Área do acadêmico Transmissão ao vivo
EnglishPortuguêsEspañol

Fúlvio José Carlos Pileggi

13-7-1927 – 4-4-2021

É com imensa tristeza que a Academia Nacional de Medicina comunica o óbito do acadêmico Fúlvio José Carlos Pileggi, aos 93 anos, ocorrido no dia 4 de abril de 2021.

Natural de São Carlos, no interior de São Paulo, o acadêmico Fúlvio José Carlos Pileggi, graduou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) em 1952. Realizou, entre 1955 e 1957, estágio no Instituto Nacional de Cardiologia do México – na época, importante centro da cardiologia mundial. Lá, começou como médico interno, tornando-se, mais tarde, responsável por todo o curso de Cardiologia e Nefrologia.

No quarto ano do curso de medicina, Pileggi interessou-se pela cardiologia, especialidade que o consagraria como um dos mais respeitados cardiologistas do país, tendo sido um dos responsáveis pela implementação da eletrocardiografia no Brasil. 

Ao lado de Euryclides de Jesus Zerbini, Pileggi teve papel fundamental na comissão de planejamento do Instituto do Coração (InCor) de São Paulo, denominado inicialmente de Instituto de Doenças Cardiopulmonares e considerado como um centro de excelência em todo o país. E posteriormente, em 1978, participou da missão de criar a Fundação Zerbini – uma entidade de direito privado para dar suporte financeiro ao InCor, garantindo a modernização do Instituto com equipamentos de ponta e médicos de excelência.

Nos anos 90, foi responsável pelo curso de especialização em Cardiologia do Instituto, onde foi professor titular por duas décadas. Foi ainda diretor-geral do InCor do Hospital das Clínicas, entre 1981 a 1997, onde também presidiu seu conselho diretor.

Nos 50 anos de exercício da medicina, o cardiologista publicou mais de 500 artigos em revistas científicas nacionais e cerca de 200 em periódicos internacionais. Sua trajetória acadêmica foi marcada pela prática médica associada à ciência e à administração hospitalar, sendo considerado um homem de grande visão administrativa.

Ao longo de sua carreira, foi homenageado com dezenas de condecorações e prêmios, dos quais destacam-se as três vezes que ganhou o Prêmio Ovídio Pires de Campos (1964, 67 e 72), a Medalha Carlos Chagas (1986), o Prêmio Nacional de Cirurgia Cardíaca (1987) e o Prêmio Dr. Hélio Magalhães (1992). Foi ainda agraciado com a Grã-cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico.

Foi membro de diversas instituições, como as Sociedades Brasileira de Cardiologia, Mexicana de Cardiologia, de Médicos Internos e Becários do Instituto Nacional de Cardiologia do México, Brasileira de Nefrologia, Peruana de Cardiologia, de Cardiologia de Tucuman (membro estrangeiro) e de Cardiologia do Noroeste Argentino (membro honorário). Fez parte também da New York Academy of Sciences, do Comitê Internacional de Eletrocardiografia, do American College of Cardiology, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (sócio fundador) e da Interamerican Medical and Health Association.

Na ocasião de sua candidatura a Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, apresentou memória intitulada “Experiência Clínica com Estreptoquinase e Procedimentos Sequenciais para o Tratamento do Infarto Agudo do Miocárdio”. Fúlvio Pileggi ocupava a cadeira 53, cujo patrono é Heitor Pereira Carrilho. 

Pileggi faleceu aos 93 anos. Deixa quatro filhos, dois homens e duas mulheres, mas nenhum seguiu a profissão do pai.

José Rodrigues Coura

15/6/1927 – 3/4/2021

É com imenso pesar que a Academia Nacional de Medicina comunica o falecimento do acadêmico José Rodrigues Coura, aos 93 anos.

Natural de Taperoá, na Paraíba, Coura dedicou sua vida à pesquisa e ao trabalho de campo para o atendimentos dos acometidos pelas doenças infecciosas e parasitárias, principalmente na região Norte do país.

Graduado em 1957, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi chefe do Laboratório de Doenças Parasitárias do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz e pesquisador 1A do CNPq. De 1961 a 2020, publicou 279 trabalhos científicos e diversos obras, tendo sido agraciado com o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 2006.

Pela sua trajetória acadêmica, tornou-se professor Emérito da UFRJ e da Faculdade de Medicina de Campos e professor Honoris Causa das Universidades Federais da Paraíba, Ceará e Piauí. 

Iniciou sua vida profissional como Instrutor de Ensino na Faculdade de Medicina da UFRJ, na Disciplina de Doenças Infecciosas e Parasitárias, onde exerceu em sequência os cargos de professor Assistente, Adjunto e Titular. Chefe do Departamento de Medicina Preventiva, aposentando-se voluntariamente em 1996. Foi Titular de Doenças Infecciosas e Parasitárias e chefe do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal Fluminense.

Além desses cargos, foi professor de Medicina Social e Preventiva da Faculdade de Medicina de Campos, onde recebeu homenagem, em 2012, dando nome ao Centro de Saúde Escola Custodópolis José Rodrigues Coura, por ter instalado nesse bairro o trabalho de campo para os alunos da disciplina de Medicina Social e Preventiva.

Organizou e coordenou dois Cursos de Pós-Graduação stricto sensu, respectivamente em Doenças Infecciosas e Parasitárias na UFRJ em 1970  – o primeiro curso da área médica do Brasil, credenciado pelo Sistema Capes/CNPq com conceito A -, e em Medicina Tropical no Instituto Oswaldo Cruz – Fiocruz em 1980, tendo sido responsável pela formação de 200 mestres e doutores de várias nacionalidades, diferentes condições socioeconômicas e das mais variadas ideologias políticas. José Rodrigues Coura era um líder extremamente curioso, entusiasta da diversidade e tinha o dom de atrair para si perfis de estudantes.

Foi editor da Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical durante 12 anos e das Memórias do Instituto Oswaldo Cruz por 10 anos. 

Foi Vice-Presidente de Pesquisa da Fiocruz e Diretor do Instituto Oswaldo Cruz em dois mandatos.

Membro fundador da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, da qual foi Presidente (1973-1975) e membro Titular da Academia Brasileira de Ciências (2000). Recebeu a Ordem do Mérito Científico da Presidência da República do Brasil como Comendador em 2002, tendo sido promovido à Grã-Cruz em 2008. Em 2013, foi agraciado com o Prêmio Conrado Wessel de personalidade da Medicina daquele ano e, no ano seguinte, com a Comenda Sérgio Arouca do Conselho Federal de Medicina.

Na ocasião de sua candidatura a Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, apresentou memória intitulada “Esquistossomose Pulmonar – Estudo Clínico e Experimental”.

Na Academia Nacional de Medicina, José Rodrigues Coura, ocupava a cadeira de número 11.

José Rodrigues Coura deixa três filhos: Evandro César, Lúcia Maria e Luciana Maria e três netos: Guilherme, Leonardo e Beatriz.

Para onde vamos com essa pressa?

 “Entre os escritores, nós, cronistas, sabemos que escrever crônicas é como viver em voz alta”. Com essa citação, a jornalista e escritora Rosiska Darcy de Oliveira, da Academia Brasileira de Letras, abre sua apresentação, na qual comenta o livro ‘Para onde vamos com essa pressa?’, do acadêmico José de Jesus Camargo, que conta com 76 crônicas que narram histórias reais de humanismo, gratidão, esperança, sofrimento incompreendido, afetos negligenciados, amores incondicionais, humor e a pureza da inocência. “É melhor render-se ao olhar quando o livro pousa sobre nós porque é ele que nos lê, e foi o que me aconteceu quando li este livro”, afirmou.

O psiquiatra Sergio Zaidhaft, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, abordou ainda durante a sessão, realizada pela Academia Nacional de Medicina, no dia 25 de março de 2021, as reflexões sobre o medo na atualidade: causas e possíveis consequências. 

Zaidhaft detalhou, do ponto de vista da psicanálise, que a noção de morte no inconsciente, o medo da própria morte, da morte do outro e a noção de perigo são algumas das origens de nossos sentimentos. Traçando diversos paralelos com a situação da pandemia no Brasil, encerrou com projeções para um futuro, que incluem a plena execução dos direitos humanos, o respeito à diferença, a dignidade e contar histórias, como nas sessões promovidas da ANM.

Um gaúcho imortal

“Homem determinado, sensível e apaixonado pela arte, especialmente a música. Ivo era um operário da medicina, sua grande paixão, mas tinha uma cota de audácia e teimosia. Nada tirava o entusiasmo dele. A admiração mútua só cresceu. Doce, generoso e um líder sem prepotência. Teve uma vida plena, cheia de desafios e conquistas brilhantes. A saudade deixa em mim dois sentimentos: o da aventura de tê-lo conhecido e a tristeza de ter aproveitado menos do que eu poderia”, destacou o acadêmico José de Jesus Camargo, durante a Sessão Saudade em memória ao acadêmico Ivo Abrahão Nersalla, falecido dia 16 de dezembro de 2020.

Na abertura, o presidente da Academia Nacional de Medicina, professor Rubens Belfort Jr., pontuou:

 – Nesse encontro, temos a alegria de podermos revisitar suas atividades e conquistas em benefício da medicina e de tantas pessoas.

“Foi um dos médicos gaúchos mais importantes dos nossos tempos. Faz parte da memória do nosso Estado. Ele liderou ações que podem ser resumidas em uma palavra: inovação! Ele foi tudo na medicina e impulsionou a cultura do Rio Grande do Sul. Liderou importantes iniciativas cientificas na sua especialidade e grandes projetos culturais em sua terra natal. A imortalidade de Ivo transcende a academia e suas conquistas e estão gravadas em bronze na nossa cidade” enfatizou o acadêmico Gilberto Schwartsmann.

Minha melhor história médica: coletânea de emoção e humanismo

Poderia ser facilmente um bate papo entre amigos, em uma tarde descontraída num café nos arredores da Av. Paulista. Ali, estaríamos envolvidos pelas boas memórias e fatos marcantes sobre a vida de cada um sentado à mesa. Contudo, estávamos conectados – cada um em uma parte do país – em uma reunião on-line, com mais de 100 espectadores, ouvindo com o mesmo deleite e emoção as melhores histórias médicas de 19 renomados cirurgiões que nos conduziram para aquele cenário imaginário intimista e de tamanha leveza. 

Os relatos mais importantes vividos à luz da experiência e de anos da prática cirúrgica foram o tema da sessão científica da ANM, realizada no dia 25 de março, sob o título “Minha melhor história médica”, coordenada e idealizada pelo acadêmico José de Jesus Camargo. 

O espaço aberto deu foco a narrativas médicas com intuito de trazer lições e vivências que marcaram a trajetória destes renomados profissionais e que “não estão nos livros e nunca estiveram.”, afirmou Jesus de Camargo, dizendo na abertura:

– Esperamos que este compartilhamento de experiências contribua positivamente no enriquecimento na formação dos novos cirurgiões brasileiros. 

Foram histórias emocionantes, alegres, dramáticas, engraçadas, inspiradoras e reflexivas que expuseram a alma de cada narrador e brindaram a audiência, que retribuiu com aplausos a cada conto exclamando “Incrível!”, como mencionou um participante. 

A sessão foi marcada pela humanidade e sentimentos aflorados. É difícil traduzir a emoção, o que vale mesmo é assistir. Confira na íntegra pelo nosso canal do YouTube https://bit.ly/3wclNcg.

Histórias brilhantes de humanismo e medicina 

O presidente da Academia Nacional de Medicina, professor Rubens Belford Jr., também compartilhou uma de suas histórias que lhe marcaram como profissional. Em uma narrativa dramática, contou que vivenciou as três grandes epidemias dos últimos anos, todas elas com comprometimentos oftalmológicos: aids, zika e agora covid. Três situações em que a cegueira e a morte estão, frequentemente, próximas. 

Belfort relatou uma história relativa à aids, na década de 80, quando sem drogas antivirais, o prognóstico era devastador. Ele conta que um jovem, acompanhado da mulher, também bancária, diagnosticado com HIV e um mau prognóstico, já com sinais da síndrome clínica da aids, tinha muito medo de morrer, mas o segundo grande medo era a cegueira. 

Meses sem dar notícias ou retornar, eis que surge em uma outra consulta. Desta vez, o paciente se apresentou com um médico emagrecido, com lesões na pele, cegueira total de um olho, acompanhado da esposa da qual Belfort reconheceu e seu confundiu, expressando: “Seria um segundo marido também com aids?”

Logo, o paciente pede para trazer a ficha de outra pessoa e, inicialmente, um pouco constrangido e agressivo, contou que era o paciente de antes. Haviam optado por desenvolver uma outra identidade e realizar uma nova consultar para ter informações mais objetivas e neutras. Ao criar um novo personagem e história diferente acreditava que se protegeria com mentira e negação.  

 – Esse dramático relato me fez reconhecer que esses elementos estão presentes também na nossa prática médica, as vezes com frequência maior que o esperado, e que nós médicos, temos que entender e ter empatia também com a mentira, informações, às vezes propositadamente, ditas erradas. Que uma vez identificadas, podem até ajudar no relacionamento com o paciente. O médico não pode e não deve se sentir traído ou injustiçado pelo paciente que mente para ele, não. […] Nunca tive vontade de fazer um encaminhamento psiquiátrico, era um mundo fantasioso que o ajudava a aturar melhor o sofrimento interminável e seu fim cada vez mais precoce. […]

Em um paralelo perspicaz entre a vivência deste caso na epidemia de aids, com a tragédia que vivemos atualmente pela covid, o presidente Belfort afirmou: 

 – Na aids, o pesadelo é longo e a angústia pode se arrastar por muitos anos. Na covid, o paciente quase não se despede. Doença apocalíptica em que o medo da morte e a angústia se misturam à falta de ar, à incapacidade de falar, de abraçar e de beijar. Não há tempo para ajeitar, planejar e mesmo fazer as pazes consigo mesmo e com os outros. Não há para onde correr: nem as lágrimas, nem os pacientes. Não há espaço nem mesmo para a mentira.”, finalizou emotivamente. 

Obesidade: cuidar de todas as formas

Mais de 60% da população brasileira estão acima do peso. Além disso, a obesidade é crescente em diversos países e considerada uma pandemia. Por isso, o dia 04 de março marca a Campanha Mundial da Obesidade. O acadêmico e Secretário Geral da ANM, Carlos Eduardo Brandão, participa do movimento “Juntos para cuidar de todas as formas”. Neste ano, foi lançado um manifesto e o acadêmico Brandão junto com a médica Claudia Oliveira, ambos da Sociedade Brasileira de Hepatologia, assinam um capítulo no ebook sobre obesidade e doença gordurosa não alcoólica do fígado.  Para ter acesso ao ebook, clique aqui https://abeso.org.br/manifesto-obesidade-cuidar-de-todas-as-formas/.

Os 100 trials que mudaram a oncologia

O acadêmico e oncologista da Rede D’Or São Luiz, Paulo Hoff, é um dos autores do livro recém lançado “Os 100 trials que mudaram a história da Oncologia”. Uma fascinante jornada pela evolução da pesquisa clínica e os avanços científicos que há décadas alimentam fértil campo, abrindo novas possibilidades de tratamento e intervenções com o objetivo de reduzir as internações e a mortalidade pelos diversos tipos de câncer. Os 100 ensaios clínicos descritos no livro procuram destacar a importância da medicina baseada em evidências científicas.

O livro está à venda em diversas livrarias online.

Alergia alimentar: da gestação à vida adulta

Para entendermos a alergia alimentar precisamos voltar ao início de tudo, traçando um paralelo ao momento da gestação e questionar um capítulo intrigante da vida: por que não fomos rejeitados pelo organismo de nossas mães, já que éramos um corpo estranho, habitando-o? 

Tudo isso está relacionado intimamente com a reação do sistema imune que, paradoxalmente, não rejeita o desenvolvimento do feto que possui 50% de componentes genéticos paternos. Este é o milagre da reprodução como definiu o médico Luiz Werber-Bandeira, da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, em sua live sobre Imunologia da gravidez, na sessão do dia 18 de março de 2021, promovida pela ANM.

Bandeira explicou que a relação imunitária entre a mãe e o feto estabelece comunicações bidirecionais e que existem evidências que o reconhecimento imunitário da gravidez pela mãe é primordial para a manutenção da gestação. 

A partir dessa comunicação intrauterina, começa-se a construir o sistema imune do feto que será maturado após o nascimento com o aleitamento materno exclusivo até os oito meses como reforçou o acadêmico Aderbal Sabrá que coordenou a reunião. Em sua apresentação sobre “Imunologia da Alergia Alimentar”, o professor Sabrá apontou alguns fatores precipitantes para a alergia alimentar: 

O acadêmico Sabrá ainda abordou a polêmica do leite de vaca. O acadêmico disse que a substituição do leite de vaca pelo leite de soja não é indicada, pois 85% dos indivíduos com alergia a essa proteína animal, também desenvolvem intolerância à soja, sendo a melhor indicação as fórmulas hidrolisadas ou de aminoácidos livres disponíveis no mercado. 

Autismo– O acadêmico Aderbal Sabrá abordou as evidências científicas que relacionam o transtorno do espectro autista (TEA) e a alergia alimentar (AA), sendo a última uma das causas da primeira.

Sabrá afirma que o TEA está longe de ter, nos trabalhos publicados até o momento, uma etiologia conhecida, e, por essa razão, seu tratamento segue sendo uma falácia. “Por outro lado, nossos achados mudam esse paradigma e evidenciam como a alergia alimentar pode ser uma de suas causas”, diz o acadêmico, que cita uma lista de nove publicações sobre o tema e detalha cada um dos achados. 

Segundo o especialista, há sete evidências triviais que sustentam a tese de que a alergia alimentar é uma das causas do transtorno do espectro autista. Entre elas, as respostas imunes em pacientes com AA e TEA têm espectros semelhantes; a epidemiologia da AA e do TEA são muito semelhantes, embora diferem quanto à prevalência do sexo e quanto ao gatilho; uma evidência fundamental é: todo paciente com TEA tem AA antes do aparecimento do transtorno.

Sabrá também alerta sobre o retardo no diagnóstico frente às primeiras manifestações dos pais sobre sintomas – em alguns casos, pode demorar vários anos. “É uma tristeza. Se eu começo o tratamento dessa criança com um ano e meio ou dois anos, ela entra em remissão em até um ano e meio. Se é uma criança de sete anos, será preciso tratá-la por três ou quatro anos devido ao progresso do processo inflamatório”.

O acadêmico conclui sua apresentação falando sobre as formas de tratar o problema. “Portanto, se temos o diagnóstico correto da alergia alimentar, tratamos com dieta hipoalergênica, que provoca a desinflamação e, assim, o paciente vai lentamente saindo do transtorno do espectro autista”.

Participaram ainda da sessão sobre alergias alimentares, a médica Selma Sabrá, do Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense, que falou sobre os aspectos endoscópicos da alergia alimentar; Ana Muñoz, do Hospital Nacional Edgardo Rebagliati Martins-Lima, do Peru, que trouxe resultados de um estudo que desenvolveu criando um score para o diagnóstico clínico da alergia alimentar que seria suficientemente baseado na anamnese para detecção do problema. E o médico Mario Cesar Vieira, do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, no Paraná. Cesar Vieira falou sobre “Esofagite Eosinofílica”, doença relativamente nova, descoberta no início dos anos 90, e que vem crescendo nos últimos anos. Ela é caracterizada pela inflamaçãocrônicacausada pelo acúmulo de eosinófilos no esôfago que pode ser provocada por uma resposta exagerada do sistema imune a algumas substâncias alergênicas. 

Confira a sessão completa em nosso canal do YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCdkjh5HlDk6V49qyIvNJ93A

Os primeiros cem anos de Meer Gurfinkel

Cem anos. Uma vida dedicada a duas paixões: família e medicina. Foi assim que confrades, amigos e familiares descreveram o acadêmico Meer Gurfinkel que, no último dia 17 de março de 2021, comemorou seu centenário e recebeu uma belíssima homenagem durante sessão promovida pela Academia Nacional de Medicina. 

Na oportunidade, o Dr. Hilton Koch, presidente da Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação, os acadêmicos Omar da Rosa Santos, MauricioYounes Ibrahim e Daniel Tabak, entre outros, proferiram palavras repletas de carinho e admiração por sua trajetória profissional e tiveram a oportunidade de revelar histórias pessoais e o quão é humanista. 

O médico Omar da Rosa Santos descreveu características marcantes como “generosidade e temperança”. Já Hilton Koch destacou que Meer Gurfinkel é o tipo de pessoa que jamais desiste e que solicitou que sua jornada possa ser lembrada sempre. MauricioYounes e Daniel Tabak relembraram sua trajetória profissional e pessoal. 

“Regozijamos em vida a oportunidade de celebrar o centenário de Meer Gurfinkel que viveu a discriminação em tempos nazitas, uma semente que floresceu em um futuro humanista que se refugiou em nosso país.”, contou Takak que completou dizendo que o conheceu ainda jovem, quando acompanhava seu pai – paciente do doutor Gurfinkel – nas consultas e ainda prestaria o vestibular para medicina. “Os princípios da relação médico-paciente e sua anamnese impecável marcam a minha formação”, revelou. 

Os filhos Dora e Silvio e o neto Marcel contaram – ao lado do avô que usava máscara, símbolo da postura de médico exemplar -, emocionantes momentos em família. Marcel leu um discurso preparado por Meer que agradeceu e sentiu-se honrado pelas homenagens. A sessão foi encerrada em tom animado com todos cantando parabéns ao acadêmico.

Vida e obra de Meer Gurfinkel – Nascido em 17 de março de 1921, natural da Bessarábia, território da antiga Romênia, veio para o Brasil aos 13 anos, refugiado do nazismo. Nem mesmo o novo idioma e a cultura diferente impediram Meer Gurfinkel de prosperar. Formou-se pela Faculdade Nacional de Medicina, da antiga Universidade do Brasil, em 1947. 

Dedicado à clínica médica, exerceu, ao longo de sua carreira, 23 cargos de chefias médicas, entre os quais chefe de serviço de clínica médica do Hospital Geral do Andaraí, anteriormente chamado de Hospital dos Marítimos. 

Gurfinkel é membro honorário da Academia Nacional de Medicina, da Academia de Medicina de Reabilitação e da Academia Brasileira de Medicina Militar. Em 1962, conquistou a menção honrosa da ANM no XI Congresso Brasileiro de Medicina “Valor clínico e cirúrgico da detecção de células neoplásicas no sangue periférico pela microscopia fluorescente”, que demostrava seu olhar futurista para a medicina. 

Também é membro titular emérito do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Membro da Sociedade Brasileira de Gastroenterologia e da Sociedade Brasileira de Diabetes. 

Tem 17 artigos em revistas médicas, realizou mais de 30 conferências e ministrou mais de 10 cursos na área de medicina.

Juntos somos mais fortes

Um consórcio de instituições universitárias, academias, frentes de políticos e empresários se consagrou na live que reuniu mais de 300 participantes, no dia 17 de março de 2021, e discutiu formas para enfrentamento dos gargalos e propostas estratégicas que contribuam para agilizar a vacinação em massa contra covid no Brasil.

Promovida pelas academias Nacional de Medicina, Brasileira de Ciências, de Ciências Farmacêuticas do Brasil e pela Universidade Federal de São Paulo (Unfesp), o evento trouxe personalidades, iniciativas e propostas que visam minimizar os danos causados no dramático cenário vivenciado no país neste momento da pandemia.

São cerca de 300 mil mortes pela covid-19, mais de 11 milhões de meio de casos e uma vacinação lenta sem um plano nacional.

Participaram do evento, a empresária Luiza Helena Trajano que falou sobre as iniciativas que tem liderado com o Unidos pela Vacina e Mulheres do Brasil que, hoje conta com mais de 82 mil mulheres espalhadas em todo território nacional. Ambos os movimentos visam agilizar a compra de vacinas no mercado internacional, distribui-las e acompanhar no dia a dia os gargalos vivenciados pelos municípios do país, procurando de forma célere, através de padrinhos locais, contribuir para agilizar o processo. A meta é vacinar 70% da população até setembro de 2021, disse Luiza Trajano.

Pelas universidades federais, três mulheres convidadas: as reitoras da Unifesp, Soraya Smaili; da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Denise Pires; e da Federal de Minas Gerais, Sandra Goulart Almeida. A mensagem unânime foi sobre a gravidade do momento, a solidariedade aos familiares de todas as vítimas, a necessidade de ações conjuntas e a capacidade da ciência nacional em dar respostas, mas como ressaltaram faltam investimentos e apoio governamental. Ao fim do debate, todos foram brindados pela notícia animadora da garantia dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) – uma das principais fontes orçamentárias do sistema de C&T.

O encontro ainda contou com os políticos Jonas Donizetti, da Frente Nacional de Prefeitos, que ressaltou, entre as esferas do governo federal, estadual e municipal, quem arca com os maiores gastos atuais do SUS são os municípios. Donizetti destacou ainda o espírito de união para encontrar soluções tanto no processo de vacinação em massa como nos problemas com abastecimento de medicamentos e falta de leitos de UTIs.

Os deputados, ambos médicos, Hiran Gonçalves, da Frente Parlamentar de Medicina, e Luis Antonio Teixeira Jr., da Comissão Externa de Enfrentamento à Covid, destacaram quais ações podem ser adotados para acelerar a vacinação em massa da população brasileira e citaram alguns exemplos como: liberação dos lotes guardados para segunda dose, vacinação durante as 24 horas, sete dias por semana, identificação das vulnerabilidades e atuação junto aos movimentos sociais para equacionar as dificuldades.

O presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr, finalizou apontando a importância do evento e reafirmou: “Nós nunca vamos desistir. Temos muito em comum e bons exemplos a seguir.”

Tratados de farmacologia clínica

O acadêmico Gilberto de Nucci acaba de lançar um livro-guia que apresenta os mecanismos de ação, as indicações terapêuticas e a real eficácia dos principais fármacos utilizados na prática clínica atual. Da cardiologia à neurologia, passando por fármacos em pneumologia, gastroenterologia, moléstias infecciosas, urologia, ginecologia e obstetrícia, reumatologia e ortopedia, psiquiatria, oftalmologia, entre várias outras especialidades. 

O livro está à venda em diversas livrarias online.

Estratégias brasileiras para a produção de vacinas

“Precisamos reconhecer o grupo grande de brasileiros cientistas trabalhando para tentar controlar essa situação que vivemos – inclusive o desgoverno que estamos sofrendo de maneira constante. Mas existem sempre oásis e núcleos que inspiram e são os bons exemplos. A Academia Nacional de Medicina vem tentando ressaltar esses exemplos”.

Com esse breve discurso inicial, o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, abriu a live “Estratégia brasileira para a produção de vacinas”, que ocorreu na última quinta-feira (11/3) e reuniu instituições nacionais renomadas para discutir os rumos da ciência brasileira no combate à pandemia da covid-19.

A sessão contou com a coordenação a apresentação do acadêmico Marcelo Morales, atual Secretário de Estado de Pesquisa e Formação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, que detalhou uma linha do tempo desde a criação da iniciativa RedeVírus MCTI até o sequenciamento da nova cepa do SARS-CoV-2 e publicação de artigos científicos em dezembro de 2020.

A rede conta com mais de dois mil pesquisadores e acadêmicos envolvidos, trabalhando de forma colaborativa e harmônica para que todas as ações sejam bem-sucedidas, e o projeto já investiu cerca de R$ 500 milhões de reais para o enfrentamento da pandemia através de pesquisas científicas, além de R$ 600 milhões de recursos para empresas, com a produção de respiradores e equipamentos de proteção individual.

Morales também compartilhou um infográfico detalhado com estratégias e ações do MCTI no combate à covid-19 que passam pelos pilares: impactos, suporte, sequenciamento, diagnóstico, medicamentos, vacinas e ensaios clínicos. 

“Cada vez mais, precisamos formar uma base forte para a pesquisa brasileira ter uma estratégia contra essa e outras tantas doenças, e a comunidade tem que aprender. Claro que não é fácil, mas o fracasso de um produto não significa que a estratégia foi inadequada – é preciso muitos fracassos para conseguir um sucesso”, destacou o presidente Rubens Belfort Jr.

O acadêmico e presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Jerson Lima, também coordenador do simpósio, iniciou sua apresentação com uma homenagem aos vários séculos de atuação da ciência brasileira, em especial da Fiocruz e do Instituto Butantan, e expõs os principais desafios da pandemia para os cientistas nacionais: redução de recursos federais e estaduais para pesquisa, redução do financiamento das universidades e institutos de pesquisa (infraestrutura) e atividades remotas.

Segundo Lima, o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), composto por 18 fundações, reuniu mais de R$ 90 milhões em 21 chamadas públicas, que incluem pesquisas, tratamentos e diagnósticos, além de aproximadamente R$ 300 milhões redirecionados pelas FAPs em projetos e redes de pesquisa. Somente a Faperj apoiou R$ 75 milhões em auxílios e bolsas em 2020, um total de 120 projetos para o combate à covid-19.

O acadêmico detalha as atuações de cada FAP e encerrou com a divulgação de novos editais e programas da Faperj em 2021, que incluem linhas de pesquisa relacionadas à covid-19 – uma delas, um edital de desenvolvimento de imunobiológios, reposicionamentos de fármacos e vacinas (novas e acompanhamento da fase 4 das que estão sendo aplicadas). “Fomentar a pesquisa é transformar recursos financeiros em conhecimento, que retornam multiplicados em emprego e renda para a sociedade”, afirmou.

O professor Ricardo Gazzinelli, do Centro Nacional de Tecnologia de Vacinas, deu seguimento à sessão com foco na atuação da universidade, que faz parte da RedeVírus MCTI. Duas das tecnologias desenvolvidas no combate ao coronavírus foram os kits Elisa, em cinco meses de pandemia, e os testes rápidos IgG e IgM, que já estão sendo distribuídos para alguns laboratórios mineiros.

Gazzinelli afirma que foi importante desenvolver estratégias diferentes na pesquisa sobre a vacina da covid-19 e a influenza foi a candidata principal – a ideia é ser uma vacina bivalente. No entanto, durante o processo, foi constatado que o modelo quimera X+S apresentou resultados mais animadores. A instituição já levou o modelo à Anvisa e encontra-se na fase de lote piloto.

O professor também apresentou um gráfico com a exibição dos investimentos em desenvolvimento de vacinas no Brasil, que é relativamente baixo, além de não ser, de forma majoritária, composto por recursos de empresas privadas, em comparação com demais países.

Para falar sobre as estratégias da Anvisa no enfrentamento à pandemia, Gustavo Mendes, gerente-geral da instituição, faz um breve discurso. O especialista salienta o rigor do órgão na vigilância e no controle da qualidade das vacinas em desenvolvimento e distribuição, que fazem com que uma série de questões administrativas seja importante e indispensável no processo. 

Segundo o gerente-geral, há três vacinas brasileiras em fases avançadas – dentre elas, as desenvolvidas na Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG) e a do Rio de Janeiro (UFRJ). Mendes também cita algumas medidas adotadas pela Anvisa para o controle da covid-19, como a aprovação do uso emergencial das vacinas Oxford-AstraZeneca e Coronavac, além do recente registro oficial da Pfizer. Outra medida citada é o aproveitamento de registros e aprovações por outras agências reguladoras consideradas referências pela Anvisa e a garantia da qualidade da fabricação de vacinas aprovadas e produzidas em diferentes laboratórios.

A convidada Marcia Antunes, diretora industrial do Instituto Vital Brazil, divulgou novos projetos do instituto, que incluem soro anti-SARS-CoV-2 em preparação para início dos testes clínicos e vacinas em negociação das parcerias e tratativas com o Ministério da Saúde.

Sobre o soro mencionado, Antunes afirmou que houve um pedido de patente em agosto de 2020, em conjunto com a Fiocruz e a UFRJ, visto que os resultados apresentaram anticorpos neutralizantes 50 vezes mais potentes do que os plasmas de pessoas que foram infectadas.

O vice-presidente da Fiocruz, Marco Krieger, encerrou a sessão falando sobre a análise de riscos feita no início da pandemia para o melhor enfrentamento e uma matriz onde foram consideradas tecnologias diferentes e fases das vacinas em desenvolvimento, que possibilitou, por vias legais, a “importação” da produção desses imunizantes. Também foram detalhadas as fases de trabalho em conjunto com a AstraZeneca, desde a chegada do insumo, em janeiro, até a estimativa da entrega de 110 milhões de doses até julho de 2021.

‘Vacina Salva’

Uma campanha da Associação Brasileira de Agências de Publicidade em parceria com Academia Nacional de Medicina, Academia Brasileira de Ciências, Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

A desconfiança por parte da população em relação aos imunizantes motivou a iniciativa, que visa principalmente combater a falta de conhecimento, teorias falsas e a desinformação sobre o funcionamento e a eficácia das vacinas. O legado histórico da ciência para a humanidade e sua trajetória vitoriosa no descobrimento de vacinas que venceram epidemias anteriores são o foco da campanha. 

No filme é a própria a vacina que “fala” sobre sua trajetória e destaca que existe há 200 anos para salvar vidas. A protagonista ainda diz que muitas pessoas não sabem como a ciência funciona, mas que ela existe para deixar as vidas melhores. Poliomielite, febre amarela e meningite são algumas das doenças citadas nas campanhas que foram combatidas e vencidas com a vacinação em massa. O vídeo termina com a mensagem: “Não dê ouvidos para quem não entende a ciência e tem memória curta. Conte comigo!”. 

A campanha foi lançada na primeira sessão ordinária da Academia Nacional de Medicina, no dia 4 de março de 2021, e será veiculada na internet, TVs e rádios de todo país. O enxoval publicitário conta com um filme de 1 minuto e 30 segundos, spots de rádio e placas de rua (OOH).  A criação da campanha é do publicitário Mario D´Andrea, que contou com o apoio gratuito de vários profissionais da agência DPZT e da produtora S de Samba.

Para ver o filme e compartilhar, acesse o link https://youtu.be/MiHQLanO1bI.

Tributo à sociedade

“Nós queremos nesta reunião, mais do que tudo, prestar um tributo aos médicos, profissionais de saúde que continuam trabalhando, incansavelmente, para tentar diminuir o sacrifício e as mortes. Todos, incluindo aqueles que atuam nos laboratórios de pesquisa, nas pesquisas básica e aplicada; na produção de medicamentos e outros imunobiológicos; nos hospitais e UPAs espalhados pelo Brasil. Essa epidemia trouxe grande aflição em relação a recursos humanos e nós, mais velhos, tivemos que sair do campo de batalha; e os jovens tiveram que trabalhar por eles e por nós e continuam se arriscando. Não podemos também esquecer aqueles que tombaram nessa luta.” Com esta mensagem, o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., deu início a primeira sessão ordinária do 192 ano da Academia Nacional de Medicina com uma homenagem à sociedade brasileira pela sua solidariedade durante a pandemia pela covid-19.

O evento “Frente à covid: a resposta solidária da sociedade brasileira” homenageou a Fundação Lemann e a iniciativa do Fundo de Apoio à Aprendizagem; o consórcio de veículos de mídia no levantamento de dados diários sobre o número de casos e óbitos em decorrência da covid, representado pela Folha de São Paulo; o Itaú com o Instituto Todos pela Saúde, além da Fiocruz e do Butantan.

Solidariedade da sociedade – A ANM elencou cinco iniciativas para homenagear em sua primeira sessão do ano de 2021. Pela Fundação Lemann, falou Denis Mizne que contou em poucas tempo o muito que foi realizado pela Fundação em prol da educação. Segundo ele, “a Fundação Lemann acredita que o Brasil será um país mais justo e desenvolvido quando conseguirmos usar da melhor maneira possível nosso recurso mais precioso que é a nossa gente. Infelizmente, deixamos correr pelas mãos muitos talentos.” Mizne falou que, durante a pandemia, foi criada uma grande coalização para aumentar o acesso das crianças à educação, uma vez que o Brasil foi o país, onde as escolas ficaram mais tempo sem aulas. As ações da Fundação contribuíram para que 94% das crianças de escolas públicas pudessem acessar, de várias formas, conteúdo de boa qualidade da base curricular, graças aos esforços da sociedade brasileira.

A iniciativa do Instituto Todos pela Saúde (ITpS), outras das homenageadas, foi apresentada pelo CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy. O projeto, de acordo com ele, recebeu uma dotação do banco de R$ 1 bilhão de reais e que foi acrescida de mais 300 milhões de acionistas – maior quantia destinada por uma instituição privada a uma causa social. O foco do Instituto foi idealizado em quatro pilares: informar, proteger, cuidar e retomar. O ITpS instalou 27 gabinetes de crise para atuar junto ao SUS, tendo doado mais de 14 milhões de máscaras à população, equipamentos hospitalares, além de  120 milhões de equipamentos de proteção individuais para 500 hospitais de todo o país.

O diretor do Butantan, Dimas Covas, e a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, foram outros homenageados pela lideranças na produção de vacinas contra covid-19, além de outras iniciativas para a saúde da população. Dimas ressaltou a importância dos profissionais de saúde em um trabalho ininterrupto, dia e noite, sete dias por semana, para entregar à sociedade vacinas, testes de diagnósticos e soro anticovid e destacou o lema da instituição: Butantan a serviço da vida há 120 anos. Já Nísia Trindade, presidente da Fiocruz, conclamou a todos para uma coalização em duas frentes: a primeira, com uma mensagem de esperanças no futuro embasada em solidariedade e em um pacto em defesa da vida; e na elaboração de uma agenda futura tendo a ciência e a cultura como inspirações.

Representado pela Folha de São Paulo, o consórcio de veículos de mídia foi outro destaque do evento. O jornalista Fabio Takahashi relatou como se deu a iniciativa que reuniu veículos de mídia que, tradicionalmente, são concorrentes e disputam leitores e espectadores, para mitigar o apagão de dados por parte do Ministério da Saúde. Além da Folha de São Paulo, participam do consórcio Estadão, O Globo, TV Globo, UOL e G1 que assumiram a tarefa de levar a todos os brasileiros, todos os dias da semana, os dados atualizados da pandemia. Segundo Takahashi, a experiência  trouxe frutos com novas colaborações como a campanha atual Vacina Sim.

Participaram ainda do evento os presidentes das Academias Brasileira de Letras, Marco Lucchesi, e da Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich. Os comentaristas foram os acadêmicos Silvano Raia e Paulo Buss.

Durante o evento ainda houve o lançamento da campanha Vacina Salva (#VacinaSalva) – uma parceria entre a Associação de Agências de Publicidade (Abap) e instituições científicas. Entre as quais, Academia Nacional de Medicina (ANM), Academia Brasileira de Ciências (ABC), Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

A proposta da campanha é gerar conscientização sobre a importância da vacinação, sobretudo no cenário da pandemia da covid-19, evidenciando o papel da vacina na erradicação de doenças e na saúde coletiva. O presidente nacional da Abap, Mario D’Andrea, conta que as peças publicitárias fazem uma defesa da vacinação em massa para combater a covid-19 e serão veiculadas na internet, TVs e rádios de todo país para combater a desinformação.

