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As sequelas após infecção pela covid-19

“Estamos evoluindo no tema covid-19 pós fase aguda. A medicina e o conhecimento estão avançando, aliás a medicina deu um salto com a covidemia”, destacou o presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Rubens Belfort Jr., na abertura do simpósio Síndrome Pós-Covid, realizado no último dia 8 de abril de 2021.

“É muito importante nos preocuparmos com essa catástrofe que está acontecendo. A segunda fase, a síndrome pós-covid ou covid-longa, contribuiu para diminuição da mão de obra e, consequentemente, afeta a economia. O indivíduo permanece doente entre quatro e 12 semanas com manifestações clínicas severas o que incapacita a volta a rotina”, explicou o acadêmico Carlos Alberto Barros Franco.

O acadêmico esclarece que sintomas variados como pulmonares, cardíacos, neurológicos, gastrointestinais, psiquiátricos, entre outros, acometem cerca de 20% das pessoas no pós-covid e que é necessário dar assistência a essas pessoas, clinicamente e socialmente.

As alterações gastrointestinais têm várias formas de apresentação. Segundo o acadêmico José Galvão-Alves. o individuo não retorna ao normal de três a seis meses após a infeção. E, não há como dimensionar quem está suscetível a síndrome pós-covid. Sintomas como emagrecimento repentino, desnutrição e diarreias constantes são os mais comuns e podem durar semanas ou meses. “No tubo intestinal, o vírus é mais indolente”.

Nas complicações cardiovasculares, os sintomas pós-covid podem ser: lesão miocárdica e miocardite; síndrome coronariana aguda, insuficiência cardíaca, arritmias, alterações de coagulação e trombose. O acadêmico Fabio Jatene enfatiza como o coração pode ser impactado pelo vírus: 

– A covid-19 é grave e apresenta grande potencial de comprometimento cardiovascular. Evidências atuais já demonstram a necessidade de atenção especial aos pacientes do grupo de risco e a importância de um manejo adequado das complicações cardiovasculares, com rápida identificação e implementação de tratamento adequado, enfatizou Jatene.

“Entre os problemas da pandemia gostaria de lembrar que tivemos uma redução significativa nos exames preventivos do câncer e, consequentemente, uma redução nos diagnósticos precoces da doença. Nós tivemos redução na ordem de 70% a 90% nos exames de rastreamento de tumores importantes, como tumores de mama, próstata e colorretais. A recomendação de todas as sociedades relacionadas ao tratamento do câncer, neste momento, é que os diagnósticos e os procedimentos do tratamento ao câncer continuem apesar da pandemia, pois o risco do atraso é muito maior que o risco de exposição ao covid-19”, alertou o acadêmico Paulo Hoff.

Já na área pediátrica o cenário segundo o acadêmico Aderbal Sabrá também pode ser devastador. A síndrome inflamatória multissistêmica em pediatria atinge crianças e adolescentes. Quanto mais branda a fase aguda da covid 19, maiores as chances de evoluir para essa síndrome. Os sintomas aparecem de 2 a 6 semanas após a fase aguda da covid. E são febre alta e persistente e prostração. Cerca de 92% apresentam sintomas gastrointestinais como dor abdominal, diarreia e vômito. Já 80% apresentam alterações cardiovasculares, como por exemplo pressão baixa e outras; 74% têm alterações muco-cutânea e 70% têm sintomas respiratórios. “As comorbidades aumentam em cinco vezes a chance de complicações. A doença é potencialmente grave com risco de óbito nessa população”, alerta Sabrá.

A jornalista Cláudia Collucci, da Folha de São Paulo, falou sobre as lacunas na assistência aos sequelados.É um tema urgente a síndrome pós-covid pois o que percebemos hoje é que estamos em meio a um furacão tão gigantesco que tem pouca gente pensando sobre isso e traçando políticas públicas que precisaremos”. Para a jornalista, a rede particular está mais organizada com acompanhamento no pós alta do paciente, programas de reabilitação, telemedicina e serviços de home care, 

– O sistema público ainda está desorganizado e o serviço de atenção primária precisará de preparo para receber esses pacientes sequelados. E, por enquanto, não temos nado organizado. Vamos precisar mesmo é de políticas de atenção primária. Hoje, falta um protocolo. Cada serviço atende de uma forma. É mandatório que tanto o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) se organizem para traçar políticas assistenciais as pessoas com sequelas que estão perdidas na rede suplementar e pública. A desassistência é total, salvo alguns serviços de excelência, mas é pouco e precisamos de protocolos bem definidos e políticas públicas à atenção primária capacitada e direcionada a esses pacientes”, desabafou Collucci.

Neuropatologias– Mais de 30% dos pacientes acometidos pela covid terão manifestações neuropsicológicas. O risco maior é para os pacientes que tiveram a forma grave da doença, mas os doentes com sintomas brandos também poderão sentir por até seis meses os efeitos da doença.

Demência, ansiedade, depressão, transtornos do pânico, delírios, ideias suicidas, acidentes vasculares cerebrais, entre outras são algumas das manifestações pós-covid, segundo o médico e pesquisador Flávio Kapczinski, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e, atualmente na Universidade Canadense McMaster.

Kapczinski falou sobre os estudos de neuropatologia pós-mortem e que ajudaram a ciência a desvendar as alterações inflamatórias causados pelo vírus no cérebro e também sobre tratamentos e a importância da reabilitação pós-covid que causará um impacto enorme tanto nos sistemas públicos de saúde como nos privados.

Outros convidados –Participaram ainda do Simpósio Síndrome Pós-covid vários outros convidados. Os acadêmicos Celso Ramos abordou a visão do Infectologista; Patrícia Rocco descreveu os agravos pulmonares; Omar Lupi apontou as afecções na pele; José Medina descreveu o cenário dos transplantes renais na pós-covid; José Suassuna enfocou os acometimentos no rim; Antônio Egídio Nardi fez reflexões sobre a psiquiatria; Dr. Jair de Castro, da Santa Casa do Rio de Janeiro, e os problemas da otorrinolaringologia; Dra. Heloisa Nascimento, do Instituto Visão, Unifesp e Jovem Liderança Médica da ANM; e Dr. Fabricio Braga Silva, do Laboratório Performance Humana abordou a importância da reabilitação.

A integra da sessão com todas as palestras está disponível no canal da ANM no YouTube. Vale conferir.

Síndromes pós-covid

Dificuldade de atenção, perda de memória, palpitação, redução da capacidade pulmonar, hepatite, perda de cabelo, baixa acuidade visual, insuficiência renal, trombose, problemas com sono. Estas são apenas algumas das consequências que podem ser causadas pela covid-19. 

Nesta quinta-feira (8/4), a partir das 14:00, encontro da ANM promoverá esclarecimentos sobre as doenças pós-covid. 

Entre os convidados, os acadêmicos Celso Ramos que falará sobre a infectologia; José Galvão Alves abordará as alterações gastrointestinais; Fábio Jatene focará nos aspectos do coração; Patrícia Rocco pontuará a infecção no pulmão; o fígado e as vias biliares será tema do hepatologista Carlos Eduardo Brandão, as manifestações cutâneas serão assunto do dermatologista Omar Lupi; o transplante renal pós-covid será enfocado por José Medina. Problemas renais, no ouvido e na garganta, psiquiátricos e os pacientes oncológicos serão ainda abordados, respectivamente, pelos médicos José Suassuna, Jair de Castro, Antonio Egídeo Nardi e Paulo Hoff. A oftalmologista Heloisa Nascimento, do Programa Jovens Lideranças Médicas da ANM, falará sobre impacto da covid na retina.

O encontro ainda contará com Carmita Abdo falando de sexualidade e covid; a jornalista Claudia Collucci, da Folha de São Paulo, que abordará as lacunas na assistência aos sequelados; Fabricio Braga Silva que discutirá a importância da reabilitação; e Flávio Kapczinski com as manifestações neuropsiquiátricas.

Coordenado pelos acadêmicos Carlos Alberto Barros Franco e José Galvão Alves, a live é gratuita e não necessita inscrições prévias.

Serviço:
Data: quinta-feira (8/4)
Horário: a partir das 14 horas
Live: zoom/anmbr ou facebook/acadnacmed

Fúlvio José Carlos Pileggi

13-7-1927 – 4-4-2021

É com imensa tristeza que a Academia Nacional de Medicina comunica o óbito do acadêmico Fúlvio José Carlos Pileggi, aos 93 anos, ocorrido no dia 4 de abril de 2021.

Natural de São Carlos, no interior de São Paulo, o acadêmico Fúlvio José Carlos Pileggi, graduou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) em 1952. Realizou, entre 1955 e 1957, estágio no Instituto Nacional de Cardiologia do México – na época, importante centro da cardiologia mundial. Lá, começou como médico interno, tornando-se, mais tarde, responsável por todo o curso de Cardiologia e Nefrologia.

No quarto ano do curso de medicina, Pileggi interessou-se pela cardiologia, especialidade que o consagraria como um dos mais respeitados cardiologistas do país, tendo sido um dos responsáveis pela implementação da eletrocardiografia no Brasil. 

Ao lado de Euryclides de Jesus Zerbini, Pileggi teve papel fundamental na comissão de planejamento do Instituto do Coração (InCor) de São Paulo, denominado inicialmente de Instituto de Doenças Cardiopulmonares e considerado como um centro de excelência em todo o país. E posteriormente, em 1978, participou da missão de criar a Fundação Zerbini – uma entidade de direito privado para dar suporte financeiro ao InCor, garantindo a modernização do Instituto com equipamentos de ponta e médicos de excelência.

Nos anos 90, foi responsável pelo curso de especialização em Cardiologia do Instituto, onde foi professor titular por duas décadas. Foi ainda diretor-geral do InCor do Hospital das Clínicas, entre 1981 a 1997, onde também presidiu seu conselho diretor.

Nos 50 anos de exercício da medicina, o cardiologista publicou mais de 500 artigos em revistas científicas nacionais e cerca de 200 em periódicos internacionais. Sua trajetória acadêmica foi marcada pela prática médica associada à ciência e à administração hospitalar, sendo considerado um homem de grande visão administrativa.

Ao longo de sua carreira, foi homenageado com dezenas de condecorações e prêmios, dos quais destacam-se as três vezes que ganhou o Prêmio Ovídio Pires de Campos (1964, 67 e 72), a Medalha Carlos Chagas (1986), o Prêmio Nacional de Cirurgia Cardíaca (1987) e o Prêmio Dr. Hélio Magalhães (1992). Foi ainda agraciado com a Grã-cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico.

Foi membro de diversas instituições, como as Sociedades Brasileira de Cardiologia, Mexicana de Cardiologia, de Médicos Internos e Becários do Instituto Nacional de Cardiologia do México, Brasileira de Nefrologia, Peruana de Cardiologia, de Cardiologia de Tucuman (membro estrangeiro) e de Cardiologia do Noroeste Argentino (membro honorário). Fez parte também da New York Academy of Sciences, do Comitê Internacional de Eletrocardiografia, do American College of Cardiology, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (sócio fundador) e da Interamerican Medical and Health Association.

Na ocasião de sua candidatura a Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, apresentou memória intitulada “Experiência Clínica com Estreptoquinase e Procedimentos Sequenciais para o Tratamento do Infarto Agudo do Miocárdio”. Fúlvio Pileggi ocupava a cadeira 53, cujo patrono é Heitor Pereira Carrilho. 

Pileggi faleceu aos 93 anos. Deixa quatro filhos, dois homens e duas mulheres, mas nenhum seguiu a profissão do pai.

José Rodrigues Coura

15/6/1927 – 3/4/2021

É com imenso pesar que a Academia Nacional de Medicina comunica o falecimento do acadêmico José Rodrigues Coura, aos 93 anos.

Natural de Taperoá, na Paraíba, Coura dedicou sua vida à pesquisa e ao trabalho de campo para o atendimentos dos acometidos pelas doenças infecciosas e parasitárias, principalmente na região Norte do país.

Graduado em 1957, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi chefe do Laboratório de Doenças Parasitárias do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz e pesquisador 1A do CNPq. De 1961 a 2020, publicou 279 trabalhos científicos e diversos obras, tendo sido agraciado com o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 2006.

Pela sua trajetória acadêmica, tornou-se professor Emérito da UFRJ e da Faculdade de Medicina de Campos e professor Honoris Causa das Universidades Federais da Paraíba, Ceará e Piauí. 

Iniciou sua vida profissional como Instrutor de Ensino na Faculdade de Medicina da UFRJ, na Disciplina de Doenças Infecciosas e Parasitárias, onde exerceu em sequência os cargos de professor Assistente, Adjunto e Titular. Chefe do Departamento de Medicina Preventiva, aposentando-se voluntariamente em 1996. Foi Titular de Doenças Infecciosas e Parasitárias e chefe do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal Fluminense.

Além desses cargos, foi professor de Medicina Social e Preventiva da Faculdade de Medicina de Campos, onde recebeu homenagem, em 2012, dando nome ao Centro de Saúde Escola Custodópolis José Rodrigues Coura, por ter instalado nesse bairro o trabalho de campo para os alunos da disciplina de Medicina Social e Preventiva.

Organizou e coordenou dois Cursos de Pós-Graduação stricto sensu, respectivamente em Doenças Infecciosas e Parasitárias na UFRJ em 1970  – o primeiro curso da área médica do Brasil, credenciado pelo Sistema Capes/CNPq com conceito A -, e em Medicina Tropical no Instituto Oswaldo Cruz – Fiocruz em 1980, tendo sido responsável pela formação de 200 mestres e doutores de várias nacionalidades, diferentes condições socioeconômicas e das mais variadas ideologias políticas. José Rodrigues Coura era um líder extremamente curioso, entusiasta da diversidade e tinha o dom de atrair para si perfis de estudantes.

Foi editor da Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical durante 12 anos e das Memórias do Instituto Oswaldo Cruz por 10 anos. 

Foi Vice-Presidente de Pesquisa da Fiocruz e Diretor do Instituto Oswaldo Cruz em dois mandatos.

Membro fundador da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, da qual foi Presidente (1973-1975) e membro Titular da Academia Brasileira de Ciências (2000). Recebeu a Ordem do Mérito Científico da Presidência da República do Brasil como Comendador em 2002, tendo sido promovido à Grã-Cruz em 2008. Em 2013, foi agraciado com o Prêmio Conrado Wessel de personalidade da Medicina daquele ano e, no ano seguinte, com a Comenda Sérgio Arouca do Conselho Federal de Medicina.

Na ocasião de sua candidatura a Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, apresentou memória intitulada “Esquistossomose Pulmonar – Estudo Clínico e Experimental”.

Na Academia Nacional de Medicina, José Rodrigues Coura, ocupava a cadeira de número 11.

José Rodrigues Coura deixa três filhos: Evandro César, Lúcia Maria e Luciana Maria e três netos: Guilherme, Leonardo e Beatriz.

Para onde vamos com essa pressa?

 “Entre os escritores, nós, cronistas, sabemos que escrever crônicas é como viver em voz alta”. Com essa citação, a jornalista e escritora Rosiska Darcy de Oliveira, da Academia Brasileira de Letras, abre sua apresentação, na qual comenta o livro ‘Para onde vamos com essa pressa?’, do acadêmico José de Jesus Camargo, que conta com 76 crônicas que narram histórias reais de humanismo, gratidão, esperança, sofrimento incompreendido, afetos negligenciados, amores incondicionais, humor e a pureza da inocência. “É melhor render-se ao olhar quando o livro pousa sobre nós porque é ele que nos lê, e foi o que me aconteceu quando li este livro”, afirmou.

O psiquiatra Sergio Zaidhaft, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, abordou ainda durante a sessão, realizada pela Academia Nacional de Medicina, no dia 25 de março de 2021, as reflexões sobre o medo na atualidade: causas e possíveis consequências. 

Zaidhaft detalhou, do ponto de vista da psicanálise, que a noção de morte no inconsciente, o medo da própria morte, da morte do outro e a noção de perigo são algumas das origens de nossos sentimentos. Traçando diversos paralelos com a situação da pandemia no Brasil, encerrou com projeções para um futuro, que incluem a plena execução dos direitos humanos, o respeito à diferença, a dignidade e contar histórias, como nas sessões promovidas da ANM.

Transplantes: a importância dos imunussupressores

O cirurgião Márcio Chedid, dos hospitais Moinhos de Vento e de Clínicas de Porto Alegre é um dos membros do Programa Jovens Lideranças Médicas da Academia Nacional de Medicina e tem se destacado na área de transplantes. No ano passado, foi o editor convidado do periódico Current Pharmaceutical Design para um número especial sobre transplantes sólidos e imunossupressão: estado da arte e perspectivas. A imunossupressão visa evitar a rejeição do órgão transplantado.

O número especial trouxe diversos artigos importantes nas áreas de transplantes de fígado em adultos e crianças, coração, pulmão, rim e pâncreas. Para quem tem interesse, o acesso ao periódico é https://www.eurekaselect.com/183941/article.

Um gaúcho imortal

“Homem determinado, sensível e apaixonado pela arte, especialmente a música. Ivo era um operário da medicina, sua grande paixão, mas tinha uma cota de audácia e teimosia. Nada tirava o entusiasmo dele. A admiração mútua só cresceu. Doce, generoso e um líder sem prepotência. Teve uma vida plena, cheia de desafios e conquistas brilhantes. A saudade deixa em mim dois sentimentos: o da aventura de tê-lo conhecido e a tristeza de ter aproveitado menos do que eu poderia”, destacou o acadêmico José de Jesus Camargo, durante a Sessão Saudade em memória ao acadêmico Ivo Abrahão Nersalla, falecido dia 16 de dezembro de 2020.

Na abertura, o presidente da Academia Nacional de Medicina, professor Rubens Belfort Jr., pontuou:

 – Nesse encontro, temos a alegria de podermos revisitar suas atividades e conquistas em benefício da medicina e de tantas pessoas.

“Foi um dos médicos gaúchos mais importantes dos nossos tempos. Faz parte da memória do nosso Estado. Ele liderou ações que podem ser resumidas em uma palavra: inovação! Ele foi tudo na medicina e impulsionou a cultura do Rio Grande do Sul. Liderou importantes iniciativas cientificas na sua especialidade e grandes projetos culturais em sua terra natal. A imortalidade de Ivo transcende a academia e suas conquistas e estão gravadas em bronze na nossa cidade” enfatizou o acadêmico Gilberto Schwartsmann.

Minha melhor história médica: coletânea de emoção e humanismo

Poderia ser facilmente um bate papo entre amigos, em uma tarde descontraída num café nos arredores da Av. Paulista. Ali, estaríamos envolvidos pelas boas memórias e fatos marcantes sobre a vida de cada um sentado à mesa. Contudo, estávamos conectados – cada um em uma parte do país – em uma reunião on-line, com mais de 100 espectadores, ouvindo com o mesmo deleite e emoção as melhores histórias médicas de 19 renomados cirurgiões que nos conduziram para aquele cenário imaginário intimista e de tamanha leveza. 

Os relatos mais importantes vividos à luz da experiência e de anos da prática cirúrgica foram o tema da sessão científica da ANM, realizada no dia 25 de março, sob o título “Minha melhor história médica”, coordenada e idealizada pelo acadêmico José de Jesus Camargo. 

O espaço aberto deu foco a narrativas médicas com intuito de trazer lições e vivências que marcaram a trajetória destes renomados profissionais e que “não estão nos livros e nunca estiveram.”, afirmou Jesus de Camargo, dizendo na abertura:

– Esperamos que este compartilhamento de experiências contribua positivamente no enriquecimento na formação dos novos cirurgiões brasileiros. 

Foram histórias emocionantes, alegres, dramáticas, engraçadas, inspiradoras e reflexivas que expuseram a alma de cada narrador e brindaram a audiência, que retribuiu com aplausos a cada conto exclamando “Incrível!”, como mencionou um participante. 

A sessão foi marcada pela humanidade e sentimentos aflorados. É difícil traduzir a emoção, o que vale mesmo é assistir. Confira na íntegra pelo nosso canal do YouTube https://bit.ly/3wclNcg.

Histórias brilhantes de humanismo e medicina 

O presidente da Academia Nacional de Medicina, professor Rubens Belford Jr., também compartilhou uma de suas histórias que lhe marcaram como profissional. Em uma narrativa dramática, contou que vivenciou as três grandes epidemias dos últimos anos, todas elas com comprometimentos oftalmológicos: aids, zika e agora covid. Três situações em que a cegueira e a morte estão, frequentemente, próximas. 

Belfort relatou uma história relativa à aids, na década de 80, quando sem drogas antivirais, o prognóstico era devastador. Ele conta que um jovem, acompanhado da mulher, também bancária, diagnosticado com HIV e um mau prognóstico, já com sinais da síndrome clínica da aids, tinha muito medo de morrer, mas o segundo grande medo era a cegueira. 

Meses sem dar notícias ou retornar, eis que surge em uma outra consulta. Desta vez, o paciente se apresentou com um médico emagrecido, com lesões na pele, cegueira total de um olho, acompanhado da esposa da qual Belfort reconheceu e seu confundiu, expressando: “Seria um segundo marido também com aids?”

