sofrem de Doença Diverticular precisam evitar o consumo de grãos, baseando-se num estudo do ano de 2008 que prova que não há associação entre o consumo de nozes, milho ou pipoca e a diverticulite ou hemorragia de origem diverticular.

A conclusão de sua apresentação consiste em relembrar o avanço dos conhecimentos sobre a fisiopatologia da Doença Diverticular do Cólon e da Diverticulite nos últimos anos, o importante papel de fatores ambientais, a alteração da motilidade colônica e na sensibilidade visceral que vêm sendo enriquecidos por novas evidências. Ao fim, afirma que os mecanismos imunológicos, associações genéticas e alterações de microbioma intestinal estão implicados na sua fisiopatologia. O Doutor agradece brevemente aos presentes e dá a palavra para o Professor Drº. Marcelo Enne.

O Professor Doutor Marcelo Enne possui Mestrado em Cirurgia Geral / Setor Abdominal pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999). Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Cirurgia Hepatobiliar, atuando principalmente nos seguintes temas: Fígado e Cirurgia Hepatobiliar. Ministra aulas como Professor da Disciplina de Cirurgia da Universidade Estácio de Sá e também atua como Cirurgião do Serviço de Cirurgia na Seção Hepatobileopancreática do Hospital Federal de Ipanema no Rio de Janeiro.

Sua apresentação se inicia com agradecimentos aos acadêmicos e demais presentes, descrevendo um caso de seu paciente diagnosticado com Colescistite Aguda; um homem de 86 anos que apresentava dores abdominais, vômitos e febre ao longo de 3 dias seguidos, sem nenhum sinal da doença na primeira examinação. O mesmo apresenta os Tokyo Guidelines de 2007, 2013 e 2018, e explica as vantagens da Colecistectomia Percutânia seriam o fácil acesso, uma elevada taxa de sucesso e apenas a necessidade de anestesia local. No grau III seria recomendado uma drenagem da vesícula biliar. Sua apresentação termina com um vídeo em detalhes da cirurgia de Colecistectomia Percutânia e agradecendo a grande honra que foi apresentar a sua tese.

O Acadêmico Moderador chama a frente o Acadêmico Eduardo Lopes Pontes, graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1975. Obteve Doutorado em Clínica Médica pela Universidade de Oxford (1982), defendendo tese intitulada “Local Immune Responses in Ulcerative Colitis”.

O Acadêmico apresenta o tema Megacolon Tóxico, apresentando a ideia básica sobre abdômen agudo, já descrito anteriormente durante o simpósio. Após explicar as origens do termo Megacolon tóxico usando uma imagem de um caso como exemplo visual. A incidência da doença é de 1% a 6% em todos os pacientes hospitalizados por DII e 10%-20% naqueles com doença fulminante. O Acadêmico afirma que a patogênese do Megacolon é ainda desconhecida, porém há hipóteses sobre a extensão da inflamação na camada muscular lisa da parede intestinal, que leva a disfunção, relaxamento e dilatação subsequente do cólon.

Sua conclusão é baseada na afirmativa de que o Megacolon Tóxico é uma emergência médica, de tratamento mais precoce possível, considerando-se a alta taxa de mortalidade, em especial na perfuração intestinal ou sepsis. O Acadêmico agradece brevemente e termina a sua apresentação.

O Acadêmico José-Galvão Alves graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1976). Fez Residência na especialidade de Clínica Médica no Hospital São Francisco de Assis e no Hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Especializou-se em Gastroenterologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1980, onde também cursou mestrado em Gastroenterologia em 1982. No mesmo ano, realizou um “update in internal medicine”, pela Harvard Medical School. Concluiu Doutorado em Gastroenterologia pela Universidade Federal de Minas Gerais e leciona em diversas universidades desde 1980.

O tema cabido ao Acadêmico é sobre a Pancreatite Aguda de Etiologia Obscura Idiopática, sendo uma consequência do abdômen agudo, aonde a etiologia não identificada leva a um tratamento errôneo. Suas etiologias são: biliar, álcool, hipertrigliceridemia, drogas, tumores, trauma, pós-operatório infecção e doenças autoimunes, sendo sua causa mais comum a micro litíase em 70% a 80% dos casos.

É afirmado que o diagnóstico da doença é feito por meio de ultrassom, aspiração biliar duodenal, CPRE + bile e eco endoscopia, na maior parte dos casos. A Manometria Endoscópica é dita como o padrão-ouro para a disfunção, mesmo sendo pouco disponível para pacientes e de difícil realização. O Acadêmico fala brevemente do Pâncreas Divisum, doença facilmente diagnosticada e tratável, sendo mais comum na má formação congênita do pâncreas. Também ilumina a Pancreatite Hereditária, doença genética autossômica dominante, que deriva do gene do tripsinogênio catiônico. Sua avaliação básica consiste de ultrassom e tomografia computadorizada como exames básicos, seguido de uma endoscopia e por último a avaliação genética do paciente. O Acadêmico José-Galvão Alves agradece a todos brevemente e encerra sua fala.

A sessão se encerra brevemente para um intervalo, sendo retomada pelo Presidente, introduzindo o coordenador-moderador Carlos Vieira, que dá início as apresentações, dando a palavra ao Acadêmico Celso Portela, graduou-se em Medicina pela Faculdade Nacional de Medicina em 1961 e doutorou-se em Medicina pela Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, atual UNIRIO (1968). Também atuou como livre-docente em Clínica Cirúrgica pela Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro (1969) e é especialista em Cirurgia Geral conferido pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

O tema abordado é a Isquemia Aguda Mesentérica, ressaltando as incertezas do diagnóstico tardio e alta mortalidade em meio de toda a sofisticação da terapia intensiva. A doença afeta pacientes de 70 anos ou mais, doentes portadores de doenças relacionadas ao coração e doenças hematológicas. Ao final, o Acadêmico dá grande foco a cirurgia de dois tempos, solução para um problema antes insolúvel e extremamente complicado. Iluminando o transplante intestinal que seria a solução definitiva para todas as complicações da doença, porém esta ainda não se encontra refinada o suficiente para ser realizada.

A próxima palestra foi realizada pelo Acadêmico Octavio Pires Vaz, graduado em Medicina em 1972 pela Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, com Mestrado pela University of Illinois em Chicago (1987). Tornou-se especialista em Cirurgia Geral pelo CBC em 1976 e especialista em Cirurgia Oncológica na Área de Cirurgia Geral (1997). Além disso, obteve o grau de especialista em Cirurgia Vídeoendoscópica (1997) pela European Accreditation Council for continuing Medical Education e pelo European Institute of TeleSurgery (2010).

O Acadêmico chama atenção a importância do tema e como ele afetará a população em 2050, aonde 22% da população corresponderá a pessoas idosas, uma porcentagem maior de que pessoas com 15 anos de idade. Ele aponta as diferenças entre a doença de abdome agudo em um paciente idoso e um jovem, apontando a diferença da taxa de mortalidade; 33% dos pacientes idosos vêm a óbito, por uma procura tardia causada por uma série de fatores que afetam a população idosa atual que resultam nessa porcentagem tão grande. Sua apresentação vem ao fim com uma pesquisa do IBGE da expectativa de vida da população brasileira no ano de 2060, aonde mulheres viverão na média de 84,4 anos, enquanto os homens viverão em todo de 73,03 anos.

A sessão do dia 12 de setembro de 2019 é encerrada com uma breve discussão sobre o tema por meio dos Acadêmicos após um satisfatório simpósio concluído novamente, contribuindo para com a tradição da Academia Nacional de Medicina.

Presidente Jorge Alberto Costa e Silva prestigia cerimônia de outorga do título de Doutor Honoris Causa na Universidade Sorbonne

Em viagem à Europa, o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva participou de mais uma importante cerimônia, realizada em uma das mais tradicionais universidades francesas. A Universidade de Sorbonne, conhecida popularmente como Universidade de Paris, povoa o imaginário popular em razão de sua longevidade (a instituição foi criada ainda no século XIII) e da excelência da produção científica.

A programação da cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa do Dr. Wilson Savino na Universidade de Sorbonne

Levando a cabo as atividades do Núcleo de Relações Institucionais Internacional, o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva representou a Academia Nacional de Medicina na belíssima cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa, que prestigiou alguns dos maiores nomes da medicina mundial com o título honorífico, dentre os quais o Dr. Wilson Savino era o único brasileiro. Tal qual na semana anterior, onde participou como convidado especial da solenidade de entrega do Prêmio Antônio Champalimaud de Visão (maior prêmio do mundo na área de Oftalmologia), o Presidente tomou parte das atividades junto a outras autoridades como a Dra. Nísia Trindade Lima e o Dr. Paulo Gadelha, respectivamente, Presidente e ex-Presidente da Fundação Oswaldo Cruz.

Além da participação na supracitada cerimônia, o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva também visitou a Universidade de Sorbonne para a negociação de um acordo de cooperação com a prestigiosa instituição, fortalecendo ainda mais a presença internacional da Academia Nacional de Medicina, que possui expressiva atuação em conjunto com instituições francesa como a Academia Nacional de Medicina da França e sua associada, a Fondation de l’Académie Nationale de Médecine.

Os Drs. Paulo Gadelha e Nísia Trindade junto ao Presidente Jorge Alberto Costa e Silva

O Dr. Wilson Savino, tal qual outros colegas da Fiocruz, possui um histórico de colaborações com a Academia Nacional de Medicina, tal qual o evento internacional Simpósio Zika: Conquistas e Desafios um ano após a Declaração de Emergência no Brasil, realizado entre os dias 7 e 10 de novembro de 2016 e contou com a participação de organizações supranacionais como a rede IANAS (Inter-American Network of Academies of Sciences) e o IAP for Health, que trata de temas de saúde global. Na ocasião do Dr. Wilson Savino atuou como um os organizadores das atividades, junto ao Acadêmico Marcello Barcinski.

Wilson Savino é professor da Fundação Oswaldo Cruz: Fiocruz, tendo dirigido o Instituto Oswaldo Cruz de 2013 a 2017 e tendo atuado como presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, Biologia Celular e da Sociedade Internacional de Neuroimuno-modulação. Atualmente, coordena as estratégias nacionais de integração da Fiocruz, bem como os programas de cooperação entre a Fiocruz e a França. Em reconhecimento aos seus esforços para a cooperação franco-brasileira, Savino foi nomeado Cavaleiro da Ordem das Palmeiras Acadêmicas em 2013 e recebeu, em seu Laboratório, a visita da Ministra da Saúde, Marisol Touraine, em setembro de 2015.

Sua carreira está ligada à cooperação franco-brasileira há quase 40 anos, tendo realizado inúmeras colaborações com laboratórios franceses em Paris, mas também em Lille, Lyon, Montpellier e Toulouse.

No dia 12 de setembro de 2019, o Dr. Wilson Savino proferirá conferência às 11h no Anfiteatro do Institute of Myology (Hospital Pitié-Salpétrière, Babinski Building), intitulada “O timo tem algo a ver com o músculo esquelético?”.

Academia Nacional de Medicina aborda a epidemia de sarampo em simpósio

Desde sua fundação, a Academia Nacional de Medicina esteve comprometida com o combate de importantes enfermidades, participando de campanhas de conscientização, tratamento de erradicação de doenças. No artigo 2ºseu estatuto, a fundação da instituição está diretamente associada à função de responder às perguntas do Governo sobre tudo o que interessar à saúde pública, com especial destaque para o combate às epidemias e a propagação de vacinas e investigações que possam concorrer para o progresso da arte de curar.

Com este objetivo em mente, na última quinta-feira (5), os Acadêmicos Paulo Marchiori Buss e Celso Ferreira Ramos Filho reuniram especialistas na Academia Nacional de Medicina para abordar a emergência de saúde relacionada ao sarampo. Segundo o portal do Ministério da Saúde, entre 09 de junho a 31 de agosto de 2019, o Brasil notificou 20.292 casos da doença, com casos confirmados concentrados em 13 estados, sendo 98,37% no estado de São Paulo (2.708), seguido do Rio Janeiro, Pernambuco, Distrito Federal, Goiás, Paraná, Maranhão, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Santa Catarina e Piauí.

Acadêmicos Celso Ramos, Pietro Novellino e Paulo Buss discorrem sobre principais aspectos da emergência de sarampo junto às Dras. Simone Aranha Nouér e Cynthia Cavazzana

Com apresentação intitulada “Sarampo: Epidemiologia de uma Doença em Extinção Expansão”, o Acad. Celso Ramos apresentou um breve compilado das principais características da doença, cujo vírus foi introduzido na espécie humana há cerca de 1000 anos. Destacou que a doença é altamente transmissível e possui taxa de ataque superior a 90%, tendo um extenso período de incubação e transmissão. Acerca da importância da introdução da vacina, ressaltou que, antes de seu emprego, a doença era causa de 26% dos óbitos de crianças entre 1 e 4 anos.

Na sequência, o Acadêmico apresentou os planos de controle e eliminação do sarampo no Brasil, que culminaram na emissão do Certificado de Eliminação do Sarampo da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em 2016. Naquela data, os últimos casos autóctones de sarampo haviam ocorrido no ano 2000 e, até então, todos os casos confirmados no País haviam sido importados ou relacionados à importação.

Sobre o aumento no número de casos da doença em todo o mundo, o Acadêmico apresentou dados que apontam para um surto mundial. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o número de casos de sarampo no mundo triplicou nos primeiros sete meses de 2019, considerando o mesmo período do ano em 2018.

Com conferência intitulada “Profilaxia e Controle do Sarampo em Unidades de Saúde e em Populações Especiais”, a Dra. Simone Aranha Nouér (UFRJ) abordou importantes aspectos sobre o contágio em unidades de saúde. Segundo a médica, algumas características do vírus do sarampo contribuem para este fato, ressaltando que o mesmo permanece ativo e contagioso por até duas horas em superfícies ou em suspensão no ar. Considerando, ainda, que o vírus possui uma extensa fase contagiosa, este fato possibilita que indivíduos assintomáticos e aparentemente saudáveis possam funcionar como vetores de disseminação da doença.

Sobre o controle da doença em unidades de saúde, a Dra. Simone Aranha destacou que este requer medidas simultâneas, que envolvam tanto os profissionais de saúde quanto os pacientes imunossuprimidos, e, portanto, mais vulneráveis. Nesse contexto, além da indicação do uso de máscaras específicas para controle de aerossóis, a médica ressaltou a importância da frequente e correta higienização das mãos, afirmando que, apesar de parecer uma medida óbvia, esta é uma ferramenta eficaz para o controle do atual surto.

Abordando “Epidemia de Sarampo em São Paulo: Características e Tendências”, a Dra. Cinthya Cavazzana (COVISA – SMS/MSP) afirmou que o estado possui os maiores índices de presença da doença, chamando atenção para o fato de que, anteriormente, a capital possuía cerca de 90% dos casos, índice este que hoje já gira em torno de 60%, indicando a disseminação em direção ao interior do estado. Salientou, ainda, a importância de uma eficiente e apurada coleta de dados na definição de estratégias de saúde, levando em consideração fatores como faixa etária, localidade, condições socioeconômicas etc. Sobre os principais desafios enfrentados pelos agentes de saúde, a Dra. Cinthya fez um alerta sobre uma diminuição considerável da cobertura vacinal observada não só em São Paulo, mas em todo o país. Apresentou dados que estimam que, atualmente, existem aproximadamente 7 milhões de indivíduos suscetíveis ao contágio só no estado de São Paulo – no Rio de Janeiro, esse número chega a 4 milhões.

Concluiu sua apresentação discorrendo sobre estudos que analisam a existência de um novo genótipo da doença que estaria em circulação e, portanto, justificaria os altos índices de contágio. Todavia afirmou que ainda é cedo para determinar se a informação procede e que existem outros fatores mais importantes na determinação de uma epidemia, como a diminuição da cobertura vacinal, o nível de treinamento de agentes de saúde, dentre outros.

A última conferência do Simpósio ficou a cargo da Dra. Claudia Maria Braga de Mello, que discorreu sobre “Vigilância e Controle do Sarampo em Período Pré-Epidêmico”, abordando a perspectiva da Subsecretaria de Vigilância em Saúde do Estado do Rio de Janeiro. Segundo a subsecretária, uma das principais preocupações do órgão é criar um modelo de análise que consiga realizar o cruzamento de informações dos diferentes protocolos de vacinação que antecederam o que é utilizado atualmente, em vigor desde 2004.

Com relação aos desafios das equipes de saúde, chamou atenção para o fato de que o sarampo possui sintomas muito similares a outras viroses, o que torna essencial o treinamento adequado dos agentes, que muitas vezes não têm experiências com a doença durante a graduação. Na conclusão de sua apresentação, a Dra. Claudia Maria Braga de Mello discorreu sobre as ações de fortalecimento da vigilância epidemiológica, que incluem o incremento de visitas e treinamentos aos municípios, para a ações de rotina e surtos; a emissão de alertas e divulgação de dados junto aos Secretários de Saúde Municipais; a implementação de cursos de divulgação e treinamento dos sistemas de informação em saúde e o desenvolvimento de ações conjuntas que congreguem instituições científicas, conselhos de classe e grupos de trabalho.