ANM participa do Todos pela Saúde

Todos pela Saúde torna-se instituto com objetivo de perenizar ações na área de vigilância epidemiológica.

O Instituto Todos pela Saúde (ITpS) foi fundado no dia 26 de fevereiro de 2021 com a missão de contribuir para o fortalecimento e a inovação na área de vigilância em saúde no Brasil. 

O foco do Instituto será o apoio à pesquisa e a formação de recursos humanos em epidemiologia genômica.

A criação dessa organização tem como ponto principal um sistema de fomento, com programa de trabalho predefinido e gestores dedicados, para o desenvolvimento de atividades, cujos resultados possam ser integrados e disponibilizados para auxiliar em políticas públicas. 

 O ITpS será também importante na definição de caminhos para o enfrentamento da presente e de potenciais futuras epidemias. Trata-se de uma ação “orientada à missão”.

O Instituto é uma associação sem fins lucrativos, tendo como associados a Fundação Itaú (propositora e mantenedora), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Academia Nacional de Medicina (ANM), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade de São Paulo (USP) e o Hospital Israelita Albert Einstein. 

 A dotação inicial de R$200 milhões está sendo alocada a partir de doações incorporadas pela Fundação Itaú para o programa Todos pela Saúde. 

 O aporte será utilizado para constituir um fundo patrimonial, cujos rendimentos deverão manter as atividades do Instituto.

 O ITpS reunirá grandes nomes da ciência e da saúde no Brasil. O Conselho de Administração será presidido pelo médico Paulo Chapchap, diretor geral do Hospital Sírio Libanês. Seu diretor-presidente será o professor da USP e também do Incor, Jorge Kalil.

 O Instituto terá seu programa de atividades avaliado e acompanhando por um comitê científico formado por especialistas e presidido pelo professor César Victora, da Universidade Federal de Pelotas.

 O ITpS deseja contribuir para o desenho de uma vigilância genômica. Para isso, deverá fomentar, estimular e dinamizar iniciativas relacionadas ao tema. 

 As atividades a serem desenvolvidas incluem tanto o financiamento à pesquisa como também levantamentos genômicos (ou metagenômicos), além da formação de epidemiologistas de campo. 

 Haverá também uma ação transversal no desenvolvimentos e aplicação de big data para tratar os dados produzidos. Os trabalhos serão executados em parcerias com instituições de pesquisa, governos e empresas. 

 O Instituto Todos pela Saúde fomentará o alinhamento das principais competências nacionais, contribuindo para um tratamento científico dos problemas epidemiológicos do Brasil.

Com isso, acreditamos que o Brasil estará mais preparado para enfrentar epidemias como a de covid-19 e menos vulnerável a doenças originadas da interação do homem com o meio ambiente.

Lideranças inspiradoras

Como ser uma liderança inspiradora na área médica? Quais tipos de lideranças e como cada uma se desempenha em seu dia a dia? Qual a importância da oratória nas relações humanas? Estes e outros temas foram debatidos em livepromovida, no dia 25 de fevereiro de 2021, pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, e uma das coordenadoras do Programa Jovens Lideranças Médicas da ANM, Patrícia Rocco.

O evento contou com as palestras inspiradoras dos convidados internacionais como Ruth Gotian, da Cornell University e Francis in Vericourt, de Berlim, que aproveitou a transmissão online para fazer jogos virtuais e discussão de casos e eventos médicos com os participantes. 

Gotian que é autora, educadora, coache palestrante falou sobre temas sensíveis e como se destacar em seu campo de atuação. Ressaltou aspectos relacionados à carreira de cientistas, inspirando os introvertidos e como podem incrementar redes de relações e iniciar conversações com outros profissionais desconhecidos. Ruth Gotian é daquelas palestrantes que atrai plateias e se destaca pela simpatia, finalizando com uma ótima dica: você não precisa ser o expertdo mundo, basta ser o expertno ambiente em que está.

Entre os brasileiros convidados, Ana Paula Alfredo, da Agrégat Consultoria, que descreveu diferentes tipos de líderes. Entre os citados, o carismático que tem alto desempenho e, ao mesmo tempo, satisfação dos liderados; a liderança transacional que tem foco nos resultados; a transformacional que inspira os seguidores a transcender seus próprios interesses; a autêntica que estabelece diretrizes sob bases éticas e de confiança. Outros tipos de lideranças são a compassiva e sábia; e o coachque procura a realização de objetivos e a remoção de obstáculos.

Lucas Campos, da empresa Jaleko, o maior grupo online de educação na área da saúde com mais de 100 mil seguidores, foi outro convidado do evento. Lucas falou sobre a importância da oratória e citou que, até para quem vende pipoca, o dom de falar bem é importante. Como ressaltou, falar bem não é uma mágica e persuadir é uma arte que tem na comunicação um importante alicerce.

Cada vez mais em voga, o tema da representatividade feminina também foi abordado na sessão. Aa médica Fernanda Cruz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e membro da primeira turma do Programa Jovens Lideranças Médicas, tocou nesse assunto de forma sagaz. 

Ela demonstrou como o debate é relevante e atual fazendo uma comparação entre duas imagens: uma conferência científica dos anos 1920, que conta com a presença de uma única mulher – a ilustre cientista Marie Curie – e uma imagem da reunião da ANM, após 100 anos, e na qual a presença feminina continua como minoritária. 

Fernanda traz dados da Unesco que apontam que apenas 28% das pesquisadoras no mundo são mulheres. A professora e pesquisadora, vencedora do prêmio Mulheres na Ciência 2018 com seu estudo sobre tratamentos menos invasivos para doenças respiratórias, conta que, ainda que a maioria dos profissionais da área biomédica seja de mulheres, há uma disparidade nos financiamentos de pesquisa. “Homens são maioria – uma proporção distante da realidade”, explica.

Em clima de preparação para a diplomação dos novos membros do Programa Jovens Lideranças Médicas, a sessão também contou com a participação do médico André Báfica, da Universidade Federal de Santa Catarina, que compartilhou sua jornada e experiência na turma pioneira da iniciativa (2015-2020), salientando a relevância do programa em sua trajetória profissional e para a própria medicina brasileira. 

Outro convidado foi Cesar Souza, do Grupo Empreenda, que deu seguimento à sessão com um debate edificante sobre o papel da liderança em momentos de crise – especialmente no cenário da covid-19, que colocou à prova os valores, propósitos e condutas de líderes em organizações. 

“Mais do que nunca, fica claro que não existe um único tipo ideal de liderança, mas um conceito ideal de liderança situacional. Líderes centralizadores assumem o protagonismo na hora de decisões difíceis. Já os participativos não correspondem à pressão do tempo e à velocidade com que precisam agir”, exemplifica o especialista.

O encerramento da sessão foi celebrado em grande estilo com a diplomação dos novos membros do Programa Jovens Lideranças Médicas. A Academia Nacional de Medicina dá os parabéns aos nomes que são o futuro da medicina brasileira: Alléxya Affonso, Antunes Marcos, Andreia Cristina de Melo, Antonio Camargo Martins, Daniel Kanaan, Daniel Vilarim Araújo, Heloisa Moraes do Nascimento, Salomão João Neves de Medeiros, José Mauricio Mota, Kallene Summer Moreira Vidal, Karina Tozatto Maio, Louise De Brot Andrade, Lucas Leite Cunha, Luiz Henrique Medeiros, Geraldo Marcelo Araújo Queiroz, Maria Helena da Silva Pitombeira Rigatto, Pedro Mario Pan Neto, Thiago de Azevedo Reis, Yuri Longatto Boteon.

Humanismo e espiritualidade

“Ao refletirmos sobre clínica, humanismo e espiritualidade, estamos fazendo um ato de resistência moral, frente ao amargor de termos de conviver com centenas de milhares de mortes prematuras e a amargura de presenciar o vagalhão anti-humanista que se espalha em nosso país”, com essa crítica social e citando a homenagem ao acadêmico Ricardo Cruz, que veio a óbito no final do ano passado, Paulo Blank, psicanalista e escritor, iniciou as apresentações da sessão do Programa de Verão Humanismo e Espiritualidade, realizada no dia 4 de fevereiro de 2021. 

O psicanalista, ao iniciar sua reflexão, traça paralelos com os valores judaico-cristãos que, segundo ele, implantaram o humanismo e são aparentemente religiosos, mas que levaram o Ocidente à revolução iluminista, à afirmação dos direitos universais, ao projeto de Fraternidade, Liberdade e Igualdade. Fatos que inspiraram o filósofo judeu Emmanuel Levinas e que o conduziram até a conclusão de que é a relação com o outro que nos leva à verdadeira experiência da transcendência, ou seja, é no convívio real que a espiritualidade humana se expressa e se realiza. 

“Falamos de um próximo que não é o terceiro que está diante de mim, e sim um terceiro ausente. Um desconhecido ao qual eu protejo quando visto uma máscara ao sair de casa – marca que distingue os humanistas contemporâneos dos opositores de uma humanidade solidária responsável. Não usamos máscaras por compaixão etérea, mas por exercício de justiça”, elucida Blank. 

Passando da discussão do humanismo como relação entre os seres humanos, a sessão nos brindou com a palestra de Paul Alexander Schweitzer, padre e matemático da PUC-Rio que falou profundamente da ciência e fé, daquilo que é tangibilizado pelas ciências exatas, mas encontra no mistério da fé questões ainda não respondidas. Em sua apresentação, Pe Paul falou sobre teoria do Big Bang, explicou o princípio antrópico, apontando reflexões sobre a criação do universo que “não é uma prova inquestionável da ação direta de Deus criador em favor do ser humano” e trouxe perguntas fundamentais como: “Por que algo existe, em vez de nada?”; “Por que há uma ordem no Cosmos, ao invés do caos”; “Por que as leis da natureza são estáveis?”. Segundo ele, as respostas são metafísicas, religiosas, de fé, são as pegadas de Deus criador. 

Pe Paulo finalizou com uma mensagem de cuidado pelo mundo a construir. “Em sintonia com esse Cosmos maravilhoso que nos nutri, cuidemos pela casa comum. Criemos um mundo de fé, de amor, de paz, pois nós somos as mãos de Deus na construção do futuro. A paz e a confiança, respeitando a todos, cultivando uma espiritualidade, contribuimos para a saúde”. 

Maria Clara Lucchetti Bingemer, do departamento de Teologia da PUC-RJ, que coordenou a sessão, falou sobre saúde e salvação. Ela expõe que tudo que está relacionado com a humanidade e o ser humano, considerando constitutivas a espiritualidade e a saúde. Ela faz paralelos com a Bíblia que, constantemente, apresenta passagens que citam enfermos e a busca da cura e salvação através da espiritualidade, pelos atos milagrosos e de compaixão de Jesus Cristo. “Na Bíblia, a saúde é um bem relacionado mais que à vida, ao autor da vida. A Deus mesmo. A saúde então é um dom divino, uma benção dentre tantas outras.”, disse ela.  

Para Maria Clara, há um ponto central na Bíblia cristã que aponta a espiritualidade, que significa responsabilidade pela vida do outro, lugar fundamental da salvação, em que Jesus relaciona às atitudes para com o próximo necessitado. Segundo ela, não existe salvação sem vida plena, sem cuidado e atenção à nossa corporeidade; do outro e da Terra também, já que uma espiritualidade integradora não pode esquecer o meio ambiente que vivemos e dependemos. E finaliza sua apresentação recitando Adélia Prado: “Eu tenho a esperança de que nada se perde. Tudo alguma coisa gera, o que parece morto, aduba. O que parece estático, espera”. 

O acadêmico e ex-presidente da ANM, Jorge Alberto Costa e Silva, encerrou a sessão com comentários sobre as palestras e fez relatos pessoais sobre o quanto se identificou com os temas abordados.  

Gargalos no tratamento e aquisição de insumos contra a covid-19

“A seringa é um insumo de uso único, diferente de outros insumos como máscaras, luvas, capotes que você pode utilizar em mais de um paciente. Mas, com planejamento e organização não faltarão seringas para vacinação contra a covid-19”, enfatizou o médico Paulo Fraccaro, Diretor, da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e do Laboratórios (Abimed).

Para ele, as indústrias nacionais conseguem suprir as demandas com um cronograma planejado. “Não iremos vacinar toda população do país ao mesmo tempo. Com isso, o planejamento é totalmente viável para as fábricas atenderem as demandas do país”.

Essa apresentação aconteceu durante livepromovida pela Academia Nacional de Medicina (ANM), “Limitações hospitalares no atendimento a pacientes graves com covid-19”, que aconteceu no último dia 29/1 e contou com a abertura dos presidentes da ANM, Rubens Belfort Jr., e Acácio Lima, da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil. 

Na oportunidade, Belfort Jr destacou: “a pareceria entre as academias é fundamental e valiosa para disseminação de informações relevantes sobre a ‘covidemia’. A falta de comunicação significa falta de transparência nas ações e todos perdem”, enfatizou o presidente.

“Esse ano aconteceu a história. Por exemplo, os ventiladores mecânicos se transformaram em um tema comum para todas as pessoas e não só para os especialistas de UTI”, comentou o médico Jorge Bonassa. Ele conta que, no início da pandeia, o país tinha cerca de 65 mil respiradores disponíveis entre o SUS (45 mil) e a rede privada. Os EUA doaram 600 equipamentos e 1.500 foram importados da Turquia. Mas isso ainda era pouco para suprir a demanda nacional. A solução foi a indústria nacional suprir essa falta. O Brasil conta com quatro indústrias que conseguiram dentro das normas de certificações produzir 13 mil novos equipamentos.

“Já alguns modelos de ventiladores mecânicos importados não estão dentro do ecossistema do nosso parque industrial. Dessa forma, a utilização e manutenção são questões ainda em aberto.”

O acadêmico Marcelo Morales apresentou a Rede MCTI e como ela atua para reduzir o impacto deletério da falta de suprimentos. “Temos sempre destacado a importância da ciência na pandemia, pois é com ciência e tecnologia que conquistamos a soberania e a independência. Temos obrigação através da ciência e tecnologia antecipar os problemas que podemos ter. Esse é o grande desafio. Os problemas podem ser mitigados com ciência.”, destacou o acadêmico.

A Rede MCTI é uma congregação de especialistas de notório saber, especialistas do Ministério da Saúde e outras instituições que norteiam também ações para pesquisa do sequenciamento do vírus.

O evento contou com ainda com as seguintes palestras e conferencistas: “Medicamentos necessários para intubação traqueal e ventilação mecânica em pacientes com covid-19”, com Jorge Afiune, Diretor Médico da Cristália; “Frente à limitação de insumos e ventiladores, como tratar os pacientes críticos com covid-19”, com Felipe Saddy, responsável pela Unidade Ventilatória do Rede D’Or São Luiz; “Agulhas e seringas” com Walban Damasceno de Souza, Presidente do Conselho da Abimed– B&D e “Oxigenioterapia, consumo atual e como economizá-lo’, com Marcelo Viana, chefe da Fisioterapia Respiratória do Hospital Samaritano. Os comentários foram dos acadêmicos Carlos Alberto de Barros Franco, José Luiz Gomes do Amaral e Patrícia Rocco. 

Humanismo & Medicina Narrativa

“Algumas mortes nos chocam mais do que outras, seja porque nos tocam mais individualmente ou porque movem uma parte maior da sociedade”. Com essas palavras, a acadêmica Talita Romero Franco abriu sua homenagem pessoal ao acadêmico Ricardo Cruz, que veio a óbito no final do ano passado. O depoimento ocorreu na sessão de Verão Humanismo & Medicina Narrativa, na última quinta-feira (28/1/21), destacando a brilhante atuação do médico em sua carreira e os impactos positivos causados pelo mesmo.

As apresentações foram abertas pela coordenadora e professora Ana Mallet, da UFRJ e Universidade Estácio de Sá, que compartilhou sua experiência com um grupo de humanidades e literatura – que deu a oportunidade de lançamento do livro ‘Literatura e Medicina: uma experiência de ensino’. Fazendo uma breve narração sobre a trajetória do acadêmico Ricardo Cruz, passando por seu casamento com sua ex-paciente, a professora tratou de trazer uma reflexão sobre Medicina Narrativa, cujo foco é na pessoa e não na doença. “Narrar é uma das formas pelas quais procuramos sentido nas nossas existências”, destacou.

A análise da narrativa da perspectiva da interação social foi o foco da apresentação de Branca Telles Ribeiro, da UFRJ/Lesley University/Cambridge. Os pilares principais residem nas noções que devem ser privilegiadas no olhar literário, sendo essas a perspectiva do observador ou do protagonista, as interações entre personagens e o contexto no qual as relações humanas são tecidas.

O estudante de medicina Laio Terranova emocionou a todos os presentes com um relato extenso e comovente sobre a anamnese atípica de um paciente, denominado N.D.L., usando das boas práticas da Medicina Narrativa, passando por sua história de vida até o momento em que, infelizmente, veio a óbito devido a um câncer.

Eloisa Groissman, da Uerj, recitou um poema para convidar os últimos participantes da noite. Munira Alex Proença, da UFRJ, deu seguimento com sua visão sobre a Medicina Narrativa, afirmando que, embora a doença ocupe um lugar, a ênfase se dá nas pessoas do paciente e do médico – portanto, na conhecida relação médico-paciente, que serve para fornecer dados importantes no diagnóstico e para conduzir a boa execução do trabalho assistencial exigido.

A sessão foi encerrada por Ivan Antonello, da PUC-RS, que compartilhou sua experiência com um paciente no qual se viu em posições “alteradas”, uma vez que o sofrimento do diagnóstico foi sentido por ele, o médico. “É muito importante percebermos que nós somos médicos, enfermeiros, profissionais de saúde, mas nós também podemos ser pacientes numa relação com o outro”, finalizou.

Academias de Medicina discutem pandemias

Um encontro memorável reuniu diversas Academias brasileiras de Medicina, além de outras entidades médicas para trazer reflexões sobre pandemias ao longo dos séculos e como os fatos históricos podem nos ajudar a não errar mais no enfrentamento nacional da atual pandemia pelo coronavírus. 

Entre os convidados, o ex-Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que traçou uma linha do tempo da atual epidemia pelo coronavírus sob a influência política do governo. Mandetta contou durante a liveos primórdios da epidemia em Wuhan, na China, e como o Ministério da Saúde monitorava dia a dia a explosão de casos na Ásia, a chegada ao continente europeu e depois no Brasil. Quais as ações foram tomadas inicialmente e, como ao longo da evolução, as interferências políticas inviabilizaram as ações e estratégias adotadas para enfrentar o SARS-CoV-2.

O presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., um dos organizadores do evento, ressaltou o importante papel desempenhado pelo ex-Ministro Mandetta e agradeceu, simbolicamente, em nome dos brasileiros.

Várias pandemias foram ainda abordadas pelo infectologista Stefan Cunha Ujvari que apontou, ao longo da história da humanidade, os exemplos da peste negra, do vírus da varíola, sarampo, dengue, aids, influenza, outros coronavírus e a sífilis e trouxe curiosidades como a origem do termo quarentena que foi instituído com bases nas histórias religiosas, assim como acreditava-se que as epidemias eram castigo de Deus.

O evento “Encontro de Academias de Medicina. Pandemias: passado e futuro” contou ainda com a participação dos médicos José Luiz de Lima Filho e Euler Esteves Ribeiro. A organização da livereuniu o José Luiz Gomes do Amaral, presidente da Academia de Medicina de São Paulo, além de membro titular da ANM, o vice-presidente da ANM, Omar da Rosa Santos, Vicente Herculano da Silva, da Federação de Brasileira de Academias de Medicina.

Vacinação maciça é indispensável, mas insuficiente

O presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr., e os ex-presidentes da ANM, Jorge Alberto Costa e Silva, Francisco Sampaio e Pietro Novellino, assinam artigo no Jornal O Estado de São Paulo sobre a vacinação e covid. 

Segue a íntegra o artigo:

Vacinação maciça é indispensável, mas insuficiente

O Brasil, finalmente, iniciou a vacinação contra a Covid-19. Avançamos, mas já estão faltando vacinas e, em breve, a situação ainda piorará durante o processo de vacinação. Com certeza, a vacina é um grande marco que possibilitará também a redução das internações e dos casos graves da doença, mas não devemos ter a ilusão que, de um dia para outro, tudo vai mudar. Os brasileiros precisam se conscientizar que medidas de segurança devem permanecer entre nós por muitos meses a mais. O uso permanente de máscaras, a lavagem das mãos de forma correta e rotineira e evitar as aglomerações são atitudes que precisam ser mantidas.

Já se sabe que não existe nenhum tratamento preventivo e, por isso, não devemos dar falsas esperanças, que podem diminuir as medidas de segurança e levar ao relaxamento da prevenção. Todos temos responsabilidade e os exemplos continuam, mais do que nunca, a serem as armas mais poderosa para manter o comportamento correto de toda a sociedade.

A Covid-19 é uma doença que não possui remédios milagrosos e deve ser avaliada e acompanhada exclusivamente por médicos e profissionais de saúde que seguem protocolos e evidências científicas. 

Nosso Programa Nacional de Imunizações tem como marco o ano de 1973, com o término da campanha de erradicação da varíola no país, iniciada em 1962. Ao longo das décadas, transformou-se em exemplo brasileiro de sucesso em todo o mundo, pela sua capacidade de articulação em aplicar mais de 10 milhões de doses de vacinas em áreas urbanas e rurais, em um único dia. São mais de 300 milhões de doses de vacinas por ano para estados e municípios, incluindo crianças, adolescentes, adultos e idosos. Felizmente, a população brasileira aprendeu a confiar nas vacinas e o nosso país tem uma das maiores taxas de aceitação vacinal. Motivo de orgulho. 

O Programa Nacional de Imunização, o Sistema Único de Saúde (SUS), a integração entre gestores municipais, estaduais e o governo federal são fundamentais de serem reforçados e seguidos por todos. O Brasil precisa de dirigentes honestos e competentes, mais do que nunca. Temos que blindar e proteger a população contra o vírus e também contra os falsos líderes.

A vacina representa proteção individual e também da família. É um ato de solidariedade e de vida e um direito de todos. Só assim, iniciaremos uma nova fase que nos levará a vencer a doença e, com calma e respeito, chorar os que faleceram em virtude da Covid-19 e, em paz, nos solidarizar com todos os brasileiros.

A Academia Nacional de Medicina, uma instituição quase bicentenária, se mantém otimista quanto ao futuro, mas preocupada com o presente e as ações equivocadas do passado e lamenta as muitas mortes desnecessárias ocorridas e que ainda ocorrerão, pelo atraso na vacinação e pela liderança mentirosa de muitos. Com o uso da vacina, medidas de proteção individuais e coletivas, acompanhamento médico e o apoio aos avanços da ciência, ao lado de bons exemplos e da execução adequada de planejamento estratégico, poderemos iniciar uma nova fase e vencer a doença.

A comunidade científica em um ano trouxe a vacina. A luta continua. Estamos em guerra. Contra o vírus, a ignorância e os inimigos internos. Os primeiros medicamentos reais estão sendo desenvolvidos e, talvez, disponíveis nos próximos meses. Grandes esperanças. A comunidade cientifica brasileira tem competência e precisa participar desses estudos. Necessitamos, no entanto, de recursos e flexibilização de regras para sermos competitivos e rapidamente fazermos os avanços acontecerem no Brasil.

Vacinem-se! Exijam a vacina!! Mas continuemos todos usando máscaras, praticando o isolamento social e lutando!

Rubens Belfort Jr, Presidente da Academia Nacional de Medicina

Jorge Alberto Costa e Silva, Ex-Presidente da Academia Nacional de Medicina

Francisco Sampaio, Ex-Presidente da Academia Nacional de Medicina 

Pietro Novellino, Ex-Presidente da Academia Nacional de Medicina

Para quem tem acesso ao Estado de São Paulo, o link do artigo é https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,vacinacao-macica-e-indispensavel-mas-insuficiente,70003590687?utm_source=estadao:app&utm_medium=noticia:compartilhamento

De corpo e alma

“Machado de Assis foi membro da Academia Imperial de Medicina, hoje, ANM. No final de sua vida, a epilepsia era nítida e sofrida – motivo de grande embaraço para Machado. Para ele, era a sombra da loucura. Ele se referia à doença como ausência do corpo e da alma”, destacou Hélio de Seixas Guimarães, da USP, durante o Programa de Verão da Academia Nacional de Medicina, realizado no dia 21 de janeiro de 2021.

“Há sempre um risco de redundância ao se falar de Machado de Assis, sobretudo quando se trata de psiquiatria e como ele narrava a alma humana. Nos aspectos psicológicos em seus escritos, ele relatou a inveja, as angústias, as paixões, o orgulho, a rivalidade, o conflito entre o bem e o mal e trouxe uma riquíssima contribuição à psiquiatria”, acrescentou Marco Antônio Brasil, da Faculdade de Medicina da UFRJ.

Ainda segundo Marco Antônio Brasil, Machado de Assis iniciou uma análise profunda da alma humana e antecipou muito para psiquiatria. “Ele tornou-se o primeiro antipsiquiatra do mundo e legitimou a loucura.” 

Citando uma cena de Quincas Borba da obra Machadiana, Marco Antonio descreve a cena em que, diante de uma casa em ruínas, o personagem da ficção pergunta: “posso acender um charuto?” Segundo o palestrante, uma analogia à questão da dor alheia; descrita também por Susan Sontag como a exposição da dor alheia e o suporte da imagem na contemporaneidade”.   

Segundo Sigmund Freud “os poetas e os filósofos descobriram antes de mim o inconsciente, o que eu descobri foi o método científico que o inconsciente pode ser estudado”.  O limite que se descreve entre o estado mental normal e o patológico é tão convencional e variável que é prova que cada um de nós o transponha um dia,” complementou.

Machado de Assis era conhecido por seu pessimismo irônico, mas em uma frase ele destaca a esperança, que serve bem para os tempos atuais que vivemos: “Essa persistência em crer, quando tudo se ajusta, para descrer, mostra que a pessoa é forte. Fé e esperança, uma não caminha sem a outra,” finalizou.

O encontro virtual contou ainda com as palestras: “A convulsão do corpo: o Machado de Silviano Santiago”, com Pedro Meira Monteiro, da Princeton University, dos Estados Unidos; “Sintoma, doença e delírio: dissimulações machadianas”, com Marta de Senna, também da UFRJ e da Fundação Casa de Rui Barbosa; e os comentários do acadêmico Mário Barreto Corrêa Lima.

O inédito Programa de Verão da Academia Nacional de Medicina faz parte da série de eventos em homenagem ao acadêmico Ricardo Lopes da Cruz (in memoriam– 1954/2020).

O simpósio foi presidido pelo acadêmico Marcello Barcinski e teve a coordenação da médica Marta de Senna. “Ricardo Cruz é referência em aproximar a medicina a diferentes áreas do saber. Por isso, estamos prestando essa homenagem a ele”, destacou Barcinski.

“A inteligência transbordava nele, um homem que se destacou em tudo que fez. Ricardo Cruz era particular, próprio, ele não era igual a outras pessoas. Ele colocava a marca de sua excelência em tudo que fazia. Ele era um ponto fora da curva. Entendia a alma humana e a alma da ANM, um dom. Ricardo faz e fará muita falta. Meu amor por ele”, desabafou emocionado o acadêmico José Horácio Aboudib Jr.

Vacina já e máscara sempre

Academia Nacional de Medicina lança campanha Vacina já e máscara sempre. Importante frisar que a chegada da vacina não significa que poderemos sair livremente sem os cuidados essenciais enquanto persistir a pandemia:

  1. O uso de máscaras deve continuar o tempo todo em que estivermos nas ruas ou recebendo pessoas em casa;
  2. O distanciamento social deve ser mantido. Evitar ao máximo e sempre que possível as aglomerações. Esta é ainda uma das melhores formas de se evitar o contágio;
  3. O uso de álcool em gel, assim como a lavagem das mãos de forma constante. Espalhe essa ideia!

O impacto das doenças na obra de grandes compositores

“De tudo ficaram três coisas: a certeza de que estamos a começar, a certeza de que é preciso continuar, a certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar”. 

Esta é frase do escritor Fernando Sabino, recitada pelo Secretário Geral da Academia Nacional de Medicina (ANM), Carlos Eduardo Brandão, no Programa de Verão: Humanismo & Música. O evento ocorreu na última quinta-feira (14), em homenagem ao acadêmico Ricardo Cruz, e mediado pelo acadêmico Marcello André Barcinski.

Após uma linha do tempo em fotos, que narrou a relação do ilustre acadêmico – que nos deixou no final de 2020 devido às complicações da covid-19 – com a ANM, desde os primeiros contatos aos últimos encontros, a sessão foi aberta pelo musicista Rafael Fonseca, do canal Guia dos Clássicos, definindo o tom de um encontro totalmente guiado pela música clássica como pano de fundo.

Rafael Fonseca, estudioso da música desde jovem, traçou uma análise aprofundada da obra de Beethoven e o impacto que a surdez apresentou em sua sonoridade. Segundo o apresentador, a carreira do célebre pianista pode ser dividia em três fases – a última, portanto, fortemente marcada pela perda da audição, que age não somente como uma subtração da habilidade musical, mas como uma abstração criativa que possibilitou a imaginação de novas estéticas na música.

Essa abertura no campo criativo também foi a premissa da análise do médico Matheus Kahakura, neurologista e neurorradiologista intervencionista do Instituto de Neurologia de Curitiba, também versado em música clássica, que seguiu a sessão com uma análise dos impactos da neurossífilis nas obras de Smetana e Donizetti, trazendo a história clínica de sintomas apresentados pelos compositores e observando suas obras a partir de um ponto de vista científico da doença.

Uma tarde memorável em homenagem a Ricardo Lopes Cruz.

Diplomacia da saúde e covid-19

O acadêmico Paulo Buss juntamente com Luiz Eduardo Fonseca acabam de lançar o livro “Diplomacia da saúde e covid-19: reflexões a meio caminho” – uma coletânea com análises produzidas sobre as respostas do multilateralismo ao novo coronavírus, abrangendo ações internacionais sobre o enfrentamento da crise sanitária até o caminho percorrido de pesquisas técnicas produzidas pela Fiocruz. Para baixar gratuitamente, acesse http://books.scielo.org/id/hdyfg.

CARLOS PAIVA GONÇALVES FILHO

É com imenso pesar que a Academia Nacional de Medicina (ANM) comunica o falecimento, no dia 02 de janeiro de 2021, do seu membro titular, o acadêmico Carlos Paiva Gonçalves Filho.

Paiva Gonçalves Filho graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-1954), onde também concluiu o doutorado em 1963. Possuía ainda especialização em Oftalmologia pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (1958).

O acadêmico foi idealizador da cânula de aspiração/irrigação para a cirurgia de catarata. Paiva Gonçalves Filho recebeu diversos prêmios e homenagens, participou de congressos nacionais e internacionais, teve dezenas de trabalhos publicados e integrou comissões examinadoras de concursos. 

Foi membro de diversas sociedades de oftalmologia, entre as quais a Sociedade Brasileira de Cirurgia Refrativa e a Sociedade de Professores de Oftalmologia do Estado do Rio de Janeiro, sendo um dos fundadores e Secretário Geral da 1ª Diretoria. Eleito para o Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Oftalmologia. Integrante de Comissões da Diretoria do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Diretoria da Sociedade Brasileira de Oftalmologia; Membro do Conselho Editorial dos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia. Membro da Câmara de Oftalmologia do Cremerj.

O acadêmico faleceu aos 91 anos. Aos familiares e amigos do oftalmologista Carlos Paiva Gonçalves Filho, a Academia Nacional de Medicina presta toda sua solidariedade.

Confira a íntegra da biografia do acadêmico: https://www.anm.org.br/carlos-paiva-goncalves-filho/.

Deolindo de Souza Gomes Couto

Um dos decanos da Academia Nacional de Medicina (ANM), o acadêmico Deolindo de Souza Gomes Couto, faleceu, ontem, dia 21 de dezembro de 2020.

A ANM expressa seu mais profundo pesar pela perda de mais um confrade em decorrência da covid-19.

Nascido no Rio de Janeiro, o acadêmico tinha 89 anos. Graduou-se em Medicina na Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1955.

Frequentou, nos anos de 1951 a 1953, o Serviço de Clínica Médica do professor Magalhães Gomes, na Santa Casa de Misericórdia. Concluiu Doutorado em 1960 e, em 1963, foi diplomado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em curso de Cirurgia Cardíaca, ministrado pelo professor Euryclides de Jesus Zerbini.

Foi professor de Clínica Cirúrgica, na UFRJ e na Gama Filho, e de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental, na UFRJ e na Universidade Federal Fluminense. Professor de Anatomia e Fisiologia na Sociedade Pestalozzi do Brasil. Foi membro fundador e professor da Escola de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas, da Faculdade Nacional de Medicina da UFRJ.

Chefe e organizador do Serviço de Cirurgia dos Servidores da 9ª Enfermaria do Hospital-Escola São Francisco de Assis da Universidade do Brasil (1963 a 1971); chefe da Seção de Cirurgia Geral do Serviço de Cirurgia Pélvica do Instituto Fernandes Figueira (1965); chefe do Departamento de Cirurgia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro (1968 a 1998).

Membro do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Associação Brasileira de Educação; Fellow do International College of Surgeons e da Society of Tropical Medicine and Hygiene de Londres. Ganhou diversos prêmios, entre eles, o Prêmio Alvarenga, pela Academia Nacional de Medicina (1964); Gerhard Domagk, pela Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (1965) e Brant Paes Leme, pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões (1958). Participou de simpósios e congressos, no Brasil e no exterior.

Ao longo da vida, o  acadêmico Deolindo Couto publicou dezenas de trabalhos e artigos, podendo-se destacar “Bases anátomo-técnicas da mobilização do colo nas esofagoplastias” e “A incisão de Davis nas apendicectomias”, ambos pela Revista Brasileira de Cirurgia.

Na ocasião de sua candidatura a Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, apresentou memória intitulada “Bases fisiopatológicas e indicações do tratamento cirúrgico da hipertensão portal causada pela forma hepatesplênica da esquistossomose mansoni”. Em 1999, tornou-se Membro Emérito da ANM.

Vacina já!

“Agora é hora de uma campanha pela ‘vacina já!’ A vacinação como parte de um programa sólido de luta para termos um menor número de perdas e de prejuízo na economia”, enfatizou o presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Rubens Belfort Jr., na abertura da Sessão Extraordinária, “Evidências científicas e Covid-19: Propostas para enfrentar o terrível cenário que se anuncia e o papel das entidades científicas e academias”, realizado dia 22 de dezembro de 2020, pelas plataformas on-line da ANM.

Na oportunidade, o presidente também destacou a importância do esclarecimento da população em relação à vacina. “Não será uma batalha fácil, pois temos um governo vazio, com características de acefalia e comportamentos nefastos que fazem um desserviço a população. E, a sociedade precisa de bons exemplos. Hoje, os meios de comunicação mudaram e temos capacidade de multiplicar informação científica relevante até através de influencers das redes digitais. Uma vez que o afastamento social, desses novos tempos, nos impede de usar mecanismos como atos públicos para sensibilizar os governos e a sociedade sobre a importância da vacinação”, enfatizou Belfort Jr.

Para o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, é fundamental que as academias e entidades de classe científicas saiam de “suas bolhas”, ou seja, dos debates apenas com os pares e falem diretamente com a população.

“A educação básica é fundamental no país. A questão da desigualdade social atrapalha a disseminação do conhecimento e, consequentemente, a democracia. Mas a solidariedade e a empatia podem salvar vidas. É hora de buscarmos alianças para educar e propagar informação correta para a sociedade, esclarecer como funciona a ciência, uma vez que temos um governo que não ajuda. Pelo contrário, temos autoridades que aparecem em público sem usar máscaras de proteção e propagam que as vacinas podem ter efeitos colaterais alucinantes, numa tarefa totalmente deseducativa”, desabafa Davidovich.

Marco Lucchesi, presidente da Academia Brasileira de Letras, engrossou o coro sobre o momento estratégico que estamos vivendo e afirmou que é necessário fazermos uma releitura de tudo que realizamos até agora. Lucchesi também esclarece que aliança é mais que consenso, e as estratégias de vacinação devem ser elaboradas com sabedoria e de forma laica. 

“A religião que não dialoga com a ciência presta um enorme desserviço à população! Não busquemos o que nos separa. É o momento de esquecer o que nos separa, pois adesões políticas nesse cenário são suicidas e camicases. Não vamos abrir trincheiras e sim criar alianças. Criar possibilidades inteligentes de aproximação e diálogo,” sugeriu o presidente da ABL.

“Fomos atingidos por um meteoro, essa é a sensação que a pandemia do novo coronavírus nos deu. Mas precisamos destacar a grande quantidade de conhecimento científico produzido nesse período, sem precedentes” enfatizou o presidente da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, Acácio Sousa Lima.

Segundo Acácio, nesse turbilhão, a produção de vacinas passa a ser o foco de grandes laboratórios da indústria farmacêutica, “mas todos nós, de alguma forma aprendemos a utilizar os recursos tecnológicos disponíveis, até mesmo para estarmos aqui nesse debate tão rico”, finalizou.

Entre as propostas para enfrentar o terrível cenário que se anuncia na vacinação em massa contra covid, os convidados levantaram ainda a importância de um plano nacional de enfrentamento da doença com uma coordenação unificada com baseada no SUS e no Programa Nacional de Imunizações. Além disso, vários palestrantes abordaram o pleito de mais recursos para o SUS e a ameaça de cortes de cerca de R$ 40 bilhões na saúde pública em 2021, o que está em votação no Congresso Nacional.

O presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, falou que a vacinação contra covid-19 no Brasil não pode ser partidarizada em detrimento do interesse da população nesse momento de tragédia. Comentários que foram ampliados pelo presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Ildeu de Castro Moreira, que ponderou a importância de alianças das entidades científicas e Academias contra o obscurantismo e as fake news.

O vice-presidente da Federação Brasileira de Academias de Medicina, José Luiz Gomes do Amaral, questionou os cerca de 150 participantes sobre o momento no qual a sociedade brasileira falhou em uma educação e saúde para todos. “Estamos vivendo uma tempestade perfeita. Não há educação, não há política sanitária, não há economia e como vamos sair dessa?” A presidente da Rede Interamericana de Academias de Ciência, Helena Nader, complementou lembrando que, há cerca de 100 anos, o mundo viveu a epidemia da Gripe Espanhola e nós não aprendemos com o passado e continuamos errando. “Temos que olhar em frente para o meio ambiente, a educação e os próximos vírus que estão vindo da Amazônia e podem ser futuras ameaças para a saúde pública.”

