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Formação médica deve ser mais do que teoria

18/11/2021

O tema do ensino médico, suas nuances e exigências é uma imposição na formação de novas gerações. A necessidade de incluir mais temáticas humanísticas e a interdisciplinaridade nos currículos das faculdades de medicina no Brasil foram unanimidades abordadas por palestrantes convidados para a IX sessão do Curso de Extensão em Cirurgia, da Academia Nacional de Medicina, realizada no dia 18 de novembro de 2021.

Para debater o amplo espectro em educação médica, ilustres professores brasileiros e convidados internacionais dividiram suas percepções e experiências sobre a formação médica e dos profissionais formados no país e que, atualmente, exercem suas funções no exterior.

O professor Aécio Gois, da Escola Paulista de Medicina, falou sobre o ensino na instituição e apresentou o conceito de currículo integrado, no qual conhecimentos da ciência básica e prática clínica são integrados, facilitando o aprendizado e sua aplicação no cuidado à saúde e na pesquisa.

Atualmente, o Brasil tem 374 escolas médicas, cerca de 500 mil em atividade e previsão de formação de 35 mil médicos a cada ano. E que médico queremos formar? Esse foi o tema debatido pelo professor Darcy Ribeiro Pinto Filho, da Universidade de Caxias do Sul (UCS), que falou sobre uso das tecnologias e o limite de suas interferências na relação médico-paciente e sobre a importância da consciência dos novos médicos na busca por fontes corretas de conhecimento.

A professora Maria Helena Lopes, também da UCS, tratou sobre os rumos da educação médica, destacando pontos necessário às instituições de ensino, aos docentes e aos estudantes para a formação de bons profissionais. E sintetizou “a empatia é uma das palavras nobres que nos distingue como pessoas e como médicos.”

Contando as experiências de ensino e formação médica no exterior, o professor Andrés Varela, da Universidade de Madri, o professor Hugo Esteva, da Universidade de Buenos Aires, e a professora Madalena Patrício, da Universidade de Lisboa, apresentaram entre formas de ingresso do estudante e o sistema de educação em seus países. Hugo destacou que há pouca interrelação entre as disciplinas no ensino da Universidade de Buenos Aires; Madalena destacou que é necessário mudanças no currículo universitário com o ensino baseado na simulação, sem perder a humanização. Por último, Andrés explicou como é o caminho dos estudantes de medicina espanhóis. 

No âmbito internacional, o médico Rodrigo Vianna, da Universidade de Miami, e Rodrigo Ruando, da Universidade do Texas, dividiram suas trajetórias pessoais com depoimentos sobre suas carreiras e como galgaram os caminhos no exterior. O presidente da ANM, Rubens Belfort, reforçou o papel dos médicos que atuam no exterior. 

– Nós não perdemos cérebros, pelo contrário, esses cérebros, com frequência, têm condições de se desenvolverem mais e melhor ainda. E repercutem de uma maneira muito positiva no nosso país, já que eles recebem pessoas, ajudam a formar pessoas, continuam participando dos programas de pós-graduação aqui no Brasil e atividades de especialização e esse enriquecimento é fundamental”, afirmou Belfort. 

O acadêmico Wanderley de Souza ainda comentou sobre iniciação científica, a sua importância para o desenvolvimento de novos médicos e ressaltou o programa brasileiro. “Existem no Brasil 100 mil alunos estagiários bolsistas de iniciação científica, apoiados, principalmente pelo CNPq e pelas fundações estaduais”. 

O pediatra Roberto Cooper foi outro convidado e dissertou sobre o currículo oculto. Aquelas práticas e experiências que constituem o profissional e estão relacionadas ao dia a dia da profissão e aos ensinamentos que a troca diária proporciona como: comportamentos, atitudes, valores e orientações.

– O currículo oculto não é algo bom ou ruim é apenas a constatação de que somos todos influenciáveis tanto pelo conhecimento adquirido de modo formal, quanto pelas sutilezas nas observações de quem nos inspira ou em quem vejamos como modelo,” disse Cooper.

De acordo Cooper, a formação médica não é exclusiva do período em que passamos na faculdade. “A nossa formação é permanente ou deveria ser, até o dia em que decidimos deixar a prática médica, assim vamos aprendendo todos os dias com os nossos pacientes, nossos colegas, com quem nos inspira e nos modela.”

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