Academia Nacional de Medicina

Português Inglês


Anais da Academia

Veja a última edição do
Anais da academia

Ivo Hélcio Jardim de Campos Pitanguy (Cadeira No. 67)

Membro Titular

Secção de Cirurgia

Cadeira No. 67 - Patrono: Fernando Augusto Ribeiro de Magalhães

Eleito: 03/05/1973 - Posse: 28/06/1973

Saudado por: Bernardo Henrique de Nunes Couto

Antecessor: Cláudio Goulart de Andrade

Falecido: 06/08/2016

 

Nasceu em 05 de julho de 1923 em Belo Horizonte, (MG).

Filho do médico cirurgião Antônio de Campos Pitanguy e de Maria Stäel Jardim de Campos Pitanguy.

Começou o curso de medicina na Universidade Federal de Minas Gerais, onde permaneceu até o 4º ano médico, e transferiu-se para a Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, atual UFRJ, onde formou-se em 1946.

Iniciou sua formação cirúrgica no Hospital do Pronto Socorro, atual Hospital Souza Aguiar, onde contou com a tutoria de professores ilustres como Jorge de Moraes Grey, Josias de Freitas e Ugo Pinheiro Guimarães, todos também Membros da Academia Nacional de Medicina.

No final dos anos 1940, a cirurgia plástica ainda não era reconhecida como uma especialidade médica. Com uma bolsa de estudos, Ivo Pitanguy partiu para os Estados Unidos, onde atuou como cirurgião-residente no Hospital Bethesda, em Ohio. Na mesma época, frequentou a Clínica Mayo, em Minnesota, e o serviço de cirurgia plástica do Dr. John Marquis Converse, em Nova Iorque.

Em 1949, de volta ao Brasil, criou o serviço de cirurgia da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, o primeiro de cirurgia de mão da América do Sul, onde orientou inúmeros médicos e auxiliares e atendeu até o fim da vida pacientes carentes e vítimas de deformidades. Cerca de mil cirurgias são realizadas todos os anos nessa unidade. Atuou ainda no serviço de queimaduras e de cirurgia reparadora do Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, entre 1952 e 1955. Organizou o serviço de queimados do Hospital Antônio Pedro após o incêndio do Gran Circo Norte-Americano em Niterói, acontecimento que despertou a atenção de todos para a real importância social da cirurgia plástica.

Em 1960, criou o curso de pós-graduação em Cirurgia Plástica da PUC do Rio de Janeiro, integrado à enfermaria da Santa Casa de Misericórdia.

Organizou e ministrou inúmeros cursos de Cirurgia Plástica no Brasil e no exterior, destacando-se o 1º Curso de Extensão Universitária em Cirurgia Plástica, da então Universidade do Brasil, ministrado no anfiteatro da Clínica Ivo Pitanguy, unindo a iniciativa privada ao ensino público. Organizou o 1º Curso de Cirurgia da Mão; o 1º Curso de Cirurgia Plástica da Academia Nacional de Medicina; os Cursos da Universidade Complutense de Madrid; o Curso de Cirurgia Plástica do XXIII World Congress of the International College of Surgeons.

A inauguração da Clínica Ivo Pitanguy em 1963 e sua integração com a 38ª Enfermaria da Santa Casa permitiu estruturar a formação profissional e de ensino. A clínica tornou-se um centro de referência nacional e internacional da especialidade, tendo sido frequentada por cerca de 5.000 cirurgiões plásticos, entre Fellows e Visitantes. Sob sua orientação, na Clínica Ivo Pitanguy, na Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro e nos Serviços Associados, o curso de três anos de pós-graduação em cirurgia plástica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro criado em 1960 já formou 500 cirurgiões plásticos de mais de 40 países.

Membro da Academia Nacional de Medicina e da Academia Brasileira de Letras, Ivo Pitanguy, além de ter sido um dos mais renomados cirurgiões plásticos do Brasil e do mundo, era professor e escritor. Seu último livro, “Viver Vale a Pena”, uma autobiografia, foi lançado em 2014. No decorrer da carreira, publicou vários livros, a maioria sobre cirurgia plástica e a estética da beleza.

Foi autor de mais de 800 trabalhos publicados em revistas científicas de todo o mundo.

Agraciado pelo Papa João Paulo II com o Prêmio Cultura pela Paz. A Unesco, através do Instituto Internacional de Promoção e Prestígio, lhe concedeu o Prêmio pela Divulgação Internacional da Pesquisa Médica. Foi membro das mais respeitadas entidades acadêmicas e culturais.

Tinha o título de “Doutor Honoris Causa” por mais de 15 universidades, entre elas Universidade de Tel Aviv, Israel (1986), Universidad Autónoma de Guadalajara, Jalisco, México (2002) e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (2016).

Possuía as principais honrarias e condecorações Nacionais e Internacionais, como por exemplo: Presidente do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1975-1985), Medalha do Mérito Tamandaré, Grão-Mestre da Ordem de Rio Branco - Grau de Comendador, Medalha do Pacificador - Ministério da Guerra, Chancellier des Universités de Paris, Universidade de Sorbonne, Officier de L’Ordre de la Légion d’Honneur, Tître de Grande Ufficiale - Governo Italiano e Ordem Dinástica da Casa Savoia.

O Acadêmico Ivo Pitanguy permaneceu em atividade até o final da vida. No dia 16 de julho de 2016 compareceu à Sessão da Academia Nacional de Medicina, e no dia 5 de agosto de 2016 participou da condução da tocha olímpica, no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro.

Pitanguy fez do Brasil a principal referência mundial em cirurgia plástica ao desenvolver técnicas nas áreas de estética e de reparação. Transformou a vida de milhares de pacientes, famosos e anônimos. Formou gerações e gerações de alunos, novos cirurgiões que aprenderam com ele a respeitar e valorizar a autoestima dos pacientes.

Faleceu em sua residência, no Rio de Janeiro, em 6 de agosto de 2016.

Necrológio Jornal do Brasil

Necrológio Jornal O Globo

Necrológio Folha de São Paulo


Av. General Justo, 365, 7° andar
Rio de Janeiro - 20.021-130
Tel: (21) 3970-8150