Evolução da Neurologia é tema de conferência na Academia Nacional de Medicina

25/07/2019

Dentre as atividades científicas realizadas na Sessão de 25 de julho na Academia Nacional de Medicina, a Sessão Ordinária foi dedicada a discutir os principais avanços e perspectivas da Neurologia, em conferência intitulada “Os 55 anos da Neurologia”.

O conferencista, Acad. Gerson Canedo de Magalhães, graduou-se em Medicina pela Faculdade Nacional de Medicina em 1962, quando recebeu o prêmio Universidade do Brasil, reservado aos 10 melhores alunos da turma, pela sua classificação com distinção. Dedicou-se amplamente ao exercício da Clínica Neurológica, ligando-se aos serviços de Neurologia do Hospital Pedro Ernesto (1963-74), do Corpo de Bombeiros (1965-77), dos Servidores do Estado (1972-88), Hospital Geral de Bonsucesso (1988-91) e da Beneficência Portuguesa (1972-2003), que dirigiu por três décadas. Além disso, foi diretor do Serviço no Hospital Universitário Pedro Ernesto e professor da Cadeira de Neurologia da Faculdade de Medicina de Valença. É membro da Academia Brasileira de Neurologia (1970), da American Academy of Neurology (1994) e da Royal Society of Medecine (2000).

Acadêmico Gerson Canedo em conferência

Em sua apresentação, o Acadêmico chamou atenção para o fato de que a segunda metade do século XX e o século XXI foram cenário para grandes transformações na forma como o ser humano se comunica, na forma como ele transpõe distâncias e na forma como lida com as enfermidades. Para tanto, discorreu brevemente sobre os impactos dos novos meios de comunicação, o uso da internet para os mais variados fins e os novos meios de transporte, como o avião a jato.

Na sequência, afirmou que a primeira grande revolução experimentada pela especialidade foi a emergência de novas tecnologias de imagem neurológica, que possibilitaram não só uma maior precisão diagnóstica quanto novos tratamentos. A esse respeito, chamou atenção para o fato de que, até então, a Neurologia era tida como uma “ciência de diagnóstico”, pois poucos eram os tratamentos disponíveis para as enfermidades identificadas, em razão do difícil acesso a um órgão nobre e tão pouco conhecido.

O Acadêmico discorreu sobre o surgimento de importantes medicamentos e seus desdobramentos para a especialidade, dissertando sobre alguns dos mais significativos anticonvulsivantes, ansiolíticos e antitrombóticos.

Também dedicou parte de sua apresentação para ressaltar importantes nomes da especialidade que fizeram história com seus trabalhos, como o Dr. Aristides Azevedo Pacheco Leão, que, em 1944, ao trabalhar em sua tese de doutorado pela Universidade de Harvard, descobriu uma reação ocorrida no córtex cerebral e ainda não observada. O fenômeno foi batizado por ele de depressão alastrante, mas também ficou conhecido como “A Onda de Leão”. A descrição da depressão alastrante colabora no diagnóstico de doenças como a epilepsia e a enxaqueca e, de acordo com as investigações posteriores, ela não ocorre apenas no cérebro, mas também em outras estruturas neurais.

Discorreu também sobre a chamada Medicina Espacial, ciência multidisciplinar, interagindo com todas as especialidades médicas e ainda com Matemática, Física e Química e fornecendo subsídios à Engenharia Aeronáutica. Com os avanços mostrados pelo neurologista, a especialidade ganhou novos contornos, possibilitando, por exemplo, a identificação de alterações na substância branca e queixas visuais, náuseas e vômitos por aumento da pressão intracraniana pós voos espaciais. Este fato foi importante também para o desenvolvimento da chamada “Emporiatria” – área da Medicina Aeroespacial que se dedica a chamar a atenção dos médicos das diferentes especialidades para as peculiaridades que assumem as diferentes doenças do organismo humano quando em outro meio físico, para que eles saibam orientar seus pacientes quando por ocasião de viagens aéreas.

Na conclusão de sua apresentação, o Acadêmico apresentou novas técnicas de reabilitação, ressaltando a técnica da Estimulação Medular, utilizada como tratamento de pacientes com diagnóstico de dor crônica. Os resultados observados têm se mostrado promissores, com realização de ensaios clínicos controlados e randomizados, que mostram a superioridade da técnica quando comparada ao tratamento farmacológico convencional e também resultados mais favoráveis sobre repetidas cirurgias no mesmo paciente.

Além disso, o Acadêmico também abordou a utilização de inteligência artificial na neurologia, que vem produzindo resultados promissores, inclusive em casos complexos envolvendo pacientes em coma ou com comprometimentos consideráveis. Por fim, destacou as perspectivas futuras da especialidade, afirmando que o panorama aponta para uma mudança fundamental do atual modelo voltado mais para o tratamento de doenças; segundo o Acadêmico, os avanços tecnológicos indicam a emergência de um ecossistema de saúde focado na prevenção e no rastreamento de possíveis problemas antes que eles tenham a chance de se desenvolver.

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