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As sequelas após infecção pela covid-19

“Estamos evoluindo no tema covid-19 pós fase aguda. A medicina e o conhecimento estão avançando, aliás a medicina deu um salto com a covidemia”, destacou o presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Rubens Belfort Jr., na abertura do simpósio Síndrome Pós-Covid, realizado no último dia 8 de abril de 2021.

“É muito importante nos preocuparmos com essa catástrofe que está acontecendo. A segunda fase, a síndrome pós-covid ou covid-longa, contribuiu para diminuição da mão de obra e, consequentemente, afeta a economia. O indivíduo permanece doente entre quatro e 12 semanas com manifestações clínicas severas o que incapacita a volta a rotina”, explicou o acadêmico Carlos Alberto Barros Franco.

O acadêmico esclarece que sintomas variados como pulmonares, cardíacos, neurológicos, gastrointestinais, psiquiátricos, entre outros, acometem cerca de 20% das pessoas no pós-covid e que é necessário dar assistência a essas pessoas, clinicamente e socialmente.

As alterações gastrointestinais têm várias formas de apresentação. Segundo o acadêmico José Galvão-Alves. o individuo não retorna ao normal de três a seis meses após a infeção. E, não há como dimensionar quem está suscetível a síndrome pós-covid. Sintomas como emagrecimento repentino, desnutrição e diarreias constantes são os mais comuns e podem durar semanas ou meses. “No tubo intestinal, o vírus é mais indolente”.

Nas complicações cardiovasculares, os sintomas pós-covid podem ser: lesão miocárdica e miocardite; síndrome coronariana aguda, insuficiência cardíaca, arritmias, alterações de coagulação e trombose. O acadêmico Fabio Jatene enfatiza como o coração pode ser impactado pelo vírus: 

– A covid-19 é grave e apresenta grande potencial de comprometimento cardiovascular. Evidências atuais já demonstram a necessidade de atenção especial aos pacientes do grupo de risco e a importância de um manejo adequado das complicações cardiovasculares, com rápida identificação e implementação de tratamento adequado, enfatizou Jatene.

“Entre os problemas da pandemia gostaria de lembrar que tivemos uma redução significativa nos exames preventivos do câncer e, consequentemente, uma redução nos diagnósticos precoces da doença. Nós tivemos redução na ordem de 70% a 90% nos exames de rastreamento de tumores importantes, como tumores de mama, próstata e colorretais. A recomendação de todas as sociedades relacionadas ao tratamento do câncer, neste momento, é que os diagnósticos e os procedimentos do tratamento ao câncer continuem apesar da pandemia, pois o risco do atraso é muito maior que o risco de exposição ao covid-19”, alertou o acadêmico Paulo Hoff.

Já na área pediátrica o cenário segundo o acadêmico Aderbal Sabrá também pode ser devastador. A síndrome inflamatória multissistêmica em pediatria atinge crianças e adolescentes. Quanto mais branda a fase aguda da covid 19, maiores as chances de evoluir para essa síndrome. Os sintomas aparecem de 2 a 6 semanas após a fase aguda da covid. E são febre alta e persistente e prostração. Cerca de 92% apresentam sintomas gastrointestinais como dor abdominal, diarreia e vômito. Já 80% apresentam alterações cardiovasculares, como por exemplo pressão baixa e outras; 74% têm alterações muco-cutânea e 70% têm sintomas respiratórios. “As comorbidades aumentam em cinco vezes a chance de complicações. A doença é potencialmente grave com risco de óbito nessa população”, alerta Sabrá.

A jornalista Cláudia Collucci, da Folha de São Paulo, falou sobre as lacunas na assistência aos sequelados.É um tema urgente a síndrome pós-covid pois o que percebemos hoje é que estamos em meio a um furacão tão gigantesco que tem pouca gente pensando sobre isso e traçando políticas públicas que precisaremos”. Para a jornalista, a rede particular está mais organizada com acompanhamento no pós alta do paciente, programas de reabilitação, telemedicina e serviços de home care, 

– O sistema público ainda está desorganizado e o serviço de atenção primária precisará de preparo para receber esses pacientes sequelados. E, por enquanto, não temos nado organizado. Vamos precisar mesmo é de políticas de atenção primária. Hoje, falta um protocolo. Cada serviço atende de uma forma. É mandatório que tanto o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) se organizem para traçar políticas assistenciais as pessoas com sequelas que estão perdidas na rede suplementar e pública. A desassistência é total, salvo alguns serviços de excelência, mas é pouco e precisamos de protocolos bem definidos e políticas públicas à atenção primária capacitada e direcionada a esses pacientes”, desabafou Collucci.

