A Academia Nacional de Medicina (ANM) realizou, nesta quinta-feira (15), a Sessão de Cirurgia de Ortopedia, organizada pelos acadêmicos Carlos Giesta, Paulo Couto, Karlos Mesquita e Tarcisio de Barros. A abertura ficou a cargo do presidente da ANM, Antonio Egidio Nardi. Antes, a Academia outorgou o título de correspondente nacional aos professores José Márcio Soares Leite, do Maranhão, e Ricardo Ferreira Bento, da USP. Professor Bento resumiu seu compromisso: “unir excelência e humanidade, inovação e responsabilidade, conhecimento e serviço”.

Alexandre Pallottino (RJ), presidente do Comitê de Trauma da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), defendeu o Projeto Casa Segura, criado em 1999, para reduzir fraturas em idosos. “A solução não é só tratar. A solução é a gente prevenir”, afirmou. Segundo ele, um quarto dos pacientes com fratura de quadril morre nos dois primeiros anos no Brasil. Ele pediu que a família participe da adaptação da casa: “São atitudes simples, de mudança de mobiliário e de atitude, que salvam vidas.”
Marcos Esner Musafir (RJ), ortopedista da SBOT, apresentou o panorama do trânsito. Segundo ele, cerca de 1,3 milhão de pessoas morrem por ano no mundo, e as motos respondem por um terço dos óbitos e dois terços das internações no país. Ele citou a pesquisa nacional feita em setembro com a Fiesp, com mais de 23 mil usuários de veículos de duas rodas. Uma carta com propostas será entregue ao presidente da República e aos governadores após o segundo turno. Sobre a prevenção, Musafir brincou que “a estrada mais perigosa da vida na madrugada não é a do trânsito, é a do quarto ao banheiro”.
Marco Antonio Percope (MG), professor titular da UFMG, afirmou que a inteligência artificial e a cirurgia robótica ampliam a capacidade do médico, sem substituí-lo: “O cirurgião toma a decisão; o robô ajuda a tornar a decisão reprodutível.” Ele citou estudo de 2026 na The Lancet, com 168 pacientes operados com robô e 171 pela técnica convencional. Não houve diferença clínica relevante, e o robô custou mais.
Alexandre Fogaça Cristante (SP), professor titular da USP e presidente da Sociedade Brasileira de Coluna, defendeu o tratamento conservador na estenose lombar. A cirurgia fica para os casos em que ele falha, e a fusão vertebral só se houver instabilidade. Raphael Martus Marcon (SP), professor associado da USP, resumiu o debate sobre endoscopia: “O progresso não é fazer a maior cirurgia possível nem a menor. É escolher a intervenção suficiente para alcançar um objetivo clínico relevante, com risco proporcional ao benefício.”
Adalberto Visco (BA), ex-presidente da ABOT e da SBOT, defendeu avaliar a fragilidade, e não só a idade, antes de operar idosos: “Não operamos uma idade, operamos uma pessoa.” Romeu Krause (PE), presidente da Academia Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (ABOT), foi cético quanto aos ortobiológicos, como plasma rico em plaquetas e células da medula: “Ciência, sim, em indicações selecionadas. Marketing, sim, quando a promessa excede os dados.”
No encerramento, o Presidente da ANM destacou que “o verdadeiro progresso da medicina não deve ser medido apenas pelo que somos capazes de fazer, mas pelo benefício real que proporcionamos aos nossos pacientes e à sociedade”.