Em meio ao Setembro Amarelo, simpósio da ANM discute prevenção de suicídio

Acad. Antonio Egídio Nardi, Ex-Presidente Acad. Pietro Novellino, Presidente Acad. Francisco Sampaio, Acad. Eliete Bouskela, Acad. Flavio Kapczinski e a Presidente da Academia de Medicina do Rio de Janeiro, Profª. Selma Sabra

Desde 2015, o mês de setembro é destacado pela cor amarela e as campanhas em todo Brasil em prol da prevenção ao suícidio, com intuito de conscientizar a sociedade sobre o assunto. A Academia Nacional de Medicina (ANM) abordou esse tema com o simpósio Prevenção de Suicídio na última quinta-feira (14), com palestras organizadas pelos Acadêmicos Antonio Egídio Nardi e Flavio Kapczinski, e a Jovem Liderança Médica Laiana Quagliato. “Setembro é apenas um mês que isso fica mais evidente, mais eventos são realizados e já se tornou um rotina aqui na ANM um simpósio relacionado a isso”, afirmou o Acad. Nardi na abertura da Sessão ao relatar que esse é um problema de saúde pública.

Sobre o suicídio, o simpósio relatou em suas apresentações que essa é a terceira causa de morte entre as mulheres e a quarta entre os homens; as pessoas que tentam uma vez, normalmente tentam novamente; e que existem diversos fatores que podem levar até ao suicídio, como histórico familiar, perdas recentes, episódios depressivos, desemprego e doenças crônicas, por exemplo . Esses fatores foram abordados em todas as palestras da tarde, mas ganhou destaque com o Acad. Antonio Egídio Nardi com o tema Mitos e Tabus sobre o Suicídio, que finalizou a tarde de apresentações. O Acadêmico citou os fatores de proteção, que incluem filhos, família e gravidez, que podem muitas vezes prevenir o suicídio, atividades que contribuem com a saúde mental e explicou sobre o projeto que usa inteligência artificial (IA) para identificar os fatores de risco de suicídios, principalmente, em pacientes do Sistema Único de Saúde.

Esse foi o tema abordado pelo Acadêmico Flavio Kapczinski em sua apresentação. A palestra A Inteligência Artificial pode Ajudar a Evitar o Suicídio? explicou os principais fatores que levam ao suicídio, como trauma de infância e genética, e como a dilvugação dos casos na mídia são como um impulsor para o aumento na taxa de suicídio, com o “comportamento de imitação”. Com isso, o Acadêmico fez uma linha do tempo com o avanço da tecnologia e a pesquisa que utiliza IA para prever quem tentará o suicídio, sendo um algoritmo bem robusto e assertivo em seus resultados. Para um dos testes, a pesquisa usou os diários de Sylvia Plath para mapear o que a autora escrevia e pensava nos meses que precederam a sua morte.

O caso de suicídio da autora é muito conhecido e foi tratado na apresentação da Acadêmica Margareth Dalcolmo, com a palestra Suicídio na Literatura, tema muito próximo e abordado por ela. Nela, foi apontado a presença do suicídio em diferentes obras da literatura, sendo encontrado referências desde antes do século XIX. A Acadêmica citou autores famosos, além de Plath, que cometeram suicídio e o impacto em suas obras, como Virginia Woolf, Thomas Mann e Pedro Nava.

Acadêmico Antonio Egídio Nardi, um dos organizadores do simpósio, em sua apresentação

Na primeira parte do simpósio foi abordado a relação entre o suicídio e os transtornos alimentares (TA), um tema pouco comentado que foi destacado na apresentação do Prof. Walter dos Santos Gonçalves, Suicidio em Transtornos Alimentares. O professor deu uma visão geral dos TAs e as suas principais características, destacando o TCA, Transtorno de Compulsão Alimentar, a Bulimia Nervosa e a Anorexia Nervosa, além de ressaltar que a TA está na categoria de maior mortalidade entre os transtornos mentais, sendo o suicídio a principal causa de morte. Prof. Walter dos Santos compartilhou dados sobre a suicidalidade, especificando as incidências de cada transtorno, e as hipóteses que podem desencadear a situação.

A importância do tema Suicídio de Crianças e Adolescentes também foi destacado na apresentação da Prof. Laiana Quagliato, principalmente pela prevalência na taxa de suicídio entre os jovens. “Há uma crença equivocada de que crianças mais novas não pensariam em morte. Há uma crença por parte da sociedade que crianças mais novas não teriam ferramentas cognitivas suficientes para compreender a morte ou estimar graus de letalidade”, explica a professora Laiana. “Isso é equivocado, uma vez que as evidências mostram que com oito aninhos de idade, as crianças já tem uma compreensão do que é a morte e o conceito de suicídio”, continuou. A Prof. Quagliato exemplificou dados sobre o assunto, explicou o impacto da pandemia nos casos e citou os fatores de risco acumulados ao longo do tempo que gera um gatilho para o suicídio, como traumas, problemas de saúde mental e problemas relacionados à escola. Os números são alarmantes e mostram que as crianças que tentaram suicídio possuem até seis vezes mais chances de tentar novamente na adolescência.

O impacto da Pandemia de Covid-19 nos casos de suicídio foi uma tema muito debatido e pesquisado no período de isolamento. Ao apresentar o tema Suicídio durante a Pandemia COVID-19, o professor Alexandre Valença deu a visão geral dos casos e explicou a “cascata de acontecimentos que podem contribuir para transtornos mentais”. Ele ressaltou os estudos sobre a taxa de suicídio durante a pandemia, que não obteve um aumento e sim, um crescimento na ideação suicída e nas tentativas, mas “não houve um aumento significativo na taxa de mortalidade por suicídio durante a pandemia de Covid-19. A hipótese para explicar isso é que as pessoas teriam menor pressão social, menor pressão no trabalho, as pessoas estariam voltadas para único problema”, explicou Prof. Alexandre Valença ao finalizar a primeira parte do simpósio.


Para assistir o simpósio na íntegra, clique aqui e aqui.

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