O diretor científico da AMB, José Eduardo Lotaif, reforçou o papel essencial das instituições de ciência e saúde como os alicerces em prol de um bem comum. E por fim, a pesquisadora Gulnar Azevedo, da Abrasco, pontuou de forma bastante crítica o descaso do Governo pelas 70 recomendações elaboradas por várias instituições para o enfrentamento da covid-19 e que até hoje não foram implementadas pelo Ministério da Saúde. E por fim, disse: “O Brasil precisa do SUS. Vacina já para todos e todas.”

IVO ABRAHÃO NESRALLA

É com profundo pesar que a Academia Nacional de Medicina (ANM) comunica o falecimento do acadêmico Ivo Abrahão Nersalla, da Secção de Cirurgia, ocupante da Cadeira 32, desde 2006. A ANM se solidariza nesse momento de dor com a família, confrades, confreiras e amigos.

Nesrallafoi o responsável pela colocação do primeiro coração elétrico implantável no Brasil, com grande repercussão em toda a América Latina (1999). No ano seguinte, fez a primeira cirurgia com uso da técnica robótica na América Latina. Suas conquistas na medicina foram de longa data. Em 1970, realizou cirurgia de revascularização do miocárdio, com ponte de veia safena, uma das primeiras no Brasil e a primeira no Rio Grande do Sul. Em 1973, empregou, pela primeira vez no país, a técnica da hipotermia profunda e parada circulatória total, para correção de defeito congênito complexo, em crianças de baixo peso. Em 1984, realizou o primeiro transplante cardíaco do Rio Grande do Sul, retomando o programa de transplante cardíaco no país. 

De origem libanesa, Nesralla ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1957, graduando-se em 1962. O acadêmico, fundou e organizou o atendimento médico nas vilas populares – o primeiro serviço do gênero. Durante o curso, foi convidado a compor a primeira equipe de cirurgia torácica e cardiovascular. 

Em Porto Alegre, assumiu a chefia do Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Departamento de Cirurgia da UFRGS e, em paralelo, idealizou e colocou em funcionamento o serviço de cirurgia cardiovascular do Instituto de Cardiologia do RS, onde foi chefe por muitos anos. O acadêmico realizou mais de 45.000 cirurgias do coração e dos grandes vasos, e mais de uma centena de transplantes cardíacos.

Foi presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (1985-1987) e da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (1989 e 1990). Foi eleito também, por duas vezes consecutivas, diretor-presidente da Fundação Universitária de Cardiologia, entre 1993 e 1999. Em março de 1997, foi eleito presidente da Academia Sul Rio Grandense de Medicina.

Na área da cultura, também assumiu, em 1998 a presidência da II Bienal de Artes Visuais do Mercosul realizada pela Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul em parceria com os ministérios da Cultura, Educação e Relações Exteriores, do Governo do Estado do RS e prefeitura de Porto Alegre. Em agosto de 2000, foi reconduzido à presidência da III Bienal de Artes Visuais do Mercosul.

Foi agraciado com o título de cidadão emérito de Porto Alegre, pela Câmara Municipal de Vereadores, 1991. Recebeu ainda, em 2001, a Comenda da Ordem do Mérito Cultural e, em 2002, a medalha Cidade de Porto Alegre.

Nesralla faleceu hoje, dia 16 de dezembro de 2020, em decorrência de uma parada cardíaca, em casa, em Porto Alegre, aos 82 anos. Nesralla deixa a esposa, Paulita, os filhos Ivo, Carlos e Paula e netos.

Confira a íntegra da biografia do acadêmico: https://www.anm.org.br/ivo-abrahao-nesralla/

ANM alerta que “negacionismo irresponsável de gestores precisa cessar já”

Presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr., publica nota oficial com críticas contundentes à atuação dos governos e da “classe política” no enfrentamento da pandemia, as quais tacha de omissas e servis a interesses eleitorais, menosprezando a vida dos cidadãos. E repercute na imprensa brasileira.

Veja a notícia completa em https://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/covid-academia-nacional-de-medicina-alerta-que-negacionismo-irresponsavel-de-gestores-e-politicos-precisa-cessar-ja.html.

Max e os demônios

Este é o título do livro do acadêmico Gilberto Schwartsmann. Recém lançado, o livro é um sucesso e já está na segunda edição. 

O leitor se prepare, pois os desafios que tem pela frente são inúmeros. É um romance que não é romance, o autor brinca com a desconstrução do gênero e esse é um dos seus encantos. Gilberto cria um Schwartsmann seu homônimo, autor-narrador-personagem e conduz o leitor a uma grande aventura intelectual.

Essa história cheia de curiosidades e que está fazendo o maior sucesso é comercializada pela editora Sulina.

RICARDO JOSÉ LOPES DA CRUZ

 É com extremo pesar e profunda consternação que a Academia Nacional de Medicina (ANM) lamenta o falecimento, hoje, dia 8 de dezembro de 2020, do seu Membro Titular e Secretário Geral, o acadêmico Ricardo José Lopes da Cruz, um grande intelectual e um dos maiores cirurgiões do Brasil.  O acadêmico não resistiu às complicações causadas pela infecção da Covid-19. 

Com 66 anos, Ricardo Cruz graduou-se em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e sua pós-graduação incluiu atividades no Hospital Federal de Ipanema; no Instituto Nacional de Câncer e em Cirurgia Plástica, da Escola Médica de Pós-Graduação da PUC-RJ, sob a coordenação do Acadêmico Ivo Pitanguy.   

Eleito em 12 de setembro de 2013, tomou posse como Membro Titular da ANM para ocupar a Cadeira de número 62, da Secção de Cirurgia com a monografia: Trauma de Face e o Resgate da Identidade. 

Em março de 2020, assumiu o cargo de Secretário Geral da Academia, tendo se destacado entre os maiores líderes da medicina brasileira pela adoção de medidas corretas para combater a Covid e pelo papel da Academia Nacional de Medicina.

Ricardo Cruz permanece como grande exemplo de médico, cirurgião e professor de medicina, cirurgia e de humanidades médicas. Profissional irretocável, a medicina perde um de seus maiores tesouros.

O acadêmico Jorge Rezende Filho expressou, ontem, de forma impecável, parte de nossas lembranças sobre o acadêmico Ricardo Cruz:

Montaigne, quando disse que “toda a filosofia é aprender a morrer”, advertia-nos de que pouco a pouco vamos percebendo que a aventura da vida não termina na morte. A vida daqueles dos quais cuidamos e que desaparecem prolonga-se em nossas vidas. Levamos até o fim as recordações dos que conosco morreram e, desse modo, continuam vivos. Se alguém agora a mim perguntasse o que houve de mais motivador na Medicina-Humanidades no Brasil contemporâneo, eu também responderia de pronto, sem medo de errar: Cruz, Ricardo Cruz.

Confira a íntegra da biografia do acadêmico: https://www.anm.org.br/ricardo-jose-lopes-da-cruz/.

Rubens Belfort Jr.
Presidente da Academia Nacional de Medicina

Presidente Rubens Belfort no FIS Taks

Confira a entrevista do acadêmico Rubens Belfort Jr., presidente da ANM, no evento FIS Talks que une as maiores lideranças da saúde para debates, webinars e eventos sobre o futuro da área no país. A iniciativa faz parte do FIS Hub Digital com foco na produção de conteúdo qualificado em um bate papo descontraído e dinâmico.

O link é https://youtu.be/KtFoKNo-sdQ.

Premiado no MIT

O médico Bernardo Barros, do Programa Jovens Lideranças Médicas da ANM, foi premiado no Hackaton MED do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos.

O hackaton é uma espécie de maratona de projetos inovadores defendidos em pitch, que significa apresentações bem curtas. 

Na edição de 2020, o brasileiro Bernardo conquistou mais 4 participantes mundiais para o desenvolvimento de meia com sensores de temperatura e de movimento que, conectado a um aplicativo, pode prever uma piora e impedir uma gangrena ou amputação da perna. Além disso também pode auxiliar o acompanhamento de paciente no pós-tratamento com stent ou by-pass, pois nesses casos, quanto antes diagnosticar uma piora e tratá-la, maior a sobrevida.

Várias formas de beleza e cultura nas artes

Discutir os diferentes olhares sobre a beleza em nossa cultura foi o tema central do simpósio “A beleza e a cultura”, realizado dia 26 de novembro de 2020, pela Academia Nacional de Medicina (ANM), que encerrou o ciclo de debates virtuais do ano. A programação incluiu reflexões sobre aspectos filosóficos e históricos relacionados ao tema, bem como a expressão da beleza nas artes. A abertura do evento foi feita pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr e a coordenação pelo acadêmico Gilberto Schwartsmann.

“Ao longo da história, o belo se confunde com o bom e vem daí a associação que fazemos com virtude. Os palestrantes dessa tarde são pessoas de grande virtude em suas áreas de atuação e representam a cultura do nosso país. Eles irão nos revelar que a beleza pode nos surpreender na filosofia, no cinema, na música, na poesia, nas artes visuais e na medicina”, destacou Schwartsmann.

Na primeira parte do simpósio, para falar sobre a beleza nas artes, o professor Carlos Augusto Calil, da USP e ex-diretor-presidente da Embrafilme, fez um passeio por vários clássicos do cinema mundial. Nessa trajetória, apresentou trechos de obras emocionantes que marcaram gerações na telona. Entre estas, o filme “O segredo das joias”, do diretor John Huston, da década de 1950. Outro exemplar citado foi o clássico Drácula”, de 1931, do diretor Tod Browning, uma obra que até hoje é revisitada em vários remakespelo mundo e que aborda a beleza dos monstros.

A literatura foi representada pelo poema-manifesto “Cântico negro”, de José Régio, publicado em 1926, e recitado pelo acadêmico Gilberto Schwartsmann. 

O simpósio também contou com a participação do professor Francisco Marshall, professor de História da Arte, da UFRGS, que discorreu sobre “Kalokagatia: beleza, ética e sociedade” – kalokagathia é um conceito grego derivado da expressão kalos kai agathos (καλός καi αγαθός),que significa literalmente belo e bom, ou belo e virtuoso. O professor José Francisco Alves de Almeida, da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul, foi outro convidado e debateu o tema “Marcel Duchamp o conceito de beleza no século XX” e o maestro Evandro Matté, da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, que discursou sobre “Proporções e disposições harmônicas: a beleza na música”.

Na segunda parte do simpósio, acadêmicos foram convidados: os cirurgiões plásticos Talita Romero e José Horário Costa Aboudib Junior. A acadêmica Talita Franco falou sobre envelhecimento, beleza e tirania ao longo dos séculos e entre as diferentes culturas, citando o caso das chinesas que enfaixavam os pés para que os mesmos ficasse pequenos, ou costumes indígenas de fazer pequenas queloides de forma geométrica para enfeitar corpos; e a evolução das cirurgias plásticas e os casos de transtornos de autoimagem como o do cantor Michael Jackson.

Franco ressaltou ainda que “envelhecer não é associado ao belo, e hoje há um assédio de vários profissionais de outras categorias da saúde como dentistas, biomédicos e fisioterapeutas que prometem rejuvenescimento sem uma formação adequada. “Um tratamento estético mal feito é muito ruim para pacientes e também para a medicina.” 

O cirurgião plástico e também acadêmico José Horário Costa Aboudib Junior abordou o padrão de beleza fermina entre as diferentes culturas ao longo dos séculos. Desde imagens das esculturas de Venus 40 mil anos antes de Cristo até curiosidades sobre os corpos de tribos africanas no século XIX. Em sua apresentação ainda destacou que nos Estados Unidos, as mamas são o foco; no Brasil há a preocupação com as nádegas. 

“Entre 1970 e 2010, o crescente interesse pelas nádegas pode ser comprovado pelas capas da revista Playboy. Em 190, 66% das capas eram de mamas e 0% de nádegas. Em 2010, 66% das capas trouxeram nádegas femininas”, mostrou Aboudib. Estes fatos, segundo ele, levaram os cirurgiões plásticos a estudar e sistematizar, com bases anatômicas, a gluteoplastias de aumento com próteses de silicone. “Nós cirurgiões, temos extremos limites na arte de criar, pois somos escravos da anatomia. A beleza é fácil de identificar e impossível de definir”, disse.

Sinapses afetivas

O acadêmico Sérgio Augusto Pereira Novis acaba de lançar livro auto-biográfico em comemoração aos seus 80 anos. Revisitando a medicina desde os tempos em que iniciou na carreira, professor Novis exerce a função de neurologista clínico, principalmente em acidentes vasculares encefálicos, esclerose múltipla e neuro-aids. Membro fundador da Sociedade Brasileira de História da Medicina, foi eleito para a Academia Nacional de Medicina, em 1987, tendo ocupado a presidência da Secção de Medicina. Em 2016, tornou-se Membro Emérito.

Para conhecer mais sobre a vida e a obra do acadêmico Novis, visite o site https://www.anm.org.br/sergio-augusto-pereira-novis/.

O livro não está à venda e foi distribuído entre amigos e familiares.

Cápsulas fotográficas

Em sua última sessão de recentes progressos (19/11), a Academia Nacional de Medicina trouxe a médica do hospital Sírio Libanês, Fabiane Sartore, que abordou os impactos que as cápsulas endoscópicas trouxeram para o diagnóstico e a terapia mais assertiva no tratamento de problemas no intestino médio/delgado.

Até então, segundo o acadêmico José Galvão Alves, era uma região de difícil acesso, que impunha aos médicos um desafio no tratamento às cegas de uma área importante com comprimento de 4 a 6 metros.

Casos de anemia e sangramentos sem diagnósticos são indicações para que os pacientes ingiram as cápsulas que possuem micro câmeras e que tiram 2 a 6 fotos por segundo da região do intestino delgado.

Judicialização na saúde: a visão de juízes e promotores

Quando o assunto é saúde, e em muitos casos, isso significa gravidade, a justiça e os juízes brasileiros têm sido colocados diante de um enorme desafio, uma verdadeira escolha de Sofia, segundo o Procurado do Estado de São Paulo, Arnaldo Hossepian. A judicialização da saúde foi tema da sessão científica da Academia Nacional de Medicina, no dia 19/11.

O evento contou com a abertura do presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, e a coordenação dos acadêmicos José de Jesus Camargo e José Galvão Alves. 

Outra participante foi a juíza Candice Jobim que expôs uma linha do tempo sobre o processo que levou o Conselho Nacional de Justiça a criação dos e-NatJus – um cadastro nacional de pareceres, notas e informações técnicas para auxiliar os magistrados com fundamentos científicos para decidir se concede ou nega determinado medicamento ou tratamento a quem aciona à Justiça.

O sistema, hoje nacional, conta com 27 NatJus, espalhados pelo Distrito Federal e unidades da Federação, com mais de 3 mil notas técnicas que, além de contribuírem nas sentenças, tem ampliando a oferta de medicamentos e serviços no SUS. 

Para ser elaborado, o sistema contou com parcerias dos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein e visa avaliar as evidências científicas de um medicamento prescrito por médicos e mais do que apenas a efetividade: o custo x benefício também são avaliados. Ao conceder um medicamento a um doente, a Justiça poderá estar contribuindo também para a desorganização do SUS. Medicamentos com preços exorbitantes e sem comprovação de eficácia, privilegiam aqueles que conseguem impetrar mandatos na Justiça e impactam o sistema e o atendimento de vários dependentes do SUS.  

Através dos seus simpósios virtuais semanais, a ANM trouxe à tona em 2020 temas relevantes do cenário da pandemia pelo coronavírus e da saúde, para debates com a comunidade médica, cientifica e a sociedade em geral, visando gerar reflexões importantes na contemporaneidade.

Confira a íntegra das palestras no canal da ANM: https://bit.ly/3fz0hGL.

Judicialização na saúde: a visão dos médicos

“O principal agente das demandas judiciais é a ausência de afeto na relação médico-paciente”. Esta foi a citação que destacou o discurso do acadêmico José Jesus Camargo, que abriu o simpósio da Academia Nacional de Medicina, realizado na última quinta-feira (19), que abordou a judicialização em medicina – tema de grande relevância, visto que dados do Conselho Nacional de Justiça apontam aumento de 1.600% no número de processos judiciais por supostos erros médicos no país em um intervalo de 10 anos.

Para discursar sobre a especialidade de ginecologia e obstetrícia, o acadêmico Jorge Rezende Filho, da UFRJ, dividiu o assunto em três grandes eixos: obstetrícia médico-legal forense, erro médico e defesa profissional. O especialista pontuou aspectos legais de questões controversas como reprodução assistida e aborto e encerrou sua apresentação com 12 cuidados que poderiam evitar processos éticos-legais, dentre os quais se destacam a boa relação com o paciente, a postura ética e a transparência.

O cirurgião plástico e acadêmico José Horácio Aboudib, da UERJ, adentrou a discussão legal na cirurgia plástica, enfatizando que a especialidade em questão é a única em que o médico deve provar que não errou, e não o contrário. Um outro ponto de relevância em sua apresentação foi a problematização dos ditos “vendedores de resultados” – profissionais que utilizam de conduta antiética e desrespeitam os regulamentos do Conselho Federal de Medicina, prejudicando a percepção popular sobre a cirurgia plástica. Por fim, Aboudib afirma que o atendimento humanizado e a atenção ao paciente são tão ou mais importantes do que a eficiência técnica.

Sobre a judicialização em ortopedia, o médico Tarcísio Barros Filho, da USP, alerta para a tendência da “superespecialização” na especialidade – em outras palavras, se utilizar de títulos de especialista em mão, ombro e coluna, por exemplo –, que pode prejudicar a credibilidade do profissional e gerar conflitos. Barros Filho também aponta que as principais queixas com relação a conduta médica na área são mau posicionamento de materiais de implante e de fixação, e afirma que é importante tratar o paciente como gostaria de ser tratado.

A presença do acad6emico Raul Cutait, da USP e do Hospital Sírio-Libanês, levantou tópicos de relevância na judicialização da cirurgia. Em especial, Cutait relata que alguns procedimentos necessitam de grande competência técnica, estrutura hospitalar e profissionais especializados, mas que, muitas vezes, limitações fazem com que cirurgiões que não se sentem totalmente aptos se submetam à realização, podendo gerar conflitos. O especialista afirma que alinhar expectativas e ser transparente é a base de toda a resolução.

Já o cirurgião geral e oncológico Alfredo Guarischi, da UFRJ, abordou a judicialização na oncologia, destacando as principais causas: a frequência e a complexidade da doença, além da natureza experimental de alguns tratamentos, que podem ser paliativos ou curativos.

O acadêmico Antonio Egídio Nardi, da UFRJ, endossou a relação médico-paciente como fundamental para evitar questões de judicialização na psiquiatria. Outros pontos levantados foram a facilidade do acesso a tratamentos farmacológicos caros pelo SUS como uma alternativa bem-sucedida e a deficiência na assistência psiquiátrica pública como causa da judicialização em internação compulsória.

O acadêmico Silvano Raia foi outro convidado e enfatizou quejudicialização da saúde deve respeitar os princípios éticos e legais”. O acadêmico destacou dois conceitos: a ética do dever e a da responsabilidade. A primeira é para cumprir nosso dever como membros de uma sociedade; o outro conceito, da responsabilidade, é mutável e visa obter o bem.

“O número de ações judiciais vem aumentado progressivamente no Brasil em decorrência da falta de recursos e de acesso aos serviços de saúde, mas a lei da medicina tem que zelar pela saúde do ser humano”, enfatizou o acadêmico.

Mas por que o paciente judicializa? A médica Maíra Dantas, do Conselho Regional de Medicina da Bahia, tentou responder a essa questão. Segundo ela,isso ocorre para que o paciente tenha acesso aos serviços de saúde que a constituição garante, mas não provém. “A medicina não pode se submeter ao Código de Defesa do Consumidor, pois a medicina não pode ser mercantilista, porém, infelizmente, as filas do judiciário estão mais céleres do que as filas da saúde”.

 “A legislação foi um ganho social inquestionável e inexorável. Mas, prometemos algo que não conseguimos cumprir. A prática conflita com as dificuldades do nosso sistema de saúde. Há uma enorme desproporção entre as demandas da população e a oferta desses serviços. Além disso, nos últimos anos perdemos muitos leitos na esfera pública, privada, filantrópica e suplementar”. Dantas finalizou sua apresentação citando Carl Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

Para ter acesso à sessão completa, veja o vídeo em nosso canal no YouTube https://bit.ly/33cVl55 ou aqui no nosso site.

Academias reforçam a necessidade da responsabilidade social

Em defesa da Anvisa

Com cerca de 140 participantes e grande repercussão na mídia brasileira, a sessão científica “Vacinas e covid-19: registro e vacinação, prováveis cenários”, realizada no dia 12 de novembro, contou com diferentes segmentos da sociedade.

Entre os convidados, advogados, médicos, cientistas e jornalistas que debateram durante cerca de 6 horas. Ao final do evento, os presidentes das Academias Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr., da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, e de Ciências Farmacêuticas do Brasil, Acácio de Souza Lima, redigiram e lançaram um manifesto no qual condenam a politização dos testes da vacina contra covid-19. Para saber mais, acesse https://bit.ly/38WWt0u.

Anvisa – O papel e a defesa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foram um dos destaques da sessão. 

Segundo o presidente da ANM, prof. Rubens Belfort, a Anvisa pertence ao Brasil e precisa ser blindada contra interferências políticas. 

“A Anvisa é um orgulho da nossa geração de pesquisadores, médicos e profissionais da saúde. Eu tenho certeza de que falo por toda a ANM, com seus 100 acadêmicos, que vocês podem realmente contar conosco, e nós prometemos fazer o que for possível para aumentar a efetividade da Anvisa”, falou o presidente da ANM para o gerente geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa,Gustavo Mendes.

“Principalmente nesse momento de pandemia, onde se tem discutido muitas situações que põem em cheque o que é conhecimento científico, a Anvisa é um aliado na valorização da ciência nacional”, ressaltou Mendes.

O especialista destacou ainda os recentes avanços do reconhecimento global da instituição enquanto autoridade na área. “Desde 2016, começou um processo de convergência global que culminou, no ano passado, na aceitação da Anvisa como membro gestor do ICH, que é um dos maiores fóruns de agências reguladoras globais. Portanto, hoje, estamos no mesmo patamar que agências de referência a nível global”, disse Mendes.

Mendes dedicou sua apresentação a esclarecer os principias papeis nesse momento em que os estudos clínicos de vacina contra covid se encontram no país – atualmente, quatro vacinas estão em estudo no Brasil, incluindo as conhecidas Coronavac, do Instituto Butantã, e a vacina de Oxford. “Parte do papel da Anvisa no controle das boas práticas de fabricação é inspecionar os locais em que essas vacinas estão sendo produzidas para garantir determinados critérios”.

“Nós, profissionais da área, teremos que ser transparentes com a população sobre a porcentagem de eficácia, quem vai poder se beneficiar dessa vacina e quais os eventos adversos que pode trazer”, reforçou Mendes, destacando a rapidez e o foco total da Anvisa no cenário de urgência em decorrência da pandemia.

O ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto, acrescentou que faltam políticas públicas de imunobiológicos no país. Para ele, essa falta de políticas públicas permite que aventureiros joguem dinheiro fora. 

A advogada Aline Mendes Coelho,especialista em Direito Regulatório e Sanitário, foi outra convidada do simpósio e, durante sua apresentação, fez um histórico sobre a Anvisa e seu papel nesse momento de pandemia.

Registro de vacinas de covid

O presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, afirmou que os brasileiros poderão ter a vacina contra covid-19 ainda no primeiro trimestre de 2021. Segundo Murillo, a companhia fabricará 50 milhões de doses até o fim de 2020 e o total para o ano que vem chega a 1,3 bilhão de doses para o mundo. A empresa já investiu US$ 2 bilhões no imunobiológico que possui uma tecnologia por RNA mensageiro.

O anúncio foi feito em sessão científica organizada pelos presidentes das Academias Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr., Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, e de Ciências Farmacêuticas do Brasil, Acácio de Souza Lima, no dia 12 de novembro de 2020.

Murillo ainda explicou que um dos desafios do imunobiológico, e já solucionado, foi a questão do armazenamento. Desenvolvida com a alemã Biontech, a vacina precisa de acondicionamento a menos 70graus e, para contornar esse problema, empresas parceiras desenvolveram uma embalagem especial que, com gelo seco, consegue conservar o imunizante por até 15 dias, sanando assim problemas logísticos de um país continental como o Brasil.

Sobre os valores de cada dose, Murillo explicou que a Pfizer tomou a decisão de criar três faixas diferentes de preços por dose, cuja aplicação vai depender do desenvolvimento de cada país. Haverá, portanto, um preço mais elevado para países mais avançados, como os Estados Unidos e os europeus, um preço para países intermediários, como é o caso brasileiro, e um terceiro preço menor para países menos desenvolvidos, “como a Bolívia”, de onde Murillo é natural.

Mais ofertas – Outro convidado dessa sessão, foi o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Aurélio Krieger. Ele abordou a parceria entre a instituição, a Unifesp, a universidade de Oxford e a farmacêutica britânico-sueca AstraZeneca e disse queessa vacina custará US$ 3,16 por dose aos cofres públicos. 

Krieger afirmou que o preço da vacina de Oxford é três vezes mais baixo que o dos imunizantes mais baratos em desenvolvimento e até dez vezes menor que o de produtos resultantes de operações totalmente privadas. Uma das razões para isso, é o fato da universidade de Oxford ter aberto mão de royalties, além da capacidade de fabricação já instalada nas plantas da Fiocruz e que deverão ser expandidas para atender a demanda. Com isso, o país se prepara para oferecer vacina de forma equânime entre os brasileiros, através do SUS e do Programa Nacional de Imunizações.

Para viabilizar a parceria entre o Brasil e a Inglaterra foram necessárias várias negociações com autoridades, congresso, instituições como a Anvisa, e evitar assim riscos jurídicos e, fundamental ainda foi o apoio da sociedade civil com doações que chegaram a mais de R$ 100 milhões, em um total de R$ 2 bilhões para fabricação dessa vacina. A expectativa é que a Fiocruz produza 100,4 milhões de vacinas no primeiro semestre de 2021 e 210,4 milhões ao longo de todo o ano que vem. A tecnologia desta vacina vem do uso de um vetor viral não replicante. Neste imunizante, adenovírus de Chipanzé, e que conferem uma proteção de 90%, segundo Krieger. E a Anvisa já ampliou para 10 mil o número de pessoas que participam dos testes com esta vacina. O imunizante está em teste em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Bahia, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte.

Imortal na medicina e na arte

A Sessão Saudade, in memoriam, ao acadêmico Eustáchio Portella Nunes Filho, realizada dia 10 de novembro de 2020, pela Academia Nacional de Medicina (ANM), foi presidida com maestria pelo secretário geral da ANM, o acadêmico Ricardo Cruz, e contou com homenagens emocionantes do ex-presidente e acadêmico Jorge Alberto Costa e Silva e do acadêmico Antônio Egídio Nardi.

“Um grande homem, meu mestre. Um excelente médico, psiquiatra, psicanalista, cientista, intelectual, pensador e, acima de tudo, um grande humanista. Nos deixou um legado extraordinário e a imortalidade da sua obra acadêmica”, enfatizou o ex-presidente da ANM, Jorge Alberto Costa e Silva.

O ex-presidente também destacou o grande interesse do acadêmico Portella pela literatura e filosofia. Segundo ele, o acadêmico não somente participou da história da medicina, mas ele ajudou a construi-la. “Ele nos dizia que o papel do escritor não é apenas escrever, e sim, encantar.”

Para o acadêmico Antônio Egídio Nardi, o professor Portella marcou várias gerações de psiquiatras e permanece até hoje como um farol, guiando alunos de medicina. “Muito profícuo na produção de artigos e um amplo conhecimento de diferentes aspectos da psiquiatria, psicanálise, filosofia e humanismo. Um verdadeiro intelectual.”

Como é de praxe na Sessão Saudade, a família do homenageado se manifesta. Nesta ocasião, o médico Estevão Portela, filho do acadêmico falecido. Estevão começou sua apresentação citando Thomas Steams Eliot, poeta e dramaturgo que ganhou o Nobel de Literatura em 1948, e que o pai gostava muito. Estevão recitou trechos do poema “O tempo presente e o tempo passado”, que o acadêmico utilizou em seu discurso de posse na ANM, na década de 1980.

“O tempo presente e o tempo passado estão ambos, talvez, presentes no tempo futuro. E o tempo futuro contido no tempo passado. Se todo tempo é eternamente presente, todo tempo é eternamente passado, todo tempo é irredimível. O que poderia ter sido é uma distração, que permanece, perpétua possibilidade, num mundo apenas de especulação. O que poderia ter sido e o que foi convergem para um só fim, que é sempre presente”.

Estevão Portella, muito emocionado e em alguns momentos sem conseguir conter o choro, contou que as estantes de livros do pai continham mais livros de literatura e filosofia do que de medicina. “Eu e minha irmã fomos muito influenciados pelo interesse humanístico do meu pai. Meu pai foi feliz!”

Confira a íntegra da Sessão Saudade no nosso canal no YouTube https://bit.ly/3lCerci.

Telemedicina: onde estamos e para onde vamos

A pandemia do covid-19 estimulou a criação de estratégias e de novos paradigmas para a prática segura de medicina que respeitasse os protocolos de saúde estabelecidos. Neste cenário, debates sobre telemedicina ressurgiram a todo vapor, sendo necessária a promulgação da Lei nº 13.989, em abril deste ano, que discorre sobre essa modalidade da medicina. Assim, a Academia Nacional de Medicina realizou, na última quinta-feira (5/11), o simpósio sobre recentes avançados em telemedicina.

As apresentações foram abertas pelo professor Chao Lung Wen, da Universidade de São Paulo, que contextualizando o tema, afirmando que estamos entrando numa “sociedade 5.0” hiperconectada, que faz uso da robótica e da inteligência artificial no dia a dia a fim de favorecer um serviço profissional cada vez mais humanizado e responsável.

“Precisamos priorizar o conforto e o estilo de vida, a promoção de saúde, a otimização do tratamento e a redução da dependência. A tecnologia serve a essa finalidade; não se trata da substituição do ato médico, mas da potencialização do mesmo numa abordagem biopsicossocial”, explica Wen.

O especialista enfatizou o conceito de casas inteligentes. Segundo ele, houve um crescimento de 22,8% do home care, nos últimos anos. Cada vez mais, dispositivos para o atendimento em domicílio, como ultrassom portátil, oftalmoscópio e otoscópio, com tecnologia mais otimizada para o uso correto e autônomo do paciente, sendo essa uma tendência para a gestão de saúde. “Em outras palavras, descentralizar e distribuir a saúde para dentro das casas sob gestão de qualidade hospitalar”.

O simpósio também contou com a sessão “Minha experiência como clínico em 2020”, apresentada pelo médico Jairo Hidal, do Hospital Albert Einsten, na qual compartilhou sua experiência com o uso da telemedicina desde exemplos mais distantes, como trocas de e-mails na década de 1990, até o contexto atual da pandemia, apresentando as vantagens e desvantagens da modalidade de um ponto de vista empírico.

Dentre os principais pontos abordados por Hidal que enfatizam a necessidade de melhorias na telemedicina, estão a educação e orientação do paciente para um melhor preparo para a telemedicina – como o uso de ferramentas e dispositivos – e uma definição mais sólida sobre a remuneração do profissional. “A melhor forma de fazer a telemedicina ser um modelo de sucesso é desenvolver uma boa telemedicina que seja satisfatória tanto para o paciente quanto para o médico”, comentou ao encerrar sua apresentação.

 
 

Coordenadores:  


Acad. Francisco Sampaio
Acad. Cláudio Benchimol

 
     
 
14h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.
Acad. Francisco Sampaio
Acad. Cláudio Benchimol

   
TeleMedicina – Caminho sem volta
   
14h10

Presidente ANM, Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
14h20

Dr. Felipe Cezar Cabral
Coordenador Médico de Saúde Digital do Hospital Moinhos de Ventos, Porto Alegre

   
   
14h30

Dr. Caio Soares
Diretor Médico da Teladoc no Brasil

   
   
14h40

Dr. Eduardo Reis de Oliveira
CEO, SantéCorp Fleury / Bradesco

   
   
14h50

Dr. Guilherme Weigert
CEO, Conexa Saúde

   
   
15h Discussão
   
   
15h40

Dr. Romeu Côrtes Domingues
Presidente do Conselho de Administração, Dasa

   
   
15h50

Dr. Fernando Pedro
Diretor Clínico e Telemedicina, AMIL

   
   
16h

Dr. Saulo Emanuel Barbosa
Coordenador Telessaúde, Prevent Senior

   
   
16h10

Dr. Eduardo Cordioli
Diretor Médico TeleMedicina, Hospital Albert Einstein
Associação Saúde Digital Brasil

   
   
16h20

Tele Oftalmologia
Dr. Paulo Henrique Morales – Instituto da Visão, EPM UNIFESP

   
   
16h30

Telessaúde
Acad. Giovanni Cerri e Acad. Fábio Jatene – Inova HC, FMUSP

   
   
16h50 Debate com a Bancada Acadêmica
   
   
17h30 Intervalo
   
Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXXIV – Ano Acadêmico 191
 
   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h10 Comunicações dos Acadêmicos
   
   
18h30

Sessão Recentes Progressos

Tema: Medicina Conectada 5.0 e Saúde Distribuída

Relator: Prof. Dr. Chao Lung Wen (Chefe da Disciplina de Telemedicina da USP)
Comentários: Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h50

Minha Experiência como Clínico em 2020
Dr. Jairo Tabacow Hidal – Hospital Albert Einstein, Escola Paulista de Medicina

   
   
19h10

Comentários
Dr. Nelson Hamerschlak – Hospital Albert Einstein

   
   
19h20 Debate com a Bancada Acadêmica
   
   
20h Encerramento
   
 

Da invenção do estetoscópio à telemedicina – É distanciamento do paciente?

O “Simpósio Telemedicina – O que fizemos em 2020 e teremos em 2021”, realizado dia 5 de outubro de 2020, de forma remota, pela Academia Nacional de Medicina (ANM) começou com uma provocação de um dos coordenadores do evento. Na ocasião, o acadêmico Cláudio Benchimol desabafou:” Na saúde suplementar, me preocupa o fato de a telemedicina vir a ser apenas uma forma de baratear os custos das operadoras de saúde. Faça o plano tal e ganhe grátis duas consultas de telemedicina”, instigou o acadêmico.

O presidente da ANM, prof. Rubens Belfort Jr., nas suas considerações iniciais, destacou que a medicina é um todo. Segundo ele, não se discute que a anamnese (a entrevista realizada pelo médico com seu paciente) e o exame clínico são importantes, assim como o relacionamento e a empatia para o bom desenvolvimento do ato médico.

– Mas, a medicina muda rapidamente e cada vez mais rápido. Precisamos perceber essas mudanças e a telemedicina é um grande exemplo disso, enfatizou o presidente.

Belfort Jr. também fez uma curiosa analogia sobre as mudanças nos séculos e o conservadorismo na área de saúde. Ele relembrou a década de 1840, quando o estetoscópio foi inventado e trouxe um “pseudo afastamento” entre médico e paciente.

“Antes da criação do estetoscópio, que hoje é um símbolo do cuidado presencial, o médico para auscultar o pulmão ou o coração do paciente precisava colocar a orelha em seu tórax e ou peito e apertar o outro lado da caixa torácica. Era um relacionamento mais próximo, quente e úmido. Quando o aparelho surgiu, temia-se que essa tecnologia seria um distanciamento da relação médico paciente”.

O presidente finalizou declarando que o cuidado presencial e a telemedicina são ações complementares. “Um outro ponto importante para refletirmos é que uma das maiores dificuldades do nosso sistema de saúde, atualmente, tanto na rede pública como privada, ainda é a questão do acesso à assistência médica. E, nesse aspecto, a telemedicina pode permitir o primeiro contato. Por isso, é papel da Academia trazer esses temas polêmicos para discussão em prol de servir a sociedade e não a interesses corporativos.”

Vale destacar que a coordenação do encontro foi compartilhada com o acadêmico e ex-presidente Francisco Sampaio, que conduziu com maestria as discussões.

O médico Felipe Cezar Cabral, coordenador médico de saúde digital do Hospital Moinhos de Ventos, de Porto Alegre, relatou a experiência bem sucedida do hospital em telemedicina, tele-orientação e tele-consulta. Cabral destacou a jornada híbrida do indivíduo nesse processo. “A telemedicina não é o fim e sim um meio. O indivíduo pode ter acesso a telemedicina antes de ser um paciente, com orientações de prevenção de doenças e orientações ambulatoriais”.

Para o médico, a telemedicina não vem para substituir o contato físico e sim para somar na jornada do paciente e garantir mais qualidade de vida. “O mundo digital e humano coexistem, paralelamente. Dessa forma, temos que tirar o melhor proveito e atender quem precisa, seja em casa por uma tela, para orientar na busca de ajuda especializada ou até a ida para uma emergência, se for o caso”, enfatizou o coordenador.

“A telemedicina não substitui uma consulta presencial. Orientamos nossos médicos a ouvir e atender com carinho, seja de forma presencial ou remota. O médico que atende pela web tem que ter bom senso e empatia também”, afirmou o presidente do Conselho de Administração Dasa, Romeu Côrtes Domingues.

Romeu destacou que a tecnologia é inexorável, não tem retorno. Mas, é preciso utilizá-la a favor da saúde da população. “A telemedicina nos possibilita preencher gaps, fazer uma boa medicina; evitar desperdícios, sermos mais democráticos e termos um sistema de saúde mais sustentável.”

Todas as relevantes apresentações dos debatedores do simpósio estão disponíveis em nosso canal no YouTube (link).  Confira as conferências dos médicos Caio Soares, diretor médico da Teladoc no Brasil; Eduardo Reis de Oliveira, CEO SantéCorp Fleury/Bradesco; Guilherme Weigert CEO Conexa Saúde; Fernando Pedro, Diretor Clínico e Telemedicina, AMIL; Saulo Emanuel Barbosa, Coordenador Telessaúde, Prevent Sênior, Eduardo Cordioli, Diretor Médico TeleMedicina, Hospital Albert Einstein; Paulo Henrique Morales, Instituto da Visão, EPM UNIFESP, dos acadêmicos Giovanni Cerri e Fábio Jatene,  Inova HC, FMUSP.

A Academia Nacional de Medicina promove seus tradicionais simpósios todas as 5ª feiras, das 14h às 20h, para debater os grandes temas da contemporaneidade na área de saúde, em prol da disseminação de informação respaldada e científica, visando contribuir com as questões de qualidade de vida da sociedade. Você é nosso convidado. Acompanhe nossas programações nas nossas redes sociais e no nosso site.