ANM e a Telemedicina

Após o intervalo, teve início a segunda mesa da quinta-feira, a Conferência “Telemedicina – Correção Cirúrgica Intra Uterina das Mielomeningoceles Fetais – Experiência Pioneira da Maternidade Escola da UFRJ e do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer” realizado pelos Acadêmicos Jorge Rezende Filho e Paulo Niemeyer Filho.

O evento é iniciado com o Prof. Chao Lung Wen da USP, que expôs o tema “Ecossistema de Saúde Conectada com Telemedicina”. Ele afirmou que a telemedicina não é uma ferramenta, mas sim um método investigativo baseado em recursos interativos digitais que amplia os cuidados e melhora logística de serviços de saúde aos pacientes. Elucida que a medicina conectada visa o aumento da eficiência de processos num nível institucional e eficiente de saúde, que auxiliado a humanização dos mesmos, contribuirá para avanços na área.

Em seguida, o Dr. Jair Braga apresenta “Correção Cirúrgica Intra Uterina das Mielomeningoceles Fetais: Experiência Pioneira da Maternidade Escola da UFRJ e do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer”, onde abordou um estudo randomizado que afirma que não há maiores benefícios para com o paciente feita cirurgia após o parto; quanto mais cedo a operação da mielomeningoceles ocorrer, melhores são os resultados.

A última palestra foi realizada pelo Dr. Gabriel Mufarraj do Instituto Estadual do Cérebro, que apresentou a temática “Reconstrução Microcirúrgica Intrauterina da Mielomeningocele Fetal”. Afirmou que a mielemeningocele é um defeito de fechamento do tubo neural com exposição da medula espinhal e raízes na cauda equina, que necessita de fechamento imediato, e os pacientes lidarão com complicações para o resto da vida. As crianças são extremamente beneficiadas pela neurocirurgia fetal, aumentando assim qualidade de vida.

Presidente Jorge Alberto Costa e Silva faz visita a Portugal e estreita relações entre o país e a ANM

Em novembro de 2017, durante os primeiros meses de sua gestão como Presidente da Academia Nacional de Medicina, o psiquiatra Jorge Alberto Costa e Silva inaugurou uma nova fase da expansão da atuação da quase bicentenária instituição com criação dos Núcleos de Relações Institucionais da ANM, um dedicado para a atuação nacional da instituição e outro dedicado às atividades internacionais. Como resultado desta ação, a Academia Nacional de Medicina vem consolidando sua presença nos cenários nacional e internacional por meio da assinatura de acordos, firmamento de parcerias e realização de eventos conjuntos com consagradas instituições científicas de todo o mundo.

No que concerne à atuação internacional da egrégia Casa, um dos pontos focais no estabelecimento de relações científicas é Portugal, onde, ainda em setembro de 2018 a instituição participou de cerimônia histórica realizada na Universidade de Lisboa, ocasião na qual os Drs. Roberto de Andrade Medronho (Diretor da Faculdade de Medicina da UFRJ) e Antonio José Ledo Alves da Cunha assinaram acordo de cooperação entre esta instituição e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Participaram da mediação deste acordo o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva e o Dr. Fausto Pinto, Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, cuja liderança na área da Cardiologia e a ajuda inestimável na consolidação das relações entre as Academias de Medicina do Brasil e de Portugal culminaram na outorga do título de Honorário Estrangeiro da Academia Nacional de Medicina do Brasil em 9 de maio de 2019.

Além disso, as instituições realização reunião no dia 6 de dezembro de 2019 na cidade do Porto, belo e histórico destino às margens do rio Douro. A reunião é fruto do trabalho desenvolvido pelo grupo de trabalho formado pelos confrades Francisco Sampaio, Arno von Ristow e Maurício Magalhães.

Desde então, o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva vem se empenhando na consolidação da presença da ANM no país lusófono, tendo participado no dia 4 de setembro como convidado especial da solenidade de entrega do Prêmio Antônio Champalimaud de Visão (maior prêmio do mundo na área de Oftalmologia). Dentre os vencedores, merece destaque o Instituto Paulista de Estudos e Pesquisas em Oftalmologia (IPEPO), que presta serviços médicos por meio de diagnósticos, tratamentos clínicos e cirúrgicos em projetos assistenciais e didáticos com a missão de promover, de modo sustentável e inovador, a gestão de recursos, apoiando o ensino, pesquisa e assistência oftalmológica. O Instituto é presidido pelo Acadêmico Rubens Belfort Mattos Jr.

Na ocasião, o Acad. Jorge Alberto Costa e Silva foi recebido de maneira afetuosa pelo Presidente de Portugal, Prof. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, que firmou compromisso de participar da Reunião Conjunta das Academias de Medicina e Portugal.

Acadêmico Rubens Belfort, o Prof. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa e o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva

No dia 6 de setembro, a agenda do Presidente em Portugal incluirá visita à Fundação Champalimaud e seu Centro de Pesquisa em Neurociência. A Fundação faz investigação em áreas de ponta e tem como prioridade estimular descobertas com alto impacto no bem-estar social, além de patrocinar novos padrões de conhecimento. No Centro Champalimaud são desenvolvidas atividade nas áreas das neurociências, câncer e projetos na área de oftalmologia (em especial a luta contra a cegueira), através de programas de investigação e da prestação de serviços clínicos de excelência. Na ocasião, o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva será acompanhado do Presidente da Fundação e dos Diretores do referido Centro de Pesquisa.

O Acad. Rubens Belfort Filho e o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva, tendo à sua esquerda Sua Excelência o Senhor Presidente da República de Portugal, Prof Dr. Marcelo Rebelo de Sousa e o Embaixador do Brasil em Portugal Carlos Alberto Simas Magalhães

Conferência magna na ANM discorre sobre os avanços no uso da modelagem computacional da circulação sanguínea

Na etapa final da Sessão de 29 de agosto na Academia Nacional de Medicina, o PhD Pablo Javier Blanco apresentou conferência intitulada “Modelagem Computacional da Circulação Sanguínea: da Ciência Básica às Aplicações Clínicas”. O engenheiro, formado na Argentina e que realizou doutorado no Laboratório Nacional de Computação Científica, discorreu sobre as perspectivas para o desenvolvimento desta tecnologia “da bancada até a aplicação clínica”.

Antes do início de sua explanação, o Dr. Javier Banco foi apresentado pelo Acadêmico Mauricio Younes, que fez breve introdução sobre a trajetória e a carreia acadêmica do conferencista, que possui graduação em Engenharia Eletromecânica (Universidad Nacional de Mar del Plata, Argentina, 2003) e Doutorado em Modelagem computacional (Laboratório Nacional de Computação Científica, Brasil, 2008). É Membro Afiliado da Academia Brasileira de Ciências e possui Bolsa de Produtividade em Pesquisa Nível 2 do CNPq. Além deste fato, o Dr. Blanco é Jovem Cientista de Nosso Estado da FAPERJ. Seus estudos abrangem áreas como a Hemodinâmica Computacional do Sistema Cardiovascular Humano; Princípios e Formulações Variacionais na Mecânica dos Fluidos e na Mecânica dos Sólidos; Modelagem Constitutiva Multiescala e Análise de Sensibilidade.

Dando início à conferência, o Dr. Javier Blanco discorreu sobre a criação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Assistida por Computação Científica (2008) com o apoio do Governo Federal, considerando este um marco para a institucionalização do desenvolvimento de modelos computacionais para aplicação médica. Ressaltou que esta tecnologia possui impactos consideráveis tanto nas ciências básicas quanto na aplicação prática dos conhecimentos.

Acerca dos modelos desenvolvidos, afirmou que se trata de aplicar modelos matemáticos e conceitos físicos a fim de criar ferramentas de quantificação de problemas da medicina. Com isto, pretende-se entender interações sistêmicas, predizer fenômenos fisiológicos, realizar a análise de estadiamento e progressão de doenças, diagnosticar patologias, realizar o planejamento cirúrgico e até mesmo definir estratégias terapêuticas.

Sobre o trabalho que vem desenvolvendo, o Dr. Javier Blanco ressaltou que o sistema cardiovascular tem sido o foco de sua atuação. Frisou que a dinâmica rápida do sistema faz com que os danos ocorram na ordem milimétrica, o que gera necessidade de uma maior precisão em sua identificação. Afirmou, ainda, que na maior parte dos casos, quando ocorre esta identificação, os danos já estão estabelecidos e de difícil reversão. Segundo Blanco, a modelagem computacional tem como vantagem mostrar aquilo que a imagem médica ainda não pôde ou tem dificuldade para captar.

Além deste fato, o conferencista apresentou dados que apontam para o fato de que o uso da desta técnica possibilita a melhora da capacidade preditiva de diversos modelos de análise de doenças do sistema cardiovascular. Destacou, ainda, que esta utilização permite a criação de modelos arteriais com um realismo sem precedentes, juntando o que já se conhece de anatomia com conhecimentos físicos e matemáticos. O resultado é um atlas funcional altamente multidisciplinar, uma vez que, mais do que realizar uma análise anatômica, permite a investigação dos processos das doenças e os fenômenos que as originam.

Ao final de sua apresentação, chamou atenção para o fato de que, no Brasil, a área de bioengenharia já caminha nesta direção há pelo menos cinco anos, colocando o país em posição de vanguarda no desenvolvimento e utilização desta tecnologia. Entretanto, ressaltou a importância do investimento na sua incorporação, uma vez que, em países como os Estados Unidos, já existem empresas altamente institucionalizadas para fornecer estes serviços. Por fim, destacou que modelos computacionais não representam uma “ciência ficção” – eles indicam a direção na qual a Medicina está caminhando.

Obstetrícia tem local de destaque com conferências na Academia Nacional de Medicina

Em seus 190 anos de história, uma das características que destacou a Academia Nacional de Medicina é o fato de que, semanal e ininterruptamente, seus membros se reúnem toda quinta-feira para discutir alguns dos principais temas relacionados à saúde humana. Como já é de praxe, nestes encontros também são abordados aspectos históricos sobre a evolução das enfermidades e dos tratamentos, fazendo destes encontros uma ode ao conhecimento científico e consagrando a Academia Nacional de Medicina como um templo da saúde e da medicina nacional. Na última quinta-feira (29), coube ao Acadêmico Jorge Fonte de Rezende Filho coordenar Sessão voltada para a exaltação da evolução da medicina acerca da abordagem dos chamados gêmeos xipófagos, popularmente conhecidos como gêmeos siameses.

A Sessão, que foi presidida pelo 1º Secretário, Acad. Ricardo Cruz (ao centro), também teve os Acads. Mauricio Younes, Walter Zin e Jorge Rezende na mesa diretora, junto aos Drs. Nicanor Araruna Macedo e Antonio Braga

Com apresentação intitulada “Nótulas Históricas e Aspectos Obstétricos”, o Dr. Antonio Braga apresentou breve histórico da condição, abordando desde os estudos conduzidos por Demócrito e Empedócles (séc. V a.C.) até os estudos mais modernos realizados sobre o tema. Discorreu, ainda, sobre o que é considerado um dos casos mais emblemáticos de gêmeos xipófagos – os irmãos Chang e Eng Bunker, dos quais advém a denominação “gêmeos siameses”, que se refere à região de Sião.

O Dr. Antônio Braga ressaltou a história do Acadêmico Eduardo Chapot-Prévost, considerado o iniciador da pesquisa médica no Brasil e o precursor da iniciação cientifica em nosso país. Segundo relatos, durante a sessão de 3 de agosto de 1899, o Dr. Chapot-Prévost teve o primeiro contato com o caso das irmãs xipófagas Maria e Rosalina, apresentado pelo também Acadêmico Álvaro Ramos. Após árduos estudos, o Eduardo Chapot-Prévost realizou, em 1900, pela primeira vez na história da Medicina, a intervenção operatória de separação das irmãs toracoxifópagas. O médico se utilizou de mesa cirúrgica por ele desenhada especialmente para essa operação, preparando pinças hemostáticas especiais e criando um processo próprio de hemostasia hepática. O sucesso da cirurgia ultrapassou as fronteiras do Brasil e o Dr. Chapot-Prévost escreveu vários artigos sobre o caso e passou a participar de conferências pelo mundo. Na sequência, o médico fez a apresentação de diversos relatos de casos de gravidezes gemelares, abordando, ainda, aspectos éticos para a apresentação destes casos.

Em seguida, o Dr. Francisco Nicanor Araruna Macedo (Unirio) abordou a correção cirúrgica nos recém-nascidos, discorrendo sobre um caso de gravidez de trigêmeos onde duas das crianças estavam conjugadas. Ressaltou que se trata de um caso extremamente raro – a literatura conta com apenas 13 casos descritos. Durante sua apresentação, chamou atenção para a importância do diagnóstico pré-natal, destacando o trabalho desenvolvido em instituições públicas como a Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sobre os desafios cirúrgicos, ressaltou a separação dos órgãos e a reconstrução da parede abdominal. Já no campo clínico, discorreu sobre as dificuldades clínicas, que incluem a alimentação por sonda e os riscos associados a infecções pré e pós cirúrgicas.

Sobre a realização da cirurgia, chamou atenção para a importância das simulações realizadas pela equipe multidisciplinar responsável pela execução da cirurgia. Segundo o Dr. Nicanor Araruna Macedo, o treinamento da equipe consiste no estudo incessante de todos os fatores determinantes para o bom um resultado.

Oficina Diagnóstica e homenagem à Medicina no Rio de Janeiro congrega estudantes na ANM

Manter-se na vanguarda do desenvolvimento científico e aproximar-se dos jovens médicos têm sido dois os principais objetivos da ação da instituição científico-cultural mais antiga do país. Foi com este propósito em mente que a Academia Nacional de Medicina realizou, na última quinta-feira (29) mais uma edição do evento “Uma Tarde na Academia: Oficina Diagnóstica”.

Acadêmico Pietro Novellino, que é um dos idealizadores da Tarde na Academia, junto aos Drs. Alexandre Siciliano e Antonio Sérgio Cordeiro da Rocha

Com quase cinco anos de atividades ininterruptas, a atividade tem como foco principal estimular a participação de jovens estudantes de medicina nas rotinas da Academia Nacional de Medicina, proporcionando uma chance única de interagir com alguns dos mais proeminentes nomes da medicina brasileira em aulas que apresentam casos clínicos ou cirúrgicos relevantes, a serem debatidos por convidados ilustres, culminando com a análise anatomopatológica dos casos.

Nesta edição, a apresentação do caso coube ao Dr. Alexandre Siciliano (Hospital Pró-Cardíaco), que relatou paciente mulher, de 83 anos, branca, viúva e natural do Rio de Janeiro, cuja queixa principal era de falta de ar e cansaço. Sobre o histórico da paciente, destacou que, há 10 dias iniciou quadro de dispneia rapidamente progressiva aos esforços, o que a fez procurar o serviço de emergência. Ressaltou, ainda, que a paciente estaria em tratamento para recidiva de câncer de mama (sétimo ciclo de quimioterapia com imunobiológico).

Na sequência, o Dr. Alexandre Siciliano apresentou, um a um, os resultados dos exames realizados, que incluíram um raio-X de tórax, doppler MMII, tomografia computadorizada e uma ecocardiografia, que mostrou disfunção ventricular esquerda leve e uma disfunção diastólica grave. Após ser submetida ao tratamento para insuficiência cardíaca, o Dr. Siciliano ressaltou que a mesma se manteve em classe funcional III da NYHA e dependente de oxigenoterapia. Desta forma, após a realização de uma biópsia endomiocárdica, as análises histológicas, imuno-histoquímicas, moleculares, e genéticas foram positivas para grave dano tecidual com vacúolos intracelulares como possível consequência da quimioterapia empregada (Pembrolizumab).

O caso foi debatido pelo Dr. Antonio Sérgio Cordeiro da Rocha (Hospital Pró-Cardíaco) e, como já é tradição no formato do evento, após a apresentação e o debate acerca do caso, seguiu-se a análise anatomopatológica, conduzida pelo Acad. Carlos Alberto Basílio. Na rodada de discussões, os Acadêmicos presentes contribuíram com suas experiências e interagiram com os alunos presentes, tornando a aula altamente dinâmica e participativa.

