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Prêmios em medicina

Já estão abertas as inscrições para os prêmios 2021 da Academia Nacional de Medicina. Dia 31/05/21 é a data limite de inscrições. 

Na edição deste ano, as categorias são: Prêmio Academia Nacional de Medicina – área de Medicina Clínica. Este é o prêmio máximo da ANM e consiste de diploma, medalha e apresentação do trabalho em sessão científica da ANM.

Os candidatos ainda podem concorrer aos Prêmios Presidentes ANM, incluindo Vicente Cândido de Figueira de Saboia, na área de Cirurgia; Francisco de Paula Cândico, na área de Medicina Clínica; Olympio Ribeiro da Fonseca, na área de Ciências Aplicadas à Medicina; e Prêmio Miguel Couto para o melhor trabalho de Patologia Humana ou Experimental.


Os trabalhos devem ser enviados por e-mail com a identificação dos autores e coautores (nome, endereço e telefone) no corpo do e-mail, para o endereço eletrônico: premio@anm.org.br, com o trabalho anexado. O autor deverá também indicar um pseudônimo e para qual prêmio estará concorrendo. 

O candidato deve ser médico nascido no Brasil, com trabalho elaborado no país ou no exterior, com ou sem coautores. Os coautores podem ser médicos ou não e brasileiros ou estrangeiros.

Os trabalhos devem ser originais e redigidos em português, podendo incorporar resultados de dissertações, teses ou artigos científicos, publicados nos últimos 12 meses.

Mais informações em https://www.anm.org.br/premios/.

Lideranças inspiradoras

Como ser uma liderança inspiradora na área médica? Quais tipos de lideranças e como cada uma se desempenha em seu dia a dia? Qual a importância da oratória nas relações humanas? Estes e outros temas foram debatidos em livepromovida, no dia 25 de fevereiro de 2021, pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, e uma das coordenadoras do Programa Jovens Lideranças Médicas da ANM, Patrícia Rocco.

O evento contou com as palestras inspiradoras dos convidados internacionais como Ruth Gotian, da Cornell University e Francis in Vericourt, de Berlim, que aproveitou a transmissão online para fazer jogos virtuais e discussão de casos e eventos médicos com os participantes. 

Gotian que é autora, educadora, coache palestrante falou sobre temas sensíveis e como se destacar em seu campo de atuação. Ressaltou aspectos relacionados à carreira de cientistas, inspirando os introvertidos e como podem incrementar redes de relações e iniciar conversações com outros profissionais desconhecidos. Ruth Gotian é daquelas palestrantes que atrai plateias e se destaca pela simpatia, finalizando com uma ótima dica: você não precisa ser o expertdo mundo, basta ser o expertno ambiente em que está.

Entre os brasileiros convidados, Ana Paula Alfredo, da Agrégat Consultoria, que descreveu diferentes tipos de líderes. Entre os citados, o carismático que tem alto desempenho e, ao mesmo tempo, satisfação dos liderados; a liderança transacional que tem foco nos resultados; a transformacional que inspira os seguidores a transcender seus próprios interesses; a autêntica que estabelece diretrizes sob bases éticas e de confiança. Outros tipos de lideranças são a compassiva e sábia; e o coachque procura a realização de objetivos e a remoção de obstáculos.

Lucas Campos, da empresa Jaleko, o maior grupo online de educação na área da saúde com mais de 100 mil seguidores, foi outro convidado do evento. Lucas falou sobre a importância da oratória e citou que, até para quem vende pipoca, o dom de falar bem é importante. Como ressaltou, falar bem não é uma mágica e persuadir é uma arte que tem na comunicação um importante alicerce.

Cada vez mais em voga, o tema da representatividade feminina também foi abordado na sessão. Aa médica Fernanda Cruz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e membro da primeira turma do Programa Jovens Lideranças Médicas, tocou nesse assunto de forma sagaz. 

Ela demonstrou como o debate é relevante e atual fazendo uma comparação entre duas imagens: uma conferência científica dos anos 1920, que conta com a presença de uma única mulher – a ilustre cientista Marie Curie – e uma imagem da reunião da ANM, após 100 anos, e na qual a presença feminina continua como minoritária. 

Fernanda traz dados da Unesco que apontam que apenas 28% das pesquisadoras no mundo são mulheres. A professora e pesquisadora, vencedora do prêmio Mulheres na Ciência 2018 com seu estudo sobre tratamentos menos invasivos para doenças respiratórias, conta que, ainda que a maioria dos profissionais da área biomédica seja de mulheres, há uma disparidade nos financiamentos de pesquisa. “Homens são maioria – uma proporção distante da realidade”, explica.

Em clima de preparação para a diplomação dos novos membros do Programa Jovens Lideranças Médicas, a sessão também contou com a participação do médico André Báfica, da Universidade Federal de Santa Catarina, que compartilhou sua jornada e experiência na turma pioneira da iniciativa (2015-2020), salientando a relevância do programa em sua trajetória profissional e para a própria medicina brasileira. 

