Área do acadêmico Transmissão ao vivo
EnglishPortuguêsEspañol

Prêmios em medicina

Já estão abertas as inscrições para os prêmios 2021 da Academia Nacional de Medicina. Dia 31/05/21 é a data limite de inscrições. 

Na edição deste ano, as categorias são: Prêmio Academia Nacional de Medicina – área de Medicina Clínica. Este é o prêmio máximo da ANM e consiste de diploma, medalha e apresentação do trabalho em sessão científica da ANM.

Os candidatos ainda podem concorrer aos Prêmios Presidentes ANM, incluindo Vicente Cândido de Figueira de Saboia, na área de Cirurgia; Francisco de Paula Cândico, na área de Medicina Clínica; Olympio Ribeiro da Fonseca, na área de Ciências Aplicadas à Medicina; e Prêmio Miguel Couto para o melhor trabalho de Patologia Humana ou Experimental.


Os trabalhos devem ser enviados por e-mail com a identificação dos autores e coautores (nome, endereço e telefone) no corpo do e-mail, para o endereço eletrônico: premio@anm.org.br, com o trabalho anexado. O autor deverá também indicar um pseudônimo e para qual prêmio estará concorrendo. 

O candidato deve ser médico nascido no Brasil, com trabalho elaborado no país ou no exterior, com ou sem coautores. Os coautores podem ser médicos ou não e brasileiros ou estrangeiros.

Os trabalhos devem ser originais e redigidos em português, podendo incorporar resultados de dissertações, teses ou artigos científicos, publicados nos últimos 12 meses.

Mais informações em https://www.anm.org.br/premios/.

Jovem Líder Médico lança livro

Fábio Moraes é médico e professor na Queens University do Canadá e também participa do Programa Jovens Lideranças Médicas da ANM. Fábio acaba de publicar um livro em colaboração com outros autores.

Speciality Portfolio in Radiation Oncology é o título do livro que traz um roteiro para certificação global de professores e alunos na área de radioterapia. 

Gratuito para download como e-book (https://qspace.qu.edu.qa/handle/10576/17692), o livro fornece um roteiro de treinamento que pode ser aplicado em muitas comunidades, especialmente aquelas com recursos limitados, para produzir profissionais de radioterapia qualificados, competentes e seguros. A ideia é ajudar a estabelecer programas de certificação baseados em competência padronizada e de aplicação global.

Radioterapia é um tratamento no qual se utilizam radiações ionizantes (raio X, por exemplo) para destruir um tumor ou impedir que suas células aumentem. A radioterapia é uma especialidade médica, um do 3 pilares no tratamento do câncer, e envolve treinamento em áreas como clínica médica, cirúrgica, patologia, imagem, física médica, biologia molecular, inovação, entre outras. A radioterapia junto com cirurgia são as modalidades de tratamento com maior índice de cura do câncer.  

No entanto, um guia de padronização para treinamento e mentoria em radioterapia globalmente não estava disponível. 

O portfólio foi criado usando de diferentes recursos bem estabelecidos neste campo, além de contar com o conhecimento de experts com conhecimento global (conta com autores da University of Ottawa (Canadá), Queens University (Canadá), University of Pittsburgh (EUA), University of California (EUA), Aswan University (Egito) e pode ser usado como um guia na criação, adaptação e refinamento dos programas de treinamento em radioterapia, ou como um modelo e guia de conteúdo para estudantes e residentes, ou por meio do uso de suas ferramentas pode facilitar a documentação e entendimento do processo de formação de especialistas no mundo. 

Em resumo, o livro é uma fonte de recursos que pode ser útil para professores e alunos que desejam atingir os marcos necessários para a formação de um profissional de alto impacto, o que contribuirá para o avanço da educação e da prática de oncologia em todo o mundo.

Lideranças inspiradoras

Como ser uma liderança inspiradora na área médica? Quais tipos de lideranças e como cada uma se desempenha em seu dia a dia? Qual a importância da oratória nas relações humanas? Estes e outros temas foram debatidos em livepromovida, no dia 25 de fevereiro de 2021, pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr, e uma das coordenadoras do Programa Jovens Lideranças Médicas da ANM, Patrícia Rocco.