Cirurgia Plástica é tema de Simpósio na Academia Nacional de Medicina

As atividades científicas da Academia Nacional de Medicina na última quinta-feira (22) foram dedicadas à Cirurgia Plástica, especialidade médica que observou um aumento de cerca de 25% no número de procedimentos no país em comparação ao ano de 2016, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). O país ocupa a segunda colocação no ranking mundial de número de cirurgias, ficando atrás somente dos Estados Unidos. Sob organização dos Acadêmicos Talita Franco, Claudio Cardoso de Castro e José Horácio Aboudib, o Simpósio reuniu especialistas de diversas áreas da especialidade, discutindo os principais desafios e perspectivas futuras para o ramo.

Acadêmicos Antonio Nardi, Jorge Alberto Costa e Silva (Presidente) e Claudio Cardoso de Castro na abertura dos trabalhos do Simpósio

A primeira apresentação ficou a cargo do Dr. Níveo Steffen (Presidente da SBCP), que abordou “Cirurgia Reconstrutora do Nariz”. Em sua conferência, apresentou um importante histórico da evolução das técnicas aplicadas, apontando que os primeiros registros remontam ao ano 2000 a.C. Após apresentar diferentes casos clínicos e as técnicas utilizadas na abordagem terapêutica, o médico finalizou sua apresentação ressaltando que, para que seja alcançado o melhor resultado possível com o menor tempo cirúrgico, é necessário um minucioso planejamento aliado à aplicação dos fundamentos da cirurgia reconstrutora do nariz.

Na sequência, com palestra acerca de “Plástica da Face”, o Dr. Benjamin de Souza Gomes Filho (SBCP) abordou passo a passo do planejamento cirúrgico, apresentando casos de cirurgias desempenhadas por ele, que incluíram casos de excedente cutâneo em região submentoniana, tratamento das bandas plastismais e pontos de contensão nas ritidoplastias.

Abordando “Fissuras Labiopalatais”, o Dr. Diogo Franco (UFRJ) afirmou que trata-se de malformações congênitas caracterizadas por aberturas ou descontinuidade das estruturas do lábio e/ou palato, de localização e extensão variáveis. No Brasil, a cada 650 nascimentos, um bebê pode desenvolver a doença, segundo dados do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da Universidade de São Paulo (USP). Sobre a abordagem para estes pacientes, salientou a importância de uma equipe multidisciplinar, visto que a doença pode ocasionar comprometimento da estética, dentição, audição e fala.

Coube ao Dr. Rolf Gemperli (USP) abordar “Mamoplastia”, ressaltando que este é o terceiro tipo de cirurgia mais realizada no Brasil. Sobre a abordagem cirúrgica, chamou atenção para as diferentes técnicas existentes, afirmando que a seleção daquela considerada mais adequada vai depender de uma correta avaliação por parte da equipe cirúrgica. Abordou, ainda, a avaliação dos resultados, que deverá ser feita considerando três fatores: forma, simetria e posição do CAP, em uma análise baseada em evidências. Concluiu destacando que não existe técnica ideal para todos os casos e que os resultados são dependentes da curva de aprendizado do cirurgião, que deverá se adaptar às novas técnicas a serem descobertas.

Acerca de “Linfoma Anaplásico de Grandes Células”, o Dr. Alexandre Piassi (Hospital Sírio-Libanês) classificou-o como um distúrbio linfoproliferativo das células T associado a implantes mamários. Chamou atenção para o fato de que, apesar do crescente número de casos identificados, são poucas as publicações que tratam do tema. Segundo o médico, no Brasil foram 19 casos relatados, dos quais 12 foram checados, 1 publicado como relato de caso e 1 óbito. No entanto, apesar de se tratar de uma complicação rara das próteses mamárias, facilmente tratável e com taxa de cura acima de 95%, destacou a importância de uma mobilização a fim de aumentar a visibilidade e os estudos sobre esta doença, dado o número de mulheres brasileiras com implantes mamários atualmente.

Depois, foi a vez do Dr. André Maranhão (Presidente da Regional RJ da SBCP) abordar “Cirurgia Pós-Bariátrica dos Membros Superiores e Inferiores”, afirmando que a cirurgia bariátrica representou uma evolução nos conceitos da cirurgia plástica. No entanto, na medida em que proporciona uma recuperação da condição de saúde através da perda ponderal e da reeducação alimentar, se faz necessária a recuperação social dos indivíduos pela readequação da sua relação corporal. Na sequência, abordou diversos casos cirúrgicos de lipodistrofia de braços e coxas, discorrendo sobre as diferentes técnicas utilizadas e o prognóstico para os pacientes.

Acerca de “Ritidoplastia” falaram o Dr. Marcelo Rodrigues da Cunha Araújo (Hospital Albert Einstein) e o Dr. Farid Hakme (ex-Presidente da SBCP e da Associação de ex alunos do Dr. Ivo Pitanguy), que abordaram os principais avanços da cirurgia que também é conhecida como lifting facial. O procedimento procura diminuir a flacidez e atenuar as rugas da face e pescoço, assim como remover os excessos de gordura localizada nestas áreas, dando ao rosto uma aparência mais jovial.

Sobre implantes falou o Dr. João Medeiros (UFRJ), ressaltando o papel destes tanto na cirurgia estética quanto na cirurgia reconstrutora. Apresentou diversos casos cirúrgicos dos quais participou, chamando atenção para a aplicação clínica mais comum em cada caso, abordando implantes faciais (de mento), de glúeto, de panturrilha e de mama. Abordou, ainda, a importância dos implantes na chamada Síndrome de Poland, que consiste em uma deformidade rara que afeta a região torácica e é caracterizada pelo subdesenvolvimento ou ausência do músculo peitoral maior de um lado do corpo.

Abordando “Blefaroplastia”, o Dr. Sergio Lessa (UERJ) afirmou que o envelhecimento periorbitário envolve uma complexa relação entre a queda dos tecidos, degeneração cutânea, alterações ligamentares e perda de volume de tecido gorduroso e ósseo. Ressaltou, ainda, que a blefaroplastia evoluiu das grandes ressecções de pele, músculo orbicular e gordura orbitária para um procedimento mais conservador, com pequenas ressecções musculares e gordurosas, preservação ou transposição das bolsas gordurosas. Destacou que, com a evolução das pesquisas científicas, foram desenvolvidas as lipotransferências periorbitárias que em muitos casos podem ser incorporadas as blefaroplastias.

O Simpósio foi encerrado com a conferência do Dr. Volney Pitombo sobre “Rinoplastia”, na qual o médico destacou que a cirurgia de nariz é a que possui maior potencial estético, em decorrência de seu caráter harmonizador. Na sequência, apresentou um histórico da evolução da cirurgia, ressaltando que as técnicas utilizadas atualmente permitem uma cirurgia menos traumática, com pouca retirada da estrutura nasal, dando ênfase na remodelagem das cartilagens. Afirmou, ainda, que o melhor resultado da rinoplastia é um nariz belo e que parece nunca ter sido operado; em outras palavras, o nariz de aparência natural é considerado o gold standart das rinoplastias.

Simpósio de atualização aborda cirurgia reconstrutora urogenital na Academia Nacional de Medicina

Por ocasião da Sessão Ordinária do dia 15 de agosto, a Academia Nacional de Medicina realizou o Simpósio “Cirurgia Reconstrutora Urogenital”, congregando diversos especialistas no tradicional anfiteatro Miguel Couto, na sede da instituição, localizada no Rio de Janeiro. A atividade foi organizadas pelos Acadêmicos Fernando Vaz e Francisco Sampaio, renomados urologistas que integram o quadro de Membros da egrégia casa.

A primeira apresentação foi feita pelo Dr. Alexandre Miranda (Hospital Federal de Ipanema), que abordou “Atualidades em Cirurgia na Doença de Peyronie”. Em sua conferência, o médico descreveu a doença como uma variedade de deformidades penianas, curvaturas, endentações, placas ou nódulos palpáveis, estreitamento em ampulheta, encurtamento peniano (com ou sem curvatura) ou em combinação.

Dr. Salvador Vilar Correia Lima, os Acadêmicos Fernando Vaz, Antonio Nardi e Francisco Sampaio e os Drs. Alexandre Miranda e José Cocisfran Milfont

Sobre as perspectivas atuais no tratamento da doença, ressaltou que as tecnologias minimamente invasivas vêm ganhando espaço, principalmente nos pacientes que se encontram no início da doença. Apresentou trabalhos científicos que demonstram a eficácia destes tratamentos na redução da dor, melhora da função erétil e estabilização da doença, parando sua progressão e melhorando a qualidade de vida do paciente.

Sobre a cirurgia de hipospádia, o Dr. Salvador Vilar Correia Lima (Universidade Federal de Pernambuco) ressaltou que se trata de um defeito congênito que se caracteriza pelo desenvolvimento incompleto da uretra, que resulta no excesso de prepúcio no dorso, com abertura ventral. Ressaltou, ainda, que esta é a mais frequente anomalia da genitália externa masculina, com incidência de 1 a cada 250 nascimentos. Na sequência, abordou os diferentes tratamentos para a condição, ressaltando que o principal objetivo é proporcionar as funções miccional e sexual normais para o paciente, de forma a conseguir um aspecto estético aceitável e minimizar os efeitos psicológicos da doença.

Com apresentação intitulada “Fístulas Urinárias: do bisturi ao robô”, o Dr. José Cocisfran Milfont (Instituto de Urologia do Rio de Janeiro – Urotech) abordou a evolução na abordagem da doença, que se refere às comunicações anômalas entre a bexiga e a vagina, que registra de 50.000 a 100.000 casos anualmente. As causas podem ser obstétricas (incidência de 90% nos países em desenvolvimento), associadas ao trabalho de parto e às cesarianas ou ginecológicas (incidência de 70% nos países desenvolvidos), associadas às histerectomias e cirurgias oncológicas pélvicas.

Sobre a evolução desde a abordagem cirúrgica aberta até a abordagem robótica, chamou atenção para o fato de que esta última oferece como vantagem menor sangramento (e uma consequente menor necessidade de transfusão), menor tempo de internação, melhor recuperação, menos dor no pós-operatório e a possibilidade de correção precoce das fístulas. Por fim, ressaltou que todas as cirurgias urológicas podem ser reproduzidas por robótica, destacando que as mais frequentes são a prostatectomia radical, a nefrectomia parcial, a pieloplastia e as cirurgias de correção de fístulas.

Na sequência, o Acadêmico e ex-Presidente Francisco Sampaio abordou “Pesquisa Translacional em Urologia Reconstrutora”, discutindo o conceito de pesquisa e afirmando que a importância de uma pesquisa é medida a partir da velocidade pela qual esta se traduz em novas práticas clínicas. Sendo assim, aproximar e mesclar os grupos de pesquisa básica e clínica é uma das principais ferramentas para fechar a lacuna existente entre estes dois tipos de pesquisa.

Abordou, ainda, sua experiência como diretor da Unidade de Pesquisa Urogenital da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Urogenital Research Unit – UERJ), que é dedicada ao avanço do conhecimento sobre o sistema urogenital, realizando pesquisas em diferentes modelos, incluindo ensaios clínicos e experimentos em animais de laboratório, e empregando uma ampla gama de metodologias. As pesquisas desenvolvidas pelo staff do laboratório e alunos de mestrado e doutorado, formado por 50% de urologistas, 40% de biólogos e veterinários e 10% de nutricionistas, constituem um exemplo de como a pesquisa translacional pode se traduzir em resultados concretos de novas práticas, que visam, em última forma, a melhora da qualidade do atendimento aos pacientes.

Na segunda etapa do Simpósio, o Acadêmico Fernando Vaz discorreu sobre “Atualidades no Tratamento da Incontinência Urinária Masculina”, ressaltando que, apesar de não ser considerada uma doença pela Organização Mundial da Saúde até 1998, a condição afeta a qualidade de vida, o bem-estar físico e psicológico, além da sociabilidade dos pacientes. Ressaltou, ainda, que a doença afeta pacientes de todas as idades e classes sociais.

Acerca dos tratamentos disponíveis, chamou atenção para o chamado esfíncter artificial, usado há mais de 30 anos no tratamento da incontinência urinária masculina nos Estados Unidos e considerado padrão ouro no tratamento. Todavia, apontou que existem importantes desafios a serem superados mesmo na utilização desta técnica, tais como atrofia e erosão uretral (na maior parte dos casos associada à posição “12 horas”). Além desta técnica, foram também abordados os tratamentos fisioterápicos, farmacológicos e também o uso dos chamados “slings”.

Com palestra intitulada “O Médico do Futuro”, o Honorário Nacional e urologista Dr. Miguel Srougi iniciou sua apresentação abordando os principais avanços tecnológicos dos últimos 30 anos na área da medicina, incluindo as impressões 3D, o uso de inteligência artificial e da cirurgia robótica, nanotecnologia e mesmo a internet. Segundo o Acadêmico, a incorporação destas tecnologias não só na medicina como na vida das pessoas em geral modificou a forma como abordamos importantes conceitos como privacidade, propriedade, padrões de consumo, carreira profissional, aquisição de conhecimento e até mesmo a noção de tempo.

Sobre os desafios e perspectivas para o futuro da prática médica, chamou atenção para o fato de que, apesar dos formidáveis avanços que presenciamos e continuaremos a presenciar, o médico continuará a desempenhar um papel insubstituível, principalmente no que tange à humanização da prática médica, considerada de grande importância. Além deste fato, ressaltou a importância da incorporação do conceito de medicina personalizada, que fornecerá novos horizontes no tratamento de pacientes, em especial aqueles com doenças resistentes às abordagens tradicionais

Academia Nacional de Medicina reúne especialistas em Câncer Colorretal em Simpósio

Na última quinta-feira (8), a Academia Nacional de Medicina realizou mais um evento científico, desta vez abordando o tema Câncer Colorretal. O Simpósio, organizado pelos Acadêmicos Glaciomar Machado e José Galvão-Alves, contou com uma estrutura diferenciada, com apresentações de 5 a 10 minutos, onde diferentes especialistas abordaram a doença sob diferentes perspectivas. Dividido em 5 módulos, o Simpósio discorreu sobre fatores de risco, diagnóstico, tratamento, o papel da endoscopia e o papel desempenhado pelas sociedades médicas e especializadas nos programas de prevenção.

Acadêmicos José Galvão-Alves, Jorge Alberto Costa e Silva (Presidente) e Ricardo Cruz

Após as notas de abertura feitas pelos organizadores do Simpósio, o Acadêmico José Carlos do Valle discorreu sobre a importância do tema, ressaltando que, nos Estados Unidos, o câncer colorretal é a terceira principal causa de morte relacionada ao câncer em homens e mulheres. Sobre a redução destas taxas, destacou a importância do rastreamento precoce de pólipos, possibilitando que a doença seja diagnosticada precocemente, quando é mais fácil de ser tratada e curada. Além disso, o tratamento do câncer colorretal evoluiu bastante nos últimos anos.

Na primeira etapa do Simpósio, na qual foram abordados os fatores de risco para desenvolvimento do câncer colorretal, coube ao Dr. André Luz Moreira abordar a associação da doença com a história familiar do paciente, destacando a importância de fatores como a estimativa do risco individual, a identificação de famílias de alto risco e a realização de um screening apropriado. Discorrendo sobre a influência dos hábitos alimentares, o Dr. Fábio Miranda chamou atenção para a possibilidade de reduzir, por meio da dieta, o risco de desenvolvimento de câncer colorretal, reduzindo o consumo de carne vermelha e processada e aumentando o consumo de fibras, frutas, vegetais e cereais.

Já sobre doença inflamatória intestinal falou o Acadêmico Eduardo Lopes Pontes, destacando a evolução da doença, que corresponde a um índice cumulativo que chega a 18% em 30 anos. Sobre os fatores predisponentes da doença, destacou a instabilidade cromossomial, a existência de baixos níveis de instabilidade de microsatélitos, perda da função de p53 e o envelhecimento. Encerrando o primeiro módulo, o Acadêmico Carlos Alberto Basílio de Oliveira procedeu com a classificação dos pólipos colorretais, que podem originar-se devido à inflamação, maturação anormal da mucosa, anormalidade da arquitetura ou proliferação e displasia.

O segundo módulo do Simpósio, dedicado ao diagnóstico, contou com apresentações feitas pelos Acadêmicos José Galvão-Alves, Paulo Hoff e Glaciomar Machado, que discorreram, respectivamente, sobre O Sangue Oculto Positivo nas Fezes, Os Marcadores Tumorais e a Colonoscopia no Diagnóstico do Câncer Colorretal. A rodada de apresentações com o tema “diagnóstico” foi encerrada com a apresentação do Dr. Amarino de Oliveira Jr., que discorreu sobre colonoscopia virtual, ressaltando que algumas das principais vantagens do método incluem o caráter não-invasivo e o fato de que permite estudar segmentos do cólon de difícil acesso e a detecção de pólipos maiores que 7mm.

