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Cirurgia laparoscópica de forma didática e ilustrada

Durante a sessão científica da ANM, realizada no dia 29 de outubro de 2020, o acadêmico Rossano Fiorelli, lançou o livro “Cirurgia laparoscópica ilustrada: bases técnicas”, o qual divide a coautoria com o cirurgião Renan Couto, ambos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. 

 “Este livro não é somente prefaciado, mas dedicado ao mestre Pietro Novellino, ex-presidente da Academia Nacional de Medicina, pois foi escrito por três gerações de cirurgiões que foram seus alunos”, enfatizou Fiorelli.

Pietro Novellino, o grande homenageado no prefácio, comenta que a obra é enriquecedora mesmo para os iniciantes ou os que não têm formação cirúrgica. “Apresentar essa obra na Academia enaltece seus autores e enaltece a nossa instituição”, finaliza.

O acadêmico Rubens Belfort, presidente da Academia Nacional de Medicina, ressaltou a grande evolução da cirurgia laparoscópica nos últimos anos e reconheceu a excelência da obra. “Sem dúvida, este tipo de livro ajuda a medicina brasileira e, dessa maneira, evidentemente, contribui com os objetivos da nossa Academia”.

A publicação também contou com a participação de diversos professores do Departamento de Cirurgia Geral e Especializada e do Mestrado Profissional em Técnicas Assistidas e Minimamente Invasivas da UniRio. 

O cirurgião esclarece que a intenção do livro é apresentar ao leitor os conceitos mais importantes da laparoscopia de forma didática e ricamente ilustrada, contando com 485 ilustrações feitas à mão ao longo de 360 páginas.

Com a palavra, o também autor e pesquisador Renan Couto comentou que a ordem dos capítulos foi planejada da forma mais intuitiva possível, pois é organizada de tal forma que segue o fluxo habitual de uma cirurgia, desde a preparação da sala e dos equipamentos até os cuidados pós-operatórios.

Embaixadores brasileiros

A busca pela expansão dos horizontes tem levado médicos brasileiros para o exterior e muitos acabam permanecendo. E enchem o país de orgulho, em cargos de destaque de hospitais de renome, traçando trajetórias brilhantes.

Médicos brasileiros chefiando unidades de cirurgia nos Estados Unidos, Canadá, Qatar e Alemanha foram os convidados da Academia Nacional de Medicina, em Simpósio “A cirurgia brasileira no mundo” para apresentarem seus trabalhos em simpósio coordenado pelo ex-presidente Pietro Novellino e os acadêmicos José de Jesus Camargo e Rossano Fiorelli. 

Para o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., “são verdadeiros embaixadores brasileiros no exterior e que ainda somam ao receberem novas gerações de médicos que desejam se aperfeiçoar em outros centros médicos.” 

Entre os convidados, Rodrigo Vianna, formado na USP, e que hoje responde pelo maior centro de transplante de órgãos dos Estados Unidos, o do Miami Transplant Institute. Recheada de experiências, sua apresentação destacou os avanços tanto no transplante de rim, como de fígado e de intestino, assim como os perfis epidemiológicos das populações americana e brasileira e gastos em saúde em ambos os países.

A revolução tecnológica introduzida pela robótica na cirurgia pulmonar e os casos de transplante de pacientes com agravos pulmonares causados pela covid-19 foram apresentados pelo médico do Paraná, Tiago Nogushi Machuca, outro destaque brasileiro na Flórida.

O Honorário Estrangeiro da ANM, Tomas Salerno, hoje na Universidade de Miami, foi outro expoente da sessão. Em sua palestra “Enxergando além das lupas”, o brasileiro exibiu ainda, de forma clara e didática, uma rica cronologia das cirurgias cardíacas, traçando paralelos de comparação com os conhecimentos e técnicas da atualidade. 

E sobre os hospitais do futuro, o brasileiro Antonio Marttos, atualmente, no Ryder Trauma Center de Miami, mostrou como os hospitais estão conectados e oferecendo serviços de consultoria médica para outros profissionais de países distantes como Iraque, através de telemedicina, em apenas 15 minutos. 

O médico Robson Capasso, atuando na Escola de Medicina da Universidade de Stanford, abordou ecossistemas de inovação para aplicação na medicina e mostrou como empresas transnacionais e nacionais, que não são tradicionais da área da saúde, estão, cada vez mais, focadas em oferecer serviços médicos.

De Nova York, o médico Flavio Macher, do Albert Einstein College of Medicine, mostrou os tipos de inteligência artificial (IA) aplicadas à medicina: a IA assistida por robótica; a IA aumentada, na qual o robô auxilia o médico na tomada de decisão; e a IA autônoma, cuja autonomia é do robô que foi treinado pelos profissionais.

Canadá – Da PUC do Rio Grande do Sul para Toronto, o cirurgião Marcello Cypel foi outro convidado.  Cypel, é diretor cirúrgico da Universidade de Toronto. E apesar dos 15 anos no Canadá, jamais abandonou o Brasil em tempos críticos. No incêndio da boate Kiss, em 2013, veio diversas vezes ao país ajudar na recuperação dos jovens acidentados. Em sua palestra, histórias e avanços sobre transplante de pulmão, mudanças para preservação dos órgãos doados, estudos da fisiopatologia de cada órgão e a compatibilidade com os receptores desses enxertos.

