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José Octávio de Freitas

Nascido José Octávio de Freitas, a 24 de fevereiro de 1871, em Teresina, Estado do Piauí, filho do desembargador José Manoel de Freitas e Dona Teresa Carolina da Silva Freitas. Foi seu primeiro Professor mestre Antônio, escravo da família.

Aos 9 anos transferiu-se para o Recife com os pais e, em decorrência da nomeação do desembargador José Manoel de Freitas para Presidente do Maranhão em 1882, deixou o Recife, indo residir em São Luis, onde iniciou os estudos preparatórios no Colégio do Dr. Rosa, continuando depois no Colégio José Augusto Correia, famoso na capital maranhense. Ali também aprendeu arte gráfica no jornal “O País”, dirigido por Temístocles da Graça Aranha. Mais tarde, com a nomeação do pai para governar Pernambuco, retornou ao Recife, concluindo o curso básico no Colégio anexo à Faculdade de Direito do Recife. Ingressou em seguida na Faculdade de Medicina da Bahia, colando grau na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 15 de janeiro de 1893, com 22 anos.

Espírito aberto às ideias renovadoras, aderiu aos movimentos abolicionista e republicano e, ainda como estudante, fundou com outros colegas o “Clube Republicano da Faculdade de Medicina”.

Foi interno das Clínicas Oftalmológica e Médica dirigidas, respectivamente, pelos Professores Hilário de Gouveia e Francisco de Castro. Este último convidou-o para seu assistente, não aceitando, porque desejava voltar a Recife, onde realizou a grande obra que o imortalizou. Tentou inicialmente a clínica, mas em face da pobreza da clientela, teve que abandoná-la. Deixou a clínica pelas viagens, embarcando em dezembro de 1893 para a Europa como médico da Mala Real Portuguesa, não tendo melhor êxito porque, ao chegar em Lisboa, a Companhia estava falida.

Regressou a Recife no começo do ano seguinte, sendo nomeado ajudante do Superintendente da Higiene Municipal e Adjunto da Clínica Médica do Hospital Pedro II, da qual chegou à chefia. Iniciou, então, estudos demográficos, sendo nomeado, em fins de 1895, demografista da Inspetoria Geral de Higiene. Publicou, logo depois, um boletim com os primeiros estudos sobre demografia sanitária.

Ainda no mesmo ano, começou a publicação do “Anuário de Estatística Demográfico-Sanitária da Cidade do Recife”, que se alongou sem interrupção até 1899, ano em que foi nomeado para Inspetor Geral de Higiene de Pernambuco.

Em Paris, frequentou o Instituto Pasteur, trabalhando sob a orientação dos eminentes Professores Marchoux, Metchnikoff, Laveran e Levaditi. Assistiu o Curso de Microbiologia do Prof. Roger e frequentou o Serviço dos Professores Widal e Chauffard.

Em 1909 sofreu uma dura fatalidade, quando seus dois filhos, Miguel e Octávio, nascidos em 1902 e 1903, respectivamente, morreram no mesmo dia, vítimas de febre amarela. Apesar do ocorrido, continuou trabalhando e produzindo mais do que nunca.

Fundou, em 1900, a Liga Pernambucana Contra a Tuberculose; reorganizou a Sociedade de Medicina de Pernambuco, em 1902; instalou o primeiro Laboratório de Análise no Recife, em 1907; organizou o Primeiro Congresso Médico em Pernambuco, em 1909; fundou a Faculdade de Medicina do Recife, em 1920, o “Jornal de Medicina de Pernambuco”, em 1925 e o Instituto Pernambucano de História da Medicina, em 1926; construiu o Dispensário de Tuberculose, inaugurando-o em 1937; presidiu a Liga de Higiene Mental de Pernambuco (1946-1947); e foi um dos fundadores da Sociedade de Higiene de Pernambuco, em 1947.

Solicitou sua inclusão como Membro Correspondente na Academia Nacional de Medicina, em 1913, e foi eleito Membro Honorário, em 25 de outubro de 1934, tomando posse em 10 de junho de 1937. É o Patrono da Cadeira 55.

No plano cultural, deixou uma obra indispensável a todos os pesquisadores da Medicina Médico-Sanitária em Pernambuco, destacando-se: “Os nossos médicos e a nossa medicina”, “Problemas médicos”, “Meus doentes e meus clientes”, “Dietas e remédios”, “Higiene rural”, “Medicina e costumes do Recife antigo”, “Lições de Microbiologia”, “Os animais na história e na higiene”, “Doenças africanas no Brasil” e “Clima e mortalidade”.

Foi Professor de Microbiologia das Faculdades de Farmácia, Odontologia e Medicina, sanitarista, administrador de saúde pública, escritor, jornalista, pesquisador e, certamente, o primeiro bacteriologista em Recife.

Faleceu no Recife, a 26 de janeiro de 1949.

Francisco Pinheiro Guimarães

O Dr. Francisco Pinheiro Guimarães nasceu no Rio de janeiro, em 24 de dezembro de 1832, filho do escritor Francisco José Pinheiro Guimarães. Formou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1856, apresentando a tese intitulada “Pântanos do aterrado e sua influência sobre a saúde dos vizinhos”.

Entre 1855 e 1865 integrou um grupo de rapazes devotados ao teatro na tentativa de nacionalizar a arte. Foi um dos redatores, de 1862 e 1864, juntamente com Matheus de Andrade, Antônio Souza Costa e João Vicente de Torres Homem, do periódico “Gazeta Médica” do Rio de Janeiro. Também foi poeta, jornalista e dramaturgo. Atuou como deputado pela província do Rio de Janeiro e pelo Município Neutro. Foi colaborador do Comércio Mercantil e do Jornal do Comércio, escrevendo crítica teatral.

Foi médico substituto da Seção Médica e Chefe da Clínica Médica, em 1859 e 1860 respectivamente, e lente catedrático de Fisiologia em 1870, da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Divulgou amplo comentário sobre a febre amarela em Lisboa, em 1862, e participou da polêmica travada no seio da então Academia Imperial de Medicina sobre urinas leitosas.

Foi 1º Cirurgião da Armada Nacional e, quando o Paraguai declarou guerra ao Brasil, se ofereceu como oficial combatente, alistando-se voluntariamente no posto de 2º Tenente, chegando até o posto de Coronel enquanto na ativa e a Brigadeiro Honorário do Exército depois de reformado. Debelou a epidemia de cólera que atacara suas tropas e foi o inventor de alguns instrumentos cirúrgicos. Tomou parte de inúmeros combates, sendo ferido na Batalha de Tuiuti, em 24 de maio de 1866, de cujas consequências veio a falecer mais tarde. Recebeu várias condecorações, dentre elas a de Oficial da Ordem do Cruzeiro Dignatário da Ordem da Rosa, além das Medalhas de Rendição de Uruguaiana e de Mérito e Bravura do Exército em Operações.

Escreveu diversos editoriais e publicou várias obras, tanto na área cultural quanto na médica, como “Quais os preceitos que devem presidir a relação das certidões, atestados e consultas médico-legais?” (1856), “Algumas palavras sobre a epilepsia” (1859), “Urinas Leitosas” (1863), “Mapa feito segundo informações dos passados e dos prisioneiros” (1869, da campanha da Guerra do Paraguai) e “Funções do fígado” (1871).

É Membro Honorário da Academia Nacional de Medicina e Patrono da cadeira 26.

Era pai do também médico e Membro Honorário da Academia Nacional de Medicina Francisco Pinheiro Guimarães e avô dos médicos Silvio Pinheiro Guimarães e Luiz Pinheiro Guimarães, ambos professores da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, além de Ugo Pinheiro Guimarães, Membro Titular da Academia Nacional de Medicina.

O Dr. Francisco Pinheiro Guimarães faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 5 de outubro de 1877, poucos meses antes de completar 45 anos.

José Thompson Motta

O Dr. José Thompson Motta nasceu no dia 14 de fevereiro de 1881, em Fortaleza, no Estado do Ceará, filho de Miguel Joaquim da Motta e de D. Maria Cavalcanti da Motta.

Doutorou-se pela Faculdade Nacional de Medicina em 1906, apresentando a tese intitulada “Contribuições ao estudo do valor semiológico do sinal de westphal”. E, logo após a formatura, começou a clinicar.

Foi eleito Membro Honorário Nacional da Academia Nacional de Medicina em 1936.

O Dr. José Thompson Motta foi Diretor do Hospital São Francisco de Assis, Presidente da Assistência Hospitalar do Brasil, Administrador de Higiene e Assistência Pública do Distrito Federal, Preparador da Cadeira de Tisiologia da Faculdade de Medicina e Assistente da mesma cadeira.

Além disso, foi Chefe do Serviço de Fiscalização de Gêneros alimentícios do Departamento Nacional de Saúde Pública, Professor das Cadeiras de Patologia e de Doenças Tropicais da Escola Ana Nery, Secretário Geral do Departamento Nacional de Saúde Pública, Assistente do Curso de Clínica Médica regido por Carlos Chagas, Assistente Técnico do Serviço Nacional de Assistência Hospitalar, Chefe de Serviço e Diretor da Fundação Gaffrée Guinle.

Muito antes do começo oficial das atividades do Hospital São Francisco de Assis, em 1922, já se prestava assistência a um pequeno grupo de crianças transferidas do Hospital São Zacarias, demolido com o desmonte do Morro do Castelo. Dentre os médicos que prestavam esses serviços estavam, além do Dr. José Thompson Motta, o Dr. Jorge de Gouvêa e Dr. Raul Batista.

Ante a precariedade das instalações do HSFA e a necessidade de expansão do Serviço de Obstetrícia, o então diretor Dr. Thompson Motta, com a participação do Professor João Marinho, consegue obter recursos para a construção de um novo edifício, cujo nome veio honrar a fachada da nova unidade denominada Maternidade Thompson Motta.

Como delegado brasileiro, permaneceu na Europa e América do Norte, em 1927, para estruturar o grande plano de Organização Nacional de Assistência Hospitalar. Na campanha contra a febre amarela, em 1928, foi destacada figura do Departamento Nacional de Saúde Pública, ao lado de Clementino Fraga.

Além da sua tese de doutoramento, outra obra importante publicada é “Princípios essenciais de fiscalização sanitária de gêneros alimentícios”.

A Rua Doutor Thompson Motta, localizada no bairro de Marechal Hermes, na cidade do Rio de janeiro, é uma homenagem a este dedicado e entusiasta símbolo da medicina brasileira

O Dr. José Thompson Motta faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 29 de agosto de 1944.

Alfredo Alberto Pereira Monteiro

Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 15 de maio de 1891, filho de Maximiano Pereira Monteiro e de D. Maria Adelaide Xavier Monteiro.

Formado em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1913, apresentando a tese intitulada “Nomenclatura miológica do homem e dos mamíferos domésticos, com o fim de uniformizá-la”, dedicou-se desde os tempos escolares ao estudo de Anatomia. Foi auxiliar voluntário e, depois, monitor de Anatomia Descritiva.

Já em 1914, concorria à docência livre com outra tese: “Duas anomalias musculares do membro abdominal”. Em 1920 publicava, em colaboração com seu mestre, o Prof. Benjamim Baptista, o 1° volume de um “Manual de Anatomia Humana (esqueleto e músculo)”.

Integrou, sob a chefia de Nabuco de Gouvêa, a Missão Médica Especial, de caráter militar, criada para auxiliar os serviços de saúde dos aliados na Primeira Guerra Mundial e enviada em agosto de 1918, ingressando no posto de Capitão e servindo nos hospitais de Paris.

Em 1922, candidatou-se a professor substituto da Secção de Anatomia e Medicina Operatória na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Ao longo de sua carreira, pode lecionar as seguintes disciplinas: Anatomia Humana e Clinica Neurocirúrgica, Anatomia Comparada dos Animais domésticos na Escola de Veterinária do Ministério da Agricultura, Clínica Cirúrgica no Hospital da Cruz Vermelha e Clínica Cirúrgica Infantil e Ortopedia na Faculdade Fluminense de Medicina.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1934, apresentando a memória intitulada “Crânio-faringiomas”, onde foi vice-presidente (1944-1945) e é o Patrono da Cadeira 38.

Em 1943, incorporou-se a Força Expedicionária Brasileira (FEB) e seguiu para o teatro de operações bélicas na Itália, retornando, mais uma vez, ileso a sua pátria, depois de haver, pela segunda vez, cumprido lealmente e seu dever.

Fez parte das seguintes instituições científicas: Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Sociedade de Neurologia e Psiquiatria, Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Associação dos Anatomistas da França, Sociedade de Anatomia Normal e Patologia da Argentina e Academia Argentina de Cirurgia. É o Patrono da Cadeira 31 da Academia de Medicina do Rio de Janeiro.

Foi autor de muitos artigos de colaboração em revistas e apresentou valiosas comunicações às diversas instituições científicas, além de teses, destacando-se: “Músculos de função apagada ou nula e sua representação em alguns animais” (1920/1921), “O segmento ceco-apendicular” e “Anatomia do mediastino posterior, via de acesso” (1922), “Anatomia dos timos” e “O espaço látero-pélvico-viceral” (1925), “Técnica operatória” (1932) e “Técnica operatória esquematizada” (1933).

Faleceu na sua cidade natal, no dia 9 de fevereiro de 1961.

Enjolras Vampré

Nascido em 04 de julho de 1885, em Laranjeiras, Estado de Sergipe, filho do Dr. Fabrício Carneiro Tupinambá Vampré e de D. Mathilde de Andrade Vampré.

Graduou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1908. Interno da cadeira de Clínica Psiquiátrica e Moléstias Nervosas, defendeu sua tese de doutoramento “Considerações sobre as perturbações nervosas e mentais na peste bubônica”, logrando aprovação com louvor. Foi o melhor aluno de sua turma, tendo seu retrato colocado no Panteon da Faculdade de Medicina.

Com o prêmio de viagem à Europa, em 1910, frequentou em Paris os cursos de Babinski, Dejerine, Guillain e Bertrand. Esteve também na Alemanha, em vários serviços especializados.

Voltando para São Paulo, foi nomeado médico-interno do Hospício de Alienados, de Juquerí. Em 1912 foi indicado para Diretor da Secção de Neuropsiquiatria do Instituto Paulista, cargo que ocupou até seu falecimento.

Em 1925, iniciou suas atividades como Professor, regendo a cadeira de Psiquiatria e Moléstias Nervosas, na Faculdade de Medicina de São Paulo. Em 1955, desdobrando-se o Departamento, foi contratado para reger a Cadeira de Neurologia. Foi, também, Inspetor Sanitário do Estado de São Paulo.

Em 1932, a Congregação da Faculdade de Medicina, por decisão unânime, enviou aos poderes competentes longo e documentado memorial, propondo-o para a regência definitiva da Cadeira. O Professor Enjolras Vampré recusou, insistindo para que fosse realizado o concurso. Foi nomeado Professor Catedrático em 24 de dezembro 1935.

Foi fundador da Escola Neurológica Paulista e da Secção de Neurologia e Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina, tendo sido seu Presidente, em 1936, Presidente da Academia de Medicina de São Paulo, membro da Sociedade de Neurologia e Psiquiatria do Rio de Janeiro, da Academia Nacional de Medicina de Buenos Aires, da Sociedade de Neurologia de Paris e da Associação Médica do Instituto Penido Burnier (Campinas, SP).

Foi eleito Membro Honorário pela Academia Nacional de Medicina em 25 de outubro de 1934, sendo o Patrono da Cadeira 49. É, também, o Patrono da Cadeira 54 da Academia de Medicina de São Paulo, da Cadeira 38 da Academia Paulista de Psicologia e da Cadeira 11 da Academia Sergipana de Medicina.

Publicou numerosos trabalhos, destacando-se: “Considerações sobre alguns casos de esclerose em placas” (1925), “Tratamento da encefalite epidêmica e suas manifestações tardias” (1926), “Esclerose lateral amiotrófica de forma pseudo-polineurítica” (1926), “Síndrome de Hand-Schüller-Christian” (1930), “Tumor da bolsa de Rathke” (1930), “Profilaxia da sífilis nervosa” (1934) e “Perturbações da leitura de origem cerebral e síndromes bulbares: contribuição para o estudo da fisiopatologia do bulbo raquidiano”, sendo este último premiado pela Associação Paulista de Medicina, em 1938, com o prêmio Honório Líbero.

Faleceu em 17 de maio de 1938, aos 53 anos, no auge de suas faculdades científico-didáticas.

O nome da Rua Professor Enjolras Vampré, no bairro de Vila Santa Cândida, na cidade de São José do Rio Preto (SP), e no bairro Jardim da Saúde, na capital paulista, foi dado em sua homenagem.

Heitor Pereira Carrilho

O Dr. Heitor Pereira Carrilho nasceu no dia 21 de março de 1890, em Natal, no Estado do Rio Grande do Norte, filho de José Calistrato Carrilho e de D. Maria Emília Pereira Carrilho.

Doutorou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1913, defendendo tese intitulada “Contribuições ao estudo das formas depressivas da psicose pré-senil”. Pouco tempo depois, começou a exercer clínica geral com especialização em Psiquiatria no Hospital de Alienados da Praia Vermelha, onde transformou-se em um grande mestre da Psiquiatria, exercendo grandes cargos junto aos seus companheiros e acadêmicos Dr. Juliano Moreira e Dr. Austregésilo; foi Interno extranumerário (1909), Interno efetivo (1910), Alienista interino (1917) e Alienista efetivo (1918).

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 1929, apresentando Memória intitulada “Estudo clínico das epilepsias emotivas”. Foi, também, Membro da Sociedade Brasileira de Psiquiatria e Medicina Legal.

O Dr. Carrilho foi médico encarregado do Serviço de Alienados Delinquentes, em 1919, da Assistência e Alienados do Distrito Federal (Seção Lombroso) – lá tornou-se Membro do Conselho Penitenciário do Distrito Federal.

Dedicou sua vida pública ao manicômio judiciário do Rio de Janeiro. Seguindo a orientação de Juliano Moreira, Heitor Carrilho lutou para que fosse inaugurado o Manicômio Judiciário em 1921, tendo sido o seu primeiro diretor. Nessa função, organizou suas diferentes seções, burocráticas, técnicas e científicas, até 1954.

Dedicou-se inteiramente à prática da Clínica Psiquiátrica, mas também cultivou a Psiquiatria Forense e a Psicopatologia Criminal. Seu nome batiza o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho, na rua Frei Caneca, no Rio de Janeiro. Outra homenagem foi feita em sua cidade-natal, quando a Clínica Heitor Carrilho foi inaugurada ainda nos anos 1950.

Em 1928, relatou, após intensas pesquisas e várias entrevistas, o célebre laudo pericial, muito moderno para a época, que declarou a inimputabilidade penal do famoso criminoso Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, inaugurando o Direito Positivo no Brasil.

Com a morte de Juliano Moreira, Heitor Pereira Carrilho o substituiu no Conselho Penitenciário do Rio de Janeiro, em 1930. Nesse período, organizou e chefiou o Serviço de Assistência aos Psicopatas do Estado do Rio de Janeiro.

O Dr. Heitor Pereira Carrilho deixou vários trabalhos publicados, dentre os quais podemos destacar: “A respeito dos intervalos lúcidos da psicose maníaco-depressiva” (1921), “Psicopatologia da paixão amorosa e seu aspecto médico-legal” (1933), “Considerações sobre a periculosidade dos epiléticos” (1934) e “As personalidades psicopáticas em face da legislação penal brasileira” (1951).

Em 1955 o Manicômio Judiciário do Serviço Nacional de Doenças Mentais teve o seu nome alterado por Decreto 37.990 de 27/09/1955 passando a designar-se Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho, localizado na rua Frei Caneca, no Rio de Janeiro. Outra homenagem foi feita em sua cidade-natal, quando a Clínica Heitor Carrilho foi inaugurada ainda nos anos de 1950. Também, foi homenageado com nome da rua Doutor Heitor Pereira Carrilho, no bairro Freguesia do Ó, em São Paulo.

O Dr. Heitor Pereira Carrilho faleceu no Rio de janeiro, no dia 20 de maio de 1954.

José Alves Maurity Santos

Nasceu no dia 9 de maio de 1889, na cidade do Rio de Janeiro, filho de Antônio da Silva Santos, catedrático de Anatomia da Faculdade Nacional de Medicina, e de Dona Maria Eulália Maurity Santos.

Formado em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1910, apresentando a tese intitulada “Terapêutica científica e charlatanismo”.

Desde o início dedicou-se à cirurgia e às especialidades de Ginecologia e Obstetrícia. Foi interno do Serviço de Cirurgia do Dr. Daniel D’Almeida e de Clínica Obstétrica e Ginecológica da faculdade, médico adjunto e depois chefe do serviço de Puericultura Intrauterina do Instituto de Proteção à Infância do Rio de Janeiro. Em 1914 conquistou a livre-docência da cadeira de Ginecologia pela Faculdade Nacional de Medicina.

Seguiu para França, onde frequentou, no Hospital Cochin, o famoso Serviço de Ginecologia do professor Jean Louis Faure. Regressando ao Brasil, trabalhou inicialmente na Maternidade da Santa Casa, como assistente e chefe de Clinica da cadeira de Ginecologia da Faculdade Nacional de Medicina até 1922.

De 1922 a 1926, exerceu intensa atividade clínica. E foi cirurgião do Hospital Nossa Senhora da Saúde (Gamboa), na qualidade de chefe de clínica do Serviço de Ginecologia e Cirurgia do Hospital de Gamboa, onde fez escola das mais famosas e conhecidas. Entre seus numerosos discípulos, destacam-se Clovis Salgado, Waldemar Paixão, Volta Batista Franco, Salomão Kaiser e muitos outros.

Foi eleito membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1934, onde é o Patrono da Cadeira 37.

Foi presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, vice-presidente da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Brasil, membro fundador do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, membro honorário da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia e sócio correspondente de várias sociedades médicas no exterior.

Desde de sua tese, publicou ao todo 33 trabalhos, grande parte sobre os temas de Ginecologia e Obstetrícia, destacando-se: “Do segmento inferior do útero e seu papel patogênico em ginecologia” (1914, tese de livre docência), “O problema da assistência à mãe pobre do Brasil, medidas práticas para resolvê-lo” (1918), “Puericultura intrauterina” (1922), “A litíase urinária (uretral e vesical) na mulher como complicação do prolapso genital” (1926), “Prolapsos útero-vaginais complexos e seu tratamento cirúrgico” (1930) e “Indicações e técnica da paratidectomia total” (1932).

Em 1935, regeu interinamente a cadeira de Ginecologia da Faculdade Nacional de Medicina

Faleceu na sua cidade natal, em 6 de outubro de 1937.

Olympio Olinto de Oliveira

Olympio Olinto de Oliveira nasceu na cidade de Porto Alegre, em 5 de janeiro de 1866. Graduou-se em 12 de janeiro de 1887 pela Faculdade Nacional de Medicina, onde foi discípulo de Carlos Arthur Moncorvo de Figueiredo. A trajetória profissional de Olympio Olinto de Oliveira pode ser dividida em dois tempos. Um, passado em Porto Alegre e outro vivido na cidade do Rio de Janeiro capital da República, onde fez sua formação médica. Nos dois casos, dedicou-se com obstinação e pioneirismo à formação de pediatras e à implementação de políticas públicas de proteção da criança.

Assim que se formou, com 21 anos de idade, voltou a residir em Porto Alegre, onde fundou em 1898, em companhia de outros colegas, a terceira Faculdade de Medicina do país. Na época só havia as faculdades da Bahia e do Rio de Janeiro.

Olympio Olinto de Oliveira lecionou química, biologia, anatomia, fisiologia, anatomia patológica, clínica médica, ortopedia pediátrica e clínica pediátrica, inaugurada em 1903. Na oportunidade criou o instituto Pasteur – para tratamento preventivo da raiva (que teve vida curta).

Em 1890 fundou o dispensário de crianças da Santa Casa da Misericórdia. Clinicava, ainda, no Serviço de Crianças da Santa Casa da Misericórdia. Como muitos médicos do século XIX, percebia sua prática profissional como uma arte, sujeita ao subjetivismo e à sensibilidade humana.

No Rio de Janeiro, participou com Antonio Fernandes Figueira da fundação da Sociedade Brasileira de Pediatria, em 1910.

Homem de cultura vasta e diversificada, ajudou a organizar a Academia Rio-Grandense de Letras (1901), onde chegou a ocupar a cadeira 26 (1944). Além disso, colaborou com a criação do Instituto Livre de Belas Artes, em Porto Alegre, que presidiu em 1918. Tinha, ainda, uma coluna no “Correio do Povo” de Porto Alegre, com o pseudônimo de Maurício Bohn.

Em 1918 transferiu-se para o Rio de Janeiro, dando início, junto com outros colegas de faculdade, entre os quais Fernandes Figueira, a intensa atividade em favor da criança, sobretudo no Hospital Artur Bernardes, hoje Instituto Fernandes Figueira, onde atendia crianças e formava pediatras. Lá foram dados os primeiros passos da organização da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Na oportunidade, a Sociedade desenvolvia apenas reuniões científicas, com a participação restrita aos associados residentes na cidade do Rio de Janeiro.

No final dos anos 20, criou com Américo Augusto o periódico “Arquivos de Pediatria”. Esta revista científica chegou a ter uma circulação mensal, tratando de temas relacionados com a clínica, a higiene infantil e a puericultura em geral. Sua visão sobre a importância da divulgação científica pediátrica pode ser bem identificada quando afirmou, em um dos Arquivos de Pediatria: “É tempo de se irem agrupando (os pediatras brasileiros) em torno do ideal comum, de se conhecerem e auxiliarem, e de constituírem a grande família da Pediatria Nacional. Que se congreguem as sociedades pediátricas, que se publiquem trabalhos, observações e contribuições, que se reúnam em sessões conjuntas os grupos vizinhos, até que tenhamos, enfim, o nosso Congresso Nacional da especialidade”.

Com a morte de Fernandes Figueira (1928), Olinto de Oliveira assumiu a presidência da Sociedade Brasileira de Pediatria. Na oportunidade, fez a reforma do estatuto da Sociedade e dinamizou o “Jornal de Pediatria” – órgão oficial da entidade.

A Era Vargas trouxe Olinto de Oliveira para a cúpula do poder público referente à assistência à criança. Inicialmente, foi Chefe da Inspetoria de Higiene Infantil. Em 1933, convocou e presidiu a “Conferência Nacional de Proteção e Assistência à Infância”, quando os pediatras e sanitaristas brasileiros presentes fizeram sugestões ao governo em relação à saúde infantil. No ano seguinte, esta inspetoria foi transformada na Diretoria de Proteção e Assistência à Infância.

Com o Estado Novo (1937 – 1945), as políticas públicas em favor da criança assumiram uma centralidade inédita na História do Brasil. Em 1940, Olinto de Oliveira criou e dirigiu o “Departamento Nacional da Criança”. Seu objetivo era normatizar nacionalmente o atendimento ao binômio mãe-filho e combater a mortalidade infantil. Olinto de Oliveira projetou para este departamento representações nos diversos estados da federação: os “Departamentos Estaduais da Criança”. Além disso, organizou os “Cursos de Puericultura e Administração”, destinados à formação de puericultores nos serviços regionais. Os profissionais que concluíam o curso, ao retornarem aos estados de origem, assumiam coordenações ou chefias dos Postos de Puericultura. Este curso era ministrado no Hospital Artur Bernardes, atual Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz. Nesta mesma época, Olinto de Oliveira remodelou este Hospital, vinculando-o ao próprio “Departamento Nacional da Criança”.

Sua produção científica reúne mais de cem artigos sobre pediatria, higiene e assistência à infância em periódicos científicos brasileiros, franceses e italianos, que traduzem sua interlocução internacional.

Foi Membro Honorário da Academia Nacional de Medicina, da Academia Americana de Pediatria e da Sociedade de Pediatria de Paris.

É o Patrono da Cadeira No. 45 da Academia Nacional de Medicina.

Entre seu legado consta seu filho, Mario Olinto de Oliveira, que nasceu em Porto Alegre em 19 de abril de 1898, e seguiu seus passos: foi pediatra e presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria e Membro Titular da Academia Nacional de Medicina.

A contribuição de Olympio Olinto de Oliveira à medicina brasileira fez com que seu nome fosse inscrito, em 1953, no Livro de Mérito dos Grandes Vultos Nacionais.

Olympio Olinto de Oliveira faleceu no Rio de Janeiro, no dia 31 de maio de 1956, pouco depois de ter completado 90 anos.

João Pizarro Gabizo

Nascido em 20 de outubro de 1845, na cidade do Rio de Janeiro, filho do General Antônio Fernandes Pizarro Gabizo e de Dona Jesuina Torres Gabizo. 

Fez o curso de humanidades no Colégio Victorio e no Mosteiro de São Bento e graduou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 05 de dezembro de 1867, após defesa da tese: “Do prolapso do cordão como causa da distocia”.

O Dr. João Pizarro Gabizo cursava o 5º ano quando foi declarada a Guerra do Paraguai, para onde seguiu como 2º cirurgião da Armada, recebendo do governo imperial, ao regressar, o hábito da Rosa. Dessa época até fins de 1879, exerceu, nesta cidade, a clínica geral.

Em 1880, partiu para a Europa em viagem de estudos, tendo seguido para Viena, na Áustria, onde permaneceu por um espaço de quase dois anos. Matriculou-se no curso de Dermato-sifilografia e Laringologia a cargo do Prof. Schrötter, acompanhando também o serviço do Prof. Politzer. Foi, porém, à Dermato-sifilografia que se dedicou com mais afinco e grande entusiasmo, tornando-se, mais tarde, autoridade incontestável em tais assuntos.

Em 1883, quando se fez a reforma das Faculdades de Medicina, foi criada a cadeira de “Clínica de Moléstias Cutâneas e Sifilíticas”, para qual Gabizo foi nomeado o primeiro professor, por decreto de 14 de abril de 1883. Em 1894, foi, pelo governo de Marechal Floriano, nomeado Vice-Diretor da Faculdade de Medicina, cargo que ocupou por pouco tempo.

Em 1890, foi indicado para presidir o Comitê Brasileiro da “Societé Internationale de Phophylaxie Sanitaire et Morale”.

Em 1896, foi convidado pela Irmandade do S. S. da Candelária para desempenhar as funções de Diretor Clínico do Hospital dos Lázaros, nelas se mantendo até a data de seu falecimento. 

O Dr. João Pizarro Gabizo foi eleito Membro Honorário da Academia Nacional de Medicina na sessão do dia 3 de novembro de 1903.

Faleceu no Rio de janeiro, a 16 de maio de 1904.

Antônio Cardoso Fontes

O Dr. Antônio Cardoso Fontes nasceu em Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro, no dia 6 de outubro de 1879, filho de Antônio Cardoso Fontes e D. Maria Cardoso Fontes.

Matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1897, terminando o curso médico, em 1902, defendendo sua tese de doutoramento intitulada “Vacinação e soroterapia antipestosas”, com distinção, em março de 1903, no Instituto Manguinhos, sob direção de seu mestre Oswaldo Cruz.

Durante o seu curso acadêmico foi interno, adjunto e, posteriormente, efetivo da Santa Casa de Misericórdia do Rio de janeiro, no serviço dos Professores Paes lemePereira Guimarães e Barão de Pedro Affonso, além de monitor voluntário dos Cursos de Anatomia Descritiva e Médico-Cirúrgica, sendo Preparador das respectivas cadeiras o Dr. Benjamin Batista.

Logo depois de formado, foi designado pelo Dr. Oswaldo Cruz, então Diretor do Instituto Soroterápico Federal, para exercer, interinamente, o cargo de Diretor do Laboratório Bacteriológico Federal. Em 1904, assumiu cargo de Inspetor Sanitário dos Serviços de Profilaxia da Febre Amarela, no Serviço de Isolamento e Desinfecção, nas campanhas antiamarílica e de profilaxia e erradicação da peste bubônica. Em 1905, organizou e dirigiu o Serviço de Desinfecção das Galerias de Águas Pluviais, por meio do aparelho Clayton, contribuindo para a desratização e a profilaxia anti-larvária. No ano seguinte, foi a vez do Serviço Sanitário do Maranhão, onde debelou um surto de peste bubônica e organizou os serviços sanitários na capital São Luís.

O Dr. Cardoso Fontes, em 1911, fez parte da Comissão que foi representar o Brasil na Exposição Internacional de Higiene em Dresden, Alemanha. Além deste, participou de vários eventos internacionais em Roma (onde obteve o diploma de honra por seus trabalhos originais sobre a biologia do vírus tuberculoso), Budapest, Viena, Oslo, Paris, Hamburgo, Berlim, Córdoba e Montevidéu, apresentando diversos trabalhos sobre a tuberculose, dentre eles: “Tuberculose bovina”, “Filtrabilidade do vírus tuberculoso”, “Influência dos extratos de gânglios tuberculosos sobre a morfologia do bacilo de Koch e sobre a evolução da respectiva infecção”, “Ação exercida pelos lipoides sobre o vírus da tuberculose e seu aproveitamento na tuberculinoterapia”, “Sobre a forma filtrável da tuberculose” e o livro “LUltravirus tuberculeux”, editado em Paris.

Em 1918, tornou-se Diretor de Serviços de Saúde e Assistência Pública do Município de Petrópolis.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1927, e empossado, em 1928. Foi admitido sob apresentação da memória intitulada “Formas filtráveis saprofíticas e ácido-resistentes do bacilo de koch: sua importância na patogenia e profilaxia da tuberculose”. É o Patrono da Cadeira 70.

Foi fundador e primeiro Presidente da Sociedade Brasileira de Tuberculose, Presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia, Presidente Honorário da Sociedade Médica de Petrópolis, Membro do Conselho Consultivo da Liga Brasileira Contra a Tuberculose, Professor “honoris causa” da Faculdade de Medicina da Bahia, Membro da Academia Petropolitana de Letras, Membro Honorário da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo e da Sociedade de Biologia Argentina, Doutor “honoris causa” pela Universidade de Wilno, na Polônia. A ele também foi conferida, por Sua Santidade o Papa Pio XII, a consagração de Membro da Academia Pontifícia de Ciências.

O Dr. Cardoso Fontes notabilizou-se pelos estudos sobre a tuberculose e a forma granular do bacilo, como expressão do seu “dinamismo morbígeno”. Suas experiências foram confirmadas e vários trabalhos realizados pela Escola de Calmette, no Instituto Pasteur, de Paris.

Após participar de diversos congressos e premiações em sua luta contra a tuberculose, foi nomeado, em 1934, Diretor do Instituto Oswaldo Cruz, em substituição a Carlos Chagas, que acabara de falecer.

Além disso, o Dr. Cardoso Fontes, em 1935, colaborou com o Acadêmico Rolando Monteiro na fundação da Faculdade de Ciências Médicas do Rio de Janeiro, da qual foi Professor de Microbiologia e seu primeiro Diretor.

Seu filho, o Dr. Murillo Cardoso Fontes, seguiu os seus passos, tanto na careira das letras como também se formando em medicina, atuando na Clínica Gaffrée-Guinle, no Hospital São João Batista, da Lagoa, no Sanatório de Curicica o no Instituto Oswaldo Cruz.

O Dr. Cardoso Fontes faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 23 de março de 1943.

Tem seu nome imortalizado em diversos lugares do Brasil, como em Petrópolis, sua cidade natal, na Rua Professor Cardoso Fontes, e no Hospital Federal Cardoso Fontes, localizado na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro.

Rodolpho Albino Dias da Silva

Rodolpho Albino Dias da Silva, filho do Dr. João Albino Dias da Silva e D. Alzira Mendonça Dias da Silva, nasceu no município de Cantagalo, no Estado do Rio de Janeiro, em 5 de agosto de 1889.

Seus estudos de humanidades foram feitos no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo. Diplomou-se em Farmácia, em 1909, pelo antigo curso farmacêutico da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Na ânsia de aperfeiçoar seus estudos e conhecimentos científicos, logo após sua formatura, viajou para Paris, onde se aprofundou no estudo da química, da botânica e sobretudo da farmacognosia, com os grandes mestres franceses como, Emile Perrot, Albert Goris e outros.

De volta da Europa, ingressou no Exército como Farmacêutico Militar, após brilhante concurso, em 11 de fevereiro de 1914, indo servir no Rio Grande do Sul. Fez parte, também, do quadro de farmacêuticos do Laboratório Químico Farmacêutico do Exército.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 1919, apresentando a memória intitulada “Falsas ipecas do Brasil”. É o Patrono da Cadeira 96.

Foi um dos fundadores e eleito Presidente da Associação Brasileira de Farmacêuticos (1920-1921 e 1927-1928). Fundou, também, o “Boletim da Associação Brasileira de Farmacêuticos”, órgão oficial da instituição que dirigiu e foi Redator-chefe, imprimindo magnífica orientação científica e publicando seus trabalhos sobre plantas medicinais brasileiras, como “O guaicurú” e a “Caroba”, e também divulgou algumas monografias de seu projeto de Farmacopeia.

Na comemoração do 1º centenário da Independência do Brasil, o Presidente Epitácio Pessoa realizou numerosos congressos, dentre eles o 1º Congresso Brasileiro de Farmácia, no qual Rodolpho Albino Dias da Silva integrou a comissão organizadora do referido certame e apresentou o seu projeto da Farmacopeia Brasileira.

Na grande reforma do Departamento Nacional de Saúde Pública feita por Carlos Chagas, em 1920, foram criados dois lugares de químicos que, em 1921, foram preenchidos por concurso, sendo um deles ocupado pelo Rodolpho Albino Dias da Silva e outro por Isaac Werneck da Silva Santos.

Deixando o Exército, assumiu o cargo de Químico da Inspetoria do Serviço da Fiscalização da Medicina, a qual se dedicou com carinho e notável idoneidade cientifica, encontrado em seu desempenho um ambiente mais condizente com o gênero de estudos que há muito vinha se dedicando.

Em 1925, fundou e dirigiu a “Revista Brasileira de Medicina e Farmácia”, mantida pela Casa Granado, onde publicou importantes trabalhos científicos, destacando-se entre eles o que escreveu sobre a “Sapucainha” Carpotroche Brasiliensis, o mais completo e moderno estudo sobre a planta.

O decreto de 17.509 de 4/11/1926 aprovou a 1ª Farmacopeia Brasileira, intitulada “Farmacopeia dos Estados Unidos do Brasil”, o Código Nacional Farmacêutico, de autoria de Rodolpho Albino Dias da Silva, tornado obrigatória a partir de 15 de agosto de 1929. A primeira edição da Farmacopeia Brasileira equiparava-se às farmacopéias dos países tecnologicamente desenvolvidos, porém diferenciava-se das demais por conter descrições de mais de 200 plantas medicinais, a maioria delas de origem brasileira.

A reforma do ensino de 1925 criara, no 3º ano do currículo farmacêutico, a cadeira de Farmacognosia, sendo Rodolpho Albino convidado para lecionar esta disciplina, ainda muito mal conhecida entre nós daquela época.

Além de sua invulgar cultura científica e literária, era Rodolpho Albino grande cultor de artes, utilizando-se com maestria do lápis e do pincel, não só para ilustrar seus trabalhos científicos, como também para pintar magníficos quadros e executar apreciadas caricaturas. Pianista exímio, compunha nas horas vagas músicas que fizeram bastante sucesso. Era também poeta e tanto versejava em vernáculo como em Frances, língua que conhecia profundamente.

Faleceu em 7 de outubro de 1931, na cidade do Rio de Janeiro.

Pedro Francisco da Costa Alvarenga

Pedro Francisco da Costa Alvarenga nasceu em Oeiras, Piauí, em 1826. Era neto do português Francisco José da Costa Alvarenga, homem culto e inteligente que, embora sem as láureas acadêmicas, fazia as vezes de médico na província.

Em 1834, deixou Oeiras, então capital do Piauí (capital de 1759 a 1852), com apenas 8 anos de idade, mudando-se, com toda a família, para Portugal, e nunca mais retornou à sua terra natal.

Quando faleceu, rico e famoso, em 1883, em Lisboa o Dr. Pedro Francisco da Costa Alvarenga era um respeitadíssimo médico e cientista em dimensão Europeia. Era um homem muito rico e, em um de seus legados, destinou uma quantia à Província do Piauí para a construção de uma Escola em Oeiras. A “Corte Imperial” que fez com que a mudança da capital, em 1852, para Teresina, operasse, também, a mudança se suas duas escolas para a nova capital, deixando Oeiras sem nenhuma, permite-nos aquilatar a importância do gesto do cientista para com a sua terra natal, ao consignar o legado. E não diminui em nada o valor da intenção o fato de o governo piauiense ter usado o dinheiro e postergado, por cerca de quarenta anos, a criação do “Grupo Escolar Costa Alvarenga” (Joca Oeiras). Provando, também, nunca ter renegado suas raízes piauienses, o cientista instituiu, com sua herança, o “Prêmio Alvarenga do Piauí” para as Academias de Medicina de Paris, Lisboa, Bruxelas, Viena, Berlim, Filadélfia, Estocolmo e Rio de Janeiro.

Em Lisboa, ainda adolescente cursou Matemática na Escola Politécnica e Zoologia na Academia de Ciências. Em 1845, matriculou-se no curso de Medicina da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, concluindo-o com louvor em 1850. Depois de formado, rumou para a Bélgica, doutorando-se com brilhantismo pela conceituada Universidade de Bruxelas, em 1852.

De retorno a Portugal, iniciou o trabalho de atendimento clínico, tornando-se médico efetivo do Hospital de São José, da Santa Casa de Misericórdia, subdelegado de saúde e médico honorário da Câmara de Sua Majestade Fidelíssima. Foi, entretanto, inexcedível em sua luta de amparo aos enfermos durante as duas grandes epidemias de cholera morbus e de febre amarela, que assolaram a capital portuguesa (1853 – 1856), assumindo a direção de vários hospitais especialmente montados naquela oportunidade. Por esse tempo adquiriu grande reputação, sendo chamado a toda parte. Era o médico de Lisboa. Segundo a imprensa de antanho, se não bastasse a sua profícua produção acadêmica, bastava ouvi-lo “para se reconhecer o médico que sabe fazer o diagnóstico das doenças de peito com precisão quase matemática. A auscultação, a percussão, a mensuração, assim como os demais meios de descobrir as doenças, têm no sr. Alvarenga um apaixonado cultor”. E mais, “em tão breves anos não é fácil adquirir neste país maior soma de conhecimentos teóricos e práticos do que possui o sr. dr. Alvarenga” (A Revolução de setembro, n.º 6045, de 8.7.1862; A crença, de 9.7.1862).

Concomitantemente ao atendimento clínico, dedicou-se com afinco e denodo ao ensino e à pesquisa, encetando vitoriosa carreira acadêmica. Em 1862, depois de consagradora aprovação em concurso público, assumiu a livre-docência de Matéria Médica da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde se formara doze anos antes.

Em 1853, fundou e tornou-se o principal redator da Gazeta Médica de Lisboa, conceituada revista que circulou até o ano de 1875, de onde vários artigos foram traduzidos e republicados em outras importantes publicações científicas europeias. Dada a sua notoriedade acadêmica, ingressou como sócio efetivo na Academia Real de Ciências e correspondente na Imperial Academia de Medicina do Rio de Janeiro, além de mais de trinta associações de ciências e letras da Europa. Foi agraciado com títulos e comendas em diversos países.

Realizou inúmeras descobertas científicas. Porém, o que mais notabilizou o seu nome foi a descoberta, em 1856, do sinal do duplo sopro crural da Insuficiência Aórtica, também conhecido como “Sinal Alvarenga-Duroziez”. Ocorre que aquele conhecido cardiologista francês observara o mesmo sinal seis anos depois e então estava sendo ensinado na escola francesa com o nome exclusivo deste. Entretanto, Costa Alvarenga reivindicou seus direitos e a Academia de Paris, considerando que o sintoma já estava muito vulgarizado com aquele nome passou a denominá-lo homenageando os dois cientistas. Entretanto, alguns tratadistas, entre os quais o italiano Castellino e o brasileiro Miguel Couto, reconhecem apenas a primazia do luso-brasileiro denominando-o apenas por “Sinal de Alvarenga”.

Em 1872, permaneceu no Rio de Janeiro participando dos debates na Academia Imperial de Medicina, que resultaram na publicação de um livro em 1873. Quando Regressou a Portugal, Costa Alvarenga passou pela Bahia, oportunidade em que medicou o jovem Rui Barbosa, diagnosticando anemia cerebral e subnutrição.

Costa Alvarenga faleceu em 14 de julho de 1883, na cidade de Lisboa, vítima de lesão aórtica fulminante, o mal que estudara por grande parte de sua vida. Possuía apenas 57 anos de idade e já era um dos mais respeitados cientistas da Europa.

No Brasil, é patrono da cadeira 10 da Academia Nacional de Medicina.

Pedro Paulo Paes de Carvalho

Nasceu em Belém, Estado do Pará, em 31 de julho de 1890, filho de José Paes de Carvalho e de D. Angela Paes de Carvalho. Formado no ano de 1918, pela Faculdade de Medicina de Paris, França, fez defesa de tese de doutoramento sobre “Extirpação dos fibromas uterinos complicados de lesões anexais”. Revalidou o seu diploma na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1919.

Terminou o seu curso superior no Lycée Louis- Le- Grand, (o antigo e histórico College de Clemont) onde foram educados inúmeros personagens da história de França e onde cursou latim, grego, ciências, línguas vivas e letras com os notáveis professores Rocherolles, Mercier, Plaisant, Dejean de La Bâtie, Durkhein e Malapert, bacharelando-se na tradicional Sorbonne nos três programas (latim-grego, latim-ciências e ciências línguas). Formou-se em Física, Química e História Natural (P.C.N). Matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Paris até o seu Doutoramento (retardado pela 1ª Grande Guerra), em 1918, com menção honrosa.