Na sequência, os conferencistas dedicaram-se ao tratamento do câncer colorretal. Esta etapa iniciou-se com a apresentação do Acadêmico Daniel Tabak, que discorreu sobre quando indicar o tratamento monoclonal, capaz de, em determinados casos, reconhecer antígenos com importância patogênica em tumores. Discorrendo sobre o tratamento com a cirurgia tradicional, o Honorário Nacional Flávio Quilici chamou atenção para o fato de que, na metanálise, não foi identificada diferença estatística na comparação entre a cirurgia convencional e a cirurgia videolaparoscópica quanto às complicações, mortalidade hospitalar e a necessidade de ostomias. Além deste fato, ambas as técnias apresentam eficácia e segurança similares. Na sequência, o Acadêmico Raul Cutait e o Dr. Eduardo Linhares abordaram, respectivamente, a cirurgia laparoscópica e a cirurgia robótica.

Ainda no âmbito do tratamento do câncer colorretal, o Acadêmico Paulo Hoff discorreu sobre “Adjuvância em Câncer de Cólon: menos é mais”, apresentando os resultados dos estudos desenvolvidos pelo acadêmico em pacientes em diferentes estágios da doença ressaltando que a seleção dos pacientes que mais se beneficiarão do tratamento e as ações para minimizar a toxicidade do tratamento são de grande importância. Encerrando esta etapa, o Dr. André Arantes Pereira de Azevedo abordou a radiologia intervencionista no tratamento das metástases hepáticas colorretais.

Em seguida, foi iniciado o módulo dedicado à análise do papel da endoscopia no tratamento da doença, aberto com a conferência do Acadêmico Glaciomar Machado, que abordou a polipectomia. Na sequência, o Dr. Antonio Carlos C. Conrado abordou a Mucosectomia, ressaltando que, apesar das crescentes evidências que favorecem o uso de terapias preservadoras de órgão, a endoscopia ainda não é standard oncológico. Depois, foi a vez do Acadêmico e patologista Carlos Alberto Basílio discorrer sobre os critérios histopatológicos utilizados para a determinação na conduta no tratamento. O módulo foi encerrado com mais uma intervenção do Acadêmico Glaciomar Machado, desta vez discorrendo sobre a descompressão no câncer colorretal obstrutivo, ressaltando que as emergências por obstrução do cólon possuem um alto risco cirúrgico por comorbidades.

A última etapa do Simpósio foi marcada pela apresentação dos programas de prevenção do câncer colorretal em diferentes sociedades médicas de especialidades. Foram ouvidas manifestações por parte do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, das Sociedades Americana e Europeia de Endoscopia Digestiva, da Organização Mundial de Endoscopia Digestiva e, por fim, a conferência do Dr. José Galvão-Alves sobre as diretrizes adotadas pela Organização Mundial da Saúde.

Academia Nacional de Medicina realiza outorga de título ao Ministro Luiz Henrique Mandetta em noite solene

A Academia Nacional de Medicina, que no último dia 30 comemorou 190 anos de sua fundação, teve, na última quinta-feira (1) mais uma noite inesquecível. No histórico Anfiteatro Miguel Couto, localizado em sua sumptuosa sede no Rio de Janeiro, a instituição realizou a outorga do título de Vice-Presidente Honorário ao Ministro de Estado da Saúde, o Dr. Luiz Henrique Mandetta. A outorga do título está consagrada no Regimento Interno da instituição, que, em seu artigo 5º, prevê que será outorgado o título de Vice-Presidente Honorário aos Ministros da Saúde e da Educação. Antes de Luiz Henrique Mandetta, também receberam a honraria os Ministros Ricardo Barros (2016-2018) e Alexandre Padilha (2011-2014), dentre outros.

O Presidente Jorge Alberto Costa e Silva entrega o Diploma de Vice-Presidente Honorário ao Dr. Luiz Henrique Mandetta

A cerimônia solene foi marcada pela presença expressiva dos Acadêmicos da egrégia casa, que preencheram as tribunas laterais do anfiteatro, destacando o comprometimento da Academia Nacional de Medicina com a missão estatutária de responder, aconselhar e auxiliar, quando solicitada, em questões do Governo, relacionadas à saúde pública e educação médica.

Além deste fato, estiveram presentes na solenidade inúmeras autoridades, representadas na mesa composta pelo Presidente Jorge Alberto Costa e Silva, o ex-Presidente Pietro Novellino e o 1º Secretário Ricardo Cruz, além do Dr. Lincoln Lopes Ferreira (Associação Médica Brasileira); a Dra. Denise Pires de Carvalho (Universidade Federal do Rio de Janeiro); a Dra. Nísia Trindade Lima (Fundação Oswaldo Cruz); o Dr. Francisco Horta (Santa casa de Misericórdia do Rio de Janeiro); o Dr. Roberto Medronho (Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro); a Dra. Carmita Abdo (Associação Brasileira de Psiquiatria); o Dr. Edmar Santos (Secretaria Estadual de Saúde); o General de Brigada José Oiticica Moreira (Hospital Central do Exército); o Brigadeiro Walter Kischinhevsky (Hospital Central da Aeronáutica); o Dr. Ricardo Cardoso (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro); o Dr. Sylvio Provenzano (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro) e o Dr. Savino Gasparini (Colégio Brasileiro de Cirurgiões).

Na sequência, foi formada comissão de honra para a condução do Excelentíssimo Ministro Luiz Henrique Mandetta ao anfiteatro. Participaram da comissão os Acadêmicos Carlos Américo de Barros e Vasconcelos Giesta, Roberto Soares de Moura, Celso Marques Portela, Silvano Raia e Giovanni Guido Cerri. Após a execução do Hino Nacional Brasileiro, o Orador da Academia Nacional de Medicina, Acad. Omar da Rosa Santos, proferiu discurso em homenagem ao Dr. Luiz Henrique Mandetta, no qual ressaltou a exitosa trajetória pessoal do Ministro e sua dedicação à vida pública. Além deste fato, ressaltou a importância da Academia Nacional de Medicina como órgão consultivo para os assuntos relativos ao campo da saúde, tendo em vista que reúne os principais nomes da medicina nacional, atuando nas mais diversas áreas.

Após o discurso do Acad. Omar da Rosa Santos, foi a vez o Dr. Luiz Henrique Mandetta pronunciar-se. O Ministro fez discurso emocionado, no qual destacou a importância da formação filosófica dos médicos, discorrendo sobre os princípios hipocráticos e sua aplicação na prática médica diária. Abordou, ainda, a importância de uma formação médica que destaque valores éticos, afirmando que “não há medico sem valores”. Discorreu também sobre a importância da aproximação do Ministério da Saúde com os principais órgãos associativos da área, incluindo Conselhos, Sociedades e, evidentemente, a Academia Nacional de Medicina. Ao final de seu discurso, enalteceu a figura do médico da família, afirmando que a atenção primária deve ser valorizada e colocada no centro das políticas de saúde e das políticas de capacitação.

Por fim, falou o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva, que se mostrou muito satisfeito com a qualidade das falas apresentadas ao longo da noite. Em seu discurso, o Presidente discorreu sobre a realidade brasileira e a necessidade da adoção de políticas que pensem não só o local, mas também o global. Falou sobre os principais stakeholders da saúde no cenário atual, ressaltando a necessidade de um trabalho coordenado, tendo como objetivo único o aprimoramento da assistência médica no Brasil. Versou, ainda, sobre a necessidade de repensar a maneira como abordamos a saúde frente às inovações tecnológicas como o uso de plataformas tecnológicas e os novos medical devices, inteligência artificial, telemedicina, autodesenvolvimento da biologia molecular e a medicina de precisão, ressaltando que essas devem andar de mãos dadas com o caráter humanista da medicina.

Ao encerrar seu discurso, o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva ressaltou que homens da ciência não devem ter medo do progresso, uma vez que este é inerente à vida. Cabe, portanto, aos médicos e cientistas de modo geral refletir não somente sobre a formação do médico e do profissional de saúde, mas refletir sobre a formação e o funcionamento de toda a rede de saúde, meditando sobre como fazer com que estas redes trabalhem juntas, conectadas. Ao final da fala do Presidente, o mesmo convidou os presentes para coquetel comemorativo servido no Salão Nobre da instituição, onde o Ministro cumprimentou Acadêmicos, familiares e convidados.

Tumores neuroendócrinos são abordados em conferência na ANM

A agenda científica da Sessão de 1º de agosto na Academia Nacional de Medicina contou com a conferência “Medicina Nuclear e Tumores Neuroendócrinos”, ministrada pelo Dr. Claudio Tinoco, Professor Associado do Departamento de Radiologia da Universidade Federal Fluminense. O conferencista foi apresentado pelo Acadêmico Pietro Novellino, que destacou que o Dr. Tinoco atua como consultor do Serviço de Medicina Nuclear e Imagem Molecular do Hospital Pró-Cardíaco e do Serviço de Medicina Nuclear do Instituto de Cardiologia de Laranjeiras. Além disso, o ex-Presidente Pietro Novellino ressaltou a proeminente atuação do médico na Comissão Nacional de Energia Nuclear.

Acadêmicos Antonio Egidio Nardi, Jorge Alberto Costa e Silva (Presidente), Ricardo Cruz e Walter Zin durante a apresentação do Dr. Claudio Tinoco

Agradecendo as gentis palavras do Acad. Pietro Novellino, o Dr. Claudio Tinoco começou sua apresentação definindo Tumores Neuroendócrinos como tumores que ocorrem quando algumas das células neuroendócrinas passam por uma mutação que pode ser hereditária ou, na maioria dos casos, surgir ao acaso. Depois da mutação, as células começam a se multiplicar de forma desordenada, levando ao crescimento de uma massa anormal de tecido.

Dr. Claudio Tinoco Mesquita

Devido ao largo espectro dentro do qual os tumores neuroendócrinos (TNE) podem se manifestar, o Dr. Claudio Tinoco apresentou a classificação adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para este tipo de tumor. Segundo este parâmetro, os TNE podem ser classificados como tumor neuroendócrino bem diferenciado (e que pode ter comportamento benigno ou potencial maligno incerto), carcinoma neuroendócrino bem diferenciado (com comportamento maligno de baixo grau) ou carcinoma neuroendócrino pouco diferenciado (com comportamento maligno de alto grau).

Afirmou, ainda, se tratar de um grupo heterogêneo de neoplasias, com crescimento lento e com comportamento sintomático variante: os doentes podem ou não apresentar sintomas. Além deste fato, a grande variedade dos sintomas costuma contribuir para um quadro de diagnóstico tardio ou até mesmo desconhecimento acerca da doença.

Na sequência, Claudio Tinoco chamou atenção de que, em adição à grande variedade de TNEs, cada um destes requer uma abordagem diferente, tanto quanto ao diagnóstico quanto ao tratamento. Alguns dos fatores que influenciam a conduta médica em cada caso incluem tipo de tumor, localização, agressividade, presença de metástases etc.

Ao longo de sua apresentação, o médico chamou atenção para as diferentes aplicações da medicina nuclear para o diagnóstico e o tratamento de TNEs. Utilizando como exemplo a técnica de cintilografia com octreotide, ressaltou que esta é uma técnica que obtém resultados positivos no estadiamento de pacientes com tumores diagnosticados recentemente e que possuem suspeita de recivida. Além deste fato, a cintilografia também se mostra promissora na detecção de pequenos tumores, em especial em casos de síndromes de produção excessiva de hormônios ou para descartar doença extra-hepática antes de transplante hepático. Destacou, ainda que a técnica pode ser utilizada para realizar follow up do tratamento e a avaliação do status dos receptores antes da escolha terapêutica.

A conferência também abordou diferentes protocolos de administração e utilização das técnicas de medicina nuclear, ressaltando a importância da presença dos médicos na proximidade, a permanência de equipamento de emergência e a realização de controle no pós-dose, por meio do acompanhamento de toxicidade (creatinina, cintilografia renal, hemograma e dosimetria prospectiva).

Na conclusão de sua conferência, o Dr. Claudio Tinoco destacou que, apesar de ainda serem considerações tumores de baixa incidência, estimativa recentes apontam para um quadro epidemiológico mais agravado do que o esperado. Por meio dos casos clínicos apresentados, foi possível inferir que a associação de métodos de captação de imagens morfológicas (como ressonância magnética, tomografia computadorizada e ultrassonografia) com métodos de avaliação da presença de receptores de somastostatina por meio de técnicas não invasivas representa um importante avanço no diagnóstico e tratamento destes pacientes, principalmente quando considerando os riscos associados à obtenção de amostra para realização de biópsia, em especial em lesões muito pequenas e em locais anatômicos de difícil acesso

Acadêmicos homenageiam Honorários Nacionais em emocionante Sessão da Saudade

Honorário Nacional Tito de Abreu Fialho

Rio de Janeiro, RJ – 30 de dezembro de 1923

† Rio de Janeiro, RJ, 18 de maio de 2019

Honorário Nacional – Academia Nacional de Medicina, em 21 de setembro de 2017

Em mais uma edição da tradicional “Sessão da Saudade”, a Academia Nacional de Medicina reuniu, a última quinta-feira (25), Acadêmicos, familiares, amigos e discípulos dos inesquecíveis Drs. Tito de Abreu Fialho, exímio oftalmologista, e Luiz Fernando Ferreira Rocha da Silva, expoente da parasitologia nacional. Alguns daqueles que acompanharam as trajetórias exitosas dos Acadêmicos se reuniram no Anfiteatro Miguel Couto para a solenidade, tradicionalmente realizada em memória dos Acadêmicos falecidos, tendo sido marcada pela presença massiva dos confrades e pelos discursos emocionados dos familiares dos saudosos Honorários Nacionais.

O Acadêmico Omar da Rosa Santos, orador oficial da Diretoria do biênio 2017-2019, foi encarregado de falar, em nome dos confrades, sobre as brilhantes carreiras destas duas importantes figuras da medicina, que contribuíram de maneira significativa não só para a história da medicina brasileira, como também para a história da ANM.

O Dr. Tito de Abreu Fialho foi eleito como Honorário Nacional no dia 18 de maio de 2017, e sua eleição consagrou a tradição da família Abreu Fialho na Academia Nacional de Medicina. Antes do Dr. Tito de Abreu Fialho, outros ilustres ocuparam cadeiras na instituição. O Dr. José Antônio de Abreu Fialho, responsável pela fundação e também presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), é Patrono da Cadeira nº 71 e Membro Titular da Cadeira nº 27, tendo sido eleito em 1899. Sylvio de Abreu Fialho ocupou também a Cadeira nº 71, tendo sido Vice-Presidente (1942) e Presidente (1944) da SOB, tendo tomado posse como Membro Titular da ANM no mesmo ano.

A história da família Abreu Fialho junto à Academia Nacional de Medicina está eternizada no recém-publicado livro “Os Quadros da Academia Nacional de Medicina e suas Histórias”, que traz em suas páginas a obra “1a Enfermaria da Santa Casa do Rio de Janeiro”, que representa o Acadêmico José Antônio de Abreu Fialho examinando um paciente, observado por Oftalmologistas da 1a Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. O quadro foi pintado pelo artista Roberto Fantuzzi, conhecido como o pintor de Papas e de Presidentes e servindo como soldado na Segunda Guerra Mundial, encontrou também fama para suas pinturas dos combatentes.

Professor adjunto da UFRJ por 42 anos, Tito de Abreu Fialho chefiou os Serviços de Oftalmologia dos Hospitais Carlos Chagas, Albert Schweitzer e Olivério Kramer de 1952 a 1977, período em que pode acompanhar a evolução da oftalmologia e conviver com grandes mestres. O Honorário é também escritor e trovador, além de Membro Emérito da Academia Brasileira de Médicos Escritores (ABRAMES), da qual tornou-se membro em 26 de maio de 1989 e onde é fundador da Cadeira nº 06, ocupada atualmente por Juçara Viegas Valverde.

Para a Academia Nacional de Medicina, teve seu nome aprovado em 18 de maio de 2017, tendo sido saudado nesta casa pelo Acadêmico Omar da Rosa Santos em Sessão no dia 21 de setembro de 2017, sob a presidência do Acad. Jorge Alberto Costa e Silva.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 18 de maio de 2019.

Honorário Nacional Luiz Fernando Rocha Ferreira da Silva

Rio de Janeiro, RJ – 23 de setembro de 1936

† Rio de Janeiro, RJ, 22 de outubro de 2018

Honorário Nacional – Academia Nacional de Medicina, em 22 de outubro de 2018

Na sequência, amigos e familiares do mestre Luiz Fernando Rocha Ferreira da Silva também prestaram homenagens a este importante nome da parasitologia nacional, que se destacou não só pela excelência acadêmica, mas também pelo legado deixado para seus discípulos na Fundação Oswaldo Cruz, sua alma mater.