Neuropatologias– Mais de 30% dos pacientes acometidos pela covid terão manifestações neuropsicológicas. O risco maior é para os pacientes que tiveram a forma grave da doença, mas os doentes com sintomas brandos também poderão sentir por até seis meses os efeitos da doença.

Demência, ansiedade, depressão, transtornos do pânico, delírios, ideias suicidas, acidentes vasculares cerebrais, entre outras são algumas das manifestações pós-covid, segundo o médico e pesquisador Flávio Kapczinski, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e, atualmente na Universidade Canadense McMaster.

Kapczinski falou sobre os estudos de neuropatologia pós-mortem e que ajudaram a ciência a desvendar as alterações inflamatórias causados pelo vírus no cérebro e também sobre tratamentos e a importância da reabilitação pós-covid que causará um impacto enorme tanto nos sistemas públicos de saúde como nos privados.

Outros convidados –Participaram ainda do Simpósio Síndrome Pós-covid vários outros convidados. Os acadêmicos Celso Ramos abordou a visão do Infectologista; Patrícia Rocco descreveu os agravos pulmonares; Omar Lupi apontou as afecções na pele; José Medina descreveu o cenário dos transplantes renais na pós-covid; José Suassuna enfocou os acometimentos no rim; Antônio Egídio Nardi fez reflexões sobre a psiquiatria; Dr. Jair de Castro, da Santa Casa do Rio de Janeiro, e os problemas da otorrinolaringologia; Dra. Heloisa Nascimento, do Instituto Visão, Unifesp e Jovem Liderança Médica da ANM; e Dr. Fabricio Braga Silva, do Laboratório Performance Humana abordou a importância da reabilitação.

A integra da sessão com todas as palestras está disponível no canal da ANM no YouTube. Vale conferir.

Estratégias para vacinar todos e Já

Na atual conjuntura, existem muitos brasileiros, entidades, instituições nas esferas pública e privada, gestores e parlamentares empenhando-se para apoiar e ajudar os governantes, em todas as esferas e independentemente de partidos, para a aquisição de vacinas para toda população nacional. Esse movimento aspira que as decisões possam ser estratégicas e embasadas em evidências científicas, a partir de reflexões e estudos realizados pelos nossos cientistas e instituições de pesquisa. Por isso, nosso objetivo foi reunir diferentes iniciativas de empresários, consórcios e parlamentares para nos colocarmos à disposição deste trabalho, no diagnóstico dos gargalos e buscando soluções conjuntas e respaldadas pelas evidências.

Com a organização da Academia Nacional de Medicina, da Academia Brasileira de Ciências, da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil e da Universidade Federal de São Paulo serão reunidos representantes das academias, universidades, consórcios, parlamentares e empresários no webinário “Estratégias para vacinar todos e Já!”. O encontro virtual objetiva estratégias para mais vacinas, através do levantamento dos gargalos atualmente enfrentados, bem como possíveis soluções conjuntas para a aquisição e vacinação imediata em massa no Brasil, baseadas em estudos e evidências científicas. Nessa coalizão para obtenção de vacinas, participam reitores da Unifesp, UFRJ e UFMG; representantes da Frente Nacional de Prefeitos e Frente Parlamentar Mista de Medicina; da Comissão Externa de Enfrentamento à Covid  da Câmara dos Deputados; Frente Parlamentar Mista de Ciência, Tecnologia;  além do empresariado brasileiro, representado por Luiza Helena Trajano e o movimento Unidos pela Vacina.

Programação

“Estratégias para vacinar todos e Já!”

