A Academia Nacional de Medicina realizou, nesta quinta-feira (18), uma sessão científica dedicada aos avanços da cardiologia contemporânea. Com o tema “Cardiologia na Atualidade: Integração, Inovação e Desafios”, especialistas discutiram o cenário epidemiológico das doenças cardiovasculares, estratégias de prevenção, o impacto da atividade física e as inovações tecnológicas que vêm transformando o diagnóstico e o tratamento dos pacientes.

Na abertura da sessão, o presidente da ANM, Acadêmico Antonio Egidio Nardi, destacou a importância de reunir especialistas para apresentar uma atualização sobre a cardiologia, ressaltando o compromisso da Academia com a difusão do conhecimento científico. Em seguida, o Acadêmico Rui Maciel, um dos coordenadores da sessão, enfatizou o crescimento das doenças cardiovasculares no Brasil e no mundo e defendeu a integração entre pesquisa, inovação e prevenção como estratégia fundamental para enfrentar esse desafio.
A primeira conferência apresentou um panorama da situação das doenças cardiovasculares no Brasil com base em dados do Global Burden of Disease e do Observatório de Saúde Cardiovascular do Instituto Nacional de Cardiologia. Os dados evidenciaram que as doenças isquêmicas do coração continuam sendo a principal causa de morte no país e que o número de internações por infarto agudo do miocárdio tem aumentado ao longo dos últimos anos. Também foi destacado o crescimento gradual da incidência entre mulheres e adultos jovens, reforçando a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à prevenção.
Na sequência, o Professor Claudio Gil Araújo abordou o papel da aptidão física como um dos principais determinantes da saúde cardiovascular. Segundo o especialista, “o teste de exercício tem relevância diagnóstica, mas é muito maior como relevância prognóstica”, defendendo que a avaliação da capacidade funcional e o incentivo à prática regular de atividade física devem ocupar posição central na prevenção e no tratamento das doenças cardiovasculares.

As apresentações também discutiram a relação entre obesidade, inflamação crônica e doenças cardiovasculares, destacando como alterações metabólicas favorecem o desenvolvimento dessas enfermidades. Outro ponto de destaque foi o impacto do envelhecimento populacional sobre os sistemas de saúde, reforçando a necessidade de investir em ações preventivas e em políticas públicas voltadas ao envelhecimento saudável. Durante os debates, o Acadêmico José Augusto Messias ressaltou que “não há sistema de saúde que consiga suportar essa sobrecarga de doenças graves e incuráveis se não atuarmos na prevenção”, enfatizando que as medidas preventivas devem começar ainda na infância.
Encerrando a programação científica, o Acadêmico José Galvão-Alves, apresentou o Acadêmico Roberto Kalil Filho, responsável pela conferência sobre os novos paradigmas da doença arterial coronariana. Em sua exposição, ele mostrou como a inteligência artificial, os dispositivos vestíveis, o monitoramento remoto e os métodos avançados de imagem estão impulsionando a transição para uma cardiologia de precisão. Segundo o conferencista, “a cardiologia tradicional é reativa e episódica; nesta nova fase da cardiologia, ela é preditiva e contínua”, evidenciando a transformação promovida pelas novas tecnologias.

O Acadêmico destacou ainda os avanços obtidos com exames de imagem intracoronária, como a tecnologia Photon Counting CT, o ultrassom intracoronário (IVUS), a tomografia por coerência óptica (OCT) e a avaliação funcional do fluxo coronariano (FFR), que permitem diagnósticos mais precisos e decisões terapêuticas mais seguras. Também apresentou aplicações da inteligência artificial no planejamento de procedimentos, capazes de aumentar a precisão do implante de stents e contribuir para tratamentos cada vez mais individualizados.
Ao final da sessão, ficou evidenciado o consenso entre os especialistas de que, embora os avanços tecnológicos estejam revolucionando a cardiologia, a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz para reduzir a mortalidade cardiovascular. A integração entre inovação, pesquisa científica e promoção da saúde foi apontada como essencial para enfrentar os desafios atuais e futuros das doenças cardiovasculares.