Luiz Fernando Rocha Ferreira da Silva nasceu no Rio de Janeiro em 1936. Em 1960, formou-se em medicina pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, onde concluiu, em 1962, o doutorado. Em 1966, ingressou como professor titular da disciplina de parasitologia na recém-criada Fundação Escola de Saúde Pública. Fundou o Departamento de Ciências Biológicas que, sob sua coordenação, reúne profissionais competentes em várias linhas da parasitologia e da microbiologia. Destes, diversos destacam-se na história da Fundação Oswaldo Cruz.

Em 1978, motivado pelo questionamento acerca da autoctonicidade da esquistossomose mansônica no Brasil, resolveu fazer investigações do parasito em fezes humanas preservadas (coprólitos) oriundas de diversos sítios arqueológicos brasileiros. Criava, assim, a paleoparasitologia.

Foi pesquisador (1999-2003) e diretor (1978–79) da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. Na Fiocruz, ocupou consecutivamente as vice-presidências de recursos humanos e de ensino, durante a gestão de Sérgio Arouca (1985/90), contribuiu de forma decisiva para a criação da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. Entre março a junho de 1990, assumiu interinamente a presidência da instituição em 1990.

No ano de 2004, foi diplomado pesquisador emérito da Fiocruz e, em 2005, tomou posse como membro honorário da Academia Nacional de Medicina. É também membro titular da Academia Brasileira de Medicina Militar (1993) e foi presidente da Sociedade Brasileira de Parasitologia (1979-80 e 1981-82).

Desenvolveu suas atividades no Departamento de Ciências Biológicas, da Ensp. Tem mais de 240 trabalhos publicados e foi autor de três livros: “Paleoparasitologia no Brasil” (1988), “Paleopatologia e Paleoepidemiologia – Estudos multidisciplinares“ (1992) e ”Paleoparasitologia“ (2008).

Foi importante incentivador da formação de recursos humanos para a saúde nos diferentes níveis escolares e referência mundial nas pesquisas paleoparasitológicas, sendo o principal responsável pelo aperfeiçoamento de grupos de pesquisadores nacionais e estrangeiros nesta área.

Para a Academia Nacional de Medicina, teve seu nome aprovado em 23 de junho de 2005, tendo sido saudado nesta casa pela Acadêmica Lea Ferreira Camillo-Coura em Sessão no dia 13 de outubro de 2005, sob a presidência do Acad. Antonio Luiz de Medina.

Faleceu no Rio de Janeiro em 22 de outubro de 2018.

Evolução da Neurologia é tema de conferência na Academia Nacional de Medicina

Dentre as atividades científicas realizadas na Sessão de 25 de julho na Academia Nacional de Medicina, a Sessão Ordinária foi dedicada a discutir os principais avanços e perspectivas da Neurologia, em conferência intitulada “Os 55 anos da Neurologia”.

O conferencista, Acad. Gerson Canedo de Magalhães, graduou-se em Medicina pela Faculdade Nacional de Medicina em 1962, quando recebeu o prêmio Universidade do Brasil, reservado aos 10 melhores alunos da turma, pela sua classificação com distinção. Dedicou-se amplamente ao exercício da Clínica Neurológica, ligando-se aos serviços de Neurologia do Hospital Pedro Ernesto (1963-74), do Corpo de Bombeiros (1965-77), dos Servidores do Estado (1972-88), Hospital Geral de Bonsucesso (1988-91) e da Beneficência Portuguesa (1972-2003), que dirigiu por três décadas. Além disso, foi diretor do Serviço no Hospital Universitário Pedro Ernesto e professor da Cadeira de Neurologia da Faculdade de Medicina de Valença. É membro da Academia Brasileira de Neurologia (1970), da American Academy of Neurology (1994) e da Royal Society of Medecine (2000).

Acadêmico Gerson Canedo em conferência

Em sua apresentação, o Acadêmico chamou atenção para o fato de que a segunda metade do século XX e o século XXI foram cenário para grandes transformações na forma como o ser humano se comunica, na forma como ele transpõe distâncias e na forma como lida com as enfermidades. Para tanto, discorreu brevemente sobre os impactos dos novos meios de comunicação, o uso da internet para os mais variados fins e os novos meios de transporte, como o avião a jato.

Na sequência, afirmou que a primeira grande revolução experimentada pela especialidade foi a emergência de novas tecnologias de imagem neurológica, que possibilitaram não só uma maior precisão diagnóstica quanto novos tratamentos. A esse respeito, chamou atenção para o fato de que, até então, a Neurologia era tida como uma “ciência de diagnóstico”, pois poucos eram os tratamentos disponíveis para as enfermidades identificadas, em razão do difícil acesso a um órgão nobre e tão pouco conhecido.

O Acadêmico discorreu sobre o surgimento de importantes medicamentos e seus desdobramentos para a especialidade, dissertando sobre alguns dos mais significativos anticonvulsivantes, ansiolíticos e antitrombóticos.

Também dedicou parte de sua apresentação para ressaltar importantes nomes da especialidade que fizeram história com seus trabalhos, como o Dr. Aristides Azevedo Pacheco Leão, que, em 1944, ao trabalhar em sua tese de doutorado pela Universidade de Harvard, descobriu uma reação ocorrida no córtex cerebral e ainda não observada. O fenômeno foi batizado por ele de depressão alastrante, mas também ficou conhecido como “A Onda de Leão”. A descrição da depressão alastrante colabora no diagnóstico de doenças como a epilepsia e a enxaqueca e, de acordo com as investigações posteriores, ela não ocorre apenas no cérebro, mas também em outras estruturas neurais.

Discorreu também sobre a chamada Medicina Espacial, ciência multidisciplinar, interagindo com todas as especialidades médicas e ainda com Matemática, Física e Química e fornecendo subsídios à Engenharia Aeronáutica. Com os avanços mostrados pelo neurologista, a especialidade ganhou novos contornos, possibilitando, por exemplo, a identificação de alterações na substância branca e queixas visuais, náuseas e vômitos por aumento da pressão intracraniana pós voos espaciais. Este fato foi importante também para o desenvolvimento da chamada “Emporiatria” – área da Medicina Aeroespacial que se dedica a chamar a atenção dos médicos das diferentes especialidades para as peculiaridades que assumem as diferentes doenças do organismo humano quando em outro meio físico, para que eles saibam orientar seus pacientes quando por ocasião de viagens aéreas.

Na conclusão de sua apresentação, o Acadêmico apresentou novas técnicas de reabilitação, ressaltando a técnica da Estimulação Medular, utilizada como tratamento de pacientes com diagnóstico de dor crônica. Os resultados observados têm se mostrado promissores, com realização de ensaios clínicos controlados e randomizados, que mostram a superioridade da técnica quando comparada ao tratamento farmacológico convencional e também resultados mais favoráveis sobre repetidas cirurgias no mesmo paciente.

Além disso, o Acadêmico também abordou a utilização de inteligência artificial na neurologia, que vem produzindo resultados promissores, inclusive em casos complexos envolvendo pacientes em coma ou com comprometimentos consideráveis. Por fim, destacou as perspectivas futuras da especialidade, afirmando que o panorama aponta para uma mudança fundamental do atual modelo voltado mais para o tratamento de doenças; segundo o Acadêmico, os avanços tecnológicos indicam a emergência de um ecossistema de saúde focado na prevenção e no rastreamento de possíveis problemas antes que eles tenham a chance de se desenvolver.

Academia Nacional de Medicina realiza Simpósio sobre acidentes envolvendo picadas e mordeduras de animais

Se colocando na vanguarda das principais discussões médicas da atualidade, a Academia Nacional de Medicina, instituição científico-cultural mais antiga do Brasil, realizou, na última quinta-feira (18) o Simpósio “Animais que Picam, Lambem, Arranham e Mordem e os Acidentes por eles Causados”.

O problema abordado pelo Simpósio é crucial: nos últimos anos foi observado um aumento considerável no número de acidentes causados por ofídios e escorpiões. O organizador do Simpósio, Acadêmico Celso Ferreira Ramos Filho, ressaltou que estes são eventos negligenciados e constituem um problema mundial, uma vez que os maiores fabricantes de imunizantes passivos estão encerrando suas operações.

Acadêmicos Ricardo Cruz, José Galvão-Alves, Antonio Egidio Nardi e Celso Ferreira Ramos Filho na mesa diretora do Simpósio

Abrindo os trabalhos do Simpósio, o Dr. Cláudio Machado (Instituto Vital Brazil) apresentou a “Situação do Ofidismo no Brasil e no Mundo”, afirmando que acidentes por animais peçonhentos afetam principalmente camadas mais pobres da população que residem em áreas rurais e com acesso limitado a educação e a serviços de saúde. Discorreu também sobre a discrepância entre os números dos acidentes por ofidismo no mundo, ressaltando que, em países como os Estados Unidos e a Austrália, são registrados de 0 a 5 óbitos por ano. Em contrapartida, na América Latina são registrados 2.200 óbitos anuais contra assustadores 30.000 na África Subsaariana e 46.000 na Índia.

Na conclusão de sua apresentação, destacou que os acidentes por animais peçonhentos provocam consequências clínicas tanto físicas quanto psicológicas para as populações. Abordou, ainda, as consequências socioeconômicas para os países, incluindo os gastos decorrentes do número de hospitalizações e o tempo de hospitalização, número de mortes e aposentadorias precoces devido à invalidez.

Abordando “Acidentes por Abelhas: Resultados Finais do Primeiro Tratamento Específico em Sereis Humanos para um Agravo Negligenciado no Brasil), o Dr. Alexandre Naime Barbosa (Universidade Estadual Paulista – Botucatu) apresentou um histórico da introdução da espécie africana em 1956 pelo geneticista Warwick Estevam Kerr como uma tentativa de aumento da produtividade de mel e derivados, uma vez que a espécie brasileira possuía baixa produtividade. No entanto, ressaltou que, apesar de mais produtivas e resistentes às pragas, as abelhas africanizadas possuem características que as tornam mais nocivas ao convívio humano: são mais excitáveis, mais propensas a ataques em massa e precisam de um tempo maior para se acalmarem.

Discorreu, então, sobre o Estudo APIS, estudo clínico com o novo soro antiapílico contra picadas de abelhas africanizadas e serve como sugestão de condutas ao médico assistente antes do encaminhamento. O estudo tem por objetivo avaliar a segurança e a eficácia preliminar do novo soro antiapílico em pacientes vítimas de múltiplas picadas. Apresentando os primeiros resultados do estudo, ressaltou que os pacientes se encontram bem e, em 95% dos pacientes, não foi registrado qualquer grau de hipersensibilidade ao soro. No encerramento de sua apresentação, afirmou que os próximos passos incluem a análise dos dados clínicos e laboratoriais de eficácia, a análise dos dados de venenemia e proteômica, a redação de relatório para Anvisa, a publicação dos resultados e, por fim, a viabilização da Fase III do estudo.

Na sequência, o Dr. Alberto Chebabo (HUCFF – UFRJ) discorreu sobre “Mordeduras por Mamíferos: Raiva e Celulite Bacteriana – Profilaxia e Tratamento Clínico”, chamando atenção para o fato de que, nos Estados Unidos, são registrados cerca de 400.000 mordeduras de gatos e 4,5 milhões de mordeduras de cachorro por ano. Ressaltou ainda que, em crianças pequenas, a maior parte das mordeduras ocorrem na cabeça e pescoço; destas, 10% das mordeduras ocorrem na face. Acerca das manifestações clínicas das mordeduras, destacou que os sintomas podem aparecer dentro de horas e até dias após a mordedura de animais e que os mais comuns incluem dor, eritema e inflamação da área afetada, com infecções poli microbianas.

Ao final de sua apresentação, afirmou que os acidentes com animais são cada vez mais comuns devido ao aumento de animais de estimação e que mordeduras de gatos e humanos apresentam maior risco de infecção do que mordedura de cães. Sobre a profilaxia para doenças como raiva e tétano, o Dr. Alberto Chebabo ressaltou que cada caso deverá ser avaliado individualmente, sendo aplicados os protocolos estabelecidos e convenientes a cada caso.

Discorrendo sobre “Tratamento Cirúrgico Inicial e Tardio de Mordeduras”, o Acad. Ricardo José Lopes da Cruz ressaltou que, ao abordar a abordagem cirúrgica de mordeduras, uma das principais dúvidas levantadas se refere à decisão de suturar ou não os ferimentos. Acerca desta questão, o Acadêmico ressaltou que não existe consenso na literatura sobre o assunto; no entanto, afirmou que a vertente na qual o cirurgião está inserido prega que, em feridas de tamanho pequeno a médio e que são pouco aparentes, a sutura não é indicada – deve-se usar pontos de aproximação, por exemplo. Seguiu afirmando que o fechamento hermético pode favorecer a proliferação bacteriana e a formação de celulite facial.

Na conclusão de sua apresentação, o Dr. Ricardo Cruz destacou que, em geral, a formação de cicatrizes inestéticas decorre de erro de técnica cirúrgica. Apresentou, então, dicas para melhores resultados cirúrgicos, que incluíram o respeito às Linhas de Linger, não utilização de pontos muito próximos e de sutura intradérmica em ferimentos no rosto. Além deste fato, chamou atenção para o fato de que hematomas faciais não devem ser drenados, com exceção de duas áreas: nariz e orelhas.

Na sequência, o Dr. Claudio Maurício Vieira de Souza (Instituto Vital Brazil) fez apresentação acerca do “Escorpionismo como Modelo de Dinâmica em Saúde Ambiental”, apresentando dados que apontam para um aumento significativo na evolução dos acidentes por animais peçonhentos no Brasil nos últimos anos. Demonstrou, também, os importantes desdobramentos decorrentes das picadas de escorpião, que podem incluir desde dor, eritema e sudorese local (nos casos mais simples) até edema pulmonar agudo (nos casos mais graves).

Ao final de sua apresentação, destacou que os escorpiões são os animais peçonhentos responsáveis pelo maior número de casos de intoxicação humana no Brasil e que os modelos de alterações ambientais e de ocupação do espaço pelo homem promovem a criação de condições que favorecem a dispersão de diferentes espécies para novas localidades. Ressaltou, ainda, que no Estado do Rio de Janeiro, as regiões mais atingidas pelo escorpionismo são Sul Fluminense, Médio Paraíba, Norte e Noroeste do Estado.

A Dra. Tânia Mota (Secretaria Estadual de Saúde do Estado do Rio de Janeiro) fez apresentação sobre “Escorpionismo e Ofidismo: Tratamento e Prevenção em um Quadro de Carência de Imunobiológicos”, destacando que, no ano de 2013, o ANVISA modificou suas diretrizes de boas práticas para produção, o que resultou na notificação dos três principais laboratórios do estado e na subsequente queda na produção. Na sequência, chamou atenção para a importância de que, durante o ensino médico, a notificação seja encarada como uma etapa do atendimento, ressaltando que as Secretarias de Saúde se baseiam em mapas situacionais para calcular a demanda de soro.

Sobre as informações coletadas, destacou que dados como o local onde o ataque aconteceu e o perfil socioeconômico das populações atingidas (ocupação, qualidade de moradia, presença ou ausência de saneamento básico etc.) são vitais para a manutenção de políticas positivas de produção e distribuição de soro. Destacou, ainda, que o Rio de Janeiro é o único ente da federação que possui pacto para estas ações, garantindo que qualquer cidadão – estando ou não em seu município de origem – receba atendimento e tratamento adequados. Por fim, afirmou que, graças a este pacto com as secretarias municipais, no período de 2013 a 2019 não foi registrado nenhum óbito decorrente da falta do soro.

Por fim, a Dra. Cristina Lemos (Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro) fez apresentação sobre “Picadas e Mordeduras: Situação e Fluxo de Atendimento no Município do Rio de Janeiro”, apresentando diferentes séries históricas que apontaram para o cenário envolvendo animais peçonhentos no município. A partir dos dados apresentados, foi possível identificar fatores como bairros mais atingidos, idade da população que recebe atendimento e meses onde são registrados mais ataques. Ressaltou, ainda, que cerca quase 70% dos acidentes registrados são de classificação leve, não necessitando de intervenção soroterápica em 66% dos casos.

Em sua conferência, a Dra. Cristina Lemos demonstrou os procedimentos recomendados pela Secretaria de Saúde para a abordagem de doenças como a raiva, incluindo identificação das características do ferimento, a classificação do acidente e a avaliação do animal. Ressaltou, ainda, a importância da contínua oferta de treinamento e atualização dos profissionais que atuam nesta área, visando a capacitação para prescrição da conduta pertinente para cada caso.

Com apresentação que homenageou o Acadêmico Vital Brazil Mineiro da Campanha, patrono da Cadeira 83 da Secção de Ciências Aplicadas à Medicina, o Acad. Celso Ferreira Ramos Filho apresentou um histórico da abordagem de picadas e mordeduras como um problema emergente de saúde pública. Além deste fato, demonstrou também a evolução histórica da soroterapia, destacando a importância de figuras como os Drs. Shibasaburo Kitasato (1852-1931), Pierre Paul Émile Roux (1853- 1933) e Emil Adolf von Bhering (1854-1917).

