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Fronteiras médicas

25/08/2021

As carreiras e conquistas de alguns médicos brasileiros no exterior foram os destaques da sessão científica, promovida pela Academia Nacional de Medicina, no dia 19 de agosto de 2021. Discutiu-se desde o impacto da tecnologia aplicada à medicina até as evidências científicas em estudos na área, perpassando pelas características de algumas doenças raras e outras mais prevalentes e a atuação médica. 

“A tecnologia anda em paralelo à medicina e vem expandindo suas fronteiras. Utilizando recurso humano, a tecnologia vem para servir aos pacientes e à saúde pública”, definiu o médico Julio Casoy, que atua na Pensilvânia, nos Estados Unidos. Casoy foi um dos convidados do simpósio “Fronteiras em medicina”, que abrangeu diversas inovações terapêuticas capazes de romper paradigmas e reflexões sobre a prática médica. 

Ele destacou que a pandemia de covid-19, com todo o impacto que causou no mundo, não deteve o progresso da tecnologia. Ao contrário, houve uma celeredidade em favor do desenvolvimento, incluindo a produção de vacinas em tempo recorde. 

Casoy reforçou que, ao longo de processos no desenvolvimento terapêutico, farmacológico e no campo da medicina diagnóstica, o que se observa, a cada ano, são grandes avanços com impacto significativo na prática médica. E dentro desse processo de levar os resultados da bancada experimental para a clínica, os estudos randomizados, bem delineados, são essenciais e uma importante contribuição para a Medicina. 

O médico Renato Lopes, membro da Duke University Medical Center, também dos Estados Unidos, defendeu a necessidade de mudar o padrão na geração de evidências científicas. Numa escala para comprovação da evidência científica, em termos de efeito de tratamento, e na comprovação se uma droga, uma intervenção ou uma estratégia de tratamento realmente funcionam, existem vários modelos de estudo, porém, segundo Lopes, o único que pode garantir causalidade, atribuindo eficácia ou não, é o estudo randomizado. Este é o único modelo que consegue eliminar um erro sistemático. “Os outros estudos vão servir para outros tipos de perguntas clínicas, mas para efetividade, para efeito de tratamento, nós temos que nos apoiar em estudos randomizados”, argumentou. 

Renato apresentou seu trabalho publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA), no qual traçou uma revisão muito detalhada das recomendações em diferentes áreas da cardiologia, nos últimos dez anos, e constatou que apenas 8,5% dos estudos são nível A em evidência científica, ou seja, poucos estudos apresentam precisão do que realmente funciona. Segundo ele, 50% das recomendações são classificadas como nível C, que significa opinião de especialista. 

“Isso mostra o problema atual de como a gente gera conhecimento científico. Isso põe em crise a pesquisa clínica sendo feita da maneira burocrática, morosa e muito cara. Por isso, precisamos de menos senso comum e menos achismo. Precisamos de ensaios randomizados.” 

Lopes aponta a necessidade de aproximar a pesquisa, a bancada, da assistência clínica que, classicamente, estão separadas, com grupo de profissionais distintos, o que, segundo ele, culmina em grande parte na burocracia e complexidade dos processos em saúde. 

O evento ainda contou com outros médicos brasileiros e expoentes em instituições americanas. Entre os quais, Claudio Fiocchi, da Cleveland Clinic, que tratou das interações e influências entre o ambiente, os genes, a microbiota intestinal e o sistema imunológico na resposta a doenças imunomediadas. Da Brown University, o médico Carlos Wambier abordou as fronteiras terapêuticas que avançam para o controle do SARS-CoV-2 e que tem levado a queda nas internações pela covid-19. 

Os médicos Cristian Riella e Leonardo Riella, da Harvard Medical School, abordaram a evolução, nos últimos 20 a 30 anos, dos testes genéticos, dos estudos sobre imunomodulação, sistema imune e a evolução dos transplantes. Já o médico Raul Nogueira, da Emory University School, foi outro convidado. Nogueira falou sobre avanços no tratamento do AVC agudo. Ainda participaram da sessão científica, os médicos André D’Avila, da Beth Israel Deaconess Medical Center; e Antonio Bianco, da University of Chicago, que contou aos presentes a mudança de paradigma no tratamento do hipotireoidismo através de uma linha do tempo entre a descoberta da doença, em 1874, até as recomendações atuais no tratamento. A professora de medicina da University of Miami, Cynthia Levy, falou sobre as características da colangite biliar primária – uma doença rara e que atinge, primordialmente, as mulheres e que, se não tratada, progride para cirrose e doença hepática terminal.

E da Université de Paris, na França, o especialista Renato Monteiro, que centrou sua apresentação sobre o papel dos anticorpos, os receptores celulares e a microbiota intestinal em nefropatias por IgA, conhecida por doença de Berger – uma das mais prevalentes no mundo, principalmente na Europa e na Ásia. 

Como mensagem a todos, destaque para Renato Lopes que falou sobre a inclusão do paciente como integrante central da pesquisa clínica. “Para que a gente possa mudar o ecossistema e a mentalidade, serão necessários investimentos público e privado em busca da qualidade e precisão nas recomendações que usamos na prática clínica”. 

Para assistir a íntegra da sessão, o link é https://www.anm.org.br/simposio-fronteiras-em-medicina-19-de-agosto-de-2021-parte-i/ e a segunda parte é https://www.anm.org.br/simposio-fronteiras-em-medicina-19-de-agosto-de-2021-parte-ii/.

 

 

 

 

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