Cirurgia Plástica e medicina regenerativa são destaques em sessão científica da ANM

25/06/2026

Aconteceu nesta quinta-feira (25), na Academia Nacional de Medicina, uma sessão científica dedicada aos avanços da Cirurgia Plástica, com ênfase na reconstrução mamária, medicina regenerativa e novas técnicas reconstrutivas aplicadas ao tratamento do câncer de mama e de outras condições que demandam reparação tecidual.

Coordenado pelo Acadêmico José Horácio Aboudib, a sessão reuniu especialistas que apresentaram os mais recentes avanços da especialidade, evidenciando a crescente integração entre cirurgia plástica, oncologia e outras áreas da medicina.

A primeira conferência foi ministrada pelo professor titular de Cirurgia Plástica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Diogo Franco, que abordou o tema “Reconstrução mamária utilizando próteses e expansores”. Em sua apresentação, destacou a evolução das técnicas reconstrutivas e a importância do planejamento multidisciplinar na definição da melhor estratégia para cada paciente.

Professor titular de Cirurgia Plástica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Diogo Franco, que abordou o tema “Reconstrução mamária utilizando próteses e expansores”

Durante a conferência, foi ressaltado que a reconstrução mamária deixou de ser vista apenas como um procedimento estético e passou a integrar o tratamento oncológico, contribuindo para a recuperação física, emocional e para a qualidade de vida das pacientes. Os especialistas enfatizaram que a escolha entre reconstrução imediata ou tardia deve considerar fatores como a extensão da doença, a necessidade de radioterapia e as características individuais de cada caso.

O debate também abordou os desafios da reconstrução em pacientes submetidas à radioterapia. Entre os principais consensos, destacou-se a necessidade de individualizar as condutas, conforme sintetizado na afirmação: “Cada caso deve ser observado de forma individual. Mas os princípios e os objetivos devem ser esses.” Também foi discutida a reconstrução em dois tempos como alternativa para pacientes que necessitam de radioterapia, estratégia considerada capaz de proporcionar melhores resultados reconstrutivos.

Na segunda parte da sessão, o foco voltou-se para a medicina regenerativa e o potencial terapêutico da gordura autóloga. As apresentações demonstraram como os enxertos de gordura e as células-tronco derivadas do tecido adiposo vêm ampliando as possibilidades de tratamento de sequelas cicatriciais, perdas de tecido e lesões complexas.

Entre os destaques, foi apresentada a capacidade regenerativa da lipoenxertia, técnica que estimula a recuperação biológica dos tecidos e favorece a restauração funcional das áreas tratadas. Como ressaltado durante uma das conferências: “Esse é um mecanismo de regeneração através da regeneração da própria célula do nosso corpo.”

O cirurgião plástico Luiz Haroldo Pereira, pioneiro da lipoaspiração e da lipoenxertia no Brasil, destacou a mudança de paradigma em relação ao tecido adiposo, hoje reconhecido como uma das principais fontes de células-tronco utilizadas na medicina regenerativa.

“A gordura não é ruim. A gordura é a maior fonte de células-tronco, a maior fonte de regeneração”, afirmou o especialista, ao explicar como a gordura passou a desempenhar papel estratégico não apenas na cirurgia plástica, mas também em especialidades como ortopedia, neurocirurgia e cirurgia vascular.

Ao final da sessão, os palestrantes reforçaram que a cirurgia plástica vive um momento de importantes transformações, impulsionado pelo avanço da medicina regenerativa e pelo desenvolvimento de novas técnicas reconstrutivas.

Assista a sessão completa clicando aqui e aqui.

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