Longevidade sob diferentes perspectivas científicas é tema de sessão da Academia Nacional de Medicina

13/07/2026

A Academia Nacional de Medicina promoveu nesta quinta-feira (02) a sessão científica “Longevidade: Bases Biológicas, Cuidado Clínico e Saúde Mental”, reunindo especialistas para discutir os principais desafios e avanços relacionados ao envelhecimento saudável. Coordenado pelo Acadêmico Carlos Alberto Mandarim-de-Lacerda, o encontro abordou aspectos biológicos, clínicos e psiquiátricos da longevidade.

Bancada da sessão científica sobre “Longevidade: Bases Biológicas, Cuidado Clínico e Saúde Mental”

Abrindo o ciclo de conferências, a Professora Doutora Flávia Alcantara Gomes destacou que, embora a genética influencie a longevidade, os hábitos de vida são determinantes para um envelhecimento saudável. Alimentação equilibrada, atividade física, sono de qualidade e controle dos fatores de risco cardiovasculares figuram entre as principais estratégias preventivas.

Professora Doutora Flávia Alcantara Gomes destaca que, embora a genética influencie a longevidade, os hábitos de vida são determinantes para um envelhecimento saudável

Durante a apresentação, resumiu a relação entre herança genética e estilo de vida ao afirmar que “a genética carrega a arma, mas o ambiente puxa o gatilho”.

Já o professor Roberto Alves Lourenço apresentou o conceito de capacidade intrínseca, adotado pela Organização Mundial da Saúde como referência para avaliar a saúde da pessoa idosa. Segundo ele, preservar a funcionalidade deve ser o principal objetivo da assistência.

Professor Roberto Alves Lourenço destacou a capacidade intrínseca como referência para avaliar a saúde da pessoa idosa, ressaltando que preservar a funcionalidade é essencial para um envelhecimento saudável

“O objetivo da atenção à saúde da pessoa idosa não é apenas aumentar a sobrevida, mas preservar a capacidade intrínseca, a independência funcional, a autonomia e a qualidade de vida.”

Encerrando as palestras, o professor Gilberto Alves, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), abordou os aspectos psiquiátricos do envelhecimento e defendeu que saúde mental, vínculos sociais e prevenção devem ocupar posição central nas políticas públicas voltadas à população idosa.

Professor Gilberto Alves abordou os aspectos psiquiátricos do envelhecimento e defendeu que saúde mental, vínculos sociais e prevenção devem ocupar posição central nas políticas públicas voltadas à população idosa

Ao discutir os fatores de risco para demência, destacou a importância da educação ao longo da vida e afirmou que “o maior fator de risco para demência é a baixa escolaridade até os dez anos de idade”. Em sua reflexão final, ressaltou que “o envelhecimento é também aprender a redirecionar o nosso olhar de uma forma contemplativa”.

O debate foi conduzido pelo presidente da ANM, Acadêmico Antonio Egidio Nardi, que levantou questões sobre as chamadas “zonas azuis”, o diagnóstico precoce das demências e a importância do convívio familiar. Os conferencistas defenderam que fatores como participação social, atividade física, alimentação saudável e fortalecimento das redes de apoio exercem impacto maior sobre a longevidade do que a própria genética.

Psiquiatra, Presidente Antonio Egidio Nardi levantou questões sobre as chamadas “zonas azuis”, o diagnóstico precoce das demências e a importância do convívio familiar

Ao encerrar a sessão, Antonio Egidio Nardi destacou a importância da permanência do idoso no ambiente familiar e comunitário como estratégia para preservar a autonomia, a cognição e a qualidade de vida, reforçando a necessidade de uma abordagem integrada para enfrentar os desafios do envelhecimento populacional.

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