Cirurgia laparoscópica de forma didática e ilustrada

Durante a sessão científica da ANM, realizada no dia 29 de outubro de 2020, o acadêmico Rossano Fiorelli, lançou o livro “Cirurgia laparoscópica ilustrada: bases técnicas”, o qual divide a coautoria com o cirurgião Renan Couto, ambos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. 

 “Este livro não é somente prefaciado, mas dedicado ao mestre Pietro Novellino, ex-presidente da Academia Nacional de Medicina, pois foi escrito por três gerações de cirurgiões que foram seus alunos”, enfatizou Fiorelli.

Pietro Novellino, o grande homenageado no prefácio, comenta que a obra é enriquecedora mesmo para os iniciantes ou os que não têm formação cirúrgica. “Apresentar essa obra na Academia enaltece seus autores e enaltece a nossa instituição”, finaliza.

O acadêmico Rubens Belfort, presidente da Academia Nacional de Medicina, ressaltou a grande evolução da cirurgia laparoscópica nos últimos anos e reconheceu a excelência da obra. “Sem dúvida, este tipo de livro ajuda a medicina brasileira e, dessa maneira, evidentemente, contribui com os objetivos da nossa Academia”.

A publicação também contou com a participação de diversos professores do Departamento de Cirurgia Geral e Especializada e do Mestrado Profissional em Técnicas Assistidas e Minimamente Invasivas da UniRio. 

O cirurgião esclarece que a intenção do livro é apresentar ao leitor os conceitos mais importantes da laparoscopia de forma didática e ricamente ilustrada, contando com 485 ilustrações feitas à mão ao longo de 360 páginas.

Com a palavra, o também autor e pesquisador Renan Couto comentou que a ordem dos capítulos foi planejada da forma mais intuitiva possível, pois é organizada de tal forma que segue o fluxo habitual de uma cirurgia, desde a preparação da sala e dos equipamentos até os cuidados pós-operatórios.

Embaixadores brasileiros

A busca pela expansão dos horizontes tem levado médicos brasileiros para o exterior e muitos acabam permanecendo. E enchem o país de orgulho, em cargos de destaque de hospitais de renome, traçando trajetórias brilhantes.

Médicos brasileiros chefiando unidades de cirurgia nos Estados Unidos, Canadá, Qatar e Alemanha foram os convidados da Academia Nacional de Medicina, em Simpósio “A cirurgia brasileira no mundo” para apresentarem seus trabalhos em simpósio coordenado pelo ex-presidente Pietro Novellino e os acadêmicos José de Jesus Camargo e Rossano Fiorelli. 

Para o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., “são verdadeiros embaixadores brasileiros no exterior e que ainda somam ao receberem novas gerações de médicos que desejam se aperfeiçoar em outros centros médicos.” 

Entre os convidados, Rodrigo Vianna, formado na USP, e que hoje responde pelo maior centro de transplante de órgãos dos Estados Unidos, o do Miami Transplant Institute. Recheada de experiências, sua apresentação destacou os avanços tanto no transplante de rim, como de fígado e de intestino, assim como os perfis epidemiológicos das populações americana e brasileira e gastos em saúde em ambos os países.

A revolução tecnológica introduzida pela robótica na cirurgia pulmonar e os casos de transplante de pacientes com agravos pulmonares causados pela covid-19 foram apresentados pelo médico do Paraná, Tiago Nogushi Machuca, outro destaque brasileiro na Flórida.

O Honorário Estrangeiro da ANM, Tomas Salerno, hoje na Universidade de Miami, foi outro expoente da sessão. Em sua palestra “Enxergando além das lupas”, o brasileiro exibiu ainda, de forma clara e didática, uma rica cronologia das cirurgias cardíacas, traçando paralelos de comparação com os conhecimentos e técnicas da atualidade. 

E sobre os hospitais do futuro, o brasileiro Antonio Marttos, atualmente, no Ryder Trauma Center de Miami, mostrou como os hospitais estão conectados e oferecendo serviços de consultoria médica para outros profissionais de países distantes como Iraque, através de telemedicina, em apenas 15 minutos. 

O médico Robson Capasso, atuando na Escola de Medicina da Universidade de Stanford, abordou ecossistemas de inovação para aplicação na medicina e mostrou como empresas transnacionais e nacionais, que não são tradicionais da área da saúde, estão, cada vez mais, focadas em oferecer serviços médicos.

De Nova York, o médico Flavio Macher, do Albert Einstein College of Medicine, mostrou os tipos de inteligência artificial (IA) aplicadas à medicina: a IA assistida por robótica; a IA aumentada, na qual o robô auxilia o médico na tomada de decisão; e a IA autônoma, cuja autonomia é do robô que foi treinado pelos profissionais.

Canadá – Da PUC do Rio Grande do Sul para Toronto, o cirurgião Marcello Cypel foi outro convidado.  Cypel, é diretor cirúrgico da Universidade de Toronto. E apesar dos 15 anos no Canadá, jamais abandonou o Brasil em tempos críticos. No incêndio da boate Kiss, em 2013, veio diversas vezes ao país ajudar na recuperação dos jovens acidentados. Em sua palestra, histórias e avanços sobre transplante de pulmão, mudanças para preservação dos órgãos doados, estudos da fisiopatologia de cada órgão e a compatibilidade com os receptores desses enxertos.

Modelos de carreiras inspiradoras não faltaram durante a sessão. A médica Paula Ugalde, nascida no Chile, formada na Bahia e, atualmente, no Institut Universitaire de Cardiologie et de Pneumologie de Québec, no Canadá, foi outro destaque como palestrante. Ugalde reforçou os avanços nas cirurgias minimamente invasivas de pulmão e os resultados satisfatórios se comparados às cirurgias de peito aberto. 

Outro participante foi Stephan Soder, do Centre Hospitalier de lUniversité de Montréal, no Canadá, que apresentou tecnologias, minimamente invasivas, associadas a prática clínica para casos de câncer de pulmão. 

Outros destaques – Do Qatar, falou o médico brasileiro Sandro Rizoli. Especializado em serviços de trauma, Rizoli mostrou aspectos socioeconômico demográfico desse país da península arábica e como o sistema funciona articulado desde o momento do acidente nas ruas, a chamada emergencial, transporte e atendimento em uma abordagem global de cada paciente para estancar possíveis hemorragias. 

E de Berlim, o médico Ricardo Zorron abordou dogmas, ensinamentos e como pensar “não dentro da caixa e nem fora, mas sem caixas”. Mostrou de forma ilustrativa os avanços nas cirurgias bariátricas e outras que começaram experimentalmente no Rio de Janeiro e hoje são exemplos para o mundo.

Recentes progressos – Durante este dia, a ANM ainda promoveu a sessão de recentes progressos. E o câncer de fígado foi o tema central. “Avanços na terapia imunológica dos tumores de fígado” foi assunto da palestra do médico Fábio Marinho, do Real Hospital Português de Pernambuco. 

Marinho compartilhou importante inovação no tratamento de carcinoma hepático: a descoberta que a associação entre Atezolizumab e Bevacizumab oferece uma sobrevida superior à Sorafenib – droga de escolha desde 2008. “Para a primeira linha de tratamento dos pacientes com a doença, é um avanço que não se conquistava há décadas”, apontou.

O acadêmico Carlos Eduardo Brandão, aproveitou a ocasião, e destacou a conquista do Nobel de Medicina, neste ano, pelos médicos Harvey Alter, Michael Houghton e Charles Rice, que demonstraram que um vírus, até então desconhecido, era causa de hepatite crônica, além de terem isolado o genoma do vírus da hepatite C – avanços que permitiram grande redução da incidência de novos casos da doença e de diversas outras complicações do fígado.

A revolução tecnológica na medicina é uma realidade e os médicos brasileiros no exterior são motivos de orgulho para todos.

Academia assume Alanam

Em outubro foi realizada a reunião da Asociación Lationamericana de Academias Nacionales de Medicina, Espanha e Portugal (Alanam), sob a presidência da brasileira Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr, a partir de agora, tem a dupla missão de presidir a instituição nacional e a Alanam.

 A Alanam reúne, além do Brasil, as academias do Chile, Uruguai, Paraguai, Equador, Costa Rica, Bolívia, Colômbia, México, Argentina, Venezuela, Peru, e República Dominicana e mais Portugal e Espanha.

   – A Academia Nacional de Medicina, com seus 191 anos, e os 100 acadêmicos, que representam os 500.000 médicos do Brasil, têm a honra e sabem desta grande responsabilidade. Belfort aproveitou o evento e ainda apresentou, de forma sucinta, a situação da covid-19 no Brasil, ressaltando aspectos da geopolítica e da epidemiologia da doença.

 –  A dimensão continental do Brasil e a grande disparidade econômica regional fez com que a epidemia se manifestasse em tempo diferente e com uma variedade grande de intensidade e mesmo mortalidade. Um foco que, inicialmente, não foi considerado importante foi na Amazônia, totalmente inesperado. A epidemia rapidamente ganhou dimensão muito grande na região Amazônica brasileira.

Para o presidente Belfort, várias lições foram aprendidas durante a epidemia por covid-19 e continuam importantes. Uma delas, segundo ele, é que temos que pensar globalmente, mas agir localmente, e a estratégia atual é levar em consideração a situação de mini regiões. Além disso, refletiu sobre as disparidades muito grandes entre ricos e pobres. Para ele, a próxima fase fundamental é pensar em vacinação.

 –  Acredito que a próxima etapa, e também isto se relaciona à toda América Latina, é discutirmos as vacinas. A Academia Nacional de Medicina do Brasil, desde março, teve importante liderança na informação e educação da sociedade sobre esses diferentes aspectos. Realizamos vários simpósios internacionais, inclusive com o apoio da Alanam, e atualmente nossos esforços estão relacionados às vacinas. Acreditamos que nos próximos muitos meses teremos que liderar e discutir as vacinas em relação a: qual, quando e como?            

 O presidente Belfort apontou ainda que a epidemia vai continuar durante muitos meses e não basta apenas termos dados descritivos da situação. Os números são mais ou menos os mesmos nos diferentes países e a problemática, acredita, é a de tentar resolver, tentar descobrir soluções. E para terminar seu discurso de posse, agradeceu ao presidente anterior da Academia Nacional de Medicina, o acadêmico Jorge Alberto Costa e Silva, pelo empenho na representatividade brasileira na organização e parabenizou o presidente Horácio Toro que o antecedeu na Alanam.     

Terapias do futuro

“A evolução das terapias avançadas é, sem dúvida, a evolução da pesquisa básica associada à clínica médica e cirúrgica e incorporada na prática médica”, destacou o acadêmico Marcello Barcinski, durante a última reunião científica promovida pela Academia Nacional de Medicina, no dia 22/10. O acadêmico Marcelo Morales acrescentou: “Estamos falando de terapias que estão chegando na ponta e algumas delas já estão na prática clínica aplicada à saúde e precisamos estar bem atentos e atualizados. A pesquisa está à disposição para melhoria da qualidade de vida das pessoas.”

O simpósio sobre “Terapias Avançadas – Células tronco, terapia gênica e nanotecnologia aplicada à saúde” contou com a abertura do presidente da ANM, professor Rubens Belfort Jr. que, na oportunidade, agradeceu aos coordenadores do evento, os acadêmicos Morales e Barcinski pela organização de uma discussão tão rica e relevante para sociedade civil e acadêmica. 

Entre os convidados internacionais, Bruce Levine, da University of Pennsylvania, que abordou o aprimoramento clínico no tratamento do câncer a partir da terapia como as células CART-T. Partindo-se do pressuposto de que o câncer provém da proliferação desenfreada de nossas próprias células, a terapia com células CAR-T consiste em turbinar as células de defesa do paciente e, com isso, aumentar a resposta imunológica contra a doença.

A terapia CAR-T, que significa do inglês receptor de antígeno quimérico, envolve a extração das células imunológicas do próprio paciente e, através da inserção de um vetor viral, um novo gene é introduzido nas células de defesa e, de volta ao organismo, é capaz de combater o tumor. Levine também abordou os limites éticos e legais da terapia, além do que ainda precisa ser aprimorado na técnica. E como histórias de sucesso, apresentou os casos de duas pacientes, Sophia e Emily, que receberam o tratamento – a última com sucesso, estando livre do câncer há alguns anos.

O médico Maroun Khoury, da Universidad de Los Andes do Chile, foi outro dos palestrantes convidados e apresentou resultados sobre as estratégias celulares que ajudam na restrição de respostas em doenças inflamatórias. O uso de células-tronco mesenquimais, que se configuram em uma população adulta de células que podem se transformar em uma variedade de tipos celulares, e sua aplicação no tratamento de doenças imunomediadas. As doenças imunomediadas se manifestam quando o sistema imune ataca as células saudáveis do próprio corpo.

A sessão também contou com a participação do professor Junk Soo Suk, da Johns Hopkins Medicine, que contou sobre pesquisa com base em nanopartículas de entrega de drogas, transportando composto farmacêutico no corpo para atingir o efeito terapêutico desejado. Suk ainda apresentou uma abordagem voltada para terapia genética sob inalação no tratamento de doenças pulmonares. O revestimento apresentado possui distribuição das nanopartículas nas superfícies das vias aéreas que são compostas de muco e que, normalmente, dificultam a distribuição da terapia.

Terapias do futuro no Brasil – “Terapia celular: o que significa?” Foi o tema abordado pelo professor Antônio Carlos Campos de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que definiu-a quando células viáveis são injetadas, enxertadas ou implantadas em um paciente a fim de efetuar um efeito medicinal. O professor explicou que comumente as células que são usadas em terapia celular são as chamadas células-tronco, como é feito há mais de seis décadas em transplante de medula óssea.

“Essas células-tronco podem ser autólogas, quando são do próprio paciente; alogênica, de um doador diferente ou senogênicas, quando são de outra espécie. Além do uso em transplantes, atualmente essa terapia pode ser usada para tratar problemas musculoesquelético, cardíacos, neurológicos, endócrinos e em processos de descobertas de novas drogas”, explicou Campos de Carvalho.

A professora Milena Botelho Soares, da Fiocruz Bahia, destacou os avanços da terapia celular em trauma raquimedular. Esse tipo de trauma gera várias deficiências graves em decorrência da pouca recuperação espontânea da medula espinhal. Segundo Milena, essas deficiências podem ser de paralisia parcial até completa, o que muitas vezes ocasiona distúrbios em outros órgãos. “A terapia celular vem sendo bem estudada para melhorar a função motora e sensitiva desses pacientes”.

“No inicio da pandemia pelo novo coronavírus, acreditávamos que só o pulmão era atingido, por isso o nome SARS-CoV-2  (Síndrome Respiratória Aguda Grave), mas hoje sabemos que a covid não só acomete o pulmão, a doença pode acometer o cérebro, coração, fígado,” enfatizou a acadêmica Patrícia Rocco. A pesquisadora, que também é da UFRJ, explicou que o processo inflamatório pela doença pode causar uma verdadeira “cascata” inflamatória e as terapias celulares estão sendo estudadas com alternativas de tratamento.

Durante a sessão, o presidente da ANM, Rubens Belfort, ressaltou o papel essencial do médico, compartilhando o caso em que o profissional, durante a pandemia por covid, optou pela respiração boca a boca em uma paciente com parada cardíaca, mesmo estando infectada pelo coronavírus. 

– Esse é o espírito da medicina. Colocar a vida do outro acima de qualquer coisa. Isso é uma atitude brilhante”, ressaltou. 

Também estiveram na pauta das apresentações: “Terapia gênica: o que significa?” com Rafael Linden; “Adenovírus-associado e seu uso como agente terapêutico”, apresentado por Hilda Petrs, ambos da UFRJ; “Terapia gênica e leucemias: linfócitos modificados como agentes terapêuticos”, com Martin Bonamino, do INCa; “Nanotecnologia e vacina em spray nasal para covid-19”, com Marco Antonio Sthefano, da USP; e “Ações do CNPq para apoio à pesquisa em terapias avançadas”, com Evaldo Villela, presidente da instituição de fomento à pesquisa nacional.

Sessão Saudade para Hiram Silveira Lucas

Em homenagem ao imortal Hiram Silveira Lucas, a emocionante Sessão Saudade, da Academia Nacional de Medicina (ANM), ocorrida no dia 20 de outubro, foi regada de lembranças e manifestações de afeto e reconhecimento a esse ilustre acadêmico, falecido no dia 17 de setembro de 2020, e que carimba a imortalidade por sua obra em prol da saúde.

Para homenagear e relembrar as contribuições do acadêmico, a sessão foi presidia pelo Secretário Geral, acadêmico Ricardo Cruz, e ainda participaram dessa celebração o ex-presidente Pietro Novellino, e os acadêmicos Omar da Rosa Santos e José Galvão-Alves.

“Meu sentimento é de profunda saudade. É um sentimento do qual não podemos ser removidos. Ponho em minhas palavras a força do coração, pois segundo Vitor Hugo, o espírito enriquece com aquilo que recebe e o coração com aquilo que dá”, salientou o ex-presidente Pietro Novelino. “Ao nosso querido Hiram, reverenciamos a emoção, pois lembrar é viver”

Os filhos do acadêmico, Rodrigo e Frederico, também participaram da sessão e ressaltaram o exemplo de dedicação e atividade brilhante e incansável em sociedades de classe e o reconhecimento de seus pacientes. Por fim, a viúva do acadêmico, Sra. Talita, fez um emocionado depoimento sobre os últimos meses de vida do acadêmico e agradeceu muito a participação de médicos da ANM na reta final dos cuidados e assistência em saúde. A esposa do acadêmico finalizou com uma frase: “Nos sentimos muito abraçados por todos, nossa gratidão eterna”!

Para conhecer mais da biografia do acadêmico Hiram Lucas, acesse https://www.anm.org.br/hiram-silveira-lucas/.

Atlas sobre ciclo do Toxoplasma

Acadêmico Wanderley de Souza lançou o “Atlas didático do ciclo de vida do Toxoplasma gondii”, em sessão científica da Academia Nacional de Medicina, no dia 15 de outubro de 2020.

Assinado em parceria com os pesquisadores Marcia Attias, Dirceu Teixeira, Marlene Benchimol, Rossiane Vommaro e Paulo Henrique Crepaldi, a obra ainda possui vídeo explicativo e direcionado à população. 

O Toxoplasma gondii é um protozoário que pode causar no homem a toxoplasmose com lesões agudas e crônicas. Segundo Wanderley, 2 bilhões de pessoas em todo mundo albergam o protozoário, mas apenas 10% desenvolvem sintomas.

Uma viagem pela medicina brasileira nos últimos 50 anos

Para comemorar o Dia do Médico (18/10), a Academia Nacional de Medicina convidou o Dr. Dráuzio Varella para sua sessão científica no dia 15 de outubro de 2020. 

O presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr., ao anunciar o convidado, relembrou a amizade que os une, desde os tempos em que foi aluno de Dráuzio Varella. “É uma grande honra, uma grande alegria e um prazer receber você aqui hoje, quando ocupo este cargo.”

Varella fez uma verdadeira viagem pela medicina nos últimos 50 anos, abordou dos sonhos grandiosos de um jovem formado na década de 60 aos dias atuais. 

Dos primórdios de sua carreira, ainda durante a ditatura, relembrou alguns dos ideais de sua geração de formandos: acabar com a miséria, doenças como a tuberculose e baixar os índices de mortalidade infantil, além de alfabetizar todos os brasileiros. De forma crítica, refletiu ainda como sua geração acreditava que fazia parte de uma elite de médicos, cuja ascensão social estava garantida em consultórios particulares. E acrescentou como aqueles jovens das décadas de 60 e 70 tinham uma visão limitada para aspectos como racismo, machismo e homossexualidade. 

Mas, como relembrou, o mundo e o Brasil evoluíram, e os médicos daqueles tempos tiveram que se adaptar. Do direito à saúde limitado aos vinculados ao então INPS às conquistas do Sistema Único de Saúde (SUS), alçando o Brasil a exemplo de um país com um sistema universal e integral.

Dráuzio ressaltou ainda importantes programas nacionais que são reconhecidos mundialmente como o de imunização, de transplante de órgãos, transfusão de sangue, contra o HIV/aids, saúde da família. Hoje, o país, segundo ele, conta com 340 mil agentes de saúde da família.               

Defensor do SUS, Dráuzio relembrou os primórdios da criação de planos de saúde, na década de 90, e transformados em assistência suplementar, sendo responsáveis por parte dos atendimentos à população.

Em sua viagem pelos últimos 50 anos da medicina, Dráuzio ainda abordou os avanços da tecnologia e da robótica aplicados à medicina e o impacto das imagens na radiologia, nos exames e diagnósticos que evitaram as cirurgias exploratórias; além dos medicamentos de última geração e que permitiram controlar doenças como a aids e o câncer, entre outras. Além disso, ressaltou que médicos atuais precisam lidar com pacientes informados.

– Os médicos que nos precederam falavam sobre saúde nas praças. Na atualidade, a tela do celular se tornou o meio mais rápido de nos comunicarmos com os pacientes que são mais informados e, com eles, precisamos discutir a saúde, a doença e os tratamentos. 

Se avançamos em termos de tratamento por um lado; por outro, nossa forma de viver nos trouxe prejuízos para a saúde, disse. Hoje, segundo ele, 90% dos trabalhadores são sedentários, contra 10% na década de 60. 

A sessão ordinária da Academia Nacional de Medicina, em comemoração ao Dia do Médico, ainda contou com uma apresentação do secretário geral, o acadêmico Ricardo José Lopes da Cruz, que relembrou as origens da data, que foi criada no Dia de São Lucas. 

Lopes Cruz enumerou para os cerca de 100 participantes diversos pontos críticos na medicina brasileira atual e que ainda precisam avançar. Distribuição equânime de médicos pelo país, regulamentação das faculdades de medicina, falta de definição sobre a extensão da cobertura universal pelo SUS, regulamentação das filas, a necessidade de melhorias na integração entre os sistemas público e privado, a necessidade da integração dos dados, ponto que foi também mencionado pelo convidado Dráuzio Varella: por que até hoje não temos o cartão SUS? E Lopes Cruz mencionou ainda outros aspectos que merecem comemorações.                                                                       

E por fim, Dráuzio terminou afirmando que, em 50 anos de profissão, jamais se arrependeu da escolha que fez. “Continuo encantado pela medicina. Profissão caprichosa como a mulher amada, capaz de despertar crises inesperadas de paixão.”

No Labirinto do Cérebro

Em “No labirinto do cérebro”, o acadêmico Paulo Niemeyer Filho divide com o leitor sua experiência como neurocirurgião e, de forma clara e acessível, descreve não só o funcionamento do cérebro como as mais recentes descobertas nessa área, explorando temas tão variados como a formação da memória, os mistérios da dor ou os efeitos por vezes inusitados de um distúrbio cerebral. A essa narrativa somam-se ainda as histórias fascinantes — e às vezes surpreendentes — de casos que acompanhou desde o início de sua carreira, e também os que ouviu de seu pai, o Dr. Paulo Niemeyer, considerado o maior nome da neurocirurgia brasileira.

Mais informações sobre o livro, que tem também versão de ebook Kindle, podem ser acessadas no link https://www.amazon.com.br/No-labirinto-do-cérebro/dp/8547001077

Árduo caminho de desigualdades na jornada contra o câncer de mama no Brasil

“O que devemos fazer na próxima semana que possa nos ajudar a resolver isso?”. Com esse questionamento introdutório, o médico Carlos Henrique Barrios, do Hospital da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, iniciou sua apresentação na sessão ordinária “Atualização em Câncer de Mama”, da Academia Nacional de Medicina (ANM), que demonstrou que a disparidade de acesso à saúde ainda é um grande empecilho nas estatísticas da doença, sobretudo em países em desenvolvimento, como o Brasil.

Quando outubro marca o mês de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, a ANM promoveu, no dia 8, um debate sobre o assunto. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, este tipo de tumor é o segundo mais comum entre mulheres no país, correspondendo a cerca de 28% dos novos casos a cada ano. “Existem evidências de que sociedades nas quais cuida-se melhor da saúde feminina apresentam melhores índices de desenvolvimento”, comenta Barrios.

No entanto, o especialista afirma que um aumento no número de casos não simboliza, necessariamente, um aumento na mortalidade. Há uma disparidade evidente e global que se observa em dados – quanto maior o PIB per capita de um país, maior o número de casos e menor a mortalidade, e vice-versa.

Uma explicação possível para este fenômeno pode ser observada no que cerne à indústria farmacêutica. Novos medicamentos trazidos ao mercado são, preferencialmente, distribuídos nos Estados Unidos, que representam 64% dos contemplados pelas novas drogas, seguidos pelos cinco principais países da Europa (18%) e pelo Japão (7%). Em outras palavras, apenas 10% das novas medicações estão disponíveis para o resto do planeta.

O cenário nacional, por outro lado, não é uníssono, e apresenta grande desigualdade. A sobrevida para os pacientes com câncer é cada vez maior e a disparidade entre os setores público e privado, nestes aspectos, tem se atenuado, exceto no estágio IV (metástase), cuja desigualdade se tornou maior.

Além disso, ainda que a distribuição etária entre pacientes nos sistemas público e privado seja quase idêntica, os estágios dos diagnósticos entre ambos são discrepantes – o que evidencia que o intervalo entre o diagnóstico e o início do tratamento é crucial para a redução da mortalidade e superação da doença, e o Brasil está entre os países que apresentam maior intervalo.

O médico também aponta como a pandemia da covid-19 trouxe grande impacto sobre as estatísticas em câncer. “Devido aos atrasos de diagnósticos e de tratamentos, os poucos meses de pandemia apresentarão consequências pelos próximos 10 anos”.

A sessão contou ainda com a apresentação do médico Benjamin Anderson, da University of Washington, que apresentou as diretrizes estratificadas de recursos e controle global do câncer, analisando, também, cenários das regiões da África e do Caribe. “Não é só o diagnóstico precoce que salva vidas, mas o acesso ao tratamento precoce”, ressaltou.

A live da ANM sobre o câncer de mama foi coordenada pelos acadêmicos Maurício Magalhães e Paulo Hoff.

Câncer de mama: da prevenção ao papel da mídia

Rastreio e prevenção primária, genética, biologia molecular, drogas alvo, segurança e estética no tratamento cirúrgico, a importância dos grupos de pacientes e o papel da imprensa foram os temas que estiveram na pauta do simpósio online “Atualização em câncer de mama”, promovido pela Academia Nacional de Medicina, no dia 8 de outubro de 2020.

“É importante prestigiar as questões sobre prevenção, diagnóstico e tratamento e as fontes de comunicação necessárias para instruir e educar”, declarou na abertura do encontro, o presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Rubens Belfort Jr. O simpósio teve a coordenação dos acadêmicos Maurício Magalhães Costa e Paulo Hoff.

“Combater o sedentarismo, com a prática de atividade física regular; optar por uma alimentação saudável para o controle da obesidade; consumir com moderação bebidas alcoólicas e tentar diminuir a defasagem entre o rastreio, diagnóstico e o tratamento são medidas importantes de prevenção primária para combater o câncer de mama”, explicou o médico Luiz Henrique Gebrim, do Hospital Pérola Byington de São Paulo.

A Síndrome Li-Fraumeni – uma predisposição rara em mulheres jovens para desenvolver algum tipo de câncer – foi abordada pela professora Maria Isabel Achatz, do Hospital Sírio e Libanês (SP). Segundo a pesquisadora, cerca de 50% das portadoras dessa síndrome têm chances de desenvolver tumores antes dos 40 anos de idade, o que significa 1% da população mundial. Já 90% desse grupo devem desenvolver câncer até 60 anos. A professora explicou ainda que 47% das portadoras dessa síndrome que praticam aleitamento materno, por pelo menos sete meses, não desenvolvem a doença.

A oncoplastia também esteve no centro das discussões. O médico Vilmar Marques, da Santa Casa de São Paulo e Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia ressaltou a preocupação que o cirurgião atualmente deve ter com o domínio de várias técnicas cirúrgicas para entregar a paciente um bom resultado estético também. “As mutilações e deformidades da mama após a retirada do tumor nas cirurgias convencionais hoje podem ser evitadas através de várias técnicas.”

“Como conseguimos diminuir o abismo entre o SUS e a saúde suplementar no tratamento do câncer? Como ampliar o acesso as terapêuticas com equidade? Não adianta termos drogas de altíssimo custo que o sistema público e as operadoras de saúde não possam absorver. A indústria farmacêutica também precisa colaborar, reduzindo custos de medicamentos, que muitas vezes vêm do mercado americano e essa conta não fecha. Na minha visão, temos que fazer mais parcerias público e privado para ampliar o acesso a novas drogas e terapêuticas para combater o câncer,” enfatizou o médico Gilberto Amorim, do Onco D’Or, do Rio de Janeiro, na palestra “terapia com drogas alvo. A cura é possível?”

Informação de qualidade é poder

A fundadora do Instituto Oncoguia, de São Paulo, Luciana Holtz, fez um breve relato sobre a atuação da ONG, que tem como principal objetivo oferecer informação de qualidade para pessoas com câncer. “O que realmente ajuda e faz diferença na vida de um paciente que está enfrentando um diagnóstico de câncer? A doença ainda é muito marcada de estigma e medo.”

Para Holtz, o cenário não é animador, segundo ela, a previsão é de 660 mil novos casos por ano. “Uma paciente com câncer de mama gasta muito tempo na fila do sistema para fazer o diagnóstico e iniciar o tratamento. E não é um caminho iluminado. É um percurso com muitas dúvidas e medo. Nosso desafio é minimizar a desigualdade e garantir que essa mulher não tenha dor física e emocional”.

A ONG tem vários canais de comunicação com a população e realiza atividades multidisciplinares, além de assessoria e aconselhamento jurídico aos portadores da doença.

“O desafio na cobertura jornalística do câncer é oferecer informação de qualidade e que as pessoas possam entender, lembrando de todos os problemas educacionais e de desigualdade do nosso país”, alertou a jornalista Ana Lúcia Azevedo, do jornal O Globo, durante os debate do simpósio. A repórter especial na área de saúde e ciência também destacou a importância de se comunicar bem a prevenção e os novos tratamentos, mas sem levantar falsas esperanças na população.

“O crescimento das redes sociais abriu canais importantes de comunicação com a sociedade mas, em contrapartida, tivemos um crescimento das fakes news. E, a área de saúde, em especial, é muito prejudicada com falsas notícias. A mídia precisa estar muito atenta e apurar com rigor, mas com isso, perdemos um tempo precioso para desmentir. Tempo que poderia ser investido para gerar mais e mais informação de qualidade”, desabafou a jornalista.

A jornalista Natalia Cuminale, diretora do portal Futuro da Saúde, foi outra convidada para debater o assunto. Cuminale falou sobre a importância da interlocução com médicos, ONGs, academias e entidades de classe da área de saúde para que o jornalista possa levar informação de qualidade para população, uma vez que a notícia impacta a vida das pessoas. Ela também tocou num ponto pouco discutido “precisamos falar sobre custos.

– No Brasil, as pessoas não sabem quanto custa um exame, uma internação. Ninguém fala sobre isso. O papel da imprensa também é de colocar os pingos nos ‘is’. Como vamos engajar a população sem explicar como os sistemas funcionam, tanto no SUS como na saúde suplementar. Precisamos abrir o leque e falar sobre custos”, finalizou.

Nos comentários finais, o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, destacou que “informação de qualidade e relevância social estão em consonância com o compromisso da Academia e, por isso, capitaneado pelo acadêmico Mauricio Magalhães, acabamos de criar o programa “ANM perto de você”. Lá, teremos um canal online permanente de comunicação com a sociedade”, finalizou.

 
 

Coordenadores:
Acadêmicos Maurício Magalhães Costa e Paulo Hoff


 
     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
14h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
14h10

Importância da educação comunitária em Saúde
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
14h15

Prevenção primária e rastreio do câncer de mama
Prof. Luiz Henrique GebrimHospital Pérola Byington – SP

   
   
14h35

Genética e câncer de mama?
Profa. Maria Isabel AchatzHospital Sírio e Libanês – SP

   
   
14h55

Como conciliar segurança e estética no tratamento cirúrgico
Prof. Vilmar MarquesSanta Casa SP e Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia

   
   
15h15

Biologia molecular e alvos terapêuticos
Profa. Filomena Carvalho-Professora Associada – USP

   
   
15h35

Terapia com drogas alvo. A cura é possível?
Prof. Gilberto AmorimOnco D’Or, RJ

   
   
15h55

A importância dos grupos de pacientes
Sra. Luciana HoltzInstituto Oncoguia, SP

   
   
16h15

Debate
Coordenação: Acad. Rubens Belfort Jr.
Acad. José Carlos do Valle
Jornalista Ana Lucia Azevedo – O Globo RJ
Jornalista Natalia Cuminalle – SP

   
   
17h Discussão
   
   
17h30 Intervalo
   

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXX – Ano Acadêmico 191

   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h10

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h15 Comunicações dos Acadêmicos
   
   
18h30

Desafios na Jornada de pacientes com câncer de mama no Brasil
Prof. Carlos Henrique BarriosHospital PUC-RS e Oncoclínicas

   
   
18h45

Breast Health Global Initiative
Prof. Ben Anderson – World Health Organization

   
   
19h

Debatedores
Acadêmicos Paulo Hoff e Maurício Magalhães Costa

   
   
19h15 Discussão com a Bancada Acadêmica
   
   
20h Encerramento
 
 
anm_02 zoom facebook anm_01

Homenagem ao 30º aniversário do primeiro tratamento endovascular do Aneurisma de Aorta

30 anos da técnica que revolucionou a medicina

No dia 01 de outubro, a ANM comemorou os 30 anos de uma cirurgia que revolucionou o tratamento do aneurisma da aorta abdominal que, se não tratado, pode levar ao óbito.

A aorta é a maior artéria do corpo e o aneurisma da aorta abdominal pode surgir em qualquer idade, porém é mais comum em homens entre 50 e 80 anos.

Coordenado pelo acadêmico Arno von Ristow, o simpósio contou com a participação do médico argentino Juan Carlos Parodi, que foi o criador da técnica de cirurgia endovascular para tratamento do aneurisma da aorta abdominal, a partir do tratamento em cães.

Aron von Ristow fez um relato histórico, aos cerca de 100 participantes do evento, desde as primeiras tentativas de tratamento no Brasil, ainda em 1845, até as conquistas recentes com a certificação de mais de 600 cirurgiões vasculares com as técnicas desenvolvidas, a partir do modelo criado por Parodi, e utilizada, inclusive no SUS.

Hoje, 70% das cirurgias usam essa abordagem, menos invasiva, e que evoluiu bastante com o desenvolvimento de endopróteses em substituição às cirurgias abertas.

O médico brasileiro Gustavo Oderich, radicado nos Estados Unidos, foi outro convidado da sessão comemorativa. Oderich mostrou o consórcio de instituições americanas de pesquisas sobre aorta e os avanços com o uso das endopróteses e, como isso tem impactado tanto na recuperação como na sobrevida dos pacientes.

O presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., finalizou a sessão ressaltando, a partir da histórica conquista na cirurgia vascular, a relevância da liberdade criativa sem cerceamento, aliada a noção de risco e dos cuidados com os pacientes.

Recentes progressos – Na mesma sessão científica, a ANM promoveu mais uma edição de Recentes Progressos. O tema câncer de próstata e as cirurgias minimamente invasiva.

Mais de 65 mil homens são atingidos, todos os anos, pelo câncer de próstata, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer. E a cada ano, 14 mil morrem, sendo a doença considerada a segunda causa de óbito entre os homens.

E falar de prevenção e diagnóstico precoce é sempre um tabu.

O médico Rui Figueiredo, do Hospital Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mostrou duas técnicas de cirurgia de próstata minimamente invasivas: a crioterapia que provoca a morte das células tumorais por congelamento; e a terapia focal com ultrassom de alta frequência. Ambas  só são aplicadas em lesões pequenas e de baixo risco.

Os resultados são animadores: 100% dos pacientes permanecem com sua continência urinária normal e 80% com sua função erétil. O acadêmico Ronaldo Damião, comentarista da apresentação, ressaltou a quantidade de estudos que mostram que 90% dos pacientes submetidos a essas terapias ficam livres da doença.

Uma tarde na Academia – ANM
 
     
  SESSÃO ORDINÁRIA DA
ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA
XXIX – Ano Acadêmico 191
 
   
     
 
18h Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.
   
   
18h05 Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz
   
   
18h10 Comunicações dos Acadêmicos
   
   
  18h30 SESSÃO RECENTES PROGRESSOS
Terapia Focal em Adenocarcinoma de Próstata com Ultrassom de alta frequência e Crioablação

Relator:
Prof. Dr. Rui Teófilo Figueiredo Filho (HUPE UERJ) Comentários: Acad. Ronaldo Damião
   
   
18h45 Homenagem ao 30º Aniversário do primeiro tratamento endovascular do Aneurisma da Aorta
   
   
18h50 A história e a evolução do tratamento do Aneurisma da Aorta Abdominal no Brasil
Acad. Arno von Ristow
   
   
19h10 O Estado da Arte no Tratamento dos Aneurismas Complexos da Aorta
Gustavo S. Oderich MD
Chief of Vascular and Endovascular Surgery, Director of Aortic Center, The University of Texas, Houston
   
   
19h30 Discussão com a Bancada Acadêmica
   
   
20h Encerramento
 
anm_01 zoom programacao acadnacmed anm

Câncer de Mama – Tire suas Dúvidas

Este é o título do livro que acaba de ser lançado pelo acadêmico Maurício Magalhães e que procura, de forma agradável, transmitir conhecimentos científicos acessível à população feminina. 
No livro, as causas, métodos diagnósticos, opções terapêuticas, a reabilitação, assim como os direitos da mulher com câncer são temas que visam esclarecer a doença que ainda afeta, todos os anos, mais de 65 mil mulheres no Brasil.
Em edição digital, o acadêmico acredita que, com esse formato e o acesso a um número maior de leitores, contribuirá para que as mulheres possam incorporar hábitos para uma vida mais saudável.


Editora Bibliomundi

Mais informações em https://bit.ly/36lZpme.

ANM eleita sede da ALANAM

Pelos próximos dois anos, a Academia Nacional de Medicina (ANM) será a sede da Asociación Latinoamericana de Academias Nacionales de Medicina (Alanam). A entidade reúne, além da brasileira, as Academias de Medicina do Chile, Uruguai, Paraguai, Equador, Costa Rica, Bolívia, Colômbia, México, Espanha e Portugal.

O presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, conta que sua missão à frente da Alanam começa com a organização de um evento que reunirá todas as academias, no dia 24 de outubro. Para lhe assessorar nessa importante iniciativa, convidou os acadêmicos Paulo Marchiori Buss e José Augusto da Silva Messias.