O evento contou com as palestras inspiradoras dos convidados internacionais como Ruth Gotian, da Cornell University e Francis in Vericourt, de Berlim, que aproveitou a transmissão online para fazer jogos virtuais e discussão de casos e eventos médicos com os participantes. 

Gotian que é autora, educadora, coache palestrante falou sobre temas sensíveis e como se destacar em seu campo de atuação. Ressaltou aspectos relacionados à carreira de cientistas, inspirando os introvertidos e como podem incrementar redes de relações e iniciar conversações com outros profissionais desconhecidos. Ruth Gotian é daquelas palestrantes que atrai plateias e se destaca pela simpatia, finalizando com uma ótima dica: você não precisa ser o expertdo mundo, basta ser o expertno ambiente em que está.

Entre os brasileiros convidados, Ana Paula Alfredo, da Agrégat Consultoria, que descreveu diferentes tipos de líderes. Entre os citados, o carismático que tem alto desempenho e, ao mesmo tempo, satisfação dos liderados; a liderança transacional que tem foco nos resultados; a transformacional que inspira os seguidores a transcender seus próprios interesses; a autêntica que estabelece diretrizes sob bases éticas e de confiança. Outros tipos de lideranças são a compassiva e sábia; e o coachque procura a realização de objetivos e a remoção de obstáculos.

Lucas Campos, da empresa Jaleko, o maior grupo online de educação na área da saúde com mais de 100 mil seguidores, foi outro convidado do evento. Lucas falou sobre a importância da oratória e citou que, até para quem vende pipoca, o dom de falar bem é importante. Como ressaltou, falar bem não é uma mágica e persuadir é uma arte que tem na comunicação um importante alicerce.

Cada vez mais em voga, o tema da representatividade feminina também foi abordado na sessão. Aa médica Fernanda Cruz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e membro da primeira turma do Programa Jovens Lideranças Médicas, tocou nesse assunto de forma sagaz. 

Ela demonstrou como o debate é relevante e atual fazendo uma comparação entre duas imagens: uma conferência científica dos anos 1920, que conta com a presença de uma única mulher – a ilustre cientista Marie Curie – e uma imagem da reunião da ANM, após 100 anos, e na qual a presença feminina continua como minoritária. 

Fernanda traz dados da Unesco que apontam que apenas 28% das pesquisadoras no mundo são mulheres. A professora e pesquisadora, vencedora do prêmio Mulheres na Ciência 2018 com seu estudo sobre tratamentos menos invasivos para doenças respiratórias, conta que, ainda que a maioria dos profissionais da área biomédica seja de mulheres, há uma disparidade nos financiamentos de pesquisa. “Homens são maioria – uma proporção distante da realidade”, explica.

Em clima de preparação para a diplomação dos novos membros do Programa Jovens Lideranças Médicas, a sessão também contou com a participação do médico André Báfica, da Universidade Federal de Santa Catarina, que compartilhou sua jornada e experiência na turma pioneira da iniciativa (2015-2020), salientando a relevância do programa em sua trajetória profissional e para a própria medicina brasileira. 

Outro convidado foi Cesar Souza, do Grupo Empreenda, que deu seguimento à sessão com um debate edificante sobre o papel da liderança em momentos de crise – especialmente no cenário da covid-19, que colocou à prova os valores, propósitos e condutas de líderes em organizações. 

“Mais do que nunca, fica claro que não existe um único tipo ideal de liderança, mas um conceito ideal de liderança situacional. Líderes centralizadores assumem o protagonismo na hora de decisões difíceis. Já os participativos não correspondem à pressão do tempo e à velocidade com que precisam agir”, exemplifica o especialista.

