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Várias formas de beleza e cultura nas artes

02/12/2020

Discutir os diferentes olhares sobre a beleza em nossa cultura foi o tema central do simpósio “A beleza e a cultura”, realizado dia 26 de novembro de 2020, pela Academia Nacional de Medicina (ANM), que encerrou o ciclo de debates virtuais do ano. A programação incluiu reflexões sobre aspectos filosóficos e históricos relacionados ao tema, bem como a expressão da beleza nas artes. A abertura do evento foi feita pelo presidente da ANM, Rubens Belfort Jr e a coordenação pelo acadêmico Gilberto Schwartsmann.

“Ao longo da história, o belo se confunde com o bom e vem daí a associação que fazemos com virtude. Os palestrantes dessa tarde são pessoas de grande virtude em suas áreas de atuação e representam a cultura do nosso país. Eles irão nos revelar que a beleza pode nos surpreender na filosofia, no cinema, na música, na poesia, nas artes visuais e na medicina”, destacou Schwartsmann.

Na primeira parte do simpósio, para falar sobre a beleza nas artes, o professor Carlos Augusto Calil, da USP e ex-diretor-presidente da Embrafilme, fez um passeio por vários clássicos do cinema mundial. Nessa trajetória, apresentou trechos de obras emocionantes que marcaram gerações na telona. Entre estas, o filme “O segredo das joias”, do diretor John Huston, da década de 1950. Outro exemplar citado foi o clássico Drácula”, de 1931, do diretor Tod Browning, uma obra que até hoje é revisitada em vários remakespelo mundo e que aborda a beleza dos monstros.

A literatura foi representada pelo poema-manifesto “Cântico negro”, de José Régio, publicado em 1926, e recitado pelo acadêmico Gilberto Schwartsmann. 

O simpósio também contou com a participação do professor Francisco Marshall, professor de História da Arte, da UFRGS, que discorreu sobre “Kalokagatia: beleza, ética e sociedade” – kalokagathia é um conceito grego derivado da expressão kalos kai agathos (καλός καi αγαθός),que significa literalmente belo e bom, ou belo e virtuoso. O professor José Francisco Alves de Almeida, da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul, foi outro convidado e debateu o tema “Marcel Duchamp o conceito de beleza no século XX” e o maestro Evandro Matté, da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, que discursou sobre “Proporções e disposições harmônicas: a beleza na música”.

Na segunda parte do simpósio, acadêmicos foram convidados: os cirurgiões plásticos Talita Romero e José Horário Costa Aboudib Junior. A acadêmica Talita Franco falou sobre envelhecimento, beleza e tirania ao longo dos séculos e entre as diferentes culturas, citando o caso das chinesas que enfaixavam os pés para que os mesmos ficasse pequenos, ou costumes indígenas de fazer pequenas queloides de forma geométrica para enfeitar corpos; e a evolução das cirurgias plásticas e os casos de transtornos de autoimagem como o do cantor Michael Jackson.

Franco ressaltou ainda que “envelhecer não é associado ao belo, e hoje há um assédio de vários profissionais de outras categorias da saúde como dentistas, biomédicos e fisioterapeutas que prometem rejuvenescimento sem uma formação adequada. “Um tratamento estético mal feito é muito ruim para pacientes e também para a medicina.” 

O cirurgião plástico e também acadêmico José Horário Costa Aboudib Junior abordou o padrão de beleza fermina entre as diferentes culturas ao longo dos séculos. Desde imagens das esculturas de Venus 40 mil anos antes de Cristo até curiosidades sobre os corpos de tribos africanas no século XIX. Em sua apresentação ainda destacou que nos Estados Unidos, as mamas são o foco; no Brasil há a preocupação com as nádegas. 

“Entre 1970 e 2010, o crescente interesse pelas nádegas pode ser comprovado pelas capas da revista Playboy. Em 190, 66% das capas eram de mamas e 0% de nádegas. Em 2010, 66% das capas trouxeram nádegas femininas”, mostrou Aboudib. Estes fatos, segundo ele, levaram os cirurgiões plásticos a estudar e sistematizar, com bases anatômicas, a gluteoplastias de aumento com próteses de silicone. “Nós cirurgiões, temos extremos limites na arte de criar, pois somos escravos da anatomia. A beleza é fácil de identificar e impossível de definir”, disse.

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