Academia Nacional de Medicina no Setembro Amarelo

Quando setembro marca o mês de prevenção ao suicídio, a Academia Nacional de Medicina (ANM) promoveu, no dia 24, debate sobre o assunto. A importância de se discutir o tema, ainda estigmatizado, se deve em função do Brasil ainda figurar entre os países com crescimento no número de casos, segundo a Organização Mundial da Saúde.

A sessão ordinária “Suicídio no Setembro Amarelo” foi aberta pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, coordenada pelo acadêmico Antonio Egídio Nardi e contou com três convidados.

O psiquiatra Neury Botega, da Unicamp, ressaltou que o mais importante é o acolhimento sem julgamento e os familiares devem fazer acompanhamento dos indivíduos com ideias suicidas junto aos serviços de saúde e de médicos especializados.

Segundo ele, o suicídio não é algo só relacionado à morte, mas com a dor psíquica, dor da alma, e pode ter como base uma doença mental que deve ser tratada.

O evento ainda contou com apresentações dos psiquiatras Flavio Kapczinski, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e atualmente no Canadá, que apresentou, na sessão de Recentes Progressos, resultados de seus estudos  de longa duração com todos os jovens da cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e nascidos entre 1993 e acompanhados até 2020.

Foram mais de 3 mil jovens avaliados durante 22 anos, e os resultados contribuíram para a elaboração de um novo sistema que identifica, com antecedência, os indivíduos que desenvolverão transtorno bipolar e, com isso, poderão ser acompanhados e tratados de forma precoce.

O psiquiatra da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Alexandre Valença, foi o terceiro convidado. Valença abordou aspectos das dores psíquicas que podem ser transitórias, recorrentes e de longa duração e, aproveitou a ocasião para refletir sobre os casos de depressão e ansiedade durante a pandemia de covid-19.

O Dilema da Relação Médico-Paciente em Oncologia Clínico-Cirúrgica

Dilema da relação médico/paciente em oncologia clínico-cirúrgica

Como dar um diagnóstico de câncer a um paciente e seus familiares? E quando os pacientes são crianças? Como reagir sobre prognósticos ruins? No dia 24 de setembro, a Academia Nacional de Medicina (ANM) promoveu simpósio sobre a relação médico/paciente em oncologia clínico e cirúrgica.

O Secretário Geral da ANM, o cirurgião Ricardo José Lopes da Cruz, lembrou a frase de Sir William Osler, que diz: “tão importante quanto conhecer a doença que o homem tem, é conhecer o homem que tem a doença”. O acadêmico pontuou que o afeto e a verdade devem nortear o relacionamento entre o médico e o paciente.

“Eu estou contigo e vou continuar com você”. É a afirmação que usa constantemente quando precisa dizer uma verdade dura para seus pacientes e familiares.

Negação em oncologia

Segundo o acadêmico Daniel Tabak, a negação de um diagnóstico como o câncer, por exemplo, é um mecanismo cognitivo de defesa do medo e da ansiedade. Esse mecanismo tem várias fases: a raiva, a barganha, a aceitação e a expectativa de outras possibilidades. A negação é um mecanismo de busca por alívio e não é estática, varia com as necessidades, o tempo, a gravidade e o estágio da doença. Por isso, é fundamental, segundo ele, que a relação médico-paciente seja pautada na capacidade de uma comunicação clara e afetuosa.

Outro convidado do simpósio foi o médico americano Jay Marion, professor Emérito da Escola de Medicina de Shreveport, na Louisiana. Marion trouxe reflexões sobre qual o tipo de informação que um paciente terminal deseja receber de seu médico e falou ainda de como entender quais os objetivos de pacientes terminais com relação ao seu futuro e de sua família.

O oftalmologista Rubens Belfort Neto, da Escola Paulista de Medicina, da Unifesp, também palestrou durante o evento, e abordou o retinoblastoma, o câncer ocular mais comum em crianças e atinge mais de 10 milhões até 14 anos. Ele contou sobre sua experiência em como abordar a doença junto aos pais.

Coordenador e palestrante do evento, o acadêmico José de Jesus Camargo contou um pouco sobre sua experiência e refletiu que, ao longo de sua existência, o ser humano mostra uma surpreendente capacidade psicológica para se adaptar as agruras da vida. Entretanto, existem aqueles que terão mais dificuldade de se adaptar e se ajustar quando recebem um diagnóstico ruim.

– Alguns pacientes se sentem traídos pelo destino e se revoltam contra tudo e todos, inclusive Deus. O convívio com os pacientes com uma doença tão sinistra representa uma pós-graduação em humanismo e sensibilidade para o médico, enfatizou Camargo.

O Simpósio “O dilema da relação médico/paciente em oncologia clínico-cirúrgica”, promovido em setembro (24), pela Academia Nacional de Medicina, foi aberto pelo presidente Rubens Belfort Jr., e organizado ainda pelo acadêmico Rossano Fiorelli.

 

     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
14h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina,
Acad. Rubens Belfort Jr.

Acad. José de Jesus Camargo

   
 
SIMPÓSIO: O DILEMA DA RELAÇÃO MÉDICO/PACIENTE EM
ONCOLOGIA CLÍNICO-CIRÚRGICA
Coordenação:   Acad. José de Jesus Camargo
Acad. Rossano Fiorelli
 
   

BLOCO IONCOLOGIA CIRÚRGICA

   
14h10

Masc. 74 anos, tumor de cólon, com excelente chance de cura cirúrgica. Na indução anestésica faz uma parada cardíaca por problemas com a intubação. A parada foi curta e reverteu imediatamente com ventilação adequada. Que conduta adotaria? Seguiria com a cirurgia programada? Interromperia para ver se houve alguma sequela?
Acad. Raul Cutait

   
   
14h25

Paciente de 55 anos com tumor de próstata com indicação cirúrgica. Como responder a esta pergunta: Dr. Qual é o risco que tenho de ficar impotente?
Acad. Fernando Vaz

   
   
14h40

Paciente jovem, com câncer de parótida, tratado cirurgicamente, com indicação de terapia adjuvante. Como trataria a questão do encaminhamento? Considerando que o tempo entre o cuidado de um médico que o paciente aprendeu a gostar e o próximo que pode ser que ele venha a gostar, como você vê este hiato de desamparo e sofrimento?
Acad. Ricardo Cruz

   
   

15h05

Menino de 2 anos e meio, com diagnóstico de um tumor de retina (retinoblastoma). Como colocaria para os pais, as perspectivas terapêuticas?
Prof. Dr. Rubens Belfort Neto

   
   

15h20

Paciente de 69 anos, segue em coma depois de 4 meses de ressecção de um tumor cerebral de mau prognóstico oncológico. Família questiona se tem sentido a protelação do sofrimento. Como manejaria esta situação?
Acad. Paulo Niemeyer

   
   

15h35

Médico de 50 anos com tumor de pulmão operado recidiva depois de 3 anos. Fez um protocolo de quimio com resposta pobre. Equipe oncológica recomenda um tratamento de segunda linha. Como manejar a oposição do paciente?
Acad. José de Jesus Camargo

   
   

15h50

Debate I com a Bancada Acadêmica

   

BLOCO II – ONCOLOGIA CLÍNICA

   

16h10

Negação em Oncologia
Acad. Daniel Tabak

   
   
16h30

O Anúncio do Prognóstico em Oncologia
Prof. Dr. Jay Marion, MD
Professor Emeritus of Medicine Louisiana School of Medicine Shreveport – Louisiana, EUA

   
   
17h

Debate II com a Bancada Acadêmica

   
   
17h30

Encerramento e Intervalo

   
 

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXVIII – Ano Acadêmico 191

 
   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina,
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h10

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
18h30

Sessão Recentes Progressos
Predicção de Transtorno Bipolar: Um Novo Sistema
Prof. Dr. Flávio Kapczinski (UFRGS e ABC)

   
   
18h40

Comentários
Presidente Acad. Jorge Alberto Costa e Silva

   
   
  18h45 SESSÃO: SUICÍDIO NO SETEMBRO AMARELO
Coordenação: Acad. Antonio Egídio Nardi
   
   
18h50

Relator
Prof. Dr. Neury Botega (UNICAMP)

   
   
19h10

Comentários
Prof. Dr. Flávio Kapczinski (UFRGS e ABC)
Prof. Dr. Alexandre Valença (UFRJ)

   
   
19h30

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
20h

Encerramento

   
 

Nota de Falecimento – Acadêmico Hiram Lucas

Acadêmico Hiram Lucas

 24/03/1937  †  17/09/2020

A Academia Nacional de Medicina comunica, com profundo pesar, o falecimento do acadêmico Hiram Silveira Lucas, no dia 17 de setembro de 2020. Todos os confrades e confreiras se solidarizam com a família e os amigos nesse momento de perda no convívio com o ilustre acadêmico. 

Membro Titular da Academia desde 1997, ocupando a cadeira 71, na Secção de Cirurgia, o acadêmico graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com especializações em Cancerologia pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Cancerologia; em Medicina do Trabalho, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; em Mastologia pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Cancerologia e em Saúde pelo Ibmec Business School.

Em breve, a Academia Nacional de Medicina divulgará a data da “Sessão Saudade” em homenagem ao acadêmico Hiram Silveira Lucas. Para conhecer mais da biografia do acadêmico, acesse o link https://bit.ly/3iLZ13H.

VACINAS E COVID-19: Qual, Como, Quando e Em quem? Medicina, Mercado, Política e Sociedade

Vacinas contra covid

Imagine ter a disposição uma variedade de imunizantes contra covid-19. E aí, qual a melhor opção para vacinação em massa e para vacinar grupos especificos? Estas perguntas mobilizaram cerca de 350 participantes durante o simpósio “Vacinas e covid-19: Qual, quando, como, em quem? Medicina, mercado, política e sociedade”,  promovido por um consórcio que reuniu as Academias Nacional de Medicina (ANM), Brasileira de Ciências (ABC) e de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB), e realizado na última quinta (17).

Para quem anseia por uma vacina contra covid-19, o Secretário de Relações Exteriores da Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidos, Carlos del Rio, lembrou alguns exemplos de desenvolvimento de vacinas que levaram cerca de 30 anos: contra a varicela foram 28 anos. Outros 15 anos foram necessários para desenvolvimento tanto da vacinas contra o HPV, como para o rotavirus. E pesquisadores do mundo todo sonham em desenvolver uma vacina contra covid em apenas 18 meses. Será possível?

  A brasileira Mariângela Simão, atualmente na Organização Mundial da Saúde, sentenciou queessa pandemia não é uma corrida de 1000m. É uma maratona! Num otimismo cauteloso, segundo ela, a OMS estima que a vacina contra a covid-19 ficará pronta até meados de 2021, mas possivelmente, só haverá vacina para cerca de 20% da população. Com isso, será necessário eleger os grupos essenciais que receberão o imunizante e incorporar ao cotidiano medidas preventivas como o uso de máscaras, distanciamento social, lavagem das mãos ou uso de álcool em gel.

Imunizantes – Uma das questões importante abordadas por um dos coordenadores do evento, o pesquisador Jorge Kalil (ABC), e ainda sem resposta é quão prolongada será a resposta imunológica à vacina. Segundo ele, ainda não se sabe, mas todos os grupos estão tentando estudar as células de memória e fazer uma projeção. Alguns apontam que os anticorpos se mantêm, “mas não sabemos se os anticorpos são suficientes para manter a imunidade. Talvez, seja necessária também uma resposta celular”, afirmou.

Além disso, Kalil comentou sobre as perspectivas da vacina acabar realmente com o vírus (esterilizante) ou só evitar que os indivíduos desenvolvam a forma grave da doença. Isso, segundo ele, poderá ter impacto na saúde pública, pois os indivíduos não terão a doença, mas continuarão a disseminar o vírus. 

 Vacinas por RNA, DNA, vetores virais, adenovirus de chipanzé e baseadas em proteínas foram ainda apresentadas e discutidas por vários convidados durante o evento.

 A pesquisadora Lily Yin Weckx, da Unifesp, e Maria Bernardini, diretora médica da Astra Zeneca, esclareceram por que o país desperta o interesse de vários grupos internacionais para testes de vacina, destacando a excelência dos grupos de pesquisadores brasileiros e o número de infectados no país. Lily Yin mostrou como é a composição da vacina de Oxford que utiliza vetores virais modificados de chipanzé, onde se insere a proteína do SARS-CoV-2, o que desecadeará uma resposta imune. 

Entre outras iniciativas apresentadas, as estratégias da GlaxoSmithKline que visa uma vacinação em massa. Segundo o presidente José Carlos Felner, a empresa pretende lançar apenas no fim de 2021 a melhor solução de imunizante, que inclua a distribuição e que atinja ao maior número de pessoas.

Outro convidado do evento foi o pesquisador Esper Kallás, da USP, que contou sobre a iniciativa dos testes com a vacina Coronavac, do Butantan/Sinovac, conhecida como a vacina chinesa.Cerca de 4.700 voluntários no São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul estão participando dos testes que tem uma projeção de atingir um total 8.870 voluntários. 

 A epidemiologista Carla Domingues, outra palestrante do evento, ressaltou a excelência do Programa Brasileiro de Imunizações, mas alertou que o Ministério da Saúde precisa pensar na logística da vacinação para covi-19. Como será a vacinação, por exemplo, nas cidades ribeirinhas, onde o acesso é feito por barcos, caso a vacina necessite de refrigeração? Teremos seringas e agulhas suficientes para vacinar a população?,  questionou Domingues.

 O presidente da ANM, Rubens Belfort, ressaltou ao longo do simpósio a importância da boa evidência científica e da comunicação eficaz junto à sociedade para evitar a politização da vacinação.

 – Se por um lado, defendemos a evidência científica, somos os primeiros a admitir que elas são, às vezes, transitórias. Dizem que a medicina é um conjunto de ideias passageiras, transformadas em leis por questões didáticas e comerciais. E as vacinas também estão nessa área. Por isso, temos que ter muita responsabilidade para explicar que as evidências, às vezes, ainda são frágeis e, principalmente, mudam com o tempo. 

 O assunto foi reforçado pelo presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich. Segundo ele, a ciência não tem verdades. Ela busca a verdade. Se tivesse verdades permanentes, não seria ciência. Precisamos estar atentos ao interesse do público, pois temos grande responsabilidade de transmitir os avanços e processos científicos de forma clara e mostrar que o tempo da ciência é diferente do tempo dos políticos.

O jornalista e ex-Governador do Rio Grande do Sul, Antonio Britto, complementou as reflexões e preocupações. Ele interrogou quem estará no comando da imunização? A vacinação não pode ser palco de disputas ideológicas e corrupção como assistimos em várias cidades do país durante a pandemia de covid-19, enfatizou. O diretor da BandNews, Marcello D’Angelo, somou a essa preocupação: 

 – Na pandemia por covid-19, assistimos perplexos muitos casos de desvio de conduta em diversos governos estaduais, como os episódios no Rio de Janeiro, Santa Catarina e outras cidades. Também acompanhamos as disputas de vários países por máscaras, respiradores e outros equipamentos. E, infelizmente, estas negociações tiveram interferências políticas que mudaram os rumos de aquisição dos insumos. Essa situação não pode se repetir com a vacina, disse D’Angelo.

Participaram ainda dos debates, os acadêmicos da ANM, Celso Ferreira e Marcelo Morales, representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que falou sobre os investimentos governamentais; os acadêmico da ABC, Ricardo Gazinelli; Marco Antonio Stephano e Nelson Mussolini, da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil.

 

     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
14h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.
Presidente da Academia Brasileira de Ciências, Acad. Luiz Davidovich
Presidente da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, Acad. Acácio Lima

   
 
BLOCO I

Coordenação:
Acad. Marcelo Morales (ANM)
Acad. Ricardo Gazinelli (ABC)
Acad. Marco Antonio Stephano (ACFB)
 
   
14h10 Vacinas COVID Brasil 5min cada
Acad. Marcelo Morales (ANM)
Acad. Ricardo Gazzinelli (ABC)
Acad. Jorge Kalil (ABC)
Acad. Celso Ramos (ANM)
   
   
14h30

Discussão

   
   
14h40

Iniciativas da OMS para oferecer vacinas com equidade
Profa. Dra. Mariângela Simão (Organização Mundial da Saúde – OMS)

   
   

14h50

Como promover a vacinação em massa. A experiência do Brasil
Profa. Dra. Carla Domingues (Epidemiologista)

   
   

15h

Estratégia de implementação dos programas de vacinas
José Carlos Felner (Presidente da GlaxoSmithKline – GSK)

   
   

15h10

Discussão

   
 
BLOCO II

Coordenação:
Acad. Celso Ramos (ANM)
Acad. Jorge Kalil (ABC)
Acad. Nelson Mussolini (ACFB)
 
   

15h20

Testes clínicos de fase 3 da vacina AZD-1222 no Brasil (Vacinas Oxford)
Profa. Dra. Lily Yin Weckx (Unifesp)

   
   
15h30

Provável disponibilidade da vacina no Brasil
Dra. Maria Bernardini (Diretora Médica, Astra Zeneca)

   
   
15h40

“Vacina Coronavac do Butantan/Sinovac”
Prof. Dr. Esper Georges Kallás (USP)

   
   
15h50

Vacina Russa – TecPar
Prof. Dr. Jorge Augusto Callado Afonso (Presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná – TECPAR)

   
   
16h

As Expectativas da Sociedade 15min cada
Antonio Brito (ex-Governador do Rio Grande do Sul)
Marcello D’Angelo (Diretor Band News)
Pedro Thompson (Presidente da Plataforma Exame)

   
   
16h45

Discussão

   
   
17h30

Intervalo

   
 
Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXVIII – Ano Acadêmico 191
 
   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h15

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
18h25

Challenges of developing and deploying a vaccine during a pandemic
Carlos Del Rio, MD, PhD
Secretário de Relações Exteriores da National Academy of Medicine – EUA

   
   
19h

Mesa Redonda e Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
20h

Encerramento

 

Parceria Público-Privada | O Papel da Medicina Baseada em Evidências

“É evidente que, sem o SUS, estaríamos em uma situação muito pior na pandemia, mas também é evidente que sem a iniciativa privada, estaríamos em uma situação muito ruim.” O professor e presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort, deu o tom do Simpósio “Parceria Público-Privada”, realizado no dia 10 de setembro de 2020.

Inegavelmente, o fortalecimento do SUS e da parceria público-privada precisam ter continuidade. Ações nesse sentido vem sendo feito por uma força-tarefa que acredita na proposta de um sistema democrático que oferece medicina e saúde de qualidade, de forma gratuita, para a população.

Covid-19 – Exemplos de parceria público-privada na medicina durante a pandemia por covid foram abordados durante o evento. O diretor da empresa Diagnósticos da América, Gustavo Campana, mostrou os projetos apoiados com a doação de cerca de R$ 15 milhões para o Ministério da Saúde. Já o médico Nacime Salomão Mansur apresentou os excelentes resultados de gestão entre a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina e as secretarias de saúde, buscando o gerenciamento de programas do SUS na atenção primária, secundária e terciária.

A Rede D’Or São Luiz e o Instituto D’Or de Pesquisa, por sua vez, apontaram as contribuições, incluindo parcerias com a Fiocruz, Universidades Federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e a de São Paulo (Unifesp) e o Brazilian Clinical Research Institute.

Ainda durante o simpósio, o professor Tarcísio Eloy Barros Filho contou como o Hospital das Clínicas da USP conseguiu, em apenas uma semana, mobilizar e transformar, o instituto central da universidade para atendimento de pacientes com covid.

Outro convidado da sessão foi o médico Carlos Garcia que expôs o modelo de parceria público-privada no Hospital Regional de Sorocaba, onde a pandemia acabou por acelerar a implantação de tecnologia em procedimentos que contribuem no atendimento de pacientes.

O médico Claudio Luiz Lottenberg, presidente do Instituto Coalizão Saúde, falou ainda sobre a dinâmica de organizações sociais e propôs novos modelos de contratações e gestão.

O simpósio foi coordenado pelos acadêmicos Carlos Alberto Barros Franco e Jerson Lima Silva.

Evidências científica e crenças – Durante a sessão ordinária, um instigante debate foi levantado pelo médico Luis Cláudio Lemos Correia, da Escola Bahiana de Medicina. Ele abordou as crenças dos pacientes e as prerrogativas dos médicos em seguir a medicina baseada em evidência científica.

– Em medicina, nós médicos não temos como decidir pelo caminho certo. Temos que tomar a melhor decisão. O certo só saberemos depois. Assim, o correto seria trocarmos a medicina baseada em evidências por uma medicina baseada em probabilidades. Medicina é bússola e não GPS, disse Lemos Correa.

As crenças e os vieses de profissionais médicos no atendimento de pacientes foram o foco da palestra do pesquisador Ronado Pilati, da Universidade de Brasília. Segundo ele, as crenças elaboradas por profissionais podem também impactar em uma decisão médica.

Pseudociência e saúde pública – Casos curiosos e, porque não tristes, sobre o desconhecimento de políticos acerca de aspectos da ciência e da saúde e, que muitas vezes, levam a tomada de decisões errôneas em políticas públicas foram abordados pela bióloga e divulgadora científica Natalia Pasternak, professora da USP e diretora do Questão de Ciência.

Pasternak lembrou de inúmeros casos como o da pílula do câncer, a proibição de uso de celulares em postos de gasolina, a lei paulista que permite a mulheres decidirem qual tipo de parto preferem, a recomendação do uso da cloroquina e hidroxicloroquina contra covid, entre outros.

– Quando se fala do coletivo, de políticas públicas de gastos em um orçamento limitado, a nossa obrigação é escolher o melhor e o rigor é fundamental.

Os debates da sessão ordinária da Academia Nacional de Medicina foram coordenados pelo acadêmico Cláudio Tadeu Daniel Ribeiro e tiveram como comentaristas os acadêmicos Antonio Egídio Nardi, Raul Cutait e Walter Zin.

Assista ao simpósio a baixo:

E caso queira rever a sessão ordinária:

 

     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
15h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.

   
 

SIMPÓSIO PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA
Coordenação: Acad. Barros Franco e Acad Jerson Lima

 
   
15h10

Parceria Público-Privada em diagnóstico laboratorial na DASA
Dr. Gustavo Aguiar Campana Diretor
Médico da Diagnosticos da America SA – DASA

   
   
15h20

Parceria com secretarias de Saúde para o gerenciamento de programas do SUS na Atenção Primária, Secundária e Terciária
Prof. Dr. Nacime Salomão Mansur
Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina – SPDM

   
   
15h30

A Faculdade de Medicina da USP e a Parceria Público-Privada
Prof. Dr. Tarcísio Eloy Pessoa de Barros Filho
Presidente do Conselho Curador da Fundação Faculdade de Medicina (FFM), USP

   
   

15h40

Experiência da PPP – Hospital Regional de Sorocaba Dr. Adib Domingos Jatene – SPDM
Dr. Carlos Garcia
Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina – SPDM

   
   

15h50

Relação Público-Privada na assistência médica da Rede D’Or
Dr. Paulo Moll
CEO, Rede D’Or

   
   

16h

Pesquisa na relação Público-Privada no Instituto D’Or
Dra. Fernanda Moll
Presidente do Instituto D’Or

   
   

16h10

Parceria Público-Privada
Prof. Dr. Claudio Luiz Lottenberg
Presidente do Instituto Coalizão Saúde

   
   
16h20

Discussão

   
   
17h

Intervalo

   
 

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXVII – Ano Acadêmico 191

 
   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h10

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
 18h25 O PAPEL DA MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS
Coordenação: Acadêmico Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro
   
   
18h30

A Medicina Baseada em Evidências e as culturas Médica e Social
Prof. Dr. Luis Cláudio Lemos Correia
Coordenador do Centro de MBE da Escola Bahiana de Medicina

   
   
18h45

O pensamento científico e a psicologia humana: limites e possibilidades
Prof. Dr. Ronaldo Pilati
Presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia

   
   
19h

As Pseudociências e os gastos em saúde pública
Profa. Dra. Natália Pasternak Taschner
Diretora Presidente do Instituto Questão de Ciência

   
   
19h15

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
20h

Encerramento

 
     

Jovens Lideranças Médicas da ANM

“É uma honra fazer parte do programa Jovens Lideranças Médicas (JLM), da Academia Nacional de Medicina (ANM). Esse projeto estimula o jovem médico a catalisar a pesquisa e a gestão em saúde”.

“O Programa JLM foi um divisor de águas na minha vida”.  

“É com muita honra que digo que sou filiada ao programa JLM da ANM”.

“Esse programa foi muito importante na minha carreira. Que bom que temos algo assim no Brasil”.

Esses depoimentos aconteceram durante o Simpósio Jovens Lideranças Médicas, organizado pela Academia Nacional de Medicina (ANM), no dia 3 de setembro de 2020, através da plataforma Zoom Meetings e com transmissão ao vivo pelo Facebook.

O encontro contou com a abertura do presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., que, na oportunidade, agradeceu à empresa Bayer. Belfort afirmou:

– O apoio e a crença nesse projeto de formação de novos talentos na área de saúde é muito importante para o aperfeiçoamento de novos líderes em saúde.

A organização do evento foi dos acadêmicos Marcello Barcinski, coordenador do programa Jovens Lideranças Médicas, Eliete Bouskela, Antonio Nardi e Patrícia Rocco, nova integrante do programa.

Os estudos apresentados foram:

“Métodos contraceptivos em populações de alto risco gestacional”, pela médica Milena Bastos Brito, da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública;

“O sistema imune humano na saúde e na infecção”, com André Báfica, da Universidade Federal de Santa Catarina;

“Neuromodulação não-invasiva na depressão”, por André Russowsky Brunoni, da Universidade de São Paulo;

“Oftalmologia translacional – da bancada para o tratamento”, apresentado por Caio Vinicius Saito Regatieri, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp);

“Avaliação não-invasiva do fluxo sanguíneo na retinopatia e edema macular diabético”, com Eduardo Novais, também da Unifesp;

“Medicina regenerativa em pneumologia”, pela médica Fernanda Ferreira Cruz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro;

“Oncologia de precisão: Ensino e educação em patologia molecular”, pela médica Isabela Werneck da Cunha, do AC Camargo Cancer Center;

“Impacto da pesquisa translacional no diagnóstico de doenças raras”, com Filippo Pinto e Vairo, da Mayo Clinic;

“Identificando a depressão precocemente na adolescência”, com apresentação de Christian Kieling, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Durante a sessão ordinária da ANM, palestraram Helena Nader, vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências, que abordou a questão do financiamento da pesquisa no Brasil. O diretor científico da Fapesp, Luiz Eugênio Mello, que contou sobre os projetos da agência paulista no investimento em saúde. Na programação da sessão ainda houve uma mesa-redonda com a acadêmica Eliete Bouskela, da Faperj, Luiz Drude de Lacerda, da Funcap, e Paulo Beirão, da Fapemig, que debateram a importância do incentivo em jovens lideranças no país.

Se você perdeu o evento reveja aqui:

 

     
 

ORGANIZAÇÃO

 
 
 
Acad. Marcello Barcinski (coordenador)
Acad. Eliete Bouskela
Acad. Antonio Nardi
Acad. Patrícia Rocco
 
     
     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
14h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
14h10

Apresentação do Programa Jovens Lideranças Médicas
Acad. Marcello Barcinski

   
   
14h20

Métodos contraceptivos em populações de alto risco gestacional
Dra. Milena Bastos Brito (Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública)

   
   
14h35

O sistema imune humano na saúde e na infecção
Dr. André Báfica (UFSC)

   
   

14h50

Neuromodulação Não-Invasiva na Depressão
Dr. André Russowsky Brunoni (USP)

   
   
15h05

Discussão

   
   
15h15

Oftalmologia translacional – da bancada para o tratamento
Dr. Caio Vinicius Saito Regatieri (UNIFESP)

   
   
15h30

Medicina regenerativa em pneumologia
Dra. Fernanda Ferreira Cruz (UFRJ)

   
   
15h45

Avaliação não-invasiva do fluxo sanguíneo na retinopatia e edema macular diabético
Dr. Eduardo Novais (UNIFESP)

   
   
16h

Oncologia de precisão: Ensino e educação em Patologia molecular
Dra. Isabela Werneck da Cunha (AC Camargo Cancer Center)

   
   
16h15

Impacto da pesquisa translacional no diagnóstico de doenças raras
Dr. Filippo Pinto e Vairo (Mayo Clinic)

   
   
16h30

Identificando a Depressão Precocemente na Adolescência
Dr. Christian Kieling (UFRGS)

   
   
16h45

Discussão

   
   
17h

Intervalo

   
 

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXVI – Ano Acadêmico 191

 
   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h15

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
18h25

Desafios do Financiamento da Pesquisa no Brasil
Profa. Dra. Helena Nader (Academia Brasileira de Ciências)

   
   
18h35

A FAPESP e o Investimento em Saúde
Dr. Luiz Eugênio Mello (FAPESP)

   
   
18h45

Mesa redonda – Como incentivar jovens lideranças no Brasil
Acad. Eliete Bouskela (FAPERJ)
Dr. Luiz Drude de Lacerda (FUNCAP)
Dr. Paulo Sergio Beirão (FAPEMIG)

   
   
19h15

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
20h

Encerramento

 
     

Relação Médico-Paciente em Cirurgia: Questões Objetivas e Desafios Cotidianos

No dia 27 de agosto, a Academia Nacional de Medicina (ANM) promoveu simpósio que abordou diversos aspectos nas relações entre médicos e pacientes.

Risco anestésico; risco de dano neurológico em cirurgia de aneurisma de aorta; necessidade de biópsias; amputação de membros; médico ateu; uma segunda opinião; transfusão sanguínea em paciente testemunha de Jeová; paciente sem condições de realizar transplante; pacientes sem recursos financeiros. Estes foram alguns dos temas debatidos.

O acadêmico José de Jesus Camargo destacou “cada paciente tem sua forma particular de sofrer. Cabe ao médico estreitar os laços de confiança nessa relação médico-paciente e ter conexão e empatia, principalmente, em momentos que precisamos dar uma notícia ruim. O atendimento médico não pode ser padronizado.”

O encontro contou com a abertura do presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., que, na oportunidade, ratificou “a Academia Nacional de Medicina é um lugar para falar, pensar e até incomodar, para bem defender a saúde da população”. Já a coordenação do evento ficou a cargo dos acadêmicos José de Jesus Camargo e Rossano Fiorelli.

Para debater os temas, o evento ainda contou com o professor Lucas Cottini, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e os acadêmicos Rui Haddad, Arno von Ristow, Fabio Jatene, Milton Meier, Oswaldo Moura Brasil, Octavio Vaz, Henrique Murad e o ex-presidente da ANM, Francisco Sampaio.

Recentes progressos – Os eventos da ANM voltaram a ter apresentações sobre recentes progressos na área médica. No dia 27 de agosto de 2020, o convidado foi o médico Ilan Gottlieb, radiologista da Casa de Saúde São José, do Rio de Janeiro. Gottlieb falou sobre as vantagens e facilidades que a realidade virtual traz para a rotina dos cirurgiões em um procedimento, contribuindo para elucidar aspectos radiológicos antes de uma cirurgia e que nem sempre são visíveis em outros exames.

– A realidade virtual torna a cirurgia mais precisa e mais segura para os pacientes, pois oferece ao cirurgião uma imagem tridimensional do órgão a ser operado, ressaltou.

Recentes progressos da medicina é um espaço de discussão, criado pelo acadêmico Salomão Kaiser, durante a gestão do ex-presidente Pietro Novelino.

     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
14h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.

Acad. José de Jesus Camargo
Acad. Rossano Fiorelli

   
   
14h15

Como abordar a questão do risco anestésico?
Prof. Dr. Lucas Cottini (Anestesiologia/UFRJ)

   
   
14h30

Como explicar a um paciente a necessidade de realizar uma biópsia? (por exemplo, uma biópsia pulmonar numa doença intersticial)
Acad. Rui Haddad

   
   
14h45

Como anunciar a um homem de 45 anos, diabético não controlado, a necessidade de amputação de um membro inferior?
Acad. Arno von Ristow

   
   
15h

Como preparar o paciente/família para risco de dano neurológico de cirurgia de aneurisma de aorta?
Acad. Fabio Jatene

   
   
15h15

“Tenho medo de médico ateu! O Sr. já sentiu a presença de Deus operando o coração dos seus pacientes?”
Acad. Milton Meier

   
   
15h30

Discussão com os Acadêmicos

   
   
16h

“A minha filha vai ficar cega para sempre?”
Acad. Oswaldo Moura Brasil

   
   
16h15

“Acredito no Sr. e sei da sua competência, mas gostaria de ouvir uma segunda opinião. Eu posso retirar os exames para esta nova consulta?”
Acad. Octavio Vaz

   
   
16h30

“Sou testemunha de Jeová. Só aceito a cirurgia se o Sr. assinar um termo assumindo o compromisso de não utilizar transfusão sob nenhuma hipótese.” Como responder?
Acad. Henrique Murad

   
   
16h45

“Dr. O Sr. não imagina o quanto eu gostaria de ser tratado pelo Sr. mas eu não tenho condições de lhe pagar mais do que metade do valor que me foi anunciado. O Sr. aceitaria me operar mesmo assim?”
Acad. Francisco Sampaio

   
   
17h

Paciente enfisematoso, muito deprimido, recupera o entusiasmo ao saber que o transplante de pulmão era uma possibilidade. A avaliação pré-operatória, no entanto revela que ele não tinha a menor condição cardiológica para o procedimento. Como proceder?
Acad. José de Jesus Camargo

   
   
17h15

Discussão

   
   
17h45

Intervalo

   
 

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXV – Ano Acadêmico 191

 
   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina, Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h10

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
18h30

Recentes Progressos
Realidade virtual de imagens radiológicas no auxílio ao planejamento cirúrgico: a cirurgia antes da cirurgia

Prof. Dr. Ilan Gottlieb (Fonte Imagem e Casa de Saúde
São José – RJ
)

   
   
18h40

Comentários
Acad. Giovanni Cerri

   
   
18h45

Retratação de Artigos Científicos! É constrangedor? Pra quem?
Coordenador: Acad. José Osmar Medina Pestana
Relator: Prof. Dr. Helio Tedesco (UNIFESP)

   
   
19h10

Comentários
Acad. Jerson Lima

   
   
19h30

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
20h

Encerramento

 
     

Avaliação de Novas Tecnologias em Saúde

No dia 20 de agosto de 2020, a Academia Nacional de Medicina realizou evento virtual para abordar os processos de avaliações de novas tecnologias em saúde. Entre os convidados  Wanderley Marques Bernardo, do Programa Diretrizes da Associação Médica Brasileira e assessor especial na área de Medicina Baseada em Evidências, do Conselho Federal de Medicina; Vânia Cristina Canuto, da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), do Ministério da Saúde; e Clarice Petramale, que há 40 anos se dedica aos SUS. O evento foi coordenado pelo acadêmico Aníbal Gil Lopes.

“Conheça os grandes inimigos da razão: afirmar sem provas; autoritarismo ou dogma; intuição e imediatismo; emoção ou vulnerabilidade e superstição ou mito. Na ciência, prevalece o equilíbrio, a evidência e a incorporação”, enfatizou o médico Wanderley Marques Bernardo.

Já Vânia Canuto falou sobre as consultas públicas na incorporação de novos medicamentos para o SUS. Segundo ela, foram mais de 450 consultas para ouvir a opinião da população em relação a novos medicamentos no SUS, desde que o sistema foi implantado, e que resultaram em mais de 219 mil contribuições da sociedade brasileira e 296 novas tecnologias incorporadas e 165 não incorporadas.

Canuto ainda falou sobre o papel da Conitec, desde sua criação, os objetivos, quem são os membros, os processos de consulta pública até a aprovação de incorporação de um novo medicamento, incluindo requisitos como evidência científica, segurança, eficácia e qualidade, custo e impacto no SUS até a disponibilização no sistema público de saúde.

Outra convidada da sessão científica foi Clarice Petramale, que há 40 anos se dedica aos SUS e, nos últimos anos, aos processos de avaliação, aprovação e incorporação ou não de novos medicamentos. Petramale discorreu sobre globalização, inovação, novos medicamentos, preços abusivos, regulamentação, judicialização da saúde.

Petramale explicou como funciona o ecossistema de avaliação de tecnologias e inovação em saúde, que vai desde a análise das melhores opções, a participação popular em consultas públicas, a negociação dos preços junto às multinacionais farmacêuticas e o registro de novos medicamentos.

Segundo ela, é um jogo para minimizar danos, pois hoje não raro a indústria financia associações de país e pacientes das ditas doenças raras e órfãs, o lobby é grande junto aos políticos, os juízes acolhem ações que visam a prescrição de medicamentos dispendiosos e com poucos evidências e é importante tornar as relações transparentes.

Veja abaixo o evento que reuniu cerca de 100 expectadores :

     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
15h

Abertura
Acad. Rubens Belfort Jr., Presidente da Academia Nacional de Medicina

Acad. Aníbal Gil Lopes

   
   
15h10

Normas legais para o uso de novas tecnologias em saúde
Acad. Aníbal Gil Lopes

   
   
15h25

A hierarquia das evidências científicas
Acad. Maurício Gomes Pereira

   
   
15h40

Razão, Evidência e Incorporação
Dr. Wanderley Marques Bernardo, Médico, Coordenador do Programa Diretrizes da Associação Médica Brasileira, Assessor especial do Conselho Federal de Medicina em Medicina Baseada em Evidências – MBE

   
   
15h55

O papel da indústria no desenvolvimento de novas tecnologias em saúde e na produção de evidências visando sua comercialização e incorporação em sistemas de saúde
Dr. Nelson Mussolini, Advogado, Presidente Executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos – Sindusfarma

   
   
16h10

A Medicina Baseada em Evidências (MBE) e o papel do CFM na regulação dos procedimentos médicos no Brasil
Dra. Cacilda Pedrosa de Oliveira, Médica, Conselheira do CREMEGO, Membro da Câmara Técnica de Avaliação e Aprovação de Novos Procedimentos do CFM.

   
   
16h25

As evidências de eficácia e segurança de novos medicamentos em Oncologia
Dra. Maria Inez Gadelha, Médica, Chefe de Gabinete da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde.

   
   
16h40

Discussão
Coordenador: Acad. Carlos Alberto Mandarim de Lacerda

   
   
17h30

Intervalo

   
 

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXIV – Ano Acadêmico 191

 
   
18h

Abertura
Acad. Rubens Belfort Jr., Presidente da Academia Nacional de Medicina

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h10

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
18h30

O ecossistema de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) e o papel da regulação em tempos de inovação em saúde
Dra. Clarice Alegre Petramale, Médica, Ex-diretora do Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde – DGITS, do Ministério da Saúde.