Organizadores :

Academia Nacional de Medicina (ANM), Academia Brasileira de Ciências (ABC), Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Data :17 de março de 2021

Horário:17h

Link para acesso:https://acknetworks.zoom.us/my/anmbr

Apresentações

17h00 –  Academias:

Rubens Belfort – Academia Nacional de Medicina (ANM)  

Luiz Davidovich – Academia Brasileira de Ciências (ABC)

Acácio Alves de Souza Lima Filho – Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB)

17h05  – Universidades nas pesquisas das vacinas:

Reitora Soraya Smaili- Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Reitora Sandra Regina Goulart Almeida – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Reitora Denise Pires de Carvalho – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

17h10 – Empresários e Prefeitos:

Luiza Helena Trajano – Mulheres do Brasil e Unidos pela Vacina 

Jonas Donizette – Frente Nacional de Prefeitos (FNP)

17h30 – Comunicação  :

Guga Chacra – Globo News

17h50 – Parlamento:

Deputado Luizinho Teixeira – Presidente da Comissão Externa de Enfrentamento à Covid  (Câmara dos Deputados)

Deputado Hiran Gonçalves – Presidente da Frente Parlamentar Mista de Medicina 

Senador Izalci Lucas – Presidente da Frente Parlamentar Mista de Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação.

18h10 – Perguntas e propostas

18h30 –  Encerramento

(Com informações da assessoria da Unifesp)

Plasma de convalescente para covid-19

Tratamento de pacientes com covid-19 com transfusão de plasma convalescente: um estudo multicêntrico realizado pelo Consórcio Paulista para Terapia da Covid-19 foi um dos projetos de Bruno Deltreggia Benites que participa do Programa Jovens Lideranças Médicas, da Academia Nacional de Medicina.

O projeto randomizado possui três braços: tratamento de pacientes com plasma convalescente 200 ou 400ml, ou placebo, incluiu 123 pacientes e, atualmente, em processo de análise dos resultados para publicação. Em breve, mais novidades por aí.

O projeto é uma parceria entre a @USP, campus São Paulo e de Ribeirão Preto, Unicamp, Hospital Sírio-Libanês e Hospital Israelita Albert Einstein e conta com o financiado do MCTI. O jovem atuou como o coordenador do estudo na Unicamp. 

Benites também teve participação de destaque na implementação do serviço de transfusão pré-hospitalar no município de Bragança Paulista (SP), projeto idealizado junto com SAMU da cidade, iniciado em 2018 e implementado em agosto de 2020, com disponibilização de concentrados de hemácias para transfusão em unidade móvel de suporte de vida avançado – trabalho pioneiro na América Latina.

O médico destaca ainda o prêmio Terezinha Verrastro, como melhor trabalho em Hematologia do Congresso Brasileiro de Hematologia – HemoPlay 2020 e a indicação pelo Coordenador Geral do Hemocentro Unicamp para o cargo de Coordenador da Divisão de Hemoterapia do Hemocentro da mesma universidade, em dezembro de 2020.

No prelo – Benites terá sua assinatura em artigo na revista Transfusion News no qual relata os avanços da aplicação de programas “Patient Blood Management” no Brasil e América Latina.

Gargalos no atendimento de pacientes com covid-19

Gargalos no atendimento de pacientes com covid-19

Falta de ventiladores mecânicos, oxigênio para pacientes graves, medicamentos necessários para intubação traqueal, demanda crítica de agulhas e seringas para terapia intensiva e para uso de vacinas. Estes são alguns dos gargalos que serão discutidos na live “Limitações hospitalares no atendimento a pacientes graves com covid.”

O evento é promovido pela Academia Nacional de Medicina (ANM), nesta sexta-feira (29/1), das 9:00 às 12:00, nos canais virtuais Facebook/acadnacmed ou pela plataforma zoom/anmbr.

Organizado pelos acadêmicos Patrícia Rocco, Carlos Alberto Barros Franco e José Luiz Gomes do Amaral, terá abertura dos presidentes da ANM, Rubens Belfort Jr., e Acácio Lima, da Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil. Entre os convidados, Marcelo Morales, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; Jorge Afiune, diretor médico da Cristália; Paulo Fraccaro, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e dos Laboratórios; Felipe Saddy, da Unidade Ventilatória do Hospital Copa D’Or; Marcelo Viana, chefe da Fisioterapia Respiratória do Hospital Samaritano; Walban Damasceno de Souza, presidente do Conselho da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia em Produtos para Saúde.

O evento é gratuito e não precisa de inscrições. Para saber mais, acesse https://www.anm.org.br/limitacoes-hospitalares-no-atendimento-a-pacientes-graves-com-covid-19/.

Serviços:
Data: sexta-feira (29/1/21)
Horário: das 9:00 às 12:00
Local: virtual Facebook/acadnacmed ou zoom/anmbr

Vacinação maciça é indispensável, mas insuficiente

O presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr., e os ex-presidentes da ANM, Jorge Alberto Costa e Silva, Francisco Sampaio e Pietro Novellino, assinam artigo no Jornal O Estado de São Paulo sobre a vacinação e covid. 