Logo, o paciente pede para trazer a ficha de outra pessoa e, inicialmente, um pouco constrangido e agressivo, contou que era o paciente de antes. Haviam optado por desenvolver uma outra identidade e realizar uma nova consultar para ter informações mais objetivas e neutras. Ao criar um novo personagem e história diferente acreditava que se protegeria com mentira e negação.  

 – Esse dramático relato me fez reconhecer que esses elementos estão presentes também na nossa prática médica, as vezes com frequência maior que o esperado, e que nós médicos, temos que entender e ter empatia também com a mentira, informações, às vezes propositadamente, ditas erradas. Que uma vez identificadas, podem até ajudar no relacionamento com o paciente. O médico não pode e não deve se sentir traído ou injustiçado pelo paciente que mente para ele, não. […] Nunca tive vontade de fazer um encaminhamento psiquiátrico, era um mundo fantasioso que o ajudava a aturar melhor o sofrimento interminável e seu fim cada vez mais precoce. […]

Em um paralelo perspicaz entre a vivência deste caso na epidemia de aids, com a tragédia que vivemos atualmente pela covid, o presidente Belfort afirmou: 

 – Na aids, o pesadelo é longo e a angústia pode se arrastar por muitos anos. Na covid, o paciente quase não se despede. Doença apocalíptica em que o medo da morte e a angústia se misturam à falta de ar, à incapacidade de falar, de abraçar e de beijar. Não há tempo para ajeitar, planejar e mesmo fazer as pazes consigo mesmo e com os outros. Não há para onde correr: nem as lágrimas, nem os pacientes. Não há espaço nem mesmo para a mentira.”, finalizou emotivamente. 

Nefrologia pelo mundo

Conectar a nefrologia mundialmente é a missão do projeto do qual faz parte o Jovem Líder Médico da Academia Nacional de Medicina, José Andrade Moura Neto, que recentemente organizou na ANM um evento mundial, reunindo diversos países de todos os continentes. O evento ainda foi palco do lançamento do livro Nephrology Worldwide. 

Com mais 340 especialistas inscritos, o site do projeto teve mais de 500 acessos apenas na última semana.

O evento foi apoiado pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, e pelos acadêmicos José Hermógenes Rocco Suassuna, Miguel Carlos Riella, Omar da Rosa Santos e Marcello Barcinski. Para saber mais da iniciativa global, acesse https://nephrologyworldwide.com.

Obesidade: cuidar de todas as formas

Mais de 60% da população brasileira estão acima do peso. Além disso, a obesidade é crescente em diversos países e considerada uma pandemia. Por isso, o dia 04 de março marca a Campanha Mundial da Obesidade. O acadêmico e Secretário Geral da ANM, Carlos Eduardo Brandão, participa do movimento “Juntos para cuidar de todas as formas”. Neste ano, foi lançado um manifesto e o acadêmico Brandão junto com a médica Claudia Oliveira, ambos da Sociedade Brasileira de Hepatologia, assinam um capítulo no ebook sobre obesidade e doença gordurosa não alcoólica do fígado.  Para ter acesso ao ebook, clique aqui https://abeso.org.br/manifesto-obesidade-cuidar-de-todas-as-formas/.

Nossas histórias médicas

Minha melhor história médica promete emocionar a todos! Este é o tema do próximo simpósio promovido pela Academia Nacional de Medicina. Serão histórias de cirurgiões contadas em poucos minutos. Medo: causas e consequências serão ainda abordados em palestra do psiquiatra Sérgio Zaidhaft, especializado em saúde mental.

Entre os acadêmicos que contarão alguns de suas experiências, os cirurgiões Silvano Raia, Paulo Niemeyer, Jacob Kligerman, Milton Meier, Fabio Jatene, Talita Franco, o atual presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr, e o ex-presidente Pietro Novelino, entre outros.

Na ocasião será lançado o livro “Para onde vamos com essa pressa?”, do acadêmico e também cirurgião José de Jesus Camargo, organizador do evento. Os comentários serão da professora Rosiska Darcy de Oliveira, da Academia Brasileira de Letras.

O evento é nesta quinta-feira (25/3), a partir das 14 horas, em nossos canais virtuais Facebook/acadnacmed e Zoom/anmbr. Não perca!

Serviço:

Dia: 25/03 – quinta-feira
Horário: a partir das 14 horas
Local: Zoom/anmbr ou Facebook/acadnacmed

Os 100 trials que mudaram a oncologia

O acadêmico e oncologista da Rede D’Or São Luiz, Paulo Hoff, é um dos autores do livro recém lançado “Os 100 trials que mudaram a história da Oncologia”. Uma fascinante jornada pela evolução da pesquisa clínica e os avanços científicos que há décadas alimentam fértil campo, abrindo novas possibilidades de tratamento e intervenções com o objetivo de reduzir as internações e a mortalidade pelos diversos tipos de câncer. Os 100 ensaios clínicos descritos no livro procuram destacar a importância da medicina baseada em evidências científicas.

O livro está à venda em diversas livrarias online.

Zika e efeitos na visão

A médica Camila Ventura, que participa do Programa de Jovens Lideranças Médicas, da Academia Nacional de Medicina, publicou uma série de artigos científicos sobre os efeitos oftalmológicos da síndrome provocada pelo vírus da zika em bebês. Alterações na mácula, uveítes, além de outras anormalidades oftalmológicas foram descritas em nove artigos, publicados em 2020, em periódicos de alto impacto. 

Ventura ainda foi agraciada com uma bolsa para participar da Reunião anual da Association for Research in Vision and Ophthalmology, mas conhecida como ARVO, e que se realizou nos Estados Unidos.

Os primeiros cem anos de Meer Gurfinkel

Cem anos. Uma vida dedicada a duas paixões: família e medicina. Foi assim que confrades, amigos e familiares descreveram o acadêmico Meer Gurfinkel que, no último dia 17 de março de 2021, comemorou seu centenário e recebeu uma belíssima homenagem durante sessão promovida pela Academia Nacional de Medicina. 

Na oportunidade, o Dr. Hilton Koch, presidente da Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação, os acadêmicos Omar da Rosa Santos, MauricioYounes Ibrahim e Daniel Tabak, entre outros, proferiram palavras repletas de carinho e admiração por sua trajetória profissional e tiveram a oportunidade de revelar histórias pessoais e o quão é humanista. 

O médico Omar da Rosa Santos descreveu características marcantes como “generosidade e temperança”. Já Hilton Koch destacou que Meer Gurfinkel é o tipo de pessoa que jamais desiste e que solicitou que sua jornada possa ser lembrada sempre. MauricioYounes e Daniel Tabak relembraram sua trajetória profissional e pessoal. 

“Regozijamos em vida a oportunidade de celebrar o centenário de Meer Gurfinkel que viveu a discriminação em tempos nazitas, uma semente que floresceu em um futuro humanista que se refugiou em nosso país.”, contou Takak que completou dizendo que o conheceu ainda jovem, quando acompanhava seu pai – paciente do doutor Gurfinkel – nas consultas e ainda prestaria o vestibular para medicina. “Os princípios da relação médico-paciente e sua anamnese impecável marcam a minha formação”, revelou. 

Os filhos Dora e Silvio e o neto Marcel contaram – ao lado do avô que usava máscara, símbolo da postura de médico exemplar -, emocionantes momentos em família. Marcel leu um discurso preparado por Meer que agradeceu e sentiu-se honrado pelas homenagens. A sessão foi encerrada em tom animado com todos cantando parabéns ao acadêmico.

Vida e obra de Meer Gurfinkel – Nascido em 17 de março de 1921, natural da Bessarábia, território da antiga Romênia, veio para o Brasil aos 13 anos, refugiado do nazismo. Nem mesmo o novo idioma e a cultura diferente impediram Meer Gurfinkel de prosperar. Formou-se pela Faculdade Nacional de Medicina, da antiga Universidade do Brasil, em 1947. 

Dedicado à clínica médica, exerceu, ao longo de sua carreira, 23 cargos de chefias médicas, entre os quais chefe de serviço de clínica médica do Hospital Geral do Andaraí, anteriormente chamado de Hospital dos Marítimos. 

Gurfinkel é membro honorário da Academia Nacional de Medicina, da Academia de Medicina de Reabilitação e da Academia Brasileira de Medicina Militar. Em 1962, conquistou a menção honrosa da ANM no XI Congresso Brasileiro de Medicina “Valor clínico e cirúrgico da detecção de células neoplásicas no sangue periférico pela microscopia fluorescente”, que demostrava seu olhar futurista para a medicina. 

Também é membro titular emérito do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Membro da Sociedade Brasileira de Gastroenterologia e da Sociedade Brasileira de Diabetes. 

Tem 17 artigos em revistas médicas, realizou mais de 30 conferências e ministrou mais de 10 cursos na área de medicina.

Alergia alimentar: da gestação à vida adulta

Para entendermos a alergia alimentar precisamos voltar ao início de tudo, traçando um paralelo ao momento da gestação e questionar um capítulo intrigante da vida: por que não fomos rejeitados pelo organismo de nossas mães, já que éramos um corpo estranho, habitando-o? 

Tudo isso está relacionado intimamente com a reação do sistema imune que, paradoxalmente, não rejeita o desenvolvimento do feto que possui 50% de componentes genéticos paternos. Este é o milagre da reprodução como definiu o médico Luiz Werber-Bandeira, da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, em sua live sobre Imunologia da gravidez, na sessão do dia 18 de março de 2021, promovida pela ANM.

Bandeira explicou que a relação imunitária entre a mãe e o feto estabelece comunicações bidirecionais e que existem evidências que o reconhecimento imunitário da gravidez pela mãe é primordial para a manutenção da gestação. 

A partir dessa comunicação intrauterina, começa-se a construir o sistema imune do feto que será maturado após o nascimento com o aleitamento materno exclusivo até os oito meses como reforçou o acadêmico Aderbal Sabrá que coordenou a reunião. Em sua apresentação sobre “Imunologia da Alergia Alimentar”, o professor Sabrá apontou alguns fatores precipitantes para a alergia alimentar: 

O acadêmico Sabrá ainda abordou a polêmica do leite de vaca. O acadêmico disse que a substituição do leite de vaca pelo leite de soja não é indicada, pois 85% dos indivíduos com alergia a essa proteína animal, também desenvolvem intolerância à soja, sendo a melhor indicação as fórmulas hidrolisadas ou de aminoácidos livres disponíveis no mercado. 

Autismo– O acadêmico Aderbal Sabrá abordou as evidências científicas que relacionam o transtorno do espectro autista (TEA) e a alergia alimentar (AA), sendo a última uma das causas da primeira.

Sabrá afirma que o TEA está longe de ter, nos trabalhos publicados até o momento, uma etiologia conhecida, e, por essa razão, seu tratamento segue sendo uma falácia. “Por outro lado, nossos achados mudam esse paradigma e evidenciam como a alergia alimentar pode ser uma de suas causas”, diz o acadêmico, que cita uma lista de nove publicações sobre o tema e detalha cada um dos achados. 

Segundo o especialista, há sete evidências triviais que sustentam a tese de que a alergia alimentar é uma das causas do transtorno do espectro autista. Entre elas, as respostas imunes em pacientes com AA e TEA têm espectros semelhantes; a epidemiologia da AA e do TEA são muito semelhantes, embora diferem quanto à prevalência do sexo e quanto ao gatilho; uma evidência fundamental é: todo paciente com TEA tem AA antes do aparecimento do transtorno.

Sabrá também alerta sobre o retardo no diagnóstico frente às primeiras manifestações dos pais sobre sintomas – em alguns casos, pode demorar vários anos. “É uma tristeza. Se eu começo o tratamento dessa criança com um ano e meio ou dois anos, ela entra em remissão em até um ano e meio. Se é uma criança de sete anos, será preciso tratá-la por três ou quatro anos devido ao progresso do processo inflamatório”.

O acadêmico conclui sua apresentação falando sobre as formas de tratar o problema. “Portanto, se temos o diagnóstico correto da alergia alimentar, tratamos com dieta hipoalergênica, que provoca a desinflamação e, assim, o paciente vai lentamente saindo do transtorno do espectro autista”.

Participaram ainda da sessão sobre alergias alimentares, a médica Selma Sabrá, do Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense, que falou sobre os aspectos endoscópicos da alergia alimentar; Ana Muñoz, do Hospital Nacional Edgardo Rebagliati Martins-Lima, do Peru, que trouxe resultados de um estudo que desenvolveu criando um score para o diagnóstico clínico da alergia alimentar que seria suficientemente baseado na anamnese para detecção do problema. E o médico Mario Cesar Vieira, do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, no Paraná. Cesar Vieira falou sobre “Esofagite Eosinofílica”, doença relativamente nova, descoberta no início dos anos 90, e que vem crescendo nos últimos anos. Ela é caracterizada pela inflamaçãocrônicacausada pelo acúmulo de eosinófilos no esôfago que pode ser provocada por uma resposta exagerada do sistema imune a algumas substâncias alergênicas. 

Confira a sessão completa em nosso canal do YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCdkjh5HlDk6V49qyIvNJ93A

Juntos somos mais fortes

Um consórcio de instituições universitárias, academias, frentes de políticos e empresários se consagrou na live que reuniu mais de 300 participantes, no dia 17 de março de 2021, e discutiu formas para enfrentamento dos gargalos e propostas estratégicas que contribuam para agilizar a vacinação em massa contra covid no Brasil.

Promovida pelas academias Nacional de Medicina, Brasileira de Ciências, de Ciências Farmacêuticas do Brasil e pela Universidade Federal de São Paulo (Unfesp), o evento trouxe personalidades, iniciativas e propostas que visam minimizar os danos causados no dramático cenário vivenciado no país neste momento da pandemia.

São cerca de 300 mil mortes pela covid-19, mais de 11 milhões de meio de casos e uma vacinação lenta sem um plano nacional.

Participaram do evento, a empresária Luiza Helena Trajano que falou sobre as iniciativas que tem liderado com o Unidos pela Vacina e Mulheres do Brasil que, hoje conta com mais de 82 mil mulheres espalhadas em todo território nacional. Ambos os movimentos visam agilizar a compra de vacinas no mercado internacional, distribui-las e acompanhar no dia a dia os gargalos vivenciados pelos municípios do país, procurando de forma célere, através de padrinhos locais, contribuir para agilizar o processo. A meta é vacinar 70% da população até setembro de 2021, disse Luiza Trajano.

Pelas universidades federais, três mulheres convidadas: as reitoras da Unifesp, Soraya Smaili; da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Denise Pires; e da Federal de Minas Gerais, Sandra Goulart Almeida. A mensagem unânime foi sobre a gravidade do momento, a solidariedade aos familiares de todas as vítimas, a necessidade de ações conjuntas e a capacidade da ciência nacional em dar respostas, mas como ressaltaram faltam investimentos e apoio governamental. Ao fim do debate, todos foram brindados pela notícia animadora da garantia dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) – uma das principais fontes orçamentárias do sistema de C&T.

O encontro ainda contou com os políticos Jonas Donizetti, da Frente Nacional de Prefeitos, que ressaltou, entre as esferas do governo federal, estadual e municipal, quem arca com os maiores gastos atuais do SUS são os municípios. Donizetti destacou ainda o espírito de união para encontrar soluções tanto no processo de vacinação em massa como nos problemas com abastecimento de medicamentos e falta de leitos de UTIs.

Os deputados, ambos médicos, Hiran Gonçalves, da Frente Parlamentar de Medicina, e Luis Antonio Teixeira Jr., da Comissão Externa de Enfrentamento à Covid, destacaram quais ações podem ser adotados para acelerar a vacinação em massa da população brasileira e citaram alguns exemplos como: liberação dos lotes guardados para segunda dose, vacinação durante as 24 horas, sete dias por semana, identificação das vulnerabilidades e atuação junto aos movimentos sociais para equacionar as dificuldades.

O presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr, finalizou apontando a importância do evento e reafirmou: “Nós nunca vamos desistir. Temos muito em comum e bons exemplos a seguir.”

Tratados de farmacologia clínica

O acadêmico Gilberto de Nucci acaba de lançar um livro-guia que apresenta os mecanismos de ação, as indicações terapêuticas e a real eficácia dos principais fármacos utilizados na prática clínica atual. Da cardiologia à neurologia, passando por fármacos em pneumologia, gastroenterologia, moléstias infecciosas, urologia, ginecologia e obstetrícia, reumatologia e ortopedia, psiquiatria, oftalmologia, entre várias outras especialidades. 

O livro está à venda em diversas livrarias online.

Estratégias para vacinar todos e Já

Na atual conjuntura, existem muitos brasileiros, entidades, instituições nas esferas pública e privada, gestores e parlamentares empenhando-se para apoiar e ajudar os governantes, em todas as esferas e independentemente de partidos, para a aquisição de vacinas para toda população nacional. Esse movimento aspira que as decisões possam ser estratégicas e embasadas em evidências científicas, a partir de reflexões e estudos realizados pelos nossos cientistas e instituições de pesquisa. Por isso, nosso objetivo foi reunir diferentes iniciativas de empresários, consórcios e parlamentares para nos colocarmos à disposição deste trabalho, no diagnóstico dos gargalos e buscando soluções conjuntas e respaldadas pelas evidências.

Com a organização da Academia Nacional de Medicina, da Academia Brasileira de Ciências, da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil e da Universidade Federal de São Paulo serão reunidos representantes das academias, universidades, consórcios, parlamentares e empresários no webinário “Estratégias para vacinar todos e Já!”. O encontro virtual objetiva estratégias para mais vacinas, através do levantamento dos gargalos atualmente enfrentados, bem como possíveis soluções conjuntas para a aquisição e vacinação imediata em massa no Brasil, baseadas em estudos e evidências científicas. Nessa coalizão para obtenção de vacinas, participam reitores da Unifesp, UFRJ e UFMG; representantes da Frente Nacional de Prefeitos e Frente Parlamentar Mista de Medicina; da Comissão Externa de Enfrentamento à Covid  da Câmara dos Deputados; Frente Parlamentar Mista de Ciência, Tecnologia;  além do empresariado brasileiro, representado por Luiza Helena Trajano e o movimento Unidos pela Vacina.

Programação

“Estratégias para vacinar todos e Já!”

Organizadores :

Academia Nacional de Medicina (ANM), Academia Brasileira de Ciências (ABC), Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Data :17 de março de 2021

Horário:17h

Link para acesso:https://acknetworks.zoom.us/my/anmbr

Apresentações

17h00 –  Academias:

Rubens Belfort – Academia Nacional de Medicina (ANM)  

Luiz Davidovich – Academia Brasileira de Ciências (ABC)

Acácio Alves de Souza Lima Filho – Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB)

17h05  – Universidades nas pesquisas das vacinas:

Reitora Soraya Smaili- Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Reitora Sandra Regina Goulart Almeida – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Reitora Denise Pires de Carvalho – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

17h10 – Empresários e Prefeitos:

Luiza Helena Trajano – Mulheres do Brasil e Unidos pela Vacina 

Jonas Donizette – Frente Nacional de Prefeitos (FNP)

17h30 – Comunicação  :

Guga Chacra – Globo News

17h50 – Parlamento:

Deputado Luizinho Teixeira – Presidente da Comissão Externa de Enfrentamento à Covid  (Câmara dos Deputados)

Deputado Hiran Gonçalves – Presidente da Frente Parlamentar Mista de Medicina 

Senador Izalci Lucas – Presidente da Frente Parlamentar Mista de Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação.

18h10 – Perguntas e propostas

18h30 –  Encerramento

(Com informações da assessoria da Unifesp)

Estratégias brasileiras para a produção de vacinas

“Precisamos reconhecer o grupo grande de brasileiros cientistas trabalhando para tentar controlar essa situação que vivemos – inclusive o desgoverno que estamos sofrendo de maneira constante. Mas existem sempre oásis e núcleos que inspiram e são os bons exemplos. A Academia Nacional de Medicina vem tentando ressaltar esses exemplos”.

Com esse breve discurso inicial, o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, abriu a live “Estratégia brasileira para a produção de vacinas”, que ocorreu na última quinta-feira (11/3) e reuniu instituições nacionais renomadas para discutir os rumos da ciência brasileira no combate à pandemia da covid-19.

A sessão contou com a coordenação a apresentação do acadêmico Marcelo Morales, atual Secretário de Estado de Pesquisa e Formação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, que detalhou uma linha do tempo desde a criação da iniciativa RedeVírus MCTI até o sequenciamento da nova cepa do SARS-CoV-2 e publicação de artigos científicos em dezembro de 2020.

A rede conta com mais de dois mil pesquisadores e acadêmicos envolvidos, trabalhando de forma colaborativa e harmônica para que todas as ações sejam bem-sucedidas, e o projeto já investiu cerca de R$ 500 milhões de reais para o enfrentamento da pandemia através de pesquisas científicas, além de R$ 600 milhões de recursos para empresas, com a produção de respiradores e equipamentos de proteção individual.

Morales também compartilhou um infográfico detalhado com estratégias e ações do MCTI no combate à covid-19 que passam pelos pilares: impactos, suporte, sequenciamento, diagnóstico, medicamentos, vacinas e ensaios clínicos. 

