A Academia Nacional de Medicina realizou, nesta quinta-feira (09), uma Sessão da Saudade em homenagem ao Acadêmico Ricardo José Lopes da Cruz, integrada à quinta sessão ordinária do 197º ano acadêmico, que teve como destaque a sessão “Avanços na Visualização de Sistemas Biológicos”, reunindo especialistas em torno de inovações em diagnóstico e biotecnologia.

A cerimônia em memória de Membro Titular Ricardo Cruz reuniu familiares, amigos e Acadêmicos, entre eles sua esposa Denise, a irmã Tereza e o filho André. Na abertura, o Presidente Antonio Egidio Nardi destacou a permanência simbólica do homenageado: uma presença que “permanece viva entre nós”.
Eleito Membro Titular em 2013, ocupando a cadeira nº 62, Ricardo foi lembrado como “um verdadeiro construtor de vínculos”, reconhecido pela elegância, curiosidade intelectual e respeito à instituição.
A Acadêmica Margareth Dalcomo ressaltou a complexidade de defini-lo: “Como falar de uma personalidade tão múltipla e tão absolutamente especial como Ricardo José Lopes da Cruz?”. Em sua fala, destacou o equilíbrio entre rigor científico e sensibilidade humana, além de sua atuação no projeto Humanidade na Saúde. Ao final, sintetizou: “Ricardo Cruz, presente”.

O Acadêmico Jacob Kligerman relembrou a dedicação prática do colega ao cuidado com pacientes: “Escovando os dentes do paciente e começando a dar o banho. Isso era o Ricardo Cruz”. O Acadêmico José de Jesus Peixoto Camargo destacou sua visão humanista: “A medicina é, antes de tudo, um rigor científico que não se sustenta sem o amparo da compaixão”.


Entre outros depoimentos, os Acadêmicos Walter Zin, Daniel Tabak, Rui Haddad e Jair de Castro ressaltaram o caráter visionário, formador e ético de Ricardo.
Em um dos momentos mais emocionantes, Denise afirmou: “Ricardo faz falta todos os segundos […] mas ele deixou tanto que vamos lembrá-lo e celebrá-lo para sempre”. Ela também anunciou a criação do Instituto Ricardo Cruz, dedicado à preservação de seus valores.

Na sequência, a Sessão Ordinária foi aberta pelo Presidente, Acadêmico Antonio Egidio Nardi, com a presença dos ex-Presidentes Pietro Novellino, Eliete Bouskela e Francisco Sampaio. O secretário-geral Maurício Magalhães apresentou o relatório semanal e destacou produções científicas e participações na mídia.

A programação científica teve início com o médico Helio Magarinos Torres, do Laboratório Richet, que abordou avanços no diagnóstico do Alzheimer, com destaque para o biomarcador p-tau 217: “Provavelmente o teste de química clínica mais importante desde a troponina”. Apesar dos avanços, ele alertou: “Não existe indicação para isso [rastreamento] neste momento”.
A Sessão “Avanços na Visualização de Sistemas Biológicos”, coordenada pelo Acadêmico Wanderley de Souza, trouxe novas perspectivas sobre tecnologias de imagem. O Professor Gustavo de Menezes, do Departamento de Morfologia da Universidade Federal de Minas Gerais, apresentou estudos com microscopia intravital: “Nós vamos ver um animal vivo”, destacando a observação em tempo real da resposta imune.

Na sequência, Professor Wanderley de Souza enfatizou o potencial da criomicroscopia: “Abre um caminho extremamente importante”. Encerrando a conferência, Antônio José Roque (Diretor Geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais – CNPEM, de Campinas em São Paulo) apresentou o Sirius, acelerador de partículas de última geração, ressaltando: “É uma construção de milhares de brasileiros”.
Nos comentários finais, o Acadêmico Carlos Alberto Mandarim-de-Lacerda resumiu a percepção geral: “Estou maravilhado com a sessão que tivemos aqui hoje”. Já a ex-Presidente e Acadêmica Eliete Bouskela destacou o orgulho nacional diante das iniciativas apresentadas. Ao encerrar, Antonio Egidio Nardi afirmou: “Todos nós ficamos muito admirados com a qualidade e com a inovação que vem sendo realizada nessa área”.
A sessão foi concluída com a proposta de uma visita institucional ao Sirius, reforçando o compromisso da Academia com a integração entre ciência, inovação e formação médica.