Frequentou, de 1912 a 1918, como estagiário, “Externe des Hôpitax” e Interno e Assistente dos professores Widal, Bazy, Legueu, Chauffard e Démelih e ficou responsável pelas enfermarias de feridos militares que chegavam diretamente do ‘front” (300 leitos de civis e militares, até 1917). Nessa época, fez parte da “Equipe Chirurgical Mobie” sob a chefia do Dr. Thierry de Martel, enviada como reforço a um hospital de sangue mantido por médicas irlandesas durante a famosa Offensiva de Champagne e funcionando na Abba de Royaumont. Nessa oportunidade, foi proposto ao Ministro Barthou pelo Marechal Foch, para Chevallier de La Légion d’ Honneur (condecoração francesa de 1ª grandeza) que veio a receber, já de volta ao Brasil, pela mão do então Embaixador de França Sr. Conty. Outras condecorações francesas lhe foram conferidas nessa ocasião: Reconnaissance Française, Médailledes Alliés, comemorativo de 1ª Guerra, Médailles de La Croix Rouge Française et de La Ville de Paris.

Em consequência de seus serviços na ambulância Franco-Brasileira de Paris, sob a chefia de Paulo do Rio Branco, foi incorporado à Missão Médica Militar, com o posto de Capitão-Médico e enviado a Nantes, com uma turma de seis médicos brasileiros que, chegando em plena epidemia de gripe espanhola, foram designados pelas autoridades francesas para diversos Hospitais da cidade, onde prestaram relevantes serviços, sendo-lhe outorgada a Medalha do Pacificador e, finalmente, Comendador da “Ordem do Mérito”.

Foi contratado interinamente para o serviço de urgência do Hospital de Pronto Socorro (Serviço Chapot-Prévost), encarregado da montagem do Hospital Getúlio Vargas, nomeado Chefe de seu grande Serviço de Cirurgia (150 leitos), Diretor Geral da Assistência Hospitalar, durante um ano, Chefe do Ambulatório de Ginecologia do Hospital da Gamboa e encarregado da montagem do Hospital Pedro Ernesto.

Além dos seus serviços técnicos e cirúrgicos, o Dr. Pedro Paulo dedicou-se a Associação de Pais de Família e publicou vários artigos em revistas médicas e jornais diários e outros trabalhos, destacando-se “Tratamento da Osteo-Artrite tuberculosa do joelho”, “Da apendicite aguda na criança”, “Úlceras gastro-duodenais perfuradas em peritônio livre”, “Megalon (estudo clínico e operatório)” e “Aspectos psico-biológicos do matrimônio”.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em novembro de 1938, apresentando a memória “Fratura da bacia na mulher – considerações em volta de um caso complexo e seu tratamento”, onde exerceu o cargo de Presidente da Secção de Cirurgia Geral (1945/1946), e foi transferido para a classe de Eméritos em 5 de outubro de 1972. É o Patrono da Cadeira 24.

Foi, ainda, Membro da Sociedade Internacional de Cirurgia e do American College of Surgeons, Membro Fundador do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e Presidente do Sindicato Médico Brasileiro.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 8 de junho de 1980.

Antônio Felício dos Santos

O Dr. Antônio Felício dos Santos, médico, político, conferencista, jornalista, escritor e industrial, descendente de uma das famílias mais tradicionais do Estado de Minas Gerais, nasceu no dia 8 de janeiro de 1843, na cidade Diamantina, filho do Major Antônio Felício dos Santos e de D. Mariana Fernandes dos Santos.

Doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1863, apresentando a tese intitulada “Hypoemia intertropical” e, após a formatura, retornou a Minas Gerais para exercer Clínica particular.

Nesta fase, toma contato com o positivismo, ao qual deu crescente adesão, e logo ingressa na carreira política. Em 1867, foi eleito Deputado Geral por Minas Gerais, pelo Partido Liberal, e depois elegeu-se para a Câmara dos Deputados, onde permaneceu de 1878 até 1885.

Em 1877, quando sua família inaugurava a Fábrica de Fiação e Tecidos do Baribiri, o Dr. Antônio Felício dos Santos comprava as terras da Fazenda do Pau Grande. Esta compra foi feita com dois sócios e tinha como objetivo o estabelecimento de uma fábrica de tecidos de algodão. Forma-se, então, a Santos & Cia, que construiu a Fábrica Pau Grande, na Província do Rio de Janeiro.

Atuou no movimento pela proclamação da República e participou do primeiro governo republicano, sendo designado pelo Governo Provisório (1889/1891) a estabelecer o novo regime em Minas Gerais, na cidade de Ouro Preto, então capital do Estado e, em 1891, é nomeado Presidente do Banco do Brasil, a convite de Rui Barbosa, então Ministro da Fazenda. O título de Conselheiro de Estado, que havia lhe conferido o Imperador, foi pelo Dr. Antônio Felício dos Santos recusado, dada as suas reconhecidas convicções republicanas.

Contrário ao federalismo, tem crescentes divergências com a liderança do novo regime, se afastando, então, da vida pública. Voltou a se dedicar à prática da medicina e, em 1897, converte-se ao catolicismo, devotando-se desde então ao jornalismo. Por sua atuação nesse mister, ao completar 80 anos, em 1923, foi agraciado pelo Vaticano, recebendo uma medalha com a efigie papal.

Dentre as suas publicações na área médica, destacam-se: “Da acção abortiva do sulfato de quinino” (1874); “O beribéri na província de Minas Gerais” (1874); “Applicação do galvano-caustico à cura radical da hydrocel. Rio de Janeiro” (1874); “Da dismenorrhéa expoliativa: hypothese, apontamentos e observações” (1876), “A eucaristia e a medicina” (1922).

Em sua passagem pela Academia Nacional de Medicina, onde foi eleito Membro Honorário em 1903, instituiu um prêmio anual para o melhor estudo sobre plantas medicinais da flora brasileira. É o Patrono da cadeira 33.

Foi uma figura ilustre entre os colegas fundadores da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, da Sociedade S. Lucas e, juntamente com o Acadêmico Hilário de Gouvêa, da Casa de Saúde São Sebastião. Fundou, em 1924, a Academia Brasileira de Ciências e publicou diversos artigos sobre medicina na revista da Sociedade Médica do Rio de Janeiro.

O Dr. Antônio Felício dos Santos faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 6 de setembro de 1931.

Arnaldo Tertuliano de Oliveira Quintella

Nascido a 27 de abril de 1880, em Recife, Estado de Pernambuco, filho de Teopompo Magno de Oliveira Quintela e D. Ana Josefina Quintela.

Doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1902, com tese intitulada “Da contribuição ao estudo da ectokelostomia”, aprovada com distinção.

Foi Interno do Hospital de São João Baptista de Niterói e Auxiliar da 1ª Cadeira de Clínica Cirúrgica. Em 1900, auxiliou o Professor Chapot-Prévost na célebre operação das pacientes xifópagas.

Foi indicado a Professor Extraordinário de Farmacologia, recusando da cadeira para, posteriormente, assumir a Livre Docência de Clínica Obstétrica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e, como tal, foi o primeiro a fazer curso desta disciplina nos moldes da reforma Rivadavia.

Foi Médico Adjunto da 18ª Enfermaria e Cirurgião na Santa Casa de Misericórdia do Rio de janeiro e na Policlínica de Botafogo, Inspetor Sanitário nomeado por Oswaldo Cruz, Médico Auxiliar do Professor Rodrigues Lima na Maternidade do Rio de Janeiro e Cirurgião do Serviço de Cirurgia do Hospital da Gamboa, exercendo interinamente sua Chefia por vários anos.

Na ocasião de sua eleição como Membro Titular na Academia Nacional de Medicina, em 1910, o Professor Arnaldo Quintella apresentou duas memórias: um caso de “Hepatopstose total”, contribuição ao estudo da hepatopexia, e “Do prognóstico nos operados de imperfuração anorretal”. Na instituição, foi Presidente da Secção de Cirurgia, eleito para o período de julho de 1921 a junho de 1922. É o Patrono da cadeira 68.

Foi redator da “Revista de Ginecologia e Obstetrícia” e colaborador da “Revista Siniátrica”, dos “Arquivos Brasileiros de Medicina”, do “Brasil Médico”, da “Revista de Medicina”, dos “Annales de Ginecologie et d’Obstétrique” de Paris e da “Revista Argentina de Obstetrícia e Ginecologia”, dentre outros periódicos e revistas.

De seus 11 anos e meio de vida acadêmica, é possível destacar a saudação ao Acad. Garfield de Almeida, laureado com o Prêmio Alvarenga em 1913, e os trabalhos “Operações Cesarianas” (1915), “É lícito ao médico provocar o aborto nas mulheres violadas na guerra?” (1916), “Introdução ao estudo da obstetrícia” (1917), “Ruptura de prenhez tubária com inundação peritoneal” (1918), “Sobre dois casos de hidro-apendicitose” (1918), “Considerações acerca do aborto criminoso” (1918), “O problema do aborto criminoso” (1920), “Síndrome depressiva súbita no início do sobreparto” (1920) e “Sobre um caso de estreitamento de blenorragia e suas complicações” (1921).

Ginecologista conhecido, o Dr. Arnaldo Quintella dedicou-se principalmente aos pacientes pobres a quem atendia com carinho e humanidade. Porém, sempre tinha momentos para cuidar da esposa e filhos que deixou por sua prematura morte. No entanto, seu exemplo como ser humano deixou marcas indeléveis e as recordações para sempre.

O Dr. Arnaldo Quintella faleceu de forma violenta, em pleno exercício de sua profissão em seu consultório, na cidade do Rio de Janeiro, a 9 de março de 1922, vítima de uma cliente.

A antiga Rua Polixena, no bairro de Botafogo, hoje leva seu nome, Arnaldo Quintela, em sua homenagem.

Júlio Oscar de Novaes Carvalho

O Dr. Júlio Oscar de Novaes Carvalho nasceu em 17 de outubro de 1875, na cidade de Recife, no Estado de Pernambuco. Filho do grande magistrado Ministro do Supremo Tribunal José Novaes de Souza Carvalho e de D. Júlia Augusta Guimarães de Carvalho.

Em 1903, dirigindo a Escola Correcional Quinze de Novembro, ainda estudante do 5º ano médico, superintendeu, por nomeação do Governo Federal, a enfermaria da dita escola, em substituição aos ilustres clínicos Azevedo Lima e Públio de Mello.

No ano seguinta, em 1904, doutorou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo a tese intitulada “Teoria filosófica do cérebro e suas localizações segundo Auguste Comte”. Além disso, realizou estudos em outras áreas, bacharelou-se em Engenharia Civil com especialização em Geografia, e também em Ciências Físicas e Naturais, pela Policlínica do Rio de Janeiro.

Foi diretor da Assistência Pública no governo de Artur Bernardes e médico adjunto do Hospital Português de Beneficência. Atuou também como consultor técnico da 1º Inspeção Médico-Escolar do Distrito Federal, técnico do conselho de Ensino Municipal do Distrito Federal, professor do Professores no Pedagogium do Distrito Federal, foi relator da Reforma de Ensino e relator do projeto de Organização da Polícia Municipal do Distrito Federal.

Elegeu-se Deputado Federal pelo Distrito Federal na legenda do Partido Autonomista, no pleito de outubro de 1934. Iniciou seu mandato em maio de 1935 e integrou o Grupo Parlamentar Pró-Liberdades Populares, que em novembro desse ano lançou um manifesto opondo-se à Lei de Segurança Nacional aprovada pelo Congresso em abril anterior. Exerceu o mandato até a instauração do Estado Novo, em 1937, quando as câmaras legislativas do país foram suprimidas. Liderou ainda o Partido Libertador Carioca e foi presidente do Conselho Consultivo do Distrito Federal.

Eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1910, apresentando a memória intitulada “Identificação criminal”, e tornou-se Emérito, em 1945. É o Patrono da Cadeira 80.

Foi membro de conselhos, sociedades e associações nacionais e internacionais, tais como membro titular da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, membro da Sociedade de Medicina de Paris e membro da Sociedade Médica de Hospitais de Paris.

Dirigiu e foi redator-chefe da “Revista da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro”, além de colaborador da “Tribuna Médica”, da “Gazeta Clínica” e dos “Arquivos Brasileiros de Psiquiatria, Neurologia e Ciências Afins”.

Ficou conhecido como um homem dos livros, pois colecionou diversas publicações e tinha, entre seus amigos médicos, sua biblioteca como um local ideal, de maneira que pouco antes de falecer doou seus livros para seus parceiros acadêmicos e para alunos. Além disso, escreveu diversos livros em sua vida, tanto sobre temas políticos como médico-científicos.

Dos seus trabalhos publicados, destacam-se “Em torno do beribéri e sua topografia anestésica” (1905), “De um caso de moléstia de Recklinghausen com melanodermia congênita” (1914), “Estudo médico-cirúrgico de um caso de esplenomegalia no estado hipertrófico-preatrófico de cirrose hepática ao evoluir do mal de banti” (1915), “O sigilo pericial” (1919), “Meningite cérebro espinhal” (1920) e “Em torno da luxação congênita do quadril” (1924).

O Dr. Júlio de Novaes faleceu em 3 de fevereiro de 1962.

Vital Brazil Mineiro da Campanha

Vital Brazil Mineiro da Campanha nasceu na cidade de Campanha, Estado de Minas Gerais, em 28 de abril de 1865, filho de Manuel dos Santos Pereira Junior e D. Maria Carolina Pereira de Magalhães. Foi um importante médico sanitarista, cientista, imunologista e pesquisador biomédico brasileiro, de renome internacional.

Estudou Medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em meio a grandes dificuldades financeiras, vindo a formar-se com brilhantismo, em 1891, defendendo a tese intitulada “Função do baço”. Durante o curso médico, foi nomeado, por concurso, a ajudante de preparador da Cadeira de Fisiologia. Após a formatura, foi para São Paulo e clinicou em várias cidades do interior do Estado. Nessa época, presenciou a morte de várias pessoas, principalmente lavradores, vítimas de picadas de serpentes.

Como médico sanitarista, participou das brigadas de combate à febre amarela e à peste bubônica em várias cidades no Estado de São Paulo. Em 1895, chefiou a Comissão Sanitária em Cachoeira, a fim de combater a epidemia de cólera que assolava o Vale do Paraíba.

Além do seu trabalho como médico, Vital Brazil também criou uma das primeiras escolas do Brasil que alfabetizavam crianças de dia e adultos à noite. Desenvolveu materiais de informação, especialmente voltados para a população do campo, sobre como se proteger das cobras e outros animais peçonhentos. Criou uma caixa de madeira, barata e segura, para que os fazendeiros pudessem capturar as cobras e firmou convênios com as estradas de ferro para transportá-las, pois eram essenciais à fabricação do soro.

A convite do governo estadual, Vital Brazil ingressou, em 1897, no Instituto Bacteriológico do Estado de São Paulo, dirigido por Adolfo Lutz. Foi então que tiveram início suas pesquisas. Trabalhou junto com Oswaldo Cruz e Emílio Ribas no combate à peste bubônica, ao tifo, à varíola e à febre amarela.

Recebeu do governo de Rodrigues Alves a Fazenda Butantan, às margens do Rio Pinheiros, em São Paulo, onde, posteriormente, veio a fundar e instalar o Instituto Butantan. Foi lá que desenvolveu, com escassos recursos, importantes trabalhos de pesquisa e produção de medicamentos. Os primeiros tubos de soro antipestoso começaram a ser entregues após quatro meses de trabalho.

Em 1903, após intensa pesquisa, logrou enunciar cientificamente o soro antiofídico, desenvolvido a partir do Piroplasma vitalli, parasita no sangue dos cães. Após este evento, outros soros foram produzidos no Instituto Butantan. Também foram produzidas vacinas contra tifo, varíola, tétano, psitacose, disenteria bacilar e BCG. As sulfuras e as penicilinas vieram mais tarde.

As picadas de aranhas venenosas, escorpião e lacraias deram origem a novos soros. Vital Brazil tornar-se-ia mundialmente conhecido pela descoberta da especificidade do soro antiofídico, do soro contra picadas de aranha, do soro antitetânico e antidiftérico e do tratamento para picada de escorpião.

Frequentou por longo tempo o Instituto Pasteur, em Paris, bem como os principais centros científicos da Europa, como em Berlim, e nos Estados Unidos.

Também é o fundador do Instituto Vital Brazil, criado em 1919, na cidade de Niterói, onde foi seu Presidente por vários anos.

A descoberta de Vital Brazil sobre a especificidade dos soros antipeçonhentos estabeleceu um novo conceito na imunologia e seu trabalho sobre a dosagem dos soros antiofídicos gerou tecnologia inédita. A criação dos soros antipeçonhentos específicos e o antiofídico polivalente ofereceu à Medicina, pela primeira vez, um produto realmente eficaz no tratamento do acidente ofídico que, sem substituto, permanece salvando centenas de vidas nos últimos cem anos.

Consagrado em congresso científico nos Estados Unidos, em 1915, o seu trabalho logo despertou o interesse da Europa, onde se encontrava a vanguarda da pesquisa médica da época, e lhe valeu o reconhecimento mundial. O Instituto Butantan representa um marco na ciência experimental brasileira. Desenvolvendo significativo número de pesquisas de elevado teor cientifico, educando as populações rurais na adoção do tratamento e na prevenção de acidentes ofídicos e criando aquela que foi, possivelmente, a primeira escola de alfabetização de adultos, esse Instituto desempenhou importante papel social na época e tornou-se conhecido e famoso no mundo todo.

Foi eleito Membro Honorário da Academia Nacional de Medicina, em 1917. É o Patrono da Cadeira 83.

Colaborou com diversas revistas científicas, como a “Revista Médica de São Paulo” e o periódico “Brasil Médico”; publicou dezenas de artigos científicos, tais como: “Casos de abcesso disentérico do fígado”, “A peste bubônica em Santos”, Contribuição ao estudo do envenenamento pela picada do escorpião”, “Das ações das peçonhentas no tratamento da epilepsia” e “Do papel dos lipoides em imunologia”; e escreveu dois livros: “A defesa contra o ofidismo” (1911, reeditado e ampliado em 1914, somente em francês), e “Memória histórica do Instituto Butantan” (1941).

O Museu Vital Brazil, criado em sua homenagem, está localizado na casa onde nasceu o cientista, em Campanha, localizada ao sul de Minas Gerais

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 8 de maio de 1950.

Jesuíno Carlos de Albuquerque

Jesuíno Carlos de Albuquerque nasceu em 17 de setembro de 1889, no município do Rio de Janeiro, filho de Domingos Jesuíno de Albuquerque e D. Maria Filipa de Albuquerque.

Doutorou-se em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de janeiro, em 1912, defendendo a tese intitulada “Contribuição ao diagnóstico e tratamento das fraturas do crânio” Foi interno efetivo do Hospital Nacional dos Alienados e auxiliar acadêmico efetivo da Assistência Pública Municipal.

Foi Diretor da Cruz Vermelha Brasileira e, mais tarde, Secretário Geral de Saúde e Assistência da Prefeitura do Distrito Federal, durante a administração Henrique Dodsworth. Exerceu, durante a última grande guerra, o cargo de Coordenador do Abastecimento do Distrito Federal. Foi, também, médico particular do Presidente Getúlio Vargas e de sua família e Ministro do Tribunal de Contas da Prefeitura.

Foi Chefe de Delegação Brasileira de Socorro ao Chile, na ocasião de um terremoto, que apoiou o país com remédios, roupas e auxílios da Cruz Vermelha e do governo brasileiro com socorros médicos. Foi, também, enviado ao Paraguai para socorrer o Adido Militar Brasileiro em Assunção.

Serviu, chegando ao posto de General Médico, no Serviço de Saúde do Exército, onde foi Chefe do Serviço de Saúde da 2ª Região Militar (São Paulo e Goiás) e recebeu a Medalha de Bronze por dez anos de bons serviços prestados. Foi, ainda, assistente efetivo da 3ª Cadeira de Clínica da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro; Diretor do Hospital Militar de São Paulo, do Hospital Auxiliar da Cruz Vermelha em Barra do Piraí e da Escola de Enfermeiras Marechal Ferreira do Amaral, onde também lecionou Socorros Médicos de Urgência (Comissão de Ensino da Cruz Vermelha Brasileira); Chefe da 24ª Enfermaria do Hospital Estácio de Sá; Presidente da Comissão Técnica de Engenharia e Medicina da Prefeitura Municipal, para inspecionar os hospitais de Tuberculose da Capital Federal; e Médico da Comissão da Defesa da Borracha do então Território do Acre e do Serviço de Proteção aos índios, no Vale do Rio Purus.

Fez cursos de aperfeiçoamento e estágios em várias instituições estrangeiras, a maioria na área de Urologia, tais como: Faculdade de Medicina de Paris; Faculdade de Medicina de Viena; Urologische Station – Sofienspitals, em Viena; Hospital Lariboissier, Hospital Saint Antonie e Hospital Necker, em Paris; Post Graduate Medical School and Hospital, em Nova York; e S. Vinzens Krankenhaus, Serviço do Professor Franz Kaysser, em Berlim.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1931, apresentando a memória intitulada “Tratamento de algumas formas de hipertrofia prostática”, e tomou posse em 1932. É o Patrono da Cadeira 77.

Integrou muitas instituições acadêmicas e científicas no Brasil e no exterior. Foi Membro da Academia Internacional de História da Ciência (Grupo Brasileiro), da Sociedade Kosciuszko de Intercâmbio Intelectual Polono-Brasileiro, da Sociedade Brasileira de Urologia e da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro; e Membro Correspondente do Instituto de Cultura Chileno Brasileiro da Universidade do Chile.

Recebeu várias condecorações no exterior e no Brasil, como Palma Acadêmica da França, Mérito de 1ª Classe da Polônia, Cruz de Ouro no grau de Comendador do Chile, Medalha de Ouro – “Honer”, ofertada pela Cruz Vermelha, e o Título de Agrimensor, conferido pelo Colégio Militar do Rio de Janeiro.

É autor de vários trabalhos publicados, destacando-se: “Profilaxia da lepra” (1913), “Patologia celular, estudo das degenerações” (1922), “Estudo anatomopatológico do coração” (1922), “Tratamento das prostatites crônicas hipertróficas” (1929), “Primórdios da próstata” (Tese do concurso para Academia Nacional de Medicina, classificada em 1º lugar, 1932), “Biologia e cosmologia” (1932), “Revisão endoscópica da próstata” (1933), “Fisiologia prostática” (1933), “Sondagem das vesículas pelos canais ejaculadores” (1934), “Esclerose dos corpos cavernosos” (1936) e “Leitos d´água nos hospitais de Viena” (1936).

Seu filho, o também Acadêmico Paulo Frederico de Albuquerque, seguiu os seus passos, tendo sido Médico e Professor de Urologia.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 9 de junho de 1960.

Augusto Paulino Soares de Souza

O Dr. Augusto Paulino Soares de Souza nasceu em 4 de setembro de 1877, no Rio de Janeiro, filho de Paulino José Soares de Souza e D. Maria Amélia da Silva Soares de Souza.

Formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1899, apresentando a tese intitulada “Cirurgia da pleura e do pulmão”. Durante o curso médico, acompanhou, na Anatomia Médico Cirúrgica e na Clínica Cirúrgica, o ilustre Professor Augusto Brant Paes Leme, de quem se tornou discípulo favorito, adquirindo dele os dotes de exímio desenhista, além de anatomista. Prova disto é a sua tese de doutoramento, assunto que, à época, era ainda muito pouco explorado na literatura médica.

Foi nomeado, no ano seguinte, cirurgião efetivo da Santa Casa de Misericórdia e da Associação dos Empregados do Comércio, tendo exercido, nesta última, durante muitos anos, o cargo de Diretor dos Serviços Clínicos.

Foi um pioneiro em várias modalidades cirúrgicas. Operou, em 1902, a primeira apendicite aguda no Rio de Janeiro.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1909, apresentando a memória intitulada “Do valor das localizações em cirurgia cerebral”, trabalho pioneiro em neurocirurgia à época, e onde exerceu vários cargos, inclusive o de Vice-Presidente, em 1934. Foi transferido para a classe de Emérito, em 1943, e é o Patrono da Cadeira 39.

Em 1916, foi designado Professor Catedrático de Clínica Cirúrgica, sucedendo seu mestre Paes Leme, por dois terços da congregação da Faculdade de Medicina. Tomou posse, em 1911, como Chefe da 15ª Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia, chefia esta ocupada, mais tarde, por seu filho, Prof. Augusto Paulino Filho, também acadêmico da ANM.

Ensinou, na Santa Casa e na Faculdade de Medicina, de 1910 a 1945, quando foi jubilado por limite de idade de sua cadeira de Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina da então Universidade do Brasil, tornando-se Professor Emérito algum tempo depois.

Em 1932, foi nomeado por concurso Professor de Clínica Cirúrgica da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, aposentando-se em 1949. Foi Diretor da referida Escola, de 1946 a 1948.

Foi Membro Fundador do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e da Sociedade Brasileira de Urologia, tendo sido seu Presidente. Entre outras sociedades de que foi membro, podemos citar o Colégio Americano de Cirurgiões, o Colégio Internacional de Cirurgiões, Honorário da Academia Brasileira de Medicina Militar, onde é o Patrono da Cadeira 79, Honorário da Sociedade Brasileira da História da Medicina. É, ainda, o Patrono da Cadeira 28 da Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro.

Formou uma escola de cirurgia com assistentes ilustres em todo o Brasil. Foram membros da Academia Nacional de Medicina os cirurgiões Sylvio d’AvilaPaulo NiemeyerFernando Paulino (seu filho), Augusto Paulino Netto (seu neto), Lucio Galvão e outros.

Em sua vasta bibliografia, citam-se: “Lições de anatomia médico-cirúrgica da boca”, “Lições de clínica cirúrgica”, “Urologia”, “A propósito de duas craniectomias”, “O problema da amputação imediata”, “Anestesia cirúrgica”, “O exame do doente e do diagnóstico em cirurgia”, “Patologia cirúrgica” (3 volumes), “Clínica cirúrgica” (2 volumes), “O humanismo médico”, entre vários outros.

Faleceu na sua cidade natal, em 8 de março de 1962.

Alberto Ribeiro de Oliveira Motta

O Dr. Alberto Ribeiro de Oliveira Motta nasceu no dia 13 de maio de 1879, na cidade de Mogy Mirim, no Estado de São Paulo, filho de José Ribeiro de Oliveira Motta e de D. Clementina Cintra de Oliveira Motta.

Realizou uma série de estudos como interno da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro na 2ª Cadeira de Clínica Cirúrgica e na Clínica Obstétrica e Ginecológica, entre 1900 e 1902, e nesta instituição doutorou-se em Medicina em 1903, defendendo a tese intitulada “O Queleno em obstetrícia”.

Fez cursos de aperfeiçoamento na Itália, Suíça e França. Foi Chefe da Clínica Obstétrica, Regente interno da Cadeira de Clínica Obstétrica e atuou como Livre Docente diversas vezes, lecionando sobre Obstetrícia. Deu aula e regeu tais cadeiras por mais de 20 anos. E foi, também, Adjunto do Serviço de Ginecologia do Instituto de Assistência e Proteção à Infância do Rio de Janeiro, Cirurgião do Hospital Santa Casa de Misericórdia e Chefe do Serviço de Cirurgia Geral do grande estabelecimento Fábrica de Tecidos Corcovado.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1908, apresentando a memória intitulada “Três casos de embriotomia cefálica”, e tornou-se Emérito em 1945. É Patrono da Cadeira 69 da Secção de Cirurgia.

Além disso, o Dr. Oliveira Motta atuou em diversas instituições renomadas, foi Membro da Comissão examinadora do Concurso para Cirurgião da Assistência Pública em 1925, Membro e Presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Rio de Janeiro, Membro e Presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Membro e Presidente da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Brasil, sucedendo ao Professor Fernando Magalhães, Membro Correspondente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Uruguai, Membro da Associação Brasileira da Imprensa e Fundador e Diretor da Revista de Ginecologia e Obstetrícia entre 1907 e 1956 – que foi a primeira revista sobre o tema no país.

Na sua longa vida de magistério e de clínico, publicou vários trabalhos, dentre eles “O cloreto de etila em obstetrícia” (1902), “A esterilização da mulher” (tese apresentada na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro para o seu doutoramento, em 1902, mas recusada pela comissão examinadora e publicada mais tarde, em 1906), “Subsídio para a puericultura nacional” (1907), “Radiodiagnose em obstetrícia” (1911), “Inversão uterina tratada pelo processo de Küster Piccoli” (1919), “Luta contra o aborto criminoso” (1923), “Apendicite obliterante” (1945) e “Prenhez ectópica” (1948).

O Dr. Oliveira Motta faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 22 de março de 1962.

Luiz Pedro Barbosa

Luiz Pedro Barbosa nasceu a 11 de abril de 1870, em Pernambuco. Estudou no Colégio Pedro II e graduou-se em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1891, onde apresentou a tese intitulada “Desordens catameniaes”.

O Professor Luiz Barbosa, nomeado para suceder o Professor Nascimento Gurgel na Cátedra de Clínica de Crianças da Faculdade do Rio de Janeiro, é um nome acatado no meio científico. Dispondo de uma larga e escolhida clientela coube-lhe a iniciativa da fundação da Policlínica de Botafogo, em 1898, obra meritória a que muito devem a classe médica e a pobreza doente. Remodelada e instalada em prédio novo, essa instituição constitui escola admirável de aperfeiçoamento clínico, tendo, na direção das especialidades, profissionais de grande saber e apurados sentimentos filantrópicos.

Foi autor de inúmeros trabalhos originais sobre Medicina Clínica e sobre Assistência Pública. Em 1914, já havia publicado as suas “Conferências Inaugurais de Pediatria Médica e Higiene Infantil”. Foi distinguido com medalha humanitária por serviços relevantes prestados, quando ainda estudante, na epidemia de febre amarela que assolou Campinas em 1889. Ainda nessa cidade, exerceu as funções conjugadas de Interno e Farmacêutico da Escola Corrêa de Mello, durante o surto epidêmico.

O Dr. Luiz Barbosa tem, ainda, a iniciativa da nova feição imprimida ao ensino da Farmacologia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, quando foi seu Professor Extraordinário, de 1911 a 1915.

Foi Doutor em Ciências Médico-Cirúrgicas pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro; Presidente e Sócio Honorário do Grêmio dos Internos dos Hospitais (1890-1891), sendo redator-fundador da “Revista do Grêmio dos Internos”; Médico Vacinador da Inspetoria Geral de Higiene; Comissário de Higiene e Assistência Pública na Prefeitura do Distrito Federal; Delegado de Saúde na administração Oswaldo Cruz; Diretor do Hospital de São João Baptista da Lagoa; Chefe da Clínica Médica de Crianças do Hospital S. Zacharias; Diretor Médico do Hospital de Jesus; e Membro Fundador e Vice-Presidente do Hospital Pedro II.

Foi eleito Membro Honorário da Academia Nacional de Medicina, em 1915. Além disso, foi Membro fundador da Sociedade Brasileira de Profilaxia Sanitária e Moral, Membro do Conselho Diretor da Cruzada contra a Tuberculose, Presidente de Honra da Sociedade Médico-Cirúrgica da Assistência Pública Municipal, Diretor Geral do Departamento Municipal de Assistência, Membro Efetivo da Associação Internacional de Pediatria e Presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, em 1931.

Faleceu no Rio de Janeiro, a 20 de dezembro de 1949.

Antônio Dias de Barros

O Dr. Antônio Dias de Barros nasceu no dia 19 de dezembro de 1871, em Aracaju, capital do Estado de Sergipe, filho de Manoel Dias de Barros Júnior e D. Maria Prisciliana de Carvalho.

Matriculou-se no curso de Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia, em1889, e transferiu o curso para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, sendo por ela diplomado no dia 9 de janeiro de 1895, defendendo tese intitulada “Contribuição ao estudo psico-fisiológico do delírio”.

Quando estudante, foi admitido, por meio de concurso, ajudante de preparador da Cadeira de Botânica e Zoologia Médica da Faculdade de Medicina da Bahia. Foi, ainda, interno do Hospital Nacional e da Clínica Psiquiátrica e Moléstias Nervosas da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, bem como do Serviço de Moléstias Mentais do Sanatório de Barbacena.

Após a formatura, foi nomeado Preparador do curso de Histologia Normal da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, da qual foi Professor de Bacteriologia, Anatomia Microscópica e Anatomia e Fisiologia do Sistema Nervoso. Em 1897, seguiu para a Europa, realizando estágios em hospitais da Inglaterra, França e Bélgica, onde, neste último, especializou-se em Citologia, na Universidade de Louvain.

Em 1900, integrou a equipe de médicos, chefiada pelo Dr. Eduardo Chapot-Prévost, na realização da cirurgia que constituiu um marco na evolução da cirurgia mundial: a separação das meninas siamesas, Maria e Rosalina, de 7 anos de idade.

Foi Diretor do Hospício Nacional (1903) e Professor de sintaxe portuguesa, na capital da República (1911).

O Dr. Antônio Dias de Barros foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1907, apresentando Memória intitulada “Um ponto de psicologia mórbida: a epilepsia de Bonaparte”. É o Patrono da Cadeira 82.

Representou Sergipe na Câmara dos Deputados (1912-1914) e pertenceu a diversas instituições culturais e científicas, tais como Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e Sociedade de Medicina de Santiago do Chile. É o Patrono da Cadeira 25 da Academia Sergipana de Letras e foi uma das inteligências mais privilegiadas de Sergipe.

Conceituado homem de ciências e de letras, colaborou em vários periódicos, notadamente na “Revista Acadêmica da Bahia”, “Revista das Revistas”, “Anuário Médico”, “Revista da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro” e nos “Anais da Academia de Medicina do Rio de Janeiro”.

São de sua autoria artigos e crônicas publicados no “Jornal do Comércio”, no Rio de Janeiro, e “O Paiz”, “O Correio Paulistano” e “O Estado de São Paulo”, em São Paulo. Publicou, também, estudos sobre várias personalidades, tais como Napoleão Bonaparte, Chapot-Prévost, Nuno de Andrade, Joaquim Murtinho, Ruy Barbosa e outros.

Dos seus trabalhos científicos publicados, destacam-se: “Sobre o abuso no emprego dos sais de quinina nas febres do Rio de Janeiro” (1899), “Da hipnose dos animais” (1903), “O segredo médico e sua concepção evolutiva” (1905), Conquistas da medicina brasileira” (1913), “Psicologia coletiva” (1917), “O médico ante o problema do livre arbítrio” (1919), “Um caso muito raro de loucura moral” (1925) e “Assistência aos tuberculosos” (1927).

O Dr. Dias de Barros faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 2 de fevereiro de 1928.

Belmiro de Lima Valverde

O Dr. Belmiro de Lima Valverde nasceu no dia 22 de abril de 1884, em Alagoinhas, no Estado da Bahia, filho de Antônio Henrique de Lima Valverde e de Maria Lima Valverde. Em sua família destacou-se Dom Miguel de Lima Valverde, arcebispo de Olinda e Recife, de 1922 a 1951.

Doutorou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1906, defendendo a tese “Influência da sífilis na sociedade”. Após sua formatura, realizou diversas viagens de estudo em que visitou hospitais e clínicas e conquistou muitos pacientes: clinicou no alto Amazonas e, posteriormente, no interior de São Paulo, transferindo-se depois para o Rio de Janeiro, onde aperfeiçoou seus conhecimentos em clínica urológica.

Adiante, decidiu ampliar seus estudos médicos na França, onde fez um longo estágio com os professores Geordes Luys e Janet, de maneira que se tornou assistente da Clínica Necker, em cuja chefia se encontrava o notável Professor Legeu. Após sua experiência na França, retorna e reside no Rio de Janeiro.

Foi membro Correspondente da Academia Nacional de Medicina, em 1914, foi eleito Membro Titular, em 1915, apresentando memória intitulada “Indicação de curetagem uterina”, e foi transferido para a classe de Eméritos, em 1944. É o Patrono da Cadeira 72.

Em 1927, fundou e chefiou o Serviço de Urologia na Policlínica do Rio de Janeiro. Dentro deste setor, ele criou também uma escola de urologia, despertando a atenção para os métodos diagnósticos e terapêuticos das perturbações dos órgãos urogenitais e frisando a necessidade de se encararem os problemas patológicos das vias urinárias, não só sob o ponto de vista cirúrgico, como clínico.

O Dr. Valverde foi Secretário Geral das Jornadas Médicas do Rio de Janeiro e Membro da Academia Paulista de Medicina e da Société Belge d’Urologie.

Na Conferência Americana de Lepra, em 1922, onde era um dos Presidentes Honorários, defrontou-se contra Adolpho Lutz, que defendia que, tal como a malária e a febre amarela, a lepra era transmitida por mosquitos. Valverde admitia a intervenção de insetos em certas doenças, mas tinha argumentos fortes contra a teoria de Adolpho Lutz: o Amazonas era o Estado mais infetados por mosquitos no país, mas onde haveria baixa ocorrência de lepra.

É autor de vários trabalhos, destacando-se: “Oclusão intestinal, internação cirúrgica e cura” (1912), “Contribuição ao estudo dos aneurismas da aorta abdominal” (1913), “Profilaxia e tratamento da lepra” (1913), “A quilúria na sífilis vesical” (1929), “Sobre a vesiculografia e a lavagem das vesículas pelos canais ejaculadores” (1933) e “Sífilis hereditária tardia do rim” (1934).

Seu nome começou a aparecer no noticiário político nacional em 1924, quando combateu o governo de Artur Bernardes, tendo por isso de exilar-se na Europa, retornando ao Brasil, em 1928. Em 1932, apoiou a Revolução Constitucionalista.

Em 1933, o Dr. Valverde aderiu à Ação Integralista Brasileira (AIB). Chefe do Departamento Nacional de Finanças da AIB, entre 1934 e 1936, organizou campanhas destinadas a angariar fundos para a organização, tais como as da “Taxa do Sigma”, “Pelo bem do Brasil” e “Campanha do ouro”. Esta última foi efetuada em todo o território nacional, durante o ano de 1936, e levantou recursos, considerados à época, substanciais.

O Dr. Valverde tornou-se membro do Conselho Supremo da AIB e, quando da invasão da sede na Bahia, foi detido no Rio e teve seu consultório revistado, sendo nele apreendidas armas e munições. Após ser interrogado, foi posto em liberdade.

Em 1937, estando a AIB dividida, o Dr. Valverde ligou-se ao grupo de sindicalistas. Em novembro, participou da maior manifestação pública até então realizada pelos integralistas no país, figurando entre os dez mil “camisas-verdes” que, em passo militar, desfilaram pelas principais ruas do Rio de Janeiro.

Após a decretação do Estado Novo, em 10 de novembro de 1937, e a extinção dos partidos políticos, inclusive a AIB, os integralistas passaram a conspirar visando à derrubada de Getúlio Vargas. Iniciada a conspiração, o comando dos integralistas no Rio de Janeiro caberia a Belmiro Valverde, tendo este primeiro movimento sido esmagado mesmo antes de iniciar-se.

Numa nova tentativa, o planejamento e a coordenação material do movimento, incluindo armas, explosivos e a arrecadação de fundos, continuaram sob responsabilidade de Belmiro Valverde. Este levante acabou sendo debelado em poucas horas, apesar da debilidade da resistência legalista, e o Dr. Valverde decidiu refugiar-se no interior do país.

O Dr. Belmiro Valverde foi condenado a 16 anos e meio de prisão pelo Tribunal de Segurança Nacional, dos quais cumpriu apenas sete, entre a ilha de Fernando de Noronha e a Ilha Grande. Foi posto em liberdade, em 19 de abril de 1945, quando da decretação da anistia política no país, fato que antecedeu a queda de Vargas, no dia 29 de outubro.

Depois de libertado, não mais retornou às atividades políticas, dedicando-se exclusivamente ao seu consultório.

Faleceu na cidade do Rio de janeiro, no dia 21 de maio de 1963.

Eduardo Augusto Moscoso

O Dr. Eduardo Augusto Moscoso nasceu no dia 18 de novembro de 1863, no Rio de Janeiro, filho de João Ferreira Moscoso e de D. Alexandrina Guimarães Moscoso.

Fez o curso de instrução secundária no Colégio Pedro II. Doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1886, defendendo a tese intitulada “Das causas das gangrenas dos membros inferiores, suas indicações terapêuticas e cirúrgicas”.

Pouco depois de se formar, foi convidado a ser assistente de Clínica Cirúrgica, cadeira regida pelo Prof. Oscar Bulhões. Exerceu este cargo e trabalhou na 17ª Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro por muitos anos, ao lado dos médicos Lima e Castro, Marcos Cavalcanti e Pedro Severino Magalhães.

Em1907, tornou-se livre docente da mesma instituição apresentando a tese “Dois casos de Esofagectomia externa”. Foi, também, livre docente de Patologia cirúrgica, apresentando um opúsculo com os temas “Questões de patologia cirúrgica de abdome (abcessos subfrênicos)”, “Oclusões intestinais por hérnia do hiato de Winslow” e “Oclusões intestinais pelo divertículo de Meckel”

Trabalhou intensamente neste cargo com pesquisas sobre cirurgias até que resolveu ampliar seus estudos ainda mais e viajou para a Europa, visitando hospitais na França, na Inglaterra, na Alemanha, na Áustria, na Suíça e na Itália, em 1910 e 1911 Nestes países, qualificou-se com alguns cursos, como: “Operações sobre o tubo digestivo e anexos”, “Operações de urgência”, “Técnica de clínica cirúrgica”, “Cirurgia das vias urinárias”, “Técnica cirúrgica dos ossos (luxações e fraturas”), “Cirurgia vascular” e “Técnica e cuidados de recuperação pós-operatório”.

Adepto da anestesia pelo éter, ao retornar da Europa trouxe para o Brasil a máscara de anestesia de Ombredanne. E, junto a introdução de seu uso, ele implementou também a utilização da “ósteo-síntese” pelas placas e parafusos de Lambotte – tendo trazido todo o material necessário para a experimentação de suas viagens.

Fundou e dirigiu o Instituto Policlínico de Socorros Médicos e fundou também a Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro – ambas as instituições se pretendiam para a geração de debates mais profundos se temas médicos, bem como a análise crítica de problemas da medicina e das ciências correlacionadas. Organizou a Sociedade Médica do Hospital da Misericórdia, onde foi secretário.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 1905, apresentando memória intitulada “A cura radical da hidrocele vaginal”, e tornou-se Emérito em 1940. Exerceu também o cargo de Secretário da ANM. É o Patrono da Cadeira 28.

Foi, também, membro da Sociedade Médica de Lisboa e da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Paris.

Além disso, o Dr. Moscoso trabalhou como médico do então Presidente da República, o Marechal Floriano Peixoto, acompanhando-o até Alagoas, tendo à sua disposição um enfermeiro militar. Foi, também, Chefe de Cirurgia durante muitos anos no Hospital Nossa Senhora das Dores.

Escreveu diversos livros sobre temas médicos, dentre eles a obra “Gastroenterostomia” (1907), e manteve uma coluna no Jornal do Brasil sobre a História da Medicina, cujo nome era “Na Poeira dos Alfarrábios”. Foi também redator e colaborador efetivo da “Revista de Medicina e Cirurgia do Brasil” e do periódico “Brasil Médico”. Colaborou, ainda, no “Correio da Manhã”, com as “Efemérides médicas”.

O Dr. Moscoso faleceu no dia 2 de julho de 1942, no Rio de Janeiro.

Isaac Werneck da Silva Santos

Isaac Werneck da Silva Santos nasceu em 25 de dezembro de 1880, na cidade de Valença, Estado do Rio de Janeiro, filho de João Barbosa dos Santos e Firmina Werneck da Silva Santos.

Graduou-se em Farmácia pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1º de fevereiro de 1900. Durante seus estudos, foi Auxiliar do Laboratório Químico Farmacêutico Militar. Era o proprietário da Farmácia Werneck.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1905, apresentando a memória intitulada “Do exame de urina e seu valor semiológico”. É o Patrono da Cadeira 92.

Como professor da Escola de Medicina e Cirurgia, ocupou, com intenso fulgor e admirável aproveitamento, a Cátedra de Farmácia Química. Foi integrante, como Químico, da Inspetoria de Fiscalização do Exercício da Medicina, Farmácia, Arte Dentária e Obstetrícia.

Dentre os muitos trabalhos de mérito que produziu, destaca-se o que apresentou ao VI Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia, ocorrido em 1907, intitulado “Observação Urométrica”, obtendo elogiosas referências.

Em 1921, foi nomeado por Carlos Chagas químico analista de Departamento Nacional de Saúde Pública, após obter primeira classificação no concurso procedido para aquele fim, função que desempenhou com honestidade e proficiência. Em 1924, fez parte da comissão que revisou a Farmacopéia Brasileira, cuja elaboração coube ao farmacêutico Rodolpho Albino Dias da Silva, e que foi aprovada pelo Decreto 17.509, de 4 de novembro de 1926, tornando obrigatória em agosto de 1929.

Fez parte de várias instituições científicas, tais como a Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Sociedade Brasileira de Química, Sociedade de Farmácia e Química de São Paulo e Associação Brasileira de Farmacêuticos, onde foi seu Vice-Presidente, Orador e Redator-chefe do órgão oficial.

Foi, também, Vice-Presidente da Associação dos Empregados no Comércio, em 1919-1920.

O Dr. Isaac Werneck da Silva Santos faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 24 de março de 1931.

Benjamim Franklin de Ramiz Galvão (Barão de Ramiz)

O Dr. Benjamin Franklin Ramiz Galvão, Barão de Ramiz, médico, professor, filólogo e biógrafo, nasceu em Rio Pardo, no Estado do Rio Grande do Sul, em 16 de junho de 1846, filho de João Ramiz Galvão e de D. Maria Joana Ramiz Galvão.

Quando contava a idade de seis anos, sua família transferiu-se para o Rio de janeiro. Após os estudos primários no Colégio Amante da Instrução, fez gratuitamente, com o apoio do Imperador, toda a instrução secundária no Colégio Pedro II, bacharelando-se em Letras, em 1861. Aos 19 anos escreveu o seu primeiro livro, “O púlpito no Brasil”, publicado em 1867.

Formou-se em Medicina na Escola de Medicina do Rio de Janeiro, em 1868, defendendo a tese intitulada “Valor terapêutico do calomelano no tratamento da inflamação das moléstias serosas”. Trabalhou inicialmente como cirurgião no Hospital Militar da Ponta da Armação, abraçando depois o magistério. Serviu como Cirurgião do Exército na Guerra do Paraguai.