   
   
18h50

A Conitec e a Avaliação e incorporação de tecnologias no SUS
Dra. Vânia Cristina Canuto Santos, Economista, Presidente da Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias do Ministério da Saúde – CONITEC

   
   
19h10

Discussão com a Bancada Acadêmica
Coordenador: Acad. Aníbal Gil Lopes

   
   
20h

Encerramento

 
     

Contribuições da Pesquisa Biomédica Brasileira para o Entendimento da COVID-19

Dúvidas e avanços na pesquisa sobre o novo coronavírus permearam os debates promovidos pela Academia Nacional de Medicina no dia 13 de agosto de 2020. Durante o simpósio “Contribuições da pesquisa biomédica para o entendimento da covid-19” foi anunciado o avanço da pesquisa com soro de cavalo.

O acadêmico e pesquisador da UFRJ, Jerson Lima Silva, presidente da Faperj, contou aos participantes que, após 70 dias, os plasmas de quatro dos cinco cavalos do Instituto Vital Brazil, no Rio de Janeiro, que foram inoculados, em maio de 2020, com a proteína S recombinante do coronavírus, produzida na Coppe/UFRJ, apresentaram anticorpos neutralizante 20 a 50 vezes mais potente contra o vírus SARS-CoV-2 do que os plasmas de pessoas que tiveram covid-19.

Além disso, falou sobre o depósito de uma patente e a submissão de uma publicação. Como explicou, a originalidade do trabalho está na produção do soro por equinos contra os vírus SARS-CoV-2. Segundo contou, o pedido de patente se refere ao processo de produção do soro anti-SARS-CoV-2, a partir da glicoproteína da espícula (spike) com todos os domínios, preparação do antígeno, hiperimunização dos equinos, produção do plasma hiperimune, produção do concentrado de anticorpos específicos e do produto finalizado, após a sua purificação por filtração esterilizante e clarificação, envase e formulação final.

Este trabalho científico envolve parceria da UFRJ, Instituto Vital Brazil e Fiocruz.

Diretrizes de isolamento – Quanto tempo, após ser contaminada uma pessoa continua transmitindo o coronavírus? A pesquisadora Luciana Costa, do Instituto de Microbiologia, também da UFRJ, participou da mesma sessão e apresentou dados que mostram a prevalência do vírus SARS-Cov-2 após 14 dias dos primeiros sintomas de pacientes infectados. Costa afirmou que essa liberação prolongada de RNA ainda representa um risco de transmissão. E com isso, as diretrizes de isolamento devem ser revisadas. 

Outro ponto que ainda é alvo de muitos estudos é o aspecto da tromboinflamação provocado pela covid-19.  O tema foi apresentado pela pesquisadora Patricia Bozza, da Fiocruz, que analisou como a ativação plaquetária pode ter um papel importante, tanto na amplificação inflamatória, mas especialmente nos episódios de trombose, e também na mortalidade relacionada à doença. 

Outro convidado desse simpósio foi o diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e da Plataforma Pasteur/USP, Luis Carlos Ferreira. Ele contou aspectos sobre a corrida pela testagem em massa no Brasil, explicou um pouco as características dos testes caríssimos e outros pouco eficientes para o diagnóstico da covid-19 e, a partir desse cenário, a busca de pesquisadores da USP por testes baratos e sensíveis. Ferreira ressaltou a importância desse trabalho que resultou em testes, cuja sensibilidade foi de 95%, apontando, inclusive o impacto dessa conquista para a retomada das aulas nas universidades, escolas e atividades em outas instituições.

O simpósio “Contribuições da pesquisa biomédica para o entendimento da covid-19” foi coordenado pelos acadêmicos Marcello Barcinski e Wanderley de Souza.

     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
14h30

Abertura
Acad. Rubens Belfort Jr.
Presidente da Academia Nacional de Medicina

Acad. Marcello Barcinski
Presidente da Secção de Ciências Aplicadas à Medicina

Acad. Wanderley de Souza

   
   
14h40

Análise microscópica do processo de morfogênese do Sars-CoV-2 em células infectadas “in vitro
Prof. Dr. Lucio Ayres Caldas
Núcleo de Caxias, Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho e Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagens da UFRJ

   
   
15h

Persistência de detecção do RNA do SARS-CoV-2 no trato respiratório está relacionado com a presença de vírus infeccioso: implicações para a transmissão viral
Profa. Dra. Luciana Costa
Instituto de Microbiologia Paulo de Góes, UFRJ

   
   
15h20

Epidemiologia Molecular de Viroses Pediátricas: o Efeito da COVID-19
Prof. Dr. Edson Durigon
Departamento de Microbiologia, ICB/USP

   
   
15h40

Tromboinflamação na COVID-19: Mecanismos e Questões em Aberto
Profa. Dra. Patricia Bozza
Instituto Oswaldo Cruz, Fiocruz/RJ

   
   
16h

Resposta imune celular ao SARS-CoV-2: marcador de exposição e de imunoproteção à COVID-19
Prof. Dr. Edécio Cunha Neto
Faculdade de Medicina da USP

   
   
16h20

Discussão

   
   
17h30

Intervalo

   
 

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXIII – Ano Acadêmico 191

 
   
18h

Abertura
Acad. Rubens Belfort Jr.
Presidente da Academia Nacional de Medicina

   
   
18h05

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h10

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
18h30

Alto Título Neutralizante do Soro Hiperimune Equino Desenvolvido contra a Proteína S do SARS-CoV-2: Potencial Tratamento da COVID-19 por Imunização Passiva
Acad. Jerson Lima

   
   
18h50

Testes sorológicos para a COVID-19: “Uma Experiência na USP”
Prof. Dr. Luis Carlos Ferreira
Diretor do ICB/USP e da Plataforma Científica Pasteur/USP, Responsável pelo Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas da USP

   
   
19h10

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
20h

Encerramento

 
     

Apresentação dos Trabalhos Ganhadores dos Prêmios da Academia Nacional de Medicina

Consideradas as mais antigas premiações na área da medicina, os prêmios da Academia Nacional de Medicina tiveram um número recorde de inscritos em 2020. Foram 63 candidaturas para as nove categorias.

Em evento no dia 06 de agosto, os agraciados fizeram apresentações no Web Hall da Academia. A sessão também foi transmitida via Facebook.

Um grupo que reúne médicos das universidades Federal do Espírito Santo, Federal de São Paulo e da Columbia University levou o grande prêmio Presidente da Academia Nacional de Medicina. Liderado pelo médico Thiago Cabral, estudo mostrou avanços para o tratamento da principal doença oftalmológica relacionada à perda da visão em adultos maiores de 55 anos: a Degeneração Macular Relacionada à Idade. O grupo estudou moléculas pró e antiangiogênica que podem contribuir para vascularização ocular e a aplicação dos sistemas CRISPR-Cas para edição do genoma, também conhecida como “cirurgia genômica” no campo da Oftalmologia.

 – Estamos extremamente orgulhosos de termos sido agraciados com o maior e mais importante prêmio da Medicina Brasileira. Esse trabalho é um enorme passo para o diagnóstico e novas tratamentos nas doenças da retina, responsáveis por grande parte da cegueira nos dias atuais”, comemorou Cabral.

Com o título “Angiogênese da retina e coroide: biomarcadores e engenharia genética, o estudo conta com os coautores Luiz Guilherme Marchesi Mello e Júlia Polido, da Universidade Federal do Espírito Santo e da Escola Paulista de Medicina, da Unifesp.

Transplante de fígado – Na categoria Prêmio Presidente José Cardoso de Moura Brasil, trabalho liderado por Olival Cirilo Lucena da Fonseca Neto, aborda as técnicas para transplante de fígado. De um grupo de médicos da Unidade de Transplante de Fígado, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, da Universidade do Estado de Pernambuco, o trabalho acompanhou 87 pacientes submetidos ao procedimento, entre 2018 e janeiro de 2020. Foram analisadas duas técnicas cirúrgicas e diversos parâmetros entre os pacientes. Os resultados contribuem para indicar qual técnica gera menos instabilidade pós-cirúrgica e que leva ao melhor funcionamento do enxerto após o transplante.

Com título “Revascularização retrógrada no transplante ortotópico de fígado: efeitos na estabilidade hemodinâmica e função do enxerto”, o estudo contou com os seguintes coautores: Gabriel Guerra Cordeiro, Paulo Sérgio Vieira de Melo, Américo Gusmão Amorim, Priscylla Jennie, Monteiro Rabêlo, José Olímpio Maia de Vasconcelos Filho, Pedro Renan de Melo Magalhães, Ludmila Rodrigues Oliveira Costa, Raimundo Hugo Matias Furtado, Gustavo da Cunha Cruz, Cláudio Moura Lacerda – todos da Unidade de Transplante de Fígado (UTF) – Hospital Universitário Oswaldo Cruz e Universidade de Pernambuco.

Avanços – O vencedor do Prêmio Miguel Couto foi o médico David Cohen. Com o estudo “Novo modelo in vivo para avaliar alterações macroscópicas, histológicas e moleculares da doença de Peyronie”, Cohen que é da Faculdade de Medicina do ABC, Escola Paulista de Medicina e Universidade Federal de São Paulo. O estudo contou com os coautores: Sidney Glina, Renan Pelluzzi Cavalheiro, Ana Maria do Antonio Mader, San Won Han, Maria Aparecida Silva Pinhal, Therese Rachel Theodoro, Willany Veloso Reinaldo, Vivian Barbosa Navarro Borba e Giuliana Petri, todos da mesma instituição do agraciado.

A médica, da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, Luciene Resende, foi agraciada com o Prêmio Presidente Aloysio Salles, pelo estudo “Alterações neurológicas em pacientes com linfomas” e como coautora contou com Ligia Niéro-Melo, da mesma instituição.

Já a pesquisadora do Instituto de Psiquiatria (Ipub), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Laiana Azevedo Quagliato, conquistou o Prêmio Antônio Austregésilo Rodrigues Lima. Laiana estudou proteínas específicas, como as citocinas inflamatórias, e sua atuação em pacientes com transtorno do pânico, pois estão em grande quantidade no organismo desses pacientes.

Identificação da dor em neonatos: percepção visual das características faciais neonatais pelos adultos foi o tema do estudo que recebeu o Prêmio Fernandes Figueira à vencedora Marina Carvalho de Moraes Barros, da Escola Paulista de Medicina, Unifesp.

Para ela, receber o prêmio da ANM, um dos prêmios mais tradicionais em medicina, foi uma honra e certamente um grande incentivo para o grupo continuar a pesquisar, visando melhorar a assistência do recém-nascido. Como coautores, participaram deste estudo Carlos Eduardo Thomaz, Lucas Pereira Carlini, Rafael Nobre Orsi e Pedro Augusto Santos Orona Silva, do Centro Universitário Fundação Educacional Inaciana Padre Sabóia de Medeiros; e mais Giselle Valério Teixeira da Silva, Juliana do Carmo Azevedo Soares, Tatiany Medeiros Heiderich, Rita de Cássia Xavier Balda, Adriana Sanudo, Solange Andreoni e Ruth Guinsburg, da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo.

E Dani Ejzen foi o vencedor do Prêmio Madame Durocher com relato do primeiro nascimento mundial após transplante uterino com doadora falecida. Para Dani foi uma felicidade enorme:

– Me sinto honrado pelo reconhecimento de nossa pesquisa sobre transplante uterino com o Prêmio Madame Durocher 2020, da Academia Nacional de Medicina. Um trabalho que foi totalmente desenvolvido por médicos e profissionais da saúde brasileiros do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e que teve grande repercussão no Brasil e no exterior.

Os coautores desta conquista foram Wellington Andraus, José Maria Soares Jr,Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque e Edmund Chada Baracat.

Os prêmios da Academia Nacional de Medicina foram instituídos em 1829.

     
  PROGRAMAÇÃO  
     
 
14h30

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina
Acad. Rubens Belfort Jr.

Presidente da Comissão de Prêmios
Acad. Francisco Sampaio

   
   
14h45

PRÊMIO MIGUEL COUTO – Novo modelo in vivo para avaliar alterações macroscópicas, histológicas e moleculares da doença de Peyronie

Autor: David Jacques Cohen
Faculdade de Medicina do ABC / Escola Paulista de Medicina- Universidade Federal de São Paulo

Coautores:
Faculdade de Medicina do ABC/ Escola Paulista de Medicina- Universidade Federal de São Paulo
Sidney Glina
Renan Pelluzzi Cavalheiro
Ana Maria do Antonio Mader
San Won Han
Maria Aparecida Silva Pinhal
Therese Rachel Theodoro
Willany Veloso Reinaldo
Vivian Barbosa Navarro Borba
Giuliana Petri

   
   
15h

PRÊMIO FERNANDES FIGUEIRA Identificação da dor em neonatos: percepção visual das características faciais neonatais pelos adultos

Autora: Marina Carvalho de Moraes Barros
Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo

Coautores:
Centro Universitário Fundação Educacional Inaciana "Padre Sabóia de Medeiros" (FEI)
Carlos Eduardo Thomaz
Lucas Pereira Carlini
Rafael Nobre Orsi
Pedro Augusto Santos Orona Silva

Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo
Giselle Valério Teixeira da Silva
Juliana do Carmo Azevedo Soares
Tatiany Medeiros Heiderich
Rita de Cássia Xavier Balda
Adriana Sanudo
Solange Andreoni
Ruth Guinsburg

   
   
15h15

PRÊMIO MADAME DUROCHER – Primeiro nascimento mundial após transplante uterino com doadora falecida

Autor: Dani Ejzen
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Coautores:
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Wellington Andraus
José Maria Soares Jr
Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque
Edmund Chada Baracat

   
   
15h30

Comentários
Acad. Paulo Saldiva
Acad. Aderbal Sabrá
Acad. Jorge Rezende Filho

   
   
15h45

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
16h15

PRÊMIO ANTÔNIO AUSTREGÉSILO RODRIGUES LIMA – O papel de citocinas inflamatórias e da via da quinurenina na fisiopatologia do transtorno de pânico

Autor: Laiana Azevedo Quagliato
Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro – IPUB

   
   
16h30

PRÊMIO PRESIDENTE ALOYSIO SALLES – Alterações neurológicas em pacientes com linfomas

Autora: Lucilene Silva Ruiz e Resende
Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP

Coautora: Ligia Niéro-Melo
Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP

   
   
16h45

Comentários
Acad. Jorge Alberto Costa e Silva
Acad. Sérgio Novis

   
   
17h

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
17h30

Intervalo

   
 

Sessão Ordinária da Academia Nacional de Medicina
XXII – Ano Acadêmico 191

 
   
18h

Abertura
Presidente da Academia Nacional de Medicina
Acad. Rubens Belfort Jr.

   
   
18h10

Comunicações da Secretaria Geral
Acad. Ricardo Cruz

   
   
18h15

Comunicações dos Acadêmicos

   
   
18h45

PRÊMIO PRESIDENTE JOSÉ CARDOSO DE MOURA BRASIL – Revascularização retrógrada no transplante ortotópico de fígado: efeitos na estabilidade hemodinâmica e função do enxerto

Autor: Olival Cirilo Lucena da Fonseca Neto
Unidade de Transplante de Fígado de Pernambuco – UTF-PE
Unidade de Transplante de Fígado do Hospital Universitário Oswaldo Cruz

Coautores:
Unidade de Transplante de Fígado (UTF) – Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC)
Universidade de Pernambuco (UPE)

Gabriel Guerra Cordeiro
Paulo Sérgio Vieira de Melo
Américo Gusmão Amorim
Priscylla Jennie Monteiro Rabêlo
José Olímpio Maia de Vasconcelos Filho
Pedro Renan de Melo Magalhães
Ludmila Rodrigues Oliveira Costa
Raimundo Hugo Matias Furtado
Gustavo da Cunha Cruz
Cláudio Moura Lacerda

   
   
 19h

PRÊMIO ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA
Angiogênese da retina e coroide: biomarcadores e engenharia genética

   
   
 

Autor: Thiago Cabral
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo

Coautores:
Universidade Federal do Espírito Santo

Luiz Guilherme Marchesi Mello
Júlia Polido

Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo
Caio V. Regatieri
Luiz H. Lima
Maurício Maia

Stanford University
Vinit B. Mahajan

Columbia University
Stephen S Tsang

Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (HSPE/IAMSPE)
Akiyoshi Oshima
Pedro Serracarbassa

   
   
19h20

Comentários
Acad. Silvano Raia
Acad. Oswaldo Moura Brasil

   
   
19h30

Discussão com a Bancada Acadêmica

   
   
20h

Encerramento

 
     

Cirurgia de Urgência na Época de COVID-19 e a importância do SUS na Saúde

Cirurgia durante a pandemia: é possível? 

Você já pensou no meio da pandemia ser acometido por um caso de saúde grave e que necessite de cirurgia? Ninguém quer passar por uma situação dessas, mas não estamos imunes. Este foi o tema de encontro virtual promovido pela Academia Nacional de Medicina, no dia 30 de julho de 2020, data especial em que se comemora o Dia do Cirurgião Geral. 

Entre os convidados, o médico Edivaldo Utiyama, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), que apresentou um panorama sobre cirurgias de urgência e condutas realizadas nos últimos meses.

As lições tiradas desse contexto foram comentadas pelo presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Luis Von Bahten.

Participaram também os médicos Roberto Rasslan, Sérgio Damous e Jones Pessoa dos Santos, todos da FMUSP, que apresentaram, respectivamente, casos de pacientes que tiveram endocardite bacteriana, colecistite aguda e perfuração de duodeno – quadros agravados pela covid-19, debatendo as condutas cirúrgicas para cada situação.

Enfrentamento da epidemia – A professora titular da USP e integrante do Comitê de Crise do Hospital das Clínicas (HC), Eloisa Bonfá, foi outra convidada da sessão e contou como foi o planejamento para o enfrentamento da covid-19.

Segundo ela, o plano do hospital começou quando a epidemia não estava instaurada e o mundo tinha apenas seis mil casos da doença restritos à região da China. Durante dois meses, a instituição criou estoques e organizou estruturalmente os 2.400 leitos do Complexo do HC para atender os casos da doença que eclodiram a partir de março.

Diante do aumento dos infectados, o complexo adotou estratégias antecipadas e bem definidas como a separação dos institutos, centralizando os casos de covid, delinearam novos fluxos, recrutaram equipes, montaram times de suporte especializados, além de abrirem novos leitos como enfermarias especializadas e convertendo 34 salas de cirurgias em 76 novas vagas de UTI para viabilizar a internação de pacientes críticos.

Todo o enfrentamento à pandemia envolveu os 20 mil colaboradores do HC e de seus cinco institutos, o que possibilitou manter entre 40 a 70% dos procedimentos cirúrgicos nas unidades que permaneceram com baixa exposição ao vírus.

Assista abaixo o vídeo sessão.

SUS e desafios – Na sessão ordinária da ANM, o tema foi o SUS e o primeiro convidado o acadêmico e ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Segundo ele, o SUS realiza 4 bilhões de procedimentos ambulatoriais todos os anos, 1 bilhão e 400 mil consultas anuais, 12 milhões de internações, 95% de transplantes realizados no país. “O SUS não é uma ideia, é uma rede de proteção fantástica, mas ainda enfrenta muitos problemas, como o subfinanciamento”, ressaltou.

Enquanto o SUS atende 150 milhões de brasileiros e tem um orçamento de R$ 240 bilhões anuais, ou seja, pouco mais de R$ 1 mil reais por ano/habitante; a rede privada atende 50 milhões de pessoas a um custo de R$ 200 bilhões/ano. A conta não fecha, disse o ex-ministro.

Criado há 32 anos, o SUS ainda tem muitos desafios, apontou Temporão, incluindo aspectos econômicos, tecnológicos e políticos. E mostrou-se preocupado diante de uma proposta do atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de implementar uma modernização sem consulta às instâncias do SUS. Segundo Temporão: “uma barbárie disfarçada de modernidade.”

Desafios para o futuro – Ex-presidente da Anvisa e professor de Saúde Pública da USP, Gonçalo Vecina, foi também palestrante desse 30 de julho de 2020.

Vecina elogiou a capacidade do SUS no enfrentamento da pandemia. Para ele, um dos legados dessa epidemia foi descobrir a importância do SUS. Por outro lado, abordou o subfinanciamento, a necessidade do aperfeiçoamento da gestão que não é um problema exclusivo da saúde, mas de todo setor público brasileiro. É fundamental investir em recursos humanos, conhecimento, material e equipamentos.

– Deveríamos revisitar o modelo de descentralização na assistência e reestruturar nossas redes de atenção em saúde com base nas manchas populacionais.

Vecina fez ainda duras críticas às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e à militarização do Ministério da Saúde, com distribuição de cargos para não técnicos. Segundo ele, a UPA não é atenção primária e nem emergência.

Confira abaixo a íntegra desta sessão:

A organização do evento foi dos acadêmicos José de Jesus Camargo e Samir Rasslan, sob coordenação dos acadêmicos Octavio Vaz e Rossano Fiorelli.

Sessão em Comemoração do Aniversário de 100 anos do Honorário Nacional Raymundo Edson Araújo Leitão – Fundador da ABMR

Em sessão virtual especial, dia 28 de julho de 2020, a Academia Nacional de Medicina (ANM), em parceria com a Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação (ABMR), comemorou o aniversário de 100 anos do Honorário Nacional, Raymundo Edson Araújo Leitão, também fundador da ABMR.

O evento contou com a abertura do presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, que ressaltou a capacidade do homenageado de ainda transmitir conhecimento para futuras gerações, além de ter sido sempre um inovador, principalmente com o atendimento multidisciplinar. 

Para conduzir as homenagens ao aniversariante, o acadêmico Omar da Rosa Santos, segundo vice-presidente da ANM e orador da ABMR, relembrou a brilhante trajetória de Araújo Leitão na medicina, na ciência, na área de ensino e os títulos e honrarias recebidos pelo acadêmico ao longo dos anos de dedicação, ressaltando seu papel de guardião da ABMR.

Confira a íntegra da biografia do homenageado: https://bit.ly/30umNuk

Impactos da COVID-19 no Ensino de Graduação em Medicina

Impacto da Covid-19 no Ensino da Medicina

Quais são os impactos do ensino remoto para o curso de medicina? Há limites para a formação de médicos através de plataformas online? Quais os desafios e estratégias para cursos médico na pós-pandemia? Estes e outros assuntos foram debatidos em simpósio promovido, no dia 23 de julho de 2020, no Web Hall e pelo Facebook da Academia Nacional de Medicina.

Estima-se que seis milhões de estudantes brasileiros do ensino superior ficaram sem aulas durante a pandemia. Destes, 171 mil são alunos de medicina. Algumas instituições saíram na frente para suprir o vácuo acadêmico com o ensino remoto de emergência como é o caso das escolas de medicina da Universidade de São Paulo, da Unicamp, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ensino Einstein, entre outras.

Entre os debatedores desse simpósio, o professor visitante da USP e representante da Universidade Federal da Bahia, Naomar de Almeida Filho. Segundo ele, a pandemia acelerou e nos obrigou a pensar na maneira como os alunos estão aprendendo no país. Além de expor deficiências e rupturas necessárias do ecossistema educacional brasileiro muito resistente à mudança; preso ao rigor de uma grade curricular, pedagogias passivas, com baixa inclusão tecnológica no ensino que apontam desigualdades e um racismo estrutural. 

“A pandemia trouxe, não só para a saúde em geral, mas também para a educação, um estímulo de trazer à tona a discussão das desigualdades que, de modo tão estrutural quanto o racismo, organiza a sociedade.”

Para ele o uso da tecnologia, se bem gerenciado por parte das instituições de ensino, torna-se um fator de inclusão e redução desigualdades. 

Ensino híbrido – Para alguns especialistas, o ensino híbrido pode ser um grande legado da pandemia à educação médica no país. Segundo a professora Cristina Neumann, coordenadora do curso de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a instituição tomou diversas iniciativas imediatas que equilibraram o ensino remoto e a prática do internato, propiciando a continuidade do calendário acadêmico com apoio integral dos alunos que demonstram satisfação com as aulas on-line, mas insatisfeitos com a ausência prática das disciplinas. 

O mesmo pensamento foi observado pelo discente da Escola Paulista de Medicina, Luiz Fernando de Moraes, que realizou uma pesquisa com diversos estudantes da área, mostrando que 50% avaliam como bom ou muito bom o ensino remoto que estão tendo, porém 80% disseram aprender mais com aulas presenciais. Entretanto, a maioria afirma recorrer às videoaulas como outro método de ensino. 

Com isso, o ensino híbrido – que mescla aulas remotas, educação à distância com atividades práticas – mostra-se uma grande perspectiva e deve ser mantido no pós-pandemia. A reboque, entram aspectos importantes a serem discutidos como metodologias ativas de aprendizagem, avaliações assíncronas, apoio a alunos e docentes para acesso remoto e uso das ferramentas digitais e a equidade no ensino.  

Cenário da pandemia – Em 72 horas, 10.500 respostas de alunos de 257 entidades médicas (75,4% de todas as escolas médicas do país) responderam a um questionário elaborado pela coordenação do Curso Medicina da Universidade de São Paulo para tentar entender o cenário imposto pela pandemia.

No levantamento, os respondentes opinaram sobre a participação dos estudantes no serviço à população; segurança e aptidão para atender pacientes covid-19; além de questões sobre o que aprendemos e quais as estratégias para o período da pós-pandemia.

Os resultados foram apresentados pelo professor da USP, Milton de Arruda Martins, na mesma sessão científica.

Arruda Martins refletiu sobre o que é essencial para a formação médica: Como podemos aprimorar a prática docente e o diálogo com os estudantes? Como incluir os estudantes com maior vulnerabilidade se 40% são cotista na USP? Segundo ele, a inclusão digital veio para ficar e impôs o enfrentamento do ensino não presencial para os cursos médicos.

Estratégias americanas – A professora Nancy Hueppchen, da Escola de Educação Médica da Johns Hopkins, falou para os acadêmicos e médicos que participaram da sessão que abordou a graduação medicina sobre as estratégias adotadas pela universidade americana para superar as limitações impostas pela pandemia pelo SARS-CoV-2.

Hueppchen ressaltou as lições que estamos aprendendo durante esse período, como acomodar os impactos provocados pelas mudanças e que precisamos planejar o ensino híbrido: presencial e à distância, sincrônica ou assincrônica. Além disso, comentou sobre o incrementando dos centros de simulação, os sistemas de telemedicina, a troca virtual de experiências clínicas e a participação de estudantes voluntários nesse processo, que tem sido multidisciplinar e interprofissional.

Atualmente, a Johns Hopkins adota as principais recomendações do Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos com a disponibilidade de testes acurados e equipamentos de proteção individual até a aprovação de uma vacina eficaz contra o novo coronavírus. Mas Nancy questiona quando será seguro que estudantes voltem para os estágios rotatórios na clínica e outras atividades?

A convidada ainda abordou o trabalho de inúmeros voluntários que foram essenciais para que a faculdade não interrompesse suas atividades.

A sessão “Impactos da covid-19 no ensino de graduação em medicina” foi organizada pelos acadêmicos Francisco Sampaio, ex-presidente da ANM, e Rui Monteiro de Barros Maciel e está disponível abaixo.

Sessão da Saudade – Acad. Ernani Vitorino Aboim Silva

A saudade é o único paraíso de onde não seremos removidos


“Com quase 37 anos de contribuições para Academia Nacional de Medicina (ANM), como membro titular da Secção de Cirurgia, na Cadeira 35, hoje é dia de homenagear Ernani Aboim. Um confrade que veio do Juazeiro do Norte aprimorar, enriquecer e atualizar os debates científicos nessa casa. Uma imensa saudade, mas seu nome estará para sempre conjugado com a medicina”, exclamou emocionado o acadêmico e ex-presidente da ANM, Pietro Novelino, na abertura da tradicional Sessão Saudade da ANN, que aconteceu no último dia 21 de julho de 2020, nas plataformas virtuais da Academia.

Já o acadêmico Orlando Marques citou um proverbio grego para descrever o acadêmico: “Há poucos homens capazes de prestar homenagem ao sucesso de um amigo, sem qualquer inveja” e, Ernani Aboim era uma dessas raras pessoas.

O presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, destacou a primorosa apresentação dos oradores da sessão e se solidarizou com a família, em especial, com a viúva, companheira incansável de uma vida inteira com o acadêmico.

Confira a biografia de imortal: https://bit.ly/2D1cTas

A Pandemia e A Literatura

De Shakespeare ao novo coronavírus

O que a literatura das pandemias de séculos passados pode nortear reflexões atuais sobre o novo coronavírus?

Academias Nacional de Medicina (ANM), Brasileira de Ciências (ABC) e de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) promoveram live em julho (16) sobre literatura e pandemias.

Para o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., “a literatura é um marco na história que nos ajuda a interpretar o presente. Por isso, revisitar outras epidemias descritas por grandes escritores é motivo desse nosso próximo debate. A organização do evento foi dos acadêmicos Gilberto Schwartsmann e Ricardo Lopes Cruz, também secretário geral da ANM.

Onde a literatura tange a medicina? Não são só nas histórias fictícias que é possível encontrar muita emoção, humanidade e clímax, por exemplo. A vivência médica também está cheia dessas circunstâncias dignas de clássicos literários. 


Foi assim, construindo pontes e paralelos entre a realidade da medicina e a literatura, que os membros da Academia Nacional de Medicina e da Academia Brasileira de Letras (ABL) conduziram a 19ª sessão ordinária da ANM. 

Traçando comparativos entre ficção e realidade, o romance “A Peste”, escrito em 1974 por Albert Camus, relata uma epidemia em um dos primeiros anos da década de 40 com diversos acontecimentos similares ao que vivenciamos hoje com a pandemia de SARS-Cov-2. Para o acadêmico da ANM, José Osmar Medina Pestana, “a mensagem central é que a vida vale a luta mesmo quando a natureza está nos assaltando.”


Inspirada na obra Decameron de Giovani Boccaccio, a escritora Nélida Piñon, membro da ABL, foi uma das convidadas. Nélida abordou a literatura e sua capacidade extraordinária de jamais se calar. “Ela capta todos os meandros e todos os sintomas da sociedade. Por tanto, graças a um grande texto literário a realidade não se esvai, não desaparece.”

Decameron é uma coleção de cem novelas escritas por Giovanni Boccaccio entre 1348 e 1353. O livro é estruturado como uma história que contêm 100 contos contados por um grupo de sete moças e três rapazes que se abrigam em uma vila isolada de Florença para fugir da peste negra, que afligia a cidade.

A metáfora do homem contra a força da natureza, retratada em várias obras literárias durante séculos, como por exemplo, Moby Dick, de Herman Melville; Romeu e Julieta, de William Shakespeare; Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, entre outros clássicos, ainda permeou os debates que refletiram sobre a incapacidade do homem de dominar a natureza. Um bom exemplo nos tempos atuais é a pandemia provocada pelo novo coronavírus. 

O simpósio ainda contou com os outros membros da ABL como Geraldo Carneiro e Domício Proença, além de médicos como Margareth Dalcolmo, da Fundação Oswaldo Cruz e o acadêmico José de Jesus Camargo.


Confira a íntegra abaixo:

COVID-19 – Que doença é essa?

Afinal, que vírus é esse? Qual a finalidade da testagem? Como reabilitar os sobreviventes a essa doença? O que o futuro nos reserva? Estas, entre outras questões, que permeiam as dúvidas diárias de todos foram debatidas no dia 09 de julho de 2020, durante o “Simpósio Covid-19 – Que doença é essa?”, promovido pela Academia Nacional de Medicina.

Além dos renomados acadêmicos, estudiosos da Fundação Oswaldo Cruz, Universidade Federal do Rio de Janeiro, USP de Ribeirão Preto e Universidade Federal de Pelotas e um convidado internacional do Imperial College de Londres estarão palestrando e no centro dos debates.

O pesquisador Cesar Victora, professor Emértio da Universidade Federal de Pelotas, apresentou dados de uma pesquisa realizada em 133 cidades em todo o país, 2 mil entrevistadores em campo para testar e entrevistar cerca de 36 mil pessoas em três fases distintas e entender a epidemia por SARS-CoV-2, no Brasil.

De cada cidade, foram escolhidos 25 setores censitários, 10 domicílios em cada setor e uma pessoa por domicílio. Os resultados deste estudo, em parceria com o Ibope Inteligência, foram apresentados aos mais de 400 participantes tiveram a oportunidade de acompanhar um dos raros estudos mundiais com amostra de base populacional e periódica no mundo. Segundo Victora, há 6 a 7 vezes mais pessoas infectadas do que casos notificados e os sintomas mais frequentes foram alterações no olfato e paladar, seguidos de febre, tosse, dores no corpo e na garganta, falta de ar e calafrios.

O teste utilizado foi o do tipo rápido, com sensibilidade de 85% e especificidade maior do que 99,9%, e cujo resultado sai em 15 minutos. Entre as surpresas da epidemia no Brasil, o aumento, em junho, de crianças afetadas pela doença; a alta prevalência, no mesmo mês, entre indígenas; e da doença afetar aos mais pobres.

Para Victora ainda restam várias perguntas: por que tantos sintomáticos? Por que tantas crianças e indígenas? Por que a prevalência da doença não passa dos 30%? Por que a epidemia iniciou-se na Amazônia? E o que o teste efetivamente mede?


O coordenador desta sessão científica, o acadêmico Daniel Tabak,  comentou que depois de meses de pandemia, ainda temos muitas perguntas. A infecção por covid-19 é uma doença pulmonar sim, mas, não somente. E, qual o papel do sangue nesse caos?” O acadêmico Daniel Tabak abordou o tema que ainda intriga muito médicos e pesquisadores. 

Outros renomados participantes abordaram desde características dos vírus da família coronavírus, em 1970, como os inalamos; até os projetos em andamento com vacina contra o SARS-CoV-2 e as novas abordagens desafiadoras de tratamento.  

Confira a sessão na íntegra:

Contribuições da Genética e das áreas Biomédicas para o Enfrentamento da COVID-19

Cientistas continuam em busca de respostas eficazes para o tratamento medicamentoso e para imunização vacinal da covid-19. No mundo, há hoje 17 vacinas candidatas em avaliação clínica, sendo duas delas na fase três de teste no Brasil, quando há estudos com humanos. 


A primeira é produzida pela Universidade de Oxford e testada em parceria com a Unifesp. A segunda e recém autorizada pela Anvisa é da empresa chinesa Sinovac Biotech, cujo grupo de controle será testado em uma parceria com o Instituto Butantan. 

O professor da USP, Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Incor, explicou o estudo que vem sendo realizado com amostras de sangue de 200 pessoas curadas da covid. No soro desses pacientes, são avaliadas regiões da proteína do novo coronavírus e que podem fornecer anticorpos imunizantes. Em paralelo, os pesquisadores testam peptídios e linfócitos T que possam servir de base para pesquisas nacionais de imunização. 

Com relação aos avanços nos estudos com medicamentos, o doutor em microbiologia e imunologia, Lucio Freitas-Junior, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, vê o reposicionamento de fármacos como principal estratégia para um tratamento eficaz e afirma que “é preciso mudarmos a maneira de ver a ciência no Brasil com suporte continuado para trabalharmos preventivamente e estarmos bem preparados para enfrentamentos como este”, afirmou.

O monitoramento de genomas de organismos que causam doenças (virais); a compreensão dos mecanismos de introdução, dispersão e emergência ou reemergência de vírus, além do fornecimento de respostas para questões de saúde foram alguns dos aspectos abordados pela pesquisadora Jaqueline Goes de Jesus, do Instituto de Medicina Tropical, da Faculdade de Medicina, da USP, em mais uma sessão virtual promovida pela Academia Nacional de Medicina, desta vez, realizada no dia 02 de julho de 2020. 

Goes de Jesus participa do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido de Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (Cadde), projeto temático que recebe apoio Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.


“Contribuições da genética e das áreas biomédicas para o enfrentamento da covid-19 e considerações sobre a integridade da pesquisa em época de pandemia” foi a temática da reunião, cuja abertura foi do presidente da ANM, Rubens Belfort Jr. 

Participaram ainda do evento, o acadêmico Marcello Barcinski, coordenador do Programa Jovens Lideranças Médicas (JLM); os membros do JLM, Jonas Alex Morales, professor da Faculdade de Medicina do Rio Grande do Sul e Filippo Vairo, da Mayo Clinic, dos Estados Unidos, e a professora Sonia Maria Ramos de Vasconcelos, do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM) da UFRJ, especialista em integridade científica e publicações científicas.

Vairo ressaltou o grande número de publicações diárias sobre o tema COVID-19:

– São 500 a mil publicações por dia. Por isso, destaco a importância desse evento promovido pela Academia de Medicina para toda comunidade médica e científica.

Sessão Solene em Comemoração aos 191 anos da Academia Nacional de Medicina

Quase dois séculos a serviço da saúde

No dia 30 de junho, a Academia Nacional de Medicina completou 191 anos e, como é tradição, uma cerimônia reuniu mais de 240 participantes. Neste ano, de forma virtual. Como estabelece o costume, o Secretário Geral da ANM, o cirurgião Ricardo José Lopes da Cruz, fez um balanço das atividades nesses últimos seis meses.

O orador, o médico e pesquisador Manassés Claudino Fonteles, inspirou-se em Hannah Arendt ao lembrar que ninguém experiencia sozinho, seja para o bem ou para o mal e, nesse sentido, os confrades e confreiras têm um papel fundamental no desenvolvimento da medicina e das ciências médicas. Fonteles, muito emocionado, reverenciou à memórias dos membros falecidos, neste último ano, e saudou os novos membros honorários.

O atual presidente da ANM, professor Rubens Belfort Jr., lançou um vídeo e um folder pelos 191 anos da instituição e falou das obras e dos Anais que serão publicados em breve. Para ele, o mais importante é a preservação da ANM.

– Nós não somos imortais. Somos mortais. O que não morre é o ideal da nossa Academia de Medicina.

Durante a cerimônia, Belfort anunciou os vencedores dos prêmios da ANM 2020, considerados os mais antigos, pois foram instituídos em 1829. Foram 63 candidaturas – um número recorde -, que concorreram a nove categorias.

O grande prêmio Presidente da Academia Nacional de Medicina foi para um grupo que reúne médicos das universidades Federal do Espírito Santo, Federal de São Paulo e da Columbia University sobre avanços para o tratamento da principal doença oftalmológica relacionada à perda da visão em adultos maiores de 55 anos: a Degeneração Macular Relacionada à Idade. O grupo estudou moléculas pró e antiangiogênica que podem contribuir para vascularização ocular e a aplicação dos sistemas CRISPR-Cas para edição do genoma, também conhecida como “cirurgia genômica” no campo da Oftalmologia.

Outro trabalho vencedor da edição do 2020 dos prêmios da ANM aborda as técnicas para transplante de fígado. De um grupo de médicos da Unidade de Transplante de Fígado, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, da Universidade do Estado de Pernambuco, o trabalho original acompanhou 87 pacientes submetidos ao procedimento, entre 2018 e janeiro de 2020. Foram analisadas duas técnicas cirúrgicas e diversos parâmetros entre os pacientes. Os resultados contribuem para indicar qual técnica gera menos instabilidade pós-cirurgica e que leva ao melhor funcionamento do enxerto após o transplante. Este trabalho venceu na categoria Prêmio Presidente José Cardoso de Moura Brasil.

