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A Pandemia e A Literatura

16/07/2020

De Shakespeare ao novo coronavírus

O que a literatura das pandemias de séculos passados pode nortear reflexões atuais sobre o novo coronavírus?

Academias Nacional de Medicina (ANM), Brasileira de Ciências (ABC) e de Ciências Farmacêuticas do Brasil (ACFB) promoveram live em julho (16) sobre literatura e pandemias.

Para o presidente da ANM, Rubens Belfort Jr., “a literatura é um marco na história que nos ajuda a interpretar o presente. Por isso, revisitar outras epidemias descritas por grandes escritores é motivo desse nosso próximo debate. A organização do evento foi dos acadêmicos Gilberto Schwartsmann e Ricardo Lopes Cruz, também secretário geral da ANM.

Onde a literatura tange a medicina? Não são só nas histórias fictícias que é possível encontrar muita emoção, humanidade e clímax, por exemplo. A vivência médica também está cheia dessas circunstâncias dignas de clássicos literários. 


Foi assim, construindo pontes e paralelos entre a realidade da medicina e a literatura, que os membros da Academia Nacional de Medicina e da Academia Brasileira de Letras (ABL) conduziram a 19ª sessão ordinária da ANM. 

Traçando comparativos entre ficção e realidade, o romance “A Peste”, escrito em 1974 por Albert Camus, relata uma epidemia em um dos primeiros anos da década de 40 com diversos acontecimentos similares ao que vivenciamos hoje com a pandemia de SARS-Cov-2. Para o acadêmico da ANM, José Osmar Medina Pestana, “a mensagem central é que a vida vale a luta mesmo quando a natureza está nos assaltando.”


Inspirada na obra Decameron de Giovani Boccaccio, a escritora Nélida Piñon, membro da ABL, foi uma das convidadas. Nélida abordou a literatura e sua capacidade extraordinária de jamais se calar. “Ela capta todos os meandros e todos os sintomas da sociedade. Por tanto, graças a um grande texto literário a realidade não se esvai, não desaparece.”

Decameron é uma coleção de cem novelas escritas por Giovanni Boccaccio entre 1348 e 1353. O livro é estruturado como uma história que contêm 100 contos contados por um grupo de sete moças e três rapazes que se abrigam em uma vila isolada de Florença para fugir da peste negra, que afligia a cidade.

A metáfora do homem contra a força da natureza, retratada em várias obras literárias durante séculos, como por exemplo, Moby Dick, de Herman Melville; Romeu e Julieta, de William Shakespeare; Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, entre outros clássicos, ainda permeou os debates que refletiram sobre a incapacidade do homem de dominar a natureza. Um bom exemplo nos tempos atuais é a pandemia provocada pelo novo coronavírus. 

O simpósio ainda contou com os outros membros da ABL como Geraldo Carneiro e Domício Proença, além de médicos como Margareth Dalcolmo, da Fundação Oswaldo Cruz e o acadêmico José de Jesus Camargo.


Confira a íntegra abaixo: