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Sessão de 25 de julho de 2019 – Caso de dispneia pós-transplante renal e apresentado em edição de “Uma Tarde na Academia: Oficina Diagnóstica”

A Academia Nacional de Medicina realizou nesta quinta-feira (25) mais uma edição do evento Uma Tarde na Academia: Oficina Diagnóstica, organizada pelos Acadêmicos José Manoel Jansen, Carlos Basílio de Oliveira e José Galvão Alves. O tema escolhido para a Sessão desta quinta-feira foi um caso clínico de dispneia pós-transplante renal, apresentado pelo Dr. Domenico Capone (UERJ). Os desdobramentos do caso foram apresentados pelo Dr. Paulo Cesar de Oliveira (UNIFESO), convidado como debatedor do tema. Como já é de praxe, a análise da anatomia patológica do caso ficou a cargo do Acad. Carlos Alberto Basílio de Oliveira que, nesta edição, contou com a participação do Dr. Heleno Pinto de Moraes (UERJ).

Acadêmicos José Galvão-Alves, Antonio Egidio Nardi, Pietro Novellino e Omar da Rosa Santos

O Acadêmico José Galvão-Alves iniciou os trabalhos, convidando o Dr. Domenico Capone para fazer a apresentação do caso: trata-se de paciente de 30 anos, masculino, branco, solteiro, desempregado, natural do Rio de Janeiro, morador da Tijuca, com queixa principal de dispneia. O paciente foi diagnosticado com doença renal crônica de base desconhecida, tratada com transplante renal em março de 2016, de doador falecido. Desde então, o paciente foi submetido a tripla terapia imunossupressora: micofenolato, tacrolimus e prednisona. Relatou, ainda, que em junho de 2017, iniciou quadro de tosse seca, persistente, que evoluiu rapidamente para dispneia em repouso.

Como resposta a bateria de exames, o paciente apresentou mau estado geral, estando hipocorado e desidratado. Além deste fato, o paciente apresentou 26 incursões respiratórias por minuto, baixa saturação arterial de oxigênio da hemoglobina (86%, com 8L por minuto) e ausculta respiratória com crepitações em bases. O paciente iniciou dispneia progressiva e tosse com infiltrados pulmonares em vidro fosco difusos e condensações ao redor de brônquios um ano e 7 meses após o início do tratamento imunossupressor. As possibilidades diagnósticas diferenciais mais prováveis incluíram PCP e BOOP. Obteve-se o diagnóstico de bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP) pela biópsia pulmonar. Histologicamente, a doença caracteriza-se pela presença de formações polipóides intrabronquiolares compostas por fibroblastos e raras células inflamatórias, geralmente se estendendo pelos ductos e sacos alveolares (pneumonia em organização).

Na discussão do caso, o Dr. Paulo Cesar de Oliveira (UNIFESO) ressaltou que o transplante de órgãos sólidos mais comum no mundo é o transplante renal, sendo esse o tratamento de escolha para a doença renal terminal. Afirmou também que, no Brasil, é o tipo de transplante mais realizado. Quando comparado à diálise crônica, o transplante renal é rentável, oferece melhora na qualidade de vida e confere benefício progressivo à sobrevida do paciente.

Apesar de inúmeros benefícios, apresenta várias complicações relacionada a cirurgia, a patologias entre doador e receptor e aos imunossupressores que são administrados por toda a vida para minimizar as chances de rejeição. A mortalidade ainda é relevante no primeiro ano após o transplante, decorrente de complicações cardiovasculares e infecções, no qual as bacterianas constituem a principal causa de infecção no primeiro mês, após surgem as infecções virais e fúngicas, entre as mais acometidas infecções respiratórias e urinárias, e em seguida ocorrem as infecções virais, em especial por Citomegalovírus.

Os imunossupressores frequentemente são utilizados para doenças auto-imunes e transplante, beneficiando ainda a sobreviada do enxerto a curto prazo e diminuindo os efeitos secundários. Mas apesar de apresentar grandes benefícios, possui muitos efeitos colaterais, como nefrotoxicidade, hipertensão, hiperlipidemia, diabetes mellitus, entre outros.

Como já é tradição no formato do evento, após a apresentação e o debate acerca do caso, seguiu-se a análise anatomopatológica, conduzida pelo Acad. Carlos Alberto Basílio e o Dr. Heleno Pinto de Moraes Na rodada de discussões, tomaram parte os Acadêmicos José Manoel Jansen, Orlando Marques Vieira, José Augusto Messias e Delta Madureira Filho, que contribuíram com suas experiências e interagiram com os alunos presentes, tornando a aula altamente dinâmica e participativa.


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