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CÂNCER DE MAMA – O MAIS IMPORTANTE É A PREVENÇÃO

A evolução da sociedade moderna, a industrialização e urbanização promoveram uma série de mudanças no comportamento feminino com repercussões biológicas, tais como: primeira menstruação mais precoce, menor número de gestações e mais tardias, menor tempo de amamentação e menopausa adiada. Fatores externos como agentes poluentes, anticoncepcionais e terapia de reposição hormonal na pós-menopausa, também estão relacionados com maiores riscos de desenvolvimento de doenças mamárias.

Câncer de mama é uma doença de origem multifatorial. Estão envolvidos a predisposição genética, estilo de vida e fatores ambientais. A grande maioria dos casos (75%) não tem histórico familiar, são chamados de esporádicos. Em 5% das pacientes há mutações dos gens que conferem, a estas famílias, um risco bem elevado de desenvolvimento de novos casos.

A grande arma que dispomos para combater esta ameaça à mulher é a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado. A prevenção requer um estilo de vida saudável com dieta balanceada, controle de peso e prática de exercícios físicos regulares.

Verifica-se um aumento global da incidência de câncer de mama. Doença que foi sempre mais comum em países desenvolvidos, passou a ser frequentemente diagnosticada nos países latinos, asiáticos e, mesmo, africanos. Estima-se que serão diagnosticados, este ano, 2.088.000 novos casos no mundo, sendo 50% nos países de baixa e média renda; e que de cada 4 mortes por câncer de mama, 3 serão nestes países. Caracterizando o impacto da qualidade de assistência nos resultados.

Para o Brasil, em 2020, são esperados 66.000 casos novos de câncer de mama, um a cada 11 minutos, com um risco estimado de 61 casos a cada 100 mil mulheres, sendo a maior prevalência nas regiões sul e sudeste. Há também um aumento em mulheres jovens.

A mamografia anual a partir dos 40 anos, ultrassonografia e, em casos selecionados, ressonância magnética, possibilitam diagnósticos cada vez mais precoces, determinando tratamentos conservadores com preservação da mama, cirurgias oncoplásticas, e consequentemente, melhores resultados estéticos e com maiores chances de cura. O diagnóstico tardio do câncer de mama leva a tratamentos mutiladores, onerosos e com resultados precários, levando muitas mulheres à morte precoce evitável, deixando em suas famílias, um vazio irreparável.

As principais estratégias para redução do risco são o rastreamento, mudanças de estilo de vida, quimioprevenção e cirurgia redutora de risco.

A realização de exercícios físicos e a mudança na dieta, são os fatores mais explorados nos estudos. Nas grandes metrópoles, tem se observado maior sedentarismo e alimentação inadequada. A prática de exercícios diária, uma alimentação de baixa caloria, rica em verduras, frutas e vegetais, não fumar, não ingerir bebida alcoólica em excesso, manter-se dentro do peso ideal para sua idade, dormir bem, relaxamento e meditação são medidas simples que podem fazer toda a diferença.

Quimioprevenção é a utilização de medicamentos (agentes químicos naturais ou sintéticos) na reversão, bloqueio ou prevenção do surgimento do câncer em determinados grupos de risco.  Medicamentos de quimioprevenção nunca devem ser usados sem a indicação de um especialista.

Os recursos cirúrgicos para redução de risco de uma mulher desenvolver o câncer de mama são mastectomia profilática ou adenectomia.

A mastectomia redutora de risco ou profilática é a remoção cirúrgica do tecido mamário. O benefício da cirurgia profilática varia segundo o risco de desenvolvimento da doença e está indicada, principalmente, para mulheres portadoras de mutações genéticas. Deve ser feita uma avaliação por equipe multidisciplinar – mastologista, oncologista, cirurgião plástico, psicólogo e geneticista – para definir se há indicação para a cirurgia, saber se a paciente está preparada para um eventual resultado estético insatisfatório, definir a melhor técnica cirúrgica e melhor opção de reconstrução. É fundamental a seleção individualizada da paciente.

Mundialmente, recomenda-se que mulheres com patologias mamárias sejam tratadas em Centros de mama, onde seus casos serão decididos e acompanhadas, em todas as etapas do tratamento, por equipes multiprofissionais (mastologista, oncologista clínico, radio-oncologista, patologista, radiologista, cirurgião plástico, enfermeiras, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogas, assistente social e farmacêuticas). Verificou-se que determinam maior agilidade, adesão ao tratamento, satisfação e produzem melhores resultados, com redução da mortalidade.

É muito importante que a sociedade através do governo, empresas privadas, ONGs e grupos de saúde promovam contínuo programa de educação comunitária e ofereçam à população condições de diagnóstico e tratamento adequado. Esta preocupação não é só humanitária, mas também econômica, considerando que aumenta cada vez mais o papel da mulher como chefe de família e participação no mercado de trabalho.

Maurício Magalhães Costa

Membro Titular da Academia Nacional de Medicina

Presidente da Sociedade Internacional de Senologia