A Academia Nacional de Medicina realizou nesta quinta-feira (12), mais uma Sessão Ordinária marcada por homenagens e apresentações científicas de grande relevância. A reunião foi conduzida pelo presidente interino, Acadêmico José Galvão-Alves, com secretaria do Acadêmico Maurício Magalhães Costa.

A programação teve início com a Sessão da Saudade em memória do Acadêmico Omar da Rosa Santos. A cerimônia reuniu colegas e familiares em um momento de reconhecimento à sua trajetória, com discursos dos Acadêmicos Mauricio Younes, Aníbal Gil Lopes e Carlos Alberto Basílio de Oliveira. Também se manifestaram os Acadêmicos Pietro Novellino, Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro e Carlos Eduardo Brandão Mello. O encerramento ficou a cargo de Omar Lupi Rosa dos Santos, representando a família.

Durante a sessão, foi lançado o livro “Patologia da Tiróide: Fundamentos e Conceitos”, coordenado pelo Acadêmico Carlos Alberto Basílio de Oliveira. A publicação reúne 32 capítulos e integra diferentes áreas do conhecimento, como patologia, imagem, biologia molecular e aplicações clínicas. A obra foi destacada como uma importante contribuição científica, fruto de colaboração entre diferentes gerações e centros acadêmicos.

No bloco científico, o Acadêmico José Medina Pestana apresentou uma atualização sobre o transplante renal no Brasil. Segundo ele, os avanços recentes decorrem principalmente de melhorias contínuas na prática clínica, com aumento na sobrevida dos enxertos.
O especialista destacou a predominância atual de doadores falecidos no país, reflexo do aumento da conscientização sobre a doação de órgãos. Apesar dos progressos, persistem desigualdades regionais, com maior concentração de serviços nas regiões Sul e Sudeste.
Entre os desafios, foi ressaltada a importância de fortalecer a infraestrutura dos programas de transplante, incluindo equipes especializadas e sistemas eficientes de captação e alocação de órgãos.
Na sequência, o professor Leonardo Riella abordou o xenotransplante renal, apontado como uma alternativa promissora diante da escassez de órgãos.
Ele destacou o papel da edição genética, especialmente por meio da tecnologia CRISPR, na modificação de órgãos de origem suína para torná-los compatíveis com o organismo humano. Resultados iniciais em humanos indicam viabilidade funcional dos enxertos e controle de rejeição, sem evidências relevantes de transmissão infecciosa até o momento.
O campo avança agora para fases mais estruturadas de pesquisa clínica, com perspectivas de personalização genética dos órgãos.
Encerrando o bloco científico, o Acadêmico José Suassuna apresentou uma análise crítica da síndrome cardiorrenal-metabólica. Ele propôs um modelo baseado no conceito de adiposidade disfuncional, com foco no papel do tecido adiposo e do fígado na origem das alterações metabólicas.

A proposta busca superar limitações da classificação atual, considerada pouco específica em estágios iniciais, e contribuir para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais integradas e precoces.
Ao final da sessão, a Academia reafirmou seu compromisso com a promoção da ciência e da educação médica. Entre os encaminhamentos, destacam-se o apoio à difusão da obra lançada, o fortalecimento das comissões intra-hospitalares de transplante e o acompanhamento dos avanços em xenotransplante, além do incentivo à integração multidisciplinar nas discussões científicas.
A sessão foi encerrada com agradecimentos à presença dos Acadêmicos e convidados.