Anatomia, imagem e inteligência artificial pautam sessão da Academia Nacional de Medicina

07/05/2026

A Secção de Ciências Aplicadas da Academia Nacional de Medicina realizou, nesta quinta-feira (7), a sessão científica “Atlas Anatômico: a imagem avançada, morfologia normal e patológica na era da inteligência artificial”, com debates sobre como a integração entre anatomia, radiologia, patologia e inteligência artificial vem transformando a medicina contemporânea.

Na abertura, o Acadêmico Carlos Alberto Mandarim-de-Lacerda destacou a evolução histórica do ensino anatômico e ressaltou o impacto das novas tecnologias na formação médica. “A mudança no estudo da anatomia é uma coisa fantástica”, afirmou.

Acadêmico Paulo Saldiva apresenta impactos microscópicos da poluição no organismo

Um dos principais destaques da programação foi a conferência do professor Paulo Hilário Nascimento Saldiva sobre os efeitos microscópicos da poluição atmosférica no organismo humano. Em uma apresentação marcada por imagens e análises morfológicas, ele questionou: “Como você enxerga a poluição através do microscópio?”, explicando que a microscopia permite “detectar a cartografia da distribuição dos poluentes pelo corpo”.

O pesquisador demonstrou como partículas ultrafinas de carbono alcançam diferentes órgãos, inclusive o cérebro. Segundo ele, essas partículas “atravessam a placenta, saem pelo rim e vão para o sistema nervoso central”. Em outro momento marcante, destacou: “Nunca o sistema nervoso esteve tão próximo da rua”, ao explicar o papel do epitélio olfatório como porta de entrada para poluentes e agentes infecciosos.

O Acadêmico também abordou os efeitos neuroinflamatórios da poluição e sua possível relação com doenças neurodegenerativas. “Não estou dizendo que isso é a causa do Alzheimer, mas também não vai fazer bem”, afirmou ao comentar a ativação de micróglias próximas às partículas de carbono. Em uma síntese da dimensão do problema, declarou: “a poluição estava nas casas, nas minas, depois ganhou as ruas e agora está ganhando o nosso corpo”.

Estudos sobre diabetes e anatomia cardíaca ampliam debate sobre morfologia

A programação incluiu ainda a apresentação do professor Luiz Eduardo de Macedo Cardoso, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, sobre o envolvimento do estroma pancreático na progressão do diabetes tipo 2. O pesquisador destacou avanços em estudos sobre fibrose e depósito amiloide nas ilhotas pancreáticas e observou que atualmente “o Alzheimer se caracteriza como sendo um diabetes tipo 3”, devido às semelhanças nos mecanismos patológicos.

Na sequência, o Acadêmico Carlos Alberto Mandarim-de-Lacerda apresentou a conferência “O sistema de condução do coração como paradigma da coevolução entre anatomia e medicina”, abordando desde os estudos anatômicos clássicos até os avanços contemporâneos em eletrofisiologia e inteligência artificial. Ao discutir a evolução tecnológica da cardiologia, destacou que “o futuro do eletrocardiograma vai ser no nosso relógio, no nosso smartwatch”.

Radiômica e inteligência artificial apontam caminhos da medicina diagnóstica

O encerramento ficou a cargo do Acadêmico Giovanni Guido Cerri, que apresentou reflexões sobre radiômica, radiogenômica e medicina de precisão. Segundo ele, “a imagem deixa de ser apenas anatômica e passa a ser um modelo computacional de doença”, ressaltando como a inteligência artificial permitirá identificar padrões invisíveis ao olhar humano.

Ele enfatizou ainda que a medicina diagnóstica caminha para uma integração cada vez maior entre imagem, genética e análise computacional. “A radiologia do futuro está baseada em dados”, afirmou, destacando que os exames de imagem deixarão de atuar apenas como representação anatômica para se tornarem ferramentas preditivas e personalizadas.

Medicina do futuro exigirá integração entre diferentes especialidades

Durante os debates finais, professor Paulo Saldiva reforçou a necessidade de integração entre anatomia, radiologia, patologia e biologia molecular. Para ele, os médicos do futuro serão “curadores de informação”, responsáveis por reunir “imagens, células, tecidos e moléculas” em um contexto clínico unificado.

A sessão trouxe um amplo panorama sobre o futuro da medicina diagnóstica, evidenciando o papel central da inteligência artificial e da análise de dados na construção de uma medicina mais precisa, integrada e personalizada.

Para assistir a sessão completa, clique aqui e aqui.

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