“Cada vez mais, precisamos formar uma base forte para a pesquisa brasileira ter uma estratégia contra essa e outras tantas doenças, e a comunidade tem que aprender. Claro que não é fácil, mas o fracasso de um produto não significa que a estratégia foi inadequada – é preciso muitos fracassos para conseguir um sucesso”, destacou o presidente Rubens Belfort Jr.

O acadêmico e presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Jerson Lima, também coordenador do simpósio, iniciou sua apresentação com uma homenagem aos vários séculos de atuação da ciência brasileira, em especial da Fiocruz e do Instituto Butantan, e expõs os principais desafios da pandemia para os cientistas nacionais: redução de recursos federais e estaduais para pesquisa, redução do financiamento das universidades e institutos de pesquisa (infraestrutura) e atividades remotas.

Segundo Lima, o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), composto por 18 fundações, reuniu mais de R$ 90 milhões em 21 chamadas públicas, que incluem pesquisas, tratamentos e diagnósticos, além de aproximadamente R$ 300 milhões redirecionados pelas FAPs em projetos e redes de pesquisa. Somente a Faperj apoiou R$ 75 milhões em auxílios e bolsas em 2020, um total de 120 projetos para o combate à covid-19.

O acadêmico detalha as atuações de cada FAP e encerrou com a divulgação de novos editais e programas da Faperj em 2021, que incluem linhas de pesquisa relacionadas à covid-19 – uma delas, um edital de desenvolvimento de imunobiológios, reposicionamentos de fármacos e vacinas (novas e acompanhamento da fase 4 das que estão sendo aplicadas). “Fomentar a pesquisa é transformar recursos financeiros em conhecimento, que retornam multiplicados em emprego e renda para a sociedade”, afirmou.

O professor Ricardo Gazzinelli, do Centro Nacional de Tecnologia de Vacinas, deu seguimento à sessão com foco na atuação da universidade, que faz parte da RedeVírus MCTI. Duas das tecnologias desenvolvidas no combate ao coronavírus foram os kits Elisa, em cinco meses de pandemia, e os testes rápidos IgG e IgM, que já estão sendo distribuídos para alguns laboratórios mineiros.

Gazzinelli afirma que foi importante desenvolver estratégias diferentes na pesquisa sobre a vacina da covid-19 e a influenza foi a candidata principal – a ideia é ser uma vacina bivalente. No entanto, durante o processo, foi constatado que o modelo quimera X+S apresentou resultados mais animadores. A instituição já levou o modelo à Anvisa e encontra-se na fase de lote piloto.

O professor também apresentou um gráfico com a exibição dos investimentos em desenvolvimento de vacinas no Brasil, que é relativamente baixo, além de não ser, de forma majoritária, composto por recursos de empresas privadas, em comparação com demais países.

Para falar sobre as estratégias da Anvisa no enfrentamento à pandemia, Gustavo Mendes, gerente-geral da instituição, faz um breve discurso. O especialista salienta o rigor do órgão na vigilância e no controle da qualidade das vacinas em desenvolvimento e distribuição, que fazem com que uma série de questões administrativas seja importante e indispensável no processo. 

Segundo o gerente-geral, há três vacinas brasileiras em fases avançadas – dentre elas, as desenvolvidas na Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG) e a do Rio de Janeiro (UFRJ). Mendes também cita algumas medidas adotadas pela Anvisa para o controle da covid-19, como a aprovação do uso emergencial das vacinas Oxford-AstraZeneca e Coronavac, além do recente registro oficial da Pfizer. Outra medida citada é o aproveitamento de registros e aprovações por outras agências reguladoras consideradas referências pela Anvisa e a garantia da qualidade da fabricação de vacinas aprovadas e produzidas em diferentes laboratórios.

A convidada Marcia Antunes, diretora industrial do Instituto Vital Brazil, divulgou novos projetos do instituto, que incluem soro anti-SARS-CoV-2 em preparação para início dos testes clínicos e vacinas em negociação das parcerias e tratativas com o Ministério da Saúde.

Sobre o soro mencionado, Antunes afirmou que houve um pedido de patente em agosto de 2020, em conjunto com a Fiocruz e a UFRJ, visto que os resultados apresentaram anticorpos neutralizantes 50 vezes mais potentes do que os plasmas de pessoas que foram infectadas.

O vice-presidente da Fiocruz, Marco Krieger, encerrou a sessão falando sobre a análise de riscos feita no início da pandemia para o melhor enfrentamento e uma matriz onde foram consideradas tecnologias diferentes e fases das vacinas em desenvolvimento, que possibilitou, por vias legais, a “importação” da produção desses imunizantes. Também foram detalhadas as fases de trabalho em conjunto com a AstraZeneca, desde a chegada do insumo, em janeiro, até a estimativa da entrega de 110 milhões de doses até julho de 2021.

Estratégias brasileiras para vacinas

Nesta quinta-feira, dia 11 de março, a Academia Nacional de Medicina (ANM) promove simpósio sobre as Estratégias brasileiras para a produção de vacinas.

Entre os convidados, o acadêmico da ANM e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcelo Marcos Morales, atualmente como Secretário de Políticas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Morales falará sobre os avanços das pesquisas desenvolvidas no âmbito da RedeVírus do MCTI, principalmente às relacionadas ao desenvolvimento de vacinas. São 15 estratégias nacionais de vacinas que receberam um investimento de R$ 26 milhões do Ministério. Dessas estratégias, três são contra a covid-19 e estão em testes de animais.

O acadêmico Jerson Lima Silva, também pesquisador na UFRJ e presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do  Estado do Rio de Janeiro, Jerson Lima Silva, será outro dos convidados. Lima Silva falará dos investimentos das Fundações de Amparo à Pesquisa e, especialmente, dos editais lançados pela agência fluminense e quais estão nos planos para 2021, focado em vacinas.

Na agenda,  ainda palestra do professor Ricardo Gazinnelli, que apresentará a produção de lotes BPF para os ensaios clínicos de vacinas para covid-19 e doenças negligenciadas. E da Anvisa, Gustavo Mendes Lima Santos, contará qual é a situação atual para registro de vacinas: o caso covid-19.

A experiência do Instituto Vital Brazil na produção de imunobiológicos será abordado pelo presidente da instituição, Átila Torres de Castro; e o vice-presidente de Produção e Inovação da Fiocruz, Marco Krieger, falará sobre como andam as estratégias de produção de vacinas pela instituição.

O evento, que começará às 15:00, é coordenado pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., e será transmitido via Facebook Live/acadnacmed e pela plataforma zoom/anmbr.

Serviço:
Dia: 11/3/2021
Horário:15:00 às 18:00
Local: Facebook/acadnacmed e zoom/anmbr

‘Vacina Salva’

Uma campanha da Associação Brasileira de Agências de Publicidade em parceria com Academia Nacional de Medicina, Academia Brasileira de Ciências, Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

A desconfiança por parte da população em relação aos imunizantes motivou a iniciativa, que visa principalmente combater a falta de conhecimento, teorias falsas e a desinformação sobre o funcionamento e a eficácia das vacinas. O legado histórico da ciência para a humanidade e sua trajetória vitoriosa no descobrimento de vacinas que venceram epidemias anteriores são o foco da campanha. 

No filme é a própria a vacina que “fala” sobre sua trajetória e destaca que existe há 200 anos para salvar vidas. A protagonista ainda diz que muitas pessoas não sabem como a ciência funciona, mas que ela existe para deixar as vidas melhores. Poliomielite, febre amarela e meningite são algumas das doenças citadas nas campanhas que foram combatidas e vencidas com a vacinação em massa. O vídeo termina com a mensagem: “Não dê ouvidos para quem não entende a ciência e tem memória curta. Conte comigo!”. 

A campanha foi lançada na primeira sessão ordinária da Academia Nacional de Medicina, no dia 4 de março de 2021, e será veiculada na internet, TVs e rádios de todo país. O enxoval publicitário conta com um filme de 1 minuto e 30 segundos, spots de rádio e placas de rua (OOH).  A criação da campanha é do publicitário Mario D´Andrea, que contou com o apoio gratuito de vários profissionais da agência DPZT e da produtora S de Samba.

Para ver o filme e compartilhar, acesse o link https://youtu.be/MiHQLanO1bI.

Tributo à sociedade

“Nós queremos nesta reunião, mais do que tudo, prestar um tributo aos médicos, profissionais de saúde que continuam trabalhando, incansavelmente, para tentar diminuir o sacrifício e as mortes. Todos, incluindo aqueles que atuam nos laboratórios de pesquisa, nas pesquisas básica e aplicada; na produção de medicamentos e outros imunobiológicos; nos hospitais e UPAs espalhados pelo Brasil. Essa epidemia trouxe grande aflição em relação a recursos humanos e nós, mais velhos, tivemos que sair do campo de batalha; e os jovens tiveram que trabalhar por eles e por nós e continuam se arriscando. Não podemos também esquecer aqueles que tombaram nessa luta.” Com esta mensagem, o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., deu início a primeira sessão ordinária do 192 ano da Academia Nacional de Medicina com uma homenagem à sociedade brasileira pela sua solidariedade durante a pandemia pela covid-19.

O evento “Frente à covid: a resposta solidária da sociedade brasileira” homenageou a Fundação Lemann e a iniciativa do Fundo de Apoio à Aprendizagem; o consórcio de veículos de mídia no levantamento de dados diários sobre o número de casos e óbitos em decorrência da covid, representado pela Folha de São Paulo; o Itaú com o Instituto Todos pela Saúde, além da Fiocruz e do Butantan.

Solidariedade da sociedade – A ANM elencou cinco iniciativas para homenagear em sua primeira sessão do ano de 2021. Pela Fundação Lemann, falou Denis Mizne que contou em poucas tempo o muito que foi realizado pela Fundação em prol da educação. Segundo ele, “a Fundação Lemann acredita que o Brasil será um país mais justo e desenvolvido quando conseguirmos usar da melhor maneira possível nosso recurso mais precioso que é a nossa gente. Infelizmente, deixamos correr pelas mãos muitos talentos.” Mizne falou que, durante a pandemia, foi criada uma grande coalização para aumentar o acesso das crianças à educação, uma vez que o Brasil foi o país, onde as escolas ficaram mais tempo sem aulas. As ações da Fundação contribuíram para que 94% das crianças de escolas públicas pudessem acessar, de várias formas, conteúdo de boa qualidade da base curricular, graças aos esforços da sociedade brasileira.

A iniciativa do Instituto Todos pela Saúde (ITpS), outras das homenageadas, foi apresentada pelo CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy. O projeto, de acordo com ele, recebeu uma dotação do banco de R$ 1 bilhão de reais e que foi acrescida de mais 300 milhões de acionistas – maior quantia destinada por uma instituição privada a uma causa social. O foco do Instituto foi idealizado em quatro pilares: informar, proteger, cuidar e retomar. O ITpS instalou 27 gabinetes de crise para atuar junto ao SUS, tendo doado mais de 14 milhões de máscaras à população, equipamentos hospitalares, além de  120 milhões de equipamentos de proteção individuais para 500 hospitais de todo o país.

O diretor do Butantan, Dimas Covas, e a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, foram outros homenageados pela lideranças na produção de vacinas contra covid-19, além de outras iniciativas para a saúde da população. Dimas ressaltou a importância dos profissionais de saúde em um trabalho ininterrupto, dia e noite, sete dias por semana, para entregar à sociedade vacinas, testes de diagnósticos e soro anticovid e destacou o lema da instituição: Butantan a serviço da vida há 120 anos. Já Nísia Trindade, presidente da Fiocruz, conclamou a todos para uma coalização em duas frentes: a primeira, com uma mensagem de esperanças no futuro embasada em solidariedade e em um pacto em defesa da vida; e na elaboração de uma agenda futura tendo a ciência e a cultura como inspirações.

Representado pela Folha de São Paulo, o consórcio de veículos de mídia foi outro destaque do evento. O jornalista Fabio Takahashi relatou como se deu a iniciativa que reuniu veículos de mídia que, tradicionalmente, são concorrentes e disputam leitores e espectadores, para mitigar o apagão de dados por parte do Ministério da Saúde. Além da Folha de São Paulo, participam do consórcio Estadão, O Globo, TV Globo, UOL e G1 que assumiram a tarefa de levar a todos os brasileiros, todos os dias da semana, os dados atualizados da pandemia. Segundo Takahashi, a experiência  trouxe frutos com novas colaborações como a campanha atual Vacina Sim.

Participaram ainda do evento os presidentes das Academias Brasileira de Letras, Marco Lucchesi, e da Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich. Os comentaristas foram os acadêmicos Silvano Raia e Paulo Buss.

Durante o evento ainda houve o lançamento da campanha Vacina Salva (#VacinaSalva) – uma parceria entre a Associação de Agências de Publicidade (Abap) e instituições científicas. Entre as quais, Academia Nacional de Medicina (ANM), Academia Brasileira de Ciências (ABC), Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

A proposta da campanha é gerar conscientização sobre a importância da vacinação, sobretudo no cenário da pandemia da covid-19, evidenciando o papel da vacina na erradicação de doenças e na saúde coletiva. O presidente nacional da Abap, Mario D’Andrea, conta que as peças publicitárias fazem uma defesa da vacinação em massa para combater a covid-19 e serão veiculadas na internet, TVs e rádios de todo país para combater a desinformação.

‘Vacina Salva’: campanha é lançada na ANM

Iniciativa tem o objetivo de gerar conscientização sobre o papel da vacina na saúde pública.

Nesta quinta-feira, 4 de março, acontece o lançamento oficial da campanha Vacina Salva (#VacinaSalva), uma iniciativa da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap) em parceria com instituições científicas. Foram convidadas a Academia Nacional de Medicina (ANM), Academia Brasileira de Ciências (ABC), Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). 

A proposta da campanha é gerar conscientização sobre a importância da vacinação, sobretudo no cenário da pandemia da covid-19, evidenciando o papel da vacina na erradicação de doenças e na saúde coletiva.

O presidente nacional da Abap, Mario D’Andrea, conta que as peças publicitárias fazem uma defesa da vacinação em massa para combater a covid-19 e serão veiculadas na internet, TVs e rádios de todo país. O enxoval conta com um filme de 1 minuto e 30 segundos, spots de rádio e placas de rua (OOH). Segundo ele, a Abap, como uma das entidades mais importantes da comunicação brasileira, tem como missão fundamental combater as fakes news

–     Neste momento, em que novas variantes da covid aparecem, as vacinas escasseiam e aumenta o número diário de infectados e mortes, a resposta solidária é o caminho para o controle da pandemia e a segurança da população: “o cada um por si” deve ser substituído pelo “cada um por todos”. A covid-19 e suas variantes serão vencidas com o uso de máscaras, o distanciamento social e a vacinação em massa, destaca o presidente da ABC, Luiz Davidovich. 

O pesquisador Ildeu de Castro Moreira, presidente da SBPC, ressalta que “a vacinação é hoje a forma mais eficaz de combater doenças, por isso, vamos fazer uma retrospectiva histórica para ressaltar o que ela significa para a saúde do Brasil e do mundo ao longo de décadas. Esta iniciativa é muito importante para estimular a vacinação e para mostrar que ela é de suma importância no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. É muito gratificante para a SBPC se unir a entidades de setores fundamentais da comunidade científica e da saúde preocupadas com o esclarecimento da população.” O presidente da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, Acácio Alves de Souza Lima Filho, reforça a mensagem, lembrando que vacinas tornam o mundo melhor porque reúnem o conhecimento das Ciências em benefício da Humanidade. 

O lançamento ocorre durante a sessão virtual, promovida pela Academia Nacional de Medicina, aberta ao público, e intitulada “Frente à covid: a resposta solidária da sociedade brasileira”, na qual o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, fará uma homenagem a instituições e personalidades que tiveram uma atuação de destaque no enfrentamento da pandemia. Segundo ele, a pandemia estimulou a solidariedade e os bons exemplos devem ser difundidos e perpetuados em nosso país.

Entre os homenageados, a Fundação Lemann e a iniciativa do Fundo de Apoio à Aprendizagem; o consórcio de veículos de mídia no levantamento de dados diários sobre o número de casos e óbitos em decorrência da covid, representado pela Folha de São Paulo; o Itaú com o Instituto Todos pela Saúde, além da Fiocruz e do Butantan.

Serviço

Webhall “Frente à covid: a resposta solidária da sociedade brasileira”

Data: 4 de março

Horário: 18h às 20h

Local: Facebook (http://facebook.com/acadnacmed) e Zoom (http://acknetworks.zoom.us/anmbr)

Programação veja na agenda das sessões científicas em https://www.anm.org.br/frente-a-covid-a-resposta-solidaria-da-sociedade-brasileira/.

Jovem Líder Médico lança livro

Fábio Moraes é médico e professor na Queens University do Canadá e também participa do Programa Jovens Lideranças Médicas da ANM. Fábio acaba de publicar um livro em colaboração com outros autores.

Speciality Portfolio in Radiation Oncology é o título do livro que traz um roteiro para certificação global de professores e alunos na área de radioterapia. 

Gratuito para download como e-book (https://qspace.qu.edu.qa/handle/10576/17692), o livro fornece um roteiro de treinamento que pode ser aplicado em muitas comunidades, especialmente aquelas com recursos limitados, para produzir profissionais de radioterapia qualificados, competentes e seguros. A ideia é ajudar a estabelecer programas de certificação baseados em competência padronizada e de aplicação global.

Radioterapia é um tratamento no qual se utilizam radiações ionizantes (raio X, por exemplo) para destruir um tumor ou impedir que suas células aumentem. A radioterapia é uma especialidade médica, um do 3 pilares no tratamento do câncer, e envolve treinamento em áreas como clínica médica, cirúrgica, patologia, imagem, física médica, biologia molecular, inovação, entre outras. A radioterapia junto com cirurgia são as modalidades de tratamento com maior índice de cura do câncer.  

No entanto, um guia de padronização para treinamento e mentoria em radioterapia globalmente não estava disponível. 

O portfólio foi criado usando de diferentes recursos bem estabelecidos neste campo, além de contar com o conhecimento de experts com conhecimento global (conta com autores da University of Ottawa (Canadá), Queens University (Canadá), University of Pittsburgh (EUA), University of California (EUA), Aswan University (Egito) e pode ser usado como um guia na criação, adaptação e refinamento dos programas de treinamento em radioterapia, ou como um modelo e guia de conteúdo para estudantes e residentes, ou por meio do uso de suas ferramentas pode facilitar a documentação e entendimento do processo de formação de especialistas no mundo. 

Em resumo, o livro é uma fonte de recursos que pode ser útil para professores e alunos que desejam atingir os marcos necessários para a formação de um profissional de alto impacto, o que contribuirá para o avanço da educação e da prática de oncologia em todo o mundo.

Como avaliar a produção de Anticorpos circulantes e imunidade pós- COVID ou pós-vacina

Por Carlos Alberto de Barros Franco, médico pneumologista, Professor Titular de Pneumologia do curso de Pós-graduação da PUC-Rio e Membro Titular da Academia Nacional de Medicina

Essa apresentação tem como objetivo esclarecer dúvidas entre alguns colegas e muitos pacientes sobre quais exames devem ser feitos para avaliar se houve produção de anticorpos seja pela doença COVID seja pela vacinação .O real interesse é saber qual a proteção tem a pessoa contra a COVID.

Inicialmente relembro a todos que o vírus SARS-CoV2  tem em sua constituição dois locais antigenicamente mais importantes  : são a proteína S (espicula ou SPYKE) e a proteína N (nucleocapsídeo) na superfície do vírus.

Com relação a infecção viral ou seja a doença COVID, o vírus, possuindo as 2 proteínas, estimulara a produção de anticorpos (imunoglobulinas) contra as dois antígenos as proteínas S e N. A dosagem de anticorpos através de técnicas que identifiquem anticorpos contra a proteína S ou a proteína N serão positivos

Com relação as vacinas a formação de anticorpos dependerá qual desses antígenos é contido na vacina utilizada . As vacinas como a Oxford-Astra Zenica, Moderna, Pfizer, Sputinik utilizam um vetor ou carreador que pode ser um outro vírus inativado como na Astra Zenica e um m-RNA como a Pfizer e moderna e como antígeno viral ligado a esse carreador um fragmento da proteína S (SPIKE). Já as vacinas Coronavac e a Covaxin ulitilizam como antígeno o próprio corpo do vírus SARS-CoV2  inativado contendo portanto ambas proteínas  ( N e S).

Dessa forma nos exames para dosagem de anticorpos (Imunoglobulinas), é importante saber nos pós vacinados qual o antígeno utilizado no teste daquele laboratório. Caso o antígeno for a proteína S o teste identificará os anticorpos de todas as vacinas pois todas contem a proteína S. Caso o teste utilizado for com N e a vacina aplicada tiver sido uma que não contenha a proteína N como no caso da Astra Zenica, Pfizer e Moderna não serão identificados os anticorpos contra o vírus sendo o exame um falso negativo.

 Atualmente todos os testes estão sendo adaptados para trabalhar com o antígeno S o que vai resolver essa dificuldade proximamente.

