Especialistas discutem avanços no diagnóstico, prevenção e tratamento da litíase renal e do câncer renal na Academia Nacional de Medicina

16/07/2026

A Academia Nacional de Medicina realizou nesta quinta-feira (16) a Sessão da Seção de Cirurgia – Urologia, dedicada às doenças renais sob diferentes perspectivas. A programação reuniu especialistas para discutir os avanços no diagnóstico, prevenção e tratamento da nefrolitíase (litíase renal) e do câncer renal, além de promover um debate sobre novas evidências científicas e desafios clínicos.

Sessão da Seção de Cirurgia – Urologia

A abertura foi conduzida pelo presidente da ANM, Acadêmico Antonio Egidio Nardi, que saudou os presentes e cumprimentou os acadêmicos Maurício Magalhães, José Suassuna e Mauricio Younes, antes de passar a coordenação dos trabalhos aos organizadores da sessão.

Legado de Nestor Schor marcou abertura da sessão

Ao introduzir o tema, o Acadêmico José Suassuna explicou que a discussão sobre litíase renal foi incorporada ao módulo de Cirurgia por solicitação da Diretoria da Academia, ressaltando a importância da doença como problema de saúde pública.

Acadêmico José Suassuna explicou que a discussão sobre litíase renal foi incorporada ao módulo de Cirurgia por solicitação da Diretoria da Academia

Diagnóstico metabólico é essencial para prevenir recorrências

Responsável pela primeira conferência, Lucas Aboud iniciou sua apresentação agradecendo o convite e ressaltando a elevada prevalência da nefrolitíase. Segundo o especialista, o papel do nefrologista vai além do tratamento do episódio agudo, sendo fundamental identificar a causa metabólica da doença para reduzir o risco de novos episódios.

A palestra foi baseada na Diretriz Brasileira para Diagnóstico da Litíase Renal.

Durante a exposição, o especialista apresentou os principais métodos diagnósticos, destacando a tomografia computadorizada sem contraste como padrão-ouro para identificação dos cálculos renais. Também enfatizou a importância da investigação laboratorial, da coleta adequada da urina de 24 horas e da análise da composição do cálculo.

Ele chamou atenção para o fato de que as alterações metabólicas representam apenas “a ponta do iceberg”, podendo indicar doenças sistêmicas ainda não diagnosticadas.

Ao concluir, reforçou que uma investigação completa deve reunir história clínica, exames de imagem, exames laboratoriais, urina de 24 horas e análise do cálculo renal, encerrando a apresentação agradecendo aos participantes.

Evidências científicas reforçam importância da alimentação na prevenção

Assim como Lucas Aboud, Prof.ª Ita Pfeferman Heilberg destacou que os cálculos renais representam apenas a manifestação inicial de um quadro mais complexo, concentrando sua exposição nas estratégias clínicas e nutricionais capazes de reduzir a recorrência da doença.

Um dos principais pontos abordados foi a mudança de paradigma em relação ao consumo de cálcio. Com base em estudos publicados no New England Journal of Medicine, Ita explicou que a restrição desse nutriente deixou de ser recomendada para pacientes com litíase renal.

“Ao contrário do que se imaginava, a incidência cumulativa de recorrência de litíase era maior quando você tinha uma restrição de cálcio.”

A especialista também discutiu os impactos da hiperoxalúria, das cirurgias bariátricas, das dietas hiperproteicas, do uso indiscriminado de suplementos alimentares e destacou os benefícios do citrato presente nas frutas e da dieta DASH como estratégias preventivas.

Debate reuniu especialistas da Academia

A discussão contou com a participação dos acadêmicos Mauricio Younes, Maurício Magalhães, Antonio Egidio Nardi e Margareth Dalcolmo, que levantaram questões sobre microbioma urinário, suplementação de cálcio, uso de lítio, agonistas de GLP-1 e os riscos relacionados ao consumo indiscriminado de suplementos alimentares.

Acadêmicos levantaram questões sobre microbioma urinário, suplementação de cálcio, uso de lítio, agonistas de GLP-1

Ao comentar esse cenário, Profª. Ita Heilberg alertou para a ausência de controle de qualidade desses produtos e destacou a necessidade de priorizar a alimentação adequada.

“As pessoas estão virando astronautas, e elas preferem suplementos do que comida.”

Na segunda parte da sessão, dedicada ao câncer renal, o Acadêmico Fernando Vaz apresentou o conferencista Dr. José Maurício Mota, que abordou os avanços no diagnóstico e no tratamento da doença, enfatizando a importância da individualização terapêutica e da preservação da função renal sempre que possível.

Dr. José Maurício Mota abordou os avanços no diagnóstico e no tratamento do câncer renal

O Acadêmico Fernando Vaz também ressaltou a evolução do tratamento do câncer renal nas últimas décadas. Segundo ele, os avanços tecnológicos e o aprofundamento do conhecimento sobre a doença têm permitido abordagens cada vez mais precisas e conservadoras, preservando a função renal e proporcionando melhores resultados aos pacientes.

Acadêmico Fernando Vaz também ressaltou a evolução do tratamento do câncer renal nas últimas décadas.

A arguição foi conduzida pelo Acadêmico André Berger, que promoveu um debate sobre indicações cirúrgicas, nefrectomia parcial e manejo dos pacientes com função renal reduzida.

Encerrando a sessão, o presidente Antonio Egidio Nardi agradeceu aos organizadores e conferencistas pelas apresentações e ressaltou a qualidade científica dos debates promovidos pela Seção de Cirurgia – Urologia. Também destacou a relevância da troca de conhecimentos entre diferentes especialidades para o aprimoramento da assistência aos pacientes e para o avanço da medicina.

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