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O impacto das doenças na obra de grandes compositores

14/01/2021

“De tudo ficaram três coisas: a certeza de que estamos a começar, a certeza de que é preciso continuar, a certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar”. 

Esta é frase do escritor Fernando Sabino, recitada pelo Secretário Geral da Academia Nacional de Medicina (ANM), Carlos Eduardo Brandão, no Programa de Verão: Humanismo & Música. O evento ocorreu na última quinta-feira (14), em homenagem ao acadêmico Ricardo Cruz, e mediado pelo acadêmico Marcello André Barcinski.

Após uma linha do tempo em fotos, que narrou a relação do ilustre acadêmico – que nos deixou no final de 2020 devido às complicações da covid-19 – com a ANM, desde os primeiros contatos aos últimos encontros, a sessão foi aberta pelo musicista Rafael Fonseca, do canal Guia dos Clássicos, definindo o tom de um encontro totalmente guiado pela música clássica como pano de fundo.

Rafael Fonseca, estudioso da música desde jovem, traçou uma análise aprofundada da obra de Beethoven e o impacto que a surdez apresentou em sua sonoridade. Segundo o apresentador, a carreira do célebre pianista pode ser dividia em três fases – a última, portanto, fortemente marcada pela perda da audição, que age não somente como uma subtração da habilidade musical, mas como uma abstração criativa que possibilitou a imaginação de novas estéticas na música.

Essa abertura no campo criativo também foi a premissa da análise do médico Matheus Kahakura, neurologista e neurorradiologista intervencionista do Instituto de Neurologia de Curitiba, também versado em música clássica, que seguiu a sessão com uma análise dos impactos da neurossífilis nas obras de Smetana e Donizetti, trazendo a história clínica de sintomas apresentados pelos compositores e observando suas obras a partir de um ponto de vista científico da doença.

Uma tarde memorável em homenagem a Ricardo Lopes Cruz.