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Academia Nacional de Medicina sedia o II Congresso Sul-Americano das Academias de Medicina

31/10/2019

As atividades científicas da Academia Nacional de Medicina na última quinta-feira (31) foram dedicadas ao II Congresso Sul Americano das Academias de Medicina, onde reuniu especialistas de diversas áreas, discutindo os principais desafios e perspectivas futuras para o ramo da medicina.

A primeira palestrante é a Professora Doutora Vilma Câmara, da Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, que possui graduação em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (1969), mestrado em Medicina Neurologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1981) e doutorado em Medicina Neurologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992). Também possui pós-graduação em Saúde do Idoso – ENSP-FIOCRUZ (1994), é Prof.ª Emérita da UFF (2015), membro titular da Academia Brasileira de Neurologia, membro da ASPI/UFF, e Presidente da ABRAZ do Rio de Janeiro (2016).

O Acadêmico e ex-Presidente organizou e conduziu os trabalhos do II Congresso Sul Americano das Academias de Medicina

“Particularidades do envelhecimento saudável” é o tema apresentado pela doutora, que explica brevemente que o envelhecimento é um fenômeno universal nos seres vivos, o separando em dois tipos, O envelhecimento usual, que é mais comum, causado por fatores extrínsecos como dieta, sedentarismo e causas psicológicas que aumentam os efeitos adversos do envelhecimento; e o envelhecimento bem sucedido, caracterizado com baixo risco de doenças, incapacidades funcionais, excelente funcionamento físico e vida ativa.

São apontadas propostas de ações para o envelhecimento saudável, como a promoção da saúde, prevenção de doenças, conscientização de cidadania, manter-se independente e ativo, fortalecer a promoção de saúde e políticas de prevenção, melhora na qualidade de vida, equilíbrio do papel da família e do Estado para o cuidado, e por fim incentivar o papel de cuidar que o idoso realiza.

O envelhecimento ativo é conceituado como o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, visando melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas, e tem como objetivo de aumentar a expectativa e qualidade de vida. Sua abordagem apoia a responsabilidade dos idosos no exercício de sua participação nos processos políticos e em outros aspectos da vida em comunidade.

O desempenho funcional pode ser influenciado por incapacidade física, inabilidade cultural, impossibilidade de acesso a um ambiente saudável, devendo ser levados em consideração nos avanços na atenção com os idosos, já que o grande objetivo é uma sobrevida maior, acompanhada de uma qualidade de vida melhor.

Dando seguimento à programação, a Professora Yolanda Porchat dá foco as políticas que auxiliam no envelhecimento saudável, diminuindo mortalidade infantil, e buscam o envelhecimento ativo no Brasil. As estratégias políticas para com o desenvolvimento do envelhecimento saudável e ativo, levando-se em consideração nas doenças prevalentes no envelhecimento para com evita-los ou trata-los. Seu discurso é curto, porém mostra a importância dos avanços e cuidados para com o envelhecimento no Brasil.

Prosseguindo com as apresentações, o próximo palestrante é o Acadêmico Gerson Canedo, graduado pela Faculdade Nacional de Medicina em 1962, quando recebeu o prêmio Universidade do Brasil, reservado aos 10 melhores alunos da turma, pela sua classificação com distinção. Interno da 5ª Cadeira de Clínica Médica da Faculdade Nacional de Medicina (Professor Luiz Gentil Feijó) de 1959 a 1962. Concluiu o curso de pós-graduação no Instituto de Neurologia da Universidade de Londres e realizou estágios por concursos na Prefeitura do Rio de Janeiro e no antigo SAMDU, consagrando-se à Clínica Médica, particularmente à Neurologia Clínica, ligando-se ao corpo docente da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ desde 1963, por onze anos.

Em seu discurso ressalta a Ikigai e as “Bases Biológicas da Longevidade”. Ikigai é uma palavra japonesa que significa “razão de viver”, “objeto de prazer para viver” ou “força motriz para viver”. Existem várias teorias sobre essa etimologia, de acordo com os japoneses, todos têm um ikigai, e descobrir qual é o seu requer uma profunda e, muitas vezes, extensa busca de si mesmo.

Os telômeros são estruturas constituídas por fileiras repetitivas de proteínas e DNA não codificante que formam as extremidades dos cromossomos. Sua principal função é impedir o desgaste do material genético e manter a estabilidade estrutural do cromossoma. O Acad. Canece indagou se o uso da telomerase seria correto para manter tais estruturas, pois a telomerase é tem como função adicionar sequências específicas e repetitivas de DNA à extremidade 3′ dos cromossomos, onde se encontra o telômero é conhecida como uma causa de câncer.