Sobre a figura histórica de Vital Brazil Mineiro da Campanha, chamou atenção para seu pioneirismo na verificação experimental da eficácia dos tratamentos populares empregados contra o ofidismo. O Acadêmico ressaltou, ainda, que as descobertas de Vital Brazil sobre a especificidade dos soros antipeçonhentos estabeleceu um novo conceito na imunologia e seu trabalho sobre a dosagem dos soros antiofídicos gerou tecnologia inédita. A criação dos soros antipeçonhentos específicos e o antiofídico polivalente ofereceu à medicina, pela primeira vez, um produto realmente eficaz no tratamento do acidente ofídico que, sem substituto, permanece salvando centenas de vidas nos últimos cem anos.

História do câncer e da oncologia são tema de conferência na Academia Nacional de Medicina

Na noite da última quinta-feira (11) o Acadêmico José Carlos do Valle apresentou, no Anfiteatro Miguel Couto, a conferência “O Homem, o Médico e o Câncer: Fragmentos de uma História”. O renomado oncologista, que já foi Presidente da Sociedade de Cancerologia do Estado do Rio de Janeiro (1988 a 1991) e da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (1989 a 1991), emocionou confrades, convidados e estudantes com apresentação que retratou alguns dos principais eventos relacionados ao estudo de tumores e neoplasias em geral.

Acadêmico José Carlos do Valle

Na abertura dos trabalhos, chamou atenção para o fato de que este não é um esforço para apresentar uma etiologia do câncer, mas sim contar uma história sobre os primeiros registros de tumores e sobre como o desenvolvimento dos estudos acerca destes está intimamente ligado ao desenvolvimento humano e seus desdobramentos. Em um dos primeiros slides apresentados, o Acadêmico realizou uma análise comparativa entre a evolução da espécie humana e o aumento exponencial da concentração de novos compostos químicos na atmosfera terrestre, com destaque para uma primeira inflexão com o advento do homem moderno e também com a descoberta dos primeiros motores a combustão.

Na sequência, abordou os estudos desenvolvidos pelo Dr. Edward Masoro, que desenvolveu um gráfico comparando os índices da longevidade humana. Segundo o médico, atualmente, a extensão da expectativa de vida está intrinsecamente relacionada com o controle das doenças crônicas como o câncer, doenças cardiovasculares, diabetes, doenças metabólicas, obesidade etc. Segundo o Dr. Masoro, a expectativa de vida média poderia ser estendida até 140 anos, se aliada a uma dieta restrita.

Em seguida, discorreu sobre um dos conceitos mais importantes no desenvolvimento dos estudos oncológicos: a carcinogênese, ou seja, de formação do câncer, que em geral se dá lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa prolifere e dê origem a um tumor visível. Chamou atenção para o fato de que a carcinogênese pode ter diferentes classificações, de acordo com o agente “iniciador”, podendo ser química, física, genética, inflamatória ou infecciosa. Chamou atenção para fato de que, apesar destas classificações, a carcinogênese é, sobretudo, multifatorial. Discorreu também sobre a classificação estabelecida pelo Dr. James Holand em 1982, que busca categorizar os tumores de acordo com o volume celular:

Classificação dos tumores sólidos segundo James Holand

O Acadêmico afirmou que, de uma maneira geral, a oncologia clínica trata de tumores a partir de gigacitomas, tendo estes uma boa chance de terem um bom prognóstico. No entanto, chamou atenção para o fato de que muitas vezes o paciente só busca atendimento em uma fase mais avançada da doença (em geral teracitomas), o que resulta em desdobramentos menos positivos do ponto de vista do prognóstico.

Na sequência, retomando os diferentes tipos de carcinogênese, abordou alguns episódios históricos marcantes como o lançamento das bombas nucleares de Hiroshima e Nagasaki. Sobre estes episódios, afirmou que se trata do maior exemplo de carcinogênese física, que é relacionada principalmente à radiação. Neste caso, a radiação é responsável por lesar o DNA suscetível, produzindo modificações na sua estrutura, podendo provocar morte ou alterações modificam de maneira permanente os mecanismos normais de controle do crescimento celular. Sobre as explosões, chamou atenção para o fato de que, em Nagasaki, a explosão gerou ondas de calor de 3000 ºC e ventos de até 1005 km/h.

Gráfico que associa o aparecimento de neoplasias com as explosões em Hiroshima e Nagasaki. O Acad. José Carlos do Valle ressaltou que a incidência de leucemia nestas localidades é sem precedentes na história mundial

Abordando a carcinogênese química, discorreu sobre o incidente com o navio S.S. John Harvey. Segundo o Acadêmico, em 2 de dezembro de 1943, aviões alemães atacaram o porto de Bari, matando mais de 1.000 pessoas, e afundando 17 navios, incluindo o S.S. John Harvey, que foi destruído causando uma intensa explosão e ocasionando o vazamento do carregamento ilegal de gás mostarda contido no navio. Ao examinar os tecidos coletados das vítimas mortais, médicos da época descobriram que a ação do gás mostarda destrói os glóbulos brancos – descoberta que foi investigada pelos farmacologistas Louis S. Goodman e Alfred Gilman, que usaram um agente relacionado ao gás mostarda, o mustine, como o primeiro tratamento de quimioterapia.

O Dr. José Carlos do Valle prestou homenagem a grandes nomes da oncologia mundial, dentre os quais os Drs. Charles Brenton, Andrew Victor Schally (Honorário Estrangeiro da ANM) e Mario Kroeff, este último tendo sido o primeiro diretor do Centro de Cancerologia no Serviço de Assistência Hospitalar do Distrito Federal no Rio de Janeiro (1937). Ao final de sua apresentação, discorreu sobre das drásticas mudanças ambientais causadas pela ação humana e suas nefastas consequências para a saúde, propondo, então, a inclusão de uma nova categoria de classificação: a carcinogênese humana, usando como exemplo os níveis alarmantes de poluição atmosférica e os desdobramentos do aquecimento global.

Academia Nacional de Medicina outorga título de Honorário Nacional ao Dr. Luiz Rodolpho Raja Gabaglia Travassos

A Sessão de 11 de julho marcou a data em que a instituição concedeu o título de Honorário Nacional ao Professor Luiz Rodolpho Raja Gabaglia Travassos. No Artigo 36 de seu Regimento Interno, a Academia Nacional de Medicina estabelece que serão agraciados com o supracitado título médicos “credenciados por notório saber e irreprochável caráter, cujas contribuições e realizações tenham concorrido para o engrandecimento da Medicina”.

Acad. Antonio Egidio Nardi realiza a outorga do título ao Dr. Luiz Rodolpho Raja Gabaglia Travassos

O tradicional procedimento para a outorga do título inclui a indicação por parte de uma comissão formada por Acadêmicos Titulares ou Eméritos, através de ofício endereçado ao Presidente da Academia Nacional de Medicina, contendo currículo completo do candidato, a ser apreciado pela Diretoria da instituição. A partir de então, a proposta é levada ao plenário, onde o candidato deverá obter pelo menos 80% de aprovação por parte de seus pares. A distinção consiste na entrega de um Diploma e a aposição do colar Acadêmico, em sessão da Academia Nacional de Medicina, apresentando uma conferência e Recebendo Diploma e Medalha.

Recebido no Anfiteatro Miguel Couto pelo 1º Vice-Presidente, Acadêmico Antonio Egidio Nardi, e pelo Acadêmico Marcello Barcinski, responsável por proferir o discurso saudação ao novo honorário da Casa. Em sua alocução, o Acadêmico Barcinski destacou a brilhante trajetória do Prof. Travassos, filho do renomado bacteriologista e virologista Joaquim Travassos da Rosa.

Após esta etapa solene, o Dr. Luiz Rodolpho Raja Gabaglia Travassos proferiu a conferência “Atividade Anti-metastática de Moléculas Bioativas”, na qual versou sobre importantes episódios na história da evolução da microbiologia moderna. Relembrou que sua tese de doutorado inaugurou a nova fase da pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ressaltando as importantes mudanças que presenciou no estudo das células tumorais ao longo dos anos. Foram apresentadas as contribuições de grandes nomes da microbiologia nacional, como o Dr. Isaac Roitman, orientado pelo Dr. Travassos.

Suas contribuições foram de extrema importância para o desenvolvimento de técnicas que buscavam não apenas a criação de métodos diagnósticos mais eficazes, mas também a identificação de oportunidades de tratamento para neoplasias, principalmente aqueles associados ao uso de imunoterapia.

Luiz Rodolpho Raja Gabaglia Travassos possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1962) e doutorado em Ciências (Microbiologia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1967). Ingressou em um laboratório de pesquisa já no primeiro ano do curso médico, sob a orientação de Carlos Solé-Vernin. Neste laboratório isolou e caracterizou pela primeira vez no Brasil, bactérias patogênicas, de metabolismo oxidativo, produtoras de ácido glucônico, hoje classificadas como Acinetobacter e, na época, como membros da Tribu Mimeae (mimetizando Neisseria). No laboratório do acadêmico Amadeu Cury, continuou os estudos fisiológicos destas bactérias, mas a principal técnica incorporada foi a de estudos nutricionais utilizando leveduras saprófitas obrigatórias de animais de sangue quente. Esse estudo, que permitiu um considerável avanço na determinação de fatores de crescimento de microorganismos, fatores de temperatura, estabelecimento de dois métodos de dosagem microbiológica (colina e carnitina), estabelecimento de meios sintéticos, estudo do mecanismo de ação de antimetabólitos, teve o seu mérito reconhecido pelo convite para apresentar uma revisão ao Annual Review of Microbiology, publicada em 1971. Nessa época e em grande parte de sua carreira recebeu a influência de Seymour H. Hutner do Haskins Laboratories em Nova Iorque. A partir de 1972, iniciou uma linha de investigação sobre bioquímica e imunoquímica de estruturas antigênicas de fungos patogênicos para o homem.

Foi Professor Visitante do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, onde ficou ligado ao grupo chefiado por Lloyd J. Old, que estudava antígenos tumor-específicos de células de melanoma humano. A sua principal contribuição no período foi a identificação de gangliosídeos imunogênicos característicos de melanoma, o que abriu uma nova linha de investigação na área, tanto no Sloan-Kettering como em outros laboratórios. De volta ao Brasil, transferiu-se para a Escola Paulista de Medicina, onde iniciou duas linhas de pesquisa, uma relacionada aos componentes antigênicos de Trypanosoma cruzi reativos com anticorpos líticos, e outra ao antígeno de diagnóstico específico do Paracoccidioides brasiliensis. Nessas duas linhas, resultados importantes foram obtidos. Por exemplo, na primeira linha, os alvos dos anticorpos líticos foram identificados como sendo epítopos de alfa-galactosil 1,3-galactosil expressos em glicoproteínas tipo mucina, ancoradas à membrana via âncoras de glicosilfosfatidilinositol, cuja estrutura foi parcialmente determinada. Esses compostos purificados estão sendo utilizados com grande sucesso no diagnóstico da Doença de Chagas ativa.

Trabalhou ainda na formulação de uma vacina contra a paracoccidioidomicose baseada no peptideo P10 derivado da gp43. Da mesma forma mantem uma sólida linha de pesquisa em oncologia experimental a partir da criação da Unidade de Oncologia Experimental focalizando principalmente o modelo de melanoma murino B16F10. Participou ainda de trabalhos colaborativos envolvendo bactérias enteropatogênicas, fungos patogênicos (Cryptococcus neoformans), bem como glicobiologia de tripanosomatídeos e células tumorais, tendo publicado até 2008 mais de 185 trabalhos e 21 capítulos de livros.

Vida e obra de Carlos Chagas são celebradas em Simpósio na Academia Nacional de Medicina

Nascido em 9 de julho de 1878 no município de Oliveira (Minas Gerais), Carlos Chagas se tornaria um dos nomes mais proeminentes da história da medicina não só no Brasil, mas em todo o mundo. Com uma trajetória brilhante e dedicada à Saúde Pública, a vida e a trajetória do Acadêmico foram celebradas em Simpósio na Academia Nacional de Medicina, organizado pelos Acadêmicos Marcello Barcinski e Walter Zin, além do Dr. Evandro Tinoco (Sociedade Brasileira de Cardiologia).

Na mesa diretora, os Acadêmicos Pietro Novellino, José Galvão-Alves, Jorge Alberto Costa e Silva (Presidente), Marcello Barcinski e Walter Zin

Após a alocução de abertura do Presidente, o Dr. Evandro Tinoco discorreu sobre a importância de iniciativas como a deste Simpósio, que mantém viva a memória de um dos mais ilustres cientistas brasileiros. Na sequência, fez o lançamento oficial do Dia de Alerta da Insuficiência Cardíaca, cujo dia escolhido (9 de julho) coincide com o dia de nascimento do patrono da ação, Carlos Chagas. Sobre a escolha do Acadêmico como patrono da data, ressaltou que sua contribuição para a cardiologia e para a Insuficiência Cardíaca foi definitiva e de importância, representando seu nome marcante para essa nobre causa em nosso país.

No primeiro modulo do Simpósio, dedicado a discutir a Doença de Chagas, a primeira apresentação ficou a cargo do Acad. Wanderley de Souza, que discorreu sobre “O Parasita, o Vetor e as Formas de Transmissão”, traçando um panorama sobre o que se sabe hoje e o que se resta descobrir acerca do assunto. Destacou que, apesar de os casos agudos de Doença de Chagas serem relativamente raros, a maior parte dos registros destes casos está associado à infecção por via oral – ressaltando aqui a ingestão de sucos e frutas, em especial o açaí, que teve sua produção fortemente aumentada nos últimos anos.

Sobre o parasita, afirmou que o Trypanossoma cruzi é um complexo, apontando que existem inclusive discussões que apontam para a definição de mais de uma espécie, o que comprova a heterogeneidade genética deste parasita. Ressaltou ainda que, nos últimos anos, foram feitos avanços consideráveis na forma de estudo tanto do comportamento do parasita quanto de sua estrutura, chamando atenção para ferramentas que permitem realizar a reconstrução tridimensional das células infectadas de maneira automatizada.

Na sequência, o Dr. Salvador Rassi (Universidade Federal de Goiás) fez apresentação acerca da “Doença de Chagas no Brasil de Hoje” ressaltando que, na américa latina, há cerca de 6 milhões de pessoas infectadas pelo Trypanossoma cruzi, com estimativa de cerca de 1,2 milhões de infectados no Brasil, constituindo um grave problema de saúde pública. Sobre os casos agudos da doença, apresentou dados do Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, que registrou 1.190 casos entre os anos de 2012 e 2016. Chamou atenção, ainda, para o aumento no número de casos a partir de 2014, dando destaque à transmissão por via oral, que, dos 374 casos registrados em 2016, correspondia a quase 80% casos.

Na conclusão de sua apresentação, apontou ações que podem ser implementadas para a melhora do panorama da Doença de Chagas do país, ressaltando a importância da investigação de casos suspeitos de transmissão (principalmente via oral), a promoção de imediata notificação de casos suspeitos de Doença de Chagas em até 24h e o estabelecimento de mecanismos de controle de transmissão vetorial.

Abordando “A História do Transplante Cardíaco na Doença de Chagas”, o Dr. Edimar Bocchi (Universidade de São Paulo) ressaltou que a indicação do transplante cardíaco para o tratamento da miocardiopatia chagásica apresenta importantes controvérsias, chamando atenção para a limitação existente quanto o baixo número de publicações que tratem do assunto. Por meio da apresentação de estudos realizados nos últimos anos, apontou que a infecção pelo Trypanossoma cruzi associada ao uso de drogas imunossupressoras é um fator de risco para o comprometimento do enxerto. Com a evolução dos estudos, observou-se uma redução na taxa de mortalidade dos pacientes submetidos ao transplante, associada à redução da incidência de reativação da doença de Chagas.

Na conclusão de sua apresentação, afirmou que o transplante cardíaco é uma importante alternativa para tratamento da insuficiência cardíaca por doença de Chagas. No entanto, ressaltou que o sucesso no desenvolvimento desta técnica só foi possível graças à ousadia e a persistência dos médicos e pesquisadores brasileiros, que tornaram o procedimento possível, apesar dos diversos desafios identificados ao longo do processo, ressaltando que os procedimentos estão em constante aperfeiçoamento.

Na sequência, apresentando aula sobre “Últimos Avanços para o Tratamento da Doença de Chagas: a Estratégia da Drugs for Neglected Diseases iniciative (DNDi)” a Dra. Bethania Blum de Oliveira (DNDi) discorreu sobre o trabalho desenvolvido pela instituição, ressaltando que o trabalho da DNDi tem foco em pacientes adultos com a forma crônica indeterminada da doença, afirmando que os tratamentos disponíveis atualmente são os mesmos desde a década de 70.