Foi Professor de Grego no Colégio Pedro II e de Química orgânica, Zoologia e Botânica na Escola de Medicina do Rio de Janeiro. No Concurso para a cátedra, apresentou a tese intitulada “: “O calor, a luz, o magnetismo e a eletricidade são agentes distintos?” (1871). Não foi somente um mestre que honrou aquelas cátedras, mas um educador cuja longa existência decorreu a serviço do ensino. Foi grande amigo de D. Pedro II desde os anos escolares. De 1882 a 1889, foi preceptor dos príncipes imperiais, netos de D. Pedro II e filhos do Conde d’Eu e da Princesa Isabel. Teve assim ocasião de conviver com o Imperador, que o chamou ao exercício de cargos honrosos. Por decreto do governo imperial, de 18 de junho de 1888, recebeu o título de Barão de Ramiz.

Dirigiu a Biblioteca Nacional e, por duas vezes, foi Diretor-geral da Instrução Pública do Distrito Federal. Foi também o primeiro Reitor da Universidade do Brasil, hoje a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidiu o Conselho Superior de Ensino. Organizou o Asilo Gonçalves de Araújo, instituição destinada a educar crianças pobres, conforme vontade expressa do seu doador, e foi seu diretor desde 1899 até 1931.

A presença de Ramiz Galvão na história da Filologia ficou marcada com o seu vocabulário etimológico, ortográfico e prosódico das palavras portuguesas derivadas da língua grega, publicado em 1909, suscitando polêmicas vivazes. A mais extremada delas foi com Cândido de Figueiredo, que produziu 22 páginas de críticas, formando quase um capítulo do seu livro “Vícios da linguagem médica”, também de 1909. Em resposta, Ramiz Galvão deu a lume os “Reparos à crítica”, em 1910, reunindo artigos então publicados no Jornal do Comércio.

Foi Ramiz Galvão que, em 1904, sugeriu o nome de Silogeu Brasileiro para o edifício construído na Praia da Lapa e onde o governo se propôs a reunir várias instituições culturais, inclusive o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e a Academia Brasileira de Letras, onde foi Presidente (1933-1934). Só entrou para a Academia em 1928, aos 82 anos. Já havia concorrido, em 1912, à vaga do Barão do Rio Branco, quando perdeu para Lauro Müller, motivando isso o afastamento de José Veríssimo das atividades acadêmicas, inconformado com o resultado do pleito.

Foi eleito Membro Honorário Nacional da Academia Nacional de Medicina em, 1919, onde é o Patrono da Cadeira 94.

Ainda em 1919, traduziu “A retirada da Laguna”, de Visconde de Taunay, a 3ª edição francesa, e foi eleito Sócio e Benemérito do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do qual foi Orador perpétuo. É, também, o Patrono da Cadeira 9 da Academia Rio-Grandense de Letras.

Foi condecorado como Dignatário da Ordem da Rosa, Cavaleiro da Ordem Austríaca de Francisco José e Oficial da Instrução Pública da França.

O Dr. Benjamin Franklin de Ramiz Galvão faleceu no Rio de Janeiro, no dia 9 de março de 1938.

Cláudio Velho da Motta Maia (Conde de Motta Maia)

O Dr. Cláudio Velho da Motta Maia foi um importante médico brasileiro, Barão, Visconde e Conde de Motta Maia. Nasceu em Itaguaí, no Município do Rio de Janeiro, em 14 de abril de 1843, filho de Manuel Domingos Maia e D. Maria Isabel Velho da Motta Maia.

Estudou no Colégio Pedro II e graduou-se em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1866, apresentando a tese de doutoramento sobre o tema “Ovariotomia em geral”, com as proposições “Distinção entre a morte real e aparente”, “Da anestesia cirúrgica”, e “Febre intermitente biliosa dos países intertropicais”.

Após a conclusão de seu curso, iniciou sua clínica domiciliar nas adjacências da Rua da Misericórdia, manifestando desde cedo seu espírito altruísta, pois atendia, sem perceber qualquer remuneração, com o maior carinho, os que não podiam pagar.

Neste sentido, é interessante lembrar que por ocasião de uma terrível epidemia que se abateu sobre o Rio de Janeiro, foi grande a sua dedicação no combate ao contágio da moléstia. Sua atuação no combate à doença foi tão expressiva que os moradores da Freguesia de São José lhe ofereceram, em sinal de gratidão, um retrato a óleo em tamanho natural, pintado por Poluceno, bem como uma série de litografias também com o seu retrato, acompanhadas de extensa dedicatória.

Foi Lente Substituto da Seção de Ciências Cirúrgicas, Professor de Medicina Operatória, de Anatomia Topográfica, Operações e Aparelhos e Chefe do Gabinete de Ciências Anátomo Patológicas na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e Professor de Anatomia e Fisiologia na Academia de Belas Artes.

Em 1868, o Imperador D. Pedro II concedeu-lhe o foro de Fidalgo Cavaleiro e logo em seguida promoveu-o a “Moço Fidalgo com exercício na Casa Imperial”.

Recebeu do Governo Imperial, em 1875, uma bolsa na Faculdade de Medicina de Paris, tendo estudado no “Collège de France” com o Professor Raunier, um dos maiores especialistas em Histologia, tornando-se um profundo conhecedor do assunto.

Foi um dos encarregados da reforma do ensino de Medicina, em 1878, que adotou o modelo germânico em substituição ao francês, propondo o ensino prático e livre, favorecendo o ensino farmacêutico.

Em 1880, foi nomeado médico da Casa Imperial. Foi amigo pessoal de D. Pedro II, a quem, após a Proclamação da República, acompanhou no exílio até a morte do imperador, em Paris. Motta Maia foi um dos três médicos que assinaram o Atestado de Óbito do Imperador D. Pedro II, juntamente com Charles Bouchard (considerado o maior patologista de Paris) e Jean-Martin Charcot (professor de Freud, quando este foi completar seus estudos em Paris no hospital da Salpetrière, em 1885). O original do Atestado de Óbito encontra-se em perfeito estado nos arquivos da ANM.

Agraciado Barão em 6 de fevereiro de 1886, Visconde, em 20 de junho de 1887 e Conde em 8 de agosto de 1888, era comendador da Imperial Ordem de Cristo.

Os documentos por ele reunidos estão hoje no Museu Imperial em Petrópolis, sob o título de Coleção Mota Maia.

É Patrono da Cadeira 22 da Academia Nacional de Medicina.

Dentre suas obras mais famosas estão: “Tratamento cirúrgico do estrangulamento intestinal interno” (1871), “Note sur la structure et la signification morphologique des glandes estomacales de la cistule” (1876), “Breves apontamentos para o estudo do ensino médico em Paris” (1876), “Contribuição para o estudo dos progressos da Histologia na França” (1877), “Estudo sobre o ensino médico na Áustria e Alemanha” (1877) e “Memória histórica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, relativa ao ano letivo de 1878” (1878).

Faleceu em Juiz de Fora, Estado de Minas Gerais, no dia 7 de novembro de 1897.

Jayme Poggi de Figueiredo

Renomado cirurgião brasileiro, o Dr. Jayme Poggi de Figueiredo nasceu em Vitória, no Estado do Espírito Santo, em 14 de outubro de 1888, filho de João Francisco Poggi de Figueiredo e Amélia Higino Duarte Poggi de Figueiredo.

Viveu muitos anos de sua mocidade do Rio Grande do Sul. De início pretendera ser militar, tendo cursado a Escola do Rio Pardo, onde fora contemporâneo dos ex-presidentes Getúlio Vargas e Eurico Gaspar Dutra. Sua inclinação para medicina levou-o a desistir da carreira das armas, ingressando, então, na Faculdade de Medicina de Porto Alegre. Aí cursou os três primeiros anos, completando o curso na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, diplomando-se em 1909. Defendeu sua tese sobre “O tratamento do câncer cirúrgico do útero pelo processo Wertheim-Bumm”.

Voltando ao Rio Grande do Sul, foi trabalhar em Santa Vitória do Palmar e, depois, em Pelotas.

Desejando aperfeiçoar seus conhecimentos em cirurgia, partiu em 1913 para a Europa e Estados Unidos. Regressando, fixou-se no Rio de Janeiro. Eudorico da Rocha Junior, com quem tinha estreitos laços familiares, assinala que Jayme Poggi revelou o seu pioneirismo pelo trabalho médico em equipe, com a organização da Casa de Saúde que teve seu nome. Trabalhador infatigável, não lhe foi difícil o êxito, conseguido pela perseverança. Logo foi convidado para dirigir o Serviço Cirúrgico do Hospital São João Batista, da Lagoa.Com atuação brilhante e eficiente, foi levado para o Hospital Geral da Santa Casa, como titular do Serviço de Cirurgia e Ginecologia.

Na 10ª enfermaria que o idealismo de Jayme Poggi transformou em cátedra, praticou-se sempre medicina de alto padrão. Fundou, com outros abnegados colegas, a faculdade de Ciências Médicas, no Rio de Janeiro, tendo sido o primeiro na cátedra de Clinica Cirúrgica.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1934, apresentando a memória intitulada “Anestesia raquidiana”, e enriqueceu os seus Anais com comunicações da mais alta originalidade.

Preocupou-se, também, com os problemas sociais da Medicina, reivindicando renumeração justa e condizente para o médico, “contra a exploração avaliante por parte de associações, na maioria alienígenas, que fazem da nossa classe o seu porta-estandarte promocional”.

Jayme Poggi esteve sempre presente como fundador, como libertador, como incentivador da maior parte das entidades médicas do País. Exímio operador, com técnicas que criou e outras que aperfeiçoou, o seu renome como cirurgião foi dos mais justificados.

Foi fundador e Presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, além de Presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro.

Publicou vários trabalhos sobre cirurgia geral e ginecologia. De sua autoria deixou, também, o livro “Discursos, Conferências e Lutas Profissionais”, que é todo ele um vivo documentário de sua brilhante carreira dedicada à Medicina. Destacam-se seus trabalhos sobre anestesia endovenosa, arteriografia, cirurgia plástica e histeropexias.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 24 de janeiro de 1962.

João Moniz Barreto de Aragão

O Dr. João Moniz Barreto de Aragão nasceu no dia 17 de junho de 1871, em Santo Amaro, no Estado da Bahia, filho do Barão e da Baronesa do Mataripe, Antônio Moniz Barreto de Aragão e de D. Tereza Maria Pires de Albuquerque Moniz de Aragão.

Cursou os melhores estabelecimentos secundários na cidade de Salvador e doutorou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1895, defendendo tese intitulada “A hérnia inguinal e sua durabilidade”.

Em 1897, contagiado pelo clamor público que se levantou após a Guerra de Canudos, no interior da Bahia, se apresentou como voluntário, juntamente com outros médicos e professores da faculdade, ao comando militar e foi incorporado aos contingentes que partiram para o atendimento aos militares do Exército Brasileiro. O horror de Canudos marcou definitivamente o médico Moniz de Aragão, surgindo dali o futuro médico militar, o educador e, especialmente, o higienista.

Em 1900, foi nomeado médico adjunto do Exército da guarnição militar de Florianópolis, e, em 1901, por meio de concurso para o Corpo de Saúde do Exército, passou a Tenente Médico. Em 1904, foi designado para o Laboratório Militar de Microscopia Clínica e Bacteriologia, mais tarde Instituto Militar de Biologia, do qual foi Diretor. De 1904 a 1907, teve atividade exemplar no ramo da pesquisa de patologia, de forma a conseguir extinguir as enzootias e, em função disso, fundou um Centro Nacional Veterinário dentro do Exército. Foi, ainda, encarregado das enfermarias de Cirurgia do Hospital Central do Exército.

Além de sua atuação oficial no Exército, foi Adjunto do Diretor do Hospital de Santa Isabel, na Bahia e também realizou destacados serviços ao Ministério da Agricultura, na organização de serviços técnicos.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1906, apresentando a memória intitulada “A hérnia inguinal perante a cirurgia contemporânea”. Foi também Segundo Secretário da ANM no biênio de 1909-1910. É o Patrono da Cadeira 89.

No ano 1915, funda, junto com os Drs. Alvaro Tourino, Artur Lobo, Moreira Sampaio, Murillo Campos, Afonso Ferreira, Alarico Damásio, Alves Cerqueira e outros médicos militares, a Sociedade Médico-Cirúrgica Militar, da qual foi orador.

Em 1921, atuando como Inspetor de Serviço Veterinário, foi nomeado membro da comissão encarregada de fixar a composição das rações das tropas em tempo de paz.

É autor de vários trabalhos publicados, dentre eles “O mormo e a cirurgia (1905), “Radiografia e radioscopia nos exércitos em campanha” (1905), “Cirurgia de guerra” (1906) e “Estudos e crítica da organização de saúde da Rússia, Japão e Alemanha” (1907).

Dois dos seus seis filhos seguiram seus passos na Medicina: o Dr. João Maurício Moniz de Aragão, obstetra, Docente da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e Diretor do Hospital Pro Matre; e o Acadêmico Raymundo de Castro Moniz Aragão, Professor de Microbiologia na Escola de Química, o primeiro Reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Ministro da Educação, em 1966.

O Dr. Moniz Aragão faleceu de síncope cardíaca, no dia 16 de janeiro de 1922, na casa em que residiu, localizada na rua que recebeu seu nome, Avenida Tenente Coronel Muniz de Aragão, no bairro de Jacarepaguá, no Rio de janeiro.

Por meio do Decreto-Lei nº 2.893, de 20 de janeiro de 1940, o Tenente Coronel Médico Dr. João Moniz Barreto de Aragão foi considerado Patrono do Serviço de Veterinária do Exército, como reconhecimento aos seus esforços para a fundação e desenvolvimento daquele Serviço. É, também, o Patrono da Cadeira 94 da Academia Brasileira de Medicina Militar.

Júlio Afrânio Peixoto

O Dr. Júlio Afrânio Peixoto nasceu no dia 17 de dezembro de 1876, em Lençóis, no Estado da Bahia, filho do capitão Afrânio Peixoto e de D. Virgínia de Moraes Peixoto. O Dr. Afrânio Peixoto foi médico legista, político, professor, romancista e historiador literário.

Doutorou-se em Medicina na Faculdade de Medicina da Bahia, em 1897, defendendo tese intitulada “Epilepsia e crime”. Ao se mudar para o Rio de Janeiro, começou a lecionar aulas de Higiene na Faculdade Nacional de Medicina e aulas sobre Medicina Legal na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro.

Em seguida, foi convidado a atuar como médico do Hospital Nacional de Alienados e logo se tornou braço direito do Acadêmico Juliano Moreira na grande reforma que introduziu no Brasil os modernos métodos psiquiátricos.

O Dr. Afrânio Peixoto iniciou sua carreira de escritor com o drama “Rosa mística”, publicado em 1900, em Leipzig. O sucesso literário chegou com o romance “A esfinge” (1911). Seguiu-se “Maria bonita” (1914), “Fruta do mato” (1920), Bugrinha (1922), “As razões do coração” (1925), “Uma mulher como as outras” (1928) e “Sinhazinha” (1929). Ele foi conhecido como um escritor atuante também, deixando diversos romances, ensaios sociológicos, críticas literárias e relatos históricos antigos publicados. Em 1923, criou a Biblioteca de Cultura Nacional. Como historiador, escreveu “História do Brasil” (1940), “Camões e o Brasil”, “Os judeus na história do Brasil” (1936), “O breviário da Bahia” (1945), entre outras obras.

Autor de várias obras científicas na área de Medicina Legal e Higiene, defendia, por exemplo, que doenças tropicais não existem, mas que precárias condições sanitárias, existentes em vários países tropicais, podem causar doenças, um ponto de vista inovador, na época. Foi um grande combatente do alcoolismo, sobretudo em sua atuação no Hospital dos Alienados, onde desempenhava um amplo trabalho em prol da higiene mental.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1903, e Membro Honorário, em 31 de maio de 1928, além de membro da Academia Brasileira de Letras, em 1910, e foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Filologia, em 1944. 

Em 1903, foi nomeado inspetor sanitário, tornou-se diretor do Hospital Nacional de Alienados, cargo desempenhado até 1905, e catedrático de Higiene da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Foi, ainda, diretor do Serviço Médico Legal da Polícia, nos anos de 1907, 1908 e 1911, Deputado Federal pela Bahia de 1924 a 1930, professor de História da Educação do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, em 1932, e o primeiro reitor da Universidade do Distrito Federal, em 1935.

O Dr. Afrânio Peixoto faleceu no Rio de Janeiro, no dia 12 de abril de 1947.

Juliano Moreira

Cientista e médico, nascido em Salvador, no Estado da Bahia, em 6 de janeiro de 1873, filho de Manoel do Carmo Moreira Junior, português, e de Galdina Joaquim do Amaral, que trabalhava na residência de Adriano Alves Lima Gordilho, o Barão de Itapuã. Foi criado pela mãe e reconhecido, posteriormente, pelo pai, um funcionário municipal, inspetor de iluminação pública.

Juliano Moreira iniciou seus estudos primários no Colégio Pedro II e os concluiu no Liceu Provincial, ambos na cidade de Salvador. Doutorou-se muito jovem pela Faculdade de Medicina da Bahia, 1891, com a tese intitulada “Sífilis Maligna Precoce”. Mais tarde, foi professor de Clínica Médica desta mesma faculdade.

Com Pacheco Mendes, Nina Rodrigues, Alfredo Brito e outros, fundou a Sociedade de Medicina e Cirurgia, bem como a Sociedade de Medicina Legal, da Bahia.

É interessante assinalar que Juliano Moreira, além de psiquiatra, foi eminente tropicalista, tendo efetuado vários trabalhos sobre o “gundú” (bouba terciária), a leishmaniose tegumentar, lepra e micetomas.

Na Bahia começou a utilizar, pela primeira vez em nosso meio, a punção lombar com fins diagnósticos.

Em 1902, viajou ao Rio de Janeiro para assistir ao embalsamento de seu amigo e mestre Manoel Vitorino. Eram dias coincidentes com os da posse do Presidente Rodrigues Alves, que teria como Ministro do Interior e Justiça o Dr. José Joaquim Seabra. Através de Afrânio Peixoto, já, então, no Rio, estabelece-se a ligação entre Seabra e Juliano. Este, iniciado o ano de 1903, recebe o convite do Ministro para dirigir, no Rio, o Hospício Nacional de Alienados – Hospício de Pedro II (1841); Hospício Nacional de Alienados (1890); Hospital Nacional de Alienados (1911). O Hospício torna-se o grande centro de assistência, pesquisa e formação de psiquiatras, de indelével marca na história da Medicina brasileira. Por iniciativa do Dr. Juliano Moreira foram fundadas as Colônias de Engenho de Dentro e de Jacarepaguá, as Sociedades de Psiquiatria, Neurologia e Medicina Legal, bem como inaugurado o Manicômio Judiciário.

Psiquiatra inovador, em 1903 assumiu a diretoria do Hospital Nacional de Alienados. De sua iniciativa foi a lei de assistência aos alienados, promulgada em 1903 e regulamentada no ano seguinte. Nela amparado, promoveu importante obra de reforma e aparelhamento no hospital sob sua direção e aprimorou a Assistência a Psicopatas, instituição pública de que foi diretor-geral por 28 anos.

Juliano Moreira introduziu uma nova orientação nos estudos de psiquiatria; não se limitou a uma obra material de reformas, tendo libertado o alienado dos meios físicos de repressão, instituindo a sua verdadeira terapêutica. Com o seu vasto e extraordinário cabedal científico, modificou várias concepções da psiquiatria. Austregésilo disse que “a personalidade de Juliano irradiou-se em todas as fórmulas: escolheu pessoas idôneas para amar a ciência e considerar o doente; distribuiu a bondade que é a fórmula mais elementar e eficiente da psicoterapia; fugiu dos corrilhos burocráticos e teve sempre, para o estudioso, a palavra de ânimo, consolo, solicitude e carinho, que foram os segredos da construção da escola científica, além da certitude da orientação, quase criadora que embalsamou durante vinte anos a atmosfera da assistência aos insanos”.

No Rio de Janeiro, a sede do atual “Serviço Nacional de Doenças Mentais”, situado na Av. Pasteur, 296, recebe o nome de “Casa de Juliano Moreira”, tendo sido inaugurada em 17 de fevereiro de 1960, por um de seus discípulos, o Prof. Lopes Rodrigues. 

Considerado como o fundador da psiquiatria científica no Brasil, Juliano Moreira, no campo da literatura médica, escreveu e publicou obras de grande valor, que reúne mais de cem títulos, entre trabalhos científicos e de outra natureza, destacando-se “Assistência aos alienados no Brasil” (1906), “Les maladies mentales au Brésil” (1907) e “A evolução da medicina brasileira” (1908). Fundou, em colaboração com outros médicos, os periódicos “Arquivos brasileiros de psiquiatria, neurologia e medicina legal (1905), “Arquivos brasileiros de medicina” (1911) e “Arquivos do Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro” (1930). Foi, ainda, colaborador do periódico “Brasil Médico” e da “Revista Médico-Cirúrgica do Brasil”.

Um dos cientistas brasileiros de maior renome, foi membro de inúmeras instituições científicas, como a Antropologische Gesellschaf de Munique, a Société de Médecine de Paris, a MedicoLegal Society de Nova York e a Medico-Psychological Association de Londres. Foi fundador da Academia Brasileira de Ciências, em 1917.

Na Academia Nacional de Medicina foi eleito Membro Titular, em 1903, e transferido para a classe dos Honorários, em 1930. Foi vice-presidente na gestão do Acadêmico Miguel Couto, no período de 1922 a 1923 e de 1925 a 1933, ano de sua morte.

Faleceu na cidade de Petrópolis, no dia 2 de maio de 1933.

Raimundo Nina Rodrigues

Nascido a 4 de dezembro de 1862, em Vargem Grande, no Estado do Maranhão, entre os rios Munim e Itapicuru, em uma zona produtora de algodão, frutas e cereais e, por isto, onde o braço escravo negro era o instrumento de trabalho, filho de Francisco Delano Rodrigues e D. Luiza Rosa Nina Rodrigues.

Em 1882, com quase vinte anos, matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, passando à Bahia depois, para voltar no 6º ano ao Rio, onde se formou em fevereiro de 1888. A tese de doutoramento de Nina Rodrigues tem o título “Das Amiotrofias e de Origem Periférica”.

Em 1889 publicou excelente monografia “Métissage, Dégénerescence et Crime”, apreciando a etnografia criminal e oferecendo-nos dados valiosos a respeito da Antropologia geral.

Quando ia se apagando a monarquia no Brasil, fez concurso para o lugar de Adjunto da 2ª Cadeira de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Bahia e foi promovido no mesmo cargo. Com a Reforma Benjamin Constant, Nina Rodrigues foi nomeado Substituto da 5ª Seção (Higiene e Medicina Legal), passando a Catedrático de Medicina Legal em 1895.

Neste mesmo ano escreveu a célebre “Memória Histórica”, criticando, de forma avassaladora e irreverente, o sistema de ensino, sem poupar em sua análise os que o precederam na Cátedra. Foi obra de destruição e, por isso, repelida unanimemente pela Congregação. Travou a batalha pelo aprimoramento do ensino médico, pela criação de uma Escola de Medicina Legal e pelo estudo do negro trazido pela colonização portuguesa.

No primeiro lustro de sua vida, mostrou somente preocupações de clínico, não tendo nunca abandonado o nobre exercício da arte de curar, onde foi sacerdote pela dedicação e desprendimento e sábio pela cultura invulgar. Iniciou-se pela patologia tropical, mas logo a seguir voltou-se para outros temas nacionais, disposto a encará-los e a estudá-los. Estudou, observou e experimentou, no Brasil, coisas brasileiras: eis a sua originalidade.

O grande mérito de Nina Rodrigues não está somente na copiosa e frutífera bagagem científica que deixou, excedendo a de todos os mais fecundos cientistas brasileiros; é que, para enaltecer ainda mais os seus valores, aí está a escola médico-legal brasileira que é sua, toda sua, representada por Afrânio Peixoto e Oscar Freire.

Raimundo Nina Rodrigues, o grande mestre da Medicina Legal no Brasil, foi um dominador de vários ramos do saber humano, grande pesquisador, homem de ciência cujo trabalho pertinaz e orientado, o levou às alturas de criador e chefe de uma escola científica de projeção mundial.

Antropologista e etnólogo, o negro e o mestiço foram sempre motivos principais de suas perquirições. Realizou vários estudos sobre a psiquiatria forense no Brasil, publicando, entre outros, valioso trabalho sobre “O Alienado no Direito Civil Brasileiro”. Entre seus trabalhos, devem ser citados: “Os Mestiços Brasileiros” (1890), “As Raças Humanas e a Responsabilidade Penal no Brasil” (1894), “Epidemia de Loucura Religiosa no Brasil” (1898), dentre outros.

Com esses estudos e pesquisas, Nina Rodrigues emprestou à Medicina Legal brasileira feição própria, características de autenticidade, traços vivos, afinal, de indiscutível individualidade científica. Estava seu nome vinculado, assim, a um movimento de ideias de grande profundidade e extensão, consubstanciando na Escola Baiana de Medicina Legal.

Fundou, juntamente com o Dr. Juliano Moreira e outros médicos, a Sociedade de Medicina e Cirurgia da Bahia e de Medicina Legal. Foi redator da “Gazeta Médica da Bahia”, fundou e manteve a “Revista Médico-Legal” e colaborou com o periódico “Brasil Médico”, a “Revista Médica de São Paulo” e outras publicações estrangeiras.

Toda a fecunda atividade de Nina Rodrigues desenvolveu-se em menos de dois decênios de sua breve existência. Seu maior mérito foi o de não permitir que se anulassem dentro de si, ante as deficiências e dificuldades do meio, os favores e amplos recursos de uma vocação científica que se havia de afirmar exuberantemente no estudo de problemas então dos mais palpitantes da realidade brasileira.

Foi eleito Membro Honorário da Academia Nacional de Medicina na Sessão do dia 13 de novembro de 1899, onde é o Patrono da Cadeira 59. Foi, ainda, sócio efetivo e vice-presidente, no Brasil, da Medico-Legal Society, de Nova York e membro estrangeiro da Société Médico-Psychologique, de Paris.

Viveu até as vésperas de completar 44 anos, vindo a falecer a 17 de julho de 1906, em Paris, França. Seu corpo foi sepultado a 10 de agosto de 1906, na Bahia.

O governo no Maranhão, seu estado natal, instituiu prêmio a ser concedido pela Academia em honra a seu nome. Na capital maranhense foi fundado, em março de 1941, o Hospital Nina Rodrigues e a localidade onde nasceu passou a se chamar, em 1962, município de Nina Rodrigues. Na Bahia, está imortalizado pelos homens do Instituto Nina Rodrigues, que foi dirigido pelo eminente Professor Estácio de Lima.

Olympio Arthur Ribeiro da Fonseca

O Dr. Olympio Arthur Ribeiro da Fonseca nasceu na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, em 15 de setembro de 1868, filho de Antonio José Pereira da Fonseca e D. Maria Carolina Ribeiro da Fonseca. Seu pai fora botânico e naturalista, discípulo de Francisco Freire Alemão, e exercera grande influência sobre a formação dos filhos.

Doutorou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1889, defendendo a tese intitulada “Hemorragia cerebral”. Tornou-se um ginecologista e parteiro de grande e seleta clientela no Rio de Janeiro e fez-se um dos valores sociais e culturais da capital da República.

Em 1898, foi à Europa aperfeiçoar-se no Hospital Geral de Viena, com os assistentes Alban e Julius Neumann, no Serviço do Professor Schauta. Também visitou os países do Prata, os Estados Unidos da América e o Canadá.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1901, apresentando a memória intitulada “Notas históricas das infecções puerperais, especialmente quanto a sua etiologia e natureza”. Em 1910, foi eleito Secretário Geral da Academia e tantas vezes reeleito que foi feito Secretário Perpétuo, honra só partilhada com dois outros Acadêmicos, De Simoni e Pereira Rego Filho. Até 1934 ocupou o cargo e tão bem que a Casa decidiu consagrá-lo em bronze na sua sede. Uma sessão solene em sua honra, a 21 de setembro de 1933, foi verdadeira consagração em que discursaram celebrando-o nada menos de 29 oradores.

O Acadêmico Olympio Arthur Ribeiro da Fonseca deixou por volta de 300 escritos médicos, paramédicos, históricos, literários e pertenceu a numerosas associações médicas. A maior parte de sua obra versa sobre ginecologia ou obstetrícia e história médica. Foi colaborador da “Revista de Medicina”, Medicina Militar (órgão do Corpo de Saúde do Exército), “Revista Brasileira de Medicina e Farmácia”, “Ciência Médica” e os jornais “A Clínica” e “Jornal do Brasil”, dentre outros.

Dentre seus trabalhos, destacam-se “Regras gerais do exame ginecológico” (1900), “Considerações sobre as hemorragias imediatas do secundamento por inércia uterina” (1903), “Inversão uterina puerperal” (1904), “Oftalmia purulenta dos recém-nascidos” (1909), “Infecções puerperais inevitáveis” (1914) e memórias sobre a “Doença do Imperador”, e os “Médicos do Paço”, bem como o estudo biográfico de Francisco Júlio Xavier, João Fernandes Tavares (Visconde da Ponte Ferreira), do Conselheiro Joaquim Candido Soares de Meirelles, do Visconde de Saboia e do Conselheiro Adolfo Manuel Victório da Costa.

Seus pendores de historiador levaram-no a Membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Foi, ainda, Membro Correspondente da Academia de Ciências de Lisboa e da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo e Sócio efetivo do Colégio Americano de Cirurgiões. O Dr. Olympio da Fonseca foi condecorado pelo Governo da Venezuela com a Medalha de Ouro da Instrução Pública.

Dos seus cinco filhos, dois seguiram seus passos na medicina: o Dr. Olympio Oliveira Ribeiro da Fonseca, Presidente da Academia Nacional de Medicina em 1961-1963 e Catedrático de Parasitologia da Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, e o Dr. Flávio Olympio da Fonseca, ex-Diretor do Instituto Butantã e Professor de Parasitologia da Escola Paulista de Medicina.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 2 de junho de 1938.

Antônio de Barros Terra

O Dr. Antônio Barros Terra nasceu no dia 19 de fevereiro de 1878, na cidade do Rio de Janeiro, filho do Promotor Público Manoel Pereira Terra e de D. Amélia de Barros Pereira Terra.

Formou-se na Faculdade Nacional de Farmácia, em 1901, e na Faculdade Nacional de Medicina, em 1904, defendendo tese de doutoramento intitulada “Da segunda bulha cardíaca”.

Quando estudante, foi interno dos Professores Rocha Faria e Miguel Couto. Uma vez diplomado, exerceu a profissão em Cruzeiro, no Vale do Paraíba, tendo sido médico da Estrada de Ferro Minas e Rio.

Voltando para o Rio de Janeiro, foi Preparador da Cadeira de Química Médica e mais tarde Assistente de Química Orgânica e Biológica. Foi Chefe do Laboratório de Química Fisiológica da então Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e Regente da Cadeira de Química Orgânica e Biológica na Faculdade de Farmácia durante vários anos.

Livre-docente da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, tendo obtido este lugar por força do concurso para Professor Substituto de Química Médica, em que foi unanimemente habilitado pela Congregação.

Regeu o curso oficial de Química Geral e Mineral para os alunos de Farmácia no ano de 1925. No mesmo ano, regeu a Cadeira de Química Médica, na parte referente à Química Orgânica e Biológica, para os alunos do curso médico.

Fundou, em 1925, junto com os Professores Antônio Pedro, Senna Campos, Artidônio Pamplona e outros, a Faculdade Fluminense de Medicina. Foi seu Diretor, eleito sucessivamente até 1945, quando teve que se afastar por problemas de saúde. Suas contribuições para com os alunos foram tão valorizadas que o Diretório Acadêmico e a Policlínica da Escola foram batizados com o nome Dr. Barros Terra.

Foi, ainda, Diretor da Secção de Análises Clínicas no Laboratório Clínico Silva Araújo (1920), Assistente e Chefe do Laboratório de Química Orgânica e Biológica, Professor Catedrático de Química Orgânica e Biológica na Faculdade Fluminense de Medicina, tendo regido, em 1926, a Cadeira de Química Geral e Mineral, além da Cadeira de Química Orgânica e Biológica na mesma instituição.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1928, apresentando duas memórias intituladas “Química orgânica teórica (considerações gerias e estudo dos hidrocarbonetos)” e “Uma série de corantes fixadores”, e transferido para a classe de Eméritos, em 1955. É o Patrono da Cadeira 85.

Foi eleito Membro do Conselho Nacional de Educação, em 1936, e é o Patrono da Cadeira 29 da Academia de Medicina do Estado do Rio de janeiro.

Deixou publicadas várias obras e trabalhos científicos, destacando-se “Bioquímica normal e patológica da urina” (1921), “Sedimento urinário” (1932), “Química orgânica para cursos complementares” (1941), “Noções elementares de química orgânica para a 5ª série ginasial” (1939), “Química orgânica e noções elementares de alguns assuntos de bioquímica” (várias edições) e o livro intitulado “Bioquímica normal e patológica da urina”, que recebeu elogios da imprensa médica e leiga.

O Dr. Barros Terra faleceu no Rio de Janeiro, no dia 3 de setembro de 1961.

Fernando Ferreira Vaz

Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 21 de dezembro de 1876, filho de Francisco Ferreira Vaz e Maria José da Veiga Vaz.

Doutorou-se em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1901, defendendo a tese intitulada “O cystocele e especialmente a sua patogenia”.

Foi nomeado medico-adjunto do Hospital Geral da Misericórdia do Rio de Janeiro, em 1902, ano em que ingressou também no Hospital da Ordem do Carmo e no Hospital da Ordem da Penitência. Nesta última associação passou a ocupar, em 1906, o cargo de Chefe de Serviço de Clinica Cirúrgica, tendo sua atuação nessa organização hospitalar se revestido de grande brilho e projeção.

Fez uma longa viagem aos Estados Unidos da América, percorrendo os grandes centros, inclusive a Clínica dos Irmãos Mayo, o que o inspirou na sua formidável atuação na construção do novo Hospital da Ordem de Penitência. Pode-se dizer, sem diminuição de ninguém, que essa grandiosa construção hospitalar é obra sua.

Atuou como Vice-Diretor da Maternidade do Rio de Janeiro (1915) e também Vice-Diretor do Hospital Pró-Matre (1919). Em 1922, foi nomeado Chefe do Serviço de Cirurgia Geral de Mulheres do Hospital de São Francisco de Assis, cargo que ocupou até o seu falecimento.

Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, onde atuou como 1º Secretário (1913 a 1916), Redator dos Anais (1916 a 1923), Presidente da Secção de Cirurgia (1926 a 1929) e é o Patrono da Cadeira 21. É, também, o Patrono da Cadeira 49 da Academia Brasileira de Medicina Militar.

Foi também Membro Fundador do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Vice-Presidente da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Rio de Janeiro, em 1926, Membro do “American College of Surgeons”, sendo Presidente do seu “committee” no Rio de Janeiro, Membro da Associação Internacional de Cirurgia, Sócio da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, além de outros cargos e títulos que atestavam sua carreira.

O Dr. Fernando Ferreira Vaz foi, na sua época, um cirurgião prático de grande sucesso clínico, e deixou dois filhos e um genro médicos.

Faleceu na sua cidade natal, no dia 8 de junho de 1939.

Carlos Justiniano Ribeiro das Chagas

Carlos Justiniano Ribeiro Chagas nasceu no município de Oliveira, no Estado de Minas Gerais, em 9 de julho de 1879, filho de José Justiniano Chagas e Mariana Cândida Ribeiro de Castro Chagas.

A convivência direta com seus tios maternos, dois advogados e um médico incentivaram Chagas a se dedicar aos estudos. Após encerrar os estudos secundários, ingressou no curso preparatório para a Escola de Minas de Ouro Preto por vontade de sua mãe, que gostaria de vê-lo formado em engenharia.

Adoentado, em 1896, depois de reprovado nos exames, voltou para Oliveira. Durante o tempo de recuperação em sua cidade natal, seu tio Carlos, fortaleceu a vontade de Chagas em ser médico e o ajudou a vencer a barreira de sua mãe, que acabou aceitando a opção do filho. Seguiu então para São Paulo, a fim de obter os diplomas básicos exigidos para matrícula no curso médico.

Matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1897, aos 18 anos. Ao longo do curso, dois professores exerceram grande influência em sua carreira: Miguel Couto, que lhe apresentou as noções e as práticas da clínica moderna, e com quem passaria a ter uma estreita amizade; e Francisco Fajardo, que o colocou no estudo das doenças tropicais, especialmente da malária, e que seria de grande importância para sua futura carreira. Para elaborar sua tese, pré-requisito para o exercício da medicina à época, dirigiu-se ao Instituto Soroterápico Federal (atual Instituto Oswaldo Cruz), na fazenda de Manguinhos, levando uma carta de apresentação de seu professor Miguel Couto à Oswaldo Cruz, Diretor do Instituto. Aceito e orientado por Oswaldo Cruz, Chagas começou a trabalhar no Instituto, escolhendo como tema de sua tese o ciclo evolutivo da malária na corrente sanguínea. Doutorou-se, em 1903, com a tese intitulada “ Estudo Hematológico do Impaludismo”.

Em 1904, foi nomeado médico da Diretoria Geral de Saúde Pública e, em 1906, transferiu-se para o Instituto Oswaldo Cruz.

Em 1905, na cidade de Itatinga, em São Paulo, comandou a primeira ação bem-sucedida contra a malária no Brasil. O resultado deste trabalho serviu de base para o combate efetivo da doença no mundo inteiro. Destacou-se ao descobrir o protozoário Trypanosoma cruzi, cujo nome foi uma homenagem ao seu amigo Oswaldo Cruz e a tripanossomíase americana, conhecida como Doença de Chagas. Ele foi o primeiro cientista na história da medicina a descrever completamente uma doença infecciosa: o patógeno, o vetor (Triatominae), os hospedeiros, as manifestações clínicas e a epidemiologia.

A descoberta da doença foi levada ao conhecimento da comunidade científica através de uma nota prévia escrita por Chagas, em 15 de abril de 1909, e publicada na Revista Brasil-Médico, em 22 de abril. No mesmo dia, Oswaldo Cruz anunciou formalmente à Academia Nacional de Medicina, que decidiu levar a Lassance uma comissão para verificar o trabalho. Miguel Couto, Presidente da comissão, sugeriu que a nova doença se chamasse Doença de Chagas, mas o próprio Carlos Chagas preferia chamar a doença como tripanossomíase americana.

Em agosto de 1909, Chagas publicou o primeiro volume da revista do Instituto de Manguinhos – Memórias do Instituto Oswaldo Cruz – um estudo completo sobre a doença de Chagas e o ciclo evolutivo do protozoário causador da doença. Esse trabalho garantiu a ascensão do cientista na instituição, sendo promovido a Chefe de serviço, em março de 1910.

Em 26 de outubro de 1910, a Academia Nacional de Medicina reconheceu formalmente o trabalho realizado pelo cientista e o recebeu como Membro Titular Extranumerário, já que não dispunha de lugares vagos no momento. Nessa solenidade, Chagas proferiu a primeira conferência sobre a doença. É Patrono da Cadeira No. 86, da Secção de Ciências Aplicadas à Medicina.

Sua obra não se restringiu à Doença de Chagas. Foi o primeiro a descrever as lesões da medula óssea na malária, descobriu novos e importantes transmissores e revolucionou sua época ao afirmar que a malária era uma infecção domiciliar. Ainda em 1912, Chagas participou de uma expedição ao Amazonas, fazendo um completo levantamento médico-sanitário e das condições de vida da população que habitava a região.

Com a morte de Oswaldo Cruz em 1917, Carlos Chagas foi nomeado Diretor do Instituto Oswaldo. No ano seguinte foi chamado pelo governo brasileiro para chefiar a campanha de combate à epidemia de gripe espanhola, que assolava o Rio de Janeiro. Em seguida o Presidente Epitácio Pessoa o encarregou de elaborar um novo código para a Saúde Pública, o novo regulamento foi aprovado em 1919 e passou a vigorar em 1920, criando-se assim o Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), responsável pelos serviços sanitários terrestres, marítimos e fluviais e pelos serviços de profilaxia rural. Designado Chefe do DNSP, criou diversos serviços especializados em saúde, como higiene infantil, combate às endemias rurais, tuberculose, hanseníase e doenças venéreas. Ainda foi criador de escolas de enfermagem e estabeleceu a formação de médicos sanitaristas.

Em 1925, foi nomeado Professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde criou a Cadeira de Moléstias Tropicais e estabeleceu as bases de estudo de higiene em nosso país.

Representou o Brasil em diversos comitês internacionais, principalmente como membro permanente do Comitê de Higiene da Liga das Nações.

Carlos Chagas recebeu, na Alemanha, dois importantes prêmios, concedidos a cientistas de destaque: Prêmio Schaudinn em 1912 e Prêmio Krummel em 1925. Recebeu também o título de doutor honoris causa pelas universidades de Harvard, Paris e Bruxelas. Em 1920, recebeu o título de Cavaleiro da Ordem da Coroa da Itália.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 8 de novembro de 1934, vítima de um infarto do miocárdio.

Adolpho Frederico Luna Freire

O Dr. Adolpho Frederico Luna Freire nasceu em Recife, Estado de Pernambuco, a 29 de agosto de 1864, filho do Desembargador Adelino Antônio de Luna Freire, que foi membro do Tribunal da Relação do Ceará, e de D. Umbelina Augusta de Melo Luna.

Médico diplomado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1887, sua tese de doutoramento, que teve por título “Estudo clínico da diátese fibrosa”, foi aprovada com distinção.

No fim do ano de 1888 e princípio de 1889, serviu de Adjunto de Clínica Médica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 2ª Cadeira, a cargo do Professor Martins Costa. Neste mesmo ano, foi eleito Membro Efetivo da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, tendo tomado parte na discussão que se travou, então, a propósito das mortes súbitas nesta Capital. Por este mesmo tempo ocupou o cargo de Secretário da redação do periódico científico “Brasil-Médico” em cujas colunas colaborou com certa assiduidade.

No final de 1889, se ausentou da capital federal, devido a problemas de saúde. Chegando à Capital cearense, se entregou ao exercício da sua profissão e assumiu o cargo de Professor de Ciências Naturais da Escola Militar. Nas colunas “Gazeta do Norte” escreveu uma série de artigos intitulados “A Transfusão de Sangue”, a propósito de um caso de gangrena senil, tratado pelo Dr. Meton de Alencar, com quem manteve então polêmica, servindo-se o último das páginas do Cearense.

Trabalhou, também, nas Enfermarias São José e Santo Antônio, no Hospital Pedro II, na capital pernambucana, época em que foi colaborador dos Anais da Sociedade de Medicina de Pernambucana.

Retornando, em 1901, para o Rio de Janeiro, lá exerceu o magistério como Docente Livre de Clínica Médica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e Professor de Higiene da Escola Normal. Foi médico da Santa Casa de Misericórdia, do Hospital da Gamboa e Sanitarista da Diretoria de Saúde Pública, colaborando com Oswaldo Cruz no combate à febre amarela.

Foi Presidente da Associação de Funcionários Públicos Civis, Membro Efetivo da Academia Cearense de Medicina e Membro Correspondente da Academia Médica Italiana.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1900, apresentando a memória intitulada “A semiótica do espaço semilunar do espaço de traube”, tomou posse em 1901 e foi transferido para a classe dos Honorários em 1927. É o Patrono da Cadeira 98.

Em 1918, fez parte, no posto de Coronel, da Missão Médica Militar enviada pelo Brasil à Europa em guerra, chefiada pelo Coronel Médico Nabuco de Gouveia, obtendo as condecorações Pro Labore e Medalha de Honra, por devotamento. Durante a epidemia da gripe, foi distinguido com convite para dirigir o Hospital de Bordeaux, demonstrando nessa chefia grande capacidade e dedicação.

Suas obras principais foram “A Hipermegalia hepática”, “Meningite secundária, consecutiva às eólicas do Recife”, “Algumas considerações sobre a patologia nervosa”, “Sobre um caso de hemi-espasmo facial”, “Contra a horríeopatia”, “Lição de clínica médica”, “Filhos de alcoólatras”, “Estudos sobre o câncer” e “Higiene na família e na escola”.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, a 23 de setembro de 1953.

João de Barros Barreto

O Dr. João de Barros Barreto nasceu no dia 7 de setembro de 1866, em Recife, no Estado de Pernambuco, filho de Inácio de Barros Barreto e de D. Mariana de Barros Barreto.

Doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1888, defendendo tese intitulada “Estudo higiênico dos esgotos da cidade do Rio de Janeiro”. Foi ajudante de Preparador da Cadeira de Higiene da Faculdade, de 1885 a 1888, e interno da 3ª, 2ª e 1ª Classe do Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, ambos mediante concurso.

Ministrou aulas sobre higiene em diversas instituições. Em 1911, assumiu a Livre Docência da cadeira de Higiene e Medicina Legal da atual UFRJ, apresentando dois trabalhos no momento do concurso: “Questões médico-legais relativas à gravidez” e “Ensaios aplicáveis ao estudo higiênico de algumas moléstias alimentares”.

Além disso, foi revisor do Diário Oficial, clínico particular desde o seu ingresso na Santa Casa, Clínico da Inspetoria Geral de Higiene, Químico do Laboratório Nacional de Análises, Cirurgião extranumerário da Brigada Policial da cidade do Rio de janeiro, Comissário de higiene da Maternidade de Laranjeiras, Médico e Diretor do Instituto Pasteur, Chefe de Clínica de Ginecologia na Policlínica Geral do Rio de Janeiro e Encarregado, pelo governo federal, do Serviço Quarentenário no Estado de Santa Catarina.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 29 de novembro de 1900, apresentando um memorial sobre as suas atividades acadêmicas. É Patrono da Cadeira 56 da Secção de Medicina. Foi, também, sócio da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro e Membro Correspondente de diversas instituições estrangeiras, como, por exemplo, a Sociedade de Higiene de Paris.

Era pai do também acadêmico Dr. João de Barros Barreto Filho, Membro Titular da Cadeira 56.

O Dr. João de Barros Barreto faleceu no Rio de Janeiro, no dia 5 de maio de 1914.

Amadeu da Silva Fialho

O Dr. Amadeu da Silva Fialho nasceu a 24 de setembro de 1889, na cidade do Rio de Janeiro, filho de Fenelon da Silva Fialho e D. Leopoldina Candida Fialho.