História

Fundada no reinado do imperador D. Pedro I, a Academia Nacional de Medicina, de forma frequente, recebia D. Pedro II que, por mais de 50 anos, foi um assíduo ouvinte das conferências sobre ciência e saúde. Sua cadeira permanece no Salão Nobre da instituição, até os dias atuais. Com enfermidade avançada, no dia 30 de junho de 1889, presidiu pela última vez, a sessão de aniversário da instituição.

Em 2020, com a chegada da pandemia pelo novo coronavírus, suas habituais sessões científicas foram transferidas para o universo online, no qual o presidente Belfort estabeleceu uma agenda que aborda, prioritariamente, vários aspectos do SARS-CoV-2, desde março. Já os tradicionais chás acadêmicos foram suspensos pela primeira vez.

De 1829 a 2020, a Academia elegeu apenas um seleto grupo de 674 médicos brasileiros que ocupam uma das 100 cadeiras divididas entre as três Secções de Cirurgia, de Medicina e Ciências Aplicadas à Medicina, tendo Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Carlos Chagas Filho e mais recentemente Adib Jatene e Ivo Pintanguy como alguns dos seus ilustres membros titulares,

Histórias pitorescas recheiam a trajetória da Academia Nacional de Medicina como a entrada da primeira mulher, Marie Josephine Mathilde Durocher, eleita em 1871. Parisiense, veio para o Brasil aos sete anos e, já naturalizada, matriculou-se no curso de Partos da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1833. Para trabalhar como parteira e não sofrer descriminação, adotou uma indumentária masculinizada, vestindo-se de preto, com casaco, gravata, cartola e saia.

Famosas também foram as atuações da Academia Nacional de Medicina nas campanhas de saneamento, vacinação e durante o enfrentamento de outras epidemias como a de febre amarela, no início do século passado, e a pandemia de 1917. Credenciais que atraem novos médicos para o seu Programa de Jovens Lideranças Médicas, coordenado pelos acadêmicos Marcello Barcinski, Eliete Bouskela e Antonio Egídio Nardi.

Reflexões sobre o Cirurgião Idoso

O que pensam os cirurgiões idosos sobre seu futuro na profissão? Uma pesquisa realizada, recentemente, pelo acadêmico Henrique Murad, revelou dados importantes sobre os cirurgiões idosos da Academia Nacional de Medicina e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV). 

Os resultados apontam que 25% dos cirurgiões idosos da ANM têm mais de 80 anos e, na SBCCV, 50% estão na faixa dos 65 a 70, sendo que cerca de 80% dos médicos, de ambas as instituições, ainda operam. Dentro o público-alvo da pesquisa, apenas 5% apresentam alguma doença incapacitante para o exercício da profissão e 10% têm alguma dificuldade física.

Entre as razões pelas quais continuam operando, a necessidade de sentir-se útil. Cerca de 45% dos entrevistados opinaram que não têm medo de continuar operando, 47,5% responderam que pretendem parar em cinco anos e 30% nunca parariam as cirurgias. Quando perguntados sobre o futuro, médicos apontaram o ensino (47,5%) como principal atividade em substituição à cirurgia, seguido de cargos administrativos (25%). 

Os resultados da pesquisa foram apresentados durante o simpósio virtual da ANM “Reflexões sobre o cirurgião idoso”, realizado no dia 25 de junho de 2020. Foram entrevistados 40 cirurgiões idosos.

A experiência e conhecimento acumulados dos cirurgiões sênior são um ativo inestimável e, portanto, devem ser respeitados e mantidos como fonte de formação para jovens profissionais. Além disso, cirurgiões idosos compõem uma força importante de trabalho e não há um momento preciso para parar, mas eles podem e devem se planejar para realizarem outras atividades médicas, nas áreas de ensino, em cargos administrativos, em sociedades de classe ou até mesmo hobbies. Durante o evento, diversos convidados abordaram como o processo de envelhecimento afeta as habilidades cirúrgicas, quais opções estão disponíveis para o cirurgião idoso e se há momento exato para aposentar o bisturi. 

100 dias de solidão – “Vivemos uma tempestade perfeita, cujos desdobramentos assistimos perplexos.” Com esta frase, o geriatra Alexandre Kalache, presidente do International Longevity Center-Brazil, abriu sua palestra nessa sessão do dia 25 de junho de 2020.

Kalache traçou elos entre algumas obras de Gabriel Garcia Marques, “A Peste”, de Albert Camus e o livro “1984” de George Orwell ao descrever o cenário da pandemia por covid-19 no Brasil onde, segundo ele, há um verdadeiro gerontocídio com o assassinato de idosos.

O convidado ainda abordou o desrespeito à ciência, à saúde e à cultura, nos tempos atuais, e ressaltou que se não fosse o SUS, teríamos o dobro ou o triplo de mortes provocadas pelo novo coronavírus.

Residência para idosos – Quais os riscos para idosos que moram em casas de repouso ou de longa permanência nesse período de pandemia por covid-19? E que experiências podem auxiliar para barrar a propagação da doença? Estas foram algumas perguntas respondidas pelo geriatra João Toniolo, da Escola Paulista de Medicina, outro convidado do simpósio promovido pela ANM, no dia 25 de junho de 2020.

Toniolo lembrou que, com o confinamento, a grande maioria dos idosos parou de se exercitar, pegar sol e fazer controle para doenças crônico-degenerativas e, com isso, houve aumento do risco de quedas por conta da osteoporose, AVCs e diabetes descontroladas, hipertensão, além de outros agravos de saúde.

O convidado mostrou dados sobre os 200 mil idosos que vivem em residências de longa permanência e quais os cuidados integrais que podem ser adotados para detecção precoce e prevenção de contágio por covid-19, segundo o modelo Kanban – uma palavra japonesa que significa registro e contribui para gerenciamento do cuidado.

Para saber mais, acesse o link da sessão abaixo:

Homenagem aos 120 anos da Fiocruz

Na abertura do encontro, o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, destacou o apreço e admiração pela centenária instituição que está sempre à frente no combate às pandemias, em prol da saúde e da qualidade de vida das pessoas.

Coordenado pelo acadêmico Paulo Buss, o evento contou com apresentações de diretores de algumas unidades da Fiocruz e depoimentos de vários expoentes da saúde, da ciência e da cultura brasileira, além de uma apresentação da atual presidente da instituição, Nísia Trindade Lima.

No bloco “O que é a Fiocruz hoje”?, cinco diretores de diferentes unidades apresentaram um breve panorama sobre pesquisa, ensino, assistência e produção de insumos para saúde desenvolvidos na instituição.

Já o segundo bloco, “Apreciação dos acadêmicos da Fiocruz”, contou com a participação dos acadêmicos e membros do corpo de profissionais da instituição: Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro, José Gomes Temporão, Léa Rodrigues Coura, José Rodrigues Coura e Paulo Buss.

Em seguida, representantes de diversas instituições de peso na área da saúde, da ciência e da cultura concederam relatos e prestaram homenagens à Fiocruz. Participaram deste momento os reitores de universidades federais do Rio de Janeiro e do Maranhão, respectivamente, Denise Pires de Carvalho e o acadêmico Natalino Salgado; os presidentes das Academias Brasileira de Letras e de Ciências, Marco Lucchesi e Luiz Davidovich, entre outros.

Davidovich ressaltou a conexão forte entre a ABC e a Fiocruz, lembrando que Oswaldo Cruz foi um dos fundadores e vice-presidente da primeira diretoria da ABC. Davidovich resumiu assim sua visão sobre a instituição:

– Assim como grandes artistas, grandes escritores e grandes músicos se transformam em símbolos dos tempos, a Fiocruz é mais que uma instituição. É uma marca nacional e internacional. Esta marca está associada a ciência de qualidade no SUS. E mostra como uma política de Estado de longo tempo pode beneficiar o país.

Em sua conferência, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, traçou uma linha do tempo sobre as conquistas da saúde pública e o enfrentamento dos grandes desafios na medicina brasileira, tendo a Fundação Oswaldo Cruz um papel de liderança. De forma elegante, descreveu a irmandade junto à Academia Nacional de Medicina, preservando memória, tradições e focando na busca por parcerias, através de seus eméritos profissionais que são também acadêmicos, em projetos de inovação atuais e futuros.

O acadêmico José Augusto Messias, orador do evento, lembrou fatos marcantes da instituição desde a sua criação como Instituto Soroterápico, em uma antiga fazenda na zona Norte do Rio de Janeiro, ao triste episódio conhecido como Massacre de Manguinhos, lembrando o nome de cada um dos 10 cientistas que perderam o direito de continuar a trabalhar durante a ditadura militar, na década de 70. Messias nomeou cada um dos cassados e finalizou: “Presentes!”

Ao final, o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr. ressaltou a irmandade que une as duas instituições há mais de um século e sentenciou:

– Juntos, estamos há 120 anos e nossas histórias continuam a se entrecruzar.

Uma placa virtual foi entregue pelo presidente Rubens Belfort à Nísia Trindade Lima com o compromisso de um encontro presencial quando a epidemia de covid-19 acabar.

Câncer – Sistema imune e COVID

Será que pacientes com câncer são mais afetados pela Covid-19? E o que acontece quando esses pacientes, com o sistema imune deprimido, são infectados pela Covid? Há mais óbito?

O imunologista Jorge Kalil, da USP e do Incor, apresentou estudo sobre 1.524 pacientes de Wuhan que tiveram câncer, comparando-os à população em geral. Os resultados mostraram que pacientes com câncer tiveram o dobro de incidência de Covid. Esta incidência pode ser em virtude do sistema imunológico ou por terem ido a hospitais e acabaram se contaminando. Sobre a letalidade, houve um aumento de 25% nos óbitos de pacientes com tumores sólidos e 37% a mais em pacientes com doenças hematológicas associadas à Covid.

O acadêmico Daniel Tabak mostrou dados de estudos chineses sobre Covid-19 e incidência em pacientes com câncer. Os estudos mostram resultados sobre o uso da ventilação invasiva em pacientes oncológicos, gravidade da doença, tratamento antitumoral e a mortalidade por Covid. Tabak conclui que o indivíduo deve ser avaliado de acordo com uma série de fatores que inclui a idade, o índice de massa corpórea e o seu sistema imune.

O simpósio “Oncologia em tempos de pandemia” foi organizado pelo ex-presidente da Academia Nacional de Medicina, Francisco Sampaio, e o acad. Paulo Hoff, no dia 28/5.

USP – Universidade de São Paulo @FMUSP InCor – Instituto do Coração do HCFMUSP SBI – Sociedade Brasileira de Imunologia

Correlação entre Métodos de Imagem e a COVID-19 é debatida na ANM

O que médicos e radiologistas veem nas imagens da Covid-19? E o que a inteligência artificial pode nos ajudar no diagnóstico do raio X e da tomografia computadorizada de tórax durante a epidemia? Alterações oftalmológicas, dermatológicas, abdominais, cardíacas foram abordadas na sessão científica da Academia Nacional de Medicina (ANM), no dia 04 de junho de 2020. A organização da sessão científica foi do acadêmico Giovanni Guido Cerri, da USP. O evento contou com cerca de 150 espectadores.

Aspectos oftalmológicos – Imagem oftalmológica e lesões da retina encontradas em pacientes com Covid foram temas apresentados pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr. No estudo, publicado recentemente na prestigiada revista internacional The Lancet, foram analisados profissionais de saúde infectados e que não desenvolveram a forma grave da doença e, por isso, não estiveram internados no CTI assim como não utilizaram medicamentos complexos. Observados detalhadamente através da tomografia de coerência óptica foram confirmadas lesões na retina, mas que não provocaram nenhum problema que afetasse a visão. Os achados desta pesquisa podem contribuir para entender se as manifestações da retina são um reflexo do comprometimento do sistema nervoso central e vascular.

Em sua palestra, Belfort Jr. destacou ainda que alterações conjuntivas oculares são muito frequentes em casos da infecção pelo novo coronavírus, causando também sintomas primários como vermelhidão e mudança na mucosa dos olhos e conjuntivite.

Sistema nervoso central – Um dos grandes desafios no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus é mapear e entender todas as manifestações que a infecção pode provocar, uma vez que a Covid-19 já demonstrou ser uma doença sistêmica. Entre os danos descobertos e com grande prejuízo ao organismo está o comprometimento do sistema nervoso central, ou seja, os problemas neurológicos causados pelo vírus.

Cefaleia, eventos vasculares como o AVC, crises convulsivas, despertar tardio, delírio e confusão mental, em casos mais graves foram alguns dos exemplos apresentados pela médica Maria da Graça Morais Martin, do Instituto de Radiologia, do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP. A médica explica que essas alterações estão vinculadas a mecanismos multifatoriais, principalmente em pacientes do grupo de risco e críticos, além de estarem associados a eventos vasculares como endotelite e estados pró-trombóticos.

Durante o simpósio virtual da ANM “Os métodos de imagem e a Covid-19”, Maria da Graça demonstrou que a Covid-19 causa comprometimento neurais na substância branca do cérebro com sinais de doença desmielinizantes e leucopatia com micro hemorragias que podem deixar sequelas ou levar à morte.

Lesões cutâneas – O acadêmico Omar Lupi, Professor Adjunto de Dermatologia, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro foi outro dos expositores da sessão virtual sobre imagens na Covid-19.

Ele apresentou dados sobre estudo de 88 pacientes contaminados pela doença, tendo 18 deles desenvolvido algum tipo de manifestação cutânea, como erupções maculopapulosas, urticária e varicela-símile. Além disso, segundo ele, 1/3 dos profissionais de saúde apresentou queixas de acne, prurido facial e dermatites por conta do uso da máscara N95.

Omar Lupi ainda falou sobre a família coronavírus e seu potencial epidêmico, que está saltando de animais exóticos de maneira crescente e criando ameaças para espécie humana.

Plataforma de imagens radiológicas – Durante a mesma sessão científica da ANM, a médica Claudia da Costa Leite, do Departamento de Radiologia e Oncologia, da Faculdade de Medicina da USP apresentou a ferramenta RADVID19.

Segundo ela, a RADVID19 tem auxiliado no diagnóstico e definição de grau de comprometimento pulmonar dos pacientes suspeitos e confirmados com Covid-19 e explicou que a triagem dos pacientes, a indicação de internação em leito ou em UTI e no prognóstico de alta têm sido aperfeiçoadas.

O projeto é um ecossistema composto por órgão públicos, empresas, universidades, parceiros tecnológicos e conta com o apoio do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem.

Danos cardíacos – O comprometimento do pulmão e coração aumenta a mortalidade dos pacientes com Covid-19. A infecção pode induzir a injúria cardíaca ou exacerbar uma cardiopatia pré-existente. Entre os danos mais comuns observados, estão insuficiência cardíaca, miocardite, tromboses e arritmias.

O médico César Higa Nomura, dos Hospitais do Coração e das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP falou sobre um estudo com acompanhamento de 416 pacientes infectados pelo novo coronavírus e que apresentaram elevação dos níveis em um biomarcador que aponta casos de infarto e deve ser investigado, 20% destes tinham lesões miocárdicas. A mortalidade entre pacientes com injúria cardíaca e Covid é de 51,2%, enquanto em indivíduos sem comprometimento do coração fica em 4,5%.

Na apresentação, Nomura também ressaltou alguns métodos de imagem utilizados para investigação cardíaca como eletrocardiograma e ecocardiograma, mas reforçou a importância da tomografia de tórax, pois é útil para o diagnóstico de derrames, trombos e calcificações coronarianas. Além disso, citou o papel ressonância magnética cardíaca para casos suspeitos de miocardite ou para tomada de decisão sobre manejo do paciente.

PET-CT em covid-19 – Cerca de 47% dos pacientes com Covid-19 têm sintomas pulmonares e gastrointestinais e 9% apresentam apenas estes últimos sinais. Os exames de imagem auxiliam no acompanhamento das mais diversas manifestações com gravidade abdominal, incluindo casos de pancreatite, comprometimento hepático ou colecistite aguda.O assunto foi abordado pelo médico Publio Cesar Cavalcante Viana, do Instituto do Câncer e da Faculdade de Medicina da USP.

Felipe de Galiza, do Hospital Sírio Libanês, outro convidado do simpósio virtual, apresentou como o exame utilizado, anteriormente, para investigação oncológica e pesquisa de processos inflamatório como PET-CT, têm sido importantes para acompanhar pacientes com Covid-19. Segundo Galizza, o PET-CT demonstra sinais da atividade inflamatória pulmonar relacionadas ao acometimento causado pela infecção pelo vírus, além de apontar achados sobre a resposta imune do organismo.

O exame de PET-CT tem sido usado para acompanhar pacientes com maior tempo de sintomas da Covid-19, para monitoramento dos efeitos do tratamento e para a investigação adicional de complicações relacionadas à doença. Reforçando o seu potencial como ferramenta de análise do processo de inflação causado pelo SARS-COV2 o que, consequentemente, pode ser um adjuvante ao tratamento.

Virtópsia nas autópsias por Covid-19 – Os aspectos de tomografia computadorizada in vivo e pós-morte foram abordados na palestra do médico Marcio Valente Yamada Sawamura, do Instituto de Radiologia (Inrad), do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP. Sawamura falou sobre a virtópsia, ou autópsia virtual, que utiliza a tomografia computadorizada na sala da autópsia como um método minimamente invasivo e acrescenta informações importantes à autópsia dos óbitos por Covid-19.

Exames em áreas remotas – O médico Antônio Sérgio Marcelino, do hospital Sírio Libanês também participou do evento para mostrar as facilidades da ultrassonografia torácica como método de avaliação da Covid-19. O equipamento levado à beira do leito contribui para obtenção, de forma rápida, o resultado que deve ser complementar ao exame clínico. Com isso, análises epidemiológicas e sistemáticas da Covid-19 em áreas remotas do país podem ser incrementadas.

As sessões científicas estão disponível no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Prêmios 2020 da ANM

Nesta sexta-feira (5/6) terminarão as inscrições para os prêmios da Academia Nacional de Medicina. São 9 modalidades e agora é possível se inscrever de forma virtual. Saiba mais em https://www.anm.org.br/premios/

Oncologia em tempos de pandemia é assunto de Simpósio virtual da Academia Nacional de medicina

Câncer não tira férias

Será que pacientes com câncer são mais afetados pela Covid-19? E o que acontece quando esses pacientes, com o sistema imune deprimido, são infectados pelo novo coronavírus? Há mais óbito?

O imunologista Jorge Kalil, da USP e do Instituto do Coração, contou sobre a realidade de 1.524 pacientes de Wuhan que tiveram câncer, comparando-os à população em geral, durante o simpósio “Oncologia em tempos de pandemia.” Organizado pelo ex-presidente da Academia Nacional de Medicina, Francisco Sampaio, e o acadêmico Paulo Hoff, o evento ocorreu no dia 28 de maio de 2020.

Kalil falou sobre o dobro de incidência de Covid em pacientes com câncer. Esta incidência pode ser em virtude do sistema imunológico ou por terem ido a hospitais e acabaram se contaminando. Sobre a letalidade, houve um aumento de 25% nos óbitos de pacientes com tumores sólidos e 37% a mais em pacientes com doenças hematológicas associadas à Covid.

Câncer não tira férias – Distanciamento social e o dilema médico diante de dois riscos: diagnóstico tardio de um câncer e exposição ao novo coronavírus. O que fazer? O tema foi abordado pelo acadêmico Paulo Hoff, oncologista do Instituto do Câncer de São Paulo, da USP e da rede Oncologia D’Or. Hoff apresentou estudos americanos, nesse período de pandemia, e que apontam uma redução de 68% no rastreamento para câncer de colo uterino e 90% nas colonoscopias.

No Brasil, 50 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados com câncer e as cirurgias foram reduzidas em até 70% em alguns hospitais. Pela falta de diagnóstico precoce e tratamento, haverá um aumento no número de óbitos por câncer em todo o mundo e no Brasil, país onde os pacientes já procuram atendimento quando a doença está mais avançada.

“O câncer não tira férias ou está de quarentena. O câncer continua matando”, lembrou Hoff.

O patologista Fernando Soares, também da Rede D’Or, acrescentou dados sobre a queda nos exames de anatomia patológica durante a epidemia por Covid-19. Soares mostrou uma redução de 75% no serviço de diagnóstico da rede, que abrange 37 unidades no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O acadêmico Daniel Tabak foi ainda outro convidado do simpósio “Oncologia em tempos de pandemia” e mostrou dados de estudos chineses sobre Covid-19 e incidência em pacientes com câncer. Os estudos mostram resultados sobre o uso da ventilação invasiva em pacientes oncológicos, gravidade da doença, tratamento antitumoral e a mortalidade pelo novo coronavírus. Tabak conclui que o indivíduo deve ser avaliado de acordo com uma série de fatores que inclui a idade, o índice de massa corpórea e o seu sistema imune.

Calamidade sanitária – O que fazer diante de um diagnóstico de câncer e indicação de uma cirurgia? O cirurgião da Faculdade de Medicina da USP, Miguel Srougi, Honorário da ANM, recomenda adiar sempre que possível as cirurgias eletivas.

Quando não é possível adiar, reduzir o staff, incrementar o uso de EPIs, optar por anestesia geral, cirurgia aberta ao invés de laparoscópicas, sala com pressão negativa, centro cirúrgico longe de áreas Covid e uso de telemedicina no pós operatório. Tanto pacientes como equipe de saúde devem fazer testes da Covid de forma rotineira.

“Os valores são muito claros nesse período de penúria e sofrimento. Há um desamparo e abandono da população com câncer e que não tem acesso, neste momento, aos sistemas de saúde. Não basta cumprir a nossa missão. Temos que usar todas as nossas armas para denunciar a calamidade sanitária, incrementada por questões políticas e ideológicas”, disse Srougi.

Esperanças com Remdesivir – Quais as drogas em teste contra covid-19 e o que realmente funciona? O médico brasileiro André Kalil, atualmente na Universidade de Nebraska, também foi convidado desta sessão científica organizada pela ANM. André Kalil falou sobre a ineficácia ou eficácia reduzida de drogas como cloroquinha e hidroxicloroquina, lopinavir-ritonavir, azitromicina, ivermectina, inibidores de anti-citocinas, favipiravir, a eficácia limitada do plasma convalescente e a esperança com anticorpos monoclonais e policlonais como clones de anticorpos neutralizantes.

André Kalil é um dos autores de estudo que acaba de ser publicado e que avaliou mais de 1.000 pacientes, de 68 centros hospitalares dos Estados Unidos, Europa e Ásia, e que usaram o remdesivir – uma droga desenvolvida para Ebola e que passou por estudos in vitro e em animais expostos ao coronavírus. Os resultados foram animadores, reduzindo os sintomas, a gravidade da doença e o número de dias de internação.

As sessões científicas estão disponível no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Pesquisa e COVID-19

Aumento no número de mortes; queda na arrecadação dos estados; surgimento de gastos impensáveis com uma epidemia; perda de vidas em virtude da Covid-19; necessidade de aprovação rápida de projetos de pesquisa para prevenção, diagnóstico, tratamento de pacientes acometidos pelo novo coronavírus; e avaliação dos efeitos sociais e econômicos das medidas de isolamento. Estes foram alguns dos aspectos abordados em sessão virtual promovida pelas Academias Nacional de Medicina (ANM), Brasileira de Ciência (ABC) e de Ciências Farmacêuticas, evento realizado no dia 21 de maio de 2020, e que reuniu mais de 100 médicos e cientistas.

O presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) e também acadêmico da ANM e ABC, Jerson Lima Silva, mostrou um panorama da produtividade científica brasileira em relação a outros países, alguns modelos de financiamento e a curva de investimentos na área pelo Rio de Janeiro. Ao completar 40 anos, a Faperj tinha expectativas de aporte de recursos no valor de R$ 530 milhões para este ano, de acordo com a Lei Orçamentária Anual, porém foram autorizados R$ 370 milhões e parte desses recursos está sendo investida em pesquisas da Covid-19. Lima Silva ainda apresentou os editais emergenciais que foram lançados em virtude da chegada da pandemia ao país e os projetos aprovados.

O simpósio “Pesquisa na Covid-19” foi organizado pelos acadêmicos da ANM e ABC, Rubens Belfort Jr, presidente da ANM, Marcello Barcinski e Wanderley de Souza.

Ensaios clínicos – O descontingenciamento de R$ 100 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para a pesquisa e a criação da Rede Vírus com foco em fármacos, vacinas, ensaios clínicos, biobanco e estudos sobre impactos sociais contra a Covid-19 foram alguns dos temas abordados pelo acadêmico Marcelo Marcos Morales, Secretário de Políticas para Formação e Ações Estratégicas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC), neste mesmo simpósio.

Segundo Morales, na área de fármacos, foram estudadas duas mil moléculas, sendo selecionadas inicialmente 15 e uma delas, a nitazoxanida – utilizada como antiparasitário – já está sendo testada em 150 pacientes com sintomas leves.

– Este é um estudo multicêntrico que reúne 17 hospitais. Além disso, o país conta com outros 50 ensaios clínicos aprovados por comitês de ética, finalizou.

Investimento de longo prazo -A sequencia completa do genoma viral do novo coronavírus, apenas dois dias após o surgimento do primeiro caso da América Latina, só possível graças a investimentos de longo prazo no Estado de São Paulo, afirmou o pesquisador Luiz Eugênio Mello, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e palestrante do evento promovido pela ANM.

_ Isto só foi possível pois a Fapesp há muitos anos investe no laboratório da professora Ester Sabino, do Instituto de Medicina Tropical da USP.

Recursos – Mais de 2.200 projetos foram enviados ao CNPq, representando uma demanda superior de R$ 1,700 bilhão em um edital emergencial para pesquisa em Covid-19, contou o presidente da instituição, Evaldo Vilela.Segundo ele, o resultado dos 30 projetos aprovados sairá no final de maio e os agraciados trabalharão em rede de pesquisas que podem englobar a biologia, a medicina, as ciências sociais, entre outras áreas.

Já o Diretor da Finep, Alberto Dantas, apresentou as três linhas lançadas pela agência para o enfrentamento da pandemia no Brasil. Com recursos totalizando mais de R$ 890 milhões serão investidos em projetos de pesquisa, subvenção econômica e linhas de financiamento reembolsáveis.

Os recursos disponibilizados serão aplicados em projetos para ampliação da capacidade de processamento de amostras na rede pública, desenvolvimento e fabricação de produtos nacionais como ventiladores. Além disso, segundo Dantas haverá crédito para reconversão industrial, escalonamento de dispositivos médicos e inovação em saúde.

As sessões científicas estão disponível no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Homenagem da Academia à Semana da Enfermagem

Em um simpósio virtual, no dia 14 de maio de 2020, idealizado pelo acadêmico Celso Ferreira Ramos Filho, a Academia Nacional de Medicina (ANM) convidou 12 palestrantes expoentes em diversos setores da área de enfermagem que abordaram temas relevantes, especialmente, nesse momento, onde a atividade da enfermagem tem um papel importantíssimo na linha de frente contra a pandemia por Covid-19.

O encontro virtual contou com a abertura do presidente da ANM, Rubens Belfort Jr , e apresentações de diversos convidados como Elizabeth Iro, Chief Nursing Officer da OMS; Almerinda Moreira, presidente da Academia Brasileira de História da Enfermagem; Carla Luzia França Araújo, diretora da Escola de Enfermagem Anna Nery; Silvia Cassiani, Regional Advisor on Nursing da Opas; Heimar de Fátima Marin, editora chefe do Journal Medical Informatics; Janine Schirmer, diretora da Escola Paulista de Enfermagem; Nísia Trindade, presidente da Fiocruz; Denise Pires de Carvalho, reitora da UFRJ; Ricardo Silva Cardoso, reitor da UniRio; Lincoln Ferreira, presidente do Conselho Federal de Medicina; Manoel Carlos Neri da Silva, presidente do Conselho Federal de Enfermagem; Francisca Valda da Silva, presidente da Associação Brasileira de Enfermagem e o acadêmico Ronaldo Damião, também diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto da Uerj.

A presidente da Academia Brasileira de História da Enfermagem, Almerinda Moreira, pediu um minuto de silêncio, durante o evento virtual, em memória de todos os profissionais de enfermagem e de saúde que perderam a batalha contra o novo coronavírus.

A professora fez uma breve apresentação sobre a criação das escolas de enfermagem no país, a partir do Decreto de 1890, do Marechal Deodoro da Fonseca. Na época, as mulheres eram as que mais escolhiam exercer a atividade e os atributos necessários eram: alfabetizadas, maiores de 18 anos, dóceis, leais e devotadas. E foi através da enfermagem que a mulher conseguiu entrar no mercado de trabalho.

Convidada para as homenagens, a diretora da Escola de Enfermagem Anna Nery da UFRJ, Carla Luzia França Araújo, destacou o papel primordial da enfermagem para fortalecer também a atenção primária a saúde.

Já a editora chefe do Journal Medical Informatics e membro da American Academy of Nursing, a enfermeira Heimar de Fátima Marin, enfatizou que não é só a tecnologia que irá trazer conforto e bem-estar ao paciente. “A enfermagem precisa de compaixão e empatia. Cuidar das pessoas nunca será obsoleto”.

Tanto a presidente da Fiocruz,Nísia Trindade Lima, como a reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, ressaltaram a importância da valorização da enfermagem no SUS. São 12 milhões de profissionais que precisam de valorização. “A enfermagem mantém acesa a chama do cuidado”, disse a reitora da UFRJ. Pires de Carvalho também destacou que é brutal, em muitos casos, as condições de trabalho da categoria e a exposição a doenças.

Ano Internacional da Enfermeira Obstétrica – O acadêmico Jorge Rezende foi outro dos convidados para o evento. Ele falou sobre a enfermagem obstétrica. Segundo dados apresentados, mais de 80% de todas as mortes maternas, natimortos e óbitos neonatais do mundo podem ser evitados através da inserção da assistência de enfermeiras obstétricas qualificadas, inclusive no planejamento familiar, com recursos materiais, estruturais e humanos. E lembrou que, no Brasil, a enfermagem obstétrica é um dos pilares da Rede Cegonha, programa do Ministério da Saúde desde 2015.

“Urge o trabalho interdisciplinar entre médicos e enfermeiros na assistência ao parto e no nascimento, neste momento crítico da pandemia, com práticas de cuidados baseadas em evidências e com centralidade na mulher. Este se configura como um dos passos mais desafiadores e importantes para a efetiva qualificação da atenção obstétrica no mundo”, destacou o acadêmico.

A dama da lâmpada – Florence Nightingale ficou conhecida como a “dama da lâmpada”. Em 1854 foi enfermeira de guerra e, durante os combates, de lanterna na mão percorria as enfermarias dos acampamentos, durante a noite, atendendo os soldados doentes.

Nessa sessão científica virtual, o acadêmico Celso Ferreira Ramos Filho apresentou uma breve biografia de Nightingale, conhecida como precursora das ações de cuidado, tendo despertado o conceito de enfermagem no mundo.

Enfermeira por educação e apaixonada por gráficos, ela foi responsável por criar um dos gráficos que mudaria a percepção de infecção hospitalar e os óbitos em consequência dessas infeções.

Florence desenhou, pintou e mostrou ao mundo que as infecções hospitalares e as más condições de cuidados com os pacientes matavam mais do que as batalhas. O gráfico criado por Florence, conhecido popularmente como “Diagrama de causas de mortalidade” traduziu em formato de imagem, o que os números mostravam.

As sessões científicas estão disponível no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS

Foro Iberoamericano sobre Coronavirus

A pandemia da desigualdade e a vulnerabilidade dos cidadãos; confinamento, saúde mental e violência; a disponibilidade de testagem em massa e as curvas epidemiológicas; os diferentes sistemas de saúde e opções de tratamento; os governos e as ações econômicas. Estes foram alguns dos temas abordados por 10 academias de medicina de países da América Latina e mais Portugal e Espanha durante cinco horas de debates online, no dia 07 de maio de 2020.

Promovido pela Academia Nacional de Medicina, o Fórum Ibero-Americano de Covid-19 reuniu Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Equador, Uruguai, além de Portugal, Espanha e Brasil.

Do encontro, os mais de 150 participantes puderam identificar estratégias de sucesso contra a Covid-19 adotadas em países como Portugal, Costa Rica e Uruguai e o que levou a situações críticas como no Equador.

Ao final, os representantes das academias de medicina decidiram redigir um documento sobre saúde e desigualdades em países mais pobres e emergentes, ressaltando que a ciência e a medicina têm papel preponderante contra as desigualdades e na busca de soluções para epidemias ou pandemias como a Covid-19.

As sessões científicas estão disponíveis no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Efforts to Cope With COVID-19: Chinese Center for Disease Control and Prevention

Os chineses trouxeram oito lições de como enfrentar a pandemia por Covid-19, incluindo a resposta científica; as medidas recomendadas pela saúde pública; quais foram os gargalos e as soluções para os momentos críticos; como conseguiram a mobilização da sociedade; a importância na transparência e circulação de informações sobre a evolução da epidemia; a cooperação internacional e o suporte logístico para combater o coronavírus.

Dr. Zunyou apresentou as quatro linhas de defesa contra a propagação do vírus que foram adotadas em Wuhan, nas cidades vizinhas da província de Hubei e em Beijing. Entre as ações, todas foram realizadas de forma precoce, com destaque para detecção, notificação, isolamento e tratamento. Além disso, ações foram implementadas “para as pessoas e pelas pessoas”, desinfecção das comunidades, buscando o engajamento e educação em saúde, em diferentes plataformas e com a parceria de instituições científicas e a cooperação dos meios de comunicação tradicionais, redes sociais e companhias de celulares. O resultado foi o alcance de 188 milhões de chats para esclarecimento de dúvidas.

O Centro de Controle de Doenças na China produziu 35 guias de saúde e 31 vídeos para diferentes públicos com enfoques sobre prevenção para população em geral, grupos de risco, profissionais de saúde e viajantes. Se proteja e proteja os outros. Esta é a principal mensagem.

Wuhan na guerra contra a Covid-19 – O que os médicos chineses podem nos ensinar? Dr. Wei Chen, membro da equipe médica anti-Covid-19, em Wuhan, também participou de sessão científica promovida pela Academia Nacional de Medicina, em abril, e expôs o esquema de guerra que foi montado para o atendimento dos pacientes contaminados pelo novo coronavírus.

Chen ressaltou, principalmente, o cuidado dispensado às equipes de profissionais de saúde dos hospitais de Wuhan, tendo treinamentos para uso de EPIs individuais, além de um responsável exclusivamente para proteção dos médicos e enfermeiros, evitando possíveis contaminações. As alas do hospital foram separadas em contaminadas e limpas com regras diferenciadas. Mais de 42 mil profissionais de saúde foram enviado para Wuhan durante a epidemia e nenhum, segundo ele, foi contaminado pelo vírus, segundo Chen.

Dr. Chen, oriundo do Shanghai Ruijin Hospital e da Universidade Shanghai Jiao Tong, contou que, entre fevereiro e março de 2020, 90 pacientes deram entrada em um dos hospitais em Wuhan, sendo 68 pacientes graves e 22 críticos. Cerca de 90% dos pacientes tinham outras doenças associadas. Ao final, 90% se curaram.

Sobre o momento atual (abril 2020), a China faz um controle rígido da circulação do vírus com testagem e monitoramento dos indivíduos antes da entrada em transporte público e durante o expediente no trabalho. Qualquer alteração, o indivíduo é encaminhado para um serviço de saúde.

Coalizão Covid-19 Brasil – Aliar a pesquisa clínica, cujos custos são bastante altos, à assistência já prestada ao doente é uma das propostas do médico Renato Delascio Lopes, da Duke University, nos Estados Unidos, que foi outro dos convidados da sessão científica, em abril de 2020.

Delascio Lopes é especialista em síndrome respiratória aguda em idosos e mostrou dados da Coalizão Covid-19 no Brasil, que visa acompanhar, a longo prazo, participantes de diferentes localidades, através do registro de casos suspeitos e confirmados da doença.

O projeto começou em março de 2020, os protocolos da pesquisa foram submetidos à Plataforma Brasil para pesquisa com seres humanos e aprovados imediatamente. Ao final de 19 dias, os participantes começaram a ser recrutados dentro dessa Coalizão Covid-19.

A Coalizão dividirá os doentes em quatro grupos. No total participarão 1.800 indivíduos que serão tratados com a associação de diferentes medicamentos para Covid-19.

Participam deste projeto, os hospitais Albert Einstein, do Coração, Sírio Libanês, Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz e Beneficência Portuguesa de São Paulo. Delascio Lopes espera, no futuro breve, apresentar os resultados sobre os desfechos clínicos e qualidade de vida.

As sessões científicas estão disponível no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Efforts to Cope With COVID-19: Académie Nationale de Médecine de France

A Academia Nacional de Medicina promoveu encontro virtual com médicos e especialistas em Covid-19 oriundos da Academia Francesa de Medicina. O encontro, aberto ao público e transmitido por diferentes plataformas virtuais, aconteceu no dia 23 de abril de 2020, e reuniu mais de 160 expectadores. A discussão focou em estratégias de tratamento, testagem e o fim do confinamento.

À frente do Brasil na evolução da pandemia, os médicos franceses contaram aos brasileiros como se organizaram para sair da quarentena a partir de maio de 2020. Entre os tópicos abordados, a educação, economia, cultura, respeitando-se a segurança de todos.

A Academia francesa orientou que a saída do isolamento não ocorresse simultaneamente em todas as províncias do país, tampouco em todas as cidades de uma mesma província, ao mesmo tempo, mas sim uma a uma, priorizando aquelas que apresentassem taxas de transmissão mais baixas.

Christine Rouzioux, ex-chefe do Departamento de Virologia do Hospital Necker APHP, esclareceu que, iniciado o processo de reabertura, o objetivo foi testar todos os pacientes sintomáticos, aumentando o número de exames semanais de 150 mil para 500 mil. Após serem identificados, os pacientes diagnosticados com Covid-19 deveriam manter-se em isolamento.

Rouzioux alertou que essas precauções continuarão sendo necessárias após a suspensão do isolamento, devido à estimativa de uma baixa taxa de imunidade contra o SARS-Cov-2 – percentual que se acredita estar entre 2 e 10% da população, mesmo nas regiões onde houve maior infecção.

As estratégias brasileiras – O médico Esper Georges Kallás, titular do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, falou sobre a eficácia e riscos de drogas como remdesivir, galidesivir e hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19.