É importante saber que a dosagem de anticorpos (Imunoglobulinas) não é o método ideal para avaliar a imunidade determinada quer pela infecção COVID quer pela vacina. O que importa é verificar se os anticorpos existentes têm capacidade NEUTRALIZANTE ou seja a capacidade em influir na penetração do vírus nas células e sua multiplicação e disseminação para células vizinhas. 

Para avaliar a presença de anticorpos neutralizantes no sangue o exame ideal a ser solicitado é a dosagem de Anticorpos Neutralizantes. O teste padrão ouro para esse fim é através de cultura de células sujeitas a infecção pelos SARS CoV2 com ou sem a presença do soro do paciente.

No meio de cultura são colocados o vírus e o soro do paciente e a presença de anticorpos neutralizantes no soro será sua capacidade em evitar a penetração e a multiplicação do vírus nas células.

Esse procedimento evidentemente tem maior complexidade e é utilizado em laboratórios com nível 3 de segurança geralmente utilizados em pesquisa.

Em vista disso testes comerciais desenvolveram uma metodologia indireta de avaliar a capacidade de um fragmento da proteína S ( spike ) aderir a um fragmento de proteína do receptor ACE2 ( enzima conversora de angiotensina) que é o mecanismo que o vírus utiliza para aderir e penetrar nas células e em seguida iniciar sua multiplicação. Considerando que todas as vacinas contem a proteína S ( spike) não há preocupação sobre o tipo de teste pois todos contem obrigatoriamente esse antígeno. 

A interpretação é que caso existam anticorpos neutralizantes no soro testado não ocorrerá a junção entre a proteína S ( spike) e a proteína ACE 2 sendo portanto o teste positivo para anticorpos neutralizantes. Caso contrário será evidente a não existência desses anticorpos

Os laudos geralmente são positivo ou negativo para anticorpos neutralizantes. Aqueles que já tinham anticorpos por infecção previa deseja-se que após a vacina ocorra um ” efeito booster” e  que haja um aumento de 4x nos títulos desses anticorpos .

Resumindo a presença de anticorpos no sangue não é o método ideal para avaliar imunidade sendo o indicado olicitar a pesquisa de anticorpos neutralizantes. 

Para interpretar os resultados das dosagens de anticorpos em geral pós vacina é importante saber qual o antígeno da vacina utilizada e qual o antígeno pesquisado no teste. 

Vale lembrar que tanto após a COVID ou após a vacina pode existir imunidade em casos em que os anticorpos não são identificados em testes de laboratório. 

ANM participa do Todos pela Saúde

Todos pela Saúde torna-se instituto com objetivo de perenizar ações na área de vigilância epidemiológica.

O Instituto Todos pela Saúde (ITpS) foi fundado no dia 26 de fevereiro de 2021 com a missão de contribuir para o fortalecimento e a inovação na área de vigilância em saúde no Brasil. 

O foco do Instituto será o apoio à pesquisa e a formação de recursos humanos em epidemiologia genômica.

A criação dessa organização tem como ponto principal um sistema de fomento, com programa de trabalho predefinido e gestores dedicados, para o desenvolvimento de atividades, cujos resultados possam ser integrados e disponibilizados para auxiliar em políticas públicas. 

 O ITpS será também importante na definição de caminhos para o enfrentamento da presente e de potenciais futuras epidemias. Trata-se de uma ação “orientada à missão”.

O Instituto é uma associação sem fins lucrativos, tendo como associados a Fundação Itaú (propositora e mantenedora), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Academia Nacional de Medicina (ANM), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade de São Paulo (USP) e o Hospital Israelita Albert Einstein. 

 A dotação inicial de R$200 milhões está sendo alocada a partir de doações incorporadas pela Fundação Itaú para o programa Todos pela Saúde. 

 O aporte será utilizado para constituir um fundo patrimonial, cujos rendimentos deverão manter as atividades do Instituto.

 O ITpS reunirá grandes nomes da ciência e da saúde no Brasil. O Conselho de Administração será presidido pelo médico Paulo Chapchap, diretor geral do Hospital Sírio Libanês. Seu diretor-presidente será o professor da USP e também do Incor, Jorge Kalil.

 O Instituto terá seu programa de atividades avaliado e acompanhando por um comitê científico formado por especialistas e presidido pelo professor César Victora, da Universidade Federal de Pelotas.

 O ITpS deseja contribuir para o desenho de uma vigilância genômica. Para isso, deverá fomentar, estimular e dinamizar iniciativas relacionadas ao tema. 

 As atividades a serem desenvolvidas incluem tanto o financiamento à pesquisa como também levantamentos genômicos (ou metagenômicos), além da formação de epidemiologistas de campo. 

 Haverá também uma ação transversal no desenvolvimentos e aplicação de big data para tratar os dados produzidos. Os trabalhos serão executados em parcerias com instituições de pesquisa, governos e empresas. 

 O Instituto Todos pela Saúde fomentará o alinhamento das principais competências nacionais, contribuindo para um tratamento científico dos problemas epidemiológicos do Brasil.

Com isso, acreditamos que o Brasil estará mais preparado para enfrentar epidemias como a de covid-19 e menos vulnerável a doenças originadas da interação do homem com o meio ambiente.

Lideranças inspiradoras

Como ser uma liderança inspiradora na área médica? Quais tipos de lideranças e como cada uma se desempenha em seu dia a dia? Qual a importância da oratória nas relações humanas? Estes e outros temas foram debatidos em livepromovida, no dia 25 de fevereiro de 2021, pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, e uma das coordenadoras do Programa Jovens Lideranças Médicas da ANM, Patrícia Rocco.

O evento contou com as palestras inspiradoras dos convidados internacionais como Ruth Gotian, da Cornell University e Francis in Vericourt, de Berlim, que aproveitou a transmissão online para fazer jogos virtuais e discussão de casos e eventos médicos com os participantes. 

Gotian que é autora, educadora, coache palestrante falou sobre temas sensíveis e como se destacar em seu campo de atuação. Ressaltou aspectos relacionados à carreira de cientistas, inspirando os introvertidos e como podem incrementar redes de relações e iniciar conversações com outros profissionais desconhecidos. Ruth Gotian é daquelas palestrantes que atrai plateias e se destaca pela simpatia, finalizando com uma ótima dica: você não precisa ser o expertdo mundo, basta ser o expertno ambiente em que está.

Entre os brasileiros convidados, Ana Paula Alfredo, da Agrégat Consultoria, que descreveu diferentes tipos de líderes. Entre os citados, o carismático que tem alto desempenho e, ao mesmo tempo, satisfação dos liderados; a liderança transacional que tem foco nos resultados; a transformacional que inspira os seguidores a transcender seus próprios interesses; a autêntica que estabelece diretrizes sob bases éticas e de confiança. Outros tipos de lideranças são a compassiva e sábia; e o coachque procura a realização de objetivos e a remoção de obstáculos.

Lucas Campos, da empresa Jaleko, o maior grupo online de educação na área da saúde com mais de 100 mil seguidores, foi outro convidado do evento. Lucas falou sobre a importância da oratória e citou que, até para quem vende pipoca, o dom de falar bem é importante. Como ressaltou, falar bem não é uma mágica e persuadir é uma arte que tem na comunicação um importante alicerce.

Cada vez mais em voga, o tema da representatividade feminina também foi abordado na sessão. Aa médica Fernanda Cruz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e membro da primeira turma do Programa Jovens Lideranças Médicas, tocou nesse assunto de forma sagaz. 

Ela demonstrou como o debate é relevante e atual fazendo uma comparação entre duas imagens: uma conferência científica dos anos 1920, que conta com a presença de uma única mulher – a ilustre cientista Marie Curie – e uma imagem da reunião da ANM, após 100 anos, e na qual a presença feminina continua como minoritária. 

Fernanda traz dados da Unesco que apontam que apenas 28% das pesquisadoras no mundo são mulheres. A professora e pesquisadora, vencedora do prêmio Mulheres na Ciência 2018 com seu estudo sobre tratamentos menos invasivos para doenças respiratórias, conta que, ainda que a maioria dos profissionais da área biomédica seja de mulheres, há uma disparidade nos financiamentos de pesquisa. “Homens são maioria – uma proporção distante da realidade”, explica.

Em clima de preparação para a diplomação dos novos membros do Programa Jovens Lideranças Médicas, a sessão também contou com a participação do médico André Báfica, da Universidade Federal de Santa Catarina, que compartilhou sua jornada e experiência na turma pioneira da iniciativa (2015-2020), salientando a relevância do programa em sua trajetória profissional e para a própria medicina brasileira. 

Outro convidado foi Cesar Souza, do Grupo Empreenda, que deu seguimento à sessão com um debate edificante sobre o papel da liderança em momentos de crise – especialmente no cenário da covid-19, que colocou à prova os valores, propósitos e condutas de líderes em organizações. 

“Mais do que nunca, fica claro que não existe um único tipo ideal de liderança, mas um conceito ideal de liderança situacional. Líderes centralizadores assumem o protagonismo na hora de decisões difíceis. Já os participativos não correspondem à pressão do tempo e à velocidade com que precisam agir”, exemplifica o especialista.

O encerramento da sessão foi celebrado em grande estilo com a diplomação dos novos membros do Programa Jovens Lideranças Médicas. A Academia Nacional de Medicina dá os parabéns aos nomes que são o futuro da medicina brasileira: Alléxya Affonso, Antunes Marcos, Andreia Cristina de Melo, Antonio Camargo Martins, Daniel Kanaan, Daniel Vilarim Araújo, Heloisa Moraes do Nascimento, Salomão João Neves de Medeiros, José Mauricio Mota, Kallene Summer Moreira Vidal, Karina Tozatto Maio, Louise De Brot Andrade, Lucas Leite Cunha, Luiz Henrique Medeiros, Geraldo Marcelo Araújo Queiroz, Maria Helena da Silva Pitombeira Rigatto, Pedro Mario Pan Neto, Thiago de Azevedo Reis, Yuri Longatto Boteon.

Ser ou não ser?

O médico José Moura Neto, membro do Programa Jovens Lideranças Médicas, da Academia Nacional de Medicina, acaba de publicar um artigo no periódico Blood Purification com uma ótima repercussão. O artigo traz reflexões sobre a procura, cada vez menor, pela especialidade da nefrologia. “To be or not be a nephrologist; students’ dilemma and a strategy for the field” remete ao impasse na peça “A tragédia de Hamlet”, da obra de Shakespeare. 

Segundo ele, trata-se de um tema em destaque na nefrologia, tanto no Brasil como no mundo, que é a procura, cada vez menor, de médicos interessados na especialidade, o que preocupa diante da demanda crescente das afecções renais.

Moura Neto ainda se destacou, recentemente, ao assumir a vice-presidência do Nordeste da Sociedade Brasileira de Nefrologia, e tendo o acadêmico José H. Rocco Suassuna como diretor científico da mesma sociedade.

Moura Neto participou ativamente da elaboração de diretrizes e recomendações para medidas em unidades de diálise relacionadas à pandemia da covid-19 pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e contribuiu na elaboração de outros artigos da Força Colaborativa Covid Brasil.
Além de ter conquistado, em agosto de 2020, o título honorífico de Fellow da Sociedade Americana de Nefrologia.

O link para seu último artigo está disponível em https://www.karger.com/Article/FullText/513155.

Plasma de convalescente para covid-19

Tratamento de pacientes com covid-19 com transfusão de plasma convalescente: um estudo multicêntrico realizado pelo Consórcio Paulista para Terapia da Covid-19 foi um dos projetos de Bruno Deltreggia Benites que participa do Programa Jovens Lideranças Médicas, da Academia Nacional de Medicina.

O projeto randomizado possui três braços: tratamento de pacientes com plasma convalescente 200 ou 400ml, ou placebo, incluiu 123 pacientes e, atualmente, em processo de análise dos resultados para publicação. Em breve, mais novidades por aí.

O projeto é uma parceria entre a @USP, campus São Paulo e de Ribeirão Preto, Unicamp, Hospital Sírio-Libanês e Hospital Israelita Albert Einstein e conta com o financiado do MCTI. O jovem atuou como o coordenador do estudo na Unicamp. 

Benites também teve participação de destaque na implementação do serviço de transfusão pré-hospitalar no município de Bragança Paulista (SP), projeto idealizado junto com SAMU da cidade, iniciado em 2018 e implementado em agosto de 2020, com disponibilização de concentrados de hemácias para transfusão em unidade móvel de suporte de vida avançado – trabalho pioneiro na América Latina.

O médico destaca ainda o prêmio Terezinha Verrastro, como melhor trabalho em Hematologia do Congresso Brasileiro de Hematologia – HemoPlay 2020 e a indicação pelo Coordenador Geral do Hemocentro Unicamp para o cargo de Coordenador da Divisão de Hemoterapia do Hemocentro da mesma universidade, em dezembro de 2020.

No prelo – Benites terá sua assinatura em artigo na revista Transfusion News no qual relata os avanços da aplicação de programas “Patient Blood Management” no Brasil e América Latina.

Imagens moleculares de doenças

O médico e professor Paulo Rosado de Castro, da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Rede D’Or São Luiz, participa do Programa Jovens Lideranças Médicas da ANM. O programa visa estimular a produção médico-científica em prol da saúde da população.

Entre as várias atividades e orientações de alunos, Rosado de Castro é mais um profissional de saúde que se dedica ao enfrentamento da pandemia por covid-19. No momento, avalia, através de exame de tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT), a inflamação pulmonar no pacientes pós covid-19, comparando com marcadores inflamatórios no sangue, em colaboração com a médica Rosana Rodrigues. Além disso, ele se aperfeiçoa em pesquisas de imagens moleculares de doenças crônico-degenerativas como câncer, demências e infecciosas como a doença de Chagas e a tuberculose.

Para conhecer mais das pesquisas desenvolvidas pelo médico Rosado de Castro, acesse o link: http://ow.ly/S6SB50DiXv.

Transplante de fígado

O médico Yuri Longatto Boteon participa do Programa Jovens Lideranças Médicas da ANM e, em 2020, uma grande conquista para a sociedade brasileira e, quiçá, internacional. 

Ele trabalha na equipe de transplante de fígado do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e participa de um projeto de implementação de nova tecnologia para preservação de órgãos de doadores de fígado – uma máquina de preservação hepática. 

Entre os artigos publicados por Boteon, um deles faz a descrição sobre a diminuição da recorrência de tumores após o transplante por carcinoma hepatocelular quando usado o dispositivo inovador e que pode mudar as perspectivas de quem precisa de um transplante de fígado.

No Brasil, a demanda por fígados de doadores extrapola em muito a oferta. A necessidade é mais do que o dobro dos doadores. Em 2019, foram realizados em todo o país 2.245 transplantes e estima-se que a necessidade era de 5.212 fígados. Outro dado importante é que apenas 52% dos doadores elegíveis tiveram seus órgãos transplantados, ou seja, 48% de órgãos que poderiam ter sido transplantados, não foram utilizados.

Para quem quiser saber mais sobre o assunto, o artigo de Boteon, intitulado “Perspectiva para a máquina de perfusão hepática ex situ no Brasil” foi publicado em português na Revista do Colegio Brasileiro de Cirurgiões e o link é https://www.scielo.br/scielo.php.

Neuropsicovida

Fomos invadidos por uma pandemia e os profissionais de saúde sofreram demais diante do risco eminente de colapso dos sistemas, além da contaminação individual. Quais os efeitos sobre a saúde desses profissionais? A médica Maria Helena Rigatto, do Programa Jovens Lideranças Médicas da ANM, fez parte de um grupo de professores que organizou a pesquisa Neuropsicovida, contemplado em edital Fapergs

O projeto consiste em uma pesquisa de longo prazo com profissionais da saúde acometidos pela covid-19 e outros não para avaliação de desfechos neuropsiquiátricos. A pesquisa com previsão de um ano utiliza sistema inovador em aplicativo móvel para realização de testes cognitivos e motores, através de sistema de giroscópio de celulares, permitindo uma adaptação de testes para monitoramento a distância. 

Além disso, Rigatto atuou na Escola de Medicina da PUCRS, buscando soluções para a migração ao sistema de ensino online e a incorporação de novas técnicas de ensino e aprendizado. 

Aproveitando a experiência de ensino a distância, publicou um capítulo em livro da Escola de Saúde Pública de Harvard, dos Estados Unidos. Para quem quiser saber mais, o título do livro é “Evidence-based analysis of technology in teaching & learning: The eeal effect of technology-based methods in educational programs” e o capítulo assinado por Rigatto é “Translating problem-based learning into a digital format: the digital problem-based learning” e está disponível no link  

Humanismo e espiritualidade

“Ao refletirmos sobre clínica, humanismo e espiritualidade, estamos fazendo um ato de resistência moral, frente ao amargor de termos de conviver com centenas de milhares de mortes prematuras e a amargura de presenciar o vagalhão anti-humanista que se espalha em nosso país”, com essa crítica social e citando a homenagem ao acadêmico Ricardo Cruz, que veio a óbito no final do ano passado, Paulo Blank, psicanalista e escritor, iniciou as apresentações da sessão do Programa de Verão Humanismo e Espiritualidade, realizada no dia 4 de fevereiro de 2021. 

O psicanalista, ao iniciar sua reflexão, traça paralelos com os valores judaico-cristãos que, segundo ele, implantaram o humanismo e são aparentemente religiosos, mas que levaram o Ocidente à revolução iluminista, à afirmação dos direitos universais, ao projeto de Fraternidade, Liberdade e Igualdade. Fatos que inspiraram o filósofo judeu Emmanuel Levinas e que o conduziram até a conclusão de que é a relação com o outro que nos leva à verdadeira experiência da transcendência, ou seja, é no convívio real que a espiritualidade humana se expressa e se realiza. 

“Falamos de um próximo que não é o terceiro que está diante de mim, e sim um terceiro ausente. Um desconhecido ao qual eu protejo quando visto uma máscara ao sair de casa – marca que distingue os humanistas contemporâneos dos opositores de uma humanidade solidária responsável. Não usamos máscaras por compaixão etérea, mas por exercício de justiça”, elucida Blank. 

Passando da discussão do humanismo como relação entre os seres humanos, a sessão nos brindou com a palestra de Paul Alexander Schweitzer, padre e matemático da PUC-Rio que falou profundamente da ciência e fé, daquilo que é tangibilizado pelas ciências exatas, mas encontra no mistério da fé questões ainda não respondidas. Em sua apresentação, Pe Paul falou sobre teoria do Big Bang, explicou o princípio antrópico, apontando reflexões sobre a criação do universo que “não é uma prova inquestionável da ação direta de Deus criador em favor do ser humano” e trouxe perguntas fundamentais como: “Por que algo existe, em vez de nada?”; “Por que há uma ordem no Cosmos, ao invés do caos”; “Por que as leis da natureza são estáveis?”. Segundo ele, as respostas são metafísicas, religiosas, de fé, são as pegadas de Deus criador. 

Pe Paulo finalizou com uma mensagem de cuidado pelo mundo a construir. “Em sintonia com esse Cosmos maravilhoso que nos nutri, cuidemos pela casa comum. Criemos um mundo de fé, de amor, de paz, pois nós somos as mãos de Deus na construção do futuro. A paz e a confiança, respeitando a todos, cultivando uma espiritualidade, contribuimos para a saúde”. 

Maria Clara Lucchetti Bingemer, do departamento de Teologia da PUC-RJ, que coordenou a sessão, falou sobre saúde e salvação. Ela expõe que tudo que está relacionado com a humanidade e o ser humano, considerando constitutivas a espiritualidade e a saúde. Ela faz paralelos com a Bíblia que, constantemente, apresenta passagens que citam enfermos e a busca da cura e salvação através da espiritualidade, pelos atos milagrosos e de compaixão de Jesus Cristo. “Na Bíblia, a saúde é um bem relacionado mais que à vida, ao autor da vida. A Deus mesmo. A saúde então é um dom divino, uma benção dentre tantas outras.”, disse ela.  

Para Maria Clara, há um ponto central na Bíblia cristã que aponta a espiritualidade, que significa responsabilidade pela vida do outro, lugar fundamental da salvação, em que Jesus relaciona às atitudes para com o próximo necessitado. Segundo ela, não existe salvação sem vida plena, sem cuidado e atenção à nossa corporeidade; do outro e da Terra também, já que uma espiritualidade integradora não pode esquecer o meio ambiente que vivemos e dependemos. E finaliza sua apresentação recitando Adélia Prado: “Eu tenho a esperança de que nada se perde. Tudo alguma coisa gera, o que parece morto, aduba. O que parece estático, espera”. 

O acadêmico e ex-presidente da ANM, Jorge Alberto Costa e Silva, encerrou a sessão com comentários sobre as palestras e fez relatos pessoais sobre o quanto se identificou com os temas abordados.  

Humanismo e espiritualidade

Espiritualidade e clínica terapêutica; Fé e ciência; Saúde e salvação são os temas deste imperdível Curso de Verão promovido pela Academia Nacional de Medicina. A live será nesta quinta (4/2), a partir das 17:00, nos canais da ANM: Facebook/acadnacmed ou pelo zoom/anmbr.