O encerramento da sessão foi celebrado em grande estilo com a diplomação dos novos membros do Programa Jovens Lideranças Médicas. A Academia Nacional de Medicina dá os parabéns aos nomes que são o futuro da medicina brasileira: Alléxya Affonso, Antunes Marcos, Andreia Cristina de Melo, Antonio Camargo Martins, Daniel Kanaan, Daniel Vilarim Araújo, Heloisa Moraes do Nascimento, Salomão João Neves de Medeiros, José Mauricio Mota, Kallene Summer Moreira Vidal, Karina Tozatto Maio, Louise De Brot Andrade, Lucas Leite Cunha, Luiz Henrique Medeiros, Geraldo Marcelo Araújo Queiroz, Maria Helena da Silva Pitombeira Rigatto, Pedro Mario Pan Neto, Thiago de Azevedo Reis, Yuri Longatto Boteon.

Ser ou não ser?

O médico José Moura Neto, membro do Programa Jovens Lideranças Médicas, da Academia Nacional de Medicina, acaba de publicar um artigo no periódico Blood Purification com uma ótima repercussão. O artigo traz reflexões sobre a procura, cada vez menor, pela especialidade da nefrologia. “To be or not be a nephrologist; students’ dilemma and a strategy for the field” remete ao impasse na peça “A tragédia de Hamlet”, da obra de Shakespeare. 

Segundo ele, trata-se de um tema em destaque na nefrologia, tanto no Brasil como no mundo, que é a procura, cada vez menor, de médicos interessados na especialidade, o que preocupa diante da demanda crescente das afecções renais.

Moura Neto ainda se destacou, recentemente, ao assumir a vice-presidência do Nordeste da Sociedade Brasileira de Nefrologia, e tendo o acadêmico José H. Rocco Suassuna como diretor científico da mesma sociedade.

Moura Neto participou ativamente da elaboração de diretrizes e recomendações para medidas em unidades de diálise relacionadas à pandemia da covid-19 pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e contribuiu na elaboração de outros artigos da Força Colaborativa Covid Brasil.
Além de ter conquistado, em agosto de 2020, o título honorífico de Fellow da Sociedade Americana de Nefrologia.

O link para seu último artigo está disponível em https://www.karger.com/Article/FullText/513155.

Humanismo e espiritualidade

Espiritualidade e clínica terapêutica; Fé e ciência; Saúde e salvação são os temas deste imperdível Curso de Verão promovido pela Academia Nacional de Medicina. A live será nesta quinta (4/2), a partir das 17:00, nos canais da ANM: Facebook/acadnacmed ou pelo zoom/anmbr.

Entre os convidados o psicanalista e escritor Paulo Blank; o padre Paul Alexander Schweitzer, do Departamento de Matemática da PUC-RJ; Maria Clara Lucchetti Bingemer, do Departamento de Teologia da mesma universidade; e comentários do ex-presidente da ANM, Jorge Alberto Costa e Silva. O evento é gratuito e não precisa de inscrições. 

#saúde #esperitualidade #fé #ciência.

Serviço:
Data: 04/02/2021
Horário: 17:00
Local: Facebook/acadnacmed e zoom/anmbr

Humanismo & Medicina Narrativa

“Algumas mortes nos chocam mais do que outras, seja porque nos tocam mais individualmente ou porque movem uma parte maior da sociedade”. Com essas palavras, a acadêmica Talita Romero Franco abriu sua homenagem pessoal ao acadêmico Ricardo Cruz, que veio a óbito no final do ano passado. O depoimento ocorreu na sessão de Verão Humanismo & Medicina Narrativa, na última quinta-feira (28/1/21), destacando a brilhante atuação do médico em sua carreira e os impactos positivos causados pelo mesmo.

As apresentações foram abertas pela coordenadora e professora Ana Mallet, da UFRJ e Universidade Estácio de Sá, que compartilhou sua experiência com um grupo de humanidades e literatura – que deu a oportunidade de lançamento do livro ‘Literatura e Medicina: uma experiência de ensino’. Fazendo uma breve narração sobre a trajetória do acadêmico Ricardo Cruz, passando por seu casamento com sua ex-paciente, a professora tratou de trazer uma reflexão sobre Medicina Narrativa, cujo foco é na pessoa e não na doença. “Narrar é uma das formas pelas quais procuramos sentido nas nossas existências”, destacou.