Após o curso ginasial, ingressou na Faculdade de Odontologia, tendo publicado seu primeiro trabalho em setembro de 1911, na Revista Acadêmica. Nessa época, já era auxiliar no Laboratório do Hospital Central do Exército. Possuía amor pela pesquisa e pelos laboratórios.

Em 1913, após sua formatura em Odontologia, que nunca exerceu, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde graduou-se em Medicina, em 1918. Foi interno de Miguel Couto e se dedicou à Clínica Médica, tendo grande clientela no subúrbio da cidade. Foi interno do antigo Hospício, tendo tido grande influência de Juliano Moreira. Naquela instituição, adquiriu enorme experiência em autópsias, tornando-se primoroso técnico e conhecedor da Histologia e Embriologia.

Fez o curso de Manguinhos, do Instituto Oswaldo Cruz, por meio de solicitação pessoal a Oswaldo Cruz, que, ao final do curso, convidou Amadeu Fialho a ser membro da instituição – honraria que infelizmente declinou.

Em 1921, inscreveu-se em concurso na Saúde Pública, para Assistente de Fiscalização da Medicina. Foi aprovado em segundo lugar e nomeado para o cargo, em 1922. No mesmo ano, convenceu as autoridades sanitárias da necessidade de ser criado o Serviço de Verificação de Óbitos. O serviço foi instalado, por convênio, na Escola de Medicina e Cirurgia.

Tornou-se Catedrático de Anatomia e Fisiologia Patológica desta escola, em 1925, tendo sido, ainda na Escola de Medicina e Cirurgia, Vice-Diretor da instituição, e Livre-docente da Faculdade de Medicina, em 1933.

Trabalhou no Hospital São Sebastião, pertencente à Saúde Pública, que teve importância fundamental no estudo da tuberculose e de outras doenças infecciosas e parasitárias.

Por solicitação do Prof. Francisco Pinheiro Guimarães, assumiu o laboratório de diagnóstico anátomo-patológico da Faculdade de Medicina. Em seguida, tornou-se Assistente da Cátedra de Anatomia e Fisiologia Patológica.

Em 1939, tornou-se Patologista do Centro de Cancerologia, também pertencente à Assistência Hospitalar da Saúde Pública e é, por isso, considerado um dos fundadores do Instituto do Câncer, já que aquele Centro foi núcleo de formação do Instituto.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1943, apresentando a memória intitulada “Regeneração óssea da formação dos calos ósseos nas fraturas e suas complicações, particularmente nos traumatismos de guerra”. É o Patrono da Cadeira 88.

Fez o concurso para a Cátedra de Anatomia e Fisiologia Patológica da Faculdade de Medicina da então Universidade do Brasil, tomando posse em 1947. Seu discurso de posse foi transformado em publicação, intitulado “A Evolução da Patologia”. Aposentou-se da Cátedra em 1959, tendo sido eleito Professor Emérito da Universidade do Brasil.

Em julho de 1954, participou, no Paraná, de memorável encontro de patologistas brasileiros, ocasião na qual foi fundada a Sociedade Brasileira de Patologia, onde foi eleito Presidente Honorário. Amadeu Fialho pertenceu, ainda a várias sociedades médicas nacionais e internacionais. Foi Membro Fundador da Liga Brasileira de Higiene Mental, Membro Honorário da Academia Brasileira de Odontologia e da Academia Brasileira de Medicina Militar, e Membro das Sociedades de Anatomia Patológica de Montevidéu e da Argentina e da American Society of Tropical Medicine.

Publicou numerosos trabalhos, difundindo a necessidade da Anatomia Patológica no Rio de Janeiro, como o livro “localizações pulmonares da micose de Lutz: anatomia patológica e patogenia” (1946). Outras publicações que se destacam são: “Um caso de hidrocefalia” (1915), “Diagnóstico anátomo-patológico da febre amarela” (1928), “Estudo sobre a peste bubônica no Ceará” (1935), “Estudos sobre a espiroquetose ictero-hemorrágica no Rio de janeiro” (1936), “Estudos sobre a nosologia do nordeste brasileiro” (1936) e “Sistema linfático e câncer” (1942).

Seu filho, o Acadêmico Francisco Fialho, seguiu os seus passos na cátedra e nas atividades profissionais.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, a 20 de outubro de 1961.

Arnaldo de Moraes

Arnaldo de Moraes nasceu em 28 de agosto de 1893, na cidade do Rio de Janeiro, filho do farmacêutico Arnaldo Augusto de Moraes e da professora D. Adelaide Cruz de Moraes.

Bacharel em Ciências e Letras pelo Externato Pedro II, em 1910, formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de janeiro, em 1915, defendendo a tese intitulada “Apresentações transversas”. Foi interno efetivo de Clínica Obstétrica na mesma faculdade.

Atuou como adjunto do Hospital da Misericórdia, desde 1916, com exercício na 24ª Enfermaria (Maternidade da Faculdade), na 23ª Enfermaria (Cirurgia de Senhoras) e na 27ª Enfermaria (Maternidade), médico do Hospital Pró-Matre, assistente da Maternidade do Rio de Janeiro, assistente extranumerário de Clinica Cirúrgica da Faculdade de Medicina, no serviço do professor Brandão Filho, Inspetor sanitário, por concurso, do Departamento Nacional de Saúde Pública, com exercício na Higiene Pré-natal, em 1920.

Foi Livre Docente de Clínica Obstétrica, por concurso, da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, em 1924, e Professor Catedrático de Clínica Ginecológica da Faculdade Fluminense de Medicina, eleito pela Congregação e, por concurso, da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, em 1935.

Integrou várias instituições cientificas nacionais e estrangeiras: Membro da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Membro Fundador do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Membro da “American Public Health Association”, do “ American College of Surgeons”, e da “Associacion Médica Argentina”, Membro Correspondente da Sociedade Argentina de Ginecologia e Obstetrícia, Membro de Honra da Sociedade de Ginecologia de Bucareste e Membro efetivo da “Deutsche Gesellschaft fur Gynakologie”.

Comissionado pelo Departamento Nacional de Saúde Pública e sob o patrocínio da Fundação Rockefeller, em 1927 e 1928, foi estudar nos Estados Unidos a organização de Higiene Pré-natal e de Assistência Maternal. Durante a sua estada naquele país, frequentou cursos da Universidade de Johns Hopkins, na Escola de Higiene e Saúde Pública, bem como, frequentou o serviço de Higiene Pré-natal e as Clínicas de Obstetrícia e Ginecologia. Fez cursos “post graduate” em Obstetrícia e Gonorreia na mulher, na Universidade de Harvard, e cursou as aulas de Higiene Pré-natal do curso de Higiene Infantil da Escola de Saúde Pública da mesma universidade.

Ainda em comissão do Departamento Nacional de Saúde Pública, estudou as organizações de Higiene Pré-natal da Alemanha, da Áustria e da França e fez cursos de aperfeiçoamento no Hospital da Charité, em Berlim.

Regeu cursos privados de Clínica Obstétrica na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1924, e os cursos de patologia do recém-nascido, no “Curso de Pediatria e Higiene Infantil” da Universidade do Rio de Janeiro, em 1931 e 1932.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1938, apresentando a memória intitulada “Orientação terapêutica no carcinoma da vulva”. É o Patrono da Cadeira 74.

Fundou e dirigiu os “Anais Brasileiros de Ginecologia”, em 1936, e o Instituto de Ginecologia da Universidade do Brasil, sendo pioneiro no país na introdução e difusão de técnicas médicas para o controle do câncer de colo de útero, tornando-se referência nas ações sobre a doença na época. Fundou, ainda, em 1938, a Casa de Saúde e Maternidade Arnaldo de Moraes, em Copacabana, atualmente o Hospital São Lucas, e foi o primeiro Presidente do Lions Clube do Rio de janeiro, em 1952.

Destacam-se na sua imensa obra científica os seguintes trabalhos: “Tratamento do aborto incompleto” (1917), “Fisiologia patológica da infecção puerperal e deduções para a terapêutica” (1924), “Propedêutica obstétrica” (1924), “Sã maternidade – conselhos e sugestões para futuras mães”, com a qual recebeu o Prêmio Madame Durocher da Academia Nacional de Medicina (1929), “Aspectos atuais da patologia do recém-nascido” (1933), “Orientação Moderna em Ginecologia” (1935), Diagnóstico da esterilidade feminina” (1936), “Puberdade e Climatério” (1937) e “A colposcopia no Brasil: seus começos e desenvolvimento no Instituto de Ginecologia da Universidade do Brasil” (1935).

Faleceu na sua cidade natal, no dia 6 de abril de 1961.

Augusto Brant Paes Leme

O Dr. Augusto Brant Paes Leme nasceu no dia 28 de janeiro de 1862, na cidade do Rio de Janeiro, filho de Francisco Garcia Paes Leme e de D. Ana Eufrosina Brant.

Fez seus estudos preparatórios no Externato Aquino, no Rio de Janeiro, e doutorou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1884, defendendo tese intitulada “Dos progressos realisados no tratamento das fracturas complicadas de feridas”, o que lhe valeu, não só a aprovação com distinção, como também a Medalha de Ouro – Prêmio Doutor Manoel Feliciano – instituído pelo Barão de Ibituruna, por deliberação unânime da congregação da faculdade.

Cirurgião e Lente da Faculdade de Medicina, da Inspetoria Geral de Higiene (criada pelo Decreto de 03.02.1886) e Delegado de Paróquia Urbana da Inspetoria Geral de Higiene (criada pelo Decreto de 03.02.1886), foi também Diretor da Cadeira de Clínica Cirúrgica da 3ª Enfermaria e, posteriormente, da 18ª Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, além de responsável pela vacinação na freguesia de São José, na Igreja da Lapa.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1900, e transferido para a classe de Honorários, em 1918. É o Patrono da Cadeira 62. Foi conhecido por ser uma grande referência dentro da Secção de Cirurgia da ANM; diz-se que ele iniciou uma “escola de cirurgia”, cujo principal discípulo foi o Acad. Augusto Paulino Soares de Souza, que destacava no mestre Paes Leme os dotes de exímio desenhista, além de competente anatomista.

Foi redator colaborador do periódico “Brasil Médico”, colaborador da “Revista de Medicina de São Paulo” e sócio correspondente do Instituto do Ceará. Publicou vários trabalhos, destacando-se: “Novo processo de conservação dos cadáveres”, “Estudo clínico sobre o fenômeno das pulsações no ventre: os falsos aneurismas da aorta abdominal”, “As fraturas da rótula e seu tratamento”, “Abcessos cerebrais”, “A cura sangrenta das hemorroidas” e “Tumores pulsáteis da órbita”.

Foi Membro Honorário do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, onde foi criado o Prêmio Brant Paes Leme, em 1939, destinado ao melhor trabalho de técnica cirúrgica a ser distribuído anualmente. É o Patrono da Cadeira 58 da Academia Brasileira de Medicina Militar.

O Dr. Paes Leme também foi Professor de Anatomia e Fisiologia Artística da Escola Nacional de Belas Artes.

Em seu livro “História da Medicina no Brasil”, o Acadêmico Pedro Nava coloca que os Acadêmicos Paes Leme, Francisco de CastroMiguel CoutoAzevedo SodréAlmeida MagalhãesMiguel PereiraAugusto PaulinoAugusto Brandão Filho, Luiz da Cunha Feijó Junior, Antônio Rodrigues Lima e Fernando Magalhães se classificavam, para ele, como os internistas, cirurgiões e parteiros responsáveis pela construção do saber moderno da Medicina – todos norteados pelas contribuições do Vicente Cândido Figueira de SaboiaJoão Vicente Torres Homem e Luiz da Cunha Feijó.

Faleceu na sua cidade natal, no dia 04 de março de 1943.

Oscar Frederico de Souza

Oscar Frederico de Souza, nascido a 06 de março de 1870, na cidade do Rio de Janeiro, era filho de João Baptista Alves de Souza e D. Delmira de Souza.

Fez seus estudos preparatórios no Colégio Pedro II e graduou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1892, defendendo tese de doutoramento intitulada “Embriogenia Geral dos Invertebrados”.

Foi Professor Substituto de Fisiologia e Terapêutica, em 1901; conquistou, mediante concurso, em 1896, o cargo de Professor Substituto da 2ª Secção da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro; e, em 1910, foi Professor Catedrático de Fisiologia, se afastando da Cátedra apenas quando atingiu o limite de idade. Era, também, Membro do Conselho Superior de Ensino.

Personalidade que se impôs não só no seio de sua classe como nos meios discentes, por ser excelente médico, renomado cientista e grande didata. Divulgou amplamente seus primorosos trabalhos científicos, destacando-se no desempenho de várias comissões e participando de diversos congressos, dentre os quais: Conferência de Higiene e Demografia de Berlim (1917), na qual foi delegado do Brasil ao lado de Oswaldo Cruz.

Foi condecorado pelo rei da Itália por haver sozinho combatido um surto epidêmico de febre amarela entre os tripulantes do navio Lombardia, da frota daquele país amigo, que se encontrava no Porto do Rio de Janeiro.

Foi Fundador da Santa Casa de Misericórdia de São Lourenço, no sul do Estado de Minas Gerais, e Diretor da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, além de Chefe da Clínica de Moléstias do Coração e dos Pulmões da mesma Policlínica.

Eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1900, exerceu o cargo de Presidente da Secção de Ciências Naturais (1910-1912) e da Secção de Ciências Aplicadas à Medicina (1916-1925) e foi transferido para a classe de Eméritos, em 1933. É o Patrono da Cadeira 99.

É autor de vários trabalhos, destacando-se “Os fatores da evolução” (1896), Alimentação dos europeus e trabalhadores indígenas nos países quentes” (1917), “Asma e arterioesclerose” (1917), “Lições de Clínica Terapêutica” (1918) e “Distrofia Gênito-glandular” (1918, em colaboração com o Professor Aloysio de Castro).

O Dr. Oscar Frederico de Souza faleceu a 6 de julho de 1941, aos 71 anos de idade, em sua cidade natal.

Marcio Philaphiano Nery

Nascido a 10 de março de 1865, em Manaus (AM), filho de Silvério José Nery e D. Maria Anthony Nery. Fez seus primeiros estudos no Ginásio do Amazonas, obtendo sempre notas distintas, o que o fez granjear uma bolsa de estudos para o Rio de Janeiro. Graduou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1890, defendendo tese de doutoramento intitulada “Da influência exercida pelas moléstias do aparelho circulatório quanto ao desenvolvimento das moléstias mentais”.

Após sua formatura, por convite do Dr. Teixeira Brandão, prestou concurso para médico do Hospício de Alienados. No Hospício, esforçou-se para implementar uma organização mais moderna, não só fazendo funcionar suas oficinas, como estabelecendo uma Banda de Música, pela qual ele muito se interessava.

Prestou também concursos para Professor da Escola de Belas Artes e para Professor Substituto da Cadeira de Psiquiatria e Doenças Nervosas. A tese do concurso de Professor Substituto apresentada em 1894 foi intitulada “História e patogenia da paranoia”.

Segundo informação do Acadêmico José Leme Lopes, foi Marcio Philaphiano Nery o responsável pelo primeiro diagnóstico de demência precoce, de acordo com papeleta da Casa de Saúde Eiras.

Transferiu-se para sua terra natal em 1903, a fim de exercer a função de Diretor Geral da Saúde Pública. Depois de permanência de cerca de dois anos em Manaus, transferiu-se para Paris com a família. Regressou a Manaus e, em 1907, voltou para o Rio de Janeiro.

Em artigo publicado na revista “O Brasil Médico”, o Dr. Márcio Philaphiano Nery manifestava-se contrário à criação de estabelecimentos especiais para loucos criminosos, pois “loucura e crime são duas ideias que se repelem e que não devem ser proferidas por lábios de médicos nem de juristas. Ou o indivíduo é louco ou criminoso; não se pode associar ideias antagônicas”.

Dentre outros trabalhos publicados destacam-se “Fenômenos de índole epilética determinadas pelas bebidas alcoólicas” (1893), “Localização cerebral da sífilis” (1893), “Atetose dupla” (1894), “Afasias sensoriais” (1895), e “A epilepsia sob o ponto de vista médico-legal” (1897).

Na ocasião de sua posse na Academia nacional de Medicina, apresentou como memória a tese com o mesmo título de sua tese de doutoramento.

Faleceu em Petrópolis, a 15 de fevereiro de 1911, com apenas 45 anos, transferido por recomendação de seu médico assistente, o Professor Rocha Faria.

Hilário Soares de Gouvêa

O Dr. Hilário Soares de Gouvêa nasceu na cidade de Caeté, em Minas Gerais, no dia 23 de setembro de 1843. Era filho de Lucas Soares de Gouvêa e Inácia Carolina Soares de Gouvêa. Casou-se com Rita de Cássia Nabuco de Araújo, irmã do diplomata e político Joaquim Nabuco.

Doutorou-se em 1866 com a tese intitulada “Do glaucoma: dos sucos digestivos, estudo chimico-pharmacológico sobre a strychinina, veratrina e brucina, operações reclamadas pelos tumores hemorroidaes”.

Após formar-se em medicina, morou um ano em Paris e quatro em Heidelberg. Na Universidade de Heidelberg, onde revalidou seu diploma, realizou estudos especiais sobre as moléstias dos olhos, foi estagiário e depois chefe de clínica naquela universidade, e partilhou da convivência com Friedrich Wilhelm Ernst Albrecht von Graefe (1828-1870), oftalmologista alemão considerado o fundador da oftalmologia científica.

Ao retornar a seu país de origem, em 1870, Hilário Soares de Gouvêa passou a se dedicar à clínica na área de oftalmologia e de otorrinolaringologia. Realizou consultas e operações em seu consultório particular, denominado Consultório Oculistico do Dr. Hilário de Gouvêa, onde também funcionava o curso público de moléstias de olhos no seu Instituto Oftalmológico. Este instituto funcionava na Casa de Saúde de Nossa Senhora da Ajuda, de propriedade de Manoel Joaquim Fernandes Eiras.

Desde o ano de 1873 integrou, como oculista, o quadro médico da Casa de Saúde de Santa Thereza. Observou diversos distúrbios e enfermidades relacionadas à visão, como a relação entre os distúrbios da nutrição com a xeroftalmia e a cegueira noturna, a destruição de córneas (ceratomalacia), e a prevenção da cegueira. Registrou, em 1869, seu primeiro caso de xerosis conjunctivae bulbi de desfecho fatal, enfermidade esta anteriormente denominada por Manoel da Gama Lobo de ophtalmia brasiliana, ao relacioná-la com o clima.

Foi designado em 5 de julho de 1881 para reger, a título provisório, a recém criada cadeira de clínica oftalmológica na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, e em fevereiro de 1883 prestou concurso para a mesma disciplina, tendo sido aprovado. Em 6 de março de 1883 foi nomeado lente proprietário desta disciplina, cargo este que ocupou até o ano de 1895.

Na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro integrou a primeira Comissão Redatora da Revista dos Cursos Práticos e Theoricos, revista bimestral daquela instituição criada pelo decreto nº 9.311, de 25/10/1884.

Foi médico do consultório oftalmológico do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Fundador da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, que foi inaugurada em 14 de fevereiro de 1886. Nesta sociedade também foi 2º Secretário (1887/1888), Redator do Boletim, 1º Secretário (1892), Vice-Presidente (1894) e Presidente (1888, 1889 e 1893).

No 1º Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia, realizado em 1888 no Rio de Janeiro, Hilário Soares de Gouvêa ocupou lugar na mesa diretora no cargo de 1º vice-presidente, ficando a presidência para Lucas Antônio de Oliveira Catta Preta, apresentando o trabalho intitulado “Maturação artificial das cataratas”. Presidiu ainda o 2º Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia (Rio de janeiro, 1889), no qual proferiu um discurso fazendo críticas à política sanitária e à política de formação de profissionais de medicina, conduzidas pelo governo Imperial, destacando que pouco havia sido feito em relação à higiene pública.

No ano de 1888 fundou a Revista Brazileira de Ophtalmologia. Integrou, desde 1888, o corpo de médicos efetivos do Hospital da Sociedade Portuguesa de Beneficência.

Em 1893, Hilário Soares de Gouvêa organizou, seguindo o modelo de assistência a feridos de guerra da Cruz Vermelha, uma comissão que prestou socorros médicos durante a Revolta da Armada (1893-1894) e a Revolução Federalista do Rio Grande do Sul (1893-1895). Devido a sua participação nestes eventos e a sua posição contrária a Floriano Peixoto, então Presidente da República, Hilário Soares de Gouvêa foi acusado de prestar auxílio aos rebeldes, sendo encarcerado na Casa de Correção e depois removido para um prédio improvisado como prisão de presos políticos, na rua do Catete, cidade do Rio de Janeiro. Conseguiu fugir da prisão, abrigou-se em uma casa na rua Paissandu, pertencente a uma família inglesa de suas relações de amizade. Em seguida solicitou asilo ao Encarregado de Negócios da França, tendo seu pedido deferido, e assim foi autorizado a embarcar na fragata “Arethuse”, da Divisão Naval francesa. Depois embarcou no paquete “Brésil”, que seguia para a cidade Buenos Aires, de onde rumou para a Europa, fazendo uma escala no Rio de Janeiro para buscar sua família. Hilário Soares de Gouvêa chegou à Paris em 1º de dezembro de 1893, onde, por exigência da legislação francesa, prestou exame em algumas matérias do curso médico, como condição para poder clinicar. Após o cumprimento desta exigência, defendeu, em 1895, uma tese intitulada “La distomose pulmonaire par la douve du foie”. Ainda em Paris fez um curso no Instituto Pasteur e um outro de otorrinolaringologia, área que posteriormente se tornaria sua especialidade.

Ao retornar ao Brasil, em 1899, solicitou sua recondução ao cargo de catedrático de clínica oftalmológica, na então Faculdade de Medicina e Farmácia do Rio de Janeiro.

Em 7 de outubro de 1899, colegas e amigos de Hilário Soares de Gouvêa, aproveitando seu retorno após longa estadia na Europa, promoveram um banquete em sua homenagem na Pensão Beethoven, que funcionava na rua da Glória, nº 62. Nesta ocasião discursaram Carlos Pinto Seidl e outros oradores, e entre estes discursos destacou-se o de Cypriano de Souza Freitas, lente de anatomia patológica na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, que além de saudar o colega, ressaltou o quadro grave de tuberculose na cidade e a necessidade de um órgão específico para cuidar do combate a esta enfermidade. Atendendo ao apelo do colega, Hilário Soares de Gouvêa organizou uma reunião na Academia Nacional de Medicina , na qual aquela proposta foi apresentada e aprovada, e foi constituída uma comissão, composta de 25 membros, designada para estruturar o órgão proposto, ou seja, a Liga Brasileira contra a Tuberculose.

Nesta reunião, que contou também com a presença de Cypriano de Souza Freitas, Antonio Pereira Leitão, Ismael da RochaCarlos Pinto Seidl entre outros, foi lavrada uma ata sobre a fundação da Liga Brasileira contra a Tuberculose (atual Fundação Ataulpho de Paiva), e em 4 de agosto foi lavrada sua ata de instalação em uma sessão solene na Academia Nacional de Medicina. Na definição da primeira diretoria da Liga, Hilário Soares de Gouvêa foi designado seu Secretário Perpétuo.

Foi eleito membro titular da Academia Nacional de Medicina em 1899 e é Patrono da Cadeira No. 73. Apresentou na Academia Nacional de Medicina um plano de estudos, que poderia fundamentar a elaboração da Lei Orgânica do Ensino Superior. Esta Lei foi aprovada por meio dos decretos nº 8.659 e nº 8.661, de 05/04/1911, pelo Presidente Hermes da Fonseca e referendada pelo Ministro do Estado da Justiça e Negócios Interiores Rivadávia da Cunha Corrêa, e ficou conhecida como Lei Rivadávia Corrêa.

Integrou várias associações científicas, tanto nacionais quanto estrangeiras, como a Société d´Ophtalmologie de Paris. Participou da Cruz Vermelha Brasileira, fundada em 5 de dezembro de 1908. Em 1910, assumiu a direção da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, cargo que exerceu até 1911. Foi, também, Lente Catedrático da Cadeira de Otorrinolaringologia da mesma faculdade.

Em 1922 foi um dos fundadores, e primeiro presidente, da Sociedade Brasileira de Oftalmologia. Recebeu os títulos de Comendador da Ordem da Rosa e de Cavalheiro de Cristo de Portugal.

Em sua homenagem, uma rua no bairro de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, foi batizada com o seu nome.

Devido a complicações de saúde, principalmente por sua diabete, faleceu no Rio de Janeiro em 25 de outubro de 1923.

Oswaldo Gonçalves Cruz

Nascido a 05 de agosto de 1872, em São Luiz do Paraitinga, Estado de São Paulo, filho do médico Bento Gonçalves Cruz e D. Amélia Taboada Bulhões Cruz. Ele viveu na cidade até 1877, quando sua família se transferiu para o Rio de Janeiro. Estudou no Colégio Laure, no Colégio São Pedro de Alcântara e no Externato Dom Pedro II.

Aos 15 anos, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Antes de concluir o curso, já publicara dois artigos sobre microbiologia na revista Brasil Médico. Graduou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, a 24 de dezembro de 1892, defendendo tese de doutoramento intitulada “A Veiculação Microbiana pelas Águas”, dividida em três partes. Seu interesse pela microbiologia levou-o a montar um pequeno laboratório no porão de sua casa.

Contudo, a morte de seu pai, no mesmo ano de sua formatura, impediu o aprofundamento de seus estudos por um tempo. Somente em 1896 pôde realizar o seu sonho: especializar-se em Bacteriologia no Instituto Pasteur de Paris, dirigido pelo Dr. Émile Roux, descobridor do soro antidiftérico. Dr. Émile Roux e o Dr. Ellie Metchnikoff se tornaram seus principais orientadores profissionais. Trabalhou no Serviço de Vias Urinárias do professor Félix Guyone e fez estágio na Alemanha. Oswaldo Cruz foi convidado pelo Dr. Roux – que admirava seu trabalho – para permanecer trabalhando no Instituto Pasteur. No entanto, Oswaldo decidiu regressar ao Brasil em 1899.

Ao voltar da Europa, Oswaldo Cruz encontrou o Porto de Santos assolado por violenta epidemia de peste bubônica, e logo se engajou no combate à doença. Para fabricar o soro antipestoso, foi criado, em 25 de maio de 1900, o Instituto Soroterápico Federal, instalado na antiga Fazenda de Manguinhos, tendo como Diretor Geral o Barão de Pedro Affonso e Diretor Técnico o jovem bacteriologista. Em 1902, Cruz assumiu a direção geral do novo Instituto. Este, por sua vez, ampliou suas atividades, não mais restringindo-se à fabricação de soro antipestoso, mas dedicando-se também à pesquisa básica aplicada e à formação de recursos humanos.

Em 15 de novembro de 1902, quando Rodrigues Alves foi eleito Presidente da República, declarou como objetivo a erradicação de doenças como a febre amarela, peste bubônica e varíola. Para tanto, nomeia Oswaldo Cruz como Diretor Geral da Saúde Pública, cargo que corresponde atualmente ao de Ministro da Saúde. Utilizando o Instituto Soroterápico Federal como base de apoio técnico-científico, deflagrou memoráveis campanhas de saneamento. Em poucos meses, a incidência de peste bubônica diminuiu com o extermínio dos ratos, cujas pulgas transmitiam a doença.

Ao combater a febre amarela, na mesma época, Oswaldo Cruz enfrentou vários problemas. Grande parte dos médicos e da população acreditava que a doença se transmitia pelo contato com as roupas, suor, sangue e secreções de doentes. No entanto, Oswaldo Cruz acreditava em uma nova teoria: o transmissor da febre amarela era um mosquito. Assim, suspendeu as desinfecções, método tradicional no combate à moléstia, e implantou medidas sanitárias com brigadas que percorreram casas, jardins, quintais e ruas, para eliminar focos de insetos. Sua atuação provocou violenta reação popular.

Em 1904, a oposição a Oswaldo Cruz atingiu seu ápice. Com o recrudescimento dos surtos de varíola, o sanitarista tentou promover a vacinação em massa da população. Os jornais lançaram uma campanha contra a medida. O congresso protestou e foi organizada a Liga Contra a Vacinação Obrigatória. No dia 13 de novembro, estourou a rebelião popular, a Revolta da Vacina, e, no dia 14, a Escola Militar da Praia Vermelha se levantou. O Governo derrotou a rebelião, mas suspendeu a obrigatoriedade da vacina. Em 1907, a febre amarela estava erradicada do Rio de Janeiro.

Em 1908, uma epidemia de varíola levou a população aos postos de vacinação. O Brasil finalmente reconhecia o valor do sanitarista, todavia, no mundo científico internacional, seu prestígio era já incontestável. Oswaldo Cruz ainda reformou o Código Sanitário e reestruturou todos os órgãos de saúde e higiene do país.

Em 1909, deixou a Diretoria Geral de Saúde Pública, passando a se dedicar apenas ao Instituto de Manguinhos, que fora rebatizado com o seu nome. Do Instituto lançou importantes expedições científicas que possibilitaram a ocupação do interior do país. Erradicou a febre amarela no Pará, realizou a campanha de saneamento da Amazônia, e permitiu o término das obras da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, cuja construção havia sido interrompida pelo grande número de mortes entre os operários, provocadas pela malária.

Durante sua vida, Oswaldo Cruz recebeu várias honrarias e homenagens: em 1907, em Berlim, no XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia, ganhou a medalha de ouro em reconhecimento por seu trabalho; em 1911, a Exposição Internacional de Higiene (Dresden, Alemanha) conferiu um diploma de honra ao Instituto Oswaldo Cruz; e em 1914, a França, tendo sido beneficiada em suas colônias na África pelas descobertas de Oswaldo Cruz, concedeu ao brasileiro a Legião de Honra – a mais alta distinção republicana francesa. Além disso, recebeu também inúmeras homenagens póstumas.

Foi eleito para a Academia Nacional de Medicina em 26 de junho de 1899. Na instituição, atuou como Presidente da Secção de Ciências Aplicadas à Medicina nos anos de 1913-1914, 1914-1915 e 1916-1916.

Foi eleito, também, em 1912, para a Academia Brasileira de Letras.

Em 1915, por motivos de saúde, abandonou a direção do Instituto Oswaldo Cruz e mudou-se para Petrópolis. Eleito prefeito daquela cidade, traçou vasto plano de urbanização, que não pode ver construído, pois a piora de sua saúde o levou a renunciar ao cargo.

Sofrendo de insuficiência renal, morreu naquela cidade, a 11 de fevereiro de 1917, com apenas 44 anos.

José Antônio de Abreu Fialho

O Dr. José Antônio de Abreu Fialho nasceu no dia 20 de janeiro de 1874, em Aracajú, capital de Sergipe, filho de Tito de Abreu Fialho e de D. Maria José de Abreu Fialho.

Estudou no Colégio Pedro II e matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1891, onde, até 1896, foi auxiliar do Instituto Vacínico Municipal do Rio de Janeiro e interno do Hospital Geral da Santa Casa, ambos os cargos conquistados por concurso. Doutorou-se em Medicina em 1896, defendendo tese intitulada “A oculística perante a patologia – perturbações oculares nas moléstias cerebrais”. Sua tese se tornou um documento muito marcante para a história da oftalmologia brasileira e ela lhe rendeu o convite a ser Diretor da mesma instituição. Nela, publicou diversos trabalhos, como, por exemplo, a tese “Anatomia e fisiologia da nutrição ocular”, “Anomalias congênitas do aparelho visual”, “Relações entre moléstias dos ouvidos e as dos olhos”, “Hérnia do corpo vítreo na câmara anterior”, “Afecções oculares por endo-infecção”, entre outros.

Dois anos após a formatura, foi nomeado, mediante concurso, Professor substituto da Clínica de Moléstias dos olhos da Faculdade de Medicina, ocasião em que defendeu tese sobre “Estudo físico-clínico da nutrição ocular”.

Na mesma ocasião, foi nomeado médico oftalmologista dos hospitais da Sociedade Portuguesa de Beneficência, da Santa Casa de Misericórdia, da Penitenciária Estadual e do Hospital São Francisco de Paula.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 1899, apresentando a memória intitulada “Anomalias congênitas do aparelho visual”, onde exerceu alguns cargos, como o de Presidente da Secção de Cirurgia Especializada. Transferiu-se para a classe de Honorários em 30 de novembro de 1933. É o Patrono da Cadeira 71.

Em 1901 e 1902 permaneceu na Europa, onde frequentou o mais conceituado centro de oftalmologia do Velho Continente, a Clínica Fuchs, localizada na capital vienense. Ao regressar ao Brasil, foi considerado o mais destacado oftalmologista do país.

Em 22 de novembro de 1906, assumiu a cátedra de Oftalmologia. O Acad. Sylvio de Abreu Fialho, seu filho, em seu livro “Páginas Viradas”, relatou que no concurso a que se submeteu para a conquista da cátedra, surpreendeu os concorrentes favoritos, isto é, “aqueles cujos nomes granjeavam maior evidência entre as elites. O único trunfo que Abreu Fialho possuía era a enorme confiança no saber acumulado nas vigílias do estudo em que se haviam consumido as melhores horas da sua mocidade”.

Em 1907, retornou à Europa em nova viagem de estudos, frequentando os hospitais de Berlim, Paris, Viena e outros centros científicos.

O Dr. José Antônio de Abreu Fialho fundou e presidiu a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, foi Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Alemã, Membro Honorário da Sociedade de Oftalmologia de Viena, da Associação Médica Argentina e do Instituto Brasileiro de Estomatologia, Membro Titular de várias instituições científicas, tais como o Instituto Histórico do Ceará, o Instituto Histórico de Sergipe, o American College of Surgeons, a Sociedade Brasileira de Psiquiatria e Medicina Legal, onde foi, também Vice-Presidente, e várias outras.

Foi fundador da “Revista de Clínicas” e dos “Anais de Oculística do Rio de Janeiro” e colaborou também com diversos periódicos do Brasil e do exterior, notadamente nos anais da Academia Nacional de Medicina e da Academia Brasileira de Medicina Militar, onde é o Patrono da Cadeira 30, no “Brasil Médico” e em outras revistas de medicina. É, também, o Patrono da Cadeira 21 da Academia Sergipana de Medicina.

Foi escritor notável, sobretudo de fábulas, pelo que mereceu elogios de Anastásio Bonsucesso e de outros mestres daquele gênero literário. Além das letras vernáculas, incursionou com sucesso na literatura hispânica, sendo, inclusive, vice-presidente da Casa de Cervantes.

Dominando várias línguas, lia autores estrangeiros no original, especialmente alemães, de forma que publicou vários trabalhos no idioma germânico e foi Presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Alemã.

O Dr. José Antônio de Abreu Fialho faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 17 de março de 1940.

Augusto Brandão Filho

O Dr. Augusto Brandão Filho nasceu na cidade de Cantagalo, no Estado do Rio de Janeiro, em 19 de maio de 1881, filho de Augusto de Souza Brandão, médico ilustre, e Leocádia Freire de Faria Salgado Brandão, e neto do Barão de Cantagalo.

Formou-se em Farmácia, em 1900, e em Medicina, em 1903, pela Faculdade de Medicina do Rio de janeiro, apresentando a tese intitulada “Hérnia perineal posterior”.

Professor da Clínica Ginecológica, por concurso, assistente interino, docente livre da Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1914, assistente efetivo, em 1919, assumiu a cátedra, em 1920, como professor substituto de Pedro Severiano de Magalhães, passando a catedrático em 1925, por efeito de reforma do ensino médico.

Foi cirurgião do Hospital da Misericórdia do Rio de Janeiro, onde dirigiu, por muitos anos, a 17ª e a 23ª enfermarias, que era visitada por cirurgiões de vários países, e o Dr. Brandão Filho foi considerado um dos maiores operadores do mundo. Também a anestesia brasileira se iniciou nesta enfermaria e de lá foi difundida por todo o país pelo Dr. Mario d’Almeida. Todas as cirurgias lá praticadas foram catalogadas num arquivo modelarmente iniciado por Daniel de D’Almeida, em 1903, depois continuado por Álvaro Ramos, Brandão Filho e Xavier Lopes. Sob a orientação de Brandão Filho, este tradicional centro médico tomou maiores proporções, principalmente quando seu chefe conquistou a cátedra de cirurgia da faculdade. A esse tempo, São Paulo rivalizava com a então capital do pais no progresso da medicina, com Arnaldo Vieira de Carvalho e Benedito Montenegro, que foram os chefes da Escola Cirúrgica de São Paulo.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 1922, tomando posse em 1923, onde é o Patrono da Cadeira 27.

Em seu apogeu profissional, por volta de 1926, era apontado como o “Príncipe dos cirurgiões brasileiros”. Homens públicos ilustres foram por eles operados, tais como Washington Luiz, Oswaldo Aranha, João Neves de Fontoura, Juracy Magalhães e muitos outros.

Foi catedrático por mais de 30 anos e durante meio século serviu à Medicina. Direta ou indiretamente, influiu na formação de inúmeros cirurgiões que trabalharam como professores ou chefes de serviço, espalhados pelo país.

Seu ensino sempre foi objetivo e o mais demonstrativo possível, evitando as divagações da erudição doutrinária. Em 1919, já proclamava o Professor Fraure: “Il n’y a pas de science plus objective que La chirurgie. Les discours n´aprennent rien, les livres peu de chose; Il faut voir”.

Foi um dos fundadores do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, onde foi presidente ente 1929 e 1931, e membro de um grande número de entidades científicas nacionais e internacionais, tais como a Sociedade Internacional de Cirurgia e o American College of Surgeons. É o Patrono da Cadeira 73 da Academia Brasileira de Medicina Militar.

Embora doente, o Dr. Brandão Filho era um dos maiores entusiastas da construção da Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, sendo representante do Conselho Universitário da Universidade do Brasil junto ao órgão encarregado se sua feitura. Entre os trabalhos que liderou, a construção do Hospital das Clínicas foi um dos seus grandes sonhos de mestre da medicina.

É autor de vários trabalhos publicados, destacando-se: “Sondas de demora ureterais” (1911), “Sobre uma questão de técnica do cateterismo dos ureteres” (1913), “Raquianagelsia geral” (1914), “Um caso de cálculo renal” (1915), “Flebectomia” (1916) “Estudo médico cirúrgico do fleimão perinéfrico na infância” (1918) e “Tumores do encéfalo – Algumas observações comentadas” (1927).

Faleceu de maneira trágica, em sua residência, na cidade do Rio de Janeiro, em 18 de setembro de 1957.

Pedro de Almeida Magalhães

O Dr. Pedro de Almeida Magalhães nasceu em Vassouras – Rio de Janeiro, no dia 27 de novembro de 1864, filho de João Paulo de Magalhães e de Lucilla Eugênia Teixeira de Magalhães.

Fez seus estudos preparatórios no Colégio Ateneu Fluminense, naquela cidade, e matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1882, onde doutorou-se em Medicina em 1887, defendendo tese sobre “Amiotrofias de origem periférica”.  No ano seguinte, partiu para a Europa para completar seus estudos, onde permaneceu por três anos.

O Dr. Pedro de Almeida Magalhães candidatou-se a vaga de Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 15 de setembro de 1898, apresentando a memória intitulada: “Ruídos de sopros cardíacos no decurso da arterioesclerose generalizada”.

Médico e cientista, foi Professor de Patologia Interna e de Clínica Médica da Faculdade Nacional de Medicina. Fez o primeiro concurso para a Faculdade em 1902, sendo dispensado do segundo concurso pelas obras de mérito que apresentava.

Travou célebre polêmica com Acad. Miguel Couto, sobre a natureza do sopro na insuficiência aórtica, elevando a auscultação cardíaca às maiores minúcias exegéticas.

Publicou vários trabalhos, dentre eles “Estudos de Clínica Médica”, “Valor da percussão no diagnóstico dos aneurismas aórticos”, “O fígado e o baço na anquilostomíase”, e “Da revolução na terapêutica antiflogística”. Merece especial menção a monografia “O coração no beribéri”, ainda hoje considerada obra mestra da bibliografia nacional. Foi colaborador dos periódicos Brasil Médico, do Rio de Janeiro, e Revista Médica, de São Paulo.

A percussão da fosseta de Mohrenheim para o diagnóstico precoce da tuberculose, problema crítico premente na época, foi por ele estudado com afinco, tendo inspirado mais tarde a tese de um de seus discípulos, o Dr. Rodrigues Machado, intitulada “Sinal de Almeida Magalhães”.

O Acadêmico Pedro de Almeida Magalhães faleceu aos 44 anos, na cidade de Benjamim Constant em Minas Gerais, no dia 13 de fevereiro de 1909.

Belisário Augusto de Oliveira Penna

Belisário Augusto de Oliveira Penna nasceu em Barbacena, Estado de Minas Gerais, a 29 de novembro de 1868, filho homônimo do Barão de Carandaí e de Lina Leopoldina Lage Duque Penna. 

Ingressou, em 1886, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, transferindo-se no último ano para a Faculdade de Medicina da Bahia, onde terminou o curso, em novembro de 1890. Retornou à Minas Gerais, onde clinicou por alguns anos em Barbacena e Juiz de Fora. Nesta cidade foi eleito vereador.

Transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1904, onde trabalhou na Diretoria Geral de Saúde Pública. Neste cargo, foi designado para exercer as suas funções numa área da cidade habitada por imigrantes portugueses, italianos, judeus e negros, quase todos pobres, marcando o início de seu envolvimento com as políticas de saúde. Nomeado Inspetor Sanitário a 05 de maio de 1904, iniciou sua atividade na área compreendida entre as ruas Marquês de Sapucaí, Santana, General Pedra, Senador Eusébio, Visconde de Itaúna, São Leopoldo, Alcântara e Marquês de Pombal, zona de pequeno comércio e inúmeros cortiços. Apresentou relatório em 08 de janeiro de 1905, onde narra os serviços realizados entre 17 de maio e 31 de dezembro de 1904. Dedicando-se à vigilância médica e vacinação, encontrou relutância da população, mas logo essa resistência foi vencida. Segundo Belisário Penna, o trabalho do inspetor era função educativa, além das atividades de vacinação, vigilância médica e polícia médica. Havia também um caráter coercitivo, exercido por meio das multas aos comerciantes, donos de armazéns e estalagens imundas, repletas de doenças e animais, que se negavam a cumprir as recomendações sanitárias.

Teve importante papel no combate à febre amarela, malária e outras doenças em diversos pontos do território nacional. Oswaldo Cruz o convidou a visitar os trabalhos da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, onde ouve uma grande mortandade de trabalhadores. Fez parte da caravana chefiada por Arthur Neiva, que percorreu grande parte dos sertões do Norte, a partir da Bahia. Conheceu o sudeste de Pernambuco, sul do Piauí e nordeste de Goiás, a fim de estudar as condições sanitárias destes estados. As condições miseráveis da população marcaram-no de tal forma que Belisário Penna viria a se tornar um incansável pregador da educação higiênica como caminho necessário para a superação dos problemas sociais da doença e miséria que tanto afligiam o Brasil.

Em 1913, Belisário Penna solicitou uma licença de seis meses e, por conta própria, percorreu os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para estudá-los, como fizera em relação aos do Nordeste. Retornando ao Rio de Janeiro, reassumiu o cargo de Inspetor Sanitário, passando a trabalhar em bairros distantes do centro da cidade. Em Vigário Geral, instalou, em março de 1916, o primeiro posto de profilaxia rural do Brasil, que mais tarde seria transferido para as localidades de Parada de Lucas e Penha.

Em 1916, iniciou pelo jornal O Correio da Manhã, uma campanha pelo Saneamento do Brasil, escrevendo os artigos que constituiriam o livro publicado com este nome. De acordo com os ideais do Movimento Sanitarista, do qual fez parte, caberia à educação higiênica gerar uma nova sociedade, adequada aos ideais de racionalidade e produtividade capitalistas, sendo formuladas novas normas sobre o lazer, trabalho, educação e família, visando um Brasil moderno e pacífico, que buscava civilizar o cidadão, seus espaços e relações. Desse quadro emergia a convicção de que o país só entraria no caminho da civilização a partir do momento em que princípios profiláticos básicos fossem seguidos.

Em 1918, assumiu a direção do Serviço de Profilaxia Rural, recém-criado pelo Presidente Venceslau Brás. Em 1920, foi nomeado Diretor de Saneamento Rural do Departamento Nacional de Saúde, gestão durante a qual dez postos sanitários foram instalados nos subúrbios e zonas rurais do Distrito Federal. Na mesma época, ele seria o principal dirigente de importante associação reunindo políticos, escritores e médicos, a Liga Pró-Saneamento do Brasil, responsável por reivindicar reformas nas políticas de saúde. Dois anos depois, exonerou-se desse cargo por discordar das interferências políticas no órgão.

Em 1924, manifestou-se publicamente a favor dos levantes tenentistas deflagrados contra o governo de Artur Bernardes. Por conta disso, foi preso por seis meses. Entre 1927 e 1928, voltou a percorrer o Brasil como Chefe do Serviço de Propaganda e Educação Sanitária. Neste cargo, percorreu os estados de Minas Gerais, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte até ser requisitado em 1928 pelo governo do Rio Grande do Sul para organizar um centro de educação sanitária. Transferindo-se para o Sul, iniciou um período de intenso trabalho.

Em 1930, participou dos preparativos da revolução no Rio Grande do Sul. Após a vitória do movimento, foi nomeado Diretor do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP). Em setembro de 1931, foi nomeado Ministro da Educação e Saúde, ficando no cargo por três meses. Em dezembro de 1932, voltaria a ocupar interinamente o ministério por alguns dias.

Ainda em 1932, exonerou-se da direção do DNSP. Em seguida, ingressou na Ação Integralista Brasileira (AIB), organização política brasileira fundada por Plínio Salgado, inspirada no fascismo italiano. Foi membro da Câmara do 40 da AIB, órgão supremo da entidade.

Foi eleito Membro Honorário da Academia Nacional de Medicina em 1921, onde tornou-se Patrono da Cadeira de nº 93 da Secção de Ciências Aplicadas à Medicina.

Faleceu no Rio de Janeiro, a 09 de novembro de 1939.

