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“Jornada 185 anos” debateu temas de ponta da Medicina

20/10/2014

Apresentações de alto nível sobre os recentes avanços da Medicina feitas pelos maiores especialistas em suas áreas marcaram, nesta última quinta-feira, 16, mais uma edição do evento “Jornada 185 anos – o que há de novo” da Academia Nacional de Medicina (ANM). O evento, em comemoração aos 185 anos de fundação da instituição, completados em julho deste ano, culminou com apresentações sobre o Estado Atual do Transplante no Brasil. “O seminário cumpriu plenamente seu objetivo, que foi trazer para o debate temas atuais, com conferencistas de alto nível, que discorreram sobre suas maravilhosas experiências na prática médica”, disse o presidente da ANM, professor Pietro Novellino.

A “Jornada 185 anos – O que há de Novo”, teve ampla participação do público, formado pelos acadêmicos, médicos e estudantes de medicina. Na abertura da sessão desta última quinta-feira o professor Novellino lembrou que a ANM foi criada no primeiro reinando com o objetivo de assessorar o governo nas questões de saúde e mantém, até os dias atuais, um programa de educação continuada. O presidente da ANM citou as conferências científicas ministradas por especialistas às quintas-feiras e o programa Uma tarde na Academia, aberto aos estudantes de medicina que, inclusive, participam do Chá Acadêmico. “O objetivo é tornar a ANM cada vez mais aberta à sociedade”, disse Novellino.

Ao tratar do “O Envelhecimento Cardíaco”, o acadêmico Carlos Antonio Mascia Gottscahall enfatizou na sua conferência que as doenças do coração têm um pico na faixa etária dos 60 aos 80 anos. Segundo ele, o melhor antídoto contra a insuficiência cardíaca é a eliminação dos fatores de risco clássicos da doença, buscando ter uma vida ativa, tanto física como mental, afetiva e social, e também evitando a depressão. “E é indispensável ter uma crença no futuro, isso prolonga a vida”, acrescentou.

Na conferência “O Instituto do Cérebro e os Avanços da Neurocirurgia”, o acadêmico Sérgio Novis abordou o Déficit Cognitivo Mínimo (DCM) e mal de Alzheimer enfatizando a perda de memória. Enquanto, segundo ele, o DCM interfere na memória recente, o doente de Alzheimer tem pelo menos duas áreas do cérebro comprometidas. “A diferença entre um e outro é quantitativa e não qualitativa”, explicou o acadêmico, ao assinalar a importância do cuidador no tratamento dos pacientes com a doença. “O ideal é que os cuidadores não sejam da família para evitar o desgaste com o doente”, explicou.

O acadêmico Rui Haddad, conferencista de “Nódulo Pulmonar”, enfatizou o tratamento diferenciado para cada paciente da doença que registra, a cada ano, nos Estados Unidos, 150 mil novos casos. “Não existe receita de bolo, a mesma doença num paciente segue curso diferente em outro”, disse. “Existem pacientes e não doenças”.

Em “Desafios da Medicina Molecular e Regenerativa do Século XXI – Doenças Neurodegenerativas e Câncer”, o acadêmico Jerson Lima abordou duas das mais importantes linhas de pesquisa que estão sendo desenvolvidas no Brasil e também os estudos do Príon, que são proteínas modificadas com propriedades infectantes, que causam várias doenças. “O genoma humano contem 25 mil genes e a complexidade não está no número, mas como estes genes interagem”, disse o acadêmico.

Na apresentação sobre “Pancreatite Aguda” o acadêmico José Galvão Alves destacou que se trata de uma das doenças mais comuns da clínica gastrenterológica, com uma média de 210 mil hospitalizações e 5% de óbitos anuais. “A terapêutica de primeira hora desta doença é a hidratação”, disse.

Na temática final do seminário, os acadêmicos José Osmar Medina, José Camargo e Ivo Nesralla traçaram um painel positivo sobre “O Estado atual dos transplantes no Brasil”. Segundo o professor Medina, nos últimos dez anos, dobrou o número de transplantes de rim, fígado e pulmão no Brasil, sendo que 95% dos transplantes de órgãos no País já são realizados por meio do sistema público de Saúde. “O transplante no Brasil é o maior programa de órgãos públicos do mundo, tem organização exemplar e a confiança da população”, disse o acadêmico.

O acadêmico José Camargo, por sua vez, abordou o transplante de pulmão e a necessidade de agilizar a captação do órgão pelo doador em UTI. Na palestra “A evolução do Transplante Cardíaco”, o acadêmico Ivo Nesralla, por sua vez, falou de inovações que farão parte do procedimento do transplante no futuro, como o desenvolvimento de novas drogas imunossupressoras, as próteses de plástico para substituir funções cardíacas e até órgãos de animais para implantação em humanos.