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Sessão de 4 de maio de 2017 - ANM promove Simpósio em comemoração ao Dia Mundial do Rim

Sob a coordenação dos Acadêmicos e nefrologistas Omar da Rosa Santos e Nestor Schor, a Academia Nacional de Medicina promoveu, na última quinta-feira (4) tradicional Simpósio em comemoração ao Dia Mundial do Rim. Além dos Acadêmicos, o Simpósio contou com a presença de renomados especialistas da área, que falaram para uma plateia de estudantes, residentes e profissionais da Saúde no anfiteatro Miguel Couto. O Acadêmico Omar da Rosa Santos fez o discurso de abertura do Simpósio, substituindo temporariamente o Presidente Francisco Sampaio, ausente em decorrência de viagem à França para participar da Sessão Conjunta entre a Academia Nacional de Medicina e a Académie Nationale de Médecine de France.

Os Acadêmicos Miguel Riella, Omar da Rosa Santos, José Galvão Alves (1º Vice-presidente) e Nestor Schor

O Acadêmico Manassés Fonteles fez apresentação sobre “Guanilinas: da Investigação à Prática Clínica”, destacando que guanilinas são peptídeos produzidos no intestino que regulam o balanço celular epitelial no intestino e modulação do balanço de sódio através de ações nos rins. Tais substâncias podem, ainda, participar de um eixo endócrino conectando o sistema gastrointestinal ao rim. Segundo o Acadêmico, dietas ricas em sal podem aumentar as concentrações de uroguanilina na urina, como também os níveis de mRNA no intestino e rim.

O Acadêmico Manassés Claudino Fonteles durante sua apresentação

Chamou atenção para o uso da linaclotide, um oligo-peptídeo capaz de se ligar à guanilato ciclase-C e ativá-la para provocar uma resposta biológica. Apresentou múltiplas publicações científicas caracterizando descoberta das ações de linaclotide para diminuir a dor intestinal em modelos não-clínicos, sendo esta a primeira substância agonista da guanilato ciclase-C aprovada pela Food and Drug Administration, dos Estados Unidos.

Com apresentação denominada “Terapia Celular nas Doenças Renais”, o Acadêmico Marcelo Morales, destacou que a nefropatia diabética é uma das complicações mais graves do diabetes e a causa mais comum de insuficiência renal em fase terminal no mundo ocidental. Após a apresentação de diversos estudos e modelos clínicos utilizando a terapia celular, o Acadêmico afirmou que a terapia utilizando vesículas extracelulares derivadas de células tronco de tecido adiposo melhoram parâmetros renais em modelos animais de nefropatia diabética.

O Acadêmico Marcelo Morales

O Dr. Maurilo Leite Junior (UFRJ) abordou “Miocardiopatia na Doença Renal Crônica”, ressaltando que a insuficiência renal crônica é uma patologia que afeta os diferentes aspectos da vida do paciente. É de difícil tratamento, com sérias implicações físicas, psicológicas e socioeconômicas não apenas para o indivíduo, como também para a família e a sociedade. No Brasil, a prevalência de pacientes mantidos em programa crônico de diálise mais que dobrou nos últimos oito anos, sendo suas principais causas a hipertensão arterial e o diabetes mellitus. Dos 2.467.812 pacientes com hipertensão e/ou diabetes cadastrados no programa HiperDia em 2004, a frequência de doenças renais foi de 6,63% (175.227 casos). Por fim, apresentou as diferentes tipologias existentes para a síndrome cardio-renal, de acordo com os danos sistêmicos causados.

O Dr. Maurilo Leite durante sua conferência

Na sequência, falando sobre “Rim e Obesidade”, o Dr. Luis Yu (UFRJ) afirmou que a obesidade é um fator de risco significativo na progressão das doenças renais, de maneira mais expressiva do que outras doenças como a nefropatia diabética. Segundo o nefrologista, a obesidade pode causar alterações hemodinâmicas renais como o aumento do fluxo plasmático renal, hiperfiltração glomerular e retenção salina. É comum a ocorrência de comorbidades como o diabetes mellitus e a hipertensão arterial, consideradas duas das causas mais frequentes de doença renal crônica. Além disso, a obesidade pode acelerar a evolução de glomerulopatias preexistentes.

A apresentação do Dr. Luis Yu demonstrou as relações entre a obesidade e as doenças renais

Na conclusão de sua palestra, o Dr. Luis Yu apresentou quadros que indicam que a cirurgia bariátrica é o tratamento que apresenta melhores resultados na evolução da doença no médio e longo prazo. Dentre os benefícios associados, é possível destacar a normalização do ritmo de filtração glomerular, a redução ou resolução da albuminúria e proteinúria, melhora da hipertensão arterial e da glicemia e alterações favoráveis nos marcadores inflamatórios e metabólicos.

Após as 18h, o Acadêmico Miguel Riella realizou conferência sobre “Genética nas Nefropatias”, afirmando que a análise da predisposição genética ajuda a desvendar mecanismos fisiopatológicos que podem facilitar o desenvolvimento de terapias específicas para cada grupo, reduzindo o número de efeitos adversos. Com relação à Nefrologia, indicou que um dos marcadores mais relevantes é a afrodescendência. Estima-se que, com relação à doença renal crônica, afrodescendentes possuem uma incidência até 4x maior que caucasianos, além de apresentarem um declínio mais rápido da função renal nos estágios inicias da doença. Com os avanços da genética, pesquisadores identificaram regiões genômicas onde pacientes com doença renal crônica tinham um maior grau de ancestralidade africana, comparado com controles saudáveis.

O Acadêmico Miguel Riella discorreu sobre os aspectos genéticos associados às doenças renais

Ao final de sua apresentação, concluiu que variantes genéticas para nefropatias podem ser consideradas comuns, com efeitos consideráveis em algumas populações específicas. Assim sendo, as condutas terapêuticas a serem adotadas podem levar em consideração tanto a genética quanto fatores de risco ambientais. Em seguida, finalizou sua apresentação afirmando que “ genética carrega a arma e o fatores ambientas puxam o gatilho”.

Encerrando as apresentações do dia, o Acadêmico Nestor Schor discorreu sobre “Água como Medicamento”, afirmando que a hidratação é mecanismo indispensável para a manutenção da vida e que a chamada hipohidratação possui importantes desdobramentos como diminuição da vigilância visual e memória, fadiga, tensão e ansiedade. Em seguida, apresentou experiência realizada na Alemanha a respeito da ingestão de água como prevenção do sobrepeso. A experiência consistiu na promoção da ingestão de água em 2950 crianças do ensino fundamental durante 30 dias – período após o qual observou-se uma redução de sobrepeso em 31% nas crianças. Com base nestes dados, o Acadêmico chamou atenção para a necessidade de controle da qualidade dos líquidos ingeridos, principalmente em crianças, tendo em vista que bebidas como refrigerantes possuem frutose, que pode causar depleção transitória de ATP, elevação do ácido úrico, indução doença renal ou aceleração de doença preexistente.

O Acadêmico e organizador do Simpósio Nestor Schor

Em conclusão, sugeriu que as últimas décadas apresentaram um novo paradigma na forma com a qual encaramos a ingestão de água. Afirmou que estudos cientificamente adequados sugerem que a água, além de uma necessidade vital, passa a ser também um mecanismo de prevenção e tratamento de uma extensa gama de enfermidades.

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