A apresentação seguinte é do Dr. Ricardo de Oliveira, que fala sobre “Demência: Patogênese, Diagnóstico e Tratamento”. O conceito de demência evoluiu desde 1835, e hoje é dito como o comprometimento cognitivo global ao exame clínico, com preservação da vigília e impacto no desempenho das atividades cotidianas. O doutor exemplifica o caso de um paciente de dificuldade progressiva de se fazer entender e ser entendido. O palestrante apresenta duas características, a primeira é que como se faltasse atenção para com o paciente, porém o mesmo não fala coisas com sentido; palavras se tornando cada vez mais ambíguas.

Existem fragmentos de um significado, contudo não o suficiente para se fazerem total sentido. Ele fala da apraxia, integralmente relacionado ao uso de objetos. Destaca estudo blocado em que o paciente fazia uso de 3 ferramentas em sequência, e notou-se que o lobo parietal esquerdo, que controla as memórias fora ativado, além do sulco interparietal. Quando o indivíduo apenas pensa em usar o objeto não há diferença entre pensar e executar a tarefa.

Ele faz comparação entre as teorias de Demência de Pierre Marie e as Síndromes Cognitivas de Domínio-Específico de Hugo Liepmann, afirmando que é incrível como Pierre não entende que é precisamente a remoção da afasia e apraxia que atrapalha o progresso do conceito de demência, e é o que prevalece hoje. A demência é uma junção de afasia, apraxia, disexecutivo, amnésia e agnosia. Ainda discorre sobre a Doença de Alzheimer, um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória, comprometimento progressivo das atividades de vida diária e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais. Entra também em detalhes sobre o Complexo Pick-Demência frontotemporal e sua diferença do Alzheimer, aonde o paciente tem alucinações visuais vespertinas e noturnas, distúrbio do sono REM e a piora intermitente da confusão mental com duração de 3-7 dias. O doutor finaliza falando sobre tratamentos farmacológicos, ergonômicos, aconselhamento genético e legal.

O Acadêmico Gerson Canedo volta a se apresentar, desta vez sobre a demência, em especial falando sore doenças de Alzheimer e Síndrome de Down e a relação entre as mesmas, a menção de envolvimento genético, que vem associado a uma demência frontotemporal. O Acadêmico menciona os príons, forma aberrante de uma proteína normal, capaz de replicar-se sem nenhuma informação genética, encontrada em placas de amiloide, sendo agente infeccioso responsável por doenças degenerativas do sistema nervoso, sendo caracterizado como um fenômeno do próprio doente.

O Doutor Fernado Lanas Zenetti, Ph.D. da Faculdade de Medicina e Universidade de La Frontera Temuco, Chile discorre sobre “Atualizações em métodos invasivos desfibrilador, marca-passo e ablações”. O início de sua apresentação retrata a história do marca-passo, criado por John Alexander Hopps em 1950, mostrando os marca-passos intracardíacos usados atualmente, que não fazem uso de eletrodos e tem uma bateria de 10 anos. O Dr. reflete sobre a terapia de ressincronização em pacientes com insuficiência cardíaca, consistindo no remodelamento cardíaco e a sua relação com a estimulação de HIS. Um leve foco é dado as caudas de morte súbita cardíaca e a enorme diferença entre os grupos de risco, através de gráficos. O doutor conclui sua apresentação estatuando três fatos; o marca-passo é uma tecnologia necessária para preservar função ventricular, reduzindo problemas de eletrodos e fontes de energia duráveis; os desfibriladores necessitam de insumos de menor custo, tamanho e maior duração de energia, e por fim, a Ablação falta um investimento significativo em treinamento profissional na área, além da necessidade de maiores estudos para esclarecer as indicações da fibrilação atrial.

O Acadêmico Manuel Luis Marti da Academia Nacional de Buenos Aires, é o palestrante seguindo. Com bacharel no Colégio Nacional de Buenos Aires, é médico e doutor em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires. Atuou como Professor Catedrático de Medicina Interna, Professor Catedrático e atualmente trabalha como Professor Emérito da Universidade de Buenos Aires. Também foi Diretor do Departamento de Especialidades Clínicas e membro do Conselho de Administração da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Católica Argentina Santa Maria de los Buenos Aires e Gerente de Ensino de Bioética na Universidade de Buenos Aires.

