Entidades científicas discutem o futuro da pesquisa no país

20/08/2015

O recente corte de recursos do governo federal para as áreas de Pesquisa e Pós-Graduação pode comprometer de maneira profunda o futuro da medicina no país. A Academia Nacional de Medicina (ANM), a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), com seus presidentes Francisco Sampaio, Jacob Palis e Helena Nader, se reuniram na quinta-feira, 20 de agosto, para discutir a questão e formular um documento que será encaminhado ainda na próxima semana a diversas esferas do poder executivo protestando, entre outros temas, contra a restrição de recursos na ordem de 75% no Programa de Apoio à Pós-Graduação (Proap), mantido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), instituição do Ministério da Educação (MEC) responsável por financiar programas de mestrado e doutorado. O simpósio “Financiamento à pesquisa e à pós-graduação: problemas e perspectivas face à nova realidade econômica” reuniu mais de cem pessoas na sede da ANM entre acadêmicos, representantes de diferentes instituições, médicos e estudantes.

– Os investimentos em pesquisa e pós-graduação são estratégicos para o desenvolvimento social e econômico de nosso país e o seu corte compromete todo o futuro da nossa ciência e saúde – afirmou o Presidente da Academia Nacional de Medicina, Francisco Sampaio.

A presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, apresentou uma série de dados sobre a situação da pesquisa e da pós-graduação no país. De acordo com um levantamento realizado pela Capes, houve um aumento de 209% na oferta de programas de pós-graduação no país desde 2003. Já na área de pesquisa, o Brasil ocupa hoje a 15ª posição mundial em relação à quantidade de trabalhos científicos publicados na mídia especializada. Helena Nader, no entanto, ressalta que, antes mesmo dos cortes ocorrerem, o Brasil já investia muito menos que os demais países do grupo Brics, formado pelas economias emergentes. Precisamos cada vez mais apostar no setor industrial. De importador de alimentos nos anos 1960, o país se tornou um dos líderes na produção e exportação de produtos agropecuários, graças às atividades da Embrapa e das escolas de ciências agrárias e veterinárias. Já no setor industrial, o Brasil vem se caracterizando como grande importador, principalmente de produtos com maior valor agregado (alta e média-alta intensidades tecnológicas).

– O Brasil precisa incrementar suas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação para melhorar sua competitividade e gerar mais divisas por meio de produtos – afirmou Helena Nader.

O presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis, propôs que os gastos em ciência e tecnologia passem a ser equivalentes a 2% do Produto Interno Bruto. Para recuperar a participação do país no quadro mundial, segundo ele, precisaríamos, a curto prazo, conseguir um empréstimo de organismos internacionais como o Banco Mundial ou o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele defendeu também que, ao invés de fazer cortes, o governo federal deveria estimular com abatimento no imposto de renda, uma prática que em países como os Estados Unidos é muito comum: as doações de empresas particulares ou pessoas físicas às instituições de pesquisa. Ressaltou ser fundamental a manutenção do portal de Periódicos Capes, de grande importância para atualização de nossos cientistas através de acesso a uma gama substancial de revistas científicas.

– É fundamental que tenhamos uma agenda comum e uma voz única diante deste cenário – disse Palis, referindo-se ao encontro na Academia Nacional de Medicina.

As sugestões apresentadas durante o encontro foram analisadas e consideradas na elaboração do documento, que será encaminhado ao governo.

Confira o Documento Oficial do Simpósio.

Da esquerda para a direita: Acadêmicos Eliete Bouskela e Antonio E. Nardi, Helena Nader (Presidente da SBPC), Acadêmico Franciso Sampaio (Presidente da ANM), Jacob Palis (Presidente da ABC) e Acadêmicos Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro, Nestor Schor e Jerson Lima

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