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Pandemia nas Américas e países Ibéricos

01/12/2021

Encontro reuniu 10 países da América Latina e os dois Ibéricos com diferenças e semelhanças em relatos sobre as experiências de cada um no enfrentamento da covid-19 e os esforços para a formação de novos médicos, nos últimos 20 meses. 

O presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort, que também é presidente da Asociación Latinoamericana de Academias Nacionales de Medicina, España y Portugal, falou sobre a importância de ouvir os relatos de cada uma das nações para juntos elaborarem recomendações tanto para o enfrentamento de possíveis novas ondas com aumento no número de casos e óbitos pela covid-19, como estratégias para a formação médica nesse período. Segundo ele, é importante divulgar as recomendações desta reunião, organizada pela Academia Nacional de Medicina e pela Alanam, e assegurar o apoio governamental em cada país.

Uma aliança entre as Academias de Medicina das Américas na luta contra as inequidades em saúde foi a tônica da fala do acadêmico Paulo Buss. Segundo ele, a América Latina tem 209 milhões de pobres que, durante a pandemia, perderam trabalho e abandonaram seus estudos, além de sofrerem com a fome. 

Dados da Cepal, apresentados por Buss, apontam que 22 milhões voltaram à pobreza. O acadêmico brasileiro ressaltou ainda que não é mais possível usar a ortodoxia econômica na atualidade, na qual tantos passam fome e sofrem com o desemprego. Segundo ele, a pandemia não foi democrática, afetou os mais vulneráveis. Para Buss é importante olhar para o futuro com ações que vão além da saúde e englobem também outros determinantes sociais em saúde como transporte público seguro, seguridade alimentar e tarifas públicas acessíveis aos mais vulner’veis, promoção na assistência e infraestrutura de emergência para todos. 

Suas reflexões foram acompanhadas pelo acadêmico Rodolfo Armas Merino, presidente da Academia de Medicina do Chile, que também ressaltou o aumento da pobreza, mas destacou o respeito que a comunidade científica e médica alcançou durante a pandemia. Nos dias de hoje, até os mais ignorantes dominam termos como testes por PCR e sabem distinguir as variedades de cada imunizante.

Vários dos acadêmicos convidados como Gabriel Carrasquilla, da Colômbia, Antonio dos Santos, da Argentina, Galdys Bustamante, da Bolívia, Carlos Vera, do Paraguai, Augustin Iza, do Peru, Michelle Grunaer, do Equador, e Enrique López-Loyo, da Venezuela, relataram os processos que as faculdades de medicina de seus países adotaram, de forma célebre, para o prosseguimento à formação médica desde a suspensão de aulas, no início da pandemia, e como modelaram aulas práticas em online, além de comentarem as dificuldades de acesso à internet por muitos alunos, e como tem ocorrido a incorporação de novas tecnologias tanto na assistência como no ensino médico.

Cada país ainda fez um breve relato sobre o número de casos de covid, óbitos, vacinação alcançada e como esperam uma explosão de casos de outras doenças como cardiológicas e oncológicas, como mencionado pelo acadêmico Ramón Martinéz, da República Dominicana, em virtude de um atendimento represado nesse período. Um importante relato também foi trazido pelo presidente da Academia Portuguesa de Medicina, Duarte Nuno Vieira, sobre as contribuições da medicina legal forense na pandemia e como esta ciência foi impactada também em seus procedimentos.

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