A Academia Nacional de Medicina dedicou a tarde e a noite de 17 de setembro à neurocirurgia, em sessão organizada pelos Acadêmicos Carlos Giesta e Paulo Niemeyer, na sede da instituição. Antes da programação científica, a ANM outorgou o título de Honorário Nacional ao professor Jaderson Costa da Costa, indicado pelo acadêmico José de Jesus Camargo. Ao agradecer, ele disse: “Eu me sinto agora comprometido com a Academia Nacional de Medicina”. O presidente, acadêmico Antonio Egidio Nardi, respondeu: “A partir de hoje, esta casa é também sua”.

Na Sessão Plenária, o Presidente Nardi passou a condução dos trabalhos ao Acadêmico Paulo Niemeyer. Ele agradeceu ao Acadêmico Giesta e ressaltou que todos os palestrantes se formaram no Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IEC) e hoje são titulares em suas áreas. Informou também que a Fundação do Cérebro, criada pelos próprios médicos, assumiu há três meses a gestão da unidade, que passou a ser “gerida pelos médicos”, o que, segundo ele, traz mais agilidade e eficiência.
André Accioly Guasti falou sobre a importância da neuroendocrinologia na condução dos adenomas de hipófise. Contou que a equipe multidisciplinar do IEC, inaugurado em 2013, reúne-se todas as quartas-feiras desde então. Até maio de 2025, o instituto havia realizado 1.824 cirurgias de patologias selares, e neste ano o total já passou de 2 mil. Como cerca de 90% dos casos são operados por via transesfenoidal, a endoscopia ampliou a visão da base do crânio. Sua conclusão foi que o planejamento deve ser “cuidadoso, sem improvisos e com estruturação hospitalar para uma cirurgia segura”.
Maria Anna P. B. Soares Brandão apresentou a experiência do IEC com cirurgia fetal para mielomeningocele, feita em parceria com a Maternidade Escola da UFRJ desde 2017. Segundo ela, já são 105 gestantes operadas. Lembrou que o estudo publicado em 2011 no New England Journal of Medicine mudou a prática mundial e resumiu: “A cirurgia fetal transformou o feto num paciente passível de tratamento”. Professor Paulo Niemeyer acrescentou que a maioria dessas crianças nasce paraplégica e que a cirurgia reduz em cerca de 50% o número de casos com déficit motor.
Em alusão ao Setembro Dourado, Gonzalo Castillo Pérez abordou os tumores supratentoriais em neurocirurgia pediátrica. Entre 2013 e 2026, o IEC operou 1.225 tumores pediátricos, dos quais 535 supratentoriais. Sobre o cuidado com as famílias, disse: “A gente não vai tratar um paciente pediátrico. A gente vai tratar uma família toda”.
Jorge Luiz Amorim Corrêa, coordenador do laboratório de microcirurgia do IEC, percorreu a evolução do diagnóstico, da arteriografia e da primeira tomografia, em 1977, à ressonância e à imunoistoquímica. Mostrou casos com ressecções amplas e uma cirurgia com a paciente acordada para mapear a fala. Segundo ele, hoje é possível “manter o paciente neurologicamente intacto em situações que antes a gente não conseguia”, sob o lema do instituto: assistência, pesquisa e educação.
A programação também incluiu palestras de Elias Tanus e Eduardo Giardini Rodovalhe Pereira, ambos do IEC, sobre tratamento endovascular e revascularização cerebral.
Encerrando a programação científica, Professor Paulo Niemeyer falou sobre o tratamento cirúrgico dos movimentos involuntários, área da cirurgia funcional. Lembrou que a operação “não vai curar a doença, mas vai melhorar os sintomas”. Mostrou filmes históricos do pai, pioneiro na América Latina, e casos atuais de estimulação cerebral profunda e lesões estereotáxicas, incluindo o do pianista João Carlos Martins, que autorizou a exibição.
Na discussão, a Acadêmica Eliete Bouskela disse que os resultados apresentados “dão uma esperança muito grande”. O acadêmico Oswaldo Nascimento comparou a sessão a “uma regência bem feita” e destacou o “protagonismo na neurocirurgia nacional” do Rio de Janeiro. O neurocirurgião, Paulo Niemeyer, encerrou dizendo que o sucesso do instituto vem de sua equipe jovem e que é possível oferecer “atendimento de qualidade pelo SUS” com boa gestão.