Outro convidado foi Cesar Souza, do Grupo Empreenda, que deu seguimento à sessão com um debate edificante sobre o papel da liderança em momentos de crise – especialmente no cenário da covid-19, que colocou à prova os valores, propósitos e condutas de líderes em organizações. 

“Mais do que nunca, fica claro que não existe um único tipo ideal de liderança, mas um conceito ideal de liderança situacional. Líderes centralizadores assumem o protagonismo na hora de decisões difíceis. Já os participativos não correspondem à pressão do tempo e à velocidade com que precisam agir”, exemplifica o especialista.

O encerramento da sessão foi celebrado em grande estilo com a diplomação dos novos membros do Programa Jovens Lideranças Médicas. A Academia Nacional de Medicina dá os parabéns aos nomes que são o futuro da medicina brasileira: Alléxya Affonso, Antunes Marcos, Andreia Cristina de Melo, Antonio Camargo Martins, Daniel Kanaan, Daniel Vilarim Araújo, Heloisa Moraes do Nascimento, Salomão João Neves de Medeiros, José Mauricio Mota, Kallene Summer Moreira Vidal, Karina Tozatto Maio, Louise De Brot Andrade, Lucas Leite Cunha, Luiz Henrique Medeiros, Geraldo Marcelo Araújo Queiroz, Maria Helena da Silva Pitombeira Rigatto, Pedro Mario Pan Neto, Thiago de Azevedo Reis, Yuri Longatto Boteon.

Transplante de fígado

O médico Yuri Longatto Boteon participa do Programa Jovens Lideranças Médicas da ANM e, em 2020, uma grande conquista para a sociedade brasileira e, quiçá, internacional. 

Ele trabalha na equipe de transplante de fígado do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e participa de um projeto de implementação de nova tecnologia para preservação de órgãos de doadores de fígado – uma máquina de preservação hepática. 

Entre os artigos publicados por Boteon, um deles faz a descrição sobre a diminuição da recorrência de tumores após o transplante por carcinoma hepatocelular quando usado o dispositivo inovador e que pode mudar as perspectivas de quem precisa de um transplante de fígado.

No Brasil, a demanda por fígados de doadores extrapola em muito a oferta. A necessidade é mais do que o dobro dos doadores. Em 2019, foram realizados em todo o país 2.245 transplantes e estima-se que a necessidade era de 5.212 fígados. Outro dado importante é que apenas 52% dos doadores elegíveis tiveram seus órgãos transplantados, ou seja, 48% de órgãos que poderiam ter sido transplantados, não foram utilizados.

Para quem quiser saber mais sobre o assunto, o artigo de Boteon, intitulado “Perspectiva para a máquina de perfusão hepática ex situ no Brasil” foi publicado em português na Revista do Colegio Brasileiro de Cirurgiões e o link é https://www.scielo.br/scielo.php.

Neuropsicovida

Fomos invadidos por uma pandemia e os profissionais de saúde sofreram demais diante do risco eminente de colapso dos sistemas, além da contaminação individual. Quais os efeitos sobre a saúde desses profissionais? A médica Maria Helena Rigatto, do Programa Jovens Lideranças Médicas da ANM, fez parte de um grupo de professores que organizou a pesquisa Neuropsicovida, contemplado em edital Fapergs

O projeto consiste em uma pesquisa de longo prazo com profissionais da saúde acometidos pela covid-19 e outros não para avaliação de desfechos neuropsiquiátricos. A pesquisa com previsão de um ano utiliza sistema inovador em aplicativo móvel para realização de testes cognitivos e motores, através de sistema de giroscópio de celulares, permitindo uma adaptação de testes para monitoramento a distância. 

Além disso, Rigatto atuou na Escola de Medicina da PUCRS, buscando soluções para a migração ao sistema de ensino online e a incorporação de novas técnicas de ensino e aprendizado. 

Aproveitando a experiência de ensino a distância, publicou um capítulo em livro da Escola de Saúde Pública de Harvard, dos Estados Unidos. Para quem quiser saber mais, o título do livro é “Evidence-based analysis of technology in teaching & learning: The eeal effect of technology-based methods in educational programs” e o capítulo assinado por Rigatto é “Translating problem-based learning into a digital format: the digital problem-based learning” e está disponível no link  

Embaixadores brasileiros

A busca pela expansão dos horizontes tem levado médicos brasileiros para o exterior e muitos acabam permanecendo. E enchem o país de orgulho, em cargos de destaque de hospitais de renome, traçando trajetórias brilhantes.

Médicos brasileiros chefiando unidades de cirurgia nos Estados Unidos, Canadá, Qatar e Alemanha foram os convidados da Academia Nacional de Medicina, em Simpósio “A cirurgia brasileira no mundo” para apresentarem seus trabalhos em simpósio coordenado pelo ex-presidente Pietro Novellino e os acadêmicos José de Jesus Camargo e Rossano Fiorelli. 

Para o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., “são verdadeiros embaixadores brasileiros no exterior e que ainda somam ao receberem novas gerações de médicos que desejam se aperfeiçoar em outros centros médicos.” 