Segundo a Dra. Bethania, o desafio atual consiste em melhorar os tratamentos disponíveis e apostar no descobrimento de novas entidades químicas e medicamentos, usando como exemplo a formulação pediátrica para o tratamento para Doença de Chagas disponibilizada em 2011.

Com apresentação intitulada “Carlos Chagas em Niterói: a Parte Esquecida da História de um Gênio”, a Dra. Áurea Grippa apresentou os resultados dos estudos desenvolvidos sobre a passagem de Carlos Chagas pelo antigo Hospital Marítimo de Santa Izabel (HMSI), localizado próximo à Baía da Jurujuba. Segundo a Dra. Áurea Grippa, a maior parte dos registros só foi recuperado graças às anotações do Dr. Camillo Terni, renomado higienista que foi contemporâneo de Carlos Chagas no HMSI. Ressaltou, ainda, que o trabalho desenvolvido no hospital recebeu diversas condecorações pela excelência do tratamento oferecido aos pacientes.

No encerramento de sua conferência, a Dra. Áurea Grippa chamou atenção para o fato de que, ainda que a passagem de Carlos Chagas por Niterói tenha sido breve, estes registros referem-se ao primeiro emprego de Carlos Chagas e sua “última parada” antes da empreitada junto a Oswaldo Cruz em 1905, reforçando o título de Carlos Chagas como o primeiro cientista translacional do Brasil.

Na segunda etapa do Simpósio, a Dra. Simone Petraglia Kropf (Fiocruz) fez apresentação acerca de “Carlos Chagas e a História da Descoberta de uma Nova Doença”. Inicialmente, abordou as relações existentes entre o desenvolvimento científico no Brasil e o avanço da Saúde Pública, muitas vezes estabelecendo uma relação causal visando a solução de problemas concretos. Sobre o trabalho de Carlos Chagas na Doença de Chagas, chamou atenção para o fato de que, pela primeira vez, um único cientista foi capaz de descrever a manifestação clínica de uma doença, seu vetor e agente etiológico, o que reforça o caráter translacional do trabalho desenvolvido por este vulto da medicina brasileira. Além deste fato, Carlos Chagas também estava atento aos determinantes sociais da saúde e da doença, incluindo em suas recomendações ações voltadas para a melhoria das condições de moradia da população de Lassance e associando a pobreza ao surgimento de moléstias.

Na conclusão de sua conferência, a Dra. Simone Kropf ressaltou que o legado de Carlos Chagas extrapola os limites da pesquisa científica e do desenvolvimento acadêmico, inaugurando e reforçando um movimento que deu mais visibilidade a populações antes negligenciadas, às quais eram negadas condições básicas para a construção de uma vida digna. Tendo isso em mente, apresentou os trabalhos associados ao dia 14 de abril, no qual é celebrado o dia mundial da Doença de Chagas.

Abordando “Doença de Chagas: a Polêmica na ANM e as Especulações sobre o Prêmio Nobel”, o Dr. Paulo Gadelha (Fiocruz) analisou as discussões ocorridas na Academia Nacional de Medicina, destacando como principais personagens o próprio Dr. Carlos Chagas, Miguel Couto, Júlio Afrânio Peixoto, Clementino Fraga e Paulo de Figueiredo Parreiras Horta. Sendo o Dr. Paulo Gadelha, as discussões estavam centradas em três eixos: do saber (paternidade da descoberta, contribuições de outros pesquisadores etc.); do poder (Instituto de Manguinhos e a Saúde Pública) e da ética (apropriação da descoberta, ocultação de trabalhos de colaboradores e criação de uma “epidemia imaginária”). Além deste fato, também estava em discussão a imagem do Brasil que, despontando como uma nação receptora de imigração, poderia sofrer com a associação de “um país de doentes”.

Também foram abordadas as especulações sobre o Prêmio Nobel, que ganharam força após o grande destaque recebido por Carlos Chagas na Exposição de Dresden (1911) e da concessão do Prêmio Schaudinn em 1912. No entanto, após análise dos registros históricos, apresentados, o Dr. Paulo Gadelha ressaltou que não existem evidências que suportem a hipótese de que a oposição enfrentada por Carlos Chagas na Academia Nacional de Medicina tenha sido um dos motivos para ele não ter recebido a premiação. Destacou, ainda, a não existência de documentos que comprovem a especulação de que o Comitê Nobel tenha se dirigido a instituições brasileiras e que essas tenham desaconselhado a premiação.

Academia Nacional de Medicina completa 190 anos em noite emocionante

No dia 30 de junho de 1829 era fundada a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, instituição que tinha, por princípio, contribuir para o estudo, a discussão e o desenvolvimento das práticas da medicina, cirurgia, saúde pública e ciências afins, além de servir como órgão de consulta do Governo brasileiro sobre questões de saúde e de educação médica. Quase duas décadas depois e após algumas mudanças de nome, a Academia Nacional de Medicina comemorou, na noite do dia 2 de julho, os 190 anos de sua Fundação, em Sessão solene que celebrou a pomposa tradição da Casa, que segue reunindo os mais proeminentes nomes da medicina nacional, apontando também para um futuro de constante renovação.

A primeira etapa da celebração teve como ponto alto a inauguração do Centro da Memória Médica, complexo que reúne os acervos da Arquivo, Biblioteca e Museu da Academia Nacional de Medicina. A inauguração do complexo representa a concretização de um sonho compartilhado por inúmeras gestões da ANM, cujo trabalho foi lembrado em placa comemorativa que ficará exposta permanentemente no Centro da Memória Médica. Além deste fato, vale ressaltar o apoio da FINEP, cujo financiamento, obtido em 25 de maio de 2017, possibilitou grande parte das obras estruturais do espaço. Durante a cerimônia falaram, além do Presidente Jorge Alberto Costa e Silva, o ex-Presidente Pietro Novellino e os Diretores do Arquivo (Acad. José Luiz Gomes do Amaral), Biblioteca (Acad. Carlos Gottschall) e Museu (Acad. Manassés Claudino Fonteles).

Presidente Jorge Alberto Costa e Silva (ao centro) discursando durante a inauguração do Centro da Memória Médica, junto aos Acads. José Luiz Gomes do Amaral (Diretor do Arquivo), Manassés Fonteles (Diretor do Museu), o ex-Presidente Pietro Novellino, Acad. Carlos Gottschall (Diretor da Biblioteca) e Acad. Milton Meier (Tesoureiro)

Fundado em 2005, o Arquivo Sergio D’Avila Aguinága preserva documentos textuais, iconográficos e audiovisuais que registram as atividades da instituição e de seus membros. A Biblioteca Alfredo do Nascimento possui 13 mil livros catalogados, relativos à Medicina e/ou à história da Medicina, dos quais 2.300 livros são consideradas Obras Raras e Especiais. Reúne também as coleções dos Anais da Academia Nacional de Medicina, em acervo de grande valor histórico para o resgate da memória da Medicina e da Saúde do Brasil. Já o Museu Inaldo de Lyra Neves-Manta foi fundado em 14 de abril de 1898 e é um dos poucos museus brasileiros dedicados a divulgar a memória da medicina. O acervo museológico é composto de peças de relevância científica como instrumentos médicos, artes plásticas, filatelia, óculos, medalhas, peças que fazem parte da história evolutiva da medicina brasileira.

Na segunda etapa da comemoração, os convidados foram conduzidos ao histórico Anfiteatro Miguel Couto, onde foi iniciada a tradicional cerimônia comemorativa do aniversário da Academia Nacional de Medicina. Após a alocução de abertura da Sessão por parte do Presidente Jorge Alberto Costa e Silva, coube ao Secretário-Geral, Acad. José Galvão-Alves anunciar a composição da mesa diretora, a saber: Dr. Francisco Horta (Provedor da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro), Embaixador Jayme Leitão (Consulado Geral de Portugal no Rio de Janeiro), Dr. Edmar Santos (Secretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro), Dr. Roberto Medronho (Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro), Dr. José Itamar Costa (Presidente da Academia de Medicina do Piauí), Contra-almirante Manoel de Almeida Moreira Filho (Academia Brasileira de Medicina Militar), Dr. Victorino Coutinho Chermont de Miranda (Presidente do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro), Nelson Nahon (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro), Dr. Savino Gasparini (Presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões) e o Dr. Luiz José Martins (Presidente Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro).

Acadêmicos durante a solenidade de aniversário da Academia Nacional de Medicina

Conforme disposto no Regimento Interno da Academia Nacional de Medicina, cabe ao Secretário-Geral fazer a leitura do relatório de atividades do ano Acadêmico corrente. A esse respeito, o Acad. José Galvão-Alves chamou atenção para o fato que foram realizados 21 Simpósios, 8 conferências, 6 Recentes Progressos e 2 Sessões Anatomopatológicas denominadas “Uma tarde na Academia – oficina diagnóstica”.

Destacou a dedicação extrema por parte da Diretoria, ressaltando o caráter democrático das ações realizadas, que contaram com “um clima de respeito, harmonia e cordialidade, dando continuidade aos excelentes trabalhos dos ex-Presidentes desta Casa”. Ressaltou ainda, o compromisso firmado pela Academia Nacional de Medicina de lutar e apoiar a revitalização do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, berço sagrado do ensino médico brasileiro.

Na sequência, foi a vez do Orador oficial da Diretoria do biênio 2017-2019, Acad. Omar da Rosa Santos, fazer sua alocução. Fazendo uma revisão dos trabalhos da gestão, destacou ações como a revisão do estatuto da Academia Nacional de Medicina e sua adequação ao Código Civil Brasileiro. Discorreu sobre os trabalhos desenvolvidos pelo Programa Jovens Lideranças Médicas, coordenado pelo Acadêmico Marcello Barcinski e que conta com o apoio da Bayer do Brasil.

Chamou atenção também para a atuação dos Núcleos de Relações Institucionais da Academia Nacional de Medicina, que concretizaram diversas parcerias, culminando na assinatura de termos de cooperação nacionais e internacionais. Foram enumeradas as atividades realizadas em países como Estados Unidos, França, Reino Unido, Argentina, Chile e China, dentre outros. Também foi mencionada a iniciativa encabeçada pelo Acadêmico Silvano Raia que, em parceria com a Universidade de São Paulo, desenvolve projeto para a realização de xenotransplante no país. Ao final de seu discurso, homenageou os Acadêmicos falecidos e leu mensagens de boas-vindas aos Acadêmicos que tomaram posse no corrente ano.

Na etapa seguinte, foi realizada a entrega dos diplomas aos vencedores dos Prêmios da Academia Nacional de Medicina. O vencedor do Prêmio Presidente da Academia Nacional de Medicina – José Martins da Cruz Jobim (Secção de Cirurgia) foi o Prof. Antonio Rodrigues Braga Neto (Programa Jovens Lideranças Médicas), tendo como co-autora a Dra. Lílian Padrón da Silveira. O trabalho premiado tem como título “Impacto da técnica cirúrgica para esvaziamento uterino no desfecho clínico e oncológico de pacientes com gravidez molar”. Já para o Prêmio Presidente da Academia Nacional de Medicina – Antônio Austregésilo Rodrigues Lima (Secção de Medicina), foi premiado o Dr. Gustavo Barreto de Melo, com trabalho sobre o “Uso off-label de seringas em oftalmologia, técnica de manuseio e riscos associados”. Foi agraciado com o Prêmio Presidente da Academia Nacional de Medicina – Carlos Pinto Seidl (Secção de Ciências Aplicadas à Medicina) o Dr. Bruno Hochhegger, pelo trabalho “Ressonância magnética de nódulos pulmonares: acurácia em região endêmica de doença granulomatose”. Por fim, a Drª Júlia Dutra Rossetto recebeu o Prêmio Antônio Fernandes Figueira pelo seu trabalho“Acomodação e estrabismo em crianças com Síndrome Congênita pelo vírus da Zika”. Encerradas as outorgas, o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva anunciou a abertura das inscrições para os Prêmios da Academia Nacional de Medicina para o ano de 2020, que estarão disponíveis no site oficial da ANM.

Em um marcante momento da cerimônia, o ex‐Presidente Pietro Novellino, representando os também ex-Presidentes Marcos Moraes e Francisco Sampaio, realizou a entrega do diploma de Presidente ao Acad. Jorge Alberto Costa e Silva, ressaltando sua liderança carismática e horizontal. Profundamente emocionado, o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva fez seu discurso de encerramento, afirmando que “o homem é resultado de seu imaginário atuando sobre sua realidade”. Segundo o Acadêmico, presidir esta Casa é certamente uma das maiores honras que pôde desfrutar ao longo de sua vida. Destacou que os Membros da Academia Nacional de Medicina são a alma desta quase bicentenária instituição, ressaltando que, pela primeira vez desde sua posse, todas as 100 Cadeiras da ANM encontram-se ocupadas.

O Presidente Jorge Alberto Costa e Silva recebe o Diploma de Presidente das mãos do Acad. Pietro Novellino

Sobre a inauguração do Centro da Memória Médica, afirmou que esta representa a concretização do compromisso da Academia Nacional de Medicina com o futuro, uma vez que a possibilidade de armazenar a memória da medicina brasileira é um privilégio para a instituição e para aqueles que por aqui passarem. Ressaltou que, nesta vida, nenhum de nós é capaz de construir nada sozinho, destacando os longos anos de trabalho árduo que culminaram na inauguração realizada neste dia. Afirmou que o Brasil é um país de cultura rica, mas que deve ser reconhecido não só como o país do futebol: “o Brasil é o país da cultura, da educação e da ciência”, finalizou o Presidente.

Ao final da solenidade, foi oferecido coquetel aos convidados no Salão Nobre, onde os Acadêmicos confraternizaram para festejar os 190 anos da Academia.

Acadêmicos durante o coquetel de confraternização no Salão Nobre da ANM

Acadêmico Silvano Raia apresenta conferência sobre a evolução da prática médica

Com uma agenda científica repleta de Simpósios que abordam temas de grande relevância para a atualidade, a Academia Nacional de Medicina recebeu, na última quinta-feira (27), um de seus ilustres membros para apresentar a conferência “O Médico ao Longo da História”. Silvano Raia, pioneiro dos transplantes de fígado no Brasil, fez um apanhado dos principais avanços e perspectivas para a profissão médica e para a medicina no mundo, que vivenciou nas últimas décadas importantes avanços.

O Acad. Silvano Raia é pioneiro nos transplantes de fígado no Brasil e autor da técnica de transplante de fígado intervivos

Iniciou sua apresentação destacando que a evolução da figura do médico coincide com a evolução da própria prática da medicina. Para retratar esta afirmativa, um de seus diapositivos ilustrou representação análoga ao calendário cósmico de Carl Sagan, trazendo os principais avanços responsáveis por modificar o entendimento da medicina, chamando atenção para o fato de que, nesta representação, todas os principais avanços tecnológicos estariam concentrados no mês de dezembro, evidenciando a rapidez com a qual os processos se intensificaram nos últimos anos.

Calendário cósmico de Carl Sagan, adaptado para as representar a evolução da medicina

Chamou atenção para o fato de que, desde a Escola Ayuverda (que entendia a “boa saúde” como o equilíbrio do espírito do homem e valorizava as características humanas do médico) até a Grécia antiga, o médico esteve no centro da sociedade, desempenhando um importante papel no desenvolvimento dos povos e gozando de grande prestígio. Após um longo período no qual este papel foi se tornando cada vez mais secundário, Silvano Raia destacou a grande transformação sofrida na entrada no século XX, que inaugura a transição da visão da medicina como arte para a visão da medicina como ciência biológica.

Já no século XXI, iniciam-se as transformações tecnológicas que poderão culminar em mais uma importante transição na forma com a qual encaramos a medicina: a transição de ciência biológica para ciência exata, graças principalmente aos avanços na chamada biotecnologia, com importantes desdobramentos na engenharia genética. Além deste fato, o Acadêmico também abordou o uso cada vez maior da chamada Telemedicina, que trata do uso das tecnologias da informação e telecomunicações para o fornecimento de informação e atenção médica a pacientes e outros profissionais de saúde situados em locais distantes. Ressaltou, todavia, que o uso desta modalidade reduz a importância da relação médico-paciente e do contato humano na observação clínica e no desenvolvimento do diagnóstico. Abordou também a chamada inteligência artificial médica, que está relacionada à capacidade das máquinas de imitar o comportamento e pensamento humanos – chegando a analisar dados e as imagens do exame, de forma a distinguir urgências em exames mais críticos.

