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Silvano Raia

16/09/2021

O acadêmico nonagenário foi homenageado em simpósio

“Posso dizer que ele é um dos mais aguerridos. É um exemplo de sucesso e de brilhantismo durante décadas. Ele fez muitas contribuições relevantes durante a vida inteira e continua fazendo. Seus planos para o futuro são fantásticos. Nesse evento, ele juntou, graças ao seu carisma, os melhores nomes que representam a medicina, a literatura e a cultura,” declarou o presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Rubens Belfort Jr, na abertura do simpósio “Homenagem aos Acadêmicos Nonagenários”, realizado de forma online, dia 16 de setembro de 2021, que, nessa edição, homenageou o acadêmico Silvano Raia.

O coordenador e homenageado do simpósio, Silvano Raia, destacou que está vivendo um período adicional que muitos chamam de “terceiro ato da vida”.

“A nossa geração presenciou o progresso e as modificações da civilização humana, pois estamos vivos há quase um século. Hoje, o mundo virou uma aldeia onde nos comunicamos instantaneamente por meio dos computadores. Nós estamos vivendo um novo mundo. Para nós, quase centenários, nada teve efeito maior do que o acréscimo de viver mais 30 anos em comparação à geração que nos precedeu. Poder rever as influências, as distorções e definir realmente quem somos é inédito”, enfatizou o nonagenário.

Segundo a professora da USP, Mayana Zatz, atualmente existem cerca de 500 mil centenários vivendo ao redor do mundo. E, estima-se que até 2040 o número de centenários cresça em mais de 700%. Para Zatz, a maioria das características humanas da longevidade dependem da interação do ambiente e dos genes. O envelhecimento saudável, por exemplo, depende de 80% do ambiente e 20% da genética.

Em relação ao ambiente, os fatores associados a longevidade são: controlar o estilo de vida, praticar atividade física regular, manter uma dieta adequada e praticar uma restrição calórica. Ela explica que a atividade física melhora a autofagia, reduz o risco de doenças cardiovasculares e o hormônio liberado durante a prática do exercício regula a função cognitiva. Já uma dieta mediterrânea reduz em até 40% as chances de se ter doenças degenerativas e a restrição calórica possibilita uma redução dos radicais livres.

“A medicina do futuro deve ser preditiva, preventiva, personalizada e participativa. É assim que vejo a abordagem também aos nonagenários e centenários. Em entrevistas que realizei com esse público, me revelaram os segredos para longevidade, são eles: amar as pessoas, ser otimista, ter paixão e dar muitas risadas”. 

O acadêmico Gilberto Schwartsmann, que coleciona desde a adolescência edições da Divina Comédia, do italiano Dante Alighieri, até hoje se delicia com seus versos. Por isso, trouxe para o debate um pouco sobre a obra do autor. 

A Divina Comédia foi publicada no século XIV durante o período do Renascimento. Ela representa um dos maiores clássicos da literatura universal. Esse grande poema épico é repleto de simbolismos e alegorias. Dante critica filósofos, religiosos e políticos que viveram em sua época. O poema é narrado em primeira pessoa, onde Dante é o narrador e ainda, o personagem principal.

Com grande maestria e uma linguagem alegórica, o autor descreve sua trajetória no inferno, no purgatório e no paraíso.

“A Comédia é uma obra ímpar, mas é também o prenuncio de uma futura modernidade, um abrir de olhos para o Renascimento, uma verdadeira iluminação. A obra descreve os sentimentos humanos, pleno de metáforas. Dante é um grande poeta”, ressalta Schwartsmann.

O acadêmico Antonio Carlos Secchin, da Academia Brasileira de Letras, presenteou os participantes com versos de João Cabral de Melo Neto, que inaugurou um novo modo de fazer poesia na literatura. De acordo com o acadêmico, a essência da atividade poética do autor mostra a tentativa de desvendar os elementos concretos da realidade, que se apresentam como um desafio para a inteligência do próprio poeta. Na poesia “Tecendo a manhã”, o poeta metaforicamente fala sobre solidariedade, união e liberdade. O imortal declamou alguns versos:

“Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito, que ele o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito, que um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos.” 

Numa participação em vídeo, o ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, discursou sobre cultura e democracia.

“O fundamental é aprender a pensar. Na universidade, aprendemos o valor da liberdade, aprendemos o valor da responsabilidade. É preciso respeitar os limites e aceitar o outro. Olhar em volta e ter humildade para reconhecer as mudanças. O importante é o amor e a liberdade. Temos que nos adaptar e ter a coragem de encarar o mundo que vem pela frente. O diálogo entre o mundo é necessário. A cada momento da história, o mundo se comporta de uma forma. A transformação tecnológica foi brutal. Hoje, com um simples aparelho de bolso podemos nos conectar com o mundo, sem qualquer barreira. As pessoas são vez e voz”.

O escritor Pedro Corrêa do Lago, brindou a plateia com sua coleção de manuscritos que formou ao longo de 50 anos. Seu livro “A magia do manuscrito” foi publicado em seis idiomas. Entre fotos, cartas, rascunhos, desenhos e documentos em pergaminho, o escritor apresentou originais de manuscritos de Michelangelo,Van Gogh, Napoleão, Dom Pedro II, entre outros ilustres da história nacional e internacional. 

“Eu vi o mundo… Ele começava no Recife” foi a obra do autor Cícero Dias (1907-2003) escolhida pelo professor José Francisco Alves para expor no Simpósio. Dias foi pintor, desenhista e ilustrador brasileiro, grande representante da pintura modernista do Brasil. 

Nos comentários finais, o acadêmico José Camargo de Jesus fez uso da palavra para descrever o homenageado: “Seu entusiasmo continua intacto. Silvano sempre mostrou inquietude e essa inquietude é o melhor antídoto contra o envelhecimento. Ele tem fascínio pelo novo, pela descoberta e pela forma de progredir. Ele nos passa isso todos os dias, finalizou o Camargo.” As palestras contaram com os comentários dos acadêmicos Paulo Hoff, Marcello Barcinski, Francisco Sampaio, Rui Maciel, José Carlos do Valle e Rubens Belfort Jr.

Para rever a sessão, acesse https://www.anm.org.br/simposio-homenagem-aos-academicos-nonagenarios-16-de-setembro-de-2021-parte-i/.

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