Modelos de carreiras inspiradoras não faltaram durante a sessão. A médica Paula Ugalde, nascida no Chile, formada na Bahia e, atualmente, no Institut Universitaire de Cardiologie et de Pneumologie de Québec, no Canadá, foi outro destaque como palestrante. Ugalde reforçou os avanços nas cirurgias minimamente invasivas de pulmão e os resultados satisfatórios se comparados às cirurgias de peito aberto. 

Outro participante foi Stephan Soder, do Centre Hospitalier de lUniversité de Montréal, no Canadá, que apresentou tecnologias, minimamente invasivas, associadas a prática clínica para casos de câncer de pulmão. 

Outros destaques – Do Qatar, falou o médico brasileiro Sandro Rizoli. Especializado em serviços de trauma, Rizoli mostrou aspectos socioeconômico demográfico desse país da península arábica e como o sistema funciona articulado desde o momento do acidente nas ruas, a chamada emergencial, transporte e atendimento em uma abordagem global de cada paciente para estancar possíveis hemorragias. 

E de Berlim, o médico Ricardo Zorron abordou dogmas, ensinamentos e como pensar “não dentro da caixa e nem fora, mas sem caixas”. Mostrou de forma ilustrativa os avanços nas cirurgias bariátricas e outras que começaram experimentalmente no Rio de Janeiro e hoje são exemplos para o mundo.

Recentes progressos – Durante este dia, a ANM ainda promoveu a sessão de recentes progressos. E o câncer de fígado foi o tema central. “Avanços na terapia imunológica dos tumores de fígado” foi assunto da palestra do médico Fábio Marinho, do Real Hospital Português de Pernambuco. 

Marinho compartilhou importante inovação no tratamento de carcinoma hepático: a descoberta que a associação entre Atezolizumab e Bevacizumab oferece uma sobrevida superior à Sorafenib – droga de escolha desde 2008. “Para a primeira linha de tratamento dos pacientes com a doença, é um avanço que não se conquistava há décadas”, apontou.

O acadêmico Carlos Eduardo Brandão, aproveitou a ocasião, e destacou a conquista do Nobel de Medicina, neste ano, pelos médicos Harvey Alter, Michael Houghton e Charles Rice, que demonstraram que um vírus, até então desconhecido, era causa de hepatite crônica, além de terem isolado o genoma do vírus da hepatite C – avanços que permitiram grande redução da incidência de novos casos da doença e de diversas outras complicações do fígado.

A revolução tecnológica na medicina é uma realidade e os médicos brasileiros no exterior são motivos de orgulho para todos.

Academia assume Alanam

Em outubro foi realizada a reunião da Asociación Lationamericana de Academias Nacionales de Medicina, Espanha e Portugal (Alanam), sob a presidência da brasileira Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr, a partir de agora, tem a dupla missão de presidir a instituição nacional e a Alanam.

 A Alanam reúne, além do Brasil, as academias do Chile, Uruguai, Paraguai, Equador, Costa Rica, Bolívia, Colômbia, México, Argentina, Venezuela, Peru, e República Dominicana e mais Portugal e Espanha.

   – A Academia Nacional de Medicina, com seus 191 anos, e os 100 acadêmicos, que representam os 500.000 médicos do Brasil, têm a honra e sabem desta grande responsabilidade. Belfort aproveitou o evento e ainda apresentou, de forma sucinta, a situação da covid-19 no Brasil, ressaltando aspectos da geopolítica e da epidemiologia da doença.

 –  A dimensão continental do Brasil e a grande disparidade econômica regional fez com que a epidemia se manifestasse em tempo diferente e com uma variedade grande de intensidade e mesmo mortalidade. Um foco que, inicialmente, não foi considerado importante foi na Amazônia, totalmente inesperado. A epidemia rapidamente ganhou dimensão muito grande na região Amazônica brasileira.

Para o presidente Belfort, várias lições foram aprendidas durante a epidemia por covid-19 e continuam importantes. Uma delas, segundo ele, é que temos que pensar globalmente, mas agir localmente, e a estratégia atual é levar em consideração a situação de mini regiões. Além disso, refletiu sobre as disparidades muito grandes entre ricos e pobres. Para ele, a próxima fase fundamental é pensar em vacinação.

 –  Acredito que a próxima etapa, e também isto se relaciona à toda América Latina, é discutirmos as vacinas. A Academia Nacional de Medicina do Brasil, desde março, teve importante liderança na informação e educação da sociedade sobre esses diferentes aspectos. Realizamos vários simpósios internacionais, inclusive com o apoio da Alanam, e atualmente nossos esforços estão relacionados às vacinas. Acreditamos que nos próximos muitos meses teremos que liderar e discutir as vacinas em relação a: qual, quando e como?            

 O presidente Belfort apontou ainda que a epidemia vai continuar durante muitos meses e não basta apenas termos dados descritivos da situação. Os números são mais ou menos os mesmos nos diferentes países e a problemática, acredita, é a de tentar resolver, tentar descobrir soluções. E para terminar seu discurso de posse, agradeceu ao presidente anterior da Academia Nacional de Medicina, o acadêmico Jorge Alberto Costa e Silva, pelo empenho na representatividade brasileira na organização e parabenizou o presidente Horácio Toro que o antecedeu na Alanam.