Entre os convidados o psicanalista e escritor Paulo Blank; o padre Paul Alexander Schweitzer, do Departamento de Matemática da PUC-RJ; Maria Clara Lucchetti Bingemer, do Departamento de Teologia da mesma universidade; e comentários do ex-presidente da ANM, Jorge Alberto Costa e Silva. O evento é gratuito e não precisa de inscrições. 

#saúde #esperitualidade #fé #ciência.

Serviço:
Data: 04/02/2021
Horário: 17:00
Local: Facebook/acadnacmed e zoom/anmbr

Gargalos no tratamento e aquisição de insumos contra a covid-19

“A seringa é um insumo de uso único, diferente de outros insumos como máscaras, luvas, capotes que você pode utilizar em mais de um paciente. Mas, com planejamento e organização não faltarão seringas para vacinação contra a covid-19”, enfatizou o médico Paulo Fraccaro, Diretor, da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e do Laboratórios (Abimed).

Para ele, as indústrias nacionais conseguem suprir as demandas com um cronograma planejado. “Não iremos vacinar toda população do país ao mesmo tempo. Com isso, o planejamento é totalmente viável para as fábricas atenderem as demandas do país”.

Essa apresentação aconteceu durante livepromovida pela Academia Nacional de Medicina (ANM), “Limitações hospitalares no atendimento a pacientes graves com covid-19”, que aconteceu no último dia 29/1 e contou com a abertura dos presidentes da ANM, Rubens Belfort Jr., e Acácio Lima, da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil. 

Na oportunidade, Belfort Jr destacou: “a pareceria entre as academias é fundamental e valiosa para disseminação de informações relevantes sobre a ‘covidemia’. A falta de comunicação significa falta de transparência nas ações e todos perdem”, enfatizou o presidente.

“Esse ano aconteceu a história. Por exemplo, os ventiladores mecânicos se transformaram em um tema comum para todas as pessoas e não só para os especialistas de UTI”, comentou o médico Jorge Bonassa. Ele conta que, no início da pandeia, o país tinha cerca de 65 mil respiradores disponíveis entre o SUS (45 mil) e a rede privada. Os EUA doaram 600 equipamentos e 1.500 foram importados da Turquia. Mas isso ainda era pouco para suprir a demanda nacional. A solução foi a indústria nacional suprir essa falta. O Brasil conta com quatro indústrias que conseguiram dentro das normas de certificações produzir 13 mil novos equipamentos.

“Já alguns modelos de ventiladores mecânicos importados não estão dentro do ecossistema do nosso parque industrial. Dessa forma, a utilização e manutenção são questões ainda em aberto.”

O acadêmico Marcelo Morales apresentou a Rede MCTI e como ela atua para reduzir o impacto deletério da falta de suprimentos. “Temos sempre destacado a importância da ciência na pandemia, pois é com ciência e tecnologia que conquistamos a soberania e a independência. Temos obrigação através da ciência e tecnologia antecipar os problemas que podemos ter. Esse é o grande desafio. Os problemas podem ser mitigados com ciência.”, destacou o acadêmico.

A Rede MCTI é uma congregação de especialistas de notório saber, especialistas do Ministério da Saúde e outras instituições que norteiam também ações para pesquisa do sequenciamento do vírus.

O evento contou com ainda com as seguintes palestras e conferencistas: “Medicamentos necessários para intubação traqueal e ventilação mecânica em pacientes com covid-19”, com Jorge Afiune, Diretor Médico da Cristália; “Frente à limitação de insumos e ventiladores, como tratar os pacientes críticos com covid-19”, com Felipe Saddy, responsável pela Unidade Ventilatória do Rede D’Or São Luiz; “Agulhas e seringas” com Walban Damasceno de Souza, Presidente do Conselho da Abimed– B&D e “Oxigenioterapia, consumo atual e como economizá-lo’, com Marcelo Viana, chefe da Fisioterapia Respiratória do Hospital Samaritano. Os comentários foram dos acadêmicos Carlos Alberto de Barros Franco, José Luiz Gomes do Amaral e Patrícia Rocco. 

Humanismo & Medicina Narrativa

“Algumas mortes nos chocam mais do que outras, seja porque nos tocam mais individualmente ou porque movem uma parte maior da sociedade”. Com essas palavras, a acadêmica Talita Romero Franco abriu sua homenagem pessoal ao acadêmico Ricardo Cruz, que veio a óbito no final do ano passado. O depoimento ocorreu na sessão de Verão Humanismo & Medicina Narrativa, na última quinta-feira (28/1/21), destacando a brilhante atuação do médico em sua carreira e os impactos positivos causados pelo mesmo.

As apresentações foram abertas pela coordenadora e professora Ana Mallet, da UFRJ e Universidade Estácio de Sá, que compartilhou sua experiência com um grupo de humanidades e literatura – que deu a oportunidade de lançamento do livro ‘Literatura e Medicina: uma experiência de ensino’. Fazendo uma breve narração sobre a trajetória do acadêmico Ricardo Cruz, passando por seu casamento com sua ex-paciente, a professora tratou de trazer uma reflexão sobre Medicina Narrativa, cujo foco é na pessoa e não na doença. “Narrar é uma das formas pelas quais procuramos sentido nas nossas existências”, destacou.

A análise da narrativa da perspectiva da interação social foi o foco da apresentação de Branca Telles Ribeiro, da UFRJ/Lesley University/Cambridge. Os pilares principais residem nas noções que devem ser privilegiadas no olhar literário, sendo essas a perspectiva do observador ou do protagonista, as interações entre personagens e o contexto no qual as relações humanas são tecidas.

O estudante de medicina Laio Terranova emocionou a todos os presentes com um relato extenso e comovente sobre a anamnese atípica de um paciente, denominado N.D.L., usando das boas práticas da Medicina Narrativa, passando por sua história de vida até o momento em que, infelizmente, veio a óbito devido a um câncer.

Eloisa Groissman, da Uerj, recitou um poema para convidar os últimos participantes da noite. Munira Alex Proença, da UFRJ, deu seguimento com sua visão sobre a Medicina Narrativa, afirmando que, embora a doença ocupe um lugar, a ênfase se dá nas pessoas do paciente e do médico – portanto, na conhecida relação médico-paciente, que serve para fornecer dados importantes no diagnóstico e para conduzir a boa execução do trabalho assistencial exigido.

A sessão foi encerrada por Ivan Antonello, da PUC-RS, que compartilhou sua experiência com um paciente no qual se viu em posições “alteradas”, uma vez que o sofrimento do diagnóstico foi sentido por ele, o médico. “É muito importante percebermos que nós somos médicos, enfermeiros, profissionais de saúde, mas nós também podemos ser pacientes numa relação com o outro”, finalizou.

Academias de Medicina discutem pandemias

Um encontro memorável reuniu diversas Academias brasileiras de Medicina, além de outras entidades médicas para trazer reflexões sobre pandemias ao longo dos séculos e como os fatos históricos podem nos ajudar a não errar mais no enfrentamento nacional da atual pandemia pelo coronavírus. 

Entre os convidados, o ex-Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que traçou uma linha do tempo da atual epidemia pelo coronavírus sob a influência política do governo. Mandetta contou durante a liveos primórdios da epidemia em Wuhan, na China, e como o Ministério da Saúde monitorava dia a dia a explosão de casos na Ásia, a chegada ao continente europeu e depois no Brasil. Quais as ações foram tomadas inicialmente e, como ao longo da evolução, as interferências políticas inviabilizaram as ações e estratégias adotadas para enfrentar o SARS-CoV-2.

O presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., um dos organizadores do evento, ressaltou o importante papel desempenhado pelo ex-Ministro Mandetta e agradeceu, simbolicamente, em nome dos brasileiros.

Várias pandemias foram ainda abordadas pelo infectologista Stefan Cunha Ujvari que apontou, ao longo da história da humanidade, os exemplos da peste negra, do vírus da varíola, sarampo, dengue, aids, influenza, outros coronavírus e a sífilis e trouxe curiosidades como a origem do termo quarentena que foi instituído com bases nas histórias religiosas, assim como acreditava-se que as epidemias eram castigo de Deus.

O evento “Encontro de Academias de Medicina. Pandemias: passado e futuro” contou ainda com a participação dos médicos José Luiz de Lima Filho e Euler Esteves Ribeiro. A organização da livereuniu o José Luiz Gomes do Amaral, presidente da Academia de Medicina de São Paulo, além de membro titular da ANM, o vice-presidente da ANM, Omar da Rosa Santos, Vicente Herculano da Silva, da Federação de Brasileira de Academias de Medicina.

Gargalos no atendimento de pacientes com covid-19

Gargalos no atendimento de pacientes com covid-19

Falta de ventiladores mecânicos, oxigênio para pacientes graves, medicamentos necessários para intubação traqueal, demanda crítica de agulhas e seringas para terapia intensiva e para uso de vacinas. Estes são alguns dos gargalos que serão discutidos na live “Limitações hospitalares no atendimento a pacientes graves com covid.”

O evento é promovido pela Academia Nacional de Medicina (ANM), nesta sexta-feira (29/1), das 9:00 às 12:00, nos canais virtuais Facebook/acadnacmed ou pela plataforma zoom/anmbr.

Organizado pelos acadêmicos Patrícia Rocco, Carlos Alberto Barros Franco e José Luiz Gomes do Amaral, terá abertura dos presidentes da ANM, Rubens Belfort Jr., e Acácio Lima, da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil. Entre os convidados, Marcelo Morales, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; Jorge Afiune, diretor médico da Cristália; Paulo Fraccaro, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e dos Laboratórios; Felipe Saddy, da Unidade Ventilatória do Hospital Copa D’Or; Marcelo Viana, chefe da Fisioterapia Respiratória do Hospital Samaritano; Walban Damasceno de Souza, presidente do Conselho da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia em Produtos para Saúde.

O evento é gratuito e não precisa de inscrições. Para saber mais, acesse https://www.anm.org.br/limitacoes-hospitalares-no-atendimento-a-pacientes-graves-com-covid-19/.

Serviços:
Data: sexta-feira (29/1/21)
Horário: das 9:00 às 12:00
Local: virtual Facebook/acadnacmed ou zoom/anmbr

Vacinação maciça é indispensável, mas insuficiente

O presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr., e os ex-presidentes da ANM, Jorge Alberto Costa e Silva, Francisco Sampaio e Pietro Novellino, assinam artigo no Jornal O Estado de São Paulo sobre a vacinação e covid. 

Segue a íntegra o artigo:

Vacinação maciça é indispensável, mas insuficiente

O Brasil, finalmente, iniciou a vacinação contra a Covid-19. Avançamos, mas já estão faltando vacinas e, em breve, a situação ainda piorará durante o processo de vacinação. Com certeza, a vacina é um grande marco que possibilitará também a redução das internações e dos casos graves da doença, mas não devemos ter a ilusão que, de um dia para outro, tudo vai mudar. Os brasileiros precisam se conscientizar que medidas de segurança devem permanecer entre nós por muitos meses a mais. O uso permanente de máscaras, a lavagem das mãos de forma correta e rotineira e evitar as aglomerações são atitudes que precisam ser mantidas.

Já se sabe que não existe nenhum tratamento preventivo e, por isso, não devemos dar falsas esperanças, que podem diminuir as medidas de segurança e levar ao relaxamento da prevenção. Todos temos responsabilidade e os exemplos continuam, mais do que nunca, a serem as armas mais poderosa para manter o comportamento correto de toda a sociedade.

A Covid-19 é uma doença que não possui remédios milagrosos e deve ser avaliada e acompanhada exclusivamente por médicos e profissionais de saúde que seguem protocolos e evidências científicas. 

Nosso Programa Nacional de Imunizações tem como marco o ano de 1973, com o término da campanha de erradicação da varíola no país, iniciada em 1962. Ao longo das décadas, transformou-se em exemplo brasileiro de sucesso em todo o mundo, pela sua capacidade de articulação em aplicar mais de 10 milhões de doses de vacinas em áreas urbanas e rurais, em um único dia. São mais de 300 milhões de doses de vacinas por ano para estados e municípios, incluindo crianças, adolescentes, adultos e idosos. Felizmente, a população brasileira aprendeu a confiar nas vacinas e o nosso país tem uma das maiores taxas de aceitação vacinal. Motivo de orgulho. 

O Programa Nacional de Imunização, o Sistema Único de Saúde (SUS), a integração entre gestores municipais, estaduais e o governo federal são fundamentais de serem reforçados e seguidos por todos. O Brasil precisa de dirigentes honestos e competentes, mais do que nunca. Temos que blindar e proteger a população contra o vírus e também contra os falsos líderes.

A vacina representa proteção individual e também da família. É um ato de solidariedade e de vida e um direito de todos. Só assim, iniciaremos uma nova fase que nos levará a vencer a doença e, com calma e respeito, chorar os que faleceram em virtude da Covid-19 e, em paz, nos solidarizar com todos os brasileiros.

A Academia Nacional de Medicina, uma instituição quase bicentenária, se mantém otimista quanto ao futuro, mas preocupada com o presente e as ações equivocadas do passado e lamenta as muitas mortes desnecessárias ocorridas e que ainda ocorrerão, pelo atraso na vacinação e pela liderança mentirosa de muitos. Com o uso da vacina, medidas de proteção individuais e coletivas, acompanhamento médico e o apoio aos avanços da ciência, ao lado de bons exemplos e da execução adequada de planejamento estratégico, poderemos iniciar uma nova fase e vencer a doença.

A comunidade científica em um ano trouxe a vacina. A luta continua. Estamos em guerra. Contra o vírus, a ignorância e os inimigos internos. Os primeiros medicamentos reais estão sendo desenvolvidos e, talvez, disponíveis nos próximos meses. Grandes esperanças. A comunidade cientifica brasileira tem competência e precisa participar desses estudos. Necessitamos, no entanto, de recursos e flexibilização de regras para sermos competitivos e rapidamente fazermos os avanços acontecerem no Brasil.

Vacinem-se! Exijam a vacina!! Mas continuemos todos usando máscaras, praticando o isolamento social e lutando!

Rubens Belfort Jr, Presidente da Academia Nacional de Medicina

Jorge Alberto Costa e Silva, Ex-Presidente da Academia Nacional de Medicina

Francisco Sampaio, Ex-Presidente da Academia Nacional de Medicina 

Pietro Novellino, Ex-Presidente da Academia Nacional de Medicina

Para quem tem acesso ao Estado de São Paulo, o link do artigo é https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,vacinacao-macica-e-indispensavel-mas-insuficiente,70003590687?utm_source=estadao:app&utm_medium=noticia:compartilhamento

De corpo e alma

“Machado de Assis foi membro da Academia Imperial de Medicina, hoje, ANM. No final de sua vida, a epilepsia era nítida e sofrida – motivo de grande embaraço para Machado. Para ele, era a sombra da loucura. Ele se referia à doença como ausência do corpo e da alma”, destacou Hélio de Seixas Guimarães, da USP, durante o Programa de Verão da Academia Nacional de Medicina, realizado no dia 21 de janeiro de 2021.

“Há sempre um risco de redundância ao se falar de Machado de Assis, sobretudo quando se trata de psiquiatria e como ele narrava a alma humana. Nos aspectos psicológicos em seus escritos, ele relatou a inveja, as angústias, as paixões, o orgulho, a rivalidade, o conflito entre o bem e o mal e trouxe uma riquíssima contribuição à psiquiatria”, acrescentou Marco Antônio Brasil, da Faculdade de Medicina da UFRJ.

Ainda segundo Marco Antônio Brasil, Machado de Assis iniciou uma análise profunda da alma humana e antecipou muito para psiquiatria. “Ele tornou-se o primeiro antipsiquiatra do mundo e legitimou a loucura.” 

Citando uma cena de Quincas Borba da obra Machadiana, Marco Antonio descreve a cena em que, diante de uma casa em ruínas, o personagem da ficção pergunta: “posso acender um charuto?” Segundo o palestrante, uma analogia à questão da dor alheia; descrita também por Susan Sontag como a exposição da dor alheia e o suporte da imagem na contemporaneidade”.   

Segundo Sigmund Freud “os poetas e os filósofos descobriram antes de mim o inconsciente, o que eu descobri foi o método científico que o inconsciente pode ser estudado”.  O limite que se descreve entre o estado mental normal e o patológico é tão convencional e variável que é prova que cada um de nós o transponha um dia,” complementou.

Machado de Assis era conhecido por seu pessimismo irônico, mas em uma frase ele destaca a esperança, que serve bem para os tempos atuais que vivemos: “Essa persistência em crer, quando tudo se ajusta, para descrer, mostra que a pessoa é forte. Fé e esperança, uma não caminha sem a outra,” finalizou.

O encontro virtual contou ainda com as palestras: “A convulsão do corpo: o Machado de Silviano Santiago”, com Pedro Meira Monteiro, da Princeton University, dos Estados Unidos; “Sintoma, doença e delírio: dissimulações machadianas”, com Marta de Senna, também da UFRJ e da Fundação Casa de Rui Barbosa; e os comentários do acadêmico Mário Barreto Corrêa Lima.

O inédito Programa de Verão da Academia Nacional de Medicina faz parte da série de eventos em homenagem ao acadêmico Ricardo Lopes da Cruz (in memoriam– 1954/2020).

O simpósio foi presidido pelo acadêmico Marcello Barcinski e teve a coordenação da médica Marta de Senna. “Ricardo Cruz é referência em aproximar a medicina a diferentes áreas do saber. Por isso, estamos prestando essa homenagem a ele”, destacou Barcinski.

“A inteligência transbordava nele, um homem que se destacou em tudo que fez. Ricardo Cruz era particular, próprio, ele não era igual a outras pessoas. Ele colocava a marca de sua excelência em tudo que fazia. Ele era um ponto fora da curva. Entendia a alma humana e a alma da ANM, um dom. Ricardo faz e fará muita falta. Meu amor por ele”, desabafou emocionado o acadêmico José Horácio Aboudib Jr.

Machado de Assis de corpo e alma

Nesta quinta-feira (21/1), a Academia Nacional de Medicina promove inédito Programa de Verão e traz aspectos machadianos para abordar a saúde. O evento faz parte da série Humanismo & Saúde, em homenagem ao acadêmico Ricardo Lopes Cruz (in memoriam), falecido em virtude da covid-19.

Na programação desta semana, “Epidemias e interesses em Machado de Assis”, com o pesquisador Helio de Seixas Guimarães, da USP; “A psiquiatria de Machado de Assis”, com o médico Marco Antonio Brasil, da Faculdade de Medicina da UFRJ; “A convulsão do corpo: o Machado de Silvano Santiago”, com Pedro Meira Monteiro, da Princeton University, dos Estados Unidos; e “Sintoma, doença e delírio: dissimulações machadianas, com Marta de Senna, pesquisadora da Casa de Rui Barbosa e da UFRJ.

O evento acontecerá das 17:00 às 19:00, em nossas plataformas virtuais: Zoom Meeting/anmbr ou Facebook Live/acadnacmed.

A programação completa pode ser conferida no link https://www.anm.org.br/programa-de-verao-humanismo-literatura-machado-de-assis-de-corpo-e-alma/

Vacina já e máscara sempre

Academia Nacional de Medicina lança campanha Vacina já e máscara sempre. Importante frisar que a chegada da vacina não significa que poderemos sair livremente sem os cuidados essenciais enquanto persistir a pandemia:

  1. O uso de máscaras deve continuar o tempo todo em que estivermos nas ruas ou recebendo pessoas em casa;
  2. O distanciamento social deve ser mantido. Evitar ao máximo e sempre que possível as aglomerações. Esta é ainda uma das melhores formas de se evitar o contágio;
  3. O uso de álcool em gel, assim como a lavagem das mãos de forma constante. Espalhe essa ideia!

O impacto das doenças na obra de grandes compositores

“De tudo ficaram três coisas: a certeza de que estamos a começar, a certeza de que é preciso continuar, a certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar”. 

Esta é frase do escritor Fernando Sabino, recitada pelo Secretário Geral da Academia Nacional de Medicina (ANM), Carlos Eduardo Brandão, no Programa de Verão: Humanismo & Música. O evento ocorreu na última quinta-feira (14), em homenagem ao acadêmico Ricardo Cruz, e mediado pelo acadêmico Marcello André Barcinski.

Após uma linha do tempo em fotos, que narrou a relação do ilustre acadêmico – que nos deixou no final de 2020 devido às complicações da covid-19 – com a ANM, desde os primeiros contatos aos últimos encontros, a sessão foi aberta pelo musicista Rafael Fonseca, do canal Guia dos Clássicos, definindo o tom de um encontro totalmente guiado pela música clássica como pano de fundo.

Rafael Fonseca, estudioso da música desde jovem, traçou uma análise aprofundada da obra de Beethoven e o impacto que a surdez apresentou em sua sonoridade. Segundo o apresentador, a carreira do célebre pianista pode ser dividia em três fases – a última, portanto, fortemente marcada pela perda da audição, que age não somente como uma subtração da habilidade musical, mas como uma abstração criativa que possibilitou a imaginação de novas estéticas na música.