A análise da narrativa da perspectiva da interação social foi o foco da apresentação de Branca Telles Ribeiro, da UFRJ/Lesley University/Cambridge. Os pilares principais residem nas noções que devem ser privilegiadas no olhar literário, sendo essas a perspectiva do observador ou do protagonista, as interações entre personagens e o contexto no qual as relações humanas são tecidas.

O estudante de medicina Laio Terranova emocionou a todos os presentes com um relato extenso e comovente sobre a anamnese atípica de um paciente, denominado N.D.L., usando das boas práticas da Medicina Narrativa, passando por sua história de vida até o momento em que, infelizmente, veio a óbito devido a um câncer.

Eloisa Groissman, da Uerj, recitou um poema para convidar os últimos participantes da noite. Munira Alex Proença, da UFRJ, deu seguimento com sua visão sobre a Medicina Narrativa, afirmando que, embora a doença ocupe um lugar, a ênfase se dá nas pessoas do paciente e do médico – portanto, na conhecida relação médico-paciente, que serve para fornecer dados importantes no diagnóstico e para conduzir a boa execução do trabalho assistencial exigido.

A sessão foi encerrada por Ivan Antonello, da PUC-RS, que compartilhou sua experiência com um paciente no qual se viu em posições “alteradas”, uma vez que o sofrimento do diagnóstico foi sentido por ele, o médico. “É muito importante percebermos que nós somos médicos, enfermeiros, profissionais de saúde, mas nós também podemos ser pacientes numa relação com o outro”, finalizou.

Cirurgia laparoscópica de forma didática e ilustrada

Durante a sessão científica da ANM, realizada no dia 29 de outubro de 2020, o acadêmico Rossano Fiorelli, lançou o livro “Cirurgia laparoscópica ilustrada: bases técnicas”, o qual divide a coautoria com o cirurgião Renan Couto, ambos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. 

 “Este livro não é somente prefaciado, mas dedicado ao mestre Pietro Novellino, ex-presidente da Academia Nacional de Medicina, pois foi escrito por três gerações de cirurgiões que foram seus alunos”, enfatizou Fiorelli.

Pietro Novellino, o grande homenageado no prefácio, comenta que a obra é enriquecedora mesmo para os iniciantes ou os que não têm formação cirúrgica. “Apresentar essa obra na Academia enaltece seus autores e enaltece a nossa instituição”, finaliza.

O acadêmico Rubens Belfort, presidente da Academia Nacional de Medicina, ressaltou a grande evolução da cirurgia laparoscópica nos últimos anos e reconheceu a excelência da obra. “Sem dúvida, este tipo de livro ajuda a medicina brasileira e, dessa maneira, evidentemente, contribui com os objetivos da nossa Academia”.

A publicação também contou com a participação de diversos professores do Departamento de Cirurgia Geral e Especializada e do Mestrado Profissional em Técnicas Assistidas e Minimamente Invasivas da UniRio. 

O cirurgião esclarece que a intenção do livro é apresentar ao leitor os conceitos mais importantes da laparoscopia de forma didática e ricamente ilustrada, contando com 485 ilustrações feitas à mão ao longo de 360 páginas.

Com a palavra, o também autor e pesquisador Renan Couto comentou que a ordem dos capítulos foi planejada da forma mais intuitiva possível, pois é organizada de tal forma que segue o fluxo habitual de uma cirurgia, desde a preparação da sala e dos equipamentos até os cuidados pós-operatórios.

Embaixadores brasileiros

A busca pela expansão dos horizontes tem levado médicos brasileiros para o exterior e muitos acabam permanecendo. E enchem o país de orgulho, em cargos de destaque de hospitais de renome, traçando trajetórias brilhantes.

Médicos brasileiros chefiando unidades de cirurgia nos Estados Unidos, Canadá, Qatar e Alemanha foram os convidados da Academia Nacional de Medicina, em Simpósio “A cirurgia brasileira no mundo” para apresentarem seus trabalhos em simpósio coordenado pelo ex-presidente Pietro Novellino e os acadêmicos José de Jesus Camargo e Rossano Fiorelli. 