Entre os convidados, Rodrigo Vianna, formado na USP, e que hoje responde pelo maior centro de transplante de órgãos dos Estados Unidos, o do Miami Transplant Institute. Recheada de experiências, sua apresentação destacou os avanços tanto no transplante de rim, como de fígado e de intestino, assim como os perfis epidemiológicos das populações americana e brasileira e gastos em saúde em ambos os países.

A revolução tecnológica introduzida pela robótica na cirurgia pulmonar e os casos de transplante de pacientes com agravos pulmonares causados pela covid-19 foram apresentados pelo médico do Paraná, Tiago Nogushi Machuca, outro destaque brasileiro na Flórida.

O Honorário Estrangeiro da ANM, Tomas Salerno, hoje na Universidade de Miami, foi outro expoente da sessão. Em sua palestra “Enxergando além das lupas”, o brasileiro exibiu ainda, de forma clara e didática, uma rica cronologia das cirurgias cardíacas, traçando paralelos de comparação com os conhecimentos e técnicas da atualidade. 

E sobre os hospitais do futuro, o brasileiro Antonio Marttos, atualmente, no Ryder Trauma Center de Miami, mostrou como os hospitais estão conectados e oferecendo serviços de consultoria médica para outros profissionais de países distantes como Iraque, através de telemedicina, em apenas 15 minutos. 

O médico Robson Capasso, atuando na Escola de Medicina da Universidade de Stanford, abordou ecossistemas de inovação para aplicação na medicina e mostrou como empresas transnacionais e nacionais, que não são tradicionais da área da saúde, estão, cada vez mais, focadas em oferecer serviços médicos.

De Nova York, o médico Flavio Macher, do Albert Einstein College of Medicine, mostrou os tipos de inteligência artificial (IA) aplicadas à medicina: a IA assistida por robótica; a IA aumentada, na qual o robô auxilia o médico na tomada de decisão; e a IA autônoma, cuja autonomia é do robô que foi treinado pelos profissionais.

Canadá – Da PUC do Rio Grande do Sul para Toronto, o cirurgião Marcello Cypel foi outro convidado.  Cypel, é diretor cirúrgico da Universidade de Toronto. E apesar dos 15 anos no Canadá, jamais abandonou o Brasil em tempos críticos. No incêndio da boate Kiss, em 2013, veio diversas vezes ao país ajudar na recuperação dos jovens acidentados. Em sua palestra, histórias e avanços sobre transplante de pulmão, mudanças para preservação dos órgãos doados, estudos da fisiopatologia de cada órgão e a compatibilidade com os receptores desses enxertos.

Modelos de carreiras inspiradoras não faltaram durante a sessão. A médica Paula Ugalde, nascida no Chile, formada na Bahia e, atualmente, no Institut Universitaire de Cardiologie et de Pneumologie de Québec, no Canadá, foi outro destaque como palestrante. Ugalde reforçou os avanços nas cirurgias minimamente invasivas de pulmão e os resultados satisfatórios se comparados às cirurgias de peito aberto. 

Outro participante foi Stephan Soder, do Centre Hospitalier de lUniversité de Montréal, no Canadá, que apresentou tecnologias, minimamente invasivas, associadas a prática clínica para casos de câncer de pulmão. 

Outros destaques – Do Qatar, falou o médico brasileiro Sandro Rizoli. Especializado em serviços de trauma, Rizoli mostrou aspectos socioeconômico demográfico desse país da península arábica e como o sistema funciona articulado desde o momento do acidente nas ruas, a chamada emergencial, transporte e atendimento em uma abordagem global de cada paciente para estancar possíveis hemorragias. 

E de Berlim, o médico Ricardo Zorron abordou dogmas, ensinamentos e como pensar “não dentro da caixa e nem fora, mas sem caixas”. Mostrou de forma ilustrativa os avanços nas cirurgias bariátricas e outras que começaram experimentalmente no Rio de Janeiro e hoje são exemplos para o mundo.

Recentes progressos – Durante este dia, a ANM ainda promoveu a sessão de recentes progressos. E o câncer de fígado foi o tema central. “Avanços na terapia imunológica dos tumores de fígado” foi assunto da palestra do médico Fábio Marinho, do Real Hospital Português de Pernambuco. 

Marinho compartilhou importante inovação no tratamento de carcinoma hepático: a descoberta que a associação entre Atezolizumab e Bevacizumab oferece uma sobrevida superior à Sorafenib – droga de escolha desde 2008. “Para a primeira linha de tratamento dos pacientes com a doença, é um avanço que não se conquistava há décadas”, apontou.

O acadêmico Carlos Eduardo Brandão, aproveitou a ocasião, e destacou a conquista do Nobel de Medicina, neste ano, pelos médicos Harvey Alter, Michael Houghton e Charles Rice, que demonstraram que um vírus, até então desconhecido, era causa de hepatite crônica, além de terem isolado o genoma do vírus da hepatite C – avanços que permitiram grande redução da incidência de novos casos da doença e de diversas outras complicações do fígado.

A revolução tecnológica na medicina é uma realidade e os médicos brasileiros no exterior são motivos de orgulho para todos.

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