Essa abertura no campo criativo também foi a premissa da análise do médico Matheus Kahakura, neurologista e neurorradiologista intervencionista do Instituto de Neurologia de Curitiba, também versado em música clássica, que seguiu a sessão com uma análise dos impactos da neurossífilis nas obras de Smetana e Donizetti, trazendo a história clínica de sintomas apresentados pelos compositores e observando suas obras a partir de um ponto de vista científico da doença.

Uma tarde memorável em homenagem a Ricardo Lopes Cruz.

Diplomacia da saúde e covid-19

O acadêmico Paulo Buss juntamente com Luiz Eduardo Fonseca acabam de lançar o livro “Diplomacia da saúde e covid-19: reflexões a meio caminho” – uma coletânea com análises produzidas sobre as respostas do multilateralismo ao novo coronavírus, abrangendo ações internacionais sobre o enfrentamento da crise sanitária até o caminho percorrido de pesquisas técnicas produzidas pela Fiocruz. Para baixar gratuitamente, acesse http://books.scielo.org/id/hdyfg.

ANM promove Programa de Verão

“Humanismo e música. O impacto das doenças na obra de grandes compositores” é o tema do inédito programa de verão da Academia Nacional de Medicina (ANM). Uma homenagem ao acadêmico Ricardo Lopes Cruz.

Serviço
Data: 14 de janeiro de 2021, quinta-feira
Horário: Das 17h às 19h
Acesso: Plataforma Zoom Meeting: anmbr ou pela fanpage da ANM: https://www.facebook.com/acadnacmed

Confira a programação
17h – Abertura e Considerações Iniciais, com o Presidente da ANM, Acad. Rubens Belfort Jr. e a coordenação do Acad. Marcello Barcinski

17h10 – Homenagem a Ricardo Cruz conduzida pelo Acad. Carlos Eduardo Brandão

17h20 – “O efeito da surdez na mudança estética da música de Beethoven”
Rafael Fonseca (Guia dos Clássicos YouTube – RJ)

17h50 – “O impacto da neurossífilis na vida e na obra de Donizetti e Smetana”
Matheus Kahakura (Instituto de Neurologia de Curitiba)

18h20 – Comentários: Acad. Gilberto Schwartsmann

18h35 – Perguntas e Discussão Geral

CARLOS PAIVA GONÇALVES FILHO

É com imenso pesar que a Academia Nacional de Medicina (ANM) comunica o falecimento, no dia 02 de janeiro de 2021, do seu membro titular, o acadêmico Carlos Paiva Gonçalves Filho.

Paiva Gonçalves Filho graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-1954), onde também concluiu o doutorado em 1963. Possuía ainda especialização em Oftalmologia pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (1958).

O acadêmico foi idealizador da cânula de aspiração/irrigação para a cirurgia de catarata. Paiva Gonçalves Filho recebeu diversos prêmios e homenagens, participou de congressos nacionais e internacionais, teve dezenas de trabalhos publicados e integrou comissões examinadoras de concursos. 

Foi membro de diversas sociedades de oftalmologia, entre as quais a Sociedade Brasileira de Cirurgia Refrativa e a Sociedade de Professores de Oftalmologia do Estado do Rio de Janeiro, sendo um dos fundadores e Secretário Geral da 1ª Diretoria. Eleito para o Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Oftalmologia. Integrante de Comissões da Diretoria do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Diretoria da Sociedade Brasileira de Oftalmologia; Membro do Conselho Editorial dos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia. Membro da Câmara de Oftalmologia do Cremerj.

O acadêmico faleceu aos 91 anos. Aos familiares e amigos do oftalmologista Carlos Paiva Gonçalves Filho, a Academia Nacional de Medicina presta toda sua solidariedade.

Confira a íntegra da biografia do acadêmico: https://www.anm.org.br/carlos-paiva-goncalves-filho/.

Deolindo de Souza Gomes Couto

Um dos decanos da Academia Nacional de Medicina (ANM), o acadêmico Deolindo de Souza Gomes Couto, faleceu, ontem, dia 21 de dezembro de 2020.

A ANM expressa seu mais profundo pesar pela perda de mais um confrade em decorrência da covid-19.

Nascido no Rio de Janeiro, o acadêmico tinha 89 anos. Graduou-se em Medicina na Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1955.

Frequentou, nos anos de 1951 a 1953, o Serviço de Clínica Médica do professor Magalhães Gomes, na Santa Casa de Misericórdia. Concluiu Doutorado em 1960 e, em 1963, foi diplomado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em curso de Cirurgia Cardíaca, ministrado pelo professor Euryclides de Jesus Zerbini.

Foi professor de Clínica Cirúrgica, na UFRJ e na Gama Filho, e de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental, na UFRJ e na Universidade Federal Fluminense. Professor de Anatomia e Fisiologia na Sociedade Pestalozzi do Brasil. Foi membro fundador e professor da Escola de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas, da Faculdade Nacional de Medicina da UFRJ.

Chefe e organizador do Serviço de Cirurgia dos Servidores da 9ª Enfermaria do Hospital-Escola São Francisco de Assis da Universidade do Brasil (1963 a 1971); chefe da Seção de Cirurgia Geral do Serviço de Cirurgia Pélvica do Instituto Fernandes Figueira (1965); chefe do Departamento de Cirurgia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro (1968 a 1998).

Membro do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Associação Brasileira de Educação; Fellow do International College of Surgeons e da Society of Tropical Medicine and Hygiene de Londres. Ganhou diversos prêmios, entre eles, o Prêmio Alvarenga, pela Academia Nacional de Medicina (1964); Gerhard Domagk, pela Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (1965) e Brant Paes Leme, pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões (1958). Participou de simpósios e congressos, no Brasil e no exterior.

Ao longo da vida, o  acadêmico Deolindo Couto publicou dezenas de trabalhos e artigos, podendo-se destacar “Bases anátomo-técnicas da mobilização do colo nas esofagoplastias” e “A incisão de Davis nas apendicectomias”, ambos pela Revista Brasileira de Cirurgia.

Na ocasião de sua candidatura a Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, apresentou memória intitulada “Bases fisiopatológicas e indicações do tratamento cirúrgico da hipertensão portal causada pela forma hepatesplênica da esquistossomose mansoni”. Em 1999, tornou-se Membro Emérito da ANM.

Vacina já!

“Agora é hora de uma campanha pela ‘vacina já!’ A vacinação como parte de um programa sólido de luta para termos um menor número de perdas e de prejuízo na economia”, enfatizou o presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Rubens Belfort Jr., na abertura da Sessão Extraordinária, “Evidências científicas e Covid-19: Propostas para enfrentar o terrível cenário que se anuncia e o papel das entidades científicas e academias”, realizado dia 22 de dezembro de 2020, pelas plataformas on-line da ANM.

Na oportunidade, o presidente também destacou a importância do esclarecimento da população em relação à vacina. “Não será uma batalha fácil, pois temos um governo vazio, com características de acefalia e comportamentos nefastos que fazem um desserviço a população. E, a sociedade precisa de bons exemplos. Hoje, os meios de comunicação mudaram e temos capacidade de multiplicar informação científica relevante até através de influencers das redes digitais. Uma vez que o afastamento social, desses novos tempos, nos impede de usar mecanismos como atos públicos para sensibilizar os governos e a sociedade sobre a importância da vacinação”, enfatizou Belfort Jr.

Para o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, é fundamental que as academias e entidades de classe científicas saiam de “suas bolhas”, ou seja, dos debates apenas com os pares e falem diretamente com a população.

“A educação básica é fundamental no país. A questão da desigualdade social atrapalha a disseminação do conhecimento e, consequentemente, a democracia. Mas a solidariedade e a empatia podem salvar vidas. É hora de buscarmos alianças para educar e propagar informação correta para a sociedade, esclarecer como funciona a ciência, uma vez que temos um governo que não ajuda. Pelo contrário, temos autoridades que aparecem em público sem usar máscaras de proteção e propagam que as vacinas podem ter efeitos colaterais alucinantes, numa tarefa totalmente deseducativa”, desabafa Davidovich.

Marco Lucchesi, presidente da Academia Brasileira de Letras, engrossou o coro sobre o momento estratégico que estamos vivendo e afirmou que é necessário fazermos uma releitura de tudo que realizamos até agora. Lucchesi também esclarece que aliança é mais que consenso, e as estratégias de vacinação devem ser elaboradas com sabedoria e de forma laica. 

“A religião que não dialoga com a ciência presta um enorme desserviço à população! Não busquemos o que nos separa. É o momento de esquecer o que nos separa, pois adesões políticas nesse cenário são suicidas e camicases. Não vamos abrir trincheiras e sim criar alianças. Criar possibilidades inteligentes de aproximação e diálogo,” sugeriu o presidente da ABL.

“Fomos atingidos por um meteoro, essa é a sensação que a pandemia do novo coronavírus nos deu. Mas precisamos destacar a grande quantidade de conhecimento científico produzido nesse período, sem precedentes” enfatizou o presidente da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, Acácio Sousa Lima.

Segundo Acácio, nesse turbilhão, a produção de vacinas passa a ser o foco de grandes laboratórios da indústria farmacêutica, “mas todos nós, de alguma forma aprendemos a utilizar os recursos tecnológicos disponíveis, até mesmo para estarmos aqui nesse debate tão rico”, finalizou.

Entre as propostas para enfrentar o terrível cenário que se anuncia na vacinação em massa contra covid, os convidados levantaram ainda a importância de um plano nacional de enfrentamento da doença com uma coordenação unificada com baseada no SUS e no Programa Nacional de Imunizações. Além disso, vários palestrantes abordaram o pleito de mais recursos para o SUS e a ameaça de cortes de cerca de R$ 40 bilhões na saúde pública em 2021, o que está em votação no Congresso Nacional.

O presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, falou que a vacinação contra covid-19 no Brasil não pode ser partidarizada em detrimento do interesse da população nesse momento de tragédia. Comentários que foram ampliados pelo presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Ildeu de Castro Moreira, que ponderou a importância de alianças das entidades científicas e Academias contra o obscurantismo e as fake news.

O vice-presidente da Federação Brasileira de Academias de Medicina, José Luiz Gomes do Amaral, questionou os cerca de 150 participantes sobre o momento no qual a sociedade brasileira falhou em uma educação e saúde para todos. “Estamos vivendo uma tempestade perfeita. Não há educação, não há política sanitária, não há economia e como vamos sair dessa?” A presidente da Rede Interamericana de Academias de Ciência, Helena Nader, complementou lembrando que, há cerca de 100 anos, o mundo viveu a epidemia da Gripe Espanhola e nós não aprendemos com o passado e continuamos errando. “Temos que olhar em frente para o meio ambiente, a educação e os próximos vírus que estão vindo da Amazônia e podem ser futuras ameaças para a saúde pública.”

O diretor científico da AMB, José Eduardo Lotaif, reforçou o papel essencial das instituições de ciência e saúde como os alicerces em prol de um bem comum. E por fim, a pesquisadora Gulnar Azevedo, da Abrasco, pontuou de forma bastante crítica o descaso do Governo pelas 70 recomendações elaboradas por várias instituições para o enfrentamento da covid-19 e que até hoje não foram implementadas pelo Ministério da Saúde. E por fim, disse: “O Brasil precisa do SUS. Vacina já para todos e todas.”

IVO ABRAHÃO NESRALLA

É com profundo pesar que a Academia Nacional de Medicina (ANM) comunica o falecimento do acadêmico Ivo Abrahão Nersalla, da Secção de Cirurgia, ocupante da Cadeira 32, desde 2006. A ANM se solidariza nesse momento de dor com a família, confrades, confreiras e amigos.

Nesrallafoi o responsável pela colocação do primeiro coração elétrico implantável no Brasil, com grande repercussão em toda a América Latina (1999). No ano seguinte, fez a primeira cirurgia com uso da técnica robótica na América Latina. Suas conquistas na medicina foram de longa data. Em 1970, realizou cirurgia de revascularização do miocárdio, com ponte de veia safena, uma das primeiras no Brasil e a primeira no Rio Grande do Sul. Em 1973, empregou, pela primeira vez no país, a técnica da hipotermia profunda e parada circulatória total, para correção de defeito congênito complexo, em crianças de baixo peso. Em 1984, realizou o primeiro transplante cardíaco do Rio Grande do Sul, retomando o programa de transplante cardíaco no país. 

De origem libanesa, Nesralla ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1957, graduando-se em 1962. O acadêmico, fundou e organizou o atendimento médico nas vilas populares – o primeiro serviço do gênero. Durante o curso, foi convidado a compor a primeira equipe de cirurgia torácica e cardiovascular. 

Em Porto Alegre, assumiu a chefia do Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Departamento de Cirurgia da UFRGS e, em paralelo, idealizou e colocou em funcionamento o serviço de cirurgia cardiovascular do Instituto de Cardiologia do RS, onde foi chefe por muitos anos. O acadêmico realizou mais de 45.000 cirurgias do coração e dos grandes vasos, e mais de uma centena de transplantes cardíacos.

Foi presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (1985-1987) e da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (1989 e 1990). Foi eleito também, por duas vezes consecutivas, diretor-presidente da Fundação Universitária de Cardiologia, entre 1993 e 1999. Em março de 1997, foi eleito presidente da Academia Sul Rio Grandense de Medicina.

Na área da cultura, também assumiu, em 1998 a presidência da II Bienal de Artes Visuais do Mercosul realizada pela Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul em parceria com os ministérios da Cultura, Educação e Relações Exteriores, do Governo do Estado do RS e prefeitura de Porto Alegre. Em agosto de 2000, foi reconduzido à presidência da III Bienal de Artes Visuais do Mercosul.

Foi agraciado com o título de cidadão emérito de Porto Alegre, pela Câmara Municipal de Vereadores, 1991. Recebeu ainda, em 2001, a Comenda da Ordem do Mérito Cultural e, em 2002, a medalha Cidade de Porto Alegre.

Nesralla faleceu hoje, dia 16 de dezembro de 2020, em decorrência de uma parada cardíaca, em casa, em Porto Alegre, aos 82 anos. Nesralla deixa a esposa, Paulita, os filhos Ivo, Carlos e Paula e netos.

Confira a íntegra da biografia do acadêmico: https://www.anm.org.br/ivo-abrahao-nesralla/

ANM alerta que “negacionismo irresponsável de gestores precisa cessar já”

Presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr., publica nota oficial com críticas contundentes à atuação dos governos e da “classe política” no enfrentamento da pandemia, as quais tacha de omissas e servis a interesses eleitorais, menosprezando a vida dos cidadãos. E repercute na imprensa brasileira.

Veja a notícia completa em https://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/covid-academia-nacional-de-medicina-alerta-que-negacionismo-irresponsavel-de-gestores-e-politicos-precisa-cessar-ja.html.

Max e os demônios

Este é o título do livro do acadêmico Gilberto Schwartsmann. Recém lançado, o livro é um sucesso e já está na segunda edição. 

O leitor se prepare, pois os desafios que tem pela frente são inúmeros. É um romance que não é romance, o autor brinca com a desconstrução do gênero e esse é um dos seus encantos. Gilberto cria um Schwartsmann seu homônimo, autor-narrador-personagem e conduz o leitor a uma grande aventura intelectual.

Essa história cheia de curiosidades e que está fazendo o maior sucesso é comercializada pela editora Sulina.

RICARDO JOSÉ LOPES DA CRUZ

 É com extremo pesar e profunda consternação que a Academia Nacional de Medicina (ANM) lamenta o falecimento, hoje, dia 8 de dezembro de 2020, do seu Membro Titular e Secretário Geral, o acadêmico Ricardo José Lopes da Cruz, um grande intelectual e um dos maiores cirurgiões do Brasil.  O acadêmico não resistiu às complicações causadas pela infecção da Covid-19. 

Com 66 anos, Ricardo Cruz graduou-se em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e sua pós-graduação incluiu atividades no Hospital Federal de Ipanema; no Instituto Nacional de Câncer e em Cirurgia Plástica, da Escola Médica de Pós-Graduação da PUC-RJ, sob a coordenação do Acadêmico Ivo Pitanguy.   

Eleito em 12 de setembro de 2013, tomou posse como Membro Titular da ANM para ocupar a Cadeira de número 62, da Secção de Cirurgia com a monografia: Trauma de Face e o Resgate da Identidade. 

Em março de 2020, assumiu o cargo de Secretário Geral da Academia, tendo se destacado entre os maiores líderes da medicina brasileira pela adoção de medidas corretas para combater a Covid e pelo papel da Academia Nacional de Medicina.

Ricardo Cruz permanece como grande exemplo de médico, cirurgião e professor de medicina, cirurgia e de humanidades médicas. Profissional irretocável, a medicina perde um de seus maiores tesouros.

O acadêmico Jorge Rezende Filho expressou, ontem, de forma impecável, parte de nossas lembranças sobre o acadêmico Ricardo Cruz:

Montaigne, quando disse que “toda a filosofia é aprender a morrer”, advertia-nos de que pouco a pouco vamos percebendo que a aventura da vida não termina na morte. A vida daqueles dos quais cuidamos e que desaparecem prolonga-se em nossas vidas. Levamos até o fim as recordações dos que conosco morreram e, desse modo, continuam vivos. Se alguém agora a mim perguntasse o que houve de mais motivador na Medicina-Humanidades no Brasil contemporâneo, eu também responderia de pronto, sem medo de errar: Cruz, Ricardo Cruz.

Confira a íntegra da biografia do acadêmico: https://www.anm.org.br/ricardo-jose-lopes-da-cruz/.

Rubens Belfort Jr.
Presidente da Academia Nacional de Medicina

Presidente Rubens Belfort no FIS Taks

Confira a entrevista do acadêmico Rubens Belfort Jr., presidente da ANM, no evento FIS Talks que une as maiores lideranças da saúde para debates, webinars e eventos sobre o futuro da área no país. A iniciativa faz parte do FIS Hub Digital com foco na produção de conteúdo qualificado em um bate papo descontraído e dinâmico.

O link é https://youtu.be/KtFoKNo-sdQ.

Premiado no MIT

O médico Bernardo Barros, do Programa Jovens Lideranças Médicas da ANM, foi premiado no Hackaton MED do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos.

O hackaton é uma espécie de maratona de projetos inovadores defendidos em pitch, que significa apresentações bem curtas. 

Na edição de 2020, o brasileiro Bernardo conquistou mais 4 participantes mundiais para o desenvolvimento de meia com sensores de temperatura e de movimento que, conectado a um aplicativo, pode prever uma piora e impedir uma gangrena ou amputação da perna. Além disso também pode auxiliar o acompanhamento de paciente no pós-tratamento com stent ou by-pass, pois nesses casos, quanto antes diagnosticar uma piora e tratá-la, maior a sobrevida.

Várias formas de beleza e cultura nas artes

Discutir os diferentes olhares sobre a beleza em nossa cultura foi o tema central do simpósio “A beleza e a cultura”, realizado dia 26 de novembro de 2020, pela Academia Nacional de Medicina (ANM), que encerrou o ciclo de debates virtuais do ano. A programação incluiu reflexões sobre aspectos filosóficos e históricos relacionados ao tema, bem como a expressão da beleza nas artes. A abertura do evento foi feita pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr e a coordenação pelo acadêmico Gilberto Schwartsmann.

“Ao longo da história, o belo se confunde com o bom e vem daí a associação que fazemos com virtude. Os palestrantes dessa tarde são pessoas de grande virtude em suas áreas de atuação e representam a cultura do nosso país. Eles irão nos revelar que a beleza pode nos surpreender na filosofia, no cinema, na música, na poesia, nas artes visuais e na medicina”, destacou Schwartsmann.

Na primeira parte do simpósio, para falar sobre a beleza nas artes, o professor Carlos Augusto Calil, da USP e ex-diretor-presidente da Embrafilme, fez um passeio por vários clássicos do cinema mundial. Nessa trajetória, apresentou trechos de obras emocionantes que marcaram gerações na telona. Entre estas, o filme “O segredo das joias”, do diretor John Huston, da década de 1950. Outro exemplar citado foi o clássico Drácula”, de 1931, do diretor Tod Browning, uma obra que até hoje é revisitada em vários remakespelo mundo e que aborda a beleza dos monstros.

A literatura foi representada pelo poema-manifesto “Cântico negro”, de José Régio, publicado em 1926, e recitado pelo acadêmico Gilberto Schwartsmann. 

O simpósio também contou com a participação do professor Francisco Marshall, professor de História da Arte, da UFRGS, que discorreu sobre “Kalokagatia: beleza, ética e sociedade” – kalokagathia é um conceito grego derivado da expressão kalos kai agathos (καλός καi αγαθός),que significa literalmente belo e bom, ou belo e virtuoso. O professor José Francisco Alves de Almeida, da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul, foi outro convidado e debateu o tema “Marcel Duchamp o conceito de beleza no século XX” e o maestro Evandro Matté, da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, que discursou sobre “Proporções e disposições harmônicas: a beleza na música”.

Na segunda parte do simpósio, acadêmicos foram convidados: os cirurgiões plásticos Talita Romero e José Horário Costa Aboudib Junior. A acadêmica Talita Franco falou sobre envelhecimento, beleza e tirania ao longo dos séculos e entre as diferentes culturas, citando o caso das chinesas que enfaixavam os pés para que os mesmos ficasse pequenos, ou costumes indígenas de fazer pequenas queloides de forma geométrica para enfeitar corpos; e a evolução das cirurgias plásticas e os casos de transtornos de autoimagem como o do cantor Michael Jackson.

