Financiamento da pesquisa médica no Brasil é tema de sessão na Academia Nacional de Medicina

11/06/2026

Nesta quinta-feira (11), na Academia Nacional de Medicina, representantes das principais agências de fomento do país se reuniram para discutir os desafios e as perspectivas do financiamento público das atividades de pesquisa científica e tecnológica na área médica no Brasil. A sessão evidenciou a importância da articulação entre instituições estaduais e federais para garantir a sustentabilidade da ciência brasileira e transformar conhecimento em inovação.

Ao abrir os trabalhos, o Acadêmico Wanderlei de Souza destacou o protagonismo crescente das fundações estaduais de amparo à pesquisa no financiamento científico nacional, ressaltando a necessidade de ampliar a cooperação entre os diferentes atores do sistema de ciência e tecnologia.

A primeira conferência foi conduzida pela Acadêmica Eliete Bouskela, também diretora científica da FAPERJ, que apresentou um panorama dos investimentos da fundação em saúde, abrangendo desde a pesquisa clínica até o apoio a hospitais universitários, doenças raras e doenças negligenciadas. Ao abordar os desafios enfrentados pelos pesquisadores, ela enfatizou a importância da previsibilidade orçamentária para o desenvolvimento científico. “A gente continua crescendo”, afirmou ao apresentar os números de auxílios e bolsas concedidos pela instituição, defendendo ainda o fortalecimento da inovação e da infraestrutura de pesquisa no país.

Acadêmica Eliete Bouskela apresenta um panorama dos investimentos da fundação em saúde

Na sequência, Marco Antônio Zago, presidente da FAPESP, mostrou como o investimento contínuo em ciência e tecnologia tem contribuído para consolidar um ambiente favorável à inovação. Em sua apresentação, destacou programas voltados à formação de lideranças científicas, ao desenvolvimento de novas tecnologias e ao incentivo a empresas de base tecnológica, ressaltando o papel estratégico da pesquisa para a competitividade e o desenvolvimento nacional.

Marco Antônio Zago mostra como o investimento contínuo em ciência e tecnologia tem contribuído para consolidar um ambiente favorável à inovação

Nos Recentes Progressos, coordenado pelo Acadêmico José Galvão-Alves, o também Acadêmico Gerson Lima apresentou a conferência “Literatura e Ciência”, na qual abordou as conexões entre ciência, arte e literatura, defendendo o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e destacando seu papel na compreensão da realidade e na produção científica.

Acadêmico Gerson Lima apresenta a conferência “Literatura e Ciência”, na qual abordou as conexões entre ciência, arte e literatura.

A discussão avançou para o cenário federal com a participação de Daniela Freddo, diretora de Informação Científica e Estudos Avançados da CAPES, representando a presidente da instituição, Denise Carvalho. A conferencista apresentou dados sobre a pós-graduação brasileira e reforçou a importância da formação de recursos humanos altamente qualificados para sustentar o avanço da pesquisa médica e biomédica no país.

Representando o CNPq, Dalila Oliveira destacou a atuação da agência no financiamento de projetos científicos, na concessão de bolsas e na promoção da cooperação internacional. Ao abordar os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), ressaltou a capacidade do programa de integrar diferentes instituições em torno de pesquisas estratégicas para o desenvolvimento científico brasileiro.

O presidente da FINEP, Luis Antonio Elias, abordou a necessidade de fortalecer a infraestrutura científica e tecnológica nacional para enfrentar desafios contemporâneos, como a transformação digital, a inteligência artificial, a transição energética e as mudanças climáticas. Em sua avaliação, reduzir a distância entre a produção científica e a inovação tecnológica é fundamental para ampliar a competitividade do país e gerar impactos concretos na saúde da população.

Encerrando a sessão, Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde, destacou iniciativas voltadas à aproximação entre pesquisa científica e inovação tecnológica. Entre elas, citou investimentos em centros de competência em RNA mensageiro e a criação de um Consórcio Nacional de Pesquisa em Câncer. Segundo ela, as novas ações buscam reduzir a distância entre a produção científica e sua aplicação prática, fortalecendo o desenvolvimento de tecnologias estratégicas para o Sistema Único de Saúde.

Ao longo do encontro, uma mensagem foi compartilhada por todos os conferencistas: a ciência exige investimento contínuo, planejamento de longo prazo e estabilidade institucional. O debate reforçou que o financiamento da pesquisa não deve ser encarado apenas como uma despesa, mas como um investimento estratégico para o desenvolvimento econômico, tecnológico e social do Brasil, capaz de gerar conhecimento, inovação e melhores condições de saúde para a sociedade.

Para melhorar sua experiência de navegação, utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes. Ao continuar, você concorda com a nossa política de privacidade.