Segue a íntegra o artigo:

Vacinação maciça é indispensável, mas insuficiente

O Brasil, finalmente, iniciou a vacinação contra a Covid-19. Avançamos, mas já estão faltando vacinas e, em breve, a situação ainda piorará durante o processo de vacinação. Com certeza, a vacina é um grande marco que possibilitará também a redução das internações e dos casos graves da doença, mas não devemos ter a ilusão que, de um dia para outro, tudo vai mudar. Os brasileiros precisam se conscientizar que medidas de segurança devem permanecer entre nós por muitos meses a mais. O uso permanente de máscaras, a lavagem das mãos de forma correta e rotineira e evitar as aglomerações são atitudes que precisam ser mantidas.

Já se sabe que não existe nenhum tratamento preventivo e, por isso, não devemos dar falsas esperanças, que podem diminuir as medidas de segurança e levar ao relaxamento da prevenção. Todos temos responsabilidade e os exemplos continuam, mais do que nunca, a serem as armas mais poderosa para manter o comportamento correto de toda a sociedade.

A Covid-19 é uma doença que não possui remédios milagrosos e deve ser avaliada e acompanhada exclusivamente por médicos e profissionais de saúde que seguem protocolos e evidências científicas. 

Nosso Programa Nacional de Imunizações tem como marco o ano de 1973, com o término da campanha de erradicação da varíola no país, iniciada em 1962. Ao longo das décadas, transformou-se em exemplo brasileiro de sucesso em todo o mundo, pela sua capacidade de articulação em aplicar mais de 10 milhões de doses de vacinas em áreas urbanas e rurais, em um único dia. São mais de 300 milhões de doses de vacinas por ano para estados e municípios, incluindo crianças, adolescentes, adultos e idosos. Felizmente, a população brasileira aprendeu a confiar nas vacinas e o nosso país tem uma das maiores taxas de aceitação vacinal. Motivo de orgulho. 

O Programa Nacional de Imunização, o Sistema Único de Saúde (SUS), a integração entre gestores municipais, estaduais e o governo federal são fundamentais de serem reforçados e seguidos por todos. O Brasil precisa de dirigentes honestos e competentes, mais do que nunca. Temos que blindar e proteger a população contra o vírus e também contra os falsos líderes.

A vacina representa proteção individual e também da família. É um ato de solidariedade e de vida e um direito de todos. Só assim, iniciaremos uma nova fase que nos levará a vencer a doença e, com calma e respeito, chorar os que faleceram em virtude da Covid-19 e, em paz, nos solidarizar com todos os brasileiros.

A Academia Nacional de Medicina, uma instituição quase bicentenária, se mantém otimista quanto ao futuro, mas preocupada com o presente e as ações equivocadas do passado e lamenta as muitas mortes desnecessárias ocorridas e que ainda ocorrerão, pelo atraso na vacinação e pela liderança mentirosa de muitos. Com o uso da vacina, medidas de proteção individuais e coletivas, acompanhamento médico e o apoio aos avanços da ciência, ao lado de bons exemplos e da execução adequada de planejamento estratégico, poderemos iniciar uma nova fase e vencer a doença.

A comunidade científica em um ano trouxe a vacina. A luta continua. Estamos em guerra. Contra o vírus, a ignorância e os inimigos internos. Os primeiros medicamentos reais estão sendo desenvolvidos e, talvez, disponíveis nos próximos meses. Grandes esperanças. A comunidade cientifica brasileira tem competência e precisa participar desses estudos. Necessitamos, no entanto, de recursos e flexibilização de regras para sermos competitivos e rapidamente fazermos os avanços acontecerem no Brasil.

Vacinem-se! Exijam a vacina!! Mas continuemos todos usando máscaras, praticando o isolamento social e lutando!

Rubens Belfort Jr, Presidente da Academia Nacional de Medicina

Jorge Alberto Costa e Silva, Ex-Presidente da Academia Nacional de Medicina

Francisco Sampaio, Ex-Presidente da Academia Nacional de Medicina 

Pietro Novellino, Ex-Presidente da Academia Nacional de Medicina

Para quem tem acesso ao Estado de São Paulo, o link do artigo é https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,vacinacao-macica-e-indispensavel-mas-insuficiente,70003590687?utm_source=estadao:app&utm_medium=noticia:compartilhamento

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