Esper ainda mostrou resultados de testes realizados com os antivirais arbidol (umofenovir) e lopinavir – este último prescrito para o tratamento do HIV – e que não trouxeram resultados favoráveis. Remdesivir e galidesivir, dois antivirais de amplo espectro, e favipiravir, medicação muito utilizada em pacientes de Covid-19 no Japão, mas ainda em análise.

Mapa de contaminação para fim da quarentena – Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o Instituto Semeia, Grupo Fleury e Ibope lançaram uma iniciativa de mapear a exposição da população de bairros da capital paulista à infecção da Covid-19. Este foi o tema do acadêmico Rui Maciel, na mesma sessão conjunta com os franceses.

O objetivo, segundo o acadêmico Rui Maciel, era descobrir quantas pessoas já estariam imunes, para que os governos traçassem estratégias com o objetivo de flexibilizar as medidas de isolamento social e planejar o fim da quarentena, sem riscos de uma segunda onda de infecção. O projeto aguardava, em abril, a aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

Testagem em massa – O acadêmico Rui Maciel abordou ainda o tematestagem em massa, que tem demostrado uma boa estratégia para conter a contaminação pelo novo coronavírus. Mas quais os exames estão disponíveis no Brasil? Quando solicitá-los e como interpretá-los? Estas perguntas foram respondidas por ele, durante a sessão.

Entre as opções diagnósticas utilizadas no país, Rui relacionou os exames de RT-PCR, que é uma técnica molecular que utiliza informações do RNA do vírus para sua detecção. Este teste pode ser feito com amostras coletadas da nasofaringe e orofaringe ou secreção das vias aéreas, devendo ser coletado entre o 3 e 10º dia, desde o surgimento dos sintomas, pois ao final deste período a quantidade de RNA tende a diminuir. Possui alta sensibilidade, porém isso varia de acordo com a data em que o material foi colhido e com os cuidados criteriosos para garantir a qualidade da amostra e do processamento. O resultado apresenta alta especificidade, sendo muito confiável.

Outro exame disponível é a sorologia que avalia a reposta imunológica do corpo feitos a partir da detecção dos anticorpos IgA, IgM (infecção recente) e IgG (infecção anterior há três semanas), encontrados no sangue do paciente. Para ter maior sensibilidade, recomenda-se que seja feito a partir do 10º dia dos primeiros sintomas. Possui alta especificidade se respeitados os prazos para realização do exame, entretanto se realizado fora deste prazo, pode apresentar um falso negativo.

Os testes rápidos também estão disponíveis, porém apresentam sensibilidade e especificidade menores comparados aos outros métodos. Segundo Maciel, a utilização destes pode ser feito para estudos epidemiológicos. O acadêmico também comentou sobre a utilização da tomografia computadorizada de tórax que tem demonstrado bons resultados.

Diferentes faces da Covid – A infecção pelo novo coronavírus provoca em cada indivíduo contaminado reações diferenciadas e que devem, segundo a professora da UFRJ e acadêmica da ANM, Patrícia Rocco, levar a um tratamento individualizado. A acadêmica foi outra das expositoras da sessão conjunta com os francês.

Nem todo paciente grave deve receber o mesmo tipo de ventilação mecânica. A Síndrome Respiratória Aguda Grave pode ocorrer em função da ventilação e não em virtude da contaminação por Covid-19. Por isso, Rocco recomenda que as estratégias de ventilação devem ser baseadas nos resultados dos exames de tomografia computadorizada de cada um e associadas a outros parâmetros clínicos.

Três estágios da Covid-19 – Outro convidado desta sessão, foi o acadêmico Daniel Tabak, que falou sobre a capacidade do novo coronavírus de se proliferar no corpo de forma muito rápida e em três estágios distintos. São eles:

Estágio I: a fase inicial de resposta viral, em que aparecem os sintomas clássicos como febre acima de 37,8°, tosse seca, diarreia, acometendo o intestino e a perda do olfato e paladar. Neste momento, aparecem também sinais hematológicos na coagulação, em marcadores que podem indicar lesão em algum órgão, entre outros.

Estágio II: na fase pulmonar, a doença apresenta uma progressão rápida e iniciam-se sintomas como falta de ar e diminuição das taxas de oxigênio no sangue ou nos tecidos. É neste momento que o exame de tomografia apresenta anormalidades e a função hepática pode apresentar comprometimento.

Estágio III: a fase da hiperinflamação corresponde ao maior nível de agravamento, quando o corpo reage de forma exacerbada ao vírus. Neste estágio, o paciente já apresenta Síndrome Respiratória Aguda Grave e comprometimento que pode afetar múltiplos órgãos como coração, rins, olhos, sistema vascular e até o cérebro.

Desta reunião, a Academia Nacional de Medicina e a Académie Nationale de Médicine publicaram um documento oficial que pode ser acessado em https://bit.ly/37IFlc5.

As sessões científicas estão disponíveis no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Efforts to Cope With COVID-19: UK Academy of Medical Sciences

Mais de 140 expectadores participaram da sessão virtual promovida pelas Academias de Medicina do Brasil e do Reino Unido, no dia 16 de abril de 2020, para conhecer as ações de cada nação no enfrentamento da Covid-19. Além dos dois países, representantes do Chile, Argentina, Venezuela e Espanha também estavam conectados. No encontro, a importância da colaboração internacional no contexto de uma crise global de saúde. A vice-presidente internacional da Academia de Ciências Médicas do Reino Unido, professora Dame Anne Johnson, falou sobre a necessidade de buscar diálogo com os colegas ao redor do mundo e de trabalharem juntos de forma multidisciplinar.

O professor Mervyn Singer, da University College London, foi outro dos convidados. Em sua apresentação, evidenciou a relevância das colaborações com equipes médicas da China e Itália, países que foram atingidos antes pela atual pandemia, visando entender protocolos médicos adotados com os pacientes tanto no que tange à medicação quanto ao uso de equipamentos de suporte ventilatório.

Parcerias internacionais também foram destaque na fala da professora Maria Zambon, da Public Health England, ao apontar como o Reino Unido conseguiu produzir testes mais rapidamente devido à cooperação com a Alemanha e Hong Kong. Maria Zambon frisou os benefícios da articulação permanente dentro da comunidade científica internacional.

A transmissão viral da Covid-19 a partir da perspectiva comportamental foi o tema da professora Susan Michie, da University College London, em apresentação na mesma sessão científica. Susan é membro do Grupo Consultivo Científico em Emergência, que fornece aconselhamento científico ao governo britânico sobre o gerenciamento da pandemia de Covid-19. Michie descreveu abordagens e estratégias que devem ser adotadas no sentido de orientar a população quanto às medidas de prevenção de contágio e mitigação da crise.

Comunicação clara com a população, que deve ter amplo acesso às informações sobre a doença e as formas de contágio e prevenção, foram as principais recomendações de Michie. Além do conhecimento, é fundamental que as pessoas se sintam motivadas, com mensagens positivas, a aderir às recomendações dos órgãos de saúde, mas é fundamental que haja condições para essa adesão. Celebrar e parabenizar as ações daqueles que estão cooperando com o esforço coletivo e os resultados obtidos também contribuem com o sucesso das políticas adotadas.

Impacto das desigualdades – Pelo Brasil, participaram desta sessão, o acadêmico Paulo Buss e o professor emérito da Universidade Federal da Bahia e também pesquisador da Fiocruz/Bahia, Maurício Barreto.

As curvas de evolução do contágio pelo novo coronavírus, as desigualdades na distribuição dos serviços de saúde, água e saneamento, os impactos sociais da crise no Brasil, e as estratégias para sua contenção foram temas amplamente discutidos por ambos os convidados brasileiros.

Para além da escassez de recursos materiais como respiradores e da distribuição desigual, entre as regiões brasileiras, de leitos de UTI, Maurício destacou a diminuição, verificada nos últimos anos, do percentual de médicos com treinamento em terapia intensiva, bem como a concentração desses profissionais na região Sudeste, sobretudo em São Paulo, onde estão quase 30% desses especialistas.

Buss ressaltou a população invisível, os moradores de rua e os mais desassistidos nas comunidades de baixa renda e, apesar do SUS oferecer acesso universal, destacou que a falta de saneamento básico e água tratada serão grandes entraves para barrar a explosão da epidemia no país. Buss alertou ainda sobre o impacto da decisão do Governo de Donald Trump de suspender a doação de recursos financeiros pelos Estados Unidos para a Organização Mundial da Saúde.

Deste encontro, uma declaração conjunta da Academia Nacional de Medicina e da UK Academy of Medical Sciences sobre Covid-19. Para acessar o documento na íntegra, o link é https://bit.ly/37IruTu.

As sessões científicas estão disponíveis no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Brasil e Portugal na luta contra a Covid-19

O que une Brasil e Portugal na pandemia de Covid-19 foi o que interessou aos mais de 100 inscritos na sessão científica promovida, de forma virtual, pela Academia Nacional de Medicina, no dia 09 de abril de 2020.

Participaram deste encontro a presidente da Academia de Medicina de Portugal, Maria de Fátima Carneiro, e o médico intensivista do Hospital de São João, no Porto, José Artur Paiva, também membro da Academia portuguesa.

Os portugueses trocaram experiências com os brasileiros sobre a epidemiologia da doença e formas de tratamento em ambos os países. Dentro da evolução da pandemia, Portugal encontra-se duas semanas a frente do Brasil, tendo sua curva se estabilizado como em um planalto, explicou Artur Paiva.

Portugal se organizou durante seis meses e o Brasil ainda corre contra o tempo para o atendimento dos casos graves durante o pico da doença que é esperado para as próximas semanas.

“Não há ciência sobre o novo coronavírus com mais de três meses. Da epidemiologia da doença ao tratamento ainda precisamos aprender muito”, finalizou o acadêmico de Portugal e presente à reunião, José Artur Paiva.

O que as autópsias podem explicar da Covid-19?

Com este tema, o acadêmico Paulo Saldiva e as médicas Marisa Dolhnikoff e Renata Monteiro, da Faculdade de Medicina, da Universidade de São Paulo, contaram os resultados preliminares de um projeto de autópsias minimamente invasivas para a Covid-19.

Os médicos mostraram os dados obtidos com as análises dos corpos de 10 pacientes, metade de cada sexo, e que morreram com o novo coronavírus. Com idade que variava entre 33 e 83 anos e que estiveram em unidades de terapia intensiva até 15 dias, os corpos dos pacientes foram submetidos a exames post mortem, através de tomografia, ultrassom e microscopia.

Vários órgãos foram estudados como pulmão, fígado, rins e baço. Os resultados mostraram uma agressividade impressionante do vírus e, por que a resposta imunológica frente à inflamação é ruim ainda não se sabe.

Além disso, os pesquisadores abordaram questões importantes das autópsias que permitiram, inclusive, conclusões sobre certos aspectos da doença como a comprovação histológica da formação de trombos na microcirculação pulmonar.

As sessões científicas estão disponíveis no canal da Academia Nacional de Medicina no YouTube em https://bit.ly/3eByjYS.

Atualizações em COVID-19

Na sessão virtual da Academia Nacional de Medicina (ANM), realizada em abril (2/4), o médico Jair de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, apresentou as atualizações do novo coronavírus na área de otorrinolaringologia para cerca de 60 médicos e cientistas da ANM e da Academia Brasileira de Ciências conectados.

Castro reforçou que indivíduos suspeitos ou casos confirmado de Covid-19 não devem utilizar aerossóis e sprays nasais com esteroides para limpeza e lubrificação das vias respiratórias. A contraindicação se deve em função do risco da disseminação do vírus por todo o sistema respiratório e, com isso, provocar a inflamação de diversas áreas e até agravar casos.

Além disso, Castro falou ainda de algumas manifestações inaugurais do Covid-19, como falta de olfato, paladar – características que a comunidade médica deve ficar atenta.

Fígado – Diarreia, náuseas e vômitos podem ser três sinais inaugurais da Covid-19, disse o médico e membro titular da Academia Nacional de Medicina, Carlos Eduardo Brandão, em palestra virtual realizada nesta mesma data, na ANM.

Há outros aspectos a serem observados, segundo Brandão. Entre estes:

2 a 10% dos pacientes, sem doenças hepáticas, apresentam algum grau de alteração no fígado;

Pacientes com doenças hepáticas pré-existentes como Hepatites B e C, têm mais chances de evoluir para a forma mais grave da Covid-19;

O uso de medicamentos como a cloroquina e a hidroxocloroquina pode provocar lesões no fígado;

E por fim, os cuidados durante o tratamento da Covid-19 em pacientes imunossuprimidos ou que tenham feito transplante de fígado.

Grávidas, puérperas e recém-nascidos – O médico e acadêmico Jorge Rezende Filho abordou durante a sessão científica as infecções respiratórias como a H1N1, SARS e a Covid-19 os riscos para gestantes, puérperas e recém-nascidos.

Rezende Filho falou sobre os parcos artigos científicos que estudaram o impacto da SARS-CoV-2 durante o ciclo gravídico-puerperal e a decisão do Ministério da Saúde do Brasil, em seu Boletim Epidemiológico número 4, publicado em 04 de abril de 2020, de incluir gestantes de alto risco e puérperas como uma subpopulação com maior chance de internação em UTI e intubação caso seja acometida pela infecção pandêmica.

Esse status epidemiológico ampliou-se, 09 de abril de 2020, quando o Ministério da Saúde do Brasil, em seu Protocolo de Manejo Clínico da Covid-19 na Atenção Especializada, passou a considerar todas as gestantes, e não apenas aquelas de alto risco, como grupo com maior chance de desenvolver síndrome respiratória aguda grave por Covid-19.

De acordo com informações do Ministério, todas as grávidas ou mulheres que deram à luz por até 45 dias após o parto estão mais suscetíveis aos efeitos da SARS-CoV-2 e, por isso, merecem atenção redobrada pela equipe de saúde.

Aliança contra Coronavírus

As tradicionais sessões científicas e os simpósios da Academia Nacional de Medicina (ANM), que acontecem initerruptamente há 190 anos, foram substituídas por sistema de teleconferências em 2020 e, em virtude da pandemia, os debates são exclusivos sobre coronavírus.

O uso seguro e a eficácia do uso de azitromicina, hidroxicloroquina e de corticoesteróides no tratamento de pacientes internados foi o tema do médico Luiz Henrique Rizzo, do Hospital Einstein, de São Paulo, e um dos convidados pela ANM para discutir formas de enfrentamento da pandemia pelo novo coronavírus.

Rizzo contou aos mais de 60 participantes da sessão científica virtual, no dia 26 de março de 2020, os detalhes do protocolo da Aliança contra o Coronavírus que reúne, além do Einstein, o Hospital do Coração (HCor), o Hospital Sírio-Libanês e a Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). O ensaio clínico será realizado em parceria com o Ministério da Saúde e apoio da empresa EMS. Rizzo ainda comentou sobre o uso de soro de pacientes recuperados da virose por coronavírus em pacientes em tratamento.

Saúde mental na pandemia – O conceito de tempo mudou para as pessoas ao redor do mundo. Se antes tínhamos sempre pressa, agora não sabemos o que fazer no confinamento. Assim, Antonio Egídio Nardi, membro da Academia Nacional de Medicina e professor da UFRJ, abordou o tema saúde mental em tempos de coronavírus, em sessão virtual promovida pela ANM.

Para Nardi, há outros tipos de riscos, além da contaminação pelo vírus, com o isolamento social. No confinamento, as pessoas podem desenvolver ou acentuar quadros de fobias, abusar de bebidas alcoólicas, distúrbios alimentares, desenvolver manias de limpeza e hipocondria, além da probabilidade no aumento da violência contra a mulher ou crianças.

“Para nos mantermos saudáveis mentalmente, nesse período, é muito importante termos horas de sono de qualidade – não mudarmos nosso relógio biológico; investir em uma alimentação saudável, realizar atividades lúdicas e culturais, praticar atividade física, yoga e meditação. Tudo isso pode ser feito em casa”, orientou o acadêmico.

Como a OMS enfrenta epidemias – Um dos acadêmicos convidado para a sessão virtual foi o ex-presidente da ANM, Jorge Alberto Costa e Silva. O ex-presidente falou sobre sua experiência de 20 anos na OMSNa oportunidade abordou as possíveis consequências emocionais do isolamento social.

“Estamos aprisionados por um vírus e devemos enfrentar esse período com equilíbrio e serenidade, pois o isolamento pode e ser um terreno fértil para o aparecimento de distúrbios mentais”. Numa analogia, Costa e Silva disse que nesse momento muitos de nós nos sentimos com um pássaro dentro de uma gaiola batendo as asas nas grades. “Mas o pensamento positivo e a reflexão nos libertarão em breve,” enfatizou o ex-presidente.

Coronavírus – Academia Nacional de Medicina em Sessão Permanente

Frente à situação da Pandemia de COVID-19, a Sessão Científica do dia 19/03 foi realizada pela primeira vez por fórum virtual, na qual foram apresentadas atualizações dos relatores da Comissão formada pelos Acadêmicos Celso Ferreira Ramos Filho, Paulo Marchiori Buss, Carlos Alberto de Barros Franco e José Gomes Temporão, designada para auxiliar a Diretoria com as questões relacionadas à COVID-19.

Epidemia de Coronavírus – 18 de março de 2020

Confira abaixo comunicado emitido pela Academia Nacional de Medicina em 18 de março de 2020:

Dia Mundial do Rim – Organização: Acadêmico Omar da Rosa Santos

A Academia Nacional de Medicina convida a participar de Simpósio a ser realizado no dia 12 de março de 2020.

Formulário de inscrição

Serão aceitas inscrições presenciais, respeitando-se a lotação do anfiteatro

Acadêmicos debatem medidas de contenção do coronavírus no Brasil

O cenário não poderia ser outro: muitas perguntas e grandes debates deram o tom do fórum “Medidas de Contenção do Coronavírus”, realizado na noite de ontem (12/03), na sede da Academia Nacional de Medicina. O evento, que foi promovido pela ANM em parceria com a Academia Brasileira de Ciências, contou com as presenças ilustres do presidente da ABC, Luiz Davidovich, de Edmar Santos, Secretário Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, de muitos acadêmicos da ANM, médicos especialistas, do público em geral e de dezenas de jornalistas que cobriram o encontro a fim de disseminar para população informações importantes.

Dentre os temas abordados, as fases de contenção do vírus foi o ponto que causou maior debate entre os participantes, tendo em vista que o Brasil ainda possuiu poucos casos – 77 confirmados – em comparação ao resto do mundo e falou-se muito em quais e quando implementar as medidas para evitar um salto no número de infectados.

Na abertura do evento, o presidente da ANM, Rubens Belfort Júnior, exibiu um vídeo do Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que não pode comparecer devido às urgências presidenciais. Na gravação, Mandetta reforçou a importância do fórum referindo-se aos acadêmicos como “a voz da reflexão” e deixou um recado com orientações de prevenção contra o coronavírus.

“Devemos proteger os idosos, evitar aglomerações e contatos próximos. Os médicos estão na linha de frente nesse combate e vamos encontrar soluções para este e outros problemas que enfrentamos”, declarou o Ministro.

Na primeira palestra, apresentada por Alberto Chebabo, da Sociedade Brasileira de Infectologia, o médico mostrou um panorama mundial da doença, ressaltando suas características – dentre elas o alto potencial infeccioso, porém não tão letal quanto comparado à outras pandemias já enfrentadas – apresentou uma projeção de casos no Brasil e detalhou as três fases de contenção do COVID-19, apresentando medidas – algumas já estabelecidas em outros países – para evitar a propagação do vírus.

Na sequência, Mauro Teixeira, membro da ABC, falou sobre o desenvolvimento de vacinas, medicamentos e tratamentos específicos para o enfrentamento da doença.

“Por muito tempo, acreditamos que não enfrentaríamos maiores infecções. Nos últimos anos, vimos que não é bem assim, como aconteceu com a influenza que ainda continuará sendo um grande problema e agora acrescenta-se os casos do novo coronavírus. O que nós sabemos hoje é que não há tempo hábil para desenvolver uma vacina, criar ou testar um fármaco já existente com segurança. Muitos estudos estão em andamento, discute-se ainda a criação de antivirais de amplo espectro, porém não há evidências de que sejam eficazes e não temos tempo para desenvolver novos medicamentos. Além disso, não há nada aprovado e nem comprovadamente eficaz para tratamento específico. Devemos aprender e utilizar alternativas que dispomos hoje.”, afirmou Teixeira.

Outro ponto bastante discutido foi como o poder público está se preparando para a pandemia e para o aumento dos casos diante da contaminação comunitária. Neste momento, Edmar Santos, Secretário Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, afirmou que o Governo do Estado estuda medidas de contenção que devem ser divulgadas em breve e afirmou que o Rio, em duas semanas, já terá o vírus circulando livremente e em quatro semanas deve-se ter uma epidemia. Apesar de ter todos os seus leitos de terapia intensiva ocupados, disponibilizará 100 novos nos próximos meses e estuda envolver a saúde suplementar para acolhimento de doentes.

Participaram ainda na coordenação do evento, o acadêmico José Medina Pestana e como debatedores os acadêmicos Celso Ferreira Ramos Filho e José Gomes Temporão; Edmilson Migowski, da Academia Nacional de Farmácia, Antônio Carlos Chagas, da Associação Médica Brasileira e a jornalista de ciência e saúde do jornal O Globo, Ana Lúcia Azevedo.

No encerramento da sessão, o presidente da ANM, professor Rubens Belfort Jr. afirmou que não há motivos para pânico, mas sim preocupações em que as pessoas devem buscar informações confiáveis e seguir as orientações das autoridades de saúde, mas sempre verificar se a informação é verdadeira e, principalmente, tomar os cuidados necessários para evitar a contaminação.

A Academia Nacional de Medicina irá emitir, todas as semanas, comunicados para a sociedade brasileira sobre o que fazer e o que não se pode fazer.

Research and Policy to Improve Urban Health across Latin America – Organização: Academia Nacional de Medicina, Academia Brasileira de Ciências e UK Academy of Medical Sciences

A Academia Nacional de Medicina convida a participar de atividade a ser realizada no dia 10 de março de 2020.

Formulário de Inscrição

Serão aceitas inscrições presenciais, respeitando-se a lotação do anfiteatro 

Sessão Solene de Posse – Rubens Belfort Jr assume presidência da Academia Nacional de Medicina

O oftalmologista paulista Rubens Belfort Mattos Junior, membro titular da Academia Nacional de Medicina (ANM) e da Academia Brasileira de Ciências, tomou posse como o 66o presidente para o biênio 2020-2021. Em 190 anos, é a primeira vez que um médico de fora do Rio de Janeiro assume a presidência.

Graduado em medicina pela Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) em 1970, Belfort Jr. concluiu doutorado em oftalmologia pela Universidade Federal de Minas Gerais em 1981 e fez outro doutorado, desta vez em microbiologia e imunologia, pela EPM, concluído em 1985. É livre-docente e professor titular de oftalmologia da mesma universidade, pesquisador 1A CNPq, membro titular do Conselho Nacional de Ciências e Tecnologia. Belfort Jr. recebeu, entre outros prêmios, a Medalha ao Mérito Oswaldo Cruz da Presidência da República e a Ordem do Mérito Científico Nacional, Classe Grã-Cruz, além do Prêmio Conrado Wessel. Tem mais de 500 artigos publicados e orientou cerca de 70 doutores, mestres e alunos de iniciação científica.

Eleito membro titular da ANM em 1998, à frente da entidade Belfort Jr. liderará cem dos melhores médicos do país, que se dedicarão às atividades de congregar profissionais em reuniões periódicas com o intuito de debater questões pertinentes à medicina nacional e internacional, incluindo as sessões científicas, que ocorrem toda quinta-feira, além de outros projetos, como se aproximar da sociedade através de conteúdos médicos de forma mais acessível e do programa de incentivo a jovens lideranças médicas.

A cerimônia de posse foi realizada no dia 3 de março de 2020, na sede da ANM. Belfort Jr. recebeu a faixa presidencial das mãos do antecessor na presidência da Academia, Jorge Alberto Costa e Silva.

Sobre a ANM

A história da Academia Nacional de Medicina confunde-se com a história do Brasil. Fundada sob o reinado do imperador D. Pedro I, em 30 de junho de 1829, mudou de nome duas vezes, mas seu objetivo mantém-se inalterado: o de contribuir para o estudo, a discussão e o desenvolvimento das práticas da medicina, cirurgia, saúde pública e ciências afins, além de servir como órgão de consulta do governo brasileiro sobre questões de saúde e de educação médica.

Desde a sua fundação, seus membros se reúnem toda quinta-feira, às 18 horas, para discutir assuntos médicos da atualidade, numa sessão aberta ao público. Esta reunião faz da Academia Nacional de Medicina a mais antiga e única entidade científica dedicada à saúde a reunir-se regular e ininterruptamente por tanto tempo. Mesmo durante a atual pandemia pelo novo coronavírus, em 2020, a Academia Nacional de Medicina manteve a realizar de suas tradicionais sessões científicas de forma virtual, tendo a participação de centenas de médicos, pesquisadores e outros interessados que tiveram a oportunidade de acompanhar os debates com convidados nacionais e internacionais. A Academia também promove congressos nacionais e internacionais, cursos de extensão e atualização e, anualmente, durante a sessão de aniversário, distribui prêmios para médicos e pesquisadores não pertencentes aos seus quadros. Neste ano, foram nove prêmios em diversas categorias e um número recorde de inscritos.

Tradicional Jantar Acadêmico marca final da gestão do Acad. Jorge Alberto da Costa e Silva

No dia 29 de novembro, dia subsequente à eleição da Diretoria do Biênio 2020-2021, Membros Titulares, Honorários e Correspondentes da Academia Nacional de Medicina se reuniram para celebrar o final de mais um ano no tradicional Jantar Acadêmico. O endereço escolhido para a celebração foi o Jockey Club Brasileiro, também escolhido para os jantares de 2017 e 2018, localizado no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro.

O Grande Benfeitor Jorge Jaber, a cineasta Angela Zoé, o Acadêmico Jorge Alberto Costa e Silva e sua esposa, Miriam Gelli

A realização do Jantar Acadêmico também marcou o final do mandato do Acadêmico Jorge Alberto Costa e Silva, cuja gestão teve como marcas a horizontalidade e o consenso, foi iniciada no ano de 2017, sucedendo o Acadêmico Francisco Sampaio. Entre algumas das atividades realizadas, é possível destacar a instituição dos Núcleos de Relações Institucionais da ANM, o incentivo à internacionalização da Academia por meio de convênios e a inauguração do Centro da Memória Médica, considerada vital para a conservação e divulgação do acervo histórico da ANM. Sua construção, principal justificativa para a doação do terreno que abriga a sede da instituição, foi pleiteada por inúmeras administrações da ANM.

No ano em que a Academia Nacional de Medicina comemorou os 190 anos de sua fundação, a significativa participação dos Acadêmicos que residem fora do Rio de Janeiro no Jantar foi fato muito comemorado por todos os presentes.

Acadêmico Eduardo Krieger e o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva

Em momento emocionante da noite, o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva convidou o ex-Presidente Francisco Sampaio e o Presidente Eleito Rubens Belfort para proferirem discursos de agradecimento a todos os presentes, selando a união e o espírito de continuidade das excelentes gestões feitas até aqui. Na sequência, o Presidente Jorge Alberto Costa e Silva realizou a entrega de Medalha Acadêmica ao Grande Benfeitor Jorge Jaber, que surpreendeu a todos com a apresentação de um vídeo sobre a história da ANM e o término da exitosa gestão.

Vídeo exibido em homenagem à Academia Nacional de Medicina e ao Presidente Jorge Alberto Costa e Silva
Grande Benfeitor Jorge Jaber recebe a Medalha Acadêmica das mãos do Presidente Jorge Alberto Costa e Silva
Confraternização dos Acadêmicos celebrou o fim de mais um importante ano para a Academia Nacional de Medicina

A Academia Nacional de Medicina se encontra em recesso de suas atividades, retornando em 3 de março de 2020, data da solenidade de posse da Diretoria do biênio 2020-2021.

Com votação histórica e clima fraternal, Rubens Belfort é eleito novo presidente da ANM

Após a atualização do Estatuto da Academia Nacional de Medicina, realizada durante a gestão do Acadêmico Jorge Alberto Costa e Silva, ocorreu, na última quinta-feira (28), a eleição para a Diretoria do biênio 2020-2021. Fundada sob o reinado do imperador D. Pedro I, em 30 de junho de 1829, a Academia é a instituição científico-cultural mais antiga do Brasil, e já teve como Presidentes importantes nomes da Medicina brasileira – eleito, o Professor Rubens Belfort deixa sua marca como 66º presidente da instituição.

O Presidente Jorge Alberto Costa e Silva conduziu os trabalhos da eleição, que contou com a presença massiva do Corpo Acadêmico

Concorrendo em chapa única, a eleição do Acadêmico reúne diversas peculiaridades: Rubens Belfort é o primeiro presidente eleito para a Academia Nacional de Medicina que reside fora do Rio de Janeiro. Sua eleição reafirma o caráter nacional da instituição, que também é reforçado pelo fato de o Acadêmico ser membro de outras importantes instituições científicas nacionais, como a Academia Brasileira de Ciências – antes de Belfort, o último presidente da ANM a ser membro das duas instituições foi o Dr. Olympio Oliveira Ribeiro da Fonseca, que presidiu entre os anos de 1961 e 1963.

Eleito como Membro Titular em fevereiro de 1999, Rubens Belfort tomou posse no dia 25 de maio de 1999 para a cadeira de número 64 da Secção de Cirurgia, patronímica de Henrique Guedes de Mello, em decorrência do falecimento de Carlos Paiva Gonçalves. Nascido em São Paulo, o Acadêmico graduou-se em Medicina em 1970, pela Escola Paulista de Medicina, hoje Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP onde também se especializou em Oftalmologia. Na EPM ocupou várias posições, incluindo de Professor Assistente, Professor Adjunto, Livre Docente, Coordenador de Residência, Coordenador do Curso de Pós-Graduação, Chefe de Disciplina e Chefe do Departamento de Oftalmologia, além de Membro da Congregação da EPM e do CONSU da UNIFESP. Na instituição, é Professor Titular de Oftalmologia desde 1981. É Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico da Presidência da República e cientista nível 1-A do CNPq.

Outros grandes nomes da instituição foram consagrados nesta eleição, em chapa que reúne tanto novos membros da instituição, como o nefrologista José Osmar Medina, o cirurgião plástico José Horácio Aboudib Jr. e o radiologista Giovanni Guido Cerri, e também nomes consagrados da egrégia casa, como o também nefrologista Omar da Rosa Santos e o patologista Carlos Alberto Basílio de Oliveira. Além deste fato, a gestão também promete dar continuidade aos principais projetos em curso na instituição, valorizando uma gestão horizontal e em constante contato com as gestões dos Acadêmicos Jorge Alberto Costa e Silva (2017-2019) e Francisco Sampaio (2015-2017).

A eleição, que contou a presença significativa dos Acadêmicos – foram registrados no Livro de Presença 81 presentes, entre Membros Titulares e Eméritos – consagrou a nova Diretoria, que registrou um dos maiores índices de aprovação em eleições da ANM. A solenidade de posse da nova Diretoria está agendada para o dia 3 de março de 2020, a ser realizada na sede da instituição, no Rio de Janeiro. Confira a seguir a composição da nova diretoria: Rubens Belfort Mattos Jr. (Presidente), José Galvão-Alves (1º Vice-Presidente), Omar da Rosa Santos (2º Vice-Presidente), Ricardo Cruz (Secretário-Geral), Carlos Eduardo Brandão Mello (1º Secretário), José Horácio Aboudib Jr. (2º Secretário), Oswaldo Moura Brasil (Tesoureiro), Milton Meier (1º Tesoureiro), Manassés Claudino Fonteles (Orador), Carlos Alberto Basílio (Diretor de Biblioteca), Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro (Diretor de Arquivo), Giovanni Cerri (Diretor de Museu), José Osmar Medina (Presidente da Secção de Medicina), José Camargo (Presidente da Secção de Cirurgia) e Marcello Barcinski (Secção de Ciências Aplicadas à Medicina).

Ao final das eleições, no clima fraternal que é característico da quase bicentenária instituição, foi oferecido um coquetel a todos os presentes, congregando membros da atual gestão e das gestões anteriores com os demais Acadêmicos e convidados, que expressaram júbilo pela noite história transcorrida na Academia Nacional de Medicina.

Acadêmicos Francisco Sampaio, Carlos Paiva Gonçalves Filho e Rubens Belfort durante o coquetel realizado após a eleição

Academia Nacional de Medicina realiza Simpósio Internacional da Captação de Transplantes e de Pós-Graduação em Cirurgia

As atividades científicas do dia 21 de novembro abordam a Captação de Transplantes e Pós-graduação em Cirurgia, organizado pelos Acadêmicos Pietro Novellino, Silvano Raia, José Galvão-Alves e Rossano Fiorelli com a coordenação de Joaquim Ribeiro Filho, Ricardo Ribas e Flávio Sá Ribeiro que movimentaram a sede da academia.

O primeiro abordou a Captação de Transplantes, e o segundo deu enfoque na Pós-graduação em Cirurgia. Na captação de órgão foi apresentada a legislação na doação de órgãos, pela Dra. Daniela Salomão do SNT, que consta com um programa seguro, auditável e transparente com objetivo da melhoria do cuidado com o doador para a sobrevida do paciente, e a definirão de indicadores e parâmetros de qualidade mínimo será construída com o apoio da ABTO.

Organizadores do evento: Acadêmicos Silvano Raia, Pietro Novellino e Rossano Fiorelli

Seguido com a programação, o Dr. Gabriel Texeira, que fala sobre “Programa Estadual de Transplantes”, lançado em abril de 2010 e é responsável pela aplicação do novo Regulamento Técnico elaborado pelo Ministério da Saúde, através do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) no Estado do Rio de Janeiro. Criado com o objetivo de aumentar o número de transplantes de órgãos e tecidos no Estado do Rio de Janeiro, o programa investiu na implantação de quatro Coordenações Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Hospital Estadual Getúlio Vargas, Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, Hospital Estadual Azevedo Lima e Hospital Estadual Alberto Torres). Esta iniciativa proporcionou um contato direto entre os médicos que cuidam de possíveis doadores e os familiares destes pacientes. A partir da criação do programa, o número de hospitais credenciados ao Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar transplantes de fígado, rins, coração, pâncreas e córneas também aumentou, e um banco de olhos foi inaugurado em Volta Redonda.

“O fomento da Pós-Graduação no Estado do Rio de Janeiro” é tema de Acadêmico Jerson Lima, Presidente da FAPERJ, que ressalta o valor econômico da ciência para a sociedade e o seu impacto, descrevendo a importância da pesquisa pública, que gera riquezas entre 3 a 10 vezes maiores que o valor investido, impacta diretamente na qualidade e expectativa de vida. Ele incluí em sua fala as missões da FAPERJ, como implementação e valorização do sistema C,T&I no Estado do Rio de Janeiro, promovendo sua ligação entre o mesmo e a sociedade, enquanto avalia o impacto dos investimentos, e acompanhamento dos projetos aprovados. O aumento dos investimentos em C,T&I pode ser medido pela excelência na pós-graduação, com a melhor no nível de avaliação dos programas, na pesquisa, que aumentou em 66%, na excelência universitária, aonde 4 das universidades do Rio de Janeiro estão entre as 20 melhores do país, a atração de centros de pesquisas dentre outros diversos.

Dando prosseguimento ao evento, o Acadêmico Marcelo Marcos Morales, Secretário de Políticas para Formação e Ações Estratégicas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, abordou o tema “Ciência da Saúde: Ações do MCTIC”. A missão do MCTIC é de produzir riqueza para o Brasil, contribuir para a qualidade de vida dos cidadãos e produzir conhecimento. A SEFAE atua no planejamento e articulação de políticas voltadas para formação de recursos humanos em C&T, infraestrutura de pesquisa e promoção da Pesquisa e Desenvolvimento em áreas estratégicas. Alguns de seus programas estratégicos são: Ciência na Escola, Saúde na Ciência, Ciência para Desafios Globais, Ciência para o Biofuturo da biodiversidade a bioeconomia e a Infraestrutura para Ciência. O Acadêmico dá destaque as chamadas CNPq para Ciências da Saúde de 2018 a 2019, que totalizaram um total de 15 chamadas e mais de 100 Milhões de reais dedicados a pesquisas para a saúde no Brasil.

Dr. Ricardo Zorron, diretor do departamento de cirurgia bariátrica e metabólica no Hospital Acadêmico da Universidade de Charité e Professor de pós-graduação da UNIRIO tem com tema a “Inovação em Cirurgia”. Pesquisas feitas em animais trouxeram maiores seguranças para a evolução de cirurgias via transorais. Foi produzido um estudo de 362 pacientes NOTES mostrando resultados das inovações cirúrgicas sem a necessidade de incisões agressivas ao corpo. Alguns desafios técnicos são de exposição, limitação de movimento, a visualização e a sutura. Porém o caminho das cirurgias endoscópicas abre um leque de opções para pacientes em situações debilitantes ou incapacitantes.

Acadêmicos Francisco Sampaio, José Galvão Alves, Jorge Alberto Costa e Silva, Pietro Novellino e Rossano Fiorelli

O Dr. Marcus Vinicius Henriques Brito apresenta “Evolução dos mestrados profissionais e perspectiva dos doutorados profissionais em cirurgia”. Os mestrados profissionais no Brasil apareceram na década de 90 e esta vinculado com a residência, tendo aplicabilidade imediata. Há um plano de trabalho com objetivo de reduzir assimetrias intercursos e interinstitucionais para uma produção técnica de qualidade, incrementando parcerias com o setor privado, para finalizar o quadriênio com pelo menos 4 programas nota 4. O professor nota alguns problemas a serem observados como mudanças na coordenação, incoerência da realidade, parcerias com a iniciativa privada, fraca captação de recursos e pobre internacionalização e inserção dos programas.

Encerrando o evento, a Prof. Denise de Freitas da UNIFESP, membro do CTC-ES CAPES, apresenta “Situação Atual da Pós-Graduação sctricto-sensu na Área Cirúrgica”. A CAPES é uma fundação vinculada ao Ministério da Educação e atua na expansão e consolidação da pós-graduação stricto sensu brasileira. O Sistema Nacional de Pós-graduação passou por uma política de expansão, focando no retardo da medicina, tendo um aumento de 11% dos Mestrados e 68% dos Doutorados em Medicina no Brasil de 2008 a 2018. A CAPES tem um plano de Aprimoramento do Sistema de Avaliação para 2021 para implementar a criação e revisão das normas da pós-graduação, a Plataforma Sucupira, Qualis Periódicos de Referência, Revisão da Ficha de Avaliação, Planejamento Estratégico da Pós-Graduação, a Autoavaliação e o CONECTI.

Para melhorar sua experiência de navegação, utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes. Ao continuar, você concorda com a nossa política de privacidade.