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Academia Nacional de Medicina e UFRJ abordam saúde materno infantil em simpósio

Organizadores do simpósio, Professora Carmen Fróes Asmus e Acadêmico Jorge Rezende Filho; Presidente da Sessão Pietro Novellino e Acadêmico Roberto Medronho

Na última quinta-feira (27), a Academia Nacional de Medicina sediou, em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FM/UFRJ), o II Seminário Brasileiro de Saúde Materno Infantil e Poluentes Ambientais, organizado pelo Acadêmico Jorge Rezende Filho e a Professora Carmen Fróes Asmus. As apresentações foram divididas em quatro mesas durante o dia e mais duas palestras noturnas sobre o papel da universidade nessa conversa.

A conferência de abertura do simpósio foi feita pelas Drª. Daniela Buosi e Drª. Thais Cavendish, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (VSA/MS). O tema foi a Vigilância em Saúde Ambiental Materno-Infantil, e a Drª Buosi explicou a história desse departamento, as suas funções em uma linha do tempo e a influência do olhar do meio ambiente, como isso contribuiu para superar a desigualdade social e cuidar das populações mais necessitadas. Drª Cavendish continua a apresentação abordando o funcionamento do VSA, os principais casos de exposição de mercúrio, queimadas, incêndios florestais e outros produtos químicos.

Essa conferência foi seguida pela primeira mesa, coordenada pelo Acadêmico Roberto Medronho sobre Pesquisas em Saúde Materno Infantil e Exposição a Poluentes Ambientais. A primeira apresentação foi feita pela Profa. Carmen Fróes sobre Estudos Longitudinais dos Efeitos da Exposição a Poluentes Ambientais sobre a Saúde Materno-Infantil. Ela coordena os projetos Bruminha e PipaUFRJ, e explicou o funcionamento de cada um deles. O primeiro é um estudo feito nas comunidades atingidas pela tragédia de Brumadinho em 2019, são feitas análises com amostras de urina, sangue e uma avaliação respiratória. Enquanto o projeto Pipa é uma pesquisa feita com crianças nascidas na Maternidade Escola da UFRJ, e é feito uma investigação em busca de metais presentes no sangue e urina desses bebês, o intuito é que isso contribua com o entendimento dos efeitos clínicos da exposição. 

Dando continuidade a mesa um, a Profa. Kelly Polido Olympio, da Universidade de São Paulo, apresentou o tema Crianças de Famílias Trabalhadoras Informais – A exposição ocupacional em ambiente domiciliar, sobre uma pesquisa feita na cidade de Limeira, em São Paulo, com produtores informais de bijuteria e outras jóias. Esse é um grande polo de confecção e possui um número alarmante de famílias envolvidas. Nesse caso, foram analisados sangue e urina dos pais, das crianças que possuem contato com as peças, e dos vizinhos que podem ter sido contaminados por meio do esgoto das casas. O verdadeiro desafio é mudar o ambiente da casa para que a exposição infantil seja evitada.

Para finalizar as apresentações da mesa um, o Prof. José Antonio Menezes, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, apresentou o tema Determinantes Sociais e Ambientes do Neurodesenvolvimento Infantil aos 12 meses, uma pesquisa feita no Recôncavo Baiano sobre o coorte de nascimentos na área. Ele explica que a exposição das crianças acontece, principalmente, em decorrência das plantações, por conta do uso de agrotóxicos. É feita uma avaliação pré-natal em busca de metais tóxicos no leite, sangue e urina. O professor exibe o fluxograma da pesquisa, como foram feitas as coletas e os resultados obtidos até o presente momento.

Componentes da mesa dois sobre Neurodesenvolvimento e Exposição a Poluentes Ambientais

A mesa dois foi coordenada pelo Prof. Antonio Ledo, da UFRJ, sobre Neurodesenvolvimento e Exposição a Poluentes Ambientais. A palestra inicial foi feita pela Drª Halina Cidrini, da Faculdade de Fisioterapia da UFRJ, sobre Avaliação do desenvolvimento motor e tônus muscular de crianças expostas a poluentes ambientais, no qual é explicado que as experiências pautam o desenvolvimento infantil e que déficits nesse crescimento são os primeiros sinais para diagnósticos como os de autismo. Drª Halina explica pesquisas feitas em diferentes países, que abordam a exposição a poluentes ao desenvolvimento neuromotor.

A segunda participação da mesa foi feita pela Drª Ana Cristina, do Instituto de Psicologia da UFRJ, sobre o tema Avaliação do desenvolvimento cognitivo e sócio afetivo e exposição a poluentes. Na apresentação, ela explica que é feito uma avaliação no desenvolvimento infantil sob os domínios adaptativos, cognitivos e pessoais-sociais. Drª Ana afirma que eles são importantes para entender as crianças e ainda mostrou exemplo de um caso que participou.

A última apresentação da mesa dois foi feita pelo Dr. Marlo Martins, do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira da UFRJ, abordou o Desenvolvimento Infantil e sua relação com fatores ambientais. Ele ressalta que a fase mais importante para o desenvolvimento é a fetal e explica como é o cérebro em diferentes idades, abordando o papel dos fatores ambientais neste estudo. Dr. Marlo conclui que químicos como chumbo, manganês e mercúrio possuem associação com o amadurecimento da criança.
O simpósio continuou na parte da tarde e para assistir a manhã de apresentações na íntegra, visite nosso canal no Youtube ou clique aqui.

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