Antônio Peregrino Maciel Monteiro

O Dr. Antônio Peregrino Maciel Monteiro, médico, jornalista, diplomata, político, orador e poeta, nasceu no dia 30 de abril de 1804, na cidade do Recife, em Pernambuco. Foi o 2º Barão de Itamaracá, filho do bacharel Manoel Francisco Maciel Monteiro e de D. Manoela Lins de Mello.

Depois de estudar Humanidades em Olinda, partiu para a França e, cursando a Universidade de Paris, recebeu o grau de bacharel em Letras, em 1824, o de bacharel em Ciências, em 1826, e o de doutor em Medicina, em 1829. Sua tese de doutoramento é uma dissertação acerca da natureza e sintomas da anacnoidite e sua relação com os processos de encefalite.

Ainda em Paris recebeu as primeiras e diretas influências do Romantismo. Diz-se que se tornou um homem das letras, participando de diversos cursos literários na França e no Brasil. Voltou ao Recife em 1829, onde começou a clinicar.

Logo após o seu retorno ao Brasil, iniciou sua ampla atividade profissional e, em 1830, foi eleito Membro Correspondente da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, antes de se tornar Academia Nacional de Medicina, onde é o Patrono da Cadeira 23. Fundou, em Recife, a Sociedade de Medicina de Pernambuco.

Representou sua província (Pernambuco) como deputado, com pequenas interrupções, nas seguintes legislaturas:

3ª – de 3/5/1834 a 15/10/1834;

4ª – de 3/5/1838 a 21/11/1841;

5ª – 1º/1/1843 a 24/5/1844;

8ª – de 1º/1/1850 a 4/9/1852;

9ª – de 3/5/1853 a 4/9/1853.

Nessa última legislatura foi presidente da Câmara dos Deputados (1852 e 1853).

Fez parte do 1º Gabinete do Regente do Império, organizado a 19 de setembro de 1837, ocupando a Secretaria dos Negócios Estrangeiros no período de 19/9/1837 a 15/4/1839, quando discutiu a questão do Oiapoque com a França. Deixando o ministério em 1839, foi nomeado Diretor do Curso Jurídico de Olinda (hoje a Faculdade de Direito do Recife) e exerceu diversos cargos, como o de Vereador da Câmara Municipal, Diretor do Teatro Público, Provedor da Saúde do Porto, Membro da Junta de Higiene e Diretor Geral da Instrução Pública de Pernambuco. Finalmente, ingressa na carreira diplomática como Ministro Plenipotenciário do Brasil junto à Corte de Portugal, em cujo cargo veio a falecer (1868).

Teve boa atuação diplomática e tornou-se notório pelos serviços contra os moedeiros falsos de Lisboa no Brasil, o que lhe valeu o título de 2º Barão de Itamaracá. Era do Conselho de Sua Majestade o Imperador, grande dignitário da Ordem da Rosa, Oficial da Ordem do Cruzeiro, Grã-Cruz de diversas ordens da Itália, de Roma e de Portugal, Membro da Arcadia de Roma e de outras associações literárias, nacionais e estrangeiras.

É, também, o Patrono da Cadeira 27 da Academia Brasileira de Letras.

O Dr. Antônio Peregrino Maciel Monteiro faleceu em Lisboa, no dia 05 de janeiro de 1868.

Paulo de Figueiredo Parreiras Horta

Nasceu no Rio de Janeiro, no dia 24 de janeiro de 1884, sendo seus pais José Freire Parreiras Horta e Paula Margarida de Figueiredo Parreiras Horta e neto do Visconde e da Viscondessa de Ouro Preto. Seu avô, o Visconde de Ouro Preto, de nome Afonso Celso de Assis Figueiredo, foi importante político, jurisconsulto e estadista do Império.

Paulo de Figueiredo Parreiras Horta fez os estudos de humanidades em sua cidade natal. O mesmo ocorreu com sua formação superior. Formou-se inicialmente em farmácia, em 1903, pela Faculdade de Farmácia do Rio de Janeiro. Depois, em 1905, concluiu o curso de medicina, na Faculdade de Medicina da mesma cidade, oportunidade em que defendeu sua tese de doutoramento intitulada “Contribuição para o estudo das septicemias hemorrágicas”, a qual foi aprovada com distinção. A tese de Parreiras Horta é dividida em três partes: a primeira, trata das septicemias hemorrágicas em geral; a segunda, aborda a septicemia dos coelhos; a terceira, é dedicada à septicemia dos coelhos de Manguinhos.

Ainda estudante, frequentou o Instituto Manguinhos, onde foi discípulo de Oswaldo Cruz e de outros notáveis cientistas da época.

Concluído o curso médico, o Dr. Parreiras Horta seguiu para a Europa, onde durante dois anos (1906 e 1907), estudou Microbiologia no Instituto Pasteur de Paris. De volta ao Brasil, foi nomeado Assistente do Instituto Manguinhos.

A convite de Oswaldo Cruz, desenvolveu estudos sobre micoses do couro cabeludo, especialmente sobre um novo tipo de “Piedra negra”, causada pelo Piedraia hortai (hortai, em homenagem a Parreiras Horta – nome proposto por Brumpt, grande parasitologista francês).

Além do P. hortai, Parreiras Horta descreveu outras espécies de cogumelos, tais como Trichosporum flavescens, Trichosporum ramose, Cladosporum wernecki e Madusella osvaldai (em homenagem a Oswaldo Cruz).

De março a setembro de 1911, dedicou-se ao estudo de uma epidemia de raiva que acometia os gados bovinos e equinos de Santa Catarina e que ameaçava estender-se por outras unidades da federação. Parreiras Horta combateu a epizootia, controlou a doença e organizou a produção e distribuição de uma vacina, tanto para a raiva humana quanto para a raiva de outros animais.

Em 1917, assumiu a cátedra de Microbiologia e Parasitologia dos Animais Domésticos, na Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária do Rio de Janeiro.

Com a entrada do Brasil na 1ª Guerra Mundial, Parreiras Horta foi comissionado, com outros professores, no posto de Tenente Coronel, para trabalhar no laboratório do Instituto Buisson-Bertrand, da Faculdade de Medicina da Universidade de Montpellier, na França.

Regressando ao Brasil, em 1919, Parreiras Horta assumiu a direção da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, cargo correspondente ao atual Reitor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina apresentando a memória intitulada “Um novo micetoma de grãos negros produzidos pela Madusella oswaldai”.

No rol de suas relações contava Parreiras Horta com a amizade de Maurício Graco Cardoso, governador de Sergipe, o qual o convidou para vir a Sergipe e construir em Aracaju um Instituto de Pesquisa capaz de ampliar suas ações no campo da Saúde Pública. Atendendo ao convite, Parreiras Hortas chegou à capital sergipana no início de 1923, como hóspede oficial, em companhia da esposa e filhos.

Em Aracaju dedicou-se de corpo e alma ao grande empreendimento. O objetivo era a produção de insumos básicos, o combate a raiva e a produção de vacina antivariólica. O Instituto deveria contar com laboratórios de patologia clínica, de bacteriologia e de química, capazes de propiciar a implantação da pesquisa científica no Estado.

O Instituto foi inaugurado em 5 de maio de 1924, com os laboratórios acima referidos e o setor de produtos biológicos (para a produção das vacinas contra a varíola, a raiva e as febres tifoide e paratifoide).

Em dezembro de 1925, Parreiras Horta concluiu sua missão e retornou para o Rio de Janeiro, deixando em seu lugar o Dr. João Firpo Filho. O governo de Sergipe, num ato de justa homenagem, deu ao seu Instituto de Pesquisa o nome de Instituo Parreiras Horta.

Do currículo do Dr. Parreiras Horta constam, dentre outros, os seguintes títulos: Professor Catedrático de Dermatologia e Sifilografia da Faculdade Fluminense de Medicina; Professor Catedrático de Microbiologia e Parasitologia dos Animais Domésticos na Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária do Rio de Janeiro; Professor Catedrático e Honorário da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro; Membro efetivo do Conselho Nacional de Educação; e Chefe da Secção Técnica da Diretoria Geral do Serviço de Veterinária do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio.

O Dr. Parreiras Horta faleceu no Rio de Janeiro, no dia 29 de julho de 1961.

Manoel Dias de Abreu

O Dr. Manoel Dias de Abreu nasceu em São Paulo, em 4 de janeiro de 1891, filho do português Júlio Antunes de Abreu e da paulista Mercedes da Rocha Dias, foi um médico, cientista e inventor brasileiro.

Em 1914, conclui a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo a tese intitulada “Natureza pobre”, determinado a dedicar-se ao estudo da Radiologia.

Pouco depois de formado, mudou-se com os pais e os irmãos para a Europa – Lisboa, depois Paris. Chefiou a Santa Casa de Paris e o Laboratório Central de Radiologia do Hôtel-Dieu. No Hospital Laennec, dedicou-se à radiologia pulmonar, estudando os significados das diferenças de tons e sombras. Publicou diversos livros em francês, abordando densimetria pulmonar e radiodiagnóstico.

De volta ao Rio de Janeiro, em 1922, surpreendeu-se com a epidemia de tuberculose que castigava a cidade. Um dos problemas que logo notou era que as pessoas procuravam tratamento quando a doença já havia atingido a fase mais grave, em que o tratamento não é mais eficaz. Graças a sua insistência, foi criado o primeiro serviço carioca de radiologia dedicado à doença. Na época, chefiou o Departamento de Raios-X da Inspetoria de Profilaxia da Tuberculose. A seriedade do quadro incentivou-o a intensificar os estudos sobre radiografia do tórax, mas sem resultados animadores.

Foi o inventor da abreugrafia, que permite o diagnóstico precoce da tuberculose pulmonar e com o tempo passou a ser utilizada para a descoberta de lesões no coração, nos grandes vasos, e de tumores no pulmão.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1928, apresentando Memória intitulada “Contribuição ao estudo radiológico do mediastino na criança”. É o Patrono da Cadeira 84.

Manoel de Abreu apresenta seu invento à Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, em 1934. A técnica diferenciava da radiografia convencional. Era o resultado da impressão direta dos feixes de raios-X sobre o filme radiológico, após atravessarem o corpo. Na roentgenfotografia, o que se obtém é uma fotografia da imagem que aparece na radioscopia. O processo foi chamado de radiografia indireta do tórax.

Em 1939, o Congresso Brasileiro de Tuberculose torna oficial o nome “abreugrafia” que foi aprovado depois pela União Internacional contra a Tuberculose.

O Dr. Manoel de Abreu se tornou um dos mais importantes nomes da Medicina no Brasil e no mundo. Lecionou Radiologia em diversas instituições científicas no Brasil e no exterior. Foi cavaleiro da Legião de Honra na França e recebeu várias medalhas de ouro outorgadas por várias sociedades científicas, como a do College of Chest Physicians, do Colégio Interamericano de Radiologia do Peru e da Associação Argentina de Radiologia.

A abreugrafia foi solicitada como pré-requisito para ingresso em escolas, alistamentos e empregos diversos. Sendo muito alto o grau de radiação usado na abreugrafia, ao longo dos anos outras formas de radiografia foram surgindo. No dia 4 de janeiro é comemorado o Dia Nacional da Abreugrafia, instituído pelo Decreto nº 42.984, de 3 de janeiro de 1958.

Além da descoberta, Manoel de Abreu deixou vasta literatura científica, publicada no Brasil e no exterior, destacando-se: “Radiodiagnostic dans la tuberculose pleuro-pulmonaire” (1921), “Novos estudos da radiologia vascular” (1925), “Cálculo e tabela de correção da mensuração da aorta pela teleradiografia” (1926), “Radiogeometria do mediastino” (1928), “Novos rumos da profilaxia da tuberculose” (1937), “Nova técnica de tomografia transversal do tórax” (1941) e “Importância da abreugrafia no diagnóstico e profilaxia da tuberculose” (1960).

Manoel de Abreu foi o primeiro Presidente da Sociedade Brasileira de Radiologia e Eletrologia, em 1930, e a importância de sua obra conduziu à criação da Sociedade Brasileira de Abreugrafia, em 1957, e à publicação da “Revista Brasileira de Abreugrafia”. Foi membro de diversas instituições acadêmicas e científicas no Brasil e no exterior. É o Patrono da Cadeira 02 da Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro e da Cadeira 37 da Academia de Medicina de São Paulo.

Foi indicado, pelo menos cinco vezes, para o Prêmio Nobel de Medicina. Reservou tempo ainda à poesia, publicando, entre outros, o livro “Substâncias”, ilustrado por Di Cavalcanti.

O Dr. Manoel Dias de Abreu faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 30 de janeiro de 1962, de forma trágica e irônica para um pneumologista, de câncer de pulmão, provavelmente causado pelo fumo, hábito que mantinha desde longa data.

Benjamin Antonio da Rocha Faria

Nascido Benjamin Antônio da Rocha Faria Júnior, em 09 de abril de 1853, natural do estado do Rio Grande do Sul, filho de Benjamin Antonio da Rocha Faria e D. Josefa Paranhos da Rocha Faria.

Fez seus preparatórios no Externato Aquino, no Rio de Janeiro. Graduou-se em Medicina em 1875 e defendeu tese de doutoramento intitulada “Lesões Traumáticas do Encéfalo”.

O Dr. Rocha Faria começou clinicando nos subúrbios, depois abriu a Clínica Urbana na Rua Direita. Em 1885, obteve por concurso o cargo de Professor Adjunto de Higiene e História da Medicina, tornando-se Catedrático em 1888, após a transferência do titular, Nuno de Andrade, para a primeira cadeira de Clínica Médica. Em dezembro, foi nomeado inspetor-geral de Higiene Pública, onde permaneceu até 1890.

Enquanto erguia o Hospital São Sebastião, iniciava a construção de desinfetórios periféricos. Em abril de 1889, reorganizou o laboratório de higiene da Faculdade de Medicina, destacando dele o serviço de análise de bebidas e alimentos que, na República, tornou-se o Laboratório Nacional de Análises.

Ainda em 1889, foi agraciado com a comenda da Ordem de N. S. de Jesus Cristo.

Em 1896 foi presidente do Conselho Municipal de Higiene e Assistência Pública.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1897, e transferiu-se para a categoria de Honorário a 01/09/1927. Foi Presidente da Secção de Medicina entre 1900 e 1902. É o Patrono da Cadeira 13.

Em 1916, passou a cátedra de higiene a Afrânio Peixoto, mas chefiou a enfermaria da Santa Casa de Misericórdia até 1932, quando completou 33 anos de serviço. Trabalhou, ainda, no Hospital da Beneficência Portuguesa.

É, ainda, o Patrono da cadeira 9 da Academia Brasileira de Medicina Militar.

Faleceu a 26 de janeiro de 1936, na cidade do Rio de Janeiro.

O nome do Hospital Estadual Rocha Faria, localizado na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, foi escolhido em sua homenagem, em 1940.

Cândido Barata Ribeiro

O Dr. Cândido Barata Ribeiro nasceu no dia 11 de março de 1843, em Salvador, no Estado da Bahia, filho de José Maria Cândido Ribeiro e de D. Veridiana Barata Ribeiro e neto do médico, político e jornalista Cipriano José Barata de Almeida, um dos heróis da Independência do Brasil.

Mudou-se com seus pais para o Rio de janeiro, em 1853, e matriculou-se no Mosteiro de São Bento, onde fez os cursos preparatórios. Doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1867, defendendo tese intitulada “Das causas e tratamento da retenção da urina”. Em seu curso médico, foi interno de Clínica Médica e Cirúrgica e preparador do Gabinete Anatômico da Faculdade.

Depois de formado, passou a residir na cidade de Campinas, província de São Paulo, sendo nomeado Diretor do Serviço Médico e Cirúrgico do Hospital de Caridade da mesma cidade, onde clinicou e fundou a Escola Correia de Melo, para crianças pobres. Em decreto de 10 de janeiro de 1874, foi nomeado Comissário Vacinador da província de São Paulo.

Transferindo sua residência para a capital do Império, entrou em concurso destinado ao magistério da Faculdade de Medicina, sendo nomeado Lente Catedrático, em decreto de 25 de março de 1883. Foi, ainda, Professor na Cadeira de Clínica de Moléstia de Crianças e Médico da 22ª Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Desenvolveu estudos sobre o pé torto congênito, a tuberculose óssea e articular e as deformidades raquíticas com a utilização combinada, ou não, de aparelhos gessados.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1897, apresentando Memória “Endireitamento forçado dos cifóticos”. É Patrono da Cadeira 78 da Secção de Cirurgia.

Em sua vida política, o Dr. Barata Ribeiro foi Presidente da Intendência Municipal do Distrito Federal; Ministro do Supremo Tribunal Federal, nomeado por Floriano Peixoto; Presidente do Conselho Municipal do Rio de Janeiro; Senador pelo Distrito Federal, sendo reconhecido a 25 de maio do ano seguinte e exercido o mandato até 1909; e ainda, Administrador da Prefeitura do mesmo Distrito.

Com a instauração da República, foi o primeiro Prefeito do Distrito Federal, nomeado em 17 de dezembro de 1892 pelo Presidente Floriano Peixoto (1891-1894), embora, desde dezembro de 1891, já atuasse na prática como administrador da cidade, na condição de Presidente do Conselho de Intendentes Municipais. Em 26 de maio de 1893 foi vetado pelo Senado devido a problemas políticos relacionados às suas medidas disciplinadoras dos costumes e hábitos do comércio.

O fato mais marcante de sua gestão como prefeito talvez seja de 1893, quando decidiu fazer uma grande “operação de limpeza” demolindo estalagens anti-higiênicas e cortiços no centro do Rio de Janeiro. O maior deles, com cerca de 4 mil pessoas, chamava-se Cabeça-de-Porco, na atual Zona Portuário do Rio de Janeiro (que pode ter inspirado o romance “O Cortiço” de Aluísio de Azevedo). Como este, havia quase 600 cortiços no centro da cidade, que abrigavam cerca de 25% da população carioca. Os despejados acabaram migrando para os morros próximos, inclusive o Morro da Favella (hoje Morro da Providência), dando origem à primeira favela brasileira (e à própria expressão “favela”).

É autor de vários trabalhos, tais como “Relatório médico sobre o hospital público da cidade de São Paulo durante a epidemia de Varíola” (1874), “Medidas sanitárias que devem ser aconselhadas para impedir o desenvolvimento e a propagação da febre amarela na cidade do Rio de janeiro” (1877), “Jurisprudência médica” (1888), “Anestesia pela injeção de cocaína no espaço subaracnoideano lombar” (1900), “Ressecção do apêndice ileocecal” (1901) e “Talha hipogástrica”.

Além disso, Barata Ribeiro foi conhecido como grande escritor literário, tendo escrito obras de drama como “O segredo do lar”, “O divórcio”, “A mucama”, “O soldado brasileiro”, “O anjo do lar”, “Mulheres que morrem”, bem como publicações mais acadêmicas, como “O crime de Campinas” e “Exposição de motivos sobre a suspensão do ato do Conselho Municipal acerca do concurso para escolas municipais”

Ele também ficou conhecido como um forte abolicionista, que subscreveu o Manifesto de 1878 a favor da libertação total dos escravos.

O Dr. Barata Ribeiro faleceu em 10 de fevereiro de 1910, na cidade do Rio de Janeiro, aos 66 anos de idade e foi sepultado no cemitério São João Batista, em Botafogo.

Seu nome foi dado a uma das principais ruas de Copacabana pela Prefeitura do antigo Distrito Federal e ao Hospital Municipal Barata Ribeiro, referência em Ortopedia, Cirurgia Plástica e Odontologia para pacientes especiais do município do Rio de Janeiro, localizado no bairro da Mangueira.

João Benjamin Ferreira Baptista

O Dr. João Benjamin Ferreira Baptista nasceu na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, no dia 7 de julho de 1864, filho do Capitão do Exército Benjamin Rodrigo Baptista e de Anna Benedicta Ferreira Baptista. Seu pai foi combatente na Guerra do Paraguai, tendo sido ferido em combate e falecido quando João Benjamin Ferreira Baptista tinha dois anos.

Cursou Farmácia na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, titulando-se em 1888, quando passou a trabalhar em sua própria farmácia, localizada no bairro do Fonseca, na cidade de Niterói. Posteriormente, doutorou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, obtendo seu grau em 1895, com a tese “Cura radical da hérnia inguinal”.

Em 1890, ingressou no internato do Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, onde foi promovido a interno de 2ª classe em 1891, e a interno de 1ª classe residente em cirurgia, em 1892. Ainda no Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, trabalhou na 14ª Enfermaria, cujo chefe era Marcos Bezerra Cavalcanti e o adjunto era o professor Augusto Brant Paes Leme.

Em 1893, durante a Revolta da Armada, movimento liderado por algumas unidades da Marinha Brasileira contra o governo do Presidente da República Floriano Peixoto, auxiliou o médico Augusto Brant Paes Leme que então chefiava a 5ª Enfermaria deste hospital dedicada ao tratamento de doentes militares, o que lhe rendeu a insígnia de 1º Tenente-médico Honorário do Exército.

Tornou-se Cirurgião Chefe em 1895 e tornou-se médico adjunto do Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, atuando na 3ª Enfermaria, sob a chefia do médico Joaquim Pinto Portella. Foi preparador, em 1896, e professor interino da cadeira de anatomia descritiva na então Faculdade de Medicina e Farmácia do Rio de Janeiro, cujo catedrático era Ernesto de Freitas Crissiuma. Foi também, preparador da cadeira de anatomia médica cirúrgica, então dirigida por Augusto Brant Paes Leme, e no mesmo ano, passou a acumular esta função com a de preparador na cadeira de histologia.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 1897, apresentando memória intitulada “Uma anomalia do nervo músculo cutâneo”. É Patrono da Cadeira No. 25.

Em 1906, tornou-se Diretor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, para, juntamente com os médicos Domingos de Góes e Vasconcellos e Chapot Prévost, apresentar um regulamento para o Serviço de Distribuição de Cadáveres destinados ao trabalho de anatomia. Neste período, com autorização da Congregação da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, lecionava Cursos Livres de Anatomia, para o aperfeiçoamento de alunos de medicina e de médicos, que tinham grande frequência.

Em 1908, João Benjamin Ferreira Baptista foi Vice-Diretor da Escola Livre de Odontologia do Rio de Janeiro, que havia sido criada em 1902, e no ano seguinte passou a lecionar, na mesma instituição, o curso de histologia dentária. Já diplomado em odontologia, foi nomeado em 1910, professor de anatomia desta escola.

Assumiu, em 1915, como substituto da 3ª seção da cadeira de anatomia descritiva e anatomia médico-cirúrgica, operações e aparelhos, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Foi responsável pela organização do Museu Anatômico da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, iniciativa considerada notável por colegas de profissão à época.

Foi nomeado, em 1921, professor catedrático de operações e aparelhos da então Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, tendo tomado posse no mesmo ano. Esta cadeira sob sua regência, posteriormente, foi denominada como anatomia médico-cirúrgica (1925) e depois, técnica operatória e cirurgia experimental (1931). Foi também Diretor do Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro e presidiu a inauguração do Instituto Anatômico Benjamin Baptista, anexo à Escola de Medicina e Cirurgia do Instituto Hahnemanniano.

Dentre suas obras publicadas destacam-se: “Anomalias supra-aórticas” (1905), “Estudo da topografia cardiotorácica” (1907), “Contribuições ao estudo das anomalias renais” (1909), “Anatomia descritiva da cabeça” (1910) e “Manual de Anatomia Humana” (1920, em colaboração com o Professor Alfredo Monteiro).

É Patrono da Cadeira 11 da Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, da Sociedade Acadêmica de Recife, do Centro de Estudos Anatômicos, e do Colégio Anatômico da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, o qual recebeu seu nome, em 1962, tornando-se Centro Acadêmico Benjamin Baptista. Foi, ainda, Membro da Academia Brasileira de Ciências e da Sociedade Anatômica Luso-Hispano-Americana.

Foi considerado o grande impulsionador do ensino de cirurgia experimental, tendo criado, em 1926, o Serviço Modelar de Cirurgia Experimental, considerado o primeiro laboratório de cirurgia experimental no Brasil. Este laboratório tornou-se um verdadeiro centro de pesquisas, que posteriormente recebeu seu nome.

Seu filho, o médico e acadêmico Benjamin Vinelli Baptista, deu continuidade a sua obra.

Faleceu subitamente, em 26 de novembro de 1934, na cidade do Rio de Janeiro.

Daniel de Oliveira Barros D’Almeida

O Dr. Daniel de Oliveira Barros D’Almeida nasceu no dia 6 de abril de 1858, em Recife, no Estado de Pernambuco, filho do médico Rufino Augusto d’Almeida e de D. Emerentina Oliveira Barros d’Almeida.

Doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1880, defendendo tese intitulada “A patologia da placenta”. Sua tese foi amplamente aclamada dentro do corpo acadêmico da época e foi então convidado, aos 22 anos de idade, a ser diretor do Asilo de Menores Desvalidas, depois Instituto Profissional. Ele permaneceu nesta posição até optar por se dedicar de forma mais empreendedora aos estudos de cirurgia.

Em agosto de 1882, foi convidado a ser regente da Cadeira de Clínica Obstétrica da faculdade onde se formou, mas recusou o convite, alegando ser apto apenas para ser assistente. Neste mesmo ano, foi encarregado pelo governo imperial de montar e dirigir o Hospital de Santa Bárbara, destinado ao tratamento dos pacientes acometidos por varíola.

Durante a Revolução Federalista no sul do Brasil, serviu como cirurgião, em 1893, ao lado das forças revolucionárias e atendeu aos feridos de ambos os lados.

O Dr. Daniel D’Almeida, como exilado político no final do século XIX, vai para Elvas, em Portugal, porque ficava próximo da fronteira espanhola que, no caso de o governo português ceder às exigências do então Presidente Floriano Peixoto para a entrega dos exilados políticos, poderia facilmente atravessá-la.

Atendeu, também, diversos oficiais da armada, durante a Guerra de Canudos, na Bahia, entre os anos de 1896 e 1897, o que lhe rendeu o agradecimento do Presidente da República.

Foi interno e médico adjunto da Santa Casa de Misericórdia e, por duas vezes, ocupou, interinamente, a regência da cadeira de Clínica Obstétrica e Ginecológica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

A sua atuação como grande comunicador da medicina e estudioso, fez com que fosse reconhecido à época por seus pares e por Marshall Mcluhan (o chamado “papa da comunicação”) como um grande mestre da anestesiologia do Brasil, sobretudo por ter aberto um grande debate científico e conseguido reformular a raqui-anestesia. Além disso, foi o médico cirurgião que introduziu a utilização do éter como anestésico no Brasil.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 1901, apresentando Memória intitulada “A peste antiga e a peste moderna”. É o Patrono da Cadeira 29.

Foi vice-presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de janeiro. É, também, o Patrono da Cadeira 13 da Academia Brasileira de Medicina Militar.

Em 1902, assumiu a 24ª Enfermaria, posteriormente 23ª, da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Foram seus assistentes os mais tarde famosos Álvaro RamosBrandão FilhoFernando VazJorge Gouvêa e muitos outros

Foi colaborador do periódico “Brasil Médico” e da “Gazeta Clínica” de São Paulo. Dentre seus trabalhos publicados destacam-se: “Ação tóxica da Cocaína” (1879), “Do éter como anestésico em cirurgia” (1896), “Analgesia pelas injeções subaracnoideanas lombares da cocaína – processo Tiffier” (1900), “Um acidente produzido pela tropocaína” (1901), “A escopolamina como anestésico geral” (1905) e “Anestesia e analgesia na prática cirúrgica” (1905).

O Dr. Barros D’Almeida faleceu no Rio de Janeiro, no dia 14 de janeiro de 1919.

Orlando da Fonseca Rangel

Nascido a 29 de fevereiro de 1868, na então Freguesia de N. S. da Conceição de Cordeiros, hoje município de São Gonçalo, no Estado do Rio de Janeiro, filho de Feliciano José da Fonseca Rangel e D. Lauriana Florinda de Mattos Rangel.

Apesar do desejo de ser engenheiro, diplomou-se em Farmácia pela antiga Escola de Farmácia anexa à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1888.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1895, apresentando a memória intitulada “A noz de cola na terapêutica”. Foi escolhido por seus pares para diretor-secretário no mesmo dia de sua posse. Na instituição, exerceu vários cargos, dentre eles o de Presidente das Secções de Farmácia e de Farmacologia. Foi transferido para a classe de Honorários, em 1927, e é o Patrono da Cadeira No. 91.

Trabalhou na Farmácia Silveira, na Rua Haddock Lobo, na Tijuca, e dirigiu a Farmácia Furquim Werneck, no Largo de Santa Rita. Em 1892, fundou a Farmácia e o Laboratório Industrial Farmacêutico Orlando Rangel.

Foi o primeiro, no Brasil, a fabricar produtos injetáveis, de acordo com a técnica europeia e os ensinamentos de Oswaldo Cruz que, pessoalmente, assistiu à manipulação das primeiras ampolas; especialidades farmacêuticas à base de plantas medicinais, entre as quais a noz de cola, a cáscara sagrada, o boldo e o pichi; sabonetes medicinais; produtos de toucador como pó de arroz, loções, brilhantinas e sabonetes perfumados; e coloides terapêuticos.

Não foi esta, aliás, a sua única contribuição cívica; sempre que solicitado, assistiu ao poder público com a sua clarividência e autoridade moral incontrastável, bastando, por exemplo, o projeto de tarifas aduaneiras, que elaborou, em 1913, a pedido do então Ministro da Fazenda, projeto que os componentes consideraram digno de modelar as tarifas de outros países.

Estes trabalhos não logravam, entretanto, afastá-lo do culto à farmacologia, onde a sua passagem ficou indelével, quer no terreno prático, na criação de produtos que representaram progresso, quer no campo doutrinário em qual, sob muitos aspectos, se mostrou verdadeiro precursor.

Seu trabalho “Contribuição ao estudo do determinismo terapêutico” bastaria para assegurar-lhe o posto de destaque entre os que cultivavam a ciência, tal a sua poderosa antevisão de problemas, que só depois começaram a ser elucidados. Outras obras que se destacam são: “O gaiacol cristalizado” (1895), “A salicilagem dos vinhos” (1900 a 1902), “A esterilização das plantas medicinais” (1911) e “Nova contribuição ao estudo da eletroquimioterapia coloidal” (1918).

Foi Orlando Rangel um dos mais adiantados pregoeiros das doenças de acidose, isto em 1916, contribuindo sobremaneira pela consolidação e conceituação da Coloidologia Terapêutica.

Mas, além da vasta obra evangelizadora, é de referir a sua contribuição pessoal, tal como a ideia de aplicar o princípio de Nernst à explicação da escolha do metal para constituir a micela, consoante à indicação terapêutica, tendo para isto que estudar profundamente, como fez, a ação oligodinâmica das aludidas substâncias. Este ponto de vista foi integralmente aceito por Lumière.

Mantém-se ainda firme, também, a hipótese sobre a natureza das oxidases, que Orlando Rangel defendeu.

Exerceu-se esta influência benéfica não só aqui, como além-mar, cabendo mencionar a tese de Morsier, feita no Serviço do Prof. Gougerot, inteiramente próxima dos trabalhos de Orlando Rangel, e onde o nome do farmacologista brasileiro é constantemente citado, e empenhado a Levaditi e outros sábios de que a França tanto se orgulhava.

Foi Presidente de Honra da Associação Brasileira de Farmacêuticos, Membro Honorário da extinta Academia Paulista de Medicina, Presidente Honorário da Sociedade de Farmácia e Química de São Paulo, Sócio correspondente da Sociedade Portuguesa de Química e Física (Núcleo do Porto, Portugal) e da Sociedade de Farmácia de Pernambuco, Membro correspondente da Sociedade Nacional de Farmácia de Buenos Aires, Sócio honorário da União Farmacêutica de São Paulo, Sócio efetivo da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro e Membro da Liga de Defesa Nacional da Cruz Vermelha Brasileira.

Foi, também, Diretor da Faculdade de Farmácia da Universidade Livre do Distrito Federal (1933) e Sócio Fundador da Associação Brasileira de Imprensa.

Recebeu a “Cruz de Honra da Beneficência”, da República Francesa; o brevê de cavalheiro da 1ª classe do Corpo da Ordem de São Sebastião e Guilherme, da mesma Nação; e o diploma “Estrela do Dever” de 1ª classe e a Medalha Oficial comemorativa da Defesa de Verdun.

É, também, o Patrono da Cadeira No. 20 da Academia Brasileira de Farmácia Militar e da Cadeira No. 43 da Academia Nacional de Farmácia.

Orlando Rangel faleceu na cidade do Rio de Janeiro, a 20 de dezembro de 1934, deixando indelével passagem na sociedade, na profissão e na Academia.

Em 1966, foi inaugurado, em sua homenagem, no Ginásio Orlando Rangel, em São Gonçalo, um busto de bronze em sua homenagem, oferecido pelos seus descendentes.

Manoel Vitorino Pereira

Dr. Manoel Vitorino Pereira, médico, jornalista, escritor, professor e político brasileiro, nasceu em Salvador, em 30 de janeiro de 1853, filho de Vitorino José Pereira e de Dona Carolina Maria Franco Pereira.

Nasceu no mesmo prédio onde funcionava a oficina de marcenaria de seu pai, na Rua da Preguiça, que hoje leva seu nome. Manoel Vitorino teve uma infância pobre. Ajudou o pai na oficina, e após o expediente dedicava-se a estudar à luz de candeeiro de querosene. Começou a frequentar aulas particulares noturnas com professores que preparavam candidatos à Faculdade de Medicina.

Em dois anos, estava apto a prestar os exames. Aos 15 anos, tendo adquirido com muito esforço e dedicação um preparo preliminar, fez os exames gerais preparatórios, de série integral, no Ginásio da Bahia. Aprovado com distinção, conseguiu matricular-se, em 1871, na Faculdade de Medicina daquela Província, onde formou-se médico em 1876. Em seguida, viajou para a Europa, onde realizou estágios e cursos de aperfeiçoamento nos hospitais de Paris, Viena, Berlim e Londres. Em 1885, submeteu-se a concurso para professor catedrático da 2ª cadeira de Clínica Cirúrgica, sendo aprovado com brilhantismo.

O Dr. Manoel Vitorino publicou várias obras, a maioria no campo da medicina. Entre elas, destacam-se “Moléstias parasitárias mais frequentes nos climas tropicais”, “Alcoóis poliatômicos”, “Saneamento do Rio de Janeiro” e “Higiene das escolas e a filária de medicina para a América pelas negras africanas”.

Orador de grandes recursos, culto e austero, encontrou na imprensa campo fértil para sua pregação, ajudando a fundar o “Correio da Manhã”.

Consagrado como professor de medicina, O Dr. Manoel Vitorino foi furtado à carreira médica pela política, à qual se deixou atrair, aos estímulos de seu espírito público e interesse pelos problemas sociais. Foi governador da Bahia e depois foi vice-presidente da República no mandato de Prudente de Morais. Foi presidente da República (interino) por quatro meses, tendo sido o único Baiano a assumir a Presidência da República do Brasil.

Durante sua interinidade na presidência da república, transferiu a sede do governo, do Palácio Itamaraty para o Palácio do Catete, que ele adquirira.

O Presidente da República, Manoel Vitorino Pereira, era cirurgião geral, foi Honorário da Academia Nacional de Medicina e é o Patrono da Cadeira No. 19 da Secção de Medicina.

Faleceu no Rio de Janeiro, aos 49 anos, em 9 de novembro de 1902.

Pedro Affonso de Carvalho Franco

Nascido a 21 de fevereiro de 1845, filho de Pedro Afonso de Carvalho e Luísa Helena de Carvalho, o carioca Pedro Affonso de Carvalho Franco formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1869) e pela Universidade de Paris (1871).

O título de Barão de Pedro Affonso lhe foi dado pelo imperador Pedro II em 31 de agosto de 1889, dois meses e meio antes da queda da monarquia. Foi condecorado Oficial da Ordem da Rosa. Foi Professor do Colégio Pedro II e de Patologia Cirúrgica na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Em 15 de setembro de 1894 foi criado no Rio de Janeiro, pelo decreto nº 105, o Instituto Vacínico Municipal. Com o objetivo de desenvolver o serviço de vacinação contra a varíola na cidade, o Instituto fora resultado de um projeto elaborado pelo Dr. Pedro Affonso de Carvalho Franco e apresentado ao Diretor Geral de Higiene e Assistência Pública naquele mesmo ano. O Barão foi seu diretor até sua morte, em 1920.

Desde 1878, o Dr. Pedro Affonso de Carvalho Franco, então diretor do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, tentava reproduzir a vacina animal utilizada no combate da varíola. O sucesso foi alcançado somente em 1887, a partir da inoculação de vitelos com a polpa glicerinada vinda do instituto vacínico de Paris, o Instituto Chambon.

Em 1888, o Dr. Pedro Affonso de Carvalho Franco foi incumbido da vacinação animal no Rio de Janeiro, realizada na própria Inspetoria Geral de Higiene, recebendo subvenção do governo. No mesmo ano, o Governo Federal se comprometeu a custear a montagem de um instituto vacinogênico, o qual seria organizado e dirigido pelo Dr. Pedro Affonso. A entidade foi instalada numa chácara na rua do Bom Retiro, onde funcionou até 1890, quando foi transferido para a rua Marquês de Abrantes. Na ocasião, foram enviados representantes da Inspetoria às províncias do Norte e do Centro-Oeste, no intuito de ensinar a cultura e administração da vacina animal, recomendando-se aos órgãos locais a criação de estabelecimentos semelhantes. Desta iniciativa originou-se o Instituto Vacínico de São Paulo e instituições congêneres na Bahia, Pernambuco e em outros estados.

De acordo com o Aviso de 14 de maio de 1890, o Dr. Pedro Affonso de Carvalho Franco, que em 31 de agosto do ano anterior havia adquirido o título de Barão, ficava comprometido a abastecer a Inspetoria, mensalmente, com mil tubos de vacina e dez vitelos vacinados. Em 15 de setembro de 1891, o Barão de Pedro Affonso assinou um contrato com o Ministério do Interior, por meio do qual era oficialmente incumbido de todo serviço de vacinação de vitelo a braço na cidade do Rio de Janeiro, ficando diretamente sob a fiscalização da Inspetoria Geral de Higiene. Porém, a função de médico vacinador, encarregado da vacinação de braço a braço, ainda seria mantida.

Pelo contrato firmado entre o Barão de Pedro Affonso e o Ministério do Interior, vigente até a criação do Instituto Vacínico Municipal em 1894, o serviço de vacinação animal seria realizado no próprio edifício da Inspetoria em duas sessões semanais, às quintas e sextas-feiras. Além disso, era também de sua responsabilidade a vacinação em quaisquer lugares da cidade onde fossem registrados indícios de casos de varíola. Ele aplicava as vacinas gratuitamente e se comprometeu a estabelecer no Instituto Vacinogênico, de sua propriedade, um serviço de vacinação que atendesse diariamente a todas as pessoas que a ele recorressem.

Com emprego de verbas federais e utilização de recursos físicos municipais, foi instalado na fazenda Manguinhos o Instituto Soroterápico Federal, cujo primeiro diretor foi o próprio Dr. Pedro Affonso, de sua fundação, em maio de 1900, a março de 1903, quando assumiu a diretoria Oswaldo Cruz, com o qual tivera divergências a respeito de questões técnicas e administrativas. O nome do Instituto foi mantido até 1907 quando passou a se chamar Instituto de Patologia Federal. Em 1908, finalmente passou a se chamar Instituto Oswaldo Cruz, ano em que seu diretor obteve uma importante premiação na Exposição de Demografia e Higiene de Berlim.

O Instituto Vacínico Municipal deixou de existir em 1920, quando a produção de vacina antivariólica passou a ser atribuição do Instituto Oswaldo Cruz.

Faleceu a 05 de novembro de 1920, no Rio de Janeiro.

Clemente Miguel da Cunha Ferreira

Nascido a 29 de setembro de 1857, em Resende (RJ), filho de José da Cunha Ferreira, português, e de Maria Neves da Cunha Ferreira, brasileira. 

Graduou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1880, defendendo tese de doutoramento intitulada “Tísica Pulmonar”.

Estudou e combateu por 67 anos, com pertinácia e consciência, a tuberculose no Brasil. Desde sua tese de doutoramento até o seu último artigo sobre a “Diazona e a Streptomicina”, inserto no “Estado de São Paulo” de 07 de agosto de 1947, é evidente em toda a produção científica de Clemente Ferreira, o pendor fervoroso para doutrinar e esclarecer, sob o ponto de vista sanitário, as questões palpitantes da terapêutica e da profilaxia da peste branca.

Durante seis anos foi diretor da Santa Casa de Misericórdia de Rezende, no período de 1881 a 1887. A seguir, no Rio, passou a chefiar a Clínica de Moléstias de Crianças. Médico Sanitarista, atuou em vários campos da Saúde Pública no Rio de Janeiro e depois em Campinas e Rio Claro, onde foi designado para participar, em 1889, da luta contra a febre amarela que assolava essas duas cidades paulistas. Seu trabalho foi tão notável que ele foi homenageado com a medalha de ouro da Câmara Municipal, como gratidão do povo paulista. Recebeu também a Comenda de Oficial da Ordem da Rosa, concedida pelo Imperador D. Pedro II.

Durante o restante de sua jornada na luta contra a Tuberculose recebeu várias Homenagens de autoridades ilustres como do Presidente da República Eurico Gaspar Dutra, dois anos após sua morte. Finalmente, em julho de 1899, funda em São Paulo, a “Associação Paulista de Sanatórios Populares para Tuberculosos”; depois chamada de “Liga Paulista contra a Tuberculose” e a partir daí passa a dedicar-se exclusivamente à Tuberculose. Em 1902, fundou a revista “Defesa contra a Tísica” da Associação Paulista de Sanatórios Populares e através dela começou sua luta para conscientizar a população e as autoridades sanitárias sobre a magnitude da tuberculose.

Homem de ação, de ideias objetivas, fundou a “Liga Paulista Contra a Tuberculose”, o “Preventório Infantil de Bragança” e o “Hospital Abrigo Clemente Ferreira”, este último destinado a tuberculosos incuráveis, instalado em 1937.

Lutando em um setor quase isolado, com escassez de meios, da indispensável coadjuvação popular e com a deficiência de recursos oficiais para uma assistência complexa e completa, quer médica, quer higiênico-social, contou com reduzida colaboração nos diversos terrenos das suas atividades, o que explica as limitadas realizações efetuadas e que se mostram muito aquém dos projetos e planos.

Clemente Ferreira sofreu decisiva influência do grande clínico Dr. João Vicente Torres Homem. Tratando de doentes, escrevendo conferências e artigos para jornais, participando de congressos médicos, mostrava-se dia-a-dia mais ardoroso no desejo de obter meios eficientes para diminuir o tributo que se pagava à tuberculose. Estava sempre atento ao movimento antituberculoso do mundo e do país, onde ele procurava aplaudir com entusiasmo as melhorias sanitárias tomadas pela administração pública.

Nunca se dedicou à casuística; sua contribuição foi sempre de caráter social. Adepto das ideias de Calmette, acolheu desde logo o emprego do B.C.G. para a prevenção da doença, preparando a receptividade do meio.

Em 1943 publicou o livro “Estudos e Conferências” (Temas da Tisiologia Médico-Social). Em 1944, em artigo na “Revista Paulista de Tisiologia”, traça a importância dos centros e institutos de pesquisa na solução do problema tisiológico. No final de sua vida, recebeu também a homenagem de Doutor honoris causa pela Escola Paulista de Medicina.

Na Academia Nacional de Medicina, foi Vice-presidente da Secção de Terapêutica (1895-1896), Secretário da Secção Médica (1891-1892; 1892-1893) e 2º Secretário (1890-1891).

Faleceu aos 06 de agosto de 1947, em São Paulo.

Henrique Dias Duque Estrada

Nascido a 27 de junho de 1871, em Magé, Rio de Janeiro, filho de Luiz Dias Duque Estrada e de D. Joaquina Caminha da Veiga.

Bacharel em Ciências e Letras pelo Colégio Pedro II, graduou-se em Medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro, em 29 de janeiro de 1898, apresentando a tese intitulada “Tratamento do pé torto varus equinos congênito na infância”.

O Dr. Henrique Dias Duque Estrada foi durante muitos anos assistente do Prof. Miguel Couto, da célebre 7ª Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, ao lado de Oswaldo de Oliveira e Aloysio de Castro. Foi Livre Docente da cadeira de Clínica Médica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Sua cultura ímpar e imensa prática médica o autorizavam a ambicionar uma Cátedra na Faculdade de Medicina, mas sua timidez, seu temperamento humilde e nervoso não o ajudavam. Com grande mágoa para o Mestre Miguel Couto, desistiu desse sonho.

Henrique Dias deixou publicados vários trabalhos sobre temas diversos de Clínica Médica, destacando-se: “Poliorominite”, “Astasia-abasia”, “Tetania”, “Pneumotorax artificial”, “Diagnóstico funcional do coração”, “Neurotabes periférica”, “Lues da veias e dos linfáticos”, “O fígado da uncinariose”, “Punção do baço no diagnóstico da malária” e muitos outros que abrangem a patologia cardíaca, respiratória, digestiva e neurovegetativa.

Como dicionarista, em colaboração com Dr. Alex Hauer, editou o Dicionário Alemão-Português de Termos Médicos. Este dicionário foi publicado em 1911, contendo 237 páginas, acrescidas de várias indicações sobre Universidades na Alemanha, revistas médicas alemãs e estações balneárias e climáticas mais citadas na literatura alemã.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1904, e exerceu o cargo de 2º Secretário nos períodos de: 1913-1914; 1914-1915; 1915-1916. Para o livro que a Academia Nacional de Medicina publicou, por ocasião do centenário do ensino médico no Brasil, escreveu Henrique Dias Duque Estrada um minucioso estudo sobre a bibliografia da hematologia do beribéri.

Foi sócio efetivo da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.

Faleceu a 27 de agosto de 1951, no Rio de Janeiro.

Garfield Augusto Perry de Almeida

O Dr. Garfield Augusto Perry de Almeida nasceu no dia 2 de março de 1883, na cidade do Rio de Janeiro, filho de Alfredo Augusto de Almeida e de D. Clotilde Perry de Almeida.

Iniciou seus estudos no Colégio Anglo-Americano, em Petrópolis e doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1903, defendendo tese intitulada “Fisiologia do sono”.

