Atendimento de emergências no centro do debate sobre o futuro da medicina na ANM
27/08/2026
A Academia Nacional de Medicina (ANM) realizou, nesta quinta-feira (27), uma programação marcada pelo reconhecimento à excelência científica, pela preservação da memória institucional e pelo debate sobre os desafios contemporâneos da medicina. A agenda reuniu a outorga do Título de Correspondente Nacional à Dra. Selma Jeronimo, a Sessão da Saudade em homenagem ao Acadêmico José Manoel Jansen e uma sessão plenária dedicada ao atendimento de emergências no Brasil, com discussões sobre inteligência artificial, inovação, aspectos éticos e psicossociais e abordagem multiprofissional do paciente crítico.
ANM realiza outorga do Título de Correspondente Nacional a Selma Jeronimo
A Dra. Selma Jeronimo recebeu o Título de Correspondente Nacional da Academia Nacional de Medicina, em reconhecimento à sua trajetória científica e acadêmica. Indicada pelo Acadêmico Natalino Salgado, a pesquisadora foi destacada por sua contribuição à ciência brasileira e à pesquisa em saúde pública, especialmente em áreas relacionadas às doenças negligenciadas.
Em sua saudação, Professor Natalino ressaltou a trajetória da homenageada desde o Rio Grande do Norte até o reconhecimento no cenário científico nacional, destacando também seu trabalho na formação de pesquisadores.
“A senhora é a prova de que o Brasil científico não cabe apenas nos grandes centros.”
Emocionada, Dra. Selma agradeceu a homenagem e o reconhecimento da Academia.
Sessão da Saudade homenageia José Manoel Jansen
A programação prosseguiu com a Sessão da Saudade, dedicada à memória do Acadêmico José Manoel Jansen. A homenagem reuniu familiares, amigos e confrades e teve como principal orador o Acadêmico José Augusto da Silva Messias, que recordou a trajetória profissional e pessoal do colega.
Médico, professor e pesquisador, Professor Jansen construiu uma carreira marcada pela pneumologia, pelo ensino, pela pesquisa e pela formação de gerações de médicos. Ao falar sobre sua personalidade e sua permanente busca pelo conhecimento, Messias afirmou:
“Sua inquietude, principalmente intelectual, fez dele o profissional que nós conhecemos.”
A homenagem também ressaltou os valores humanos que marcaram sua trajetória e a própria essência da profissão médica. Para Messias, o conhecimento técnico deve estar associado à empatia, à solidariedade e à capacidade de compreender o paciente.
“Médico é médico. Um substantivo que se conclui e se esgota nele mesmo.”
A Sessão da Saudade transformou-se, assim, em um momento de reconhecimento ao legado científico, profissional e humano de Professor José Manoel Jansen e aos vínculos construídos ao longo de sua trajetória.
Atendimento de Emergências no Brasil reúne tecnologia, ética e humanização
O terceiro momento da programação foi a Sessão Plenária “O Atendimento de Emergências no Brasil”, coordenada pelos Acadêmicos Ronaldo Damião, José Galvão-Alves e Roberto Kalil. A abertura foi realizada pelo presidente da ANM, Acadêmico Antonio Egidio Nardi.
A sessão reuniu diferentes perspectivas sobre os desafios atuais da emergência e do cuidado ao paciente crítico, estabelecendo uma conexão entre inovação tecnológica e humanização da assistência.
Na sessão Recentes Progressos, coordenada pelo Professor José Galvão-Alves, o Acadêmico Giovanni Cerri apresentou o tema “Inteligência Artificial na Saúde”. A discussão abordou o crescimento da utilização da inteligência artificial na medicina e seu potencial para transformar processos de diagnóstico, análise de dados, gestão e tomada de decisões. A tecnologia foi apresentada como uma ferramenta de apoio à prática médica, capaz de ampliar a eficiência e a precisão dos serviços de saúde.
Na sequência, Professor José Galvão-Alves discutiu os “Desafios Éticos e Aspectos Psicossociais do Paciente de Emergência”. O Acadêmico destacou a complexidade do atendimento emergencial, no qual o médico precisa tomar decisões rápidas diante de situações muitas vezes incertas, enquanto o paciente se encontra em um momento de extrema vulnerabilidade.
“Um encontro de duas vulnerabilidades: a do paciente ameaçado pela doença, por vezes indefinida, e do médico chamado a decidir sob incerteza.”
Professor Galvão ressaltou que o atendimento não deve se limitar ao diagnóstico e ao tratamento, defendendo a importância da comunicação, da empatia e do acolhimento, especialmente em situações de sofrimento, más notícias e morte.
A professora Ludhmila Hajjar apresentou o tema “A Inovação na Abordagem do Paciente Crítico e na Formação Profissional”, destacando a importância de incorporar novas tecnologias e estratégias de cuidado sem perder de vista os resultados concretos para o paciente. Segundo ela:
“A tecnologia tem que ter desfecho. Equipamentos isolados não salvam vidas.”
Doutora Ludhmila também defendeu uma visão sistêmica do paciente dentro do ambiente hospitalar, evitando a fragmentação da assistência entre diferentes setores.
“O paciente, que é um só e que passa por diversos locais do hospital, deveria ter um único olhar, um olhar sistêmico.”
O Acadêmico Roberto Kalil abordou a “Importância da Abordagem Multiprofissional no Paciente Crítico”. Em sua apresentação, ressaltou que a qualidade do cuidado depende da integração entre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos e os demais profissionais envolvidos na assistência.
Para o Professor Kalil, a atuação conjunta das diferentes áreas representa um dos caminhos para melhorar os resultados clínicos e preservar a dignidade do paciente.
“A próxima fronteira na redução da mortalidade e na preservação da dignidade humana no paciente crítico reside na integração, comunicação e empoderamento contínuo de todas as disciplinas ao redor do leito.”
Encerrando as apresentações, o Acadêmico José de Jesus Peixoto Camargo discutiu a “Atitude Pessoal do Médico na Emergência Pós-Operatória”, retomando a relação entre tecnologia e vínculo humano. Para ele, a inteligência artificial pode assumir tarefas e processos que consomem tempo do profissional, permitindo maior dedicação ao paciente.
“Bem usada, a inteligência artificial vai significar mais tempo do médico para o seu paciente.”
Ele ressaltou, contudo, que a tecnologia não deve afastar o médico da dimensão humana de sua profissão. A capacidade de compreender sentimentos, estabelecer confiança e oferecer acolhimento permanece essencial.
“Entender de sentimentos humanos é que vai nos diferenciar do robô.”
A programação foi encerrada após a sessão de perguntas e comentários, consolidando uma reflexão sobre os diferentes caminhos da medicina contemporânea. Ao reunir o reconhecimento à trajetória científica da Doutora Selma Jeronimo, a homenagem à memória do Acadêmico José Manoel Jansen e o debate sobre o futuro do atendimento de emergências, a Academia Nacional de Medicina reafirmou seu compromisso com a ciência, a formação médica, a inovação e, sobretudo, com uma medicina que alia conhecimento e tecnologia à escuta, à empatia e à humanização do cuidado.
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