Para o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., “são verdadeiros embaixadores brasileiros no exterior e que ainda somam ao receberem novas gerações de médicos que desejam se aperfeiçoar em outros centros médicos.” 

Entre os convidados, Rodrigo Vianna, formado na USP, e que hoje responde pelo maior centro de transplante de órgãos dos Estados Unidos, o do Miami Transplant Institute. Recheada de experiências, sua apresentação destacou os avanços tanto no transplante de rim, como de fígado e de intestino, assim como os perfis epidemiológicos das populações americana e brasileira e gastos em saúde em ambos os países.

A revolução tecnológica introduzida pela robótica na cirurgia pulmonar e os casos de transplante de pacientes com agravos pulmonares causados pela covid-19 foram apresentados pelo médico do Paraná, Tiago Nogushi Machuca, outro destaque brasileiro na Flórida.

O Honorário Estrangeiro da ANM, Tomas Salerno, hoje na Universidade de Miami, foi outro expoente da sessão. Em sua palestra “Enxergando além das lupas”, o brasileiro exibiu ainda, de forma clara e didática, uma rica cronologia das cirurgias cardíacas, traçando paralelos de comparação com os conhecimentos e técnicas da atualidade. 

E sobre os hospitais do futuro, o brasileiro Antonio Marttos, atualmente, no Ryder Trauma Center de Miami, mostrou como os hospitais estão conectados e oferecendo serviços de consultoria médica para outros profissionais de países distantes como Iraque, através de telemedicina, em apenas 15 minutos. 

O médico Robson Capasso, atuando na Escola de Medicina da Universidade de Stanford, abordou ecossistemas de inovação para aplicação na medicina e mostrou como empresas transnacionais e nacionais, que não são tradicionais da área da saúde, estão, cada vez mais, focadas em oferecer serviços médicos.

De Nova York, o médico Flavio Macher, do Albert Einstein College of Medicine, mostrou os tipos de inteligência artificial (IA) aplicadas à medicina: a IA assistida por robótica; a IA aumentada, na qual o robô auxilia o médico na tomada de decisão; e a IA autônoma, cuja autonomia é do robô que foi treinado pelos profissionais.

Canadá – Da PUC do Rio Grande do Sul para Toronto, o cirurgião Marcello Cypel foi outro convidado.  Cypel, é diretor cirúrgico da Universidade de Toronto. E apesar dos 15 anos no Canadá, jamais abandonou o Brasil em tempos críticos. No incêndio da boate Kiss, em 2013, veio diversas vezes ao país ajudar na recuperação dos jovens acidentados. Em sua palestra, histórias e avanços sobre transplante de pulmão, mudanças para preservação dos órgãos doados, estudos da fisiopatologia de cada órgão e a compatibilidade com os receptores desses enxertos.

Modelos de carreiras inspiradoras não faltaram durante a sessão. A médica Paula Ugalde, nascida no Chile, formada na Bahia e, atualmente, no Institut Universitaire de Cardiologie et de Pneumologie de Québec, no Canadá, foi outro destaque como palestrante. Ugalde reforçou os avanços nas cirurgias minimamente invasivas de pulmão e os resultados satisfatórios se comparados às cirurgias de peito aberto. 

Outro participante foi Stephan Soder, do Centre Hospitalier de lUniversité de Montréal, no Canadá, que apresentou tecnologias, minimamente invasivas, associadas a prática clínica para casos de câncer de pulmão. 

Outros destaques – Do Qatar, falou o médico brasileiro Sandro Rizoli. Especializado em serviços de trauma, Rizoli mostrou aspectos socioeconômico demográfico desse país da península arábica e como o sistema funciona articulado desde o momento do acidente nas ruas, a chamada emergencial, transporte e atendimento em uma abordagem global de cada paciente para estancar possíveis hemorragias. 

E de Berlim, o médico Ricardo Zorron abordou dogmas, ensinamentos e como pensar “não dentro da caixa e nem fora, mas sem caixas”. Mostrou de forma ilustrativa os avanços nas cirurgias bariátricas e outras que começaram experimentalmente no Rio de Janeiro e hoje são exemplos para o mundo.