Foi interno da clínica do Professor Rocha Faria e, mais tarde, seu assistente, quando de regresso a sua viagem à Europa, conquistando, por concurso, o lugar de Inspetor Sanitário da Diretoria Geral de Saúde Pública. Foi, ainda, Diretor do Hospital de São Sebastião e Secretário do Diretor Geral de Saúde Pública, quando o exercera o Professor Carlos Seidl.

Sanitarista emérito, clínico por irresistível vocação, o Dr. Perry de Almeida tornou-se conhecido principalmente pelas lições que proferiu no domínio das doenças infecciosas e parasitárias. No Rio de Janeiro, tomou ações e medidas de conscientização essenciais em relação ao combate de cólera, por exemplo.

Em 1913, foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, apresentando a memória intitulada “Da anacloridria permanente”. Entre 1916 e 1921, foi Secretário da ANM e, entre 1922 a 1925, foi Orador oficial. Além disso, conquistou o Prêmio Alvarenga com o seu trabalho “Fisionomia clínica da peste”.

Foi diretor da Faculdade Hahnemanniana de maio de 1923 a maio de 1927. No período de sua gestão, em 1924, foi aberta uma comissão de inquérito pelo Conselho Superior de Ensino para fiscalização da Faculdade. Alegando irregularidades, aquela comissão chegou a propor a anulação de diplomas de médicos e de farmacêuticos, cassação de matrículas e transferências. Contudo, estas disposições reunidas no Aviso de 18 de setembro de 1924, do Ministro da Justiça João Luiz Alves, acabaram sendo anuladas, exceto a exigência da mudança do nome da Faculdade, que passou a ser chamada de Escola de Medicina e Cirurgia do Instituto Hahnemanniano.

Além disso, trabalhou por muitos anos lecionando no Hospital São Francisco de Assis, do Rio de Janeiro, onde foi seu Diretor; exerceu o cargo de Diretor do Serviço de Assistência Domiciliar, fundada pela Liga Brasileira Contra a Tuberculose; e foi Chefe de Clínica do Hospital do Socorro, mantido pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de janeiro. O Acadêmico Aloysio de Castro se referiu a ele certa vez como um médico modelo por sua sabedoria e compreensão.

Foi um grande conhecedor das doenças infecciosas, sobretudo a peste, e dedicou-se fortemente a resolver esta zoonose no norte do país e a deixar muitos documentos médicos publicados, de forma que ficou conhecido como um grande sanitarista que enriqueceu as letras médicas do país. Dentre seus trabalhos científicos, destacam-se os compêndios sobre “Moléstias contagiosas” e “Lições de Clínica Médica”.

É o Patrono da Cadeira 53 da Academia Nacional de Medicina Militar.

O Dr. Perry de Almeida faleceu na sua cidade natal, no dia 1º de julho de 1942.

João Carlos Teixeira Brandão

João Carlos Teixeira Brandão, filho de Felicio Viriato Brandão e Dona Maria Flora Teixeira Brandão, nasceu em São João Marcos, Estado do Rio de Janeiro, a 28 de dezembro de 1854, na freguesia do Arraial de São Sebastião, bacharelou-se em Ciências e Letras no Colégio Pedro II, matriculando-se em seguida na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde foi discípulo de Torres Homem. Graduou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1877, defendendo a tese “Operações Reclamadas pelo Estreitamento da Uretra”.

Depois de diplomado, seguiu para a cidade de Barra Mansa (RJ), onde durante os anos de 1878 a 1880, dedicou-se à Clínica Médica. A atividade clínica em que se empenhara quando regresso da Faculdade permitiu a continuação dos estudos, sendo já seus prediletos os que se estendiam com as doenças mentais.

Posteriormente, por sugestão de João Vicente Torres Homem, professor da 1ª Cadeira de Clínica Médica de Adultos da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, e seu amigo, viajou para a Europa, mais especificamente para a França, Alemanha e Itália, para estudar psiquiatria.

Professor Catedrático da cadeira de Clínica Psiquiátrica e Moléstias Nervosas em 1880. A disciplina, até então inexistente, exigiu da docente dedicação máxima. É considerado o fundador da Psiquiatria Brasileira.

Foi um dos fundadores da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, fundada em 1881, e fez parte do primeiro corpo clínico desta instituição, como médico do serviço de moléstias do sistema nervoso.

Em 1884, foi nomeado alienista do antigo Hospício Pedro II, sendo em 1887 seu Diretor Interino e efetivando o cargo a 31 de janeiro de 1888. Se colocou, então, a lutar por uma reforma dos serviços, o que conseguiu do Governo Provisório. A 15 de fevereiro de 1890 foi nomeado Diretor Geral da Assistência Médico-Legal dos Alienados. Passados sete anos a reforma urgia; foi ela decretada e executada, passando Teixeira Brandão a exercer o cargo de Inspetor Geral da mesma Assistência, cargo que manteve até 1899, quando foi suspenso.

Os estudos da especialidade feitos pelo psiquiatra tiveram larga divulgação, coincidindo por muitas faces com outros depois de vindos a luz e partidos de grandes centros psiquiátricos europeus. Deram eles entrada a Teixeira Brandão; em 1883, tornou-se membro da “Societé Medicinale-Psichologique”, de Paris.

Em 1892, chegou a Bruxelas como Delegado do Brasil no 3º Congresso de Antropologia Criminal.

Fundou, junto a Julio Rodrigues de MouraLourenço da Cunha e Felício dos Santos a Casa de São Sebastião, obtendo por esse tempo a separação dos serviços dos alienados e do Hospício de D. Pedro II, da Santa Casa de Misericórdia, datando desse tempo a mudança de seu nome para Hospício dos Alienados.

Possuía patente de Coronel Honorário do Exército, representando tudo que fizera pela legalidade na revolta de 1893.

Nos anos em que fez parte do Parlamento Brasileiro, é possível destacar o projeto relatado com Rodrigues Lima, no Governo Rodrigues Alves, sobre a Reforma da Assistência a Alienados; o Projeto de Vacinação e Revacinação Obrigatórias; a Lei que criou o atual Departamento Nacional de Saúde Pública.

Foi Presidente de Honra da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal.

Na ocasião de sua posse na Academia Nacional de Medicina, apresentou memória intitulada “Ideias Fixas, Gênese e Classificação Mosológica”. Na instituição, passou à categoria de Emérito a 10 de outubro de 1918.

Faleceu a 03 de setembro de 1921.

Artigo: “João Carlos Teixeira Brandão, the frst Brazilian professor of Psychiatry” – Cátia Mathias e Antonio Egidio Nardi (Arquivos de Neuro-Psiquiatria, Outubro 2018)

Fernando Augusto Ribeiro de Magalhães

O Dr. Fernando Augusto Ribeiro de Magalhães nasceu na cidade do Rio de Janeiro, a 18 de fevereiro de 1878, filho de Antônio Joaquim Ribeiro de Magalhães e D. Deolinda dos Santos Ribeiro de Magalhães.

Fez seus estudos preparatórios no Colégio Pedro II e doutorou-se em Medicina pela Faculdade Nacional de Medicina, em 1899, defendendo a tese intitulada “Indicações nos vícios de conformação da bacia”.

Foi Professor catedrático de Clínica Obstétrica, em 1922, Diretor da Faculdade Nacional de Medicina, em 1930, Reitor da Universidade do Rio de Janeiro (1931 a 1934), estabelecimento a partir do qual constituiu-se a Universidade do Brasil.

Participou ativamente do movimento realizado na década de vinte, pela Associação Brasileira de Educação (ABE), em prol da criação da universidade. Depois da Revolução de 1930, teve atuação destacada nas IV e V Conferências Nacionais de Educação, realizadas respectivamente em 1931 e 1932. Em maio de 1933, foi eleito deputado pelo Estado do Rio de Janeiro à Assembleia Nacional Constituinte.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1901, apresentando a memória intitulada “Expulsão espontânea de um tumor submucoso do útero” e exerceu os cargos de Presidente das Secções de Ginecologia e Cirurgia Especializada. Foi transferido para a classe de Eméritos em 1943. É o Patrono da Cadeira 67.

Exerceu a presidência da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Brasil e da Academia Brasileira de Letras, em 1929, 1931 e 1932, era membro do Conselho Nacional de Ensino, da Sociedade de Medicina e Cirurgia, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Liga de Defesa Nacional, da Academia das Ciências de Lisboa, da Société Obstétrique de Paris e de inúmeras outras associações médicas, nacionais e estrangeiras. Doutor honoris causa das universidades de Coimbra e de Lisboa e prêmios Alvarenga e Madame Durocher da Academia Nacional de Medicina. É o Patrono da Cadeira 8 da Academia de Medicina do Rio de Janeiro.

Deixou uma vasta obra médica, da qual se destacam os seis volumes de “Clínica obstétrica”, “As lições de clínica obstétrica”, “A obstetrícia no Brasil”, “Síntese obstétrica” “Obstetrícia forense” e mais de 200 trabalhos esparsos sobre assuntos médicos. Foi um ilustre orador.

Uma das conferências mais interessantes do Dr. Fernando de Magalhães foi proferida no Centro Acadêmico Oswaldo Cruz em 1918, tendo como tema “Vocação Médica”, referindo que “o que determina o pauperismo profissional é a falta de unção vocativa que obriga o sacrifício, impõe o trabalho e exige a coragem. A indolência e a tibieza preferem abordoar-se no túmulo das grandes coletividades, abrigo dos perturbadores do bom costume e do pensamento puro. Se me ouvirdes, eu apontarei esse caminho como os da dissolução, onde o sacerdócio talvez seja lapidado por anacrônico, decrépito, ridículo ou visionário. No mister da nossa profissão sereis os semeadores da boa palavra e da boa doutrina, dareis vigor ao combalido, força ao inerme, saúde ao doente, alento ao fraco, ensino ao inculto, crença ao insensível, opinião ao inútil, liberdade ao indivíduo, consciência ao cidadão”.

Foi Diretor da Maternidade do Rio de Janeiro e o fundador da Pró-Matre, entidade beneficente que ele também dirigiu por muitos anos, com altruísmo, enlevo e dedicação.

Seu filho, Nuno de Andrade Magalhães, seguiu os seus passos, estudando Medicina e se especializando em Obstetrícia, tendo sido Diretor Clínico da Pró-Matre.

O Dr. Fernando de Magalhães possuía várias condecorações, como a Grã-Cruz da Ordem de São Tiago de Portugal, Grande Oficial da Ordem da Instrução de Portugal e da Coroa da Itália, Oficial da Legião de Honra da França e Oficial da Ordem Al Merito do Chile.

Seu nome foi concedido inicialmente à Maternidade Suburbana (concebida pelo Dr. Herculano Pinheiro) localizada no bairro de Cascadura. No ano de 1958, passou a denominar a Maternidade instalada no bairro de São Cristóvão, criada no ano de 1955.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro de 1944, pouco antes de completar 66 anos de idade.

Érico Marinho da Gama Coelho

Nascido a 07 de março de 1849, em Cabo Frio (RJ), filho de Jacinto José Coelho e D. Engrácia da Gama Coelho. Seu pai foi um dos fundadores do Instituto da Ordem dos Advogados no Rio de Janeiro, então capital do Império.

Graduou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1870, defendendo tese de doutoramento intitulada “Diagnóstico diferencial dos tumores do seio”.

Maçom, foi também seguidor da Igreja Evangélica Brasileira, fundada em setembro de 1879 por Miguel Vieira Ferreira, e reconhecida pelo governo imperial brasileiro.

Especializando-se desde logo em obstetrícia e ginecologia, clinicou o jovem parteiro em São Fidélis, em cuja vida calma e tranquila logrou vagares para o mais aprofundado estudo, apresentando-se alguns anos mais tarde candidato para Professor daquelas cadeiras na Faculdade de Medicina. Seu concurso tornou-se memorável por mais de um motivo: tratava-se de um moço republicano que, pelas colunas do Jornal “O Povo”, fazia a mais ardosa propaganda antimonárquica.

Lente catedrático de Clínica Obstétrica e Ginecológica em 1883, nomeado pelo próprio imperador Dom Pedro II, e diretor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1889.

As responsabilidades de ardoso propagandista, o seu feitio combativo e naturais pendores à luta encaminharam-no à política. Exerceu a função de Promotor Público no município de Piraí e em seguida fora promovido ao cargo de Juiz Municipal na cidade de Cabo Frio. Foi, durante cerca de vinte anos, deputado e, mais tarde, elegeu-se Senador pelo estado do Rio de Janeiro. No Senado, foi Membro das Comissões de Saúde, Estatística e Colonização e Finanças. Publicou uma série de discursos feitos da tribuna em defesa do divórcio. Além deste fato, era apologista da emancipação social e política do sexo feminino.

Em 1920, reassumiu a cátedra de Obstetrícia da Faculdade de Medicina e, por esse motivo, a direção da Maternidade de Laranjeiras.

Precursor da medicina sugestiva no Brasil, afirmando por favor experimentais a sugestão mental do tempo em que o célebre Charcot negava a realidade desse fenômeno psíquico.

Na ocasião de sua posse na Academia Nacional de Medicina, apresentou memória intitulada “Algumas observações do beribéri examinadas no ponto de vista psicológico”. Na instituição, escreveu “Mola hidatiforme” (1883); “Aula inaugural da cadeira de clínica obstetrícia” (1884); “Reforma da Faculdade de Medicina” (1886); “Influição mental da mulher sobre o feto” (1887); “Biblioteca Republicana” (1888); “Reforma da Faculdade de Medicina” (1890); “Pornografia contra pornografia” (1892); “Tratamento da febre amarela pela cloroformização permanente” (1918); “O determinismo da função mamária independe do estímulo ovariano” (1918) e “Tratamento da gripe pelo extrato tonsilar” (1918).

Faleceu no Rio de Janeiro, a 26 de novembro de 1922.

Jorge Soares de Gouvêa

O Dr. Jorge Soares de Gouvêa nasceu no dia 27 de junho de 1883, na Fazenda Santa Isabel, em Águas Claras, município de Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro, filho do ilustre Francisco Soares de Gouvêa e D. Isabel da Silva Soares de Gouvêa.

Concluiu o seu curso secundário no Colégio dos Jesuítas, em Nova Friburgo, e doutorou-se pela Faculdade Nacional de Medicina, em 1906, apresentando a tese intitulada “Tratamento Racional da Uretrites Crônicas”. Foi interno do Hospital da Marinha, na Ilha das Cobras, onde permaneceu de 1904 a 1906.

Começou seus estudos cirúrgicos em hospitais públicos de Friburgo e, adiante, conquistou grande clientela em sua clínica particular no Rio de Janeiro.

Em sua primeira viagem à Europa, acompanhou e assistiu grandes professores da época na Alemanha, na Áustria e na França. O Professor Koener, da Alemanha, orientou-lhe nos primeiros passos da patologia e da cirurgia geral, dando lições notáveis sobre tudo que dizia respeito à medicina moderna da época.

Recém-chegado da Europa, O Dr. Jorge de Gouvêa foi projetado como cirurgião por Miguel Pereira e Fernandes Figueira, assim como por Queiroz de Barros, notável ginecologista e obstetra, que o convidava para ajudar em suas cirurgias. Cooperou, também, durante anos, com o atendimento cirúrgico na Casa de Saúde Doutor Eiras.

Foi assistente do Dr. Daniel D’Almeida na 24ª Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de janeiro, onde permaneceu de 1909 a 1917, fazendo parte do grupo que deu realce à cirurgia nacional, dentre eles Brandão Filho e Arnaldo Quintela.

Foi eleito Membro Honorário da Academia Nacional de Medicina em 1928, sob a Presidência de Miguel de Oliveira Couto.

Cirurgião dos mais afamados, o Dr. Jorge Gouvêa criou em nosso país a especialidade das vias urinárias. Em 1918, foi chefe do Serviço de Cirurgia da Policlínica de Botafogo e, em 1922, foi escolhido por Carlos Chagas para chefiar o Serviço de Urologia de homens e mulheres na 4ª e 9ª Enfermarias do Hospital São Francisco de Assis, onde contribuiu para o preparo de novas gerações no campo da medicina, da cirurgia e da urologia.

A família Gouvêa, na antiga capital da República, teve mais dois grandes representantes na medicina nacional: seu tio Hilário de Gouvêa que, após retornar do exílio em Paris, criou uma escola de oftalmologia e otorrinolaringologia; e seu filho Gustavo de Gouvêa, grande cirurgião e professor de urologia na Faculdade Fluminense de Medicina, além de Membro da Academia Nacional de Medicina, que faleceu prematuramente e precipitou o desaparecimento do Dr. Jorge de Gouvêa.

O Dr. Jorge Soares de Gouvêa faleceu no Rio de Janeiro, no dia 9 de maio de 1961.

Firmino von Doellinger da Graça

Firmino von Doellinger da Graça, nascido em 12 de fevereiro de 1879, no Rio de Janeiro, filho de João Cordeiro da Graça e D. Júlia Monteiro da Graça, possuía sólidos princípios morais vindos da infância e adolescência, que alicerçaram o seu caráter e seu sentimento, para mais tarde granjear o justo e merecido conceito de várias gerações. Estudou no Colégio Militar e a sua cultura, iniciada desde os bancos escolares, onde recebeu esmerado curso de humanidade, foi a base para o seu posterior progresso no caminho da ciência.

Dedicou-se ao estudo do latim, não só para conhecer os fundamentos do nosso idioma, como também com o desejo de ler o original dos clássicos romanos. Esta tendência, demonstrada desde a mocidade, é uma expressão própria dos espíritos vigorosos que buscam nas fontes as razões filosóficas da vida. Era seu hábito citar a miúdo os clássicos.

Doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1901.

Foi interno de Lima e Castro e de Benicio de Abreu, no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, e logo após de sua formatura, ingressou nas atividades clínicas, na época em que a varíola e a febre amarela assolavam a cidade.

Em 03 de outubro de 1906, quando ainda jovem médico, ingressou no Corpo de Saúde da Armada como 1º Tenente Cirurgião, cargo conquistado por concurso, no qual obteve o primeiro lugar. Em razão das suas novas funções, realizou uma viagem à volta do mundo, que lhe permitiu observar as condições de vida, hábitos e higiene dos homens do mar, proporcionando-lhe o ensejo de escrever o seu primeiro trabalho cientifico intitulado: “O beribéri na Marinha de Guerra”. Ensaiou também estudos sobre o emprego da punção lombar no beribéri.

Sempre operoso e aspirando engrandecer seu cabedal cientifico, o Dr. Doellinger da Graça fez, em 1909, um curso de aperfeiçoamento em Cirurgia e Anatomia Patológica na Universidade de Berlim. Retornando ao Brasil, transbordando de entusiasmo e pleno de novos conhecimentos, ingressou no quadro de cirurgiões do Corpo de Bombeiros, em brilhante concurso.

Logo depois foi aceito no serviço de José Mendonça, como cirurgião adjunto. Despontava na época o valor dos raios X no diagnóstico de doenças. Dedicou-se então ao estudo da Radiologia, tendo fundado e dirigido o I Serviço de Raio X na Beneficência Portuguesa e, posteriormente, no Hospital São João Baptista da Lagoa, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora da Saúde e Nossa Senhora do Socorro.

A idealização do Hospital Mathilde von Doellinger da Graça, o Instituto Brasileiro de Oncologia, na Praça Santo Cristo, no bairro da Gamboa, foi um projeto destinado a receber os pacientes acometidos de câncer, necessitados de assistência radioterápica. Hoje, é o atual Hospital do Câncer II, do INCA.

Dentre seus trabalhos, destacam-se: “Da cabeça: considerações nos domínios de arte e antropologia”, tese apresentada no concurso de Professor Catedrático da Escola Nacional de Belas Artes, e “Câncer, enfermidade”, além de vários artigos em revistas médicas, focalizando temas sobre doenças malignas. Em 1951, publicou um livro de colaboração: “O ABC do câncer: um manual prático de clínica e de tratamento”.

Além de suas publicações científicas, o Dr. Doellinger da Graça sempre esteve integrado em várias atividades educativas de caráter universitário.

Eleito em 1921, foi recebido na Academia Nacional de Medicina, em 1922, como Titular da Secção de Cirurgia Geral, atual Secção de Cirurgia. Naquela época, o bisturi era seu instrumento de trabalho. A memória apresentada para sua admissão foi “Câncer do reto”. Foi transferido para a classe de Emérito em 1957.

Faleceu em 28 de janeiro de 1962, deixando o exemplo das suas virtudes cívicas e morais.

Agenor Edésio Estelita Lins

O Dr. Agenor Edésio Estelita Lins nasceu no dia 10 de janeiro de 1890, em Recife, no Estado de Pernambuco, filho de Pedro Estelita Carneiro Lins e de D. Francisca Sampaio Lins.

Doutorou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1912, defendendo a tese intitulada “Das intervenções cirúrgicas nas supurações da mão”. Foi Interno da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e realizou estágio docente no Serviço de Oswald S. Lowaloy, em Nova York.

Em sua viagem à Europa para aperfeiçoar seus conhecimentos, frequentou a Faculdade de Paris, tendo seguido os cursos de Delbet, Durval, Pauchet, Gosset, Faure e Papin, de quem foi Assistente, além de Joseph, Licttenberg, Ringleb e Casper, em Berlim.

Foi médico da Assistência Municipal, da Associação de Imprensa e do Aero Club Brasileiro, Chefe de Clínica Cirúrgica da Cruz Vermelha Brasileira e Diretor da casa de Saúde Estelita Lins e do Instituto de Clínica Urológica.

Foi, ainda, Professor da Escola de Enfermeiras da Cruz Vermelha e da Escola de Farmácia e Odontologia do Rio de Janeiro.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1929, apresentando a memória “Sobre a chilúria”, tornando-se Patrono da Cadeira 65 da Secção de Cirurgia, foi Vice-Presidente durante a Presidência do Acadêmico Antonio Austregésilo Rodrigues Lima e, ainda, Diretor do Museu e 1º Secretário.

Ainda em 1929, junto com os Acadêmicos Antônio Benevides Barbosa Vianna e Rolando Monteiro, foi idealizador da fundação do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Além disso, foi fundador de algumas casas especializadas em Urologia, uma em Vila Isabel e outra em Laranjeiras, bem como a Sociedade Brasileira de Urologia, tendo sido seu Presidente. O Dr. Estelita Lins também ocupou a Presidência do Sindicato Médico Brasileiro, o atual Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro. Na ocasião da fundação da Confederação Americana de Urologia, o Dr. Estelita Lins foi eleito Secretário-geral.

Era, ainda, Membro da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Secretário Geral e Sócio Benemérito da Cruz Vermelha Brasileira, Sócio Correspondente da Sociedade Fluminense Médico-Cirúrgica, da Sociedade Internacional de Urologia de Paris, da Associação Francesa de Urologia e da Sociedade de Urologia de Berlim.

Durante a Segunda Guerra Mundial, compôs a FEB – Força Expedicionária Brasileira, no posto de Major, contribuindo para o Corpo de Saúde da equipe enviada pelo governo brasileiro.

Segundo o Acadêmico Álvaro Cumplido de Sant’Anna, o Dr. Estelita Lins, seu Patrono, foi um dos mais importantes urologistas brasileiros e realizou diversos grupos de pesquisa em sua casa, no Estado de Santa Catarina, no Espirito Santo e em instituições como a Policlínica Geral do Rio de Janeiro e a Cruz Vermelha. Foi, inclusive, fundador e pesquisador da “Revista de Urologia”. Realizou também trabalhos de tradução de documentos e do Tratado de Urologia redigido por Oswald S. Lawaloy, seu mestre e ilustre colega.

Escreveu, também, vários artigos para “O Jornal”, “A época”, “Correio da Manhã”, “O País”, “Gazeta de notícias”, dentre outros, além de vários trabalhos publicados, onde destacam-se: “O laxativo vesical”, “Diagnóstico físico pelo cateterismo ureteral cistoscópico”, “Tratamento racional da uretrite gonocócica no homem”, “Enxerto venoso da uretra” e “O adenoma prostático”.

Foi condecorado Comendador da Ordem de São João Baptista de Espanha e Cavaleiro da Ordem do Bem e do Dever da França.

O Dr. Estelita Lins faleceu no Rio de Janeiro, no dia 5 de dezembro de 1946.

Francisco de Castro

O Dr. Francisco de Castro nasceu em Salvador, em 17 de setembro de 1857, e faleceu no Rio de Janeiro, em 11 de outubro de 1901, filho de Joaquim de Castro Guimarães e de Maria Heloísa de Matos Castro.

Logo cedo ficou órfão de mãe, e o pai, negociante, empenhou-se em lhe dar esmerada educação, e encaminhou-o para o Ateneu Baiano, após o que ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia em março de 1874, formando-se em 1879. Durante o curso acadêmico, deixou-se atrair pelo convívio literário, tendo, entre seus companheiros, Guilherme de Castro Alves, irmão de Castro Alves. A admiração pelo Poeta dos Escravos exerceu decisiva influência na sua poesia, emprestando-lhe a sua feição condoreira (parte de uma escola literária da poesia brasileira, a terceira fase romântica, marcada pela temática social e a defesa de ideias igualitárias).

Destacou-se desde cedo por sua notável inteligência. Foi filósofo, poeta, clínico, cientista e orador.

Candidatou-se à Academia Imperial de Medicina com a memória “Centros Córticos e Psicogênicos” tomando posse em 1881. É Patrono da Cadeira No. 14 da Academia Nacional de Medicina.

Foi professor da cadeira de Clínica Propedêutica e, em 1901, diretor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Paralelamente ia exercendo a atividade de escritor, em livros de assuntos médicos e proferindo discursos publicados depois de sua morte. Poeta, ainda inspirado no Romantismo, publicou versos também sob o pseudônimo Luciano de Mendazza. Reuniu-os num volume, ao qual deu o título de “Harmonias Errantes” , livro que mereceu uma introdução de seu amigo Machado de Assis.

Francisco de Castro deixou uma tradição de bondade extrema, e seu grande exemplo foi lembrado por gerações sucessivas de médicos. Muitos o chamavam “o divino Mestre”, conservando o culto de sua figura, que ficou sendo uma espécie de patrono deles todos.

Segundo a Academia Brasileira de Letras, Rui Barbosa se expressou: “Era Castro, em nossa terra, a mais peregrina expressão de cultura intelectual que jamais conheci. Tenho encontrado, em nossos naturais, aliás raramente, artistas e sábios. Mas nele se me deparou, entre brasileiros, o primeiro exemplo e único até hoje, a meu parecer, de um sábio num artista. Em Francisco de Castro brilhava a mesma vocação consumada nas Letras e na Medicina”.

Foi eleito para a Cadeira No. 13 da Academia Brasileira de Letras, em 10 de agosto de 1899, na sucessão do Visconde de Taunay, não chegou a tomar posse. Deveria ser saudado pelo acadêmico Rui Barbosa.

Era pai do também Acadêmico Aloysio de Castro, da Academia Brasileira de Letras e da Academia Nacional de Medicina.

Perfil pelo Acadêmico Francisco Sampaio

Augusto Cezar Diogo

O Dr. Augusto Cezar Diogo nasceu no dia 21 de abril de 1846, em Paramirim, no Estado da Bahia, filho de Braz Diogo das Chagas e de D. Carolina Amélia de Azevedo.

Graduou-se em Ciências Naturais pela Escola de Farmácia de Ouro Preto, em 1871, defendendo tese intitulada “Albumina e albuminóides”. Ingressou no Serviço de Saúde do Exército enquanto ainda estudava, foi Alferes e pertenceu ao 2º Corpo de Exército.

Em 1873, foi promovido a Tenente Honorário por ter prestado serviços na Guerra do Paraguai. Foi, ainda, Encarregado do Laboratório do Hospital Militar.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1874, apresentando memória intitulada “Histórico e escolha do óleo de fígado de bacalhau ferruginoso”. Diz-se que a sessão de sua posse foi histórica porque nela foi distribuída a Tribuna Farmacêutica, publicação do Instituto Farmacêutico, da qual foi Redator, que foi a primeira instituição profissional da classe no Brasil. É Patrono da Cadeira 97.

Foi Preparador de Farmácia e de Física Médica na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e escreveu o importante manual “Noções de Farmácia”, em 1871.

Em 1875, viajou para a Europa, a fim de ampliar seus conhecimentos e aplicá-los na melhoria das farmácias das repartições militares brasileiras.

Foi o primeiro Diretor do Laboratório Químico Farmacêutico do Exército, tendo o reestruturado como verdadeiro órgão industrial com ampliação da linha de produção de medicamentos. Foi considerado, na época, o grande avanço tecnológico da incipiente Indústria Farmacêutica Nacional.

Durante o período de transição do Império para a República, os farmacêuticos ficaram praticamente sem representação coorporativa. Em 1893, era criado o Centro Farmacêutico Brasileiro, por iniciativa de Augusto Cezar Diogo e do também farmacêutico Antônio Silva Braga. No entanto, somente em 1916 seriam retomadas algumas reinvindicações levantadas pelas associações durante o Império.

Foi membro da comissão designada pelo então Diretor Geral de Saúde Pública Nuno Ferreira de Andrade, em 1897, com o objetivo de elaborar o Código Farmacêutico Brasileiro, juntamente com os médicos Agostinho José de Souza Lima e Antonio Maria Teixeira, e o também farmacêutico Orlando da Fonseca Rangel.

O Dr. Cezar Diogo foi o primeiro Presidente de Honra da Associação Brasileira de Farmacêuticos e era Membro Titular da Sociedade Química de Londres. O Exército Brasileiro instituiu a “Medalha General Farmacêutico Cezar Diogo” em sua homenagem. É o Patrono da Cadeira No. 34 da Academia Nacional de Farmácia, da Cadeira N0. 01 da Academia Brasileira de Farmácia Militar e da Cadeira No. 08 da Academia Brasileira de Medicina Militar. É, também, o Patrono Farmacêutico do Exército Brasileiro.

Seu filho, o Acadêmico Julio Cezar Diogo, seguiu os seus passos como farmacêutico e professor.

O Dr. Augusto Cezar Diogo faleceu na cidade do Rio de janeiro, no dia 12 de março de 1923.

Joaquim Monteiro Caminhoá

O Dr. Joaquim Monteiro Caminhoá, médico, botânico e professor, nasceu na cidade de Salvador, no Estado da Bahia, em 21 de dezembro de 1836, filho de Manuel José Caminhoá e Luiza Monteiro Caminhoá.

Doutor em Medicina, em 1858, pela Faculdade de Medicina da Bahia, com a tese intitulada “A febre amarela e o cólera-morbus serão provenientes de um envenenamento miasmático? Da medicação hydrotherápica; exame e solução das principais questões sobre a anestesia e na terapêutica cirúrgica; ozona, sua natureza, propriedades e preparação”.

Iniciou sua vida profissional no Corpo de Saúde da Armada Brasileira, trabalhando em hospitais e navios. Pelos serviços prestados durante a Guerra do Paraguai (1864-1868), foi agraciado com as medalhas comemorativas da Rendição das Forças Paraguaias em Uruguaiana, da Campanha do Paraguai e da Campanha Oriental de Paissandu. Reformou-se no posto de 1º Tenente Médico, após o término da Guerra.

Na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro foi Opositor da Sessão de Ciências Acessórias (1861) e Professor Catedrático de Botânica e Zoologia, até o ano de 1881, quando se jubilou da Instituição.

Prestou grande serviço durante a epidemia de cólera-morbus no ano de 1867, que devastou o Recôncavo Baiano, Alagoas e Sergipe.

Viajou pela Europa visitando jardins e hortos científicos. Suas observações foram registradas no “Relatório sobre os jardins botânicos” apresentado à Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1869, apresentando a memória intitulada “Sobre aparelhos anestésicos e, particularmente, sobre um inalador adjuvante para os casos operatórios em que não houver cirurgião ajudante”. É o Patrono da Cadeira 95.

Por concurso obteve a cátedra de História Natural no Internado do Imperial Colégio de Pedro II, no período de 1880 a 1889.

Pertenceu a diversas instituições cientificas nacionais e estrangeiras: Membro do Conselho do Imperador D. Pedro II, da Sociedade Velosiana de Ciências Naturais, da Sociedade Abolicionista da Escravatura, da Sociedade de Botânica da França e da Sociedade de Ciências Naturais de Edimburgo, fundador da Associação Brasileira de Aclimação e da Associação Beneficente da Corporação Docente do Rio de Janeiro.

Em reconhecimento ao seu trabalho recebeu várias medalhas de mérito e condecorações: Comendador da Ordem da Rosa, Comendador da Imperial Ordem Austríaca de Francisco José, Cavaleiro da Ordem de S. Bento de Aviz e Cavaleiro da Ordem de Cristo.

Na Exposição Universal de Viena (1873) participou como Membro Adjunto da Comissão Brasileira onde apresentou seus estudos sobre Botânica Médica. Representou o Governo brasileiro como Delegado e Vice-presidente da Seção de Quarentenas no Congrés Médical Internationale de Vienne (1873).

Durante sua vida teve inúmeros trabalhos publicados, entre eles as obras “A vegetação nos diversos períodos da formação de nosso planeta e das modificações que ela experimenta em diferentes latitudes, pela influência dos agentes” (1861), “Estudos sobre a intoxicação palúdica no Exército do Brasil” (1870), “Das plantas tóxicas do Brasil” (1871), “Des quarentaines” (1873), “Os ensaios para o estudo da flora dos pântanos do Brasil” (1876) e “Elementos de Botânica Geral e Medicina”, com a publicação do primeiro volume no ano de 1877, premiada pelo Governo Imperial.

O Dr. Joaquim Monteiro Caminhoá faleceu no dia 28 de novembro de 1896, na cidade do Rio de Janeiro.

João Vicente Torres Homem (Barão de Torres Homem)

Nascido a 23 de novembro de 1837, na cidade do Rio de Janeiro, filho de Joaquim Vicente Torres Homem, médico da Corte, professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e membro da Academia Nacional de Medicina, e de D. Bernarda Angélica dos Santos Torres. Graduou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1858, apresentando a tese intitulada “Raiva ou hidrofobia”, pouco antes da morte de seu pai.

O Dr. João Vicente de Torres Homem foi discípulo do Dr. Manoel de Valladão Pimentel, o Barão de Petrópolis, com quem começou as relações, em 1857, quando cursava o quinto ano de medicina, e com quem começou a trabalhar, em 1858. Foi interno residente do Hospital Militar da Corte e médico adjunto da Santa Casa de Misericórdia.

Na ocasião de sua eleição na Academia Nacional de Medicina, apresentou memória intitulada “Qual o papel que representa o baço na economia animal”.

Em 1866, para concorrer à cadeira de Clínica Interna da Faculdade Nacional de Medicina, apresentou tese naquela época de grande atualidade, intitulada “Das sangrias em geral e em particular na pneumonia e na apoplexia cerebral”.

Foi um dos fundadores da Gazeta Médica do Rio de janeiro, em 1862, da qual foi também redator até o seu último número, em junho de 1864. Do mesmo modo, colaborou com a fundação do Brasil Médico, em 1887, que chegou a ser o órgão oficial do Serviço de Reumatologia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

Discorria sobre toda a patologia; ia, com segurança, da cardiologia – que foi sempre tema da predileção dos clínicos brasileiros – às encefalopatias, e sempre defendendo pontos de vista pessoais. Suas lições neurológicas ocupam-se largamente dos estados vasculares – congestões, afasia, hemorragia, trombose, embolia – das meningites, de tumores intracranianos, de diagnóstico de sede, em termos e em entendimento patológico da linguagem diagnóstica atual.

Estudou as febres endêmicas e epidêmicas; assinalou a existência da esteatose do fígado na febre amarela; entreviu a vigência clínica no reumatismo sob a forma visceral e o enfarte do miocárdio, ele o surpreendeu, ao tratar da morte súbita, na referência à “isquemia do coração por obliteração das artérias coronárias”.

Quanto ao diabetes, estava convencido de que a causa primordial, inicial, originária e fundamental da desordem funcional que determina a glicemia, tem a sua sede nos centros nervosos; aí é que devemos procurar o primeiro elo da cadeia que representa todo o processo mórbido da “diabete sacarina”.

Na biografia de Torres Homem há de tudo – desde higiene até pediatria. Publicou três volumes “Lições de Clínica Médica”, entre 1867 e 1887, os quais revelam sua grande capacidade diagnóstica e de observação, à altura dos grandes mestres universais. Nessa importante obra encontram-se capítulos que demonstram seu interesse por temas reumatológicos e justificam o título de Patrono da Reumatologia Brasileira que recebeu.

Descreveu minuciosamente a pneumonia, os abscessos do fígado, os aneurismas aórticos e angina do peito. A estenose cardioventricular direita, mais tarde conhecida como “Síndrome de Bernheim”, está exagerada em seus escritos, com todos os característicos.

Conservou-se sempre fiel ao princípio hipocrático, de que o escopo fundamental da Medicina é a cura ou o alívio dos doentes. Na arte de ensinar, Torres Homem foi professor incomparável.

Foi agraciado com os títulos de Dignatário da Ordem da Rosa e de Barão de Torres Homem, este por carta-de-mercê de 14 de julho de 1887. Foi membro do Conselho do Imperador e Grande do Império.

A atividade científica de Torres Homem vai de 1850 a 1887, ano em que faleceu. Realizou, de maneira mais completa, o tipo de grande médico que o Brasil porventura conheceu.

Faleceu na cidade do Rio de janeiro, em 4 de novembro de 1887.

Eduardo Chapot-Prévost

Eduardo Chapot-Prévost nasceu na cidade Cantagalo, no Estado do Rio de Janeiro, em 25 de junho de 1864, filho de Louis Chapot-Prévost, cirurgião dentista, de nacionalidade francesa, e de D. Louisa Lend Chapot-Prévost, de nacionalidade belga.

Fez os cursos preparatórios no Colégio Pedro II, matriculou-se no curso de medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1880, e, devido a atritos escolares, doutorou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1885, defendendo a tese intitulada “Formas clínicas do puerperismo infeccioso e seu tratamento”.

Na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi Professor Adjunto interino de Anatomia, em 1886, e de Histologia, em 1888, tendo logrado conquistar a cátedra de Histologia em 1890, com a tese “Pesquisas histológicas sobre a inervação das vias biliares extra-hepáticas”.

Considerado o “iniciador da pesquisa médica no Brasil” e o “precursor da iniciação cientifica em nosso país”, dedicava-se com entusiasmo ao ensino, fazendo que seus alunos desenhassem as lâminas durante as aulas de ensino prático de Histologia. Conhecedor profundo do método histológico de Cajal, foi considerado um dos melhores histologistas da época, por nomes famosos como Krause (Alemanha) e Prenant (França).

Participou de diversas comissões, entre elas a que foi a Berlim estudar o processo proposto do Doutor Robert Koch para a cura da tuberculose (1890); a que foi identificar uma suposta epidemia de cólera no Vale do Paraíba, em 1894; e outra, presidida por Domingos Freire, para debelar a febre amarela, em 1899. Ainda em 1899, chefiou a comissão da Diretoria Geral de Saúde Pública que foi a Santos investigar e combater um surto de peste bubônica, da qual fez parte Oswaldo Cruz. Dessa empreitada nasceriam o Instituto Soroterápico Federal, no Rio de Janeiro, e o Instituto Soroterápico do Estado de São Paulo.

Cirurgião experiente, ganhou notoriedade mundial ao realizar, pela primeira vez na história da Medicina, em 1900, na Casa de Saúde São Sebastião do Rio de Janeiro, uma intervenção operatória que constituiu um marco na evolução da cirurgia mundial: a separação das meninas toracoxifópagas, Maria e Rosalina, de 7 anos de idade, numa mesa cirúrgica por ele desenhada especialmente para essa operação, preparando pinças hemostáticas especiais e criando um processo próprio de hemostasia hepática. Vários cirurgiões de grande vulto formaram a equipe médica encabeçada pelo Dr. Chapot-Prévost, dentre eles: Paulino Werneck, Ernani Pinto, Álvaro Rodrigues, Dias de Barros, Azevedo Monteiro e Chardinal D’Arpenans. Nesta ocasião, usou, pela primeira vez, a máscara que hoje é de uso universal. Naquela época, eram limitados os processos da assepsia, entretanto, o Dr. Chapot-Prévost fez o mais rígido preparo e cuidado asséptico, que incluía desde a apurada imunização da sala, até banhos de lisol do cirurgião e seus auxiliares,

O sucesso da cirurgia ultrapassou as fronteiras do Brasil e o Dr. Chapot-Prévost escreveu vários artigos sobre o caso e passou a participar de conferências pelo mundo. Em 1901, partiu para a Europa, desta vez a fim de aperfeiçoar seus estudos no Instituto Pasteur.

Foi eleito Membro Honorário Nacional da Academia Nacional de Medicina, em 1905, onde é o Patrono da Cadeira 81.

É, também, o Patrono da Cadeira 60 da Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro.

O Dr. Chapot-Prévost escreveu diversos trabalhos, destacando-se: “Pesquisas Histológicas” (1890), “A bouba e a sífilis” (1892), “Nota sobre uma simplificação na confecção das placas de àgar-àgar” (1894), “O carbúnculo no matadouro” (1900), “Novo xifópago vivo” (1901), “Xifo-tóracopago operado” (1902), “Cirurgie des teratopages” (1901), e “Novo teratópago brasileiro vivo” (1905).

Após longa enfermidade, Eduardo Chapot-Prévost faleceu em 19 de outubro de 1907, na cidade do Rio de Janeiro, aos 43 anos de idade.

Luiz da Cunha Feijó (Visconde de Santa Isabel)

O Dr. Luís da Cunha Feijó, o 2º Barão e único Visconde de Santa Isabel, nasceu no Rio de Janeiro, em 1º de junho de 1817, filho do farmacêutico Tristão da Cunha Feijó e de D. Ana Joaquina da Natividade.

Formado médico na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1839, apresentando a tese intitulada “Aneurismas da aorta”, foi Professor substituto, por concurso, na Seção Cirúrgica, em 1840, Lente de Patologia Interna, em 1851, sendo transferido no mesmo ano para a cadeira de partos, e também seu Vice-Diretor, em 1859, e Diretor, em 1881. Considerado por alguns como o primeiro praticante de cesariana no Brasil, foi lente de partos por vinte anos.

Nomeado Médico Honorário da Imperial Câmara, em 13 de junho de 1859, acompanhou a Princesa Isabel em suas viagens à Europa em 1865, 1870 e 1878.

Candidatou-se à vaga de Membro Titular da então Academia Imperial de Medicina, em 19 de maio de 1846, apresentando a memória intitulada “Rutura do útero durante trabalho do parto”, sendo eleito em 4 de junho do mesmo ano. Foi transferido para a classe de Membros Honorários em agosto de 1863. É o Patrono da Cadeira 61.

Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, agraciado Grande Dignitário da Imperial Ordem da Rosa e Comendador da Imperial Ordem de Cristo de Portugal e da Ordem Austríaca da Coroa de Ferro.

O Dr. Luiz da Cunha Feijó teve dois filhos. Um deles foi o Professor Luiz da Cunha Feijó Filho, que viria a se tornar obstetra e diretor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro como o pai, além de Chefe da Maternidade da Santa Casa de Misericórdia, Membro Honorário da Academia Imperial de Medicina e Cavaleiro da Ordem da Rosa. O seu neto, Dr. Gentil Luiz José Feijó, também médico, foi Catedrático de três das maiores Universidades do país: Universidade Federal do Rio de Janeiro, da qual foi Diretor, Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Universidade Federal Fluminense.

O Dr. Luiz da Cunha Feijó faleceu em 6 de março de 1881, na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, aos 63 anos de idade.

Ezequiel Corrêa dos Santos

O Dr. Ezequiel Corrêa dos Santos nasceu no dia 10 de abril de 1801, na freguesia do Pilar, hoje pertencente a cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, filho de Ezequiel Antonio dos Santos e de D. Maria Rosa de Oliveira Santos.

Ingressou no curso de Farmácia da Academia Médico-Cirúrgica, provavelmente em 1817, após ter assistido aulas de química na Escola Militar, como previam os estatutos da instituição, matriculando-se no terceiro ano. Depois, teve de praticar por mais de um ano na botica designada pela Escola, a de José Caetano de Barros, Membro Honorário da Academia Nacional de Medicina. Aprovado nos exames finais, o Dr. Ezequiel foi diplomado Boticário por Carta Régia, de 2 de junho de 1819.

Era extremamente interessado nos estudos de Bromatologia e lutava pela elaboração de um novo Código Farmacêutico que levasse em conta a vasta flora medicinal.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1835, e foi Orador em 1837.

Fundou um laboratório e passou a estudar e preparar especialidades – um estabelecimento que ficava à disposição dos alunos da Faculdade. Mais tarde, fundou a Fábrica Nacional de Produtos Químicos e Farmacêuticos Ezequiel & Filho, na atual Rua Moncorvo Filho.

Em 1840, apresentou na ANM um estudo sobre o princípio ativo que isolara da casca do Pau Pereira, a pereirina, reconhecidamente o primeiro alcaloide isolado no Brasil, cujo preparado sob a forma de cloridrato foi amplamente empregado no combate à malária até o início do século passado. A ele também se atribui a síntese do primeiro composto orgânico no Brasil, o clorofórmio, em sua oficina farmacêutica e química na Rua do Piolho (hoje Rua da Carioca).

Em 26 de julho de 1850, decreto imperial apontou-o Farmacêutico do Imperador D. Pedro II. Como uma das figuras mais proeminentes dentre os farmacêuticos, o Dr. Ezequiel participou de associações de classe com voz ativa em prol da melhoria do ensino de Farmácia. Ezequiel se destacou, ainda, no combate às epidemias. Durante os surtos de febre amarela e cólera no Rio de Janeiro, forneceu, sem qualquer ônus, medicamentos a postos de saúde, população carente, Hospitais dos Artífices e do 4º. Batalhão de Artilharia.

Em 1851, fundou e presidiu a primeira sociedade da classe farmacêutica no Brasil do século XIX, a Sociedade Farmacêutica Brasileira, com fins de regularizar e garantir o exercício da farmácia no Brasil. Criou a “Revista Farmacêutica”, que circulou entre 1851 e 1853 e, mais tarde, entre 1862 e 1864, voltou com o nome “A abelha”.

