Morre Acadêmico Silvano Raia, pioneiro dos transplantes de fígado na América Latina e Membro Titular da ANM

28/04/2026

A Academia Nacional de Medicina comunica, com profundo pesar, o falecimento do Membro Titular Silvano Raia, aos 95 anos, em decorrência de problemas pulmonares. Eleito para esta Academia em 16 de maio de 1991, sucedeu o Acadêmico Edmundo Vasconcellos na Cadeira nº 30. Professor Emérito da Universidade de São Paulo, Raia foi um dos maiores nomes da medicina brasileira e latino-americana, reconhecido por sua trajetória marcada pela excelência, inovação e dedicação inabalável ao ensino e à assistência médica.

Pioneiro na realização de transplantes de fígado na América Latina, conduziu, na década de 1980, procedimentos históricos no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, consolidando-se como referência mundial na área.

Nos últimos anos, dedicava-se intensamente às pesquisas em xenotransplantes, técnica que utiliza órgãos de animais geneticamente modificados para transplante em humanos. Em março deste ano, liderou uma iniciativa da Universidade de São Paulo que resultou na clonagem do primeiro porco do Brasil e da América Latina, um marco para a ciência nacional.

Reconhecido internacionalmente, também foi membro fundador da Sociedade Latino-Americana de Hepatologia, instituição que presidiu em 1968, além de integrar importantes entidades médicas, como o College of Surgeons, o American College of Surgeons e a Royal Society of Medicine. No Brasil, presidiu a Sociedade Brasileira de Hepatologia entre 1982 e 1983 e participou ativamente de entidades como a Associação Paulista de Medicina e a Associação Médica Brasileira. Entre 1993 e 1995, ocupou o cargo de secretário municipal de Saúde de São Paulo.

“É com profundo pesar que, como Presidente da Academia Nacional de Medicina, recebo a notícia do falecimento do Acadêmico Silvano Raia. Líder incontestável da Medicina no Brasil, Professor Emérito da Universidade de São Paulo, Professor Raia construiu uma trajetória marcada pela excelência, inovação e dedicação inabalável ao ensino e à assistência médica. Sua energia singular, sua visão pioneira e sua capacidade de inspirar gerações de médicos permanecerão como um legado vivo entre nós. Mais do que um grande cirurgião, foi um exemplo de compromisso com a ciência, com os pacientes e com o futuro da Medicina brasileira. Neste momento de dor, expressamos nossa solidariedade à família, aos amigos e a todos os colegas que tiveram o privilégio de conviver com sua presença marcante. Sua ausência será profundamente sentida por todos nós, mas sua obra e seu espírito seguirão iluminando os caminhos da Medicina e da Academia Nacional de Medicina”, lamentou o presidente da ANM, o Acadêmico Antonio Egidio Nardi.

O velório acontece nesta terça-feira, das 15h às 20h, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e será aberto ao público.

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