O Acadêmico ministra a palestra sobre “Cirúrgia Bariátrica em Diabetes”, iniciando a apresentação pelas indicações da cirurgia, sendo algumas delas a diabetes tipo 2, idade entre 25 a 65 anos de idade, pacientes que se encontram com diabetes a menos de dez anos, porém fazendo uso de insulina a mais de cinco. As técnicas cirúrgicas abordadas seriam o by-pass gástrico em Y, o by-pass duodeno e o gastroileal, além da gastroplastia tubular. O doutor enfatiza que tem como objetivo a perca de 50% do peso corporal e a manutenção deste peso posteriormente. São apontadas algumas complicações e fatores de risco para com a cirurgia, como a deficiência nutricional, doenças de patologia gastrointestinal, idade avançada, IMS alto, hipertensão e enfermidades cardíacas. Entre as complicações de metabologias, encontram-se a anemia, hipoglicemia, Hipovit D, Síndrome de Dumping e outras, trazendo a necessidade de o paciente fazer uma série de ingestões de vitaminas e minerais recomendados pelos médicos.

Com a temática “A Simpatectomia Vídeo Toracoscópica no Tratamento da Hiperidrose Primária” é ministrada pelo Acadêmico Rossano Kepler A. Fiorelli. Com um currículo impecável, o Acadêmico foi aprovado em 2º lugar para Medicina na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Graduou-se em 1988, tendo como patrono e paraninfo respectivamente os Acadêmicos Azor José de Lima e Carlos Alberto Basílio de Oliveira. Possui mestrado em Cirurgia Torácica (1997) pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutorado em Cirurgia Geral – Setor Cirurgia Torácica (2001) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atuou como livre-docente em Técnica Cirúrgica e Cirurgia Experimental na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Realizou Residência Médica em Cirurgia Torácica no Serviço de Cirurgia Torácica e Cardiovascular do Hospital da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro, acoplado ao Curso de Especialização em Cirurgia Torácica da PUC-RJ, sob a direção do Prof. Dr. Jesse Pandolpho Teixeira, considerado Mestre da Cirurgia Torácica Brasileira e um dos mais renomados cirurgiões torácicos do mundo.

Expôs em sua palestra sobre a hiperidrose que é conceituada como uma sudorese excessiva, além das necessidades termo-reguladoras do organismo. A hidroperidrose primaria tem caráter regional (mãos, axilas, pés ou crânio) isoladas ou em associação, intermitente e independente de condições externas. Já a secundária é generalizada, causada por obesidade, hipertireoidismo, menopausa, doenças psiquiátricas, tuberculose, feocromocitoma, acromegalia ou linfoma. Atinge cerca de 1% da população mundial, e causa problemas com atividades sociais, educacionais, profissionais e afetivas. O tratamento clínico é baseado em drogas anticolinérgicas, anidroticas, toxina botulínica tipo A, ressecção de pele e glândulas sudoríparas axilares, tratamentos homeopáticos, ortomoleculares, acupuntura, acompanhados do tratamento psicológico e psicoterápico.

O tratamento cirúrgico tem algumas complicações, como a Nevralgia intercostal, síndrome de Claude-Bernanrd-Horner, lesão do plexo braquial, pneumotórax residual, infecções, dentre outras complicações. Entre as indicações, encontram-se o rubor facial, a isquemia de MMSS, Síndrome dolorosa pós-traumática, Síndrome do QT longo, Angina de peito e o Fenômeno de Raynaud. Há um importante impacto positivo na qualidade de vida dos pacientes portadores de hiperidrose primária que foram submetidos à simpatectomia videotoracoscópica.

Encerrando o evento, a palestra foi realizada pelo o Acadêmico José Galvão-Alves que é graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1976). Fez Residência na especialidade de Clínica Médica no Hospital São Francisco de Assis e no Hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Especializou-se em Gastroenterologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1980, onde também cursou mestrado em Gastroenterologia em 1982. No mesmo ano, realizou um “update in internal medicine”, pela Harvard Medical School. Concluiu doutorado em Gastroenterologia pela Universidade Federal de Minas Gerais.

O Acadêmico discorreu sobre a “Pancreatite Autoimune”, uma doença fibro-inflamatória sistêmica que afeta múltiplos órgãos, em especial o pâncreas, ductos biliares, glândulas salivares, retroperitôneo, rins e lonfonodos. A pancreatite pode ser reconhecida por dois tipos. Tipo 1 como doença multisistêmica e Tipo 2, um distúrbio específico. O diagnóstico prova que a PAI tipo 1 é encontrada em pacientes de 50 á 60 anos e a PAI tipo 2 em pacientes adolescentes. Foi realizada uma análise comparativa com estudo de PET-CT, que demonstrou a regressão completa da captação difusa do radiotraçor no pâncreas.