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Academia Nacional de Medicina realiza Simpósio sobre o Abdome Agudo

12/09/2019

Com quórum regimental, o Presidente Acad. Jorge Alberto Costa e Silva, declarou aberta a 41º Sessão Ordinária, relativa ao 190º ano Acadêmico, seguindo com a anciã tradição da Academia de realizar sessões semanais ininterruptas na qual abre seu espaço para a discussão e aprendizados na área da saúde. Esta sessão teve início com a breve apresentação dos organizadores e moderadores palestrantes do dia, passando a palavra para o secretário geral; o Acadêmico José Galvão -Alves.

Na Mesa Diretora do Simpósio, os Acadêmicos Octavio Vaz, José Galvão-Alves, Jorge Alberto Costa e Silva e José Augusto Messias

O Acadêmico segue por congratular aos seus acadêmicos e companheiros de organização, o Acadêmico Octávio Vaz e Celso Portela. O Acadêmico José Augusto Messias fala por um momento sobre uma publicação datada no ano de 1921, um opúsculo que foi reeditado por diversas vezes, sendo um monumento para o assunto do simpósio.

A primeira apresentação do evento é realizada pelo Drº. Antônio José Carneiro, doutor em Clínica Médica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999), atualmente é Professor Associado da mesma instituição. Possui experiência na área de Medicina com ênfase em Gastroenterologia, atuando principalmente com Clínica Médica, Gastroenterologia, terapêutica e diagnóstico de doenças inflamatórias intestinais.

Seu elóquio se inicia com uma breve descrição da diverticulose, que resulta de uma perfuração microscópica ou macroscópica de um ou mais divertículos devido a inflamação e necrose focal, além da diferença entre a Colite Diverticular, e a Doença Diverticular não complicada sintomática, seguindo por um leve lembrete da anatomia dos divertículos. Após breves explicações, segue para o esclarecimento da Fisiopatologia da diverticulose, aonde um fator de risco é a dieta ocidentalizada, na qual é pobre em fibras.

Baseando-se em novas descobertas abordadas recentemente, o Drº. Carneiro afirma que além dos fatores já citados como as drogas, alterações da mutilidade colônica, sistema neuroentérico, hipersensibilidade viral, alterações no microbioma intestinal e genética notou que nos pacientes com SUDD e hipersensibilidade, houve um aumento significativo da dor na sigmoide e reto, assim como a alteração em inervação entérica após o episódio.

Mediante a isso, defende que não há necessidade e nem estudos que comprovem que pacientes que sofrem de Doença Diverticular precisam evitar o consumo de grãos, baseando-se num estudo do ano de 2008 que prova que não há associação entre o consumo de nozes, milho ou pipoca e a diverticulite ou hemorragia de origem diverticular.

A conclusão de sua apresentação consiste em relembrar o avanço dos conhecimentos sobre a fisiopatologia da Doença Diverticular do Cólon e da Diverticulite nos últimos anos, o importante papel de fatores ambientais, a alteração da motilidade colônica e na sensibilidade visceral que vêm sendo enriquecidos por novas evidências. Ao fim, afirma que os mecanismos imunológicos, associações genéticas e alterações de microbioma intestinal estão implicados na sua fisiopatologia. O Doutor agradece brevemente aos presentes e dá a palavra para o Professor Drº. Marcelo Enne.

O Professor Doutor Marcelo Enne possui Mestrado em Cirurgia Geral / Setor Abdominal pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999). Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Cirurgia Hepatobiliar, atuando principalmente nos seguintes temas: Fígado e Cirurgia Hepatobiliar. Ministra aulas como Professor da Disciplina de Cirurgia da Universidade Estácio de Sá e também atua como Cirurgião do Serviço de Cirurgia na Seção Hepatobileopancreática do Hospital Federal de Ipanema no Rio de Janeiro.

Sua apresentação se inicia com agradecimentos aos acadêmicos e demais presentes, descrevendo um caso de seu paciente diagnosticado com Colescistite Aguda; um homem de 86 anos que apresentava dores abdominais, vômitos e febre ao longo de 3 dias seguidos, sem nenhum sinal da doença na primeira examinação. O mesmo apresenta os Tokyo Guidelines de 2007, 2013 e 2018, e explica as vantagens da Colecistectomia Percutânia seriam o fácil acesso, uma elevada taxa de sucesso e apenas a necessidade de anestesia local. No grau III seria recomendado uma drenagem da vesícula biliar. Sua apresentação termina com um vídeo em detalhes da cirurgia de Colecistectomia Percutânia e agradecendo a grande honra que foi apresentar a sua tese.

O Acadêmico Moderador chama a frente o Acadêmico Eduardo Lopes Pontes, graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1975. Obteve Doutorado em Clínica Médica pela Universidade de Oxford (1982), defendendo tese intitulada “Local Immune Responses in Ulcerative Colitis”.