O Professor Francisco de Paula Cândido, Presidente da Junta Central de Higiene Pública, em novembro de 1851, solicitou a colaboração da Sociedade Farmacêutica Brasileira na organização das tabelas e dos materiais que uma botica deveria conter. Ezequiel Corrêa dos Santos foi nomeado para o cargo de Adjunto, em 7 de julho de 1852, passando a visitar as farmácias e procurando facilitar o papel fiscalizador da autoridade sanitária. Um dos frutos dessa participação foi o decreto de 7 de outubro de 1852, do Governo Imperial, que indicava para uso das boticas do Império, a tabela de medicamentos, as farmacopeias, os vasilhames e instrumentos adequados. Em 1852, nomeada a Comissão de Farmacopeia da qual fazia parte o Dr. Ezequiel, com o objetivo de elaborar o Código Farmacêutico, divergências profundas com a Junta impediram a realização do grande sonho, sendo a matéria somente resolvida muitos anos depois, em 1926, com a elaboração da 1ª Farmacopeia Brasileira.

Em 1861, foi formalizado o acordo entre a congregação da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e o Dr. Ezequiel para a cessão do laboratório químico farmacêutico de sua propriedade, onde era ministrada a cadeira da Farmácia Prática. A reivindicação de criação desta cadeira nas faculdades de medicina, dirigida ao Imperador em 1852 e prevista na reforma do ensino em 1854, se concretizava, tendo à frente da cadeira o seu filho, o Dr. Ezequiel Corrêa dos Santos Júnior.

A trajetória de Ezequiel Corrêa dos Santos nos dá uma ideia do tempo em que viveu. Primeiramente, seu engajamento político nas fileiras do liberalismo, depois como farmacêutico, lutando pelo reconhecimento profissional, pela qualidade do ensino a ser ministrado aos farmacêuticos e pelo combate ao charlatanismo, que invadia o mercado brasileiro de remédios com panaceias e elixires.

O Dr. Ezequiel Corrêa dos Santos faleceu na cidade do Rio de janeiro, no dia 28 de dezembro de 1864.

Após a sua morte, a então Academia Imperial de Medicina fez colocar um busto na sala de suas sessões públicas em homenagem ao cientista, ao historiador de sua classe, ao jornalista e ao político.

O Acadêmico José Messias do Carmo considerava o Dr. Ezequiel Corrêa dos Santos o pai da Farmácia brasileira e, em 29 de março de 1972, o propôs como Patrono da Cadeira 100 da Academia Nacional de Medicina.

Manoel de Valladão Pimentel (Barão de Petrópolis)

Manuel de Valladão Pimentel, primeiro e único Barão de Petrópolis, nasceu em 4 de março de 1802, em Cachoeiras de Macacu, Rio de Janeiro, filho de um modesto emigrante português agricultor e de Ana Francisca do Amaral. 

Formou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, apresentando tese de doutoramento sobre a origem natureza e o desenvolvimento dos tubérculos pulmonares. Foi Professor da mesma instituição de ensino, além de diretor, no período entre 1839 e 1842.

Recebeu o título de Barão, Comendador da Imperial Ordem de Cristo e Oficial da Imperial Ordem da Rosa.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 1832, apresentando Memória intitulada “Observações sobre um caso de perfuração ulcerosa de uma das válvulas sigmoides e da origem da aorta no ponto correspondente, com derramamento na cavidade do pericárdio”.

Era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, desde 1840 até a sua morte.

Foi um dos maiores clínicos e um dos mais importantes professores do seu tempo, tendo durante a vida elevado o exercício da medicina e da função de mestre. Sua obra escrita foi pequena em relação ao muito que poderia ter legado de sua experiência médica, como figura exponencial da medicina brasileira.

Por outro lado, sua influência foi absoluta sobre os seus discípulos. Teve como dileto discípulo e sucessor, João Vicente de Torres Homem. Valladão era amigo do pai de João Vicente, Joaquim Vicente de Torres Homem, que foi professor de clínica médica na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, e presidente da então Academia Imperial de Medicina. João Vicente começou as relações com o mestre Valladão em 1857, quando cursava o quinto ano médico, e com quem começou a trabalhar em 1858 na Enfermaria de Nossa Senhora da Conceição, então a cargo do eminente professor. João Vicente de Torres Homem, em sua extensa obra, tem sempre que contar alguma coisa das opiniões do Barão de Petrópolis, seu mestre, quer tratando de patologia, de técnica diagnóstica ou de terapêutica.

Melhor que seus escritos, atesta o valor do Barão de Petrópolis, o fato dele ter conseguido ser a maior influência sentida por João Vicente de Torres Homem, que foi uma das mais vigorosas e completas formações intelectuais da cultura brasileira.

O Barão de Petrópolis faleceu em Paquetá, Rio de Janeiro em 30 de novembro de 1882.

João Paulino Marques

Nascido João Paulino Marques Júnior, em 12 de janeiro de 1871, em Recife, no Estado de Pernambuco, filho de João Paulino Marques, fiscal aduaneiro amante das artes e da literatura, e de Maria Francisca Ferreira Marques. Doutorou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1894, com tese intitulada “Influência da gravidez sobre o coração”.

Foi chefe de Clínica Médica nos hospitais Pedro II e Português de Beneficência, clínico do Dispensário Otávio de Freitas e da Liga Pernambucana contra a Tuberculose, Major cirurgião do Regimento Policial e médico do Instituto Pasteur, no Recife.

Foi Presidente da Sociedade de Medicina de Pernambuco (atual Associação Médica de Pernambuco) por três mandatos (1910, 1921 e 1927), da Associação Médica dos Hospitais do Recife e do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, em 1931.

Na Faculdade de Medicina de Pernambuco, foi eleito pela congregação Professor Catedrático da primeira cadeira de Clínica Médica. Esta sua investidura foi ratificada em 1920 quando se instalou definitivamente na Escola. Iniciou suas atividades professorais, inaugurando na Sala de S. Vicente do Hospital Pedro II, no mês de abril de 1922, as aulas de Clínica Propedêutica Médica, matéria que naquele ano fazia parte de sua cadeira. Nesta ocasião pronunciou uma magistral lição que se acha publicada no Jornal de Medicina de Pernambuco.

O Professor João Paulino Marques foi um dos clínicos mais populares e conceituados de sua época. Era irmão do Professor Arnóbio Marques, Catedrático de Cirurgia, e um dos maiores cirurgiões brasileiros. Ambos fizeram parte do grupo de médicos que fundaram, com Otávio de Freitas, a Faculdade de Medicina do Recife.

Em viagem à Europa, em 1914, frequentou, em Paris, os principais serviços franceses de Clínica Médica.

Candidatou-se a Membro Correspondente da Academia Nacional de Medicina no dia 13 de setembro de 1920, tendo a sua proposição aprovada na sessão do dia 7 de outubro de 1920, onde é o Patrono da Cadeira 51. É, também, o Patrono da Cadeira 13 da Academia Pernambucana de Medicina.

Publicou vários trabalhos, dentre eles “Insuficiência mitral traumática” (1905), “Causas dos aneurismas aórticos no Recife” (1910), “Encefalite letárgica” (1919), “Febres tíficas e paratíficas no Recife” (1923) e “Câncer primitivo do fígado” (1925).

Deixou três filhos médicos: o Dr. Arnaldo Cavalcanti Marques, o acadêmico Dr. Ruy João Marques e o docente e acadêmico Dr. Aluizio Cavalcante Marques, que se radicou no Rio de Janeiro e foi um dos fundadores da Clínica São Vicente .

O Professor João Paulino Marques faleceu em Pernambuco, a 13 de fevereiro de 1936.

Francisco Freire Allemão de Cisneiros

Nasceu na freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande, na Fazenda do Mendanha, atualmente Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, no dia 24 de julho de 1797, filho dos lavradores João Freire Allemão e de Feliciana Angélica do Espírito Santo.

Iniciou sua carreira na vida religiosa, tornando-se sacristão, por não possuir os recursos financeiros necessários para dedicar-se à carreira científica. Na convivência com o padre Luis Pereira Duarte, aprendeu a gramática latina e outras disciplinas como francês, inglês, espanhol, hebraico e latim, mas decidiu abandonar a carreira sacerdotal e ministrar aulas particulares, das quais retirava seu meio de sustento. Seu irmão mais velho, Antonio Freire Allemão de Cisneiros, que cursava o segundo ano da Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro, ofereceu-lhe ajuda financeira e no ano de 1822, Francisco Freire Allemão lá ingressou, onde se diplomou como cirurgião, em 1827. Frequentou a Universidade de Paris a convite do governo francês, quando foi aluno do químico Jean Baptiste Dumas e do naturalista Georges Léopold Chrétien Frédéric Dagobert, o Barão Cuvier. Obteve seu doutorado na Universidade de Paris, em 1831, defendendo a tese: Dissertation sur le goitre. Regressando ao Brasil, foi aprovado Catedrático de disciplina na cadeira de Botânica e Elementos de Zoologia, em 1833.

Foi eleito Membro Titular da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1832, sendo empossado em 19 de maio do mesmo ano. Atuou como Presidente da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro no terceiro trimestre de 1832 e da Academia Imperial de Medicina de 1838 a 1839. Sua Memória para a Academia versava o “Uso das preparações de sódio na cura do bócio”- assunto pioneiro na época.

Nomeado médico da Imperial Câmara, em 1840, Freire Allemão conseguiu curar o Imperador Pedro II de uma ameaça de congestão cerebral. Em 1843, participou da comitiva imperial, incumbida de acompanhar a vinda da princesa D. Teresa Cristina, noiva do Imperador Pedro II, de Nápoles ao Rio de Janeiro. Mais tarde, foi Professor de Botânica das Princesas Isabel e Leopoldina.

Membro do Conselho de Sua Majestade, Comendador da Ordem da Rosa, Comendador da Ordem de Cristo e Comendador da Ordem de Francisco I do Reino de Nápoles, foi Lente de Botânica e Zoologia Médicas, de 1833 a 1853, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. De 1858 a 1866 foi Lente da Seção de Ciências Físicas e Naturais na Escola Central. Participou de diversas associações profissionais e sociedades médicas; foi Sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional e da Sociedade Philomatica e Membro Honorário do Imperial Instituto Médico Fluminense.

Fundou e presidiu a Sociedade Velosiana de Ciências Naturais do Rio de Janeiro para estudos da Botânica. Em 1874, presidiu a comissão de Botânica e Zoologia do Instituto Farmacêutico do Rio de Janeiro. Após descrever muitas plantas e identificar numerosos gêneros, tornou-se um dos naturalistas e botânicos mais conhecidos no Brasil do século XIX. Em 1866, foi nomeado Diretor do Museu Imperial e Nacional, cargo que ocupou até o ano de 1870, embora problemas de saúde o tenham afastado desta função em alguns momentos.

Faleceu aos 77 anos, na antiga propriedade de seus pais, no dia 11 de novembro de 1874.

Francisco de Paula Cândido

Nasceu em 2 de abril de 1805, na Fazenda do Macuco, freguesia da Piranga, Comarca de Mariana, Estado de Minas Gerais filho do fazendeiro Antonio Gomes Cândido e de Anna Rosa Umbelina de Jesus Gomes Cândido. Era genro de Manoel Ignacio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho (Marquês de Itanhaém), Senador do Império que sucedeu a José Bonifácio de Andrada e Silva, como tutor do Imperador D. Pedro II.

Entrou para o seminário de Mariana com oito anos de idade, quando iniciou sua carreira na vida religiosa e, mais tarde, a abandonou em função da disciplina de clausura do seminário. Ingressou na carreira militar, em 1821, e, posteriormente, cursou a Academia Militar da Corte, no Rio de Janeiro, por três anos. Em 1825, Paula Cândido partiu para a Europa e se matriculou na Faculdade de Medicina de Paris (Universidade de Sorbonne). Entre 1825 e 1832, frequentou os institutos e cursos superiores em Paris, obtendo, em 1829, o grau de bacharel em Letras e, pouco tempo depois, o de bacharel em Ciências Médicas.

Foi médico voluntário da “legião sanitária” organizada pelo governo francês, em razão da epidemia de cólera-mobus e recebeu a Grande Medalha de Ouro em reconhecimento aos serviços prestados. Em 31 de agosto de 1832, doutorou-se pela Faculté de Médicine de Paris, com a tese Sur l’électricité animale, apresentada também na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde obteve por concurso a cadeira de Física Médica da qual tomou posse, em março de 1833, e a ocupou por 30 anos.

Eleito Membro Titular da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, apresentando memória intitulada: “Observações sobre a febre tifoide”, foi empossado em 30 de janeiro de 1833 e eleito por três vezes presidente: no 1º e 2º trimestres de 1834, da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro; de 1840 a 1842 e de 1852 a 1855, da Academia Imperial de Medicina, hoje Academia Nacional de Medicina, onde é Patrono da Cadeira 20.

Deputado pela Província de Minas Gerais, eleito em 1838, desempenhou seu mandato por quatro legislaturas, de 1838 a 1845 e de 1849 a 1856.

Médico efetivo da Imperial Câmara, nomeado em 14 de agosto de 1840, e Conselheiro do Império, foi agraciado com o Hábito e a Comenda de Cristo e a grande dignatária da Rosa, pelo Imperador D. Pedro II e condecorado com a Comenda da Real Ordem de Izabel a Católica, pela Rainha da Espanha.

Redator dos Annaes de Medicina Brasiliense, dirigiu o Diário da Saúde e o jornal literário Brasil Ilustrado, que circulavam na Corte.

Francisco de Paula Cândido foi o primeiro presidente da Junta Central de Higiene Pública, criada pelo decreto n. 598, de 14 de setembro de 1850, com o objetivo de conservar a salubridade nas cidades, fiscalizar o exercício das artes de curar e inspecionar a saúde pública (funcionava como um órgão consultor do Governo Imperial em matéria de política de saúde pública), e exerceu a presidência até o ano de 1864. Sua atuação foi destacada pelo combate à epidemia de cólera-morbus e pelo controle do surto de febre amarela endêmica em várias regiões do Brasil. Paula Cândido procurava elevar e moralizar o exercício da farmácia no Brasil e prestigiava a Sociedade Farmacêutica fundada, no país, em março de 1851 e presidida por Ezequiel Corrêa dos Santos. O seu presidente, assim como outros sócios farmacêuticos, como Manoel Francisco Peixoto e os franceses João Maria Soullié e João Francisco Blanc, já vinham atuando na Secção de Farmácia da Academia Imperial de Medicina.

Foi Sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Honorário da Academia de Belas Artes, Membro de l’Académie Diplomatique (Paris), da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e Patrono titular da cadeira 16 da Academia Mineira de Letras.

Faleceu em Paris, no dia 5 de abril de 1864, com 58 anos de idade, sendo sepultado no Cemitério de Montmartre.

O município de Paula Cândido, no estado de Minas Gerais, foi assim denominado em homenagem ao médico sanitarista, em 1953.

José Pereira Rego (Barão do Lavradio)

O Dr. José Pereira Rego nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 24 de agosto de 1816, filho de Manoel José Pereira Rego e Anna Fausta de Almeida Rego. Teve como filho o também médico José Pereira Rego Filho (1845-1929), Membro Titular da Academia Nacional de Medicina.

Formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1838, defendendo a tese de doutoramento “Fenômenos obtidos pelos diversos métodos de exploração do coração, e aplicação dos mesmos fenômenos ao diagnóstico de algumas afecções do mesmo órgão mais frequentes” – que era uma síntese dos mais avançados estudos sobre a semiologia do coração e serviu mais tarde de compêndio de estudo para os alunos de Clínica Médica.

Eleito Membro Titular da Academia Imperial de Medicina, em 1839, com Memória intitulada “Disenterias”, foi empossado em 26 de março de 1840 e eleito Presidente nos períodos de 1855/1857 e 1864/1883. Em 09 de outubro de 1883, foi aclamado Presidente Perpétuo da Academia Imperial de Medicina. Foi também médico honorário da Imperial Câmara e Comendador das Ordens de Nosso Senhor Jesus Cristo e Imperial da Rosa; recebendo o título de Barão do Lavradio em 1874 em função do intenso trabalho que desenvolveu no planejamento e coordenação das medidas sanitárias contra a grave epidemia de febre amarela que ocorreu no Rio de Janeiro.

Foi o primeiro cirurgião a indicar a ergotina e o centeio espigado no tratamento das hemorragias uterinas puerperais. Na área da saúde pública, foi membro da Junta Central de Higiene Pública e prestou atendimento às vítimas da primeira eclosão da cólera-morbo que ocorreu no Rio de Janeiro, em 1855. Em razão do falecimento de Francisco de Paula Cândido, então Presidente da Junta, foi nomeado Presidente efetivo e a chefiou de 1864 a 1881. A segunda eclosão da enfermidade aconteceu em 1867 e Pereira Rego relatou, detalhadamente, a incidência e a difusão da cólera-morbo e da febre amarela; nesses relatórios, propôs ao Governo Imperial a reorganização dos serviços sanitários terrestre e marítimo, e a adoção de medidas para melhoria das condições sanitárias da cidade. Passou a acumular este cargo com o de Inspetor de Saúde do Porto do Rio de Janeiro (1865) e o de Inspetor Geral do Instituto Vacínico (1873).

Desentendendo-se com o Imperador Pedro II, demitiu-se dos três cargos públicos em 1881. Passou, então, a dedicar-se à Pediatria, exercendo suas atividades no Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro; aí escreveu um “Formulário de Moléstias de Crianças”.

Foi vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro de 1865 a 1868.

Recebeu do Rei de Portugal, em 1870, o título de Comendador da Real Ordem Militar Portuguesa da Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Foi agraciado, também, com os títulos de Comendador das Ordens de Nosso Senhor Jesus Cristo, Imperial da Rosa e da Ordem de Francisco José da Áustria.

Médico Honorário da Imperial Câmara, recebeu o título de Barão do Lavradio no ano de 1874, em função do intenso trabalho que desenvolveu no planejamento e coordenação das medidas sanitárias contra a grave epidemia de febre amarela que ocorreu no Rio de Janeiro. Em 1877, a Princesa Isabel elevou esse título à honra de grandeza.

O Dr. José Pereira Rego foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Membro do Conselho Fiscal do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura e da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, Sócio Benemérito e Consultor da Sociedade Amante da Instrução, presidindo-a por seis anos, e um dos Sócios Fundadores do Instituto Homeopático do Brasil. Foi, ainda, Membro Correspondente da Real Academia Médica de Ciências de Lisboa, da Société Française de Hygiène e da Reale Accademia di Medicina di Torino.

Em sua carreira, o Dr. José Pereira Rego publicou muitos trabalhos sendo, a maioria, nos Anais da Academia Imperial de Medicina, hoje Anais da Academia Nacional de Medicina. Pereira Rego foi o precursor dos sanitaristas brasileiros.

Faleceu de caquexia secundária (“úlcera do esôfago”), na sua cidade natal, no dia 22 de novembro de 1892.

Manoel Feliciano Pereira de Carvalho

O Dr. Manoel Feliciano Pereira de Carvalho nasceu no dia 8 de junho de 1806, na cidade do Rio de Janeiro. Era filho do Major de Ordenanças José Pereira de Carvalho e de Thereza Nepomuceno de Carvalho.

Formado pela Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro, o Dr. Manoel Feliciano Pereira de Carvalho recebeu a “Carta de Cirurgião Formado” em 26 de abril de 1828. Foi médico e primeiro cirurgião do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Escolhido Médico do Paço Imperial, recebeu o Oficialato da Rosa, a respectiva comenda, a grande dignitária da mesma Ordem, o Hábito de Cristo, o Oficialato do Cruzeiro e o título de Conselheiro “por seu merecimento e letras”.

Eleito Membro Titular da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, com apresentação da Memória “Aneurismas do coração”, sendo empossado no dia 7 de agosto de 1830. O Dr. Feliciano Pereira foi Presidente da Academia Imperial de Medicina de 1859 a 1861. 

Foi professor do renomado médico espírita Dr. Bezerra de Menezes, o “Médico dos Pobres”, e o levou para integrar o quadro de médicos-operadores do Exército Brasileiro, com honras militares, no posto de Cirurgião-Tenente.

Foi, também, Professor de Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Coronel Cirurgião-Mor e Chefe do Corpo de Saúde do Exército. Em atenção aos serviços militares que prestou à Pátria, foi agraciado com a nomeação de Cavalheiro da Ordem de São Bento de Aviz e recebeu a graduação de Brigadeiro pelos bons serviços prestados na guerra contra o Paraguai.

o Dr. Manoel Feliciano Pereira de Carvalho é, também, o Patrono da cadeira 37 da Academia Brasileira de Medicina Militar.

Ele faleceu na sua cidade natal, no dia 11 de novembro de 1867, aos 61 anos de idade, quando era Brigadeiro Professor e Chefe do Corpo de Saúde do Exército.

Antonio Felix Martins (Barão de São Felix)

O Dr. Antonio Felix Martins nasceu no dia 20 de novembro de 1812 em Inhaúma, Rio de Janeiro, filho do Cirurgião-Mor José Antonio Martins e de Rita Angélica de Jesus.

Diplomou-se médico e doutor pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1833, onde foi Professor de Patologia Geral. Além disso, o Dr. Felix Martins foi médico efetivo da Imperial Câmara, Membro da Comissão Central de Saúde Pública, Inspetor do Hospital Marítimo de Santa Isabel de Jurujuba e Presidente da Junta Central de Higiene Pública. Foi também provedor da Inspeção de Saúde do Porto, nomeado pelo decreto nº 268 de 29/01/1843 – neste cargo teve atuação decisiva nas epidemias de cholera morbus e febre amarela que assolaram o Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX.

Eleito Membro Titular da Academia Imperial de Medicina, o Dr. Felix Martins foi empossado no dia 15 de outubro de 1835. Foi eleito seu Presidente no dia 18 de maio de 1861, permanecendo nesta posição até 1864. No ano de 1866 passou a pertencer à classe dos Membros Titulares Honorários.

O Dr. Felix Martins também recebeu da Sociedade de Medicina de Liège o título de sócio correspondente, em atenção aos serviços prestados à Ciência. Foi nomeado Conselheiro Imperial por decreto de 11 de dezembro de 1875 e recebeu o título de Barão de São Felix, por carta-mercê, em 11 de dezembro de 1875, sendo também condecorado Comendador da Imperial Ordem da Rosa e Cavaleiro da Imperial Ordem de Cristo.

Na política, foi Vereador, em 1844, Suplente, de 1847 a 1848, e Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, de 1851 a 1852.

Acometido de uma infecção palustre perniciosa (malária), o Dr. Felix Martins faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 18 de fevereiro de 1892, aos 79 anos de idade.

Em homenagem ao Doutor Antonio Felix Martins, Barão de São Felix, a Rua Princesa dos Cajueiros, onde residiu, no centro da cidade do Rio de Janeiro, passou a ser chamada Rua Barão de São Felix (decreto n. 1165, de 31 de outubro de 1917).

Agostinho José de Souza Lima

Nasceu em 11 de março de 1842, em Cuiabá, estado do Mato Grosso, filho do coronel Severo José de Souza Lima e de Nympha Symphronia de Araujo Lima.

Doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1864, defendendo a tese intitulada “Qual a natureza e o tratamento das urinas vulgarmente chamadas leitosas ou quilúria?”.

Foi Professor Catedrático de Medicina Legal e Toxicologia na mesma faculdade, entre 1877 e 1912 e, de 1902 a 1916, Professor de Medicina Pública na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro.

Médico da Escola de Tiro do Realengo, e depois nomeado Tenente Cirurgião do 7º Batalhão da Guarda Nacional, exerceu a função de Cirurgião-Mor da Polícia. Em 1877, em conjunto com seu assistente, Borges da Costa, foi nomeado consultor da polícia e, em 1879, foi autorizado a ministrar um curso prático de Tanatologia Forense no necrotério oficial, estudando a morte e seus problemas médico-legais. A partir de 1891, a disciplina de Medicina Legal passou a configurar como obrigatória nos cursos de Direito do país. Souza Lima foi proclamado “Primaz da Medicina Legal no Brasil” por organizar sob orientação científica a medicina forense em nossa Pátria.

Eleito Membro Titular da Academia Imperial de Medicina, hoje Academia Nacional de Medicina, apresentando Memória intitulada: “Da cremação dos cadáveres”, foi empossado em 15 de setembro de 1879, e por proposta de vários Acadêmicos foi transferido para a Classe dos Membros Honorários, em abril de 1909. Souza Lima foi Presidente da Academia Imperial de Medicina no período de 1883 a 1889 e da Academia Nacional de Medicina em 1896/97 e de 1900 a 1901. Em sessão de 3 de outubro de 1963, foi escolhido Patrono da Cadeira 3.

Diretor de Higiene e da Assistência Pública Municipal, em 1894, enriqueceu a literatura médica nacional com trabalhos de grande merecimento, salientando-se, dentre eles, o “Tratado de Psicologia”, o “Manual de Química Legal” e a obra clássica, de incontestável valor: “Tratado de Medicina Legal”, reproduzida em diversas edições. Foi Presidente de honra da Sociedade Eugênica que se organizou em São Paulo, em 1916.

A Rua Souza Lima, criada pela lei n. 7, de 26 de maio de 1902, situada no bairro de Copacabana – Rio de Janeiro, é uma homenagem ao dr. Agostinho José de Souza Lima.

Faleceu na cidade de Petrópolis, em 28 de dezembro de 1921.

José Cardoso de Moura Brasil

O Dr. José Cardoso de Moura Brasil nasceu em Vila Iracema, no Estado do Ceará, no dia 10 de fevereiro de 1849, filho do Tenente Coronel José Cardoso Brasil e de Tereza de Moura Brasil.

Formado pela Faculdade de Medicina da Bahia, o Dr. José Cardoso de Moura Brasil colou grau como Doutor em novembro de 1872, defendendo a tese “Tratamento Cirúrgico da Catarata”.

Em 1873, partiu para a Europa e lá permaneceu por cerca de três anos. Durante este período, passou dois anos em Paris nas Clínicas dos eminentes oculistas De Wecker, Galezovski e Meyer, tendo sido indicado pelo Professor De Wecker como seu Chefe de Clínica, cargo que exerceu durante mais de um ano. E também frequentou as Clínicas de Londres e Viena a cargo de famosos oftalmologistas, como Bowman, Crickett, Arlt, Jaeger, Fuchs e outros.

O Dr. José Cardoso de Moura Brasil regressou ao Brasil em 1876 e exerceu durante mais de 50 anos a Clínica Oftalmológica na cidade do Rio de Janeiro, atendendo milhares de pacientes e publicando trabalhos expressivos, não só sobre assuntos de sua especialidade, como também outros relativos a problemas agrícolas e sociais.

Médico oftalmologista, químico, farmacêutico e pesquisador, foi o criador do centenário colírio que leva seu nome, e que continua a ser produzido por um grande laboratório.

Eleito Membro Titular da Academia Imperial de Medicina, apresentando memória sob o título “Tratamento da Conjuntivite granulosa aguda pelo Abrus Precatorius”, foi empossado no dia 7 de novembro de 1882  e a presidiu pela última vez com este nome, em 1889; foi o primeiro a presidi-la com o atual nome Academia Nacional de Medicina, até 1891. Em 1918, passou para a Classe de Membros Titulares Honorários. Em sessão de 3 de outubro de 1963, foi escolhido Patrono da Cadeira 66; sua dedicação à instituição ficou eternizada na forma de busto em bronze.

O Dr. Moura Brasil publicou interessantes trabalhos, não só sobre assuntos de sua especialidade, como também outros relativos a problemas agrícolas e sociais. Ocupou importantes cargos de governo na área da agricultura e no Ministério do Interior, Higiene e Saúde.Foi Presidente do Liceu de Artes e Ofícios, da Sociedade Nacional de Agricultura e do Centro da Lavoura do Café do Brasil. Foi, também, um dos fundadores da Clínica de Olhos da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, além de seu Diretor durante 43 anos, reeleito sucessivamente.

Agraciado com os títulos de Comendador da Ordem de Cristo e da Ordem Portuguesa de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, recusou o de Barão, que lhe foi oferecido pelo Conselheiro João Alfredo.

O Dicionário Biobibliográfico Cearense, do Barão de Studart, o denomina “Príncipe da cirurgia oculista no País”. O salão nobre da Câmara Municipal de Fortaleza, ostenta seu retrato como cearense benemérito. No centenário de seu nascimento, foi inaugurado um busto em sua homenagem pelo “Centro Médico Cearense”, em Fortaleza, no largo do Passeio Público. É Patrono da Cadeira 18 da Academia Cearense de Letras e da 34 da Academia Cearense de Ciências.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 31 de dezembro de 1928. Seus descendentes, formadores de verdadeira dinastia, continuam sua obra.

Vicente Cândido Figueira de Saboia (Visc. de Saboia)

O Dr. Vicente Cândido Figueira de Saboia nasceu na cidade de Sobral, no Ceará, no dia 13 de abril 1835. Foi filho do Tenente Coronel José Baltasar Aughery de Saboia e de Joaquina Figueira de Mello Saboia. Casou-se no dia 6 de janeiro de 1861, no Rio de Janeiro, com Luísa Marcondes Jobim, natural do Rio Grande do Sul, filha do senador José Martins da Cruz Jobim (um dos fundadores da atual ANM) e de Maria Amália Marcondes. O casal teve cinco filhos. 

Graduou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1858, apresentando a tese de doutoramento “Estreitamento da uretra no homem”.

Inscreveu-se na Academia Imperial de Medicina em 1863, apresentando memória intitulada “Ensaio sobre o tratamento da blenorragia” e foi empossado no dia 14 de agosto de 1863, atuando como Presidente da Academia Nacional de Medicina entre 1891 e 1892. Em outubro de 1908, pela comemoração do centenário de fundação do ensino médico no país, a Academia mandou cunhar medalhas comemorativas, de ouro, prata e bronze, com a efígie do cirurgião. É o Patrono da Cadeira 63.

Incumbido pelo governo de preparar um plano completo de reforma do Ensino Superior, Sr. Visconde de Saboia apresentou um projeto, amplamente desenvolvido, que serviu de base para o Decreto de 19 de abril de 1879, estabelecendo o ensino livre.

Foi Professor Catedrático de Clínica Cirúrgica na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (atual UFRJ), assumiu a Diretoria da mesma instituição de 1881 a 1889 e, no ano seguinte, tornou-se médico efetivo da Imperial Câmara e Comendador da Imperial Ordem de Cristo.

Em 1881, já nomeado médico da Casa Imperial e Cirurgião da Corte, foi designado Diretor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Exerceu este cargo durante oito anos, afastando-se do mesmo com a Proclamação da República, em solidariedade ao Imperador, de quem era amigo e médico particular.

Foi Chefe da 18ª Enfermaria do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, chefiada depois (como 15ª Enfermaria) pelos Acadêmicos Augusto Brant Paes Leme, Augusto Paulino Soares de Souza e Augusto Paulino Soares de Souza Filho.

Foi membro de diversas instituições cientificas nacionais e internacionais: Sociedade de Obstetrícia de Londres, Academia de Ciências de Lisboa, Academia de Medicina de Paris, Academia de Medicina de Roma e Sociedade de Cirurgia de Paris.

Em suas sucessivas viagens, estabeleceu contato com expoentes da Medicina no continente europeu, como o Lorde Joseph Lister, de Glasgow (Escócia), com quem aprendeu e trouxe para o Brasil o método da antissepsia, que lhe permitiu praticar como rotina a cirurgia abdominal. Foi o primeiro a utilizar a atadura gessada no Brasil.

Em sua atividade literária, o Dr. Vicente Cândido Figueira de Saboia escreveu cerca de 35 trabalhos científicos, dentre os quais destaca-se o “Tratado de Obstetrícia”, usado como livro texto nas Faculdades de Medicina de Montpellier e Louvain, em francês. Sua obra de maior repercussão foi a “Reforma do Ensino Médico no Brasil”. Nos últimos anos de sua vida dedicou-se a uma reflexão mais filosófica, com a obra “Vida psíquica do homem”, na qual tratava do materialismo e espiritualismo.

Ele foi também Conselheiro do Imperador, Médico da Imperial Câmara, Barão e depois Visconde de Saboia.

Faleceu no dia 18 de março de 1909, em Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro.

Em 1912, foi instituído, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, o Prêmio Visconde de Saboia, conferido anualmente ao autor da melhor tese de doutorado sobre obstetrícia. No prédio do Curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará, campus de Sobral, foi erguida, em 2007, uma estátua de Saboya e, no ano de 2008, o colegiado instituiu a Medalha Visconde de Saboia para homenagear aqueles que prestaram importantes serviços à medicina e à educação médica.

Foi homenageado, também, com nome de rua: Rua Visconde de Saboia, no bairro Cavalcanti, na cidade do Rio de Janeiro.

João Baptista de Lacerda

O Dr. João Baptista de Lacerda, que, por vezes também assinava Dr. Lacerda Filho, nasceu em Campos dos Goytacazes, no dia 12 de julho de 1846, filho do médico Dr. João Baptista de Lacerda e de Maria d’Assumpção Coni de Lacerda.

Doutorou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1870, apresentando a tese “Das indicações e contraindicações da digitalis no tratamento das moléstias dos aparelhos circulatório e respiratório”.

Foi empossado como Membro Titular da Academia Imperial de Medicina no dia 21 de abril de 1885, ocupou vários cargos na Diretoria da ANM, vindo a ser seu Presidente de 1893 a 1895. Em sessão de 3 de outubro de 1963, foi escolhido Patrono da Cadeira 87.

No Rio de Janeiro, o Dr. Baptista de Lacerda desempenhava suas funções tanto na Secção de Antropologia, Zoologia e Paleontologia do Museu Nacional, quanto em uma enfermaria do Hospital da Misericórdia. Nomeado Subdiretor da Secção em que trabalhava pelo Ministro da Agricultura, ele não conseguiu abrir mão da paixão crescente por seus estudos e pesquisas experimentais, e abandonou a Clínica.

Foi eleito subdiretor do Laboratório de Fisiologia Experimental, (único no Brasil durante muitos anos) e tornou-se, posteriormente, Diretor do Museu Nacional por vários anos.

Ao mesmo tempo em que ocupava estes cargos, foi Redator do Jornal do Commercio, Diretor da Revista Lux, tendo ainda outros títulos como: Professor Honorário da Universidade de Santiago do Chile; Membro Correspondente da Sociedade de Antropologia de Berlim, Paris e Florença, da Sociedade de Geografia de Lisboa e da Sociedade Médica Argentina.

Foi Vice-Presidente do Congresso Médico Pan-americano de Washington em 1893 e Presidente da Secção de Fisiologia do mesmo Congresso; Presidente Honorário do Congresso Médico Latino-Americano de Buenos Aires; e Membro da Comissão nomeada por esse Congresso para formular as bases de um Código Médico Internacional. 

O Dr. Baptista de Lacerda tinha Pasteur como modelo e era seguidor do método experimental e se tornou um dos primeiros bio-antropologistas brasileiros, sendo premiado, em 1878, com a medalha de bronze na exposição antropológica de Trocadero, em Paris, e na Exposição de Chicago, em virtude de seus trabalhos e estudos científicos acatados e respeitados nos centros mais cultos da Europa e da América

O Dr. Lacerda foi um dos primeiros ofiólogos brasileiros e fez pesquisas sobre venenos de anfíbios e batráquios próprios do Brasil, bem como sobre o curare, uma substância tóxica preparada e utilizada por nossos índios.

Ele descobriu a ação do permanganato de potássio como antídoto de venenos de ofídios demonstrando-a diante do Imperador D Pedro II, do Ministro da Agricultura e de vários cientistas e professores. Tal descoberta salvou a vida de milhares de pessoas antes da descoberta dos soros antiofídicos.

O Instituto Oswaldo Cruz tem muito orgulho da vacina preparada contra o carbúnculo sintomático (a manqueira) de Alcides Godoy, mas vale ressaltar que esta apenas sucedeu e substituiu a apresentada por Dr. Lacerda, que foi crucial para a observação de uma redução na mortalidade de gado em determinado local analisado, de 35% para 1% em um período de dois meses.

João Baptista de Lacerda, um dos principais expoentes da “tese do embranquecimento”, foi o cientista eleito para representar o Brasil no Congresso Universal das Raças (Londres, 1911). Esse congresso reuniu intelectuais do mundo todo para debater o tema do racialismo e da relação das raças com o progresso das civilizações. O Brasil, única nação latino-americana convidada, seria visto como exemplo de mistura de raças, e Baptista de Lacerda defenderia que políticas de imigração fariam com que mestiços embranquecessem e descendentes de negros passariam a ficar progressivamente mais brancos a cada nova prole gerada. Lacerda levou ao evento o artigo “Sur les métis au Brésil” (Sobre os mestiços do Brasil), em que defendia o fator da miscigenação como algo positivo, no caso brasileiro, por conta da sobreposição dos traços da raça branca sobre as outras, a negra e a indígena. Fato curioso na apresentação foi a exibição de uma cópia do quadro “A Redenção de Cam”, do pintor espanhol Modesto Brocos; nele, o autor interpreta à revelia o simbolismo bíblico propondo a diluição da cor negra na sucessão de descendentes e insere nessa sucessão a “redenção”, a “absolvição” de uma “raça amaldiçoada”. O “escurecimento” dos descendentes de Cam teria desembocado na raça negra africana, que poderia ser redimida por meio da mistura com a raça branca europeia.

Era irmão do Acadêmico Álvaro de Lacerda.

Ele faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 6 de agosto de 1915, quinze dias após ter lido em Sessão desta Casa um trabalho sobre a Etiologia do Beribéri, o último que escreveria.

Antônio Augusto de Azevedo Sodré

Nasceu na Fazenda Caboclo, em Maricá, Estado do Rio de Janeiro, no dia 13 de dezembro de 1864, descendente das mais tradicionais famílias do Rio de Janeiro, como eram as de Álvares de Azevedo e Ribeiro de Almeida. O Doutor Azevedo Sodré era filho de José Paulo de Azevedo Sodré, fazendeiro coronel, e de Cândida Ribeiro de Almeida Sodré; sobrinho do ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal, Antonio Augusto Ribeiro de Almeida (avô materno do arquiteto Oscar Niemeyer), que foi homenageado com a denominação de seu nome à rua onde morava, no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Formou-se em Medicina pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil – hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1885, aos 21 anos de idade, defendendo tese de doutorado sobre “Estudos comparativos dos diferentes métodos de tratamento da sífilis”. Embora recém-formado, não hesitou em se inscrever para ser Professor da faculdade e, mesmo classificado em 1º lugar, não foi nomeado pelo Imperador devido a sua pouca idade. Um ano depois, aos 22 anos, prestou novo concurso obtendo mais uma vez o 1º lugar, sendo nomeado Professor para a Cadeira de Clínica Médica que regeu por 39 anos.

Em 1886, passou a trabalhar no Hospital da Beneficência Portuguesa. Em 1887, dois anos após a formatura, tornou-se Médico-adjunto do Hospital da Misericórdia e fundou a revista “Brasil Médico”, Revista Semanal de Medicina e Cirurgia, que durante muitos anos foi o principal periódico médico do país, e que Azevedo Sodré dirigiu e orientou até a morte, durante quarenta e dois anos.

Atuou como preparador interino de matéria Médico-Terapêutica, interno de Clínica de Doenças Cutâneas e Sifilíticas e preparador de Terapêutica Experimental. Imaginou e promoveu a criação da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, chamando para seu Presidente o Professor Hilário Soares de Gouvêa e ocupando a Vice-Presidência da Instituição. Em 1894 conquistou a Cátedra de Patologia Interna e depois de Clínica Médica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, da qual foi diretor em 1911-1912.  Assumiu a chefia da Comissão Sanitária Federal, incumbido de combater a epidemia de cólera, que conseguiu impedir que ultrapassasse o Vale do Paraíba fluminense e, depois, a extinguiu totalmente. Foi Delegado do governo brasileiro, juntamente com o médico sanitarista Oswaldo Gonçalves Cruz, com a missão de negociar a Convenção Sanitária com os governos da Argentina, Paraguai e Uruguai.

Tornou-se, ainda, Professor de Medicina Pública da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro e fundou a Companhia de Seguros de Vida Equitativa dos Estados Unidos do Brasil, a maior empresa no gênero de seu tempo em todo o território nacional.

Eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, apresentando a memória: “Beriberi”, foi empossado em 21 de julho de 1898 e a presidiu de 1905 a 1907. É o Patrono da Cadeira 31.

Azevedo Sodré, em 1915, tornou-se Diretor da Instrução Pública, no Distrito Federal, e fundou duas escolas, criou o Serviço Médico Escolar, a merenda nas escolas, as Associações de Pais e Professores e reformulou o currículo da Escola Normal, empreendendo uma modificação nas normas internas, possibilitando às futuras docentes um contato maior com a prática em sala de aula. Durante a presidência de Wenceslau Braz, foi indicado Prefeito do Rio de Janeiro (6 de maio de 1916 a 15 de janeiro de 1917) e, neste cargo, resolveu o problema da comercialização da carne, instituiu as feiras livres, projetou a criação de um imposto único territorial e inaugurou a avenida Niemeyer, ligando o bairro do Leblon ao de São Conrado. Eleito Deputado Federal, pelo Estado do Rio de Janeiro, foi vulto eminente do partido chefiado pelo estadista Nilo Peçanha e destacou-se na Câmara em duas legislaturas como membro das comissões de instrução e de higiene públicas.

Entre as numerosas obras científicas, destacam-se “Lições de Patologia Intertropical”, “Saneamento no Brasil” e suas contribuições sobre beribéri e difteria, para a “Grande Enciclopédia Médica Norte-Americana” e sobre febre amarela – com a colaboração de Miguel de Oliveira Couto – para a “Enciclopédia Nothnagel” de Berlim, e para o “Tratado de Medicina de Roger Vidal e Teissier” de Paris.

No ano de 1925, doou um imóvel de sua propriedade ao Distrito Federal para que nele se instalasse uma escola que deveria ser batizada com o seu nome. Assim, o Doutor Antônio Augusto de Azevedo Sodré tornou-se Patrono da Escola Municipal Azevedo Sodré, localizada no bairro da Praça da Bandeira, na cidade do Rio de Janeiro.

Faleceu em sua Fazenda da Quitandinha, na cidade de Petrópolis, Rio de Janeiro, no dia 1º de fevereiro de 1929.

Joaquim Pinto Portella

O Dr. Joaquim Pinto Portella nasceu em Pernambuco, no dia 23 de novembro de 1860, filho do Conselheiro Dr. Manoel do Nascimento Machado Portella e de Joana Francelina Pinto Portella.

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1882, apresentou tese de doutoramento “O tratamento cirúrgico dos fibromas uterinos: aborto simulado; estudo comparativo da talha e de litotrícia nos cálculos vesicais; febres perniciosas”.

Foi eleito Membro Titular da Academia Imperial de Medicina, no dia 14 de novembro de 1889, apresentando a monografia “A coxalgia nas crianças”. Com notável monografia intitulada “Da dispepsia nas crianças, estudo clínico” obteve, em 1899, o primeiro Prêmio Alvarenga, concedido pela Academia Nacional de Medicina, sendo sua memória laureada. O Dr. Joaquim Pinto Portela presidiu a Academia Nacional de Medicina no biênio 1903/05 e, em 16 de julho de 1925, passou a pertencer à Classe dos Membros Eméritos.

O Dr. Pinto Portella foi Cirurgião Adjunto do Hospital de Beneficência Portuguesa e, em 1890, foi nomeado Cirurgião do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.

Foi, ainda, nomeado Cirurgião da enfermaria de crianças do Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, e posteriormente, em 1914, Chefe do Serviço Cirúrgico dos meninos e meninas do Hospital São Zacharias.

Teve inúmeros trabalhos publicados nos Anais e nos Boletins da ANM, além de publicações nas Revistas Médicas do Rio de Janeiro. Dentre seus trabalhos, destacam-se: “Sobre o tratamento do noma nas crianças, pelo cloreto de zinco”, “Ortopedia na Itália e na França, sob o ponto de vista da moderna ortopedia”, “A patogenia e tratamento das luxações congênitas no quadril”, “Dos lábios leporinos complicados (goela de lobo) e seus resultados ortopédicos”, “Da operação de Kirmisson nos pés tortos” e “Necessidade da fundação de institutos ortopédicos e hospitais marítimos para crianças raquíticas no Rio de Janeiro”,

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 22 de junho de 1934.

Antônio Fernandes Figueira

O Dr. Antônio Fernandes Figueira nasceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 13 de junho de 1863, filho de Manoel Fernandes Figueira e D. Genuína da Rocha Figueira. Filho de pais pobres, sua mãe faleceu em seu nascimento.

Estudou no Colégio Pedro II e formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1886, apresentando tese de doutoramento “Condições patogênicas e modalidades clínicas da histeria”. Ainda estudante, frequentou os cursos livres de Pediatria ministrados por Carlos Arthur Moncorvo de Figueiredo, na Policlínica Geral do Rio de Janeiro, e foi assistente de Cândido Barata Ribeiro, Professor Titular da Clínica de Pediatria da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

O Dr. Fernandes Figueira iniciou suas atividades clinicando em Juiz de Fora, Minas Gerais, e depois retornou à sua cidade natal, dedicando-se à saúde infantil, com ênfase no aleitamento materno, e seu público-alvo eram, primordialmente, as operárias e as crianças de até um ano de idade.

Em 1895, conquistou o prêmio Visconde de Alvarenga da Academia Nacional de Medicina, apresentando a monografia: “Diagnóstico das cardiopatias infantis”. Na Academia, foi eleito Membro Titular, em 23 de julho de 1903, e foi seu Presidente entre 1907 e 1908. É o Patrono da Cadeira 50.

Difundiu seu nome, mundialmente, com a obra “Elementos de Semiologia Infantil”, publicado em 1903, logo adotado no ensino médico brasileiro e considerada por pediatras europeus a melhor no gênero.

O Dr. Fernandes Figueira dirigiu a enfermaria de doenças infecciosas de crianças no Hospital São Sebastião do Rio de Janeiro e a Policlínica das Crianças na Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Em 1905, dirigiu a Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras da Assistência a Alienados, hoje denominada Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da Universidade do Rio de Janeiro (UNI-RIO). Foi nomeado Membro Consultivo junto à Liga das Nações, nas questões referentes ao problema da proteção e assistência à infância.