Recentes progressos – Durante este dia, a ANM ainda promoveu a sessão de recentes progressos. E o câncer de fígado foi o tema central. “Avanços na terapia imunológica dos tumores de fígado” foi assunto da palestra do médico Fábio Marinho, do Real Hospital Português de Pernambuco. 

Marinho compartilhou importante inovação no tratamento de carcinoma hepático: a descoberta que a associação entre Atezolizumab e Bevacizumab oferece uma sobrevida superior à Sorafenib – droga de escolha desde 2008. “Para a primeira linha de tratamento dos pacientes com a doença, é um avanço que não se conquistava há décadas”, apontou.

O acadêmico Carlos Eduardo Brandão, aproveitou a ocasião, e destacou a conquista do Nobel de Medicina, neste ano, pelos médicos Harvey Alter, Michael Houghton e Charles Rice, que demonstraram que um vírus, até então desconhecido, era causa de hepatite crônica, além de terem isolado o genoma do vírus da hepatite C – avanços que permitiram grande redução da incidência de novos casos da doença e de diversas outras complicações do fígado.

A revolução tecnológica na medicina é uma realidade e os médicos brasileiros no exterior são motivos de orgulho para todos.

Academia assume Alanam

Em outubro foi realizada a reunião da Asociación Lationamericana de Academias Nacionales de Medicina, Espanha e Portugal (Alanam), sob a presidência da brasileira Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Jr, a partir de agora, tem a dupla missão de presidir a instituição nacional e a Alanam.

 A Alanam reúne, além do Brasil, as academias do Chile, Uruguai, Paraguai, Equador, Costa Rica, Bolívia, Colômbia, México, Argentina, Venezuela, Peru, e República Dominicana e mais Portugal e Espanha.

   – A Academia Nacional de Medicina, com seus 191 anos, e os 100 acadêmicos, que representam os 500.000 médicos do Brasil, têm a honra e sabem desta grande responsabilidade. Belfort aproveitou o evento e ainda apresentou, de forma sucinta, a situação da covid-19 no Brasil, ressaltando aspectos da geopolítica e da epidemiologia da doença.

 –  A dimensão continental do Brasil e a grande disparidade econômica regional fez com que a epidemia se manifestasse em tempo diferente e com uma variedade grande de intensidade e mesmo mortalidade. Um foco que, inicialmente, não foi considerado importante foi na Amazônia, totalmente inesperado. A epidemia rapidamente ganhou dimensão muito grande na região Amazônica brasileira.

Para o presidente Belfort, várias lições foram aprendidas durante a epidemia por covid-19 e continuam importantes. Uma delas, segundo ele, é que temos que pensar globalmente, mas agir localmente, e a estratégia atual é levar em consideração a situação de mini regiões. Além disso, refletiu sobre as disparidades muito grandes entre ricos e pobres. Para ele, a próxima fase fundamental é pensar em vacinação.

 –  Acredito que a próxima etapa, e também isto se relaciona à toda América Latina, é discutirmos as vacinas. A Academia Nacional de Medicina do Brasil, desde março, teve importante liderança na informação e educação da sociedade sobre esses diferentes aspectos. Realizamos vários simpósios internacionais, inclusive com o apoio da Alanam, e atualmente nossos esforços estão relacionados às vacinas. Acreditamos que nos próximos muitos meses teremos que liderar e discutir as vacinas em relação a: qual, quando e como?            

 O presidente Belfort apontou ainda que a epidemia vai continuar durante muitos meses e não basta apenas termos dados descritivos da situação. Os números são mais ou menos os mesmos nos diferentes países e a problemática, acredita, é a de tentar resolver, tentar descobrir soluções. E para terminar seu discurso de posse, agradeceu ao presidente anterior da Academia Nacional de Medicina, o acadêmico Jorge Alberto Costa e Silva, pelo empenho na representatividade brasileira na organização e parabenizou o presidente Horácio Toro que o antecedeu na Alanam.     

Para melhorar sua experiência de navegação, utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes. Ao continuar, você concorda com a nossa política de privacidade.