Seguiu discorrendo sobre as importantes implicações no desenvolvimento da técnica CRISPR-Cas9, nome dado para técnica de edição genética utilizada para modificar sequências de DNA precisamente e que vem revolucionando a biotecnologia nos últimos anos. Segundo o Dr. Silvano Raia, a técnica irá alterar a forma com a qual encaramos o processo da doença e até mesmo o ato de adoecer. Na sequência, mostrou uma série de aplicações práticas para a técnica, como a prevenção de doenças por meio da seleção de embriões e óvulos fecundados em casais com predisposição genética para doenças como distrofia muscular, hemofilia, rim policístico, mucoviscidose, etc. Há, ainda, aplicações associadas a correções de defeitos genéticos pós-nascimento. O Acadêmico chamou atenção para o fato de que estas técnicas são voltadas para a cura de doenças, não somente seu tratamento, o que representa uma alteração importante de paradigma para a medicina.

Na sequência, abordou os estudos que vem sendo desenvolvidos acerca do xenotransplante, afirmando que nos últimos anos, pesquisadores liderados por George Church, Ph.D., professor de Genética na Harvard Medical School (HMS) deram passos importantes em direção à compatibilização das suas células presentes em órgãos de porcos com o corpo humano. Também neste caso, a engenharia genética se beneficia da técnica CRISPR-Cas9.

Ao longo de sua conferência, Silvano Raia também discorreu sobre os desdobramentos éticos associados aos avanços científicos e tecnológicos dos últimos anos. Utilizou como exemplo o caso do Dr. He Jiankui que, em 2018, apresentou caso envolvendo a edição gênica de dois bebês gêmeas humanas – a modificação garantiria resistência ao vírus HIV, que seria transmitida para as gerações seguintes. Após a repercussão negativa do caso, iniciou-se forte debate internacional acerca do risco do uso da edição genética para retomar práticas nocivas como a eugenia, dando origem a uma nova corrida por uma “raça superior”, tal qual a observada no século XX. Acerca desde assunto, o Acadêmico ressaltou que é preciso pensar nos efeitos de um tratamento para além de um único paciente, refletindo sobre os impactos de determinada descoberta científica para a humanidade como um todo.

Finalizou sua conferência fazendo uma reflexão sobre a evolução do objetivo da medicina ao longo do tempo, que, em seus primórdios, se limitava a estimular a resignação dos pacientes com relação à sua condição e que atualmente já se propõe a prolongar a vida e, em última instância, evitar a morte.

Dispositivo da apresentação do Acad. Silvano Raia

Após a conferência, seguiu-se rica rodada de discussões, da qual participaram os Acadêmicos Antonio Nardi, Sergio Novis e Marcello Barcinski. O Presidente Jorge Alberto Costa e Silva também fez importantes colocações, destacando que, apesar de termos inúmeros avanços tecnológicos a nosso dispor, é preciso que médicos e cientistas sejam incentivados a pensar criticamente acerca do significado destes avanços. Uma “metamedicina” serviria, portanto, ao propósito de garantir que novas descobertas não sejam esvaziadas de seu objetivo maior, que é proporcionar saúde e bem-estar à humanidade. Referenciou este como um momento especial da medicina, apontando para os desafios também no ensino médico, afirmando que “ensinar medicina hoje é ensinar a desaprender”.

Reiterando o espírito de “instituições irmãs”, Academia Nacional de Medicina e Académie Nationale de Médecine realizam Sessão Conjunta

Como fruto do trabalho de gestões anteriores e impulsionada pelas atividades do Núcleo de Relações Institucionais Internacionais, foi realizada no dia 18 de junho mais uma edição da Sessão Conjunta entre a Academia Nacional de Medicina e a Académie Nationale de Médecine. O encontro mobilizou os membros de ambas as instituições, que dividiram os créditos pela organização da Sessão, realizada no tradicional anfiteatro da instituição francesa, fundada em 1820 pelo rei Luís XVIII de França. A sede da instituição fica localizada em ponto privilegiado da cidade de Paris, próxima às margens do Rio Sena e de pontos turísticos como o Musée d’Orsey e a Pont des Arts.

O Dr. Jair de Castro junto aos Acadêmicos Giovanni Cerri, Mauricio Younes, Maurício Magalhães, Jorge Alberto Costa e Silva (Presidente), Antonio Nardi, Eliete Bouskela, Rubens Belfort, Patrícia Rocco, Carlos Alberto Mandarim-de-Lacerda e Oswaldo Moura Brasil

No dia anterior à realização da Sessão Conjunta, o Presidente Jorge Alberto ofereceu cocktail em sua residência de Paris. Na ocasião, o Presidente discursou sobre a importância da realização de atividades como esta, na qual os Acadêmicos têm a oportunidade de confraternizar entre si e também com os pares de Academias “irmãs” de todo o mundo. Em seguida, os Acadêmicos presentes se reuniram aos colegas franceses para um jantar de confraternização no restaurante Beefbar Paris.

Acadêmicos e cônjuges na residência do Presidente Jorge Alberto Costa e Silva, em Paris

Este ano, a abertura dos trabalhos foi feita pelo Presidente Jorge Alberto Costa e Silva, tendo sido a Sessão encerrada pelo Presidente do lado francês, o Dr. Emmanuel Alain Cabanis.

Com expressiva participação da delegação brasileira, composta por 11 Membros da ANM e dois convidados – os Drs. Roberto Medronho (Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Jair de Castro. Também foi expressiva a participação dos cônjuges dos Acadêmicos e Acadêmicas, que tomaram parte em todas as atividades programadas durante o período.

A Sessão, que teve como tema “Avanços em Tecnologias de Imagem e Inteligência Artificial”, foi marcada pelo alto nível das apresentações e pelo brilhantismo dos conferencistas. O Acad. Giovanni Cerri, que iniciou a rodada de apresentações, abordou “Definição de protocolo clínico e técnico PET/MR com PSMA para avaliação de câncer de próstata: experiência inicial e resultados”. Na sequência, o Acad. Carlos Alberto Mandarim-de-Lacerda, que é Membro Associado da Academia francesa, apresentou seu trabalho sobre “Ilhotas Pancreáticas: o que sabemos 150 anos depois de Langerhans”. Do lado francês falaram o Dr. Francisc Brunelle (“Inteligência Artificial e Imaginário, Definição, Aplicações e Oportunidades”) e o Dr. Volodia Danglouloff-Ros (“Inteligência Artificial e Tumor do Tronco Cerebral em Crianças”).

Acadêmicos Carlos Alberto Mandarim-de-Lacerda e Giovanni Guido Cerri durante suas apresentações. Ao fundo e à esquerda, o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva na mesa diretora da Sessão

Além das apresentações na íntegra, os conferencistas também tiveram um resumo de cerca de 3 minutos gravado ao final das apresentações, que ficará disponível no website da academia francesa ao público em geral.

A delegação brasileira foi formada pelos Acadêmicos Jorge Alberto Costa e Silva, Antonio Egidio Nardi, Carlos Alberto Barros Franco, Carlos Alberto Mandarim-de-Lacerda, Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro, Eliete Bouskela, Giovanni Guido Cerri, Maurício Magalhães Costa, Mauricio Younes Ibrahim, Oswaldo Moura Brasil do Amaral Filho, Patrícia Rocco e Rubens Belfort Mattos Jr.

A comitiva brasileira presente na Sessão Conjunta Brasil-França 2019

Na sequência da Sessão, foi oferecida uma degustação de vinhos, seguida de coquetel e recepção oferecida pelo Sr. Carlos Sanchez e sua esposa.Agenda

I Seminário Brasileiro de Saúde Materno Infantil e Poluentes Ambientais reúne estudantes na Academia Nacional de Medicina

A Academia Nacional de Medicina sediou, nos dias 6 e 7 de junho de 2019, o I Seminário Brasileiro de Saúde Materno Infantil e Poluentes Ambientais. O evento foi possível graças à parceria entre a Academia Nacional de Medicina e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, por meio da Faculdade de Medicina, a Maternidade Escola e o Instituto de Estudos de Saúde Coletiva (IESC).

Presidente Jorge Alberto Costa e Silva discursa na abertura do Seminário

Com dois dias de duração e contando com a participação de palestrantes de alto nível vindos de diversas especialidades, o evento fez importantes contribuições não só no campo teórico, mas também no incentivo às pesquisas sobre o efeito dos poluentes ambientais sobre a saúde de mães e crianças. Além de consagrados nomes da pesquisa nacional, o evento também teve a participação de convidados internacionais, configurando um importante ponto de convergência entre os trabalhos desenvolvidos no país e aqueles desenvolvidos em outros países.

Em seu discurso de abertura, o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva ressaltou ser uma honra para a Academia Nacional de Medicina organizar, junto à UFRJ, um programa de tão alto nível. Chamou atenção para o fato de que os dois temas – “saúde materno-infantil” e “poluentes ambientais” – já são de grande importância quando tratados em separado;

Além do debate teórico, também foi ponto de destaque o desenvolvimento de estratégias de ação e prevenção, visando a implementação de ações de vigilância e atenção à saúde voltadas para a população infantil desde a gestação. De maneira geral, o evento teve como objetivo fazer um apanhado do conhecimento existente no Brasil acerca dos impactos sobre à saúde decorrentes da exposição aos poluentes ambientais durante a gestação e período perinatal até a adolescência. Além deste fato, o encontro na Academia Nacional de Medicina tornou possível a articulação de uma atuação em rede, favorecendo o intercâmbio de informações e a formação de recursos humanos.

Existem evidências crescentes de que a exposição a substâncias poluentes do ambiente (agrotóxicos, contaminantes atmosféricos, metais, substâncias plastificantes, solventes domissanitários) durante a gestação e período perinatal até a adolescência, pode levar a ocorrência de desordens ou alterações na saúde, não só na infância, mas também na vida adulta. O Brasil é um dos países da região das Américas que incorpora uma ampla variedade de fatores e condições ambientais que podem constituir um risco para a saúde infantil, entre eles a poluição atmosférica nos grandes centros urbanos e o uso disseminado e crescente de agrotóxicos em áreas rurais e urbanas de todo o país.

No primeiro dia de evento, o Acad. Jorge Rezende Filho abordou Saúde Materna, ressaltando que entre 1990 e 2015, a taxa de mortalidade materna global diminuiu apenas 2,3% ao ano. No entanto, a partir de 2000, observou-se uma aceleração nessa redução. Em alguns países, as reduções anuais de mortalidade materna entre 2000 e 2010 foram superiores a 5,5%. Já no Brasil, entre 1990 e 2015 a redução na razão de mortalidade materna no Brasil foi de 143 para 62 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos, o que representou uma diminuição de 56%. Destacou ainda que países de baixa renda são responsáveis por 99% dos óbitos maternos, sendo que esta é maior entre mulheres que vivem em áreas rurais e comunidades mais pobres.

Sobre estratégias para a redução dos índices de mortalidade materna, destacou a qualificação da atenção ao parto e ao pós-parto, incluindo as emergências obstétricas. Além deste fato, torna-se necessário o investimento em qualificação das equipes de atenção ao pré-natal. Chamou atenção para a necessidade de uma articulação em rede, envolvendo a atenção básica e a hospitalar. Por fim, destacou que é preciso que sejam implementadas ações de planejamento reprodutivo, o que inclui também ações de conscientização sobre o aborto, ressaltando que em 2016, houve um aumento dos óbitos por hemorragia, infecção puerperal e aborto no município do Rio de Janeiro.

Discorrendo sobre Equidade e Poluição, o Acad. Paulo Saldiva fez considerações sobre a história dos estudos sobre a poluição do ar, destacando que, na década de 80, a poluição do ar era “uma causa à procura de uma doença” e que, ao longo do tempo, foi possível observar os efeitos deletérios desta condição à saúde humana. Chamou atenção para o fato de que, no dia 19 de junho, será entregue na Assembleia Geral das Nações Unidas um documento que trata da poluição do ar nos mesmos moldes que a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, buscando o estabelecimento de políticas globais sobre a matéria.

Por meio de gráficos, demonstrou que, embora os maiores níveis de poluição sejam registrados nos centros urbanos, é nos pulmões das populações periféricas – que, mesmo trabalhando nestes centros urbanos, em geral residem em áreas mais afastadas e, portanto, permanecem mais tempo em deslocamento diário – que são observadas as maiores concentrações de poluentes. Ressaltou que a chance de uma criança completar um ano de vida na cidade de São Paulo pode variar em até oito vezes, dependendo de onde esta criança reside. Por fim, fez um apelo à audiência, destacando que é preciso que pensemos criticamente sobre nossa relação com o nosso ambiente, afirmando que as políticas voltadas para as cidades não são formuladas pela população, ainda, sim, é nela que são observados os desdobramentos mais graves.

Academia Nacional de Medicina e Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro realizam Fórum de Atualização em Emergência

A Academia Nacional de Medicina consagrou mais uma vez, na última quinta-feira (30), o espírito colaborativo que marca as ações da instituição: realizou, em parceria com o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro o Fórum Internacional de Atualização em Emergência. Com organização dos Acadêmicos Pietro Novellino, Silvano Raia e Rossano Fiorelli e coordenação dos Professores Flávio Sá Ribeiro, Cândice Vasoncellos e Ricardo Farias, o Fórum mobilizou estudantes e profissionais da saúde, que tiveram presença expressiva no tradicional Anfiteatro Miguel Couto.

A condução dos trabalhos do Fórum Internacional de Atualização em Emergência ANM/CREMERJ coube ao Acadêmico e ex-Presidente Pietro Novellino, um dos organizadores do evento

A idealização do Fórum se deu a partir da necessidade de capacitação e a partir da análise crítica da situação das emergências em todo o estado do Rio de Janeiro, que lida com problemas estruturais crônicos, que envolvem faltas graves de recursos humanos e problemas de infraestrutura. Nesse sentido, o Dr. Sylvio Provenzano, Presidente do CREMERJ, afirmou que ainda que existam adversidades, tais situações não devem impedir que existam iniciativas que mirem a excelência e “acomodar” o sistema de saúde do estado em uma situação que se situe tão longe do ideal.

Após alocução de boas-vindas proferida pelo Acadêmico e ex-Presidente Pietro Novellino, a primeira etapa do Fórum abordou importantes emergências médicas como queimaduras, afogamentos e dor torácica. Nomes consagrados como o do Dr. Carlos Eduardo Lopes Nunes, que abordou “Via Aérea de Difícil Manejo na Emergência” se debruçaram sobre os aspectos críticos da abordagem da medicina de emergência, que abrange o diagnóstico e tratamento de qualquer paciente que necessite cuidados diante de uma situação imprevista que requeira atendimento imediato.

Foram apresentadas técnicas de atendimento inicial adequado, visando limitar a morbidade e a mortalidade nos pacientes e envolvendo o conhecimento e reconhecimento adequados de lesões e doenças agudas, seguidas de imediato tratamento e estabilização. Além deste fato, os apresentadores também abordaram aspectos da conduta médica para estes casos, considerada crítica do ponto de vista emocional, chamando atenção para o fato de que, principalmente devido aos altos níveis de estresse associados ao atendimento emergencial e o grande volume de atendimentos realizados, a atenção com os sinais de esgotamento físico e/ou emocional deve ser redobrada.

Além das diferentes abordagens da medicina de emergência, a conduta do médico também foi assunto pautado pelas diferentes apresentações. Foi abordado em especial o Código de Ética Médica, cuja versão revisada entrou em vigor no ano de 2010. O Código é resultado de dois anos de trabalhos da Comissão Nacional de Revisão do Código de Ética Médica e de diversas entidades envolvidas para preparar um documento consonante com os avanços tecnológicos, dando destaque à autonomia da prática médica e à relação médico-paciente.

Do ponto de vista prático, também foram realizadas palestras como a do Dr. José Alfredo Padilha (Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro), que discorreu sobre a experiência do Rio de Janeiro em Grandes Eventos, destacando que eventos de grande porte demandam a implementação de um sistema multissetorial e interdisciplinar, criando uma rede de atendimento equilibrada e que seja capaz de manter a qualidade dos atendimentos. Foram utilizados como exemplos eventos como o Carnaval e a festa de Réveillon, que movimentam milhares de pessoas todos os anos na cidade do Rio de Janeiro e que contam com uma infraestrutura específica e especializada.

O Simpósio foi finalizado com duas conferências magnas; a primeira delas, intitulada “What Makes the ideal Acute Care Surgeon”, foi proferida pelo Dr. Mansoor Ali Khan, Conselheiro Consultor em Cirurgia Geral para a Marinha Real Inglesa e Professor Sênior em Cirurgia Militar no Centro Real de Medicina de Defesa. Depois, coube ao Dr. Antonio Marttos abordar o uso da Telemedicina na Educação Cirúrgica no Trauma, discorrendo sobre sua experiência de sete anos no Ryder Trauma Center da Universidade de Miami. O Dr. Antonio Marttos, que em 2017 recebeu a outorga do título de Correspondente Estrangeiro da ANM, ressaltou que o uso da telemedicina tem como principal benefício a disponibilização de um banco de dados da saúde do paciente, possibilitando um diagnóstico rápido, personalizado e até mesmo à distância.