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Para onde vamos com essa pressa?

 “Entre os escritores, nós, cronistas, sabemos que escrever crônicas é como viver em voz alta”. Com essa citação, a jornalista e escritora Rosiska Darcy de Oliveira, da Academia Brasileira de Letras, abre sua apresentação, na qual comenta o livro ‘Para onde vamos com essa pressa?’, do acadêmico José de Jesus Camargo, que conta com 76 crônicas que narram histórias reais de humanismo, gratidão, esperança, sofrimento incompreendido, afetos negligenciados, amores incondicionais, humor e a pureza da inocência. “É melhor render-se ao olhar quando o livro pousa sobre nós porque é ele que nos lê, e foi o que me aconteceu quando li este livro”, afirmou.

O psiquiatra Sergio Zaidhaft, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, abordou ainda durante a sessão, realizada pela Academia Nacional de Medicina, no dia 25 de março de 2021, as reflexões sobre o medo na atualidade: causas e possíveis consequências. 

Zaidhaft detalhou, do ponto de vista da psicanálise, que a noção de morte no inconsciente, o medo da própria morte, da morte do outro e a noção de perigo são algumas das origens de nossos sentimentos. Traçando diversos paralelos com a situação da pandemia no Brasil, encerrou com projeções para um futuro, que incluem a plena execução dos direitos humanos, o respeito à diferença, a dignidade e contar histórias, como nas sessões promovidas da ANM.

Nefrologia pelo mundo

Conectar a nefrologia mundialmente é a missão do projeto do qual faz parte o Jovem Líder Médico da Academia Nacional de Medicina, José Andrade Moura Neto, que recentemente organizou na ANM um evento mundial, reunindo diversos países de todos os continentes. O evento ainda foi palco do lançamento do livro Nephrology Worldwide. 

Com mais 340 especialistas inscritos, o site do projeto teve mais de 500 acessos apenas na última semana.

O evento foi apoiado pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, e pelos acadêmicos José Hermógenes Rocco Suassuna, Miguel Carlos Riella, Omar da Rosa Santos e Marcello Barcinski. Para saber mais da iniciativa global, acesse https://nephrologyworldwide.com.

Obesidade: cuidar de todas as formas

Mais de 60% da população brasileira estão acima do peso. Além disso, a obesidade é crescente em diversos países e considerada uma pandemia. Por isso, o dia 04 de março marca a Campanha Mundial da Obesidade. O acadêmico e Secretário Geral da ANM, Carlos Eduardo Brandão, participa do movimento “Juntos para cuidar de todas as formas”. Neste ano, foi lançado um manifesto e o acadêmico Brandão junto com a médica Claudia Oliveira, ambos da Sociedade Brasileira de Hepatologia, assinam um capítulo no ebook sobre obesidade e doença gordurosa não alcoólica do fígado.  Para ter acesso ao ebook, clique aqui https://abeso.org.br/manifesto-obesidade-cuidar-de-todas-as-formas/.

Alergia alimentar: da gestação à vida adulta

Para entendermos a alergia alimentar precisamos voltar ao início de tudo, traçando um paralelo ao momento da gestação e questionar um capítulo intrigante da vida: por que não fomos rejeitados pelo organismo de nossas mães, já que éramos um corpo estranho, habitando-o? 

Tudo isso está relacionado intimamente com a reação do sistema imune que, paradoxalmente, não rejeita o desenvolvimento do feto que possui 50% de componentes genéticos paternos. Este é o milagre da reprodução como definiu o médico Luiz Werber-Bandeira, da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, em sua live sobre Imunologia da gravidez, na sessão do dia 18 de março de 2021, promovida pela ANM.

Bandeira explicou que a relação imunitária entre a mãe e o feto estabelece comunicações bidirecionais e que existem evidências que o reconhecimento imunitário da gravidez pela mãe é primordial para a manutenção da gestação. 

A partir dessa comunicação intrauterina, começa-se a construir o sistema imune do feto que será maturado após o nascimento com o aleitamento materno exclusivo até os oito meses como reforçou o acadêmico Aderbal Sabrá que coordenou a reunião. Em sua apresentação sobre “Imunologia da Alergia Alimentar”, o professor Sabrá apontou alguns fatores precipitantes para a alergia alimentar: 

O acadêmico Sabrá ainda abordou a polêmica do leite de vaca. O acadêmico disse que a substituição do leite de vaca pelo leite de soja não é indicada, pois 85% dos indivíduos com alergia a essa proteína animal, também desenvolvem intolerância à soja, sendo a melhor indicação as fórmulas hidrolisadas ou de aminoácidos livres disponíveis no mercado. 

Autismo– O acadêmico Aderbal Sabrá abordou as evidências científicas que relacionam o transtorno do espectro autista (TEA) e a alergia alimentar (AA), sendo a última uma das causas da primeira.

Sabrá afirma que o TEA está longe de ter, nos trabalhos publicados até o momento, uma etiologia conhecida, e, por essa razão, seu tratamento segue sendo uma falácia. “Por outro lado, nossos achados mudam esse paradigma e evidenciam como a alergia alimentar pode ser uma de suas causas”, diz o acadêmico, que cita uma lista de nove publicações sobre o tema e detalha cada um dos achados. 

Segundo o especialista, há sete evidências triviais que sustentam a tese de que a alergia alimentar é uma das causas do transtorno do espectro autista. Entre elas, as respostas imunes em pacientes com AA e TEA têm espectros semelhantes; a epidemiologia da AA e do TEA são muito semelhantes, embora diferem quanto à prevalência do sexo e quanto ao gatilho; uma evidência fundamental é: todo paciente com TEA tem AA antes do aparecimento do transtorno.

Sabrá também alerta sobre o retardo no diagnóstico frente às primeiras manifestações dos pais sobre sintomas – em alguns casos, pode demorar vários anos. “É uma tristeza. Se eu começo o tratamento dessa criança com um ano e meio ou dois anos, ela entra em remissão em até um ano e meio. Se é uma criança de sete anos, será preciso tratá-la por três ou quatro anos devido ao progresso do processo inflamatório”.

O acadêmico conclui sua apresentação falando sobre as formas de tratar o problema. “Portanto, se temos o diagnóstico correto da alergia alimentar, tratamos com dieta hipoalergênica, que provoca a desinflamação e, assim, o paciente vai lentamente saindo do transtorno do espectro autista”.

Participaram ainda da sessão sobre alergias alimentares, a médica Selma Sabrá, do Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense, que falou sobre os aspectos endoscópicos da alergia alimentar; Ana Muñoz, do Hospital Nacional Edgardo Rebagliati Martins-Lima, do Peru, que trouxe resultados de um estudo que desenvolveu criando um score para o diagnóstico clínico da alergia alimentar que seria suficientemente baseado na anamnese para detecção do problema. E o médico Mario Cesar Vieira, do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, no Paraná. Cesar Vieira falou sobre “Esofagite Eosinofílica”, doença relativamente nova, descoberta no início dos anos 90, e que vem crescendo nos últimos anos. Ela é caracterizada pela inflamaçãocrônicacausada pelo acúmulo de eosinófilos no esôfago que pode ser provocada por uma resposta exagerada do sistema imune a algumas substâncias alergênicas. 

Confira a sessão completa em nosso canal do YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCdkjh5HlDk6V49qyIvNJ93A

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