Manifesto de apoio às medidas judiciais e administrativas contra o fechamento do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle

06/08/2026

Nós, cidadãs e cidadãos subscritores deste manifesto — pacientes, profissionais de saúde, estudantes, professores e amigos do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG/UNIRIO), vimos a público declarar nosso integral apoio às medidas judiciais e administrativas adotadas contra o processo de esvaziamento que ameaça de morte um hospital de quase cem anos de serviços prestados ao povo do Rio de Janeiro.

Inaugurado em 1929 como a maior obra filantrópica da Fundação Gaffrée e Guinle, concebida com o auxílio de nomes como Carlos Chagas e Miguel Couto, o hospital venceu a sífilis que assolava a cidade no início do século passado, foi pioneiro nacional no tratamento multidisciplinar do HIV/AIDS, esteve na linha de frente da pandemia de COVID-19 e forma, há mais de sessenta anos, gerações de médicos ao lado da Escola de Medicina e Cirurgia da UNIRIO.

Sob o rótulo de “fusão” com o antigo Hospital dos Servidores, executa-se hoje um fechamento branco: sem nenhum ato formal de extinção, corre um cronograma oficial de migração integral dos serviços, leitos e equipes do HUGG para o Centro da cidade, no prazo de apenas doze meses. Enfermarias vêm sendo desativadas, equipes desfeitas e pacientes desreferenciados, sem estudo público de impacto, sem consulta aos conselhos de saúde e sem qualquer garantia sobre o destino do prédio histórico da Rua Mariz e Barros.

A Tijuca, Vila Isabel, o Maracanã, o Andaraí, o Grajaú, o Rio Comprido e toda a Zona Norte, onde gerações nasceram na maternidade do Gaffrée, trataram-se em seus ambulatórios e acompanharam seus familiares em suas enfermarias não podem perder seu hospital. Saúde pública não se suprime: a Constituição veda o retrocesso nas conquistas sociais e exige a participação da comunidade nas decisões do SUS. Nada disso foi respeitado.

Declaramos, assim, nosso apoio expresso: (i) às ações judiciais para suspender imediatamente a transferência dos serviços, a desativação de enfermarias e a dispersão das equipes do HUGG, e para anular os atos que promovem o seu esvaziamento; e (ii) às medidas administrativas dela decorrentes, representações ao Ministério Público Federal, aos conselhos de saúde e aos órgãos de controle.

Este manifesto será levado aos autos e às autoridades competentes, como expressão da vontade da população que este hospital serve há quase um século. O Gaffrée e Guinle é patrimônio da saúde, da ciência e da memória do Rio de Janeiro.

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