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DEGENERAÇÃO MACULAR EM IDOSOS: UMA IMPORTANTE CAUSA DE CEGUEIRA ENTRE IDOSOS

Dr. Eduardo Novais¹

Acad. Rubens Belfort Jr.¹

  1. Doutor em Oftalmologia e Ciências Visuais, Escola Paulista de Medicina (UNIFESP). Ex-Fellow de Retina na Tufts University, Boston, EUA. Membro do Programa de Jovens Lideranças Médicas da Academia Nacional de Medicina (2015—2020)
  2. Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, Professor Titular de Oftalmologia, Escola Paulista de Medicina (UNIFESP)

A degeneração macular é a causa mais importante de cegueira nos idosos depois da catarata, e cerca de 30% das pessoas com mais de 75 anos têm esta doença que segue aumentando a cada década de vida.

Mas afinal, você sabe o que é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)?

Muitas pessoas nunca ouviram falar em DMRI.  

Em pacientes acima de 55 anos, a DMRI é uma das causas mais comuns de baixa de visão central, necessária para realizar tarefas que exigem detalhes, como por exemplo ler, dirigir e prestar atenção visual.

Existem duas formas: a seca e a úmida – esta última também conhecida como exsudativa. A forma seca é responsável por aproximadamente 90% dos casos. Benigna e pouco sintomática na grande maioria dos casos, tem progressão mais lenta e só causa grandes prejuízos à visão nas formas avançadas, geralmente depois de meses a anos.  A forma úmida é caracterizada por aparecimento de neovasos defeituosos (membrana neovascular) na região nobre da retina, a mácula, levando à piora da visão muito rapidamente. Ambas são quase sempre bilaterais.

Apesar de afetar a visão central e diminuir a capacidade das atividades que necessitam da visão de detalhes, a DMRI não causa lesão periférica (lateral / campo de visão) e nem causa cegueira total. Muito importante os pacientes serem alertados quanto a esta característica para não aumentar o sofrimento e o medo.

Os fatores de risco mais importantes são: idade maior que 60 anos, história familiar e o tabagismo. Outros fatores incluem a nutrição, fatores ambientais e características oculares, como por exemplo olhos com íris clara.

É possível prevenir a degeneração macular relacionada à idade?

Infelizmente, não. Pode-se tentar controlar alguns fatores de risco como o tabagismo e erros alimentares.

Quais os sintomas que devemos ficar atentos?

Os principais sintomas são: a distorção de imagens, falhas de leitura e manchas no centro da visão (escotomas), que dificultam atividades que exigem maior atenção visual.

Muitos pacientes somente percebem ter a doença quando o segundo olho está afetado.

Tela de Amsler – utilizada para o autoexame
Visão com acometimento central avançado por degeneração macular relacionada à idade

Um dos desafios para o tratamento adequado consiste no diagnostico precoce, possibilitando o tratamento nos casos indicados, para preservação da melhor visão. Assim os clínicos e geriatras devem também ensinar o paciente a detectar sinais precoces para que possam ser avaliados por um oftalmologista o quanto antes.

É possível diagnosticar A DMRI precocemente?

Sim. O exame de fundo de olho (da retina) é capaz de diagnosticar precocemente a doença, através da identificação de pequenos depósitos na retina chamados “drusas”, e estabelecer os riscos bem como tratamentos. Novas tecnologias avançadas permitem um melhor acompanhamento e um diagnóstico precoce desta doença, mas o tratamento existe somente em número pequeno de casos.

A Tomografia de Coerência Óptica (OCT) é um exame não invasivo que permite determinar com detalhe as alterações iniciais dessa doença. Além de ser extremamente útil, é realizado em segundos, sem nenhum risco para o paciente e, portanto, cada vez mais indicado. Substituiu em muito a fluoresceinografia, exame de contraste e risco e custo maiores.

A DMRI tem tratamento?

                A forma seca da degeneração, apesar de menos agressiva, pode levar à perda visual lenta e progressiva e, até o momento, não possui um tratamento preventivo ou curativo. No entanto, em alguns casos, a suplementação com complexos vitamínicos antioxidantes específicos, bem como a correção da dieta, pode ser utilizada para tentar diminuir a velocidade da progressão da doença.

Na forma exsudativa (úmida), o tratamento da membrana neovascular é realizado através da administração de medicações intraoculares (aplicadas com injeções intravítreas) chamadas “Anti-VEGF”. Atualmente existem no mercado quatro destes medicamentos (bevacizumabe, ranizumabe, aflibercepte e brolucizumabe). O custo destes medicamentos varia muito, sendo fundamental análise criteriosa, inclusive pelas grandes pressões de marketing envolvidas. Através deste tratamento é possível estabilizar e mesmo regredir alguns casos, principalmente quando diagnosticados precocemente. O regime de tratamento pode variar de acordo com a resposta do paciente. Inicialmente, injeções mensais são realizadas até o controle da doença. Posteriormente o paciente pode ser acompanhado mensalmente e realizar injeções em casos de recidiva da doença – tratamento “se necessário” – ou pode-se realizar espaçamentos maiores (a cada 2 a 3 meses) entre as injeções, regime conhecido como “tratar e estender”. As injeções intraoculares desses medicamentos são atualmente consideradas padrão-ouro para o tratamento.

A degeneração macular relacionada à idade é uma doença com grande impacto negativo pois diminui muito a qualidade de vida, devido à perda da leitura, comunicação visual e também mobilidade e independência. Felizmente há drogas sendo testadas em ensaios clínicos, inclusive no Brasil, esperando-se grandes avanços para os próximos anos, também para os quadros de degeneração macular seca.

Pode haver grande melhora da qualidade de vida em fases mais avançadas da doença através da utilização de recursos para visão subnormal, como lupas e dispositivos eletrônicos.