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Notificar é preciso

01/12/2021

“Para aprender o que está acontecendo com a covid-19 na área de oftalmologia é importante notificar as autoridades de uma maneira correta no sentido de difundir mais as informações. Aprendemos muito nessa crise e a conduta da Anvisa vem sendo brilhante durante a pandemia”, enfatizou o presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Rubens Belfort, na abertura do simpósio “Eventos pós vacinas e manifestações oculares na covid 19”.

Em uma parceria com a Anvisa, o evento despertou grande interesse da comunidade científica e de médicos que, na manhã de sábado, 27 de novembro de 2021, participaram da live que contou com a coordenação do acadêmico Oswaldo Moura Brasil.

“Os dados atuais no mundo totalizam quase 42 mil notificações de eventos adversos na visão depois da imunização contra a covid-19. No Brasil, o número é de 305 casos, mas pode ser subnotificado. Até esse momento, a relação risco-benefício é favorável para manutenção da vacinação de todas os imunizantes autorizadas pela Anvisa”, afirmou Helaine Capucho, gerente de Farmacovigilância da Anvisa.

Sobre o perfil de segurança das vacinas relacionado às alterações em oftalmologia, existem cerca de 40 trabalhos publicados no mundo, explanou a especialista Luciana Finamor, da Unifesp. Ela explicou que os eventos adversos observados das vacinas são muito parecidos com as manifestações da doença. 

Em 25 casos pesquisados de alterações oftalmológicas pós vacinas foram 11 casos após a vacinação com o imunizante AztraZeneca. A vacina da Pfizer provocou oito casos de eventos adversos, sendo 50% de herpes e 25% de uveítes. Com a Coronavac foram relatados seis casos, sendo metade de cada sexo, e 50% tiveram uveítes.

– Vale ressaltar que a notificação é importante e faz parte do nosso trabalho de cuidar e colaborar com o desenvolvimento da ciência. Só assim teremos um perfil melhor dos nossos pacientes. A pandemia nos afastou de muitos, mas nos aproximou de outros e tem sido um grande momento de aprendizado para todos nós, disse Finamor.

As alterações oftalmológicas associadas ao SARS-CoV2 foram também apresentadas pela médica Heloísa Nascimento, do Programa Jovens Lideranças Médicas (JLM) da ANM. Segundo ela, 1% dos indivíduos estudados com a doença aguda apresentou conjuntivite sem gravidade e houve também um aumento de trauma ocular causado, principalmente, pelo uso de álcool gel. Ela conta que nas pesquisas com pacientes graves e hospitalizados com covid-19, percebeu-se, através do exame de fundo de olho, que 20% tinham lesão da retina, sendo que 3% com quadro de oclusão vascular que pode estar relacionados ao vírus ou ao estado inflamatório causado pela doença. Já um estudo realizado em alguns pacientes que faleceram, cujas famílias doaram os olhos, os pesquisadores encontraram partículas virais no local das alterações oftalmológicas.

– É preciso lembrar que a Anvisa não vai enxergar o que está acontecendo se não notificarmos. Esse processo precisa ser ágil, interconectado e com diálogo contínuo. A covid-19 é uma lição de humildade. Por isso, precisamos estudar bastante todas as alterações relacionadas”, disse Heloisa Nascimento.

Helaine Capucho reforçou isso e esclareceu que os eventos adversos das vacinas, que estão no mercado, são monitorados de forma contínua e initerruptamente. Segundo ela, esse é o papel da farmacovigilância que é uma ciência que põe os benefícios e riscos na balança. 

O Brasil tem registrado atualmente 29 publicações na área de oftalmologia informou médica Alléxya Affonso do programa de JLM e do Instituto da Visão. Um deles, segundo a médica, estudou 165 recém-nascidos expostos à covid-19 pela transmissão materna. Desses, apenas seis apresentaram PCR positivo, um com transmissão horizontal e cinco com uma possível transmissão vertical. Nenhum dos recém-nascidos tinha alterações oftalmológicas. Os autores chegaram à conclusão que existe uma baixa taxa de infecção da covid-19 em recém-nascidos.

– Esse tema ainda precisa ser mais estudado, porém a proteção desses recém natos é uma notícia positiva para a comunidade”, afirmou Affonso.

O acadêmico Oswaldo Moura Brasil destacou a importância da divulgação da notificação para o desenvolvimento cada vez mais do esquema vacinal e o conhecimento da população em geral.

“Nossa grande mensagem de hoje, além de todo conhecimento transmitido, é divulgar cada vez mais a notificação para que tenhamos mais dados com o objetivo de enfrentar essa doença ainda muito desconhecida e que é uma catástrofe mundial”.

Outro convidado do simpósio foi o gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes que comentou sobre a rapidez e segurança no desenvolvimento das vacinas contra covid-19. O farmacologista explicou que nunca se viu um investimento tão diverso de empresas e governos focado em uma pandemia. Para ele também houve um empenho e uma priorização por parte da comunidade científica, não só do Brasil, mas de todo o mundo que garantiu o desenvolvimento dessas vacinas num prazo menor de um ano. Além disso, nenhuma das tecnologias utilizadas foi totalmente desconhecida, pois quando se fala de vírus inativado e adenovírus como vetor, essas tecnologias já são utilizadas há bastante tempo.

– Temos que destacar que as agências reguladoras se modificaram e se otimizaram de várias formas para podermos ter avaliações céleres, mas ao mesmo tempo sem abrir mão do tripé segurança, qualidade e eficácia”, sintetizou Mendes.

O simpósio ainda contou com os comentários dos jovens líderes Camila Vieira Oliveira Carvalho Ventura, Caio Regatieri, Gabriel Costa de Andrade, Júlia Dutra Rossetto, Kallene Summer Moreira Vidal, Luiz Roisman, Marina Roizenblatt e Thales Antônio Cabral de Guimarães.

Para rever a sessão completa, acesse:

Parte I – https://www.anm.org.br/eventos-pos-vacinais-e-manifestacoes-oculares-na-covid-19-academia-nacional-de-medicina-e-anvisa-27-de-novembro-de-2021-parte-i/

Parte II – https://www.anm.org.br/eventos-pos-vacinais-e-manifestacoes-oculares-na-covid-19-academia-nacional-de-medicina-e-anvisa-27-de-novembro-de-2021-parte-ii/

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