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Dialise: desafios e progressos

16/11/2021

Um simpósio especial para o lançamento do livro Issues in Kidney Disease-Dialysis reuniu os acadêmicos José Suassuna e Miguel Riella, convidados internacionais e José Moura-Neto, médico do Programa de Jovens Lideranças Médicas da Academia Nacional de Medicina.

A fadiga durante a diálise foi um dos temas abordados pela médica Federica Picariello, do Reino Unido. Não raro, pacientes relatam a falta de energia como um grande peso, uma carga pesada que os deixa estafados. E o que é fadiga em diálise? Em sua palestra, Picariello comentou como é algo subjetivo, complexo e desafiador que atinge entre 50 a mais de 90% dos pacientes em diálise. A especialista ainda trouxe exemplos de sintomas multidimensionais, sendo alguns extremos e outros persistentes e tentou elencar formas que podem e devem ser abordadas pelos médicos no tratamento da fadiga em pacientes em diálise.

Os cuidados paliativos para pacientes em diálise foi outro assunto a despertar o interesse dos participantes do simpósio. Rebecca Schmidt, da West Virginia University, dos Estados Unidos, levantou questionamentos sobre o conceito de diálise como uma terapia de restauração da vida versus suporte ou sustentação da vida. Além disso, destacou as barreiras para pacientes e familiares, profissionais de saúde e para o sistema de saúde, ressaltando em sua fala a importância da incorporação dos cuidados paliativos na cultura da diálise e sugerindo, inclusive, uma mudança de abordagem por parte dos profissionais de saúde.

Oriundo da mesma universidade, Brendan Bowman foi outro convidado do simpósio. O americano apontou o processo de transição nas unidades de atendimento aos pacientes em diálise nos Estados Unidos. E falou também sobre o crescimento contínuo e global da incidência das doenças renais em estágio avançado e, com isso, a necessidade de conscientizar os pacientes e seus familiares sobre o autocuidado com dieta e medicação.

A médica Megha Salani, da Vanderbilt University, contou detalhes sobre projetos e tecnologia de diálise portátil e de rins artificiais. E afirmou que, até o momento, não há implantes de rins artificiais em humanos, mas já há estudo em animais. Também comentou sobre cenários futuros e ideais para pacientes em diálise com dispositivos diurnos e noturnos, oferecendo maior mobilidade e, com isso, melhorias da qualidade de vida, além de acesso amplificado para a diálise em casa, economizando custos em unidades de saúde especializadas em diálises.

Custos em diálise – Este assunto ainda foi pauta nas apresentações dos palestrantes Natalia Fernandes e Kleyton Bastos. Segundo ela, a maioria dos estudos sobre os custos de diálise peritoneal tem muitas limitações. A pesquisadora diz que na literatura médica esses custos são derivados apenas da fármaco-economia, ou seja, o custo é determinado por quem produz as drogas, mas o padrão ouro deve abranger o procedimento como um todo e não apenas os medicamentos.

“Não há estudos no Ministério da Saúde brasileiro sobre custos de procedimentos. Por isso, temos o que chamamos de ‘constrangimento’ em cerca de 30% dos repasses do SUS. Precisamos de uma política justa de precificação que envolva a sociedade organizada”, enfatizou.

Citando a pedagogia do educador Paulo Freire, o médico Kleyton Bastos relembrou que ensinar não é apenas transferir conhecimento, mas sim criar as possibilidades para o outro ter sua própria produção e construção do conhecimento. Ele fez essa referência em relação aos treinamentos para lidar com a diálise peritoneal, que acontece em ambiente domiciliar onde o paciente, a família e as equipes de saúde precisam dominar todas as técnicas de manejo do procedimento.

“O treinamento dos profissionais de saúde para atuar nesses casos deve ser centrada no paciente. Por sua vez, o paciente e seus familiares precisam ter condições e uma estrutura mínima para absorver os conceitos de higiene; destreza para realização do procedimento domiciliar; a ideia do autocuidado e a disciplina; além de estar em vigilância contínua das equipes de saúde”, explicou Bastos.  

A hipertrofia do ventrículo esquerdo em pacientes em diálise foi apresentada pela médica Viviane Calice-Silva; e o manejo da anemia em pacientes em diálise foi exposto pela especialista Ana Flávia Moura. A discussão sobre todas as exposições desse bloco foi capitaneada pelos acadêmicos Omar da Rosa Santos e Maurício Younes. 

Para acessar a íntegra da sessão, os links são:

Parte I – https://www.anm.org.br/symposium-issues-in-dialysis-16-de-novembro-de-2021-parte-i/

Parte II – https://www.anm.org.br/symposium-issues-in-dialysis-16-de-novembro-de-2021-parte-ii/

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