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A ciência é a melhor vacina

21/12/2021

“Eu tenho muito orgulho dos nossos cientistas e suas atuações durante esse período tão difícil para o planeta, em especial, para o Brasil. A ciência tem que ser compartilhada e, ao longo da história, nos mostra que salva vidas”, enfatizou o Ministro de Estado da Ciência Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcos Pontes, na abertura do simpósio “Estratégias para o enfrentamento de variantes de SARS-COV2”. O evento ocorreu no dia 14 de dezembro de 2021, e foi promovido pela Academia Nacional de Medicina (ANM), MCTI e Academia Brasileira de Ciências. 

O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), o acadêmico Luiz Davidovich destacou que o país precisa investir mais em ciência e inovação para apoiar pesquisa de qualidade. “Foi fantástica a reação da comunidade científica frente à pandemia, apesar do contingenciamento de recursos do MCTI. Para o bem da sociedade brasileira, as academias e o ministério precisam agir de forma conjunta”.

Reforçando o coro das parcerias acadêmicas, o presidente da ANM, professor Rubens Belfort Jr., ressaltou que a luta é grande e, infelizmente, alguns setores do governo não comungam com as ideais dos cientistas. Em uma analogia, Belfort comparou a comunidade científica com uma orquestra. “Os cientistas são grandes músicos e a Rede Vírus é um bom maestro que faz essa orquestra tocar boas músicas. Nós temos que ter voz única para batalhar por aquilo que acreditamos e que seja bom para ciência e, consequentemente, para a saúde do povo do nosso país”.

A pesquisadora Sandra Coccuzzo, do Instituto Butantan, discorreu sobre a plataforma criada pelo instituto com 29 laboratórios estaduais e um fluxo coordenado e integrado nas áreas de gestão, científica e de almoxarifado que, de forma ágil, pode emitir os laudos de diagnóstico para nortear as ações de saúde do estado. “Acabamos de enviar para o MCTI o primeiro caso de sequenciamento na nova variante Ômicron. Vamos também sequenciar outros vírus de relevância para saúde pública do país”, alertou Coccuzzo.

Da Anvisa, Gustavo Mendes explicou que, à medida que a ciência avança, observa-se de forma aprimorada o desempenho do SARS-COV2 e suas variantes. A primeira estratégia da Anvisa frente as variantes é questionar os desenvolvedores das vacinas para que sejam apresentados dados relativos à capacidade de manutenção da atividade neutralizante dos imunizantes.

“Com as variantes que nós temos até o momento, observamos os dados que foram apresentados pelos desenvolvedores e identificamos que não há necessidade de fazer ajustes na tecnologia das vacinas disponíveis no mercado”, finalizou Mendes.

Rede Vírus – Criada em fevereiro de 2020, a Rede Vírus/MCTI recrutou os pesquisadores de notório saber em viroses emergentes e reemergentes e criou assim um grupo de grandes especialistas, visando dar suporte as ações do ministério, ponderou o acadêmico Marcelo Morales. Nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, a rede foca em tratamentos, medicamentos, vacinas, diagnósticos e monitoramento ambiental de animais silvestres e águas residuais, além dos impactos sociais e econômicos.

“Hoje nós somos capazes de detectar não só se uma pessoa está contaminada pelo covid-19, mas também distinguir qual variante. Também estamos investindo nas vacinas nacionais. A importação é importante, mas tão importante é também termos competência para produzir tecnologia para nossas vacinas e garantir a soberania nacional”, enfatizou Morales.


Segundo Fernando Spilke, da Unicamp, “vivenciamos uma verdadeira hecatombe nesses últimos dois anos e estabelecemos, em pouco tempo, parcerias com vários laboratórios associados à Rede Vírus, do MCTI, para enfrentar a pandemia no país e compartilhar com parceiros internacionais informações científicas a respeito do vírus e das variantes circulantes. Quando há acesso a recursos suficientes, os pesquisadores brasileiros respondem de forma rápida à comunidade internacional”, disse. Spilke acrescentou alguns avanços nesse período: em 2020, a rede realizava cerca de 400 sequenciamentos do SARS-CoV-2 por mês. Neste ano, a capacidade pulou para quatro mil. Segundo ele, é preciso ficar vigilante e olhar para as fronteiras brasileiras.

O pesquisador Edson Durigon, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, foi outro dos convidados a abordar o trabalho na Rede Vírus. Durigon traçou uma linha do tempo, desde a implantação de seu laboratório e os estudos realizados com outros vírus como SARS-CoV1 (2003), H1N1 (2009), zika (2015) e febre amarela (2018) até a rápida resposta que o laboratório deu à atual pandemia e enfatizou a importância dos Correios durante toda a crise. Durigon ressaltou que investimentos na pesquisa brasileira devem ser contínuos para enfrentamento de possíveis outras epidemias. 

Um paralelo entre eficácia e eficiência das vacinas aplicadas no país na formação de anticorpos neutralizantes contra a covid-19 e os desafios impostos pelo aparecimento de novas variantes foi traçado pelo pesquisador Jorge Kalil, da Faculdade de Medicina da USP. Kalil salientou: “todas as vacinas deveriam ser dadas em três doses.” Kalil também trouxe informes sobre o atual estágio de seu projeto com nanopartículas no desenvolvimento de uma vacina em spray nasal contra a doença.

O diagnóstico e o monitoramento de variantes circulantes no país foram os temas abordados pela pesquisadora Ana Paula Fernandes, da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenadora da área de diagnóstico da Rede Vírus do MCTI. Ela explicou que o diagnóstico rápido e preciso, incluindo a identificação das variantes circulantes, é um dos pilares para o controle da epidemia no país. Para isso, segundo Fernandes, é fundamental o desenvolvimento e transferência de tecnologia para a capacitação dos laboratórios de saúde pública. Ana Paula destacou o arranjo produtivo exitoso que se criou em tempo recorde e com o apoio do MCTI.

O transcurso entre os primeiros casos da covid-19 no mundo ao aprendizado sobre como tratar os pacientes, excluindo aqueles que não funcionam, foram assuntos relatados pela acadêmica Patrícia Rocco. Professora do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ, Rocco realçou que não existe uma receita de bolo. Cada paciente deve ser tratado de forma individualizada e, após dois anos, o certo é a tríade: máscaras, distanciamento social e vacinação. A integra do simpósio está disponível no canal YouTube da ANM: 

Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=VtUtoJeE4bg

Parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=9wP0-SjqzEk.

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