Franco ressaltou ainda que “envelhecer não é associado ao belo, e hoje há um assédio de vários profissionais de outras categorias da saúde como dentistas, biomédicos e fisioterapeutas que prometem rejuvenescimento sem uma formação adequada. “Um tratamento estético mal feito é muito ruim para pacientes e também para a medicina.” 

O cirurgião plástico e também acadêmico José Horário Costa Aboudib Junior abordou o padrão de beleza fermina entre as diferentes culturas ao longo dos séculos. Desde imagens das esculturas de Venus 40 mil anos antes de Cristo até curiosidades sobre os corpos de tribos africanas no século XIX. Em sua apresentação ainda destacou que nos Estados Unidos, as mamas são o foco; no Brasil há a preocupação com as nádegas. 

“Entre 1970 e 2010, o crescente interesse pelas nádegas pode ser comprovado pelas capas da revista Playboy. Em 190, 66% das capas eram de mamas e 0% de nádegas. Em 2010, 66% das capas trouxeram nádegas femininas”, mostrou Aboudib. Estes fatos, segundo ele, levaram os cirurgiões plásticos a estudar e sistematizar, com bases anatômicas, a gluteoplastias de aumento com próteses de silicone. “Nós cirurgiões, temos extremos limites na arte de criar, pois somos escravos da anatomia. A beleza é fácil de identificar e impossível de definir”, disse.

Sinapses afetivas

O acadêmico Sérgio Augusto Pereira Novis acaba de lançar livro auto-biográfico em comemoração aos seus 80 anos. Revisitando a medicina desde os tempos em que iniciou na carreira, professor Novis exerce a função de neurologista clínico, principalmente em acidentes vasculares encefálicos, esclerose múltipla e neuro-aids. Membro fundador da Sociedade Brasileira de História da Medicina, foi eleito para a Academia Nacional de Medicina, em 1987, tendo ocupado a presidência da Secção de Medicina. Em 2016, tornou-se Membro Emérito.

Para conhecer mais sobre a vida e a obra do acadêmico Novis, visite o site https://www.anm.org.br/sergio-augusto-pereira-novis/.

O livro não está à venda e foi distribuído entre amigos e familiares.

Cápsulas fotográficas

Em sua última sessão de recentes progressos (19/11), a Academia Nacional de Medicina trouxe a médica do hospital Sírio Libanês, Fabiane Sartore, que abordou os impactos que as cápsulas endoscópicas trouxeram para o diagnóstico e a terapia mais assertiva no tratamento de problemas no intestino médio/delgado.

Até então, segundo o acadêmico José Galvão Alves, era uma região de difícil acesso, que impunha aos médicos um desafio no tratamento às cegas de uma área importante com comprimento de 4 a 6 metros.

Casos de anemia e sangramentos sem diagnósticos são indicações para que os pacientes ingiram as cápsulas que possuem micro câmeras e que tiram 2 a 6 fotos por segundo da região do intestino delgado.

Judicialização na saúde: a visão de juízes e promotores

Quando o assunto é saúde, e em muitos casos, isso significa gravidade, a justiça e os juízes brasileiros têm sido colocados diante de um enorme desafio, uma verdadeira escolha de Sofia, segundo o Procurado do Estado de São Paulo, Arnaldo Hossepian. A judicialização da saúde foi tema da sessão científica da Academia Nacional de Medicina, no dia 19/11.

O evento contou com a abertura do presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, e a coordenação dos acadêmicos José de Jesus Camargo e José Galvão Alves. 

Outra participante foi a juíza Candice Jobim que expôs uma linha do tempo sobre o processo que levou o Conselho Nacional de Justiça a criação dos e-NatJus – um cadastro nacional de pareceres, notas e informações técnicas para auxiliar os magistrados com fundamentos científicos para decidir se concede ou nega determinado medicamento ou tratamento a quem aciona à Justiça.

O sistema, hoje nacional, conta com 27 NatJus, espalhados pelo Distrito Federal e unidades da Federação, com mais de 3 mil notas técnicas que, além de contribuírem nas sentenças, tem ampliando a oferta de medicamentos e serviços no SUS. 

Para ser elaborado, o sistema contou com parcerias dos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein e visa avaliar as evidências científicas de um medicamento prescrito por médicos e mais do que apenas a efetividade: o custo x benefício também são avaliados. Ao conceder um medicamento a um doente, a Justiça poderá estar contribuindo também para a desorganização do SUS. Medicamentos com preços exorbitantes e sem comprovação de eficácia, privilegiam aqueles que conseguem impetrar mandatos na Justiça e impactam o sistema e o atendimento de vários dependentes do SUS.  

Através dos seus simpósios virtuais semanais, a ANM trouxe à tona em 2020 temas relevantes do cenário da pandemia pelo coronavírus e da saúde, para debates com a comunidade médica, cientifica e a sociedade em geral, visando gerar reflexões importantes na contemporaneidade.

Confira a íntegra das palestras no canal da ANM: https://bit.ly/3fz0hGL.

Judicialização na saúde: a visão dos médicos

“O principal agente das demandas judiciais é a ausência de afeto na relação médico-paciente”. Esta foi a citação que destacou o discurso do acadêmico José Jesus Camargo, que abriu o simpósio da Academia Nacional de Medicina, realizado na última quinta-feira (19), que abordou a judicialização em medicina – tema de grande relevância, visto que dados do Conselho Nacional de Justiça apontam aumento de 1.600% no número de processos judiciais por supostos erros médicos no país em um intervalo de 10 anos.

Para discursar sobre a especialidade de ginecologia e obstetrícia, o acadêmico Jorge Rezende Filho, da UFRJ, dividiu o assunto em três grandes eixos: obstetrícia médico-legal forense, erro médico e defesa profissional. O especialista pontuou aspectos legais de questões controversas como reprodução assistida e aborto e encerrou sua apresentação com 12 cuidados que poderiam evitar processos éticos-legais, dentre os quais se destacam a boa relação com o paciente, a postura ética e a transparência.

O cirurgião plástico e acadêmico José Horácio Aboudib, da UERJ, adentrou a discussão legal na cirurgia plástica, enfatizando que a especialidade em questão é a única em que o médico deve provar que não errou, e não o contrário. Um outro ponto de relevância em sua apresentação foi a problematização dos ditos “vendedores de resultados” – profissionais que utilizam de conduta antiética e desrespeitam os regulamentos do Conselho Federal de Medicina, prejudicando a percepção popular sobre a cirurgia plástica. Por fim, Aboudib afirma que o atendimento humanizado e a atenção ao paciente são tão ou mais importantes do que a eficiência técnica.

Sobre a judicialização em ortopedia, o médico Tarcísio Barros Filho, da USP, alerta para a tendência da “superespecialização” na especialidade – em outras palavras, se utilizar de títulos de especialista em mão, ombro e coluna, por exemplo –, que pode prejudicar a credibilidade do profissional e gerar conflitos. Barros Filho também aponta que as principais queixas com relação a conduta médica na área são mau posicionamento de materiais de implante e de fixação, e afirma que é importante tratar o paciente como gostaria de ser tratado.

A presença do acad6emico Raul Cutait, da USP e do Hospital Sírio-Libanês, levantou tópicos de relevância na judicialização da cirurgia. Em especial, Cutait relata que alguns procedimentos necessitam de grande competência técnica, estrutura hospitalar e profissionais especializados, mas que, muitas vezes, limitações fazem com que cirurgiões que não se sentem totalmente aptos se submetam à realização, podendo gerar conflitos. O especialista afirma que alinhar expectativas e ser transparente é a base de toda a resolução.

Já o cirurgião geral e oncológico Alfredo Guarischi, da UFRJ, abordou a judicialização na oncologia, destacando as principais causas: a frequência e a complexidade da doença, além da natureza experimental de alguns tratamentos, que podem ser paliativos ou curativos.

O acadêmico Antonio Egídio Nardi, da UFRJ, endossou a relação médico-paciente como fundamental para evitar questões de judicialização na psiquiatria. Outros pontos levantados foram a facilidade do acesso a tratamentos farmacológicos caros pelo SUS como uma alternativa bem-sucedida e a deficiência na assistência psiquiátrica pública como causa da judicialização em internação compulsória.

O acadêmico Silvano Raia foi outro convidado e enfatizou quejudicialização da saúde deve respeitar os princípios éticos e legais”. O acadêmico destacou dois conceitos: a ética do dever e a da responsabilidade. A primeira é para cumprir nosso dever como membros de uma sociedade; o outro conceito, da responsabilidade, é mutável e visa obter o bem.

“O número de ações judiciais vem aumentado progressivamente no Brasil em decorrência da falta de recursos e de acesso aos serviços de saúde, mas a lei da medicina tem que zelar pela saúde do ser humano”, enfatizou o acadêmico.

Mas por que o paciente judicializa? A médica Maíra Dantas, do Conselho Regional de Medicina da Bahia, tentou responder a essa questão. Segundo ela,isso ocorre para que o paciente tenha acesso aos serviços de saúde que a constituição garante, mas não provém. “A medicina não pode se submeter ao Código de Defesa do Consumidor, pois a medicina não pode ser mercantilista, porém, infelizmente, as filas do judiciário estão mais céleres do que as filas da saúde”.

 “A legislação foi um ganho social inquestionável e inexorável. Mas, prometemos algo que não conseguimos cumprir. A prática conflita com as dificuldades do nosso sistema de saúde. Há uma enorme desproporção entre as demandas da população e a oferta desses serviços. Além disso, nos últimos anos perdemos muitos leitos na esfera pública, privada, filantrópica e suplementar”. Dantas finalizou sua apresentação citando Carl Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

Para ter acesso à sessão completa, veja o vídeo em nosso canal no YouTube https://bit.ly/33cVl55 ou aqui no nosso site.

Em defesa da Anvisa

Com cerca de 140 participantes e grande repercussão na mídia brasileira, a sessão científica “Vacinas e covid-19: registro e vacinação, prováveis cenários”, realizada no dia 12 de novembro, contou com diferentes segmentos da sociedade.

Entre os convidados, advogados, médicos, cientistas e jornalistas que debateram durante cerca de 6 horas. Ao final do evento, os presidentes das Academias Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr., da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, e de Ciências Farmacêuticas do Brasil, Acácio de Souza Lima, redigiram e lançaram um manifesto no qual condenam a politização dos testes da vacina contra covid-19. Para saber mais, acesse https://bit.ly/38WWt0u.

Anvisa – O papel e a defesa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foram um dos destaques da sessão. 

Segundo o presidente da ANM, prof. Rubens Belfort, a Anvisa pertence ao Brasil e precisa ser blindada contra interferências políticas. 

“A Anvisa é um orgulho da nossa geração de pesquisadores, médicos e profissionais da saúde. Eu tenho certeza de que falo por toda a ANM, com seus 100 acadêmicos, que vocês podem realmente contar conosco, e nós prometemos fazer o que for possível para aumentar a efetividade da Anvisa”, falou o presidente da ANM para o gerente geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa,Gustavo Mendes.

“Principalmente nesse momento de pandemia, onde se tem discutido muitas situações que põem em cheque o que é conhecimento científico, a Anvisa é um aliado na valorização da ciência nacional”, ressaltou Mendes.

O especialista destacou ainda os recentes avanços do reconhecimento global da instituição enquanto autoridade na área. “Desde 2016, começou um processo de convergência global que culminou, no ano passado, na aceitação da Anvisa como membro gestor do ICH, que é um dos maiores fóruns de agências reguladoras globais. Portanto, hoje, estamos no mesmo patamar que agências de referência a nível global”, disse Mendes.

Mendes dedicou sua apresentação a esclarecer os principias papeis nesse momento em que os estudos clínicos de vacina contra covid se encontram no país – atualmente, quatro vacinas estão em estudo no Brasil, incluindo as conhecidas Coronavac, do Instituto Butantã, e a vacina de Oxford. “Parte do papel da Anvisa no controle das boas práticas de fabricação é inspecionar os locais em que essas vacinas estão sendo produzidas para garantir determinados critérios”.

“Nós, profissionais da área, teremos que ser transparentes com a população sobre a porcentagem de eficácia, quem vai poder se beneficiar dessa vacina e quais os eventos adversos que pode trazer”, reforçou Mendes, destacando a rapidez e o foco total da Anvisa no cenário de urgência em decorrência da pandemia.

O ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto, acrescentou que faltam políticas públicas de imunobiológicos no país. Para ele, essa falta de políticas públicas permite que aventureiros joguem dinheiro fora. 

A advogada Aline Mendes Coelho,especialista em Direito Regulatório e Sanitário, foi outra convidada do simpósio e, durante sua apresentação, fez um histórico sobre a Anvisa e seu papel nesse momento de pandemia.

Registro de vacinas de covid

O presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, afirmou que os brasileiros poderão ter a vacina contra covid-19 ainda no primeiro trimestre de 2021. Segundo Murillo, a companhia fabricará 50 milhões de doses até o fim de 2020 e o total para o ano que vem chega a 1,3 bilhão de doses para o mundo. A empresa já investiu US$ 2 bilhões no imunobiológico que possui uma tecnologia por RNA mensageiro.

O anúncio foi feito em sessão científica organizada pelos presidentes das Academias Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr., Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, e de Ciências Farmacêuticas do Brasil, Acácio de Souza Lima, no dia 12 de novembro de 2020.

Murillo ainda explicou que um dos desafios do imunobiológico, e já solucionado, foi a questão do armazenamento. Desenvolvida com a alemã Biontech, a vacina precisa de acondicionamento a menos 70graus e, para contornar esse problema, empresas parceiras desenvolveram uma embalagem especial que, com gelo seco, consegue conservar o imunizante por até 15 dias, sanando assim problemas logísticos de um país continental como o Brasil.

Sobre os valores de cada dose, Murillo explicou que a Pfizer tomou a decisão de criar três faixas diferentes de preços por dose, cuja aplicação vai depender do desenvolvimento de cada país. Haverá, portanto, um preço mais elevado para países mais avançados, como os Estados Unidos e os europeus, um preço para países intermediários, como é o caso brasileiro, e um terceiro preço menor para países menos desenvolvidos, “como a Bolívia”, de onde Murillo é natural.

Mais ofertas – Outro convidado dessa sessão, foi o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Aurélio Krieger. Ele abordou a parceria entre a instituição, a Unifesp, a universidade de Oxford e a farmacêutica britânico-sueca AstraZeneca e disse queessa vacina custará US$ 3,16 por dose aos cofres públicos. 

Krieger afirmou que o preço da vacina de Oxford é três vezes mais baixo que o dos imunizantes mais baratos em desenvolvimento e até dez vezes menor que o de produtos resultantes de operações totalmente privadas. Uma das razões para isso, é o fato da universidade de Oxford ter aberto mão de royalties, além da capacidade de fabricação já instalada nas plantas da Fiocruz e que deverão ser expandidas para atender a demanda. Com isso, o país se prepara para oferecer vacina de forma equânime entre os brasileiros, através do SUS e do Programa Nacional de Imunizações.

Para viabilizar a parceria entre o Brasil e a Inglaterra foram necessárias várias negociações com autoridades, congresso, instituições como a Anvisa, e evitar assim riscos jurídicos e, fundamental ainda foi o apoio da sociedade civil com doações que chegaram a mais de R$ 100 milhões, em um total de R$ 2 bilhões para fabricação dessa vacina. A expectativa é que a Fiocruz produza 100,4 milhões de vacinas no primeiro semestre de 2021 e 210,4 milhões ao longo de todo o ano que vem. A tecnologia desta vacina vem do uso de um vetor viral não replicante. Neste imunizante, adenovírus de Chipanzé, e que conferem uma proteção de 90%, segundo Krieger. E a Anvisa já ampliou para 10 mil o número de pessoas que participam dos testes com esta vacina. O imunizante está em teste em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Bahia, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte.

Academia Nacional de Medicina discute registro de vacinas contra covid

O registro de vacinas contra covid será o tema do próximo simpósio promovido pela Academia Nacional de Medicina (ANM) em parceria com as academias Brasileira de Ciências (ABC) e de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB). O evento está programado para quinta-feira (12/11), a partir das 14 horas.

Entre os convidados, o gerente geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gustavo Mendes Lima Santos, o presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, Marco Aurelio Krieger, vice-presidente de produção e inovação em saúde da Fiocruza, e a advogada Aline Mendes Coelho, com experiência na área de Direito Regulatório e Sanitário.

O evento, coordenado pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr.,e o acadêmico Paulo Buss, ainda contará com Helena Nader, vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências, e Acácio Lima, presidente da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil.

Antonio Britto, ex-presidente da Interfarma, e Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Anvisa são outros convidados. Como debatedora, a jornalista do Estado de São Paulo, Roberta Jansen.

Serviço:
Simpósio “Registro e vacinação: prováveis cenários na covid-19
Dia: 12/11/2020 – quinta-feira
Horário: 14 horas
Web Hall da ANM: zoom/anmbr e transmissão ao vivo pelo Facebook/acadnacmed

Imortal na medicina e na arte

A Sessão Saudade, in memoriam, ao acadêmico Eustáchio Portella Nunes Filho, realizada dia 10 de novembro de 2020, pela Academia Nacional de Medicina (ANM), foi presidida com maestria pelo secretário geral da ANM, o acadêmico Ricardo Cruz, e contou com homenagens emocionantes do ex-presidente e acadêmico Jorge Alberto Costa e Silva e do acadêmico Antônio Egídio Nardi.

“Um grande homem, meu mestre. Um excelente médico, psiquiatra, psicanalista, cientista, intelectual, pensador e, acima de tudo, um grande humanista. Nos deixou um legado extraordinário e a imortalidade da sua obra acadêmica”, enfatizou o ex-presidente da ANM, Jorge Alberto Costa e Silva.

O ex-presidente também destacou o grande interesse do acadêmico Portella pela literatura e filosofia. Segundo ele, o acadêmico não somente participou da história da medicina, mas ele ajudou a construi-la. “Ele nos dizia que o papel do escritor não é apenas escrever, e sim, encantar.”

Para o acadêmico Antônio Egídio Nardi, o professor Portella marcou várias gerações de psiquiatras e permanece até hoje como um farol, guiando alunos de medicina. “Muito profícuo na produção de artigos e um amplo conhecimento de diferentes aspectos da psiquiatria, psicanálise, filosofia e humanismo. Um verdadeiro intelectual.”

Como é de praxe na Sessão Saudade, a família do homenageado se manifesta. Nesta ocasião, o médico Estevão Portela, filho do acadêmico falecido. Estevão começou sua apresentação citando Thomas Steams Eliot, poeta e dramaturgo que ganhou o Nobel de Literatura em 1948, e que o pai gostava muito. Estevão recitou trechos do poema “O tempo presente e o tempo passado”, que o acadêmico utilizou em seu discurso de posse na ANM, na década de 1980.

“O tempo presente e o tempo passado estão ambos, talvez, presentes no tempo futuro. E o tempo futuro contido no tempo passado. Se todo tempo é eternamente presente, todo tempo é eternamente passado, todo tempo é irredimível. O que poderia ter sido é uma distração, que permanece, perpétua possibilidade, num mundo apenas de especulação. O que poderia ter sido e o que foi convergem para um só fim, que é sempre presente”.

Estevão Portella, muito emocionado e em alguns momentos sem conseguir conter o choro, contou que as estantes de livros do pai continham mais livros de literatura e filosofia do que de medicina. “Eu e minha irmã fomos muito influenciados pelo interesse humanístico do meu pai. Meu pai foi feliz!”

Confira a íntegra da Sessão Saudade no nosso canal no YouTube https://bit.ly/3lCerci.

Cirurgia laparoscópica de forma didática e ilustrada

Durante a sessão científica da ANM, realizada no dia 29 de outubro de 2020, o acadêmico Rossano Fiorelli, lançou o livro “Cirurgia laparoscópica ilustrada: bases técnicas”, o qual divide a coautoria com o cirurgião Renan Couto, ambos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. 

 “Este livro não é somente prefaciado, mas dedicado ao mestre Pietro Novellino, ex-presidente da Academia Nacional de Medicina, pois foi escrito por três gerações de cirurgiões que foram seus alunos”, enfatizou Fiorelli.

Pietro Novellino, o grande homenageado no prefácio, comenta que a obra é enriquecedora mesmo para os iniciantes ou os que não têm formação cirúrgica. “Apresentar essa obra na Academia enaltece seus autores e enaltece a nossa instituição”, finaliza.

O acadêmico Rubens Belfort, presidente da Academia Nacional de Medicina, ressaltou a grande evolução da cirurgia laparoscópica nos últimos anos e reconheceu a excelência da obra. “Sem dúvida, este tipo de livro ajuda a medicina brasileira e, dessa maneira, evidentemente, contribui com os objetivos da nossa Academia”.

A publicação também contou com a participação de diversos professores do Departamento de Cirurgia Geral e Especializada e do Mestrado Profissional em Técnicas Assistidas e Minimamente Invasivas da UniRio. 

O cirurgião esclarece que a intenção do livro é apresentar ao leitor os conceitos mais importantes da laparoscopia de forma didática e ricamente ilustrada, contando com 485 ilustrações feitas à mão ao longo de 360 páginas.

Com a palavra, o também autor e pesquisador Renan Couto comentou que a ordem dos capítulos foi planejada da forma mais intuitiva possível, pois é organizada de tal forma que segue o fluxo habitual de uma cirurgia, desde a preparação da sala e dos equipamentos até os cuidados pós-operatórios.

Embaixadores brasileiros

A busca pela expansão dos horizontes tem levado médicos brasileiros para o exterior e muitos acabam permanecendo. E enchem o país de orgulho, em cargos de destaque de hospitais de renome, traçando trajetórias brilhantes.

Médicos brasileiros chefiando unidades de cirurgia nos Estados Unidos, Canadá, Qatar e Alemanha foram os convidados da Academia Nacional de Medicina, em Simpósio “A cirurgia brasileira no mundo” para apresentarem seus trabalhos em simpósio coordenado pelo ex-presidente Pietro Novellino e os acadêmicos José de Jesus Camargo e Rossano Fiorelli. 

Para o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., “são verdadeiros embaixadores brasileiros no exterior e que ainda somam ao receberem novas gerações de médicos que desejam se aperfeiçoar em outros centros médicos.” 

Entre os convidados, Rodrigo Vianna, formado na USP, e que hoje responde pelo maior centro de transplante de órgãos dos Estados Unidos, o do Miami Transplant Institute. Recheada de experiências, sua apresentação destacou os avanços tanto no transplante de rim, como de fígado e de intestino, assim como os perfis epidemiológicos das populações americana e brasileira e gastos em saúde em ambos os países.

A revolução tecnológica introduzida pela robótica na cirurgia pulmonar e os casos de transplante de pacientes com agravos pulmonares causados pela covid-19 foram apresentados pelo médico do Paraná, Tiago Nogushi Machuca, outro destaque brasileiro na Flórida.

O Honorário Estrangeiro da ANM, Tomas Salerno, hoje na Universidade de Miami, foi outro expoente da sessão. Em sua palestra “Enxergando além das lupas”, o brasileiro exibiu ainda, de forma clara e didática, uma rica cronologia das cirurgias cardíacas, traçando paralelos de comparação com os conhecimentos e técnicas da atualidade. 

E sobre os hospitais do futuro, o brasileiro Antonio Marttos, atualmente, no Ryder Trauma Center de Miami, mostrou como os hospitais estão conectados e oferecendo serviços de consultoria médica para outros profissionais de países distantes como Iraque, através de telemedicina, em apenas 15 minutos. 

O médico Robson Capasso, atuando na Escola de Medicina da Universidade de Stanford, abordou ecossistemas de inovação para aplicação na medicina e mostrou como empresas transnacionais e nacionais, que não são tradicionais da área da saúde, estão, cada vez mais, focadas em oferecer serviços médicos.

De Nova York, o médico Flavio Macher, do Albert Einstein College of Medicine, mostrou os tipos de inteligência artificial (IA) aplicadas à medicina: a IA assistida por robótica; a IA aumentada, na qual o robô auxilia o médico na tomada de decisão; e a IA autônoma, cuja autonomia é do robô que foi treinado pelos profissionais.

Canadá – Da PUC do Rio Grande do Sul para Toronto, o cirurgião Marcello Cypel foi outro convidado.  Cypel, é diretor cirúrgico da Universidade de Toronto. E apesar dos 15 anos no Canadá, jamais abandonou o Brasil em tempos críticos. No incêndio da boate Kiss, em 2013, veio diversas vezes ao país ajudar na recuperação dos jovens acidentados. Em sua palestra, histórias e avanços sobre transplante de pulmão, mudanças para preservação dos órgãos doados, estudos da fisiopatologia de cada órgão e a compatibilidade com os receptores desses enxertos.

Modelos de carreiras inspiradoras não faltaram durante a sessão. A médica Paula Ugalde, nascida no Chile, formada na Bahia e, atualmente, no Institut Universitaire de Cardiologie et de Pneumologie de Québec, no Canadá, foi outro destaque como palestrante. Ugalde reforçou os avanços nas cirurgias minimamente invasivas de pulmão e os resultados satisfatórios se comparados às cirurgias de peito aberto. 

Outro participante foi Stephan Soder, do Centre Hospitalier de lUniversité de Montréal, no Canadá, que apresentou tecnologias, minimamente invasivas, associadas a prática clínica para casos de câncer de pulmão. 

Outros destaques – Do Qatar, falou o médico brasileiro Sandro Rizoli. Especializado em serviços de trauma, Rizoli mostrou aspectos socioeconômico demográfico desse país da península arábica e como o sistema funciona articulado desde o momento do acidente nas ruas, a chamada emergencial, transporte e atendimento em uma abordagem global de cada paciente para estancar possíveis hemorragias. 

E de Berlim, o médico Ricardo Zorron abordou dogmas, ensinamentos e como pensar “não dentro da caixa e nem fora, mas sem caixas”. Mostrou de forma ilustrativa os avanços nas cirurgias bariátricas e outras que começaram experimentalmente no Rio de Janeiro e hoje são exemplos para o mundo.

Recentes progressos – Durante este dia, a ANM ainda promoveu a sessão de recentes progressos. E o câncer de fígado foi o tema central. “Avanços na terapia imunológica dos tumores de fígado” foi assunto da palestra do médico Fábio Marinho, do Real Hospital Português de Pernambuco. 

Marinho compartilhou importante inovação no tratamento de carcinoma hepático: a descoberta que a associação entre Atezolizumab e Bevacizumab oferece uma sobrevida superior à Sorafenib – droga de escolha desde 2008. “Para a primeira linha de tratamento dos pacientes com a doença, é um avanço que não se conquistava há décadas”, apontou.

O acadêmico Carlos Eduardo Brandão, aproveitou a ocasião, e destacou a conquista do Nobel de Medicina, neste ano, pelos médicos Harvey Alter, Michael Houghton e Charles Rice, que demonstraram que um vírus, até então desconhecido, era causa de hepatite crônica, além de terem isolado o genoma do vírus da hepatite C – avanços que permitiram grande redução da incidência de novos casos da doença e de diversas outras complicações do fígado.

A revolução tecnológica na medicina é uma realidade e os médicos brasileiros no exterior são motivos de orgulho para todos.

Academia assume Alanam

Em outubro foi realizada a reunião da Asociación Lationamericana de Academias Nacionales de Medicina, Espanha e Portugal (Alanam), sob a presidência da brasileira Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr, a partir de agora, tem a dupla missão de presidir a instituição nacional e a Alanam.

 A Alanam reúne, além do Brasil, as academias do Chile, Uruguai, Paraguai, Equador, Costa Rica, Bolívia, Colômbia, México, Argentina, Venezuela, Peru, e República Dominicana e mais Portugal e Espanha.

   – A Academia Nacional de Medicina, com seus 191 anos, e os 100 acadêmicos, que representam os 500.000 médicos do Brasil, têm a honra e sabem desta grande responsabilidade. Belfort aproveitou o evento e ainda apresentou, de forma sucinta, a situação da covid-19 no Brasil, ressaltando aspectos da geopolítica e da epidemiologia da doença.

 –  A dimensão continental do Brasil e a grande disparidade econômica regional fez com que a epidemia se manifestasse em tempo diferente e com uma variedade grande de intensidade e mesmo mortalidade. Um foco que, inicialmente, não foi considerado importante foi na Amazônia, totalmente inesperado. A epidemia rapidamente ganhou dimensão muito grande na região Amazônica brasileira.

Para o presidente Belfort, várias lições foram aprendidas durante a epidemia por covid-19 e continuam importantes. Uma delas, segundo ele, é que temos que pensar globalmente, mas agir localmente, e a estratégia atual é levar em consideração a situação de mini regiões. Além disso, refletiu sobre as disparidades muito grandes entre ricos e pobres. Para ele, a próxima fase fundamental é pensar em vacinação.

 –  Acredito que a próxima etapa, e também isto se relaciona à toda América Latina, é discutirmos as vacinas. A Academia Nacional de Medicina do Brasil, desde março, teve importante liderança na informação e educação da sociedade sobre esses diferentes aspectos. Realizamos vários simpósios internacionais, inclusive com o apoio da Alanam, e atualmente nossos esforços estão relacionados às vacinas. Acreditamos que nos próximos muitos meses teremos que liderar e discutir as vacinas em relação a: qual, quando e como?            

 O presidente Belfort apontou ainda que a epidemia vai continuar durante muitos meses e não basta apenas termos dados descritivos da situação. Os números são mais ou menos os mesmos nos diferentes países e a problemática, acredita, é a de tentar resolver, tentar descobrir soluções. E para terminar seu discurso de posse, agradeceu ao presidente anterior da Academia Nacional de Medicina, o acadêmico Jorge Alberto Costa e Silva, pelo empenho na representatividade brasileira na organização e parabenizou o presidente Horácio Toro que o antecedeu na Alanam.     

Terapias do futuro

“A evolução das terapias avançadas é, sem dúvida, a evolução da pesquisa básica associada à clínica médica e cirúrgica e incorporada na prática médica”, destacou o acadêmico Marcello Barcinski, durante a última reunião científica promovida pela Academia Nacional de Medicina, no dia 22/10. O acadêmico Marcelo Morales acrescentou: “Estamos falando de terapias que estão chegando na ponta e algumas delas já estão na prática clínica aplicada à saúde e precisamos estar bem atentos e atualizados. A pesquisa está à disposição para melhoria da qualidade de vida das pessoas.”

O simpósio sobre “Terapias Avançadas – Células tronco, terapia gênica e nanotecnologia aplicada à saúde” contou com a abertura do presidente da ANM, professor Rubens Belfort Jr. que, na oportunidade, agradeceu aos coordenadores do evento, os acadêmicos Morales e Barcinski pela organização de uma discussão tão rica e relevante para sociedade civil e acadêmica. 

Entre os convidados internacionais, Bruce Levine, da University of Pennsylvania, que abordou o aprimoramento clínico no tratamento do câncer a partir da terapia como as células CART-T. Partindo-se do pressuposto de que o câncer provém da proliferação desenfreada de nossas próprias células, a terapia com células CAR-T consiste em turbinar as células de defesa do paciente e, com isso, aumentar a resposta imunológica contra a doença.

A terapia CAR-T, que significa do inglês receptor de antígeno quimérico, envolve a extração das células imunológicas do próprio paciente e, através da inserção de um vetor viral, um novo gene é introduzido nas células de defesa e, de volta ao organismo, é capaz de combater o tumor. Levine também abordou os limites éticos e legais da terapia, além do que ainda precisa ser aprimorado na técnica. E como histórias de sucesso, apresentou os casos de duas pacientes, Sophia e Emily, que receberam o tratamento – a última com sucesso, estando livre do câncer há alguns anos.

O médico Maroun Khoury, da Universidad de Los Andes do Chile, foi outro dos palestrantes convidados e apresentou resultados sobre as estratégias celulares que ajudam na restrição de respostas em doenças inflamatórias. O uso de células-tronco mesenquimais, que se configuram em uma população adulta de células que podem se transformar em uma variedade de tipos celulares, e sua aplicação no tratamento de doenças imunomediadas. As doenças imunomediadas se manifestam quando o sistema imune ataca as células saudáveis do próprio corpo.

A sessão também contou com a participação do professor Junk Soo Suk, da Johns Hopkins Medicine, que contou sobre pesquisa com base em nanopartículas de entrega de drogas, transportando composto farmacêutico no corpo para atingir o efeito terapêutico desejado. Suk ainda apresentou uma abordagem voltada para terapia genética sob inalação no tratamento de doenças pulmonares. O revestimento apresentado possui distribuição das nanopartículas nas superfícies das vias aéreas que são compostas de muco e que, normalmente, dificultam a distribuição da terapia.

Terapias do futuro no Brasil – “Terapia celular: o que significa?” Foi o tema abordado pelo professor Antônio Carlos Campos de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que definiu-a quando células viáveis são injetadas, enxertadas ou implantadas em um paciente a fim de efetuar um efeito medicinal. O professor explicou que comumente as células que são usadas em terapia celular são as chamadas células-tronco, como é feito há mais de seis décadas em transplante de medula óssea.

“Essas células-tronco podem ser autólogas, quando são do próprio paciente; alogênica, de um doador diferente ou senogênicas, quando são de outra espécie. Além do uso em transplantes, atualmente essa terapia pode ser usada para tratar problemas musculoesquelético, cardíacos, neurológicos, endócrinos e em processos de descobertas de novas drogas”, explicou Campos de Carvalho.

A professora Milena Botelho Soares, da Fiocruz Bahia, destacou os avanços da terapia celular em trauma raquimedular. Esse tipo de trauma gera várias deficiências graves em decorrência da pouca recuperação espontânea da medula espinhal. Segundo Milena, essas deficiências podem ser de paralisia parcial até completa, o que muitas vezes ocasiona distúrbios em outros órgãos. “A terapia celular vem sendo bem estudada para melhorar a função motora e sensitiva desses pacientes”.

“No inicio da pandemia pelo novo coronavírus, acreditávamos que só o pulmão era atingido, por isso o nome SARS-CoV-2  (Síndrome Respiratória Aguda Grave), mas hoje sabemos que a covid não só acomete o pulmão, a doença pode acometer o cérebro, coração, fígado,” enfatizou a acadêmica Patrícia Rocco. A pesquisadora, que também é da UFRJ, explicou que o processo inflamatório pela doença pode causar uma verdadeira “cascata” inflamatória e as terapias celulares estão sendo estudadas com alternativas de tratamento.

Durante a sessão, o presidente da ANM, Rubens Belfort, ressaltou o papel essencial do médico, compartilhando o caso em que o profissional, durante a pandemia por covid, optou pela respiração boca a boca em uma paciente com parada cardíaca, mesmo estando infectada pelo coronavírus. 

– Esse é o espírito da medicina. Colocar a vida do outro acima de qualquer coisa. Isso é uma atitude brilhante”, ressaltou. 

Também estiveram na pauta das apresentações: “Terapia gênica: o que significa?” com Rafael Linden; “Adenovírus-associado e seu uso como agente terapêutico”, apresentado por Hilda Petrs, ambos da UFRJ; “Terapia gênica e leucemias: linfócitos modificados como agentes terapêuticos”, com Martin Bonamino, do INCa; “Nanotecnologia e vacina em spray nasal para covid-19”, com Marco Antonio Sthefano, da USP; e “Ações do CNPq para apoio à pesquisa em terapias avançadas”, com Evaldo Villela, presidente da instituição de fomento à pesquisa nacional.

Sessão Saudade para Hiram Silveira Lucas

Em homenagem ao imortal Hiram Silveira Lucas, a emocionante Sessão Saudade, da Academia Nacional de Medicina (ANM), ocorrida no dia 20 de outubro, foi regada de lembranças e manifestações de afeto e reconhecimento a esse ilustre acadêmico, falecido no dia 17 de setembro de 2020, e que carimba a imortalidade por sua obra em prol da saúde.

Para homenagear e relembrar as contribuições do acadêmico, a sessão foi presidia pelo Secretário Geral, acadêmico Ricardo Cruz, e ainda participaram dessa celebração o ex-presidente Pietro Novellino, e os acadêmicos Omar da Rosa Santos e José Galvão-Alves.

“Meu sentimento é de profunda saudade. É um sentimento do qual não podemos ser removidos. Ponho em minhas palavras a força do coração, pois segundo Vitor Hugo, o espírito enriquece com aquilo que recebe e o coração com aquilo que dá”, salientou o ex-presidente Pietro Novelino. “Ao nosso querido Hiram, reverenciamos a emoção, pois lembrar é viver”

Os filhos do acadêmico, Rodrigo e Frederico, também participaram da sessão e ressaltaram o exemplo de dedicação e atividade brilhante e incansável em sociedades de classe e o reconhecimento de seus pacientes. Por fim, a viúva do acadêmico, Sra. Talita, fez um emocionado depoimento sobre os últimos meses de vida do acadêmico e agradeceu muito a participação de médicos da ANM na reta final dos cuidados e assistência em saúde. A esposa do acadêmico finalizou com uma frase: “Nos sentimos muito abraçados por todos, nossa gratidão eterna”!

Para conhecer mais da biografia do acadêmico Hiram Lucas, acesse https://www.anm.org.br/hiram-silveira-lucas/.

Atlas sobre ciclo do Toxoplasma

Acadêmico Wanderley de Souza lançou o “Atlas didático do ciclo de vida do Toxoplasma gondii”, em sessão científica da Academia Nacional de Medicina, no dia 15 de outubro de 2020.

Assinado em parceria com os pesquisadores Marcia Attias, Dirceu Teixeira, Marlene Benchimol, Rossiane Vommaro e Paulo Henrique Crepaldi, a obra ainda possui vídeo explicativo e direcionado à população. 

O Toxoplasma gondii é um protozoário que pode causar no homem a toxoplasmose com lesões agudas e crônicas. Segundo Wanderley, 2 bilhões de pessoas em todo mundo albergam o protozoário, mas apenas 10% desenvolvem sintomas.

Uma viagem pela medicina brasileira nos últimos 50 anos

Para comemorar o Dia do Médico (18/10), a Academia Nacional de Medicina convidou o Dr. Dráuzio Varella para sua sessão científica no dia 15 de outubro de 2020. 

O presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr., ao anunciar o convidado, relembrou a amizade que os une, desde os tempos em que foi aluno de Dráuzio Varella. “É uma grande honra, uma grande alegria e um prazer receber você aqui hoje, quando ocupo este cargo.”

Varella fez uma verdadeira viagem pela medicina nos últimos 50 anos, abordou dos sonhos grandiosos de um jovem formado na década de 60 aos dias atuais. 

Dos primórdios de sua carreira, ainda durante a ditatura, relembrou alguns dos ideais de sua geração de formandos: acabar com a miséria, doenças como a tuberculose e baixar os índices de mortalidade infantil, além de alfabetizar todos os brasileiros. De forma crítica, refletiu ainda como sua geração acreditava que fazia parte de uma elite de médicos, cuja ascensão social estava garantida em consultórios particulares. E acrescentou como aqueles jovens das décadas de 60 e 70 tinham uma visão limitada para aspectos como racismo, machismo e homossexualidade. 

Mas, como relembrou, o mundo e o Brasil evoluíram, e os médicos daqueles tempos tiveram que se adaptar. Do direito à saúde limitado aos vinculados ao então INPS às conquistas do Sistema Único de Saúde (SUS), alçando o Brasil a exemplo de um país com um sistema universal e integral.

Dráuzio ressaltou ainda importantes programas nacionais que são reconhecidos mundialmente como o de imunização, de transplante de órgãos, transfusão de sangue, contra o HIV/aids, saúde da família. Hoje, o país, segundo ele, conta com 340 mil agentes de saúde da família.               

Defensor do SUS, Dráuzio relembrou os primórdios da criação de planos de saúde, na década de 90, e transformados em assistência suplementar, sendo responsáveis por parte dos atendimentos à população.

Em sua viagem pelos últimos 50 anos da medicina, Dráuzio ainda abordou os avanços da tecnologia e da robótica aplicados à medicina e o impacto das imagens na radiologia, nos exames e diagnósticos que evitaram as cirurgias exploratórias; além dos medicamentos de última geração e que permitiram controlar doenças como a aids e o câncer, entre outras. Além disso, ressaltou que médicos atuais precisam lidar com pacientes informados.

– Os médicos que nos precederam falavam sobre saúde nas praças. Na atualidade, a tela do celular se tornou o meio mais rápido de nos comunicarmos com os pacientes que são mais informados e, com eles, precisamos discutir a saúde, a doença e os tratamentos. 

Se avançamos em termos de tratamento por um lado; por outro, nossa forma de viver nos trouxe prejuízos para a saúde, disse. Hoje, segundo ele, 90% dos trabalhadores são sedentários, contra 10% na década de 60. 

A sessão ordinária da Academia Nacional de Medicina, em comemoração ao Dia do Médico, ainda contou com uma apresentação do secretário geral, o acadêmico Ricardo José Lopes da Cruz, que relembrou as origens da data, que foi criada no Dia de São Lucas. 

Lopes Cruz enumerou para os cerca de 100 participantes diversos pontos críticos na medicina brasileira atual e que ainda precisam avançar. Distribuição equânime de médicos pelo país, regulamentação das faculdades de medicina, falta de definição sobre a extensão da cobertura universal pelo SUS, regulamentação das filas, a necessidade de melhorias na integração entre os sistemas público e privado, a necessidade da integração dos dados, ponto que foi também mencionado pelo convidado Dráuzio Varella: por que até hoje não temos o cartão SUS? E Lopes Cruz mencionou ainda outros aspectos que merecem comemorações.                                                                       

E por fim, Dráuzio terminou afirmando que, em 50 anos de profissão, jamais se arrependeu da escolha que fez. “Continuo encantado pela medicina. Profissão caprichosa como a mulher amada, capaz de despertar crises inesperadas de paixão.”

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