O Acadêmico apresenta o tema Megacolon Tóxico, apresentando a ideia básica sobre abdômen agudo, já descrito anteriormente durante o simpósio. Após explicar as origens do termo Megacolon tóxico usando uma imagem de um caso como exemplo visual. A incidência da doença é de 1% a 6% em todos os pacientes hospitalizados por DII e 10%-20% naqueles com doença fulminante. O Acadêmico afirma que a patogênese do Megacolon é ainda desconhecida, porém há hipóteses sobre a extensão da inflamação na camada muscular lisa da parede intestinal, que leva a disfunção, relaxamento e dilatação subsequente do cólon.

Sua conclusão é baseada na afirmativa de que o Megacolon Tóxico é uma emergência médica, de tratamento mais precoce possível, considerando-se a alta taxa de mortalidade, em especial na perfuração intestinal ou sepsis. O Acadêmico agradece brevemente e termina a sua apresentação.

O Acadêmico José-Galvão Alves graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1976). Fez Residência na especialidade de Clínica Médica no Hospital São Francisco de Assis e no Hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Especializou-se em Gastroenterologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1980, onde também cursou mestrado em Gastroenterologia em 1982. No mesmo ano, realizou um “update in internal medicine”, pela Harvard Medical School. Concluiu Doutorado em Gastroenterologia pela Universidade Federal de Minas Gerais e leciona em diversas universidades desde 1980.

O tema cabido ao Acadêmico é sobre a Pancreatite Aguda de Etiologia Obscura Idiopática, sendo uma consequência do abdômen agudo, aonde a etiologia não identificada leva a um tratamento errôneo. Suas etiologias são: biliar, álcool, hipertrigliceridemia, drogas, tumores, trauma, pós-operatório infecção e doenças autoimunes, sendo sua causa mais comum a micro litíase em 70% a 80% dos casos.

É afirmado que o diagnóstico da doença é feito por meio de ultrassom, aspiração biliar duodenal, CPRE + bile e eco endoscopia, na maior parte dos casos. A Manometria Endoscópica é dita como o padrão-ouro para a disfunção, mesmo sendo pouco disponível para pacientes e de difícil realização. O Acadêmico fala brevemente do Pâncreas Divisum, doença facilmente diagnosticada e tratável, sendo mais comum na má formação congênita do pâncreas. Também ilumina a Pancreatite Hereditária, doença genética autossômica dominante, que deriva do gene do tripsinogênio catiônico. Sua avaliação básica consiste de ultrassom e tomografia computadorizada como exames básicos, seguido de uma endoscopia e por último a avaliação genética do paciente. O Acadêmico José-Galvão Alves agradece a todos brevemente e encerra sua fala.

A sessão se encerra brevemente para um intervalo, sendo retomada pelo Presidente, introduzindo o coordenador-moderador Carlos Vieira, que dá início as apresentações, dando a palavra ao Acadêmico Celso Portela, graduou-se em Medicina pela Faculdade Nacional de Medicina em 1961 e doutorou-se em Medicina pela Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, atual UNIRIO (1968). Também atuou como livre-docente em Clínica Cirúrgica pela Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro (1969) e é especialista em Cirurgia Geral conferido pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

O tema abordado é a Isquemia Aguda Mesentérica, ressaltando as incertezas do diagnóstico tardio e alta mortalidade em meio de toda a sofisticação da terapia intensiva. A doença afeta pacientes de 70 anos ou mais, doentes portadores de doenças relacionadas ao coração e doenças hematológicas. Ao final, o Acadêmico dá grande foco a cirurgia de dois tempos, solução para um problema antes insolúvel e extremamente complicado. Iluminando o transplante intestinal que seria a solução definitiva para todas as complicações da doença, porém esta ainda não se encontra refinada o suficiente para ser realizada.

A próxima palestra foi realizada pelo Acadêmico Octavio Pires Vaz, graduado em Medicina em 1972 pela Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, com Mestrado pela University of Illinois em Chicago (1987). Tornou-se especialista em Cirurgia Geral pelo CBC em 1976 e especialista em Cirurgia Oncológica na Área de Cirurgia Geral (1997). Além disso, obteve o grau de especialista em Cirurgia Vídeoendoscópica (1997) pela European Accreditation Council for continuing Medical Education e pelo European Institute of TeleSurgery (2010).

O Acadêmico chama atenção a importância do tema e como ele afetará a população em 2050, aonde 22% da população corresponderá a pessoas idosas, uma porcentagem maior de que pessoas com 15 anos de idade. Ele aponta as diferenças entre a doença de abdome agudo em um paciente idoso e um jovem, apontando a diferença da taxa de mortalidade; 33% dos pacientes idosos vêm a óbito, por uma procura tardia causada por uma série de fatores que afetam a população idosa atual que resultam nessa porcentagem tão grande. Sua apresentação vem ao fim com uma pesquisa do IBGE da expectativa de vida da população brasileira no ano de 2060, aonde mulheres viverão na média de 84,4 anos, enquanto os homens viverão em todo de 73,03 anos.

A sessão do dia 12 de setembro de 2019 é encerrada com uma breve discussão sobre o tema por meio dos Acadêmicos após um satisfatório simpósio concluído novamente, contribuindo para com a tradição da Academia Nacional de Medicina.