Foi Chefe do Serviço de Pediatria da Santa Casa da Misericórdia e fundador do primeiro hospital de Pediatria da cidade do Rio de Janeiro, a Policlínica das Crianças. Foi, também, fundador da Sociedade Brasileira de Pediatria, da qual foi Presidente, de 1910 a 1927, e Presidente Perpétuo. Foi o verdadeiro iniciador da Pediatria brasileira e o primeiro médico do Brasil a deixar a presença das mães ao lado das crianças nas enfermarias, como forma de auxílio no tratamento.

A convite de Carlos Chagas aceitou a chefia da Inspetoria de Higiene Infantil, do Departamento Nacional de Saúde, realizando notável trabalho sobre os planos de assistência à infância, a fim de diminuir o acentuado índice de mortalidade infantil na cidade. Fundou Postos de Higiene Infantil, creches distritais e conseguiu dos industriais a fundação de creches nas fábricas.

Foi o responsável pela instalação do Abrigo-Hospital Arthur Bernardes, hoje Instituto Fernandes Figueira, e também responsável pela Seção de Pediatria (Pavilhão Bourneville) do Hospital Nacional de Alienados, contratado pelo médico Juliano Moreira, cuidando da educação médico-patológica dos menores retardados, a primeira organização deste gênero na América do Sul.

Fez parte de diversas associações médicas e pediátricas no Brasil e no exterior: Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, das Sociedades de Pediatria do Uruguai, Argentina e Paris e da Sociedade de Psiquiatria e Neurologia e da Liga de Higiene Mental. É o Patrono da Cadeira 3 da Academia Brasileira de Pediatria.

Sua vasta produção é composta, primordialmente, de trabalhos técnico-científico, onde destacam-se: o folheto “Bases científicas da alimentação da criança: suas consequências sociais”, publicado em 1905; o “Livro das mães”, com a primeira edição em 1910; e “Elementos de patologia infantil”, publicado em 1929, após a sua morte. Foi colaborador do periódico “Brasil Médico.

Era, também, poeta e romancista. Aos 17 anos publicou uma série de poemas intitulados “Adejos”. Escreveu, ainda, uma biografia de Torres Homem e um livro sobre o Padre Antônio Vieira. Foi Orador do Instituto dos Bacharéis em Letras e Membro da Sociedade de Ensaios Literários e do Grêmio Castro Alves.

Faleceu na sua cidade natal, em 11 de março de 1928, vítima de um edema pulmonar.

Em sua homenagem, foram batizados com seu nome o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), reconhecidamente um centro nacional de referência pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério da Educação, no bairro do Flamengo, e o Espaço de Desenvolvimento Infantil Doutor Antonio Fernandes Figueira, no bairro de Bonsucesso, ambos na cidade do Rio de Janeiro.

Marcos Bezerra Cavalcanti

O Dr. Marcos Bezerra Cavalcanti nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, no dia 22 de outubro de 1854. Foi filho de Manuel Bezerra Cavalcanti e Josefa Lourenço Cavalcanti.

Transferiu-se para o Rio de Janeiro aos 16 anos de idade, estudou no Mosteiro de São Bento e, depois, matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde formou-se em Medicina, em 1878, defendendo tese sob o título “Do Hematocele”. Ainda estudante, recebeu a primeira condecoração: Cavaleiro da Ordem da Rosa, por serviços durante a grande epidemia de febre amarela ocorrida em 1876.

Depois de formado, clinicou durante dois anos na cidade de Jundiaí, em São Paulo.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, sendo empossado no dia 27 de agosto de 1903. Tornou-se Emérito em 1928 e Presidente em 1909. É o Patrono da Cadeira 34.

O Dr. Bezerra Cavalcanti foi Lente e Catedrático de Operações e depois de Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (atual UFRJ) e Cirurgião e Chefe de Serviço do Hospital da Santa Casa da Misericórdia e da Beneficência Portuguesa.

Foi, também, um dos fundadores da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, juntamente com os médicos Lucas Antônio de Oliveira Catta Preta, Hilário Soares de Gouvêa e Henrique Alexandre Monat, tendo sido seu Presidente em 1894, além de Membro do Conselho Superior de Ensino e representante do Brasil no Congresso Internacional de Medicina de Lisboa e de Londres e no Congresso do Câncer em Paris.

Dentre suas obras destacam-se “Colotomia lombar e colotomia ilíaca”, “Osteossarcoma no maxilar superior”, “Cura Radical da hérnia”, “Ferida acidental do cotovelo” e “Da frequência do cancro no Brasil”.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 16 de outubro de 1932.

Miguel da Silva Pereira

O Dr. Miguel da Silva Pereira nasceu em São José do Barreiro, no Estado de São Paulo, no dia 2 de julho de 1871, filho de Virgílio Pereira e de Porcina Magalhães Pereira.

Filho e neto de lavradores, foi criado na fazenda do Campinho, lugar de São José do Barreiro. Aprendeu a ler em casa e, aos 12 anos, entrou no Colégio Pedro Segundo, no Rio de Janeiro, como interno. Ali redigia um jornal de estudante, A Refrega, e fazia propaganda republicana dentro do colégio. Aos 19 anos entrou para a Faculdade de Medicina, na Rua Santa Luzia. Abandonou as aulas em 1893, na revolta de Floriano Peixoto, quando foi lutar em Niterói, e depois quando uma epidemia de cólera aconteceu no Vale do Paraíba.

Doutorou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (atual UFRJ), em 1896, defendendo tese de doutoramento intitulada “Hematologia Tropical”, considerada obra notável.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina no dia 30 de dezembro 1897, apresentando Memória para admissão intitulada “Anemia Tropical”. Foi Presidente da Academia entre 1910 e 1911. É o Patrono da Cadeira No. 02.

O Dr. Miguel da Silva Pereira começou a vida profissional como médico visitador da Associação do Empregados do Comércio. Foi Professor Catedrático de Patologia Médica e depois de Clínica Medica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e Chefe de Serviço da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.

Deu início, anos depois, à maior campanha de saneamento do Brasil, dois anos de luta até que, em 1918, no governo de Venceslau Brás, tenha início o saneamento do país.

Foi grande propagador das qualidades do clima das atuais cidades de Miguel Pereira e Paty do Alferes e da criação nesta região de sanatórios para o tratamento de doentes de tuberculose.

Produziu uma obra capital que lhe absorvera anos de trabalho e observação, o “Tratado de Clínica Médica”. Não chegou a ser impressa, posto que queimou os originais em protesto contra a moléstia não identificada que o abateu em plena maturidade. 

Faleceu muito moço, no dia 23 de dezembro de 1918, com apenas quarenta e sete anos de idade, ficando famoso por sua luta pela higiene no Rio de Janeiro e por sua extensa clínica particular.

O distrito de Estiva, então pertencente ao município de Vassouras, foi rebatizado com seu nome em 1955. Hoje é a cidade de Miguel Pereira.



Carlos Pinto Seidl

O Dr. Carlos Pinto Seidl nasceu no dia 24 de novembro de 1867, em Belém, no Estado do Pará, filho do austríaco, humanista e eminente Professor das Letras Clássicas Carlos Seidl e de D. Raymunda Pinto Seidl. Nos dizeres do Prof. Olympio Oliveira Ribeiro da Fonseca, Carlos Seidl foi um homem privilegiado por nascer em família letrada com amplas tradições de estudos. Era neto materno do Cirurgião-Mor José Antônio Teixeira Pinto.

Fez parte de sua educação no Ginásio Paraense, posteriormente, denominado Colégio Estadual Paes de Carvalho, e seguiu para um seminário na França. Percebendo não ter vocação eclesiástica, retornou ao Brasil e se diplomou em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (atual UFRJ), em 1892, apresentando a tese intitulada “Da etiologia perante o diagnóstico, a terapêutica e a higiene”. Em 1890, ainda estudante, integrou a comissão médica do Rio de Janeiro que assistiu à população de Campinas no surto de febre amarela.

Logo depois de formado, foi nomeado Diretor do Hospital São Sebastião, onde permaneceu durante 37 anos, de 1892 a 1929, transformando-o num centro de pesquisas para o estudo das doenças tropicais e infecciosas.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, no dia 28 de novembro de 1895, apresentando memória intitulada “Do isolamento nosocomial – contribuição para o estudo da profilaxia defensiva no Rio de Janeiro”, e empossado em 5 de dezembro de 1895. Foi Presidente da Academia Nacional de Medicina no período de 1910 a 1913 e tornou-se Membro Emérito em 1927. É o Patrono da Cadeira 17.

Foi do Dr. Carlos Seidl um dos primeiros artigos sobre o uso dos Raios-X na medicina, em 1896.

Considerado um dos mais eminentes sanitaristas brasileiros, ocupou o cargo de Diretor Geral de Saúde Pública, equivalente, hoje, ao de Ministro da Saúde, entre 1912 e 1918, pedindo demissão do cargo por ocasião da gripe espanhola e substituído por Carlos Chagas. No livro “A propósito da pandemia de 1918: fatos e argumentos irrespondíveis”, publicado em 1919, o Dr. Carlos Seidl narra suas experiências pessoais e desventuras ao longo deste evento, expondo opiniões e rebatendo as críticas por sua atuação na Diretoria Geral de Saúde Pública, além de discussões acadêmicas e manifestações de apoio diante dos profundos ataques a sua figura pública.

Em 1915, presidiu a Comissão de Profilaxia da Lepra, que contava com a participação de importantes sociedades médicas, além de médicos e cientistas, com o objetivo de estudar os temas relacionados à transmissão e profilaxia da lepra. Ao final dos estudos e debates, em 1919, a comissão aprovou as conclusões necessárias para servir de base a um projeto de lei de combate à doença.

O Dr. Carlos Seidl também fez parte do Conselho Deliberativo da Liga Brasileira Contra o Analfabetismo, fundada no Rio de Janeiro, em 1915, visando o combate ao analfabetismo em todo o Brasil. As atividades da Liga foram encerradas em 1940, após realizações empreendidas pelo presidente Getúlio Vargas no campo da educação.

Foi Professor Catedrático de Medicina Pública da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em 1916.

Jornalista e publicitário, o Dr. Carlos Seidl deixou extensa bibliografia abordando os mais diversos assuntos na seara médica. Colaborou na imprensa no “O País”, “Jornal do Commercio” e “A Tribuna” e foi diretor da “Revista Médico-Cirúrgica do Brasil” durante anos. Um dos fundadores e o primeiro Presidente do Sindicato Médico Brasileiro em 1927.

Foi um dos fundadores e Presidente da Liga Brasileira Contra a Tuberculose, criada em 1900, e do Sindicato Médico Brasileiro, em 1927; fundou a Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal, em 1907, juntamente com um grupo de 40 médicos, dentre ele Miguel CoutoJuliano MoreiraFernandes Figueira, Carlos Eiras, Afrânio Peixoto e Miguel Pereira; e presidiu a Sociedade de Medicina do Rio de janeiro, em 1912-1913.

Recebeu a Medalha da Coroa da Itália e a Comenda de Oficial da Legião de Honra da França e manteve intercâmbio cultural, social e científico com altas especialidades médicas internacionais. Membro da Sociedade de Higiene de Paris, e um dos mais notáveis higienistas de sua época, foi, também, Membro do Círculo Médico Argentino, da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, da Real Academia Hispano-Americana de Ciências e Artes de Cadiz e da Associação Internacional contra a Tuberculose de Berlim.

É o Patrono da Cadeira 12 da Academia Brasileira de Medicina Militar.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 19 de outubro de 1929.

Em sua homenagem, a Rua Carlos Seidl, no bairro do Caju, na cidade do Rio de Janeiro, foi batizada com seu nome.

Nuno Ferreira de Andrade

O Dr. Nuno Ferreira de Andrade nasceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 27 de julho de 1851. Era filho de Camillo Ferreira de Andrade.

Tornou-se Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1875, defendendo a tese “Do diagnóstico e do tratamento das nevroses viscerais”.

Foi professor de Filosofia, por concurso, aos 17 anos, de Ciências Médicas, em 1877, da Clínica Psiquiátrica, de 1881 a 1883, Lente de Higiene, de 1884 a 1888, e da 1ª Cadeira de Clínica Médica, em 1888, na qual obteve o primeiro lugar no concurso com a tese “Fisiologia dos epitélios”, concorrendo com Júlio Rodrigues de MouraCândido Barata RibeiroJosé Benício de Abreu e João Baptista de Lacerda, expressões da Medicina no Brasil.

Foi eleito Membro Titular da Academia Imperial de Medicina, em 1876, apresentando memória intitulada “Da natureza e do diagnóstico da alienação mental”. Foi Presidente da Academia Nacional de Medicina de 1901 a 1903 e tornou-se Emérito em 1907. É o Patrono da Cadeira 60.

Segundo consta ao final no texto da referida memória, esta fora aprovada somente quanto à veracidade dos fatos, e não quanto às apreciações de seu relator. Nuno Ferreira de Andrade ressaltou, em seu relato, a ineficácia das medidas tomadas pelo Governo Imperial em relação ao ensino médico, após o decreto de 19 de abril de 1879 (Reforma Leôncio de Carvalho), e deste fato provavelmente decorreu a sua não publicação.

Foi autor da Memória Histórica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, de 1879, relatando os principais fatos ocorridos naquele estabelecimento de ensino, o qual permaneceu manuscrito e restrito ao âmbito da Congregação, sem ser divulgado através do Relatório do Ministro do Império, conforme preconizavam os Estatutos de 1854 daquela instituição.

Investido pelo Imperador no Hábito de Cristo e no título de Conselheiro de Sua Majestade, O Dr. Ferreira de Andrade ocupou a direção do serviço sanitário do Hospício de Pedro II, em 1882. Nomeado Inspetor Geral de Saúde dos Portos, ocupou este cargo até 1889. Durante sua atuação na Inspetoria, foi criado, em 1886, o Lazareto da Ilha Grande, instalado na enseada do Abrahão (Ilha Grande – RJ), para executar o regime quarentenário vigente na época, face à epidemia de cólera que grassava em várias cidades da Europa e da Ásia.

Foi o primeiro Diretor Geral da Diretoria Geral de Saúde Pública, estabelecida a partir da fusão das atribuições do Instituto Sanitário Federal e da Inspetoria Geral de Saúde dos Portos, ocupando este cargo de 1897 até 1903.

Após a instauração do governo republicano no Brasil, transferiu-se para a Europa, onde dedicou-se ao estudo da Economia Política, na Sorbonne, na França e, sem se desligar da Medicina, conviveu com Richet, Leroy Beaulieu e Charcot, o reformador da Neurologia. E, a partir de 1905, dedicou-se ao jornalismo, participando da redação de “A Ordem”, “O Paiz”, do “Jornal do Brasil” e do Boletim da Associação Comercial.

O Dr. Ferreira de Andrade faleceu na sua cidade natal, no dia 17 de dezembro de 1922.

Miguel de Oliveira Couto

O Dr. Miguel de Oliveira Couto nasceu no Rio de Janeiro, no dia 1º de maio de 1865, filho de Francisco de Oliveira Couto e de Maria Rosa do Espírito Santo.

Formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1885, defendendo a tese “Da etiologia parasitária em relação às doenças infecciosas”. Durante o curso médico, trabalhou sob a direção do professor José Pereira Rego e foi interno, por concurso, da Clínica Médica do Dr. João Vicente Torres Homem.

Em 1892, convidado por Azevedo Sodré, ingressa no Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e trabalha, também, no Hospital de São Sebastião, onde desenvolveu importantes estudos sobre a febre amarela.

Eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, apresentando memória intitulada “O pneumogástrico na influenza”, foi empossado no dia 1º de abril de 1897. Ocupou vários cargos em diretorias e tornou-se seu Presidente, de 1913 até 1915, porém, foi reeleito seguidamente. Tornou-se Emérito, em 1927, e foi aclamado Presidente Perpétuo, em 11 de julho de 1929. Presidiu a ANM até 1934, quando faleceu. É o Patrono da Cadeira 9.

Foi Professor de Propedêutica, substituindo a Francisco de Castro, e, mais tarde, Catedrático de Clínica Médica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (atual UFRJ) e Chefe da 18ª Enfermaria do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, depois chefiada pelos Acadêmicos Pedro Alves da Costa Couto e José Galvão Alves. Na Santa Casa, estabeleceu memorável serviço donde promanaram inúmeras teses e memórias cobrindo toda a Clínica Médica e onde orientou inúmeros clínicos de escola, além de ter instalado na 7ª Enfermaria, que também chefiou, o primeiro aparelho se Raio X do Brasil. Foi o pioneiro da Medicina de Aviação.

O Dr. Miguel Couto também foi Membro da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro e da Paraíba, Membro e Vice-Presidente da Sociedade Médica dos Hospitais do Rio de Janeiro e Membro do Conselho Técnico-Administrativo da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, do Conselho Superior de Ensino e da Sociedade de Medicina de São Paulo, além de Sócio Benfeitor da Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

Atuou como Membro Correspondente da “Societé de Pathologie Exotique” de Paris, da Academia de Medicina de Havana, da Academia de Medicina da Colômbia, da Sociedade Médico-cirúrgica do Equador, da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, da Sociedade Médica dos Hospitais de Paris, Membro Honorário da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Niterói, da Academia Nacional de Medicina da França, da Academia de Medicina de Buenos Aires, da Academia de Medicina de Berlim, da Real Academia Médica de Roma, da Associação Médica Argentina e do Instituto Brasileiro de Estomatologia. Fundou e integrou a Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal. É o Patrono da Cadeira 6 da Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro e da Cadeira 39 da Academia Brasileira de Medicina Militar.

Além disso, destacou-se como Professor “Honoris Causa” da Universidade de Buenos Aires e da Universidade de Lima (Peru) e recebeu a Medalha da Instrução Pública da Venezuela e da Coroa da Bélgica.

Deixou vasta obra, destacando-se: “Dos espasmos nas afecções dos centros nervosos”, “A gangrena gasosa fulminante”, “Patogenias das icterícias” (com o Dr. Azevedo Sodré), “Diagnóstico Precoce da Febre Amarela pelo Exame Espectroscópico da Urina” e “Lições de Clínica Médica”.

Sua atividade não ficou limitada ao campo da medicina, tendo ocupado posição de relevo nas letras e na política. Era poliglota e profundo conhecedor da língua portuguesa.

Foi Membro da Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro, sendo eleito um Membro Imortal da ABL, em 1916.

Combateu, a imigração japonesa, que considerava poder vir a constituir sério perigo para o Brasil.

Na Associação Brasileira de Educação, a 2 de julho de 1927, proferiu uma conferência em que apresentava um projeto sobre educação, largamente distribuído em todas as escolas normais e institutos profissionais da então Capital Federal. Era sugerida, nesse documento, a criação do Ministério da Educação, com dois departamentos: o do ensino e o da higiene. Em 14 de novembro de 1930, um decreto do Chefe do Governo Provisório da República criava uma Secretaria de Estado, com a denominação de Ministério da Educação e Saúde Pública.

Em 1933, foi eleito Deputado Constituinte pelo Distrito Federal (Rio de Janeiro).

Um de seus filhos foi o Acadêmico Miguel Couto Filho, médico ilustre, Ministro da Saúde (1953-1954), Governador do Estado do Rio de Janeiro (1955-1958) e Senador (1959-1967).

Faleceu no dia 6 de junho de 1934, na sua cidade natal, em função de um ataque violento de “angina pectoris”.

O Anfiteatro da ANM leva o seu nome e, também em sua homenagem, foram nomeados o famoso Hospital Municipal Miguel Couto, no bairro da Gávea, na cidade do Rio de Janeiro, e o bairro de Miguel Couto, na cidade de Nova Iguaçu, além de ruas e praças espalhadas pelo país.

Antonio Austregésilo Rodrigues Lima

Dr. Antônio Austregésilo Rodrigues de Lima nasceu em Recife, capital do Estado de Pernambuco, no dia 21 de abril de 1876, filho do advogado José Austregésilo Rodrigues de Lima e de Maria Adelaide Feitosa Lima.

Aos 16 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde doutorou-se em Medicina, em 1899, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo tese intitulada “Estudo clínico do delírio”. Ainda estudante, serviu como auxiliar na comissão médica que combateu a epidemia de cólera no Vale do Paraíba, em 1896. Frequentou, como interno, a enfermaria chefiada pelo Prof. Francisco de Castro e, em 1901, trabalhou com o Dr. Miguel Couto.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 4 de setembro de 1903. Ocupou vários cargos na diretoria e tornou-se Emérito em 22 de agosto de 1929. Foi Vice-Presidente entre 1933 e 1934 e Presidente nos biênios 1935/37, 1945/47 e 1949/51. É o Patrono da Cadeira 11.

Em sua primeira viagem à Europa, frequentou, na França, os serviços de Widal, Babinski e Dejorine, e, na Alemanha, os de Krause e Oppenheim. Posteriormente, já como professor consagrado de Neurologia no Brasil, visitou outros serviços de Neurologia e Neurocirurgia, particularmente nos Estados Unidos da América

Em 1909, foi designado Professor substituto de Clínica Médica, Patologia Interna e Clínica Propedêutica e, em 1912, Professor Catedrático da recém-criada Cadeira de Neurologia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (atual UFRJ). Foi, ainda, Professor Honorário da Faculdade de Medicina de Pernambuco.

O Dr. Austregésilo foi Chefe da Seção Pinel do Hospício Nacional, onde criou e desenvolveu notável núcleo de estudos e ensino médico. Instalou a Clínica Neurológica na 20ª enfermaria do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, ficando esse serviço clínico dividido em dois setores: Clínica Médica e Neurologia. Juntamente com os médicos Adauto BotelhoPernambuco Filho e Ulysses Viana, fundou o Sanatório Botafogo. Foi, também, médico da Policlínica de Botafogo.

É considerado o pioneiro da Neurologia e do estudo dos distúrbios do movimento no Brasil. Uma das contribuições mais lembradas de Antônio Austregésilo é o sinal semiológico que leva seu nome e do médico Faustino Esposel. O sinal de Austregésilo-Esposel é considerado um dos substitutos do sinal de Babinski (reflexo plantar) e foi publicado em 1912, no periódico L’Encéphale.

Austregésilo foi o introdutor e divulgador no Brasil de dois tratamentos para a síndrome parkinsoniana: o uso de escopolamina e a fórmula criada por Roemer, com o uso de sulfato de atropina. Este tratamento foi sugerido no artigo intitulado: “O tratamento atropínico da síndrome parkinsoniana” publicado em 1945.

Dirigiu o Instituto de Neuropatologia da Assistência a Psicopatas e os “Arquivos Brasileiros de Neurologia e Psiquiatria”. Foi Membro da Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina legal e da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e Sifilografia, da Sociedade Brasileira de Criminologia, da Sociedade Brasileira de Educação, da Sociedade de Neurologia de Paris, da Sociedade Médica de Lisboa, da Sociedade de Psiquiatria de Paris e da Sociedade de Neurologistas da Alemanha.

Além disso, foi Membro Honorário da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, da Sociedade Médica de Pernambuco, da Sociedade de Medicina do Rio Grande do Sul, da Sociedade de Medicina de Niterói e da Academia de Medicina de Buenos Aires. Representou o Brasil em vários Congressos Internacionais de Medicina, de Neurologia e de Psiquiatria. Foi condecorado com a Medalha da Ordem de Santiago da Torre e Espada de Portugal, a Medalha da Ordem da Coroa da Romênia e a Medalha da Legião de Honra da França.

Em 1928, após retornar de viagem aos Estados Unidos, impressionado com a resolução diagnóstica e os resultados obtidos nos Serviços de Neurocirurgia de Harvey Cushing e Charles Frazier, designou, inicialmente, o cirurgião Augusto Brandão Filho, codenominado “príncipe dos cirurgiões” e, logo depois, Alfredo Alberto Pereira Monteiro e seu assistente, José Ribeiro Portugal, a iniciarem oficialmente o que veio a ser a Escola de Neurocirurgia Brasileira. Deve-se ressaltar seu dileto discípulo que o acompanhou até o final: Antonio Rodrigues de Mello.

Desde cedo trazia o pendor para a literatura. Ainda em sua terra natal, participou, precocemente, do movimento literário e artístico da Escola de Recife. Ingressou na Academia Brasileira de Letras, em 1914, tendo sido seu Presidente, em 1939.

Na política, foi Deputado Federal por Pernambuco, de 1922 até 1930.

Autor de várias obras, não só científicas, mas também de caráter literário, foi colaborador efetivo do periódico “Brasil Médico” e das revistas “A Noite”, “Revista Médica de São Paulo e da “Revista de Medicina”. Publicou, também, muitos trabalhos em jornais médicos brasileiros, franceses, alemães, americanos, espanhóis e argentinos.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, aos 84 anos, no dia 23 de dezembro de 1960.

O Salão Nobre da ANM leva o seu nome.

Aloysio de Castro

O Dr. Aloysio de Castro, médico, poeta, poliglota e musicista nasceu em 14 de junho de 1881, na cidade do Rio de Janeiro, filho do Acadêmico Francisco de Castro e de Maria Joana Monteiro Pereira de Castro. A convivência com os médicos que frequentavam a casa de seu pai, como Francisco de Paula FajardoAntonio Augusto de Azevedo SodréJoão Paulo de CarvalhoAugusto Brant Paes LemeEduardo Chapot-Prévost e Raimundo Nina Rodrigues, entre outros, foi um imperativo na sua decisão pela Medicina.

Tornou-se Doutor em Medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro, em 1903, defendendo tese intitulada “Das desordens da marcha e seu valor clínico”. Foi interno e assistente de na Cadeira de Clínica Propedêutica, de Miguel Couto, estabelecendo-se entre eles uma relação de “mestre e discípulo”.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina com a memória intitulada “Sobre o Síndrome de Stokes-Adams”, e tomou posse em 21 de julho de 1904. Tornou-se Emérito em 23 de novembro de 1933 e presidiu a ANM de 1937 a 1942 e de 1943 a 1945. É o Patrono da Cadeira 58.

Em 1906, a Congregação da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro conferiu-lhe um prêmio por ter sido o melhor aluno de sua turma, o qual lhe possibilitou uma viagem à Europa para aperfeiçoar-se em semiologia nervosa. Realizou este aperfeiçoamento no Hospital Bicêtre, na França, com o neuropatologista Pierre Marie, considerado à época a maior expressão da neurologia. Frequentou sua enfermaria e laboratório, tornando-se seu assistente assíduo. Frequentou, também, o Hospice de la Salpêtrière, L´Hospice de La Charité e os Hospitais Necker, Beaujon, Saint-Louis, o Hôtel-Dieu e o Val-de-Grâce.

Ao retornar ao Brasil, em 1907, reassumiu seu posto, como assistente de clínica propedêutica, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, e também na 7ª enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, para o qual havia sido indicado, desde seu doutoramento.

Foi Professor Catedrático de Patologia Médica, de 1909 a 1914, e de Clínica Médica, de 1915 a 1924, além de Diretor, de 1915 a 1925, da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (atual UFRJ); durante sua gestão, foi inaugurado o novo edifício na Avenida Pasteur e criado o Instituto de Radiologia, inaugurado em 1919 e instalado no Pavilhão “Francisco de Castro”, da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, onde ocupou a 4ª Enfermaria.

O Dr. Aloysio de Castro foi Subcomissário de Higiene e Assistência Pública do Rio de Janeiro, Chefe da 4ª Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia e Chefe do serviço de Clínica Médica da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, onde empregou a cinematografia de casos observados para ilustração de suas aulas, introduzindo, igualmente, o ensino clínico em ambulatório.

Foi também Membro da Comissão de Cooperação Intelectual da Sociedade da Liga das Nações, Diretor Geral do Departamento Nacional de Ensino e do Instituto Ítalo-Brasileiro de Alta Cultura, Professor Honorário das Faculdades de Medicina de Montevidéu e de Buenos Aires, Membro correspondente da Academia de Medicina de Paris e da Academia de Ciências de Lisboa, Membro da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, Professor “Honoris causa” da Faculdade de Medicina de Niterói, Professor Emérito da Universidade do Brasil, Membro da Academia Pontifícia de Ciências do Vaticano e da Academia Brasileira de Letras, da qual foi Presidente em 1930 e em 1951.

É considerado o precursor da Neurossemiologia no Brasil e foi agraciado, pelo governo brasileiro, com a Grã-Cruz do Mérito Médico.

Escreveu artigos, ensaios, discursos e livros sobre os mais variados assuntos, além de composições musicais. No campo da Medicina, destacam-se as obras “Notas e observações clínicas” (três volumes), “Distrofia gênito-glandular”, em parceria com Oscar de Souza, “Discursos, conferências e escritos vários” e “Tratado de semiótica nervosa”.

Colaborou com trabalhos publicados em jornais e revistas nacionais e estrangeiras, tais como: Brasil-Medico, Annaes Paulistas de Medicina e Cirurgia, Annaes da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, Revista Brasileira de Medicina e Pharmacia, Jornal dos Clínicos, Folha Médica, A Patologia Geral, Revue Neurologique, Nouvelle Iconographie de la Salpetriére, Encephale, Presse Médicale e Neurologische Zentralblatt.

Faleceu na sua cidade natal, no dia 7 de outubro de 1959.

Em 1964, o Instituto de Cardiologia, criado em 1941 pelo Presidente Getúlio Vargas, passou a se chamar Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro (IECAC) em homenagem ao ilustre médico e foi instalado no antigo Hospital dos Radialistas, localizado no bairro do Humaitá, no Rio de Janeiro.

Raul David de Sanson

O Dr. Raul David de Sansonnasceu no Rio de Janeiro, no dia 16 de fevereiro de 1887, filho de Henrique Pedro David de Sanson e D. Henriqueta David de Sanson.

Doutorou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1909, apresentando tese de doutoramento no ano seguinte cujo tema foi “Operação de Lagrange para prótese ocular”. Ainda estudante, foi auxiliar do Instituto Vacínico Municipal, em 1906 e 1907. Frequentou como interno, na Santa Casa de Misericórdia, as enfermarias de Domingos de Góes e Vasconcelos, Silvio Moniz, Almeida Magalhães e Miguel Pereira. Após a formatura, mudou-se para a Alemanha para frequentar aulas em clínicas de Hamburgo e da Universidade de Heidelberg.

Ao retornar ao Rio de Janeiro, especializou-se em Otorrinolaringologia e Oftalmologia junto ao Acadêmico Hilário de Gouvêa. Obteve, em 1920, após um concurso de provas e títulos, o título de Docente da Faculdade Nacional de Medicina.

Adiante fez outras especializações na Alemanha em Cirurgia Plástica e, ao retornar oficialmente ao Brasil, tornou-se chefe de vários serviços de Otorrinolaringologia no Rio de Janeiro, tais como da Policlínica de Botafogo, do Hospital São João batista da Lagoa, Hospital de Nossa Senhora da Saúde e da Fundação Gaffrée e Guinle.

Tornou-se Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 15 de outubro de 1925, apresentando Memória intitulada “Considerações sobre a técnica da intervenção de Killian”, e tornou-se Emérito em 1957. Ocupou vários cargos na diretoria e foi Presidente entre 1947 e 1949. Além disso, o Dr. Sanson é Patrono da Cadeira 75 da Secção de Cirurgia da ANM. Nesta gestão, teve o encargo de conseguir a doação de terreno para a construção da atual sede da Academia.

Foi também Professor Catedrático de Otorrinolaringologia das Faculdades de Medicina das atuais UFRJ e UERJ e o pioneiro na cirurgia do câncer de laringe e grande defensor da via externa no tratamento das sinusites fronto-etmoidais.

Foi fundador e Vice-presidente na primeira diretoria da Sociedade de Otorrinolaringologia do Rio de Janeiro, Membro da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, da Sociedade de Dermatologia e Sifilografia, da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal, da Sociedade Francesa de Bronco-esofagologia, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e do Colégio Internacional de Cirurgiões, Membro Correspondente da Sociedade Belga de Otorrinolaringologia e Membro Honorário da Sociedade de Medicina de Petrópolis e da Sociedade Otorrinolaringológica do Uruguai.

Escreveu diversos trabalhos científicos e foi colaborador da “Revista Brasileira de Cirurgia”. Foi sócio da Academia Brasileira de Imprensa, admitido em 1943.

Em 1950, foi condecorado pelo governo francês com a Medalha da Legião de Honra da França.

O Dr. Sanson faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 10 de agosto de 1962.

José Martins da Cruz Jobim

José Martins da Cruz Jobim nasceu na cidade de Rio Pardo, na então província do Rio Grande do Sul, em 26 de fevereiro de 1802, filho mais velho do tenente português José Martins da Cruz Jobim e de sua primeira esposa, Eugênia Rosa Pereira Fortes. Entre seus irmãos estava Antônio Martins da Cruz Jobim, mais tarde Barão de Cambaí. Filho de pais pobres, mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro para receber uma educação mais aprimorada, tendo sido matriculado no extinto Seminário Episcopal de São José. Foi médico, professor e político brasileiro do século XIX, um dos pioneiros da Psiquiatria no Brasil.

Foi um dos fundadores da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, criada em 1829 e posteriormente denominada Academia Imperial de Medicina, juntamente com Joaquim Candido Soares de MeirellesLuiz Vicente De SimoniJosé Francisco Xavier Sigaud e Jean Maurice Faivre. Foi Presidente da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, no 3º trimestre de 1831, 3º e 4º trimestres de 1834. Foi Presidente da Academia Imperial de Medicina nos períodos de 1839-1840 e 1848-1851.

Casou-se, em 1830, com Maria Amélia Marcondes do Amaral, de família paulista, com quem teve sete filhos. Uma de suas filhas, Luiza Marcondes Jobim, casou-se com Vicente Cândido Figueira Sabóia, posteriormente Visconde de Sabóia, que foi Presidente da Academia Nacional de Medicina em 1891-1892 e é o Patrono da Cadeira n. 63.

Viajou para a França em 1821, onde ingressou na Faculté de Médecine de Montpellier, tendo se transferido, posteriormente, para a Faculté de Médecine de Paris, instituição na qual diplomou-se como bacharel em Ciências Físicas (1826) e doutor em Medicina (1828).

Ao retornar ao Brasil, em 5 de março de 1828, foi nomeado médico do Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, onde chefiou uma de suas enfermarias. Teve presença marcante nesta instituição, exonerando-se de suas funções no ano de 1859. Em 1860, lhe foi concedido o título de primeiro e único médico honorário do Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.

Dedicou-se, também, a atividades clínicas em seu consultório particular, situado à rua do Lavradio n. 53, no bairro da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro.

José Martins da Cruz Jobim participou de várias comissões organizadas pela Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, tendo sido, em 1830, indicado como relator da Comissão de Salubridade designada para examinar a situação das prisões, hospitais, casa de expostos e hospícios. Neste mesmo ano, integrou a comissão encarregada, pela Câmara dos Deputados, de elaborar um plano para as escolas médicas. O projeto produzido intitulou-se “Plano de Organização das Escolas Médicas do Império”, redigido pela Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, por Convite que a Augusta Câmara dos Deputados lhe dirigiu em 07 de outubro de 1830, e foi apresentado por José Martins da Cruz Jobim à Câmara dos Deputados do Império, sendo votado e aprovado.

A intersecção entre as doenças infecciosas, a pobreza e a doença mental foi um assunto importante para a Neuropsiquiatria brasileira no início do século XIX. José Martins da Cruz Jobim estava engajado em uma abordagem higienista baseada em estudos sintomatológicos e anatomopatológicos. Escreveu “Insânia loquaz” em 1831, o primeiro texto escrito sobre doença mental no Brasil, baseado em dados clínicos e patológicos compatíveis com meningite tuberculosa. Assim, Jobim é considerado um dos pioneiros da Psiquiatria no Brasil e merece o título de primeiro Neuropsiquiatra do Brasil.

Na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi Lente de Medicina Legal e Toxicologia entre 1833 e 1854, e Diretor entre 1842 e 1872, tendo sido jubilado e aposentado como diretor em 1872.

Em 1844, José Martins da Cruz Jobim viajou para Nápoles (Itália) como emissário particular de D. Pedro II junto à Corte do Rei das Duas Sicílias e, no seu retorno, foi designado médico da comitiva do Imperador que realizaria sua primeira visita às províncias do sul do império brasileiro. Nesta ocasião, foi nomeado, ainda em Porto Alegre, para o Conselho da Coroa.

Foi deputado geral, na 7ª e 8ª legislaturas, pela província do Rio Grande do Sul (1849-1851) e senador do Império, pela província do Espírito Santo (1851), cargo este que assumiu em 6 de maio de 1851 e permaneceu até a data de sua morte, em 1878.

Cruz Jobim foi Conselheiro do Imperador e Membro Correspondente da Real Academia de Ciências de Nápoles e de Lisboa e agraciado com as Comendas da Ordem da Rosa e de Cristo, e da Imperial Ordem da Rússia de S. Estanislau.

Faleceu no Rio de Janeiro, em 23 de agosto de 1878.

Teve o seu necrológio escrito por José Eduardo Teixeira de Souza, Orador oficial da Academia Imperial de Medicina, em 30 de junho de 1879, na sessão comemorativa do cinquentenário da Instituição.

Entre as homenagens prestadas a José Martins da Cruz Jobim, destacam-se a emissão de selo comemorativo por ocasião do 150º aniversário de seu nascimento, pelo Departamento dos Correios e Telégrafos (lei nº 1.671, de 12/09/1952), e a mudança do nome da Rua Constantino Alves, situada no bairro de Irajá, na cidade do Rio de Janeiro, para Rua Cruz Jobim (Decreto n. 5.224, de 5/04/1935).

Joaquim Candido Soares de Meirelles

Nasceu em Congonhas de Sabará, hoje Nova Lima, município do Estado de Minas Gerais, em 5 de novembro de 1797. Filho do cirurgião Manoel Soares de Meirelles e de Anna Joaquina de São José Meirelles, pertencia a uma família que descende do tempo de D. Fernando, em Portugal (1345-1383). Casado com Rita Maria Pereira Reis, filha do cirurgião Paulo Rodrigues Pereira e irmã do Dr. Jacintho Rodrigues Pereira Reis, que foi também Presidente da Academia Imperial de Medicina. Foram seus filhos: o conselheiro Saturnino Soares de Meirelles, médico e professor da Escola Naval e do Colégio Pedro II e fundador do Instituto Hahnemaniano do Brasil, em 1859; Nicomedes Rodrigues Soares de Meirelles, médico; Jacinto Rodrigues Soares de Meirelles, oficial de marinha e Candido Rodrigues Soares de Meirelles, doutor em Matemática. Casado com Maria Candida Marianna Vahya, em segundas núpcias, teve Luisa Candida Soares de Meirelles.

Liderou, em 1822, a Comissão de Patriotas que influenciou a decisão de D. Pedro I de permanecer no Brasil (dia do Fico). Iniciou sua carreira militar no Exército, onde começou como pensionista praticante, passando depois a cirurgião-ajudante no Batalhão de Caçadores, e, por fim, graduado cirurgião-mor da Cavalaria de Minas Gerais.

Formou-se em Medicina, no ano de 1822, na então Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro (atual Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ) e por decreto do Governo Imperial, em 1825, foi enviado a Paris para aperfeiçoamento dos estudos médicos. Lá obteve a dúplice coroa de Doutor em Medicina e Cirurgia, com apresentação de duas teses. Na primeira, o tema era Dissertation sur l´histoire de l`eléphantiasis (Dissertação sobre a Elefantíase); na segunda, Dissertation sur les plaies d’armes á feu (Dissertação sobre as lesões por arma de fogo).

Regressando ao Brasil, pediu demissão do Serviço do Exército, sendo desligado em decreto de 14 de julho de 1828. Ingressou no Hospital da Misericórdia (atual Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro), em enfermaria chefiada pelo médico italiano Luiz Vicente De Simoni. Naquela enfermaria, lançou a ideia da fundação da Sociedade de Medicina, à qual se associaram os médicos Luiz Vicente De SimoniJosé Martins da Cruz JobimJosé Francisco Xavier Sigaud e Jean Maurice Faivre.

Em 28 de maio de 1829, realizou-se a primeira sessão preparatória da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro. Em 30 de junho de 1829, Soares de Meirelles foi eleito Presidente da Sociedade, Membro Titular número 1, Membro Fundador e Membro Nato. Aprovada com o apoio do Marquês de Caravelas (José Joaquim Carneiro de Campos), pelo decreto de 15 de janeiro de 1830, a Sociedade foi instalada publicamente em 24 de abril de 1830 no Hospital de São Francisco de Paula. Sob a direção e iniciativa do primeiro Presidente eleito, em novembro de 1833, nasceu a proposta de transformar a Sociedade em Academia. Na sexta sessão aniversária, em 1835, compareceu pela primeira vez o Imperador Pedro II, com 9 anos, e, logo após, em 5 de novembro de 1835 a Sociedade foi elevada à categoria de Academia Imperial de Medicina. Soares de Meirelles presidiu a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro no período de 1829-1830/1833 e, já elevada à categoria de Academia Imperial de Medicina, de 1835-1838/1842-1848.

Sua vida foi cheia de aventuras e atividades políticas. Envolveu-se na rebelião dos liberais de Minas Gerais em 1842, foi preso e deportado para Lisboa, onde ficou até o decreto de anistia de 14 de março de 1844. Ao voltar ao Brasil, foram-lhe restituídos todos os títulos e honras. Soares de Meirelles mudou sua atuação na cena política: foi nomeado Médico da Imperial Câmara e Membro do Conselho de sua Majestade O Imperador; recebeu condecorações como a Comenda Imperial da Ordem da Rosa, a insígnia de Oficial da Ordem do Cruzeiro, o hábito de São Bento de Aviz e a medalha de ouro, comemorativa da Rendição de Uruguaiana. Foi eleito Membro da Assembleia Provincial do Rio de Janeiro, em uma legislatura, e Deputado na Assembleia Geral pela Província de Minas Gerais em 1845, 1847 e 1848. Professor de Anatomia e Fisiologia das Paixões na Academia Imperial de Belas Artes, Meirelles foi Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Membro da Academia de Medicina de Nápoles, da Sociedade Médica de Louvain e da Sociedade Filomática de Paris. Atuou como Redator da Revista Médica Fluminense no seu primeiro ano de publicação. Foi nomeado Cirurgião-Mor da Armada no posto de Capitão de Mar e Guerra, promovido a Chefe de divisão Graduado da Armada Nacional e Imperial, e primeiro Diretor de Saúde Naval. Em 10 de julho de 1865, partiu para Uruguaiana acompanhando D. Pedro II ao teatro da guerra com o Paraguai. Lá, participou da rendição paraguaia em Uruguaiana. Nessa viagem, não lhe faltaram provações, Soares de Meirelles, atacado pelo tifo, foi transferido, moribundo, para Alegrete, de onde regressou à Corte em 2 de maio de 1866 com a saúde já comprometida. Não se recuperaria, porém, jamais.

Progredindo sua enfermidade, faleceu na madrugada de 13 de julho de 1868, no Rio de Janeiro.

Em 8 de dezembro de 1941, foi indicado para Patrono da Cadeira 28 da Academia Brasileira de Medicina Militar e no dia 3 de outubro de 1963 foi escolhido para Patrono da Cadeira número 1 da Academia Nacional de Medicina.

Patrono do Corpo de Saúde da Marinha de Guerra, por decreto federal de 25 de novembro de 1968, sua data de nascimento passou a ser considerada dia festivo para todas as organizações de saúde da Marinha Brasileira.

Henrique Guedes de Mello

O Dr. Henrique Guedes de Mello nasceu no dia 6 de abril de 1857, em Recife, no Estado de Pernambuco, filho do Comendador Umbelino Guedes de Mello e de D. Aurora Umbelina Gomes de Mello.

Doutorou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1878, defendendo tese intitulada “Patogenia do diabetes sacarino”. Logo após a conclusão do curso, exerceu a clínica em São Paulo e depois foi para a Europa onde, na Clínica Oftalmológica do Prof. Landolt, em Paris, trabalhou durante dois anos como assistente.

No Rio de Janeiro, exerceu por anos a clínica de olhos, ouvidos, nariz e garganta. Foi Capitão-de-Corveta e trabalhou 30 anos na Marinha do Brasil, onde exerceu, dentre outros cargos, o de Chefe da Clínica de Oftalmologia e Otorrinolaringologia do Hospital Central da Marinha e Instrutor das mesmas especialidades na Escola Naval.

Era músico, helenista, latinista, filósofo e escritor e deixou diversos livros, artigos e memórias publicados sobre os mais variados assuntos. Escreveu sobre otorrinolaringologia, neuro-oculística, higiene militar, leprologia, tumores cerebrais, além de publicar monografias sobre aneurismas do seio cavernoso, sobre a patologia da hipófise e sobre tumores da retina.

No ano de 1888 fundou, juntamente com Hilário de GouveiaJosé Cardoso de Moura Brazil e Paula Fonseca, a “Revista Brasileira de Oftalmologia” que, embora tenha lançado apenas dois volumes, foi considerada como “o despertar da imprensa oftalmológica em nossa terra”.

Foi Chefe e fundador da Clínica de Oftalmologia do Hospital Nacional de Alienados, criador da Clínica de Olhos do Hospital Nacional e da Policlínica de Botafogo, além do Hospital dos Lázaros e da Policlínica de Crianças.

O Dr. Henrique Guedes de Mello foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, em 1897, onde foi Presidente da Secção de Cirurgia Especializada por vários anos, e foi transferido para a classe de Honorários, em 25 de setembro de 1929. É o Patrono da Cadeira 62.

Foi também Presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro e da Sociedade Médica Naval, Membro Fundador da Sociedade de Jurisprudência Médica e Antropologia, Sócio Fundador da Cruz Vermelha Brasileira e da Liga Brasileira Contra a Tuberculose, Membro Correspondente da Societé Française d’Ophtalmologie e das Sociedades de Medicina e Cirurgia de Curitiba e de São Paulo, Sócio Correspondente da Associacion de la Prensa (Chile), Membro da Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal, dentre outros cargos. É o Patrono da Cadeira 21 da Academia Brasileira de Medicina Militar.

Foi tradutor e professor de línguas e recebeu o Prêmio de Erudição da Academia Brasileira de Letras.

Foi o mestre de Abreu FialhoJoão Marinho, Penido Burnier, Renato MachadoEdilberto de Campos e de tantos outros a caminho do